"Leão
e Trump vêm de mundos diferentes: uma visão universal versus uma visão
egoísta", diz bispo emérito
Donald
Trump critica Francis Prevost. Há uma enorme distância política e cultural
entre esses dois estadunidenses, duas figuras simbólicas em nível global.
Michael Mulvey, 76, bispo emérito de Corpus Christi, Texas, um dos estados
republicanos por excelência, recentemente aposentado, relata o profundo
desconforto da comunidade católica após as palavras do presidente sobre o Papa.
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Eis a entrevista.
·
Como o senhor avalia os ataques do presidente Trump ao
Papa Leão XIV por suas posições sobre a guerra?
Trump e
o Papa Leão vêm de dois mundos diferentes. Nós somos fiéis ao Papa e
à sua visão, que é uma visão de paz. É muito doloroso pensar que uma figura
política possa criticar um homem de Deus que tem uma visão universal do
mundo. Trump tem uma visão egoísta, pensa primeiro em si mesmo e
projetou essa visão em sua política. Ele diz que quer paz, mas depois
bombardeia o Irã.
O Papa
lançou uma mensagem de paz, contra a guerra, com palavras fortes, porém de
diálogo. As palavras violentas que o presidente usou contra o Papa Leão são
inaceitáveis. Não sou psicólogo, mas, na minha opinião, são palavras que vêm de
um homem muito inseguro. Um homem inseguro que controla a maior potência
mundial. Trump é bilionário. Seu mundo é o dinheiro. Ele vem de uma
cultura onde o valor das pessoas se baseia no fato de que "quanto mais
você tem, mais você é". Todos que vão contra essa visão são atacados com
violência.
·
Trump afirma que o atual pontificado está prejudicando a
Igreja.
Isso é
ridículo. O Papa usa o Evangelho para falar de paz, e o presidente não pode
pretender que o Papa apoie aqueles que fazem guerra e criam violência.
Quando Trump diz que os iranianos não têm respeito pela humanidade,
ele está falando de todos os iranianos. Se você diz algo assim, você também não
tem respeito pela humanidade, porque não pode considerar todos os iranianos da
mesma forma. A violência está se tornando um padrão para tratar as pessoas.
Perdemos a cabeça. O fim, neste caso, não justifica os meios. Não pode
justificá-lo.
·
Em seu post, ele também citou Louis Prevost, irmão do
Papa, dizendo que o prefere por ser "totalmente MAGA". O irmão do
Papa deve ter se sentido desconfortável.
Eu
também acho. Não se pode acreditar que alguém que votou nos republicanos — e
leu isso na internet — seja "totalmente MAGA", seja com
certeza um seu apoiador. O Papa critica a guerra porque quer a paz no mundo. O
comportamento de Trump evidencia sua insegurança. Na história
estadunidense, houve apenas dois presidentes católicos: JFK
Kennedy e Joe Biden.
Normalmente,
a classe dominante branca indica um presidente ligado às igrejas evangélicas.
Você progride se estiver ligado a uma dessas igrejas. O problema das igrejas
evangélicas é o "evangelho da
prosperidade",
a teoria segundo a qual "quanto mais dinheiro você tem, mais Deus está com
você".
As
igrejas evangélicas acreditam nisso. Não existe a dimensão da dor, da
dificuldade da existência que faz parte da vida humana. Dê seu dinheiro à
igreja e, no final, Deus o abençoará. Essa é a mentalidade da igreja evangélica
que está crescendo, especialmente entre os republicanos.
·
O presidente também atribuiu a si mesmo um papel na
eleição do Papa. Ele disse: "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não
estaria no Vaticano".
Isso é
constrangedor e absolutamente escandaloso. Ele disse coisas inaceitáveis. Não é
de forma alguma verdade. Nos EUA, o consenso político permanece fortemente
ligado ao mundo religioso. Os políticos usam a
religião.
Não é o centro do seu pensamento, mas eles tentam explorá-la para benefício
próprio. Nos Estados Unidos, as igrejas estão cheias, não é como
na Europa. Ter o consenso das igrejas é importante para vencer as
eleições.
Trump
se fez retratar como Jesus curando um doente, com a águia estadunidense ao
fundo. Isso é um devocionismo blasfemo. Por que faz isso?
Vivemos
na terra de Hollywood, onde o que importa é a imagem. Essa imagem, para
mim, é blasfema. Mas algumas pessoas aqui acreditam nela. Você pode vender
qualquer produto para um estadunidense, basta usar uma imagem e as palavras
certas.
·
Os Estados Unidos não são mais o farol da democracia.
Nos
tornamos autorreferenciais, esse é o problema. Trump diz que somos o
centro do mundo, mas isso não é verdade. Não se pode seguir em frente sozinhos.
Não se pode anular os direitos humanos das pessoas; é preciso haver um esforço
pela paz e pelo diálogo, e se deve tentar incluir todos, se deve entender a
cultura, as linguagens e as histórias dos outros. Os Estados Unidos
foram construídos por migrantes. Todos os estadunidenses são filhos de
migrantes. A diversidade foi a riqueza dos Estados Unidos.
·
Os Estados Unidos "desunidos"?
Quando
nos tornamos autorreferenciais, só pensamos em nós mesmos. Eu amo muito
os Estados Unidos, mas este não é o país em que queremos viver. A política
fracassou.
Não há
relação entre os dois partidos: quando um é eleito, passa o tempo todo
criticando o outro. Não podemos continuar assim. Mesmo que a economia esteja
indo bem, as pessoas não estão felizes.
·
O que quer dizer?
Nas
grandes celebrações familiares, não se pode mais falar de política; não se pode
dizer em quem se votou porque corre-se o risco de brigar. O país está realmente
polarizado demais.
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Paolo Naso: A teopolítica de Trump, a evolução do
fundamentalismo cristão americano
"O
fundamentalismo evangélico hoje possui sua própria força independente que lhe
permite avançar em seu caminho, com a firme bênção de um presidente que parece
não ter escrúpulos em abraçar as causas mais radicais", escreve Paolo
Naso.
Paolo
Naso lecionou na Universidade Sapienza de Roma e foi professor visitante
em diversas universidades americanas. Suas obras sobre estudos americanos
incluem Martin Luther King: Uma História Americana (Laterza,
2021), Como uma Cidade no Alto de uma Colina: A Tradição Puritana e o
Movimento dos Direitos Civis nos EUA (Claudiana, 2008) e Deus Abençoe
a América: As Religiões dos Americanos (Riuniti, 2002).
>>>>Eis
o artigo.
O fundamentalismo
evangélico hoje
possui força própria que lhe permite avançar em seu caminho, com a bênção
convicta de um presidente que parece não ter escrúpulos em abraçar as causas
mais radicais. A imagem do presidente Trump, que, durante a guerra com o Irã, recebeu as bênçãos
de uma corte de pregadores
evangélicos reunidos em oração, está destinada a permanecer na história
da Casa Branca e da comunicação política global.
Aquele
que invoca a ajuda de Deus para uma nação em guerra não é um fundamentalista
islâmico, nem um cesaropapista da escola russa, mas o presidente de uma
democracia laica cujos princípios fundadores incluem a separação entre Estado e
denominações religiosas.
Com a
postura de um sumo sacerdote no centro do altar, o comandante supremo da maior
potência mundial se retrata em oração. É o ato litúrgico do nacionalismo cristão, uma teologia que
entrelaça a ideia do excepcionalismo americano com sua tradição religiosa e seu
papel como superpotência que se coloca "na presença de Deus".
Uma
religião civil, diríamos no passado. Para nós, porém, parece ser uma variante
de uma religiosidade
conservadora e
patriótica, regressiva e repressiva, que busca alimento e justificação nos
textos bíblicos e na tradição cristã da América. Em suma, no
fundamentalismo evangélico.
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Os dados sobre o fenômeno
O
fenômeno fundamentalista nasceu e cresceu em um contexto peculiar, que os dados
ilustram eloquentemente: depois do Brasil, os Estados Unidos são
o país de maioria cristã com a maior porcentagem de frequência semanal à igreja
(38%), em comparação com 4% na França ou 10% na Alemanha. Evangélicos — um
termo genérico que hoje engloba a maioria dos fundamentalistas, em sentido
estrito — representam quase 30% dos americanos, católicos são quase 24%, e
protestantes históricos, adeptos das chamadas denominações tradicionais, não
passam de 13%; os "sem religião", aqueles que não pertencem a nenhuma
comunidade religiosa, representam apenas 17%.
Em suas
origens, há mais de cem anos, o fundamentalismo era uma opção teológica nascida
dentro do protestantismo americano, que defendia a inerrância absoluta e
indiscutível do texto bíblico. Seu inimigo declarado era a teologia liberal, acusada de propor
uma abordagem histórico-crítica ao texto bíblico que, para os fundamentalistas,
minava sua credibilidade e, em última análise, matava a alma da fé cristã.
Seu impacto político foi insignificante, mas cem anos depois parece ser um ator
decisivo na dinâmica institucional dos Estados Unidos.
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O divisor de águas de Reagan
Os
pioneiros do movimento evangélico, a começar por Billy Graham, evitaram
identificar-se com uma ideologia política, praticando uma espécie de surfe
político com o objetivo de manter um diálogo com diferentes setores da
sociedade americana. O ponto de virada da década de 1980, que veio
com Ronald Reagan, constitui, portanto, um divisor de águas histórico e,
em certo sentido, definitivo.
Quanto
mais a esquerda liberal abandonava o discurso público sobre religião, mais os
valores religiosos tornavam-se monopólio de grupos de pressão que, com
crescente clareza, apreenderam o valor político-eleitoral da "lacuna
religiosa" e a preencheram formulando um pacote de valores religiosos
apresentado como a solução para a crise e a decadência da América.
Os
grandes aparatos do protestantismo
americano —
a começar pelo Conselho Nacional de Igrejas, mas também as denominações
individuais e mais prestigiosas, como presbiterianos, metodistas, episcopais
(Comunhão Anglicana), luteranos e uma gama diversa de tradições calvinistas —
não conseguiram compreender a magnitude desse desafio e se viram administrando,
com recursos cada vez mais escassos, um passado prestigioso que é cada vez
menos capaz de impactar o presente.
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Dividindo as igrejas
Nos
últimos anos, a questão da homossexualidade, a ordenação de
pastores abertamente gays e o reconhecimento de
casais do mesmo sexo tornaram-se
o aríete com o qual setores fundamentalistas — agora amplamente identificados
com a direita religiosa — dividiram as igrejas históricas: presbiterianos,
luteranos, metodistas e outros vivenciaram décadas de tensões internas
dilacerantes que resultaram em verdadeiros cismas.
A
adesão quase messiânica ao trumpismo é o mais recente desses passos. O risco é
grave porque, começando com o apelo rigoroso por uma interpretação literal
da Bíblia, o fundamentalismo evangélico corre o risco de se
tornar a teologia dominante de um nacionalismo cristão construído em
torno da ação autocrática de um líder que ameaça bens constitucionais
fundamentais e polariza a sociedade americana em campos ideológicos cada vez
mais divididos e conflitantes.
A
adesão quase messiânica ao trumpismo é o passo mais
recente nessa direção. O risco é grave porque, começando com o apelo rigoroso a
uma interpretação literalista da Bíblia, o fundamentalismo
evangélico corre o risco de se tornar a teologia dominante de um
nacionalismo cristão construído em torno das ações autocráticas de um líder que
ameaça bens constitucionais fundamentais e polariza a sociedade americana em
campos ideológicos cada vez mais divididos e conflitantes. O funeral de Charlie
Kirk,
o ativista de direita (e da direita religiosa) morto em um ataque em 10 de
setembro de 2025, indicou a liturgia desse nacionalismo cristão, banhada
no sangue de um mártir que, postumamente, legitima o discurso de ódio que
proferiu em vida. Desse evento trágico, permanece a conclusão perturbadora do
presidente Trump. Após as palavras que a viúva da vítima havia expressado
sobre o assassino, ele quis expressar sua opinião divergente: "Kirk não
odiava seus oponentes, ele queria o melhor para eles. É aí que discordo
de Charlie. Eu odeio meu oponente. E não quero o melhor para ele. Sinto
muito. Sinto muito."
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Direito ao ódio
O direito ao ódio emerge,
portanto, como uma virtude da teologia do nacionalismo
cristão interpretada e abençoada por Trump, que pode ter uma alma
eminentemente política e até mesmo secularizada, mas que não teria produzido
efeitos tão significativos se não tivesse sido alimentada e nutrida por
correntes do fundamentalismo evangélico e seu aliado anômalo:
o tradicionalismo católico. Esse encontro de objetivos comuns ocorre com
base na rejeição do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, do ensino
religioso nas escolas e de outras questões consideradas geralmente morais ou
ligadas aos valores mais tradicionais do patriarcado.
O fundamentalismo
evangélico hoje possui sua própria força independente que lhe permite
avançar em seu caminho, com a firme bênção de um presidente que parece não ter
escrúpulos em abraçar as causas mais radicais. Incluindo a da confessionalização
cristã de uma América, cujo prefeito recentemente e legitimamente inaugurou seu
mandato jurando sobre o Alcorão. E aqui reside o maior paradoxo
do fundamentalismo: uma corrente teológica nascida há pouco mais de cem
anos para defender a estrita adesão literal ao texto bíblico, para protegê-lo
da contaminação do pensamento e da política modernos, hoje se vê interpretada
por aqueles que distorcem a Bíblia aos interesses e à teopolítica de
um nacionalismo cristão que busca elevá-la à religião de Estado.
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A mesquita, o silêncio e o desafio de Leão XIV. Por
Washingto Araújo
A cena
não foi desenhada para aplausos fáceis. Em 13 de abril de 2026, o Papa Leão XIV
atravessou a soleira da Grande Mesquita de Argel sem sapatos e sem discurso.
Permaneceu em silêncio por quase dez minutos ao lado do imã. Não há como
subestimar a potência política de um gesto assim num tempo em que palavras
demais encobrem a ausência de sentido.
Nascido
em Chicago, primeiro papa dos Estados Unidos e primeiro agostiniano a ocupar o
trono de São Pedro, Leão XIV chegou a Argel como parte de uma viagem de 11 dias
por quatro países africanos. Escolheu a terceira maior mesquita do mundo para
inaugurar, de forma inequívoca, o tom de seu pontificado. Não se tratou de
cortesia protocolar. Foi uma tomada de posição.
No voo
de volta, ao comentar o episódio, o pontífice afirmou que cristãos e muçulmanos
podem coexistir de maneira concreta, citando Argélia e Líbano como exemplos
imperfeitos, porém reais. Pediu aos católicos menos medo do Islã e mais
disposição para compreendê-lo. Não é a primeira vez. Desde o início do
pontificado, Leão XIV vem insistindo que o século XXI não comporta religiões
entrincheiradas.
Em
pronunciamento recente na Organização das Nações Unidas, foi além. Criticou o
“capitalismo que exclui” e também formas de “coletivismo que esmagam a
dignidade humana”, recusando rótulos simplistas sobre comunismo. Ao abordar a
escalada no Oriente Médio, citou Israel e Irã, defendendo cessar-fogo imediato
e uma arquitetura de segurança que inclua líderes religiosos como mediadores
ativos. Não é retórica vazia. É uma tentativa de devolver à fé um papel
civilizatório.
Nem
todos acolhem esse caminho. Setores conservadores da Igreja acusam o papa de
diluir diferenças doutrinárias profundas. Temem que a ênfase no diálogo
funcione como verniz sobre conflitos históricos. A crítica merece ser ouvida,
mas revela também o impasse de uma instituição que precisa falar ao mundo sem
perder a si mesma.
O que
me chama a atenção, contudo, não é a divergência previsível. É o contraste
brutal entre o silêncio de Argel e o barulho incessante que domina a vida
contemporânea. Vivemos imersos em uma sucessão de ruídos — informacionais,
ideológicos, emocionais — que nos empurram para reações rápidas e superficiais.
Nesse ambiente, o silêncio torna-se quase subversivo.
Há algo
de profundamente humano — e também profundamente espiritual — em parar, retirar
os sapatos e reconhecer o sagrado no espaço do outro.
Esse
gesto, mais do que qualquer discurso, questiona a lógica de confronto
permanente que tem marcado a política internacional e as relações entre
crenças.
Talvez
o ponto central esteja aqui: não se trata de apagar diferenças, mas de recusar
que elas sejam usadas como combustível para a separação. Em um mundo que
insiste em erguer muros, Leão XIV aposta em pontes. Em uma era de certezas
agressivas, ele sugere reflexão e escuta.
Insisto:
o planeta não precisa de mais vozes competindo por atenção. Precisa de mais
silêncio carregado de sentido. Precisa de menos medo do outro e mais
curiosidade. De menos caricaturas e mais encontro.
Ao
final, o gesto em Argel não permite leitura morna. Ele incomoda — e precisa
incomodar. A humanidade segue sendo uma só, embora fragmentada por fronteiras,
interesses e crenças que, muitas vezes, mais separam do que iluminam. E Deus,
qualquer que seja o nome que cada tradição lhe dê, não pode continuar tratado
como propriedade exclusiva, como se o sagrado tivesse dono, fronteira ou
passaporte.
Quando
o Papa Leão XIV entra descalço na Grande Mesquita de Argel e permanece ali, em
silêncio, ele não encerra conflitos nem dissolve séculos de tensão. Mas faz
algo que poucos líderes ousam: aponta, sem rodeios, para o esgotamento desse
mundo barulhento, ansioso e incapaz de escutar. O excesso de voz tem produzido
escassez de sentido.
Não
existe hoje tarefa mais urgente do que promover a unificação do gênero humano.
E aqui não há espaço para ambiguidade: Deus é um. As religiões são uma — porque
todas, em sua essência, voltam-se ao mesmo Deus, ainda que o nomeiem de formas
distintas. E a humanidade é uma. Simples assim. O resto — as divisões, os
muros, os preconceitos — é construção nossa. E, sendo construção, pode e deve
ser desfeita.
Fonte: Entrevista
com Michael Mulvey, para Riccardo Barlaam, no Il Sole 24 Ore - tradução de Luisa Rabolini, para IHU/Domani/Brasil 247

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