Governo
bloqueia 28 sites de apostas de predição no Brasil
O
Brasil bloqueou 28 sites de apostas de predição que operavam com previsões
sobre eventos políticos, esportivos e sociais, ampliando a fiscalização sobre o
setor de apostas online e buscando reduzir riscos financeiros aos usuários. A
medida faz parte da estratégia do governo federal para conter atividades fora
da legislação e evitar a expansão de plataformas irregulares.
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Como funcionam os mercados de predição
Essas
plataformas permitem que usuários apostem dinheiro no resultado de eventos
futuros, como eleições, decisões políticas, indicadores econômicos e até
programas de entretenimento. Diferentemente das apostas esportivas
tradicionais, esse modelo amplia o escopo para acontecimentos públicos e pode
se aproximar de instrumentos financeiros não autorizados no Brasil.
Segundo
o governo, esse tipo de operação expõe os participantes a riscos financeiros e
não atende às regras estabelecidas pela legislação brasileira.
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Irregularidades e violação da lei
Durante
a coletiva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que as plataformas
de predição não estão incluídas na regulação vigente. “Nós temos hoje, no
comando do Congresso Nacional, uma lei no mercado de apostas que tem sido
executada de maneira rigorosa. O mercado de predição não está aderente a essa
regulação do Congresso, portanto viola a lei que o Congresso aprovou que trata
de apostas”, afirmou.
Ele
também alertou para possíveis impactos no sistema financeiro. “Há outro campo
de preocupação que é dos derivativos do sistema financeiro. O Conselho
Monetário Nacional esclareceu quais são os ativos subjacentes que podem ser
objeto de derivativos — de modo que a gente não vá ter aqui previsão de chuva,
morte de uma determinada celebridade como possibilidade de ser encarado como
derivativo regular no Brasil”, acrescentou.
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Fiscalização mais rígida desde 2023
O
governo informou que a medida integra um esforço contínuo de fiscalização
iniciado em 2023. Entre 2024 e 2025, cerca de 39 mil domínios de apostas
irregulares foram bloqueados, além da remoção de mais de 450 perfis em redes
sociais ligados a essas atividades.
As
autoridades reforçaram que a ação não afeta empresas autorizadas a operar no
país, destacando que o objetivo é separar o mercado legal das plataformas que
atuam fora das normas brasileiras.
• Confira as 27 plataformas de mercado
preditivo bloqueadas pelo governo
O
governo federal anunciou nesta sexta-feira (24) o bloqueio de 27 plataformas de
mercado preditivo que operavam no Brasil em desacordo com a legislação. A
medida atinge empresas nacionais e internacionais e integra uma ofensiva para
conter atividades consideradas ilegais e com potencial de ampliar o
endividamento das famílias brasileiras.
As
informações foram divulgadas pelo Ministério da Fazenda, conforme noticiado
pela Broadcast. Segundo a pasta, as plataformas não seguem as regras aplicáveis
às apostas esportivas regulamentadas no país, o que impede qualquer
possibilidade de regularização.
Durante
coletiva no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou
que a irregularidade vai além da ausência de pagamento de outorga. “O mercado
preditivo, da forma como oferece seu produto, viola a lei aprovada pelo
Congresso, executada pela secretaria de prêmios e apostas, portanto o produto
oferecido por essas plataformas, em desacordo com a lei, não é passível de
regularização. O bloqueio é por desconformidade geral, não só pelo pagamento de
outorga”, disse.
O
ministro reforçou que não há alternativa para adequação. “Quando há
desconformidade, não há possibilidade de correção pelo pagamento de outorga”,
afirmou.
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Veja a lista das plataformas bloqueadas
O
Ministério da Fazenda divulgou os nomes das 27 plataformas atingidas pela
medida:
PredictIt
Palpita
Cravei
Previsao
Véspera
Palpitano
PRÉVIAS
– Plataforma de Mercado Preditivo
Predict
ProphetX
Prediction
Market
Robinhood
OG Prediction Markets & Real-Time Odds
Fanatics Markets
Novig
Hedgehog Markets
IBKR ForecastTrader
Voxfi
Futuriza
Eu Já
Sabia
Mercados
Preditivos
MercadoPred
Palpitada
Pliks
PolySwipe
PRED Exchange
Ruckus Market
Stride
Polymarket
Kalshi
Inicialmente,
o governo informou que 28 plataformas haviam sido bloqueadas, mas
posteriormente corrigiu o número para 27.
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Governo amplia restrições ao setor
Além do
bloqueio das plataformas, o governo também anunciou a proibição da venda de
derivativos relacionados a eventos esportivos, políticos, sociais, culturais e
de entretenimento.
• Entenda por que o governo acertou ao
proibir o mercado de apostas preditivas e saiba como a decisão afeta bilionária
brasileira
A
decisão do governo federal de proibir e enquadrar plataformas de mercado
preditivo como apostas representa um acerto regulatório que fecha uma brecha
perigosa no sistema financeiro e de jogos no Brasil. A medida, detalhada pela
Agência Gov, impede a expansão de um modelo que vinha sendo apresentado como
investimento, mas que, na prática, reproduz a lógica das bets e seus efeitos
sociais nocivos.
De
acordo com o Ministério da Fazenda, essas plataformas operam com contratos
baseados em eventos futuros — como eleições, indicadores econômicos ou
resultados esportivos — oferecendo ganhos financeiros a partir de “palpites”
sobre acontecimentos reais. Por essa razão, passaram a ser tratadas como
apostas de quota fixa, sujeitas às mesmas regras e restrições.
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Combate a distorções e proteção da economia popular
O
governo já determinou o fechamento de 28 plataformas desse tipo e intensificou
ações que incluem bloqueio de sites, retirada de aplicativos e interrupção de
fluxos financeiros. A ofensiva se soma a um esforço mais amplo que já resultou
no bloqueio de mais de 39 mil sites irregulares no país.
A
justificativa central é evitar que esse mercado cresça sem regulação,
replicando problemas já observados nas apostas online, como endividamento das
famílias, falta de transparência e exposição de jovens a mecanismos de jogo.
Dario
Durigan, ministro da Fazenda, destacou que não haverá tolerância com tentativas
de contornar a lei: “O Brasil estabeleceu regras claras para o funcionamento
das apostas de quota fixa, e não haverá espaço para quem tenta operar à margem
desse sistema ou criar estruturas para contornar a legislação”.
Na
mesma linha, o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, alertou:
“Plataformas não autorizadas não oferecem garantias mínimas e expõem os
usuários a riscos elevados. A atuação do Estado é fundamental para prevenir
danos e assegurar direitos”.
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O que são os mercados preditivos
Os
chamados mercados preditivos funcionam como uma espécie de bolsa de apostas
sobre eventos reais. Neles, usuários compram contratos baseados em perguntas
objetivas de “sim” ou “não”, como o resultado de uma eleição ou a variação de
um indicador econômico.
O preço
desses contratos varia conforme a probabilidade atribuída pelo mercado, criando
uma dinâmica que simula investimento financeiro, mas que, na prática, depende
de acertos sobre eventos futuros — característica central das apostas.
Foi
justamente esse modelo que levou ao sucesso de empresas como a Kalshi,
plataforma criada nos Estados Unidos que se tornou referência global nesse tipo
de operação.
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Caso de sucesso internacional e impacto da decisão
A
Kalshi foi cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, que se tornou a
bilionária mais jovem do mundo sem herança, segundo a Forbes. Com cerca de 12%
da empresa, ela acumula um patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão.
Fundada
em 2018 ao lado de Tarek Mansour, a plataforma permite a negociação de
contratos baseados em eventos futuros — exatamente o tipo de operação que agora
passa a ser proibido no Brasil. Regulamentada pela Comissão de Negociação de
Futuros dos EUA (CFTC), a empresa se posiciona como uma exchange financeira, e
não como casa de apostas.
O
modelo funciona de forma simples: cada contrato paga US$ 1 se o evento ocorrer
e zero caso contrário. O valor de negociação reflete a probabilidade estimada
pelos usuários, criando um mercado dinâmico que mistura finanças e apostas.
Apesar
do sucesso internacional, a lógica da Kalshi é a mesma que o governo brasileiro
decidiu barrar. Ao impedir a atuação desse tipo de plataforma, o Brasil evita a
importação de um modelo que poderia ampliar riscos econômicos e sociais sem
oferecer garantias adequadas aos consumidores.
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Alinhamento internacional e endurecimento regulatório
A
decisão brasileira segue uma tendência global. Diversos países já restringiram
ou proibiram mercados preditivos por entenderem que se tratam de apostas
disfarçadas de investimento.
No
Brasil, o enquadramento foi consolidado por meio de Nota Técnica da Secretaria
de Prêmios e Apostas, com respaldo da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Além disso, a Resolução nº 5.298 do Conselho Monetário Nacional proibiu
contratos derivativos ligados a eventos políticos, esportivos ou culturais.
Com
isso, essas plataformas deixam de poder se apresentar como instrumentos
financeiros e passam a ser tratadas como apostas ilegais quando operam fora do
sistema autorizado.
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Estratégia de asfixia financeira
A
atuação do governo não se limita ao bloqueio digital. A estratégia inclui
também a interrupção de operações financeiras ligadas a essas plataformas.
Até
agora, foram realizadas mais de 1.600 notificações a instituições financeiras e
quase 700 contas foram encerradas por envolvimento com apostas ilegais. O
objetivo é inviabilizar economicamente esse tipo de atividade.
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Defesa do interesse público
Ao
proibir o mercado de apostas preditivas, o governo busca evitar a criação de um
novo setor desregulado que poderia agravar problemas sociais já observados com
as bets.
A
decisão reforça o papel do Estado na proteção do consumidor e da economia
popular, ao mesmo tempo em que delimita claramente o que é investimento
legítimo e o que constitui prática de jogo.
Mesmo
diante de exemplos de sucesso empresarial como o da brasileira Luana Lopes
Lara, o entendimento do governo é de que o modelo não deve prosperar no país
sem regras rígidas — sobretudo quando envolve riscos sistêmicos e impactos
diretos sobre a população.
• ANJL avalia que medidas do governo sobre
mercado preditivo fortalecem combate às empresas ilegais
O
governo endureceu regras contra o mercado preditivo ao proibir contratos de
derivativos ligados a eventos e reforçar o combate a empresas ilegais, medida
que, segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), protege
apostadores e amplia a segurança no setor. As novas normas foram anunciadas
nesta sexta-feira (24) pelo Governo Federal.
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Proibição de derivativos ligados a eventos
Na
prática, as medidas proíbem a oferta de contratos de derivativos com ativos
vinculados a eventos esportivos, políticos, culturais, de entretenimento e a
jogos on-line. A iniciativa também busca coibir uma prática que vem crescendo
no país fora da legalidade: apostas sobre acontecimentos como resultados de
reality shows, votações e até conflitos armados. As chamadas plataformas de
previsão funcionam com lógica semelhante à das apostas.
Agora,
o Ministério da Fazenda passou a tratar os chamados mercados de previsão como
apostas de quota fixa. Ao estabelecer esse enquadramento, o governo determina
que essas operações sigam o mesmo rigor regulatório e fiquem sujeitas à
fiscalização. A medida busca combater práticas ilegais e ampliar a proteção ao
consumidor e à economia popular.
As
autoridades identificaram que muitas dessas plataformas se apresentam como
investimento ou acordos entre usuários, mas operam fora do sistema financeiro.
Na prática, elas funcionam como forma de contornar a legislação vigente.
Ao
anunciar as medidas, o Ministério da Fazenda informou ter bloqueado que 27
plataformas de mercado preditivo que operavam no Brasil em desacordo com a
legislação.
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Combate a irregularidades e lavagem de dinheiro
Para as
operadoras de apostas de quota fixa autorizadas pelo Ministério da Fazenda, as
novas regras representam um avanço no enfrentamento a empresas ilegais e na
correção da interpretação equivocada de apostas como forma de investimento.
“A Lei
14.790/2023 e as portarias foram pensadas sobretudo para o controle absoluto
entre apostador, quem tá jogando, quanto está recebendo, prevenindo que
apostadores fizessem acordos entre si. Essa regulamentação muito dura veio
também para prevenir a lavagem de dinheiro. O mercado preditivo se refere a
fatos isolados. Esse é o perigo. O conluio entre apostadores, lavagem e a
ausência de controle sobre esses jogos”, afirmou o presidente da ANJL, Plínio
Lemos Jorge.
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Possível regulamentação futura
Caso o
mercado preditivo venha a ser autorizado no Brasil, a expectativa é que ele
opere por meio de uma licença específica, nos moldes do que foi estabelecido
para as bets pela Lei 14.790/2023.
Fonte:
Brasil 247

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