César
Fonseca: Fim da escravidão
Na
guerra, direita e a ultradireita armam contra o trabalhador.
Ao lado
da subvenção ao diesel, está em curso armadilha do capital contra o trabalho.
Contra
inflação, capital pede subvenção ao diesel, para não aumentar preços, enquanto
durar a guerra.
Até
quando vai a guerra, impulsionada pelo imperador direitista Trump, no sufoco
capitalista americano em crise?
Incógnita:
ninguém sabe.
Vem aí,
então, sangria fiscal obrigatória para evitar pressão inflacionária.
Estratégia
para driblar juros, temporariamente, espantando agiotas da Faria Lima.
Porém,
tem outras armadilhas.
Para
aprovar fim da jornada 6 x 1, empresas e bancos querem compensações.
Já
reclamam de desoneração tributária.
Também,
querem subvenção na folha de salário.
Tentarão
aproveitar a carona na subvenção ao diesel.
Dirão
que a guerra aumenta o preço do petróleo e da arrecadação.
Preparam
uma bocada.
A
Fazenda diz não, mas em ano eleitoral...
Maioria
conservadora reacionária fascista, dominada pelo rentismo, força a barra.
Para
alcançar seu objetivo eleitoral, governo, sem maioria, cede.
6 x 1
por 5 x 2, dizem capitalistas, aumenta custo e reduz faturamento.
Balela.
Ao
contrário, aumenta o emprego e, assim, amplia o consumo.
Mais
contratação, mais mercado interno.
Aumenta
o faturamento e, também, a arrecadação.
Mais
arrecadação, mais investimentos.
Mais
investimentos, mais desenvolvimento, mais qualidade de vida.
Mais
qualidade de vida, menos desigualdade e tensão social.
Menos
desigualdade e tensão social, mais sociabilidade.
Mais
sociabilidade, maior demanda por conhecimento.
Mais
conhecimento, maior produtividade.
Mais
produtividade, mais riqueza social.
Maior
riqueza social, maior consciência política.
Mais
consciência política, mais reformas sociais.
Mais
reformas sociais, mais democracia.
Fim da
escravidão
• Balança, balança… que a 6x1 logo cai.
Por Julimar Roberto
Durante
muito tempo, a escala 6x1 foi tratada como algo normal no Brasil. Trabalhar
seis dias seguidos para descansar apenas um virou parte da rotina de milhões de
trabalhadores e trabalhadoras, principalmente no comércio e nos serviços. Mas
basta olhar para a realidade para perceber que não há nada de normal em viver
sem tempo para descansar, cuidar da saúde, estudar, conviver com a família ou
simplesmente existir além do trabalho.
É
justamente essa lógica que o Projeto de Lei nº 1838/2026, enviado pelo
presidente Lula ao Congresso Nacional, pretende mudar.
Mas
afinal, o que o projeto propõe na prática?
A
principal mudança é simples. Reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40
horas semanais e garantir dois dias de descanso remunerado por semana. Na
prática, isso significa substituir a lógica da escala 6x1 por uma organização
mais próxima da escala 5x2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso.
O texto
também mantém o limite diário de até oito horas de trabalho e deixa claro que a
redução da jornada não poderá significar redução salarial. Ou seja, o
trabalhador e a trabalhadora passam a ter mais tempo de descanso sem perder
renda.
Outra
dúvida comum é sobre os dias de folga. O projeto estabelece que os descansos
devem coincidir, preferencialmente, com sábado e domingo, mas prevê exceções
para atividades que funcionam aos fins de semana. Nessas situações, as escalas
continuam podendo ser organizadas por negociação coletiva, desde que o direito
aos dois dias de descanso semanais seja respeitado.
O PL
também não acaba com escalas especiais já existentes, como a 12x36. Esses
modelos continuam permitidos, desde que respeitem a média máxima de 40 horas
semanais prevista na nova regra.
Outro
ponto importante é que o projeto não vale apenas para uma categoria específica.
Ele altera regras da CLT e também legislações especiais, alcançando
trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas categorias.
Na vida
real, a mudança é enorme.
Atualmente,
milhões de brasileiros e brasileiras trabalham seis dias para descansar apenas
um, muitas vezes sem sequer conseguir folgar aos domingos. Com a nova proposta,
a lógica muda. Mais tempo de descanso, mais convivência familiar, mais
possibilidade de estudar, cuidar da saúde e ter lazer. Em resumo, mais tempo
para viver.
E esse
debate não é apenas sobre conforto. É uma questão de saúde pública.
Estudos
da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) já associaram jornadas excessivas ao aumento de doenças
cardíacas, AVC, ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. O
adoecimento da classe trabalhadora deixou de ser exceção e passou a fazer parte
da rotina de quem vive submetido a jornadas longas e desgastantes.
A
discussão é tão séria que o projeto já começou a avançar dentro do Congresso
Nacional – mesmo que muitos duvidassem. A proposta foi aprovada na Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, a CCJ, o que significa que o
texto pode seguir tramitando. A votação dessa etapa ainda não analisou o mérito
do projeto, mas confirmou que seu teor está dentro das regras constitucionais.
Isso
muda o cenário político. O fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma
reivindicação das ruas e passou a ocupar oficialmente o centro do debate
nacional.
E isso
não aconteceu por acaso. Foi resultado da mobilização popular, da pressão dos
sindicatos, das manifestações da classe trabalhadora e também da decisão
política de um presidente da República que escolheu transformar essa pauta em
proposta concreta.
Ao
enviar o projeto ao Congresso, Lula deu forma institucional a uma reivindicação
histórica de milhões de brasileiros e brasileiras que há décadas denunciam o
desgaste provocado por jornadas exaustivas.
Agora,
o debate segue para novas etapas, nas quais o conteúdo do projeto será
discutido de forma mais aprofundada. E é justamente nesse momento que cresce a
importância da participação popular para impedir retrocessos e fortalecer a
luta por uma jornada mais humana.
Afinal,
será o Congresso Nacional que elegemos há quatro anos que decidirá o futuro
dessa proposta — um Congresso majoritariamente formado por representantes
ligados ao empresariado e aos interesses patronais.
Por
isso, acompanhar cada etapa da tramitação, pressionar parlamentares e manter a
mobilização social será fundamental para que a pauta avance. E, caso o projeto
não seja votado até as próximas eleições, caberá à própria classe trabalhadora
transformar sua indignação em escolha política, elegendo representantes
verdadeiramente comprometidos com os direitos de quem vive do trabalho.
No fim
das contas, o debate sobre o fim da escala 6x1 também é um debate sobre
representação política. Sobre quem ocupa o Congresso, a quem esses
parlamentares servem e quais interesses escolhem defender quando chega a hora
de votar projetos que impactam diretamente a vida da classe trabalhadora.
• Fim da Escala 6×1: oposição busca
“compensações” diante de sintonia entre Motta e governo. Por Caio de Freitas
A base
do governo Lula (PT) na Câmara e o presidente da Casa, deputado Hugo Motta
(Republicanos-PB), mostraram-se alinhados para reduzir a jornada de trabalho no
Brasil. Ao menos foi esta a impressão passada com a aprovação, na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na última quarta-feira (22), da
admissibilidade de duas propostas de emendas à Constituição (PEC) para acabar
com a escala 6×1 no Brasil.
Como
visto pela Agência Pública nos corredores do Congresso e na própria CCJ, até
mesmo parlamentares de oposição davam como certo o avanço da proposta e já
trabalhavam para conter os danos políticos da derrota na comissão. “Acho que [a
proposta] também vai passar com certa tranquilidade no plenário da Câmara e do
Senado”, disse na ocasião o deputado Lucas Redecker (PSD-RS), um dos membros da
CCJ que criticou o avanço das PECs na sessão.
“Eu
diria que os parlamentares que são contrários ao fim da escala 6×1 tiveram de
se render à vontade popular – que em grande parte deseja, justamente, acabar
com essa escala exaustiva e degradante”, afirmou à Pública durante a sessão o
vice-líder do governo na Câmara, deputado Alencar Santana (PT-SP).
Por
outro lado, Redecker foi um dos primeiros a dar indícios do que a oposição
planeja incluir numa eventual proposta aprovada na Câmara: compensações ao
empresariado em geral. “Se não tivermos compensações construídas na comissão
especial [de análise das PECs], surge uma preocupação de que essa proposta
prejudique a população ‘lá na ponta’, como um resultado de não haver as
compensações necessárias para os segmentos que dão emprego”, afirmou à Pública
o parlamentar.
“Tem
que ter desoneração ou algum outro tipo de compensação do governo para os
setores mais impactados… sem compensação, não dá”, afirmou o líder do Partido
Liberal na Casa, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), logo após o fim da
sessão na CCJ. “A proposta do relator já é gradual, com uma transição reduzindo
uma hora para cada ano, que na verdade é uma proposta ‘nossa’, para que não
comece reduzindo de 44 horas para 40 de uma só vez”, disse ainda à Pública o
líder do PL na Câmara.
Logo
após o fim da sessão da CCJ, Cavalcante sugeriu ainda que o PL vai divulgar
“inserções” com a posição do partido sobre o fim da escala 6×1 em seus canais
de comunicação e nas redes sociais em geral. Os materiais deverão ser
endereçados a diferentes segmentos da sociedade, segundo o líder do PL,
contrapondo a visão do governo sobre a proposta – que se tornou uma das
prioridades da gestão Lula (PT) para o fim do atual mandato.
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Por que isso importa?
• A petição do movimento “Vida Além do
Trabalho” que reivindica o fim da escala 6×1 já conta com 3 milhões de
assinaturas.
• A Constituição de 1988 não estabelece
limites de escala para o trabalhador, apenas que a jornada não deve ser
superior a oito horas diárias e 44 horas semanais.
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Com oposição reticente, Motta diz querer votação do fim da 6×1 “ainda em maio”
Com a
admissibilidade aprovada na CCJ, cabe ao presidente da Câmara criar uma
comissão especial de análise, que discutirá o mérito da redução da jornada de
trabalho no Brasil. A comissão poderá modificar e também acrescentar emendas à
proposta para o fim da escala 6×1.
Titulares
e suplentes da futura comissão têm de ser indicados pelas lideranças
partidárias na Câmara, com suas vagas distribuídas proporcionalmente ao tamanho
de cada bancada na Casa sem haver um número de vagas pré-determinado.
Após a
mais recente janela partidária, o PL detém a maior bancada com 97 deputados,
seguido por PT com 67, União Brasil com 51, PSD com 49, e PP com 47, como
reportado pelo portal G1, dando direito a estes partidos nomearem mais
parlamentares do que outros para compor a comissão.
Com os
nomes definidos pelos partidos, os membros fazem uma votação para decidir quem
presidirá a comissão. Caberá ao presidente a nomeação do relator ou relatora da
proposta – o que já tem intensificado as articulações para a composição do
grupo que analisará a redução da jornada de trabalho no país.
A
Pública apurou que partidos da base governista e também da oposição já se
articulam para definir suas indicações, com expectativa de que Hugo Motta atue
nos bastidores para que a comissão seja presidida por um “nome moderado do
Centrão”, segundo um dos parlamentares ouvidos pela reportagem. Esse foi o
padrão adotado para a escolha do relator do fim da escala 6×1 na CCJ – o
deputado Paulo Azi (União-BA), que é visto como alguém de confiança de Motta.
Após a
aprovação na CCJ, o presidente da Câmara disse na rede social X que planeja
instaurar a comissão especial “o mais rápido possível”, “para levarmos ao
plenário ainda em maio”, mostrando uma sintonia com a base do governo no tema.
O presidente da Casa disse nesta quinta (23) que trabalha para “a redução da
jornada sem a redução salarial” no país.
À
Pública, o vice-líder do governo Alencar Santana (PT) seguiu a mesma linha ao
dizer que a base governista trabalha para aprovar a redução da jornada de
trabalho “de maneira definitiva no Plenário da Câmara ainda no mês de maio”.
“Temos
condições para cumprir esse prazo, basta vontade política. Esperamos que o
presidente Hugo Motta conduza o processo com celeridade, para que possamos
votar o mais rápido possível – até porque a proposta ainda precisa ser aprovada
no Senado para que se garanta a aprovação neste ano”, disse Santana.
Do lado
da oposição ao governo, o líder do PL na Casa disse à Pública que não tem
“convicção” sobre um possível alinhamento entre a presidência da Câmara e o
governo Lula no fim da escala 6×1, e também colocou em dúvida o desejo de Motta
de votar a redução da jornada de trabalho no Brasil até o fim de maio.
“Vamos
ser pragmáticos? Olha o que temos de calendário prático para trabalhar.
Honestamente, acho que até o fim de maio, pela quantidade de sessões
necessárias para a conclusão dos trabalhos da comissão [que podem chegar a 40
sessões plenárias], acho pouco provável… em um ano eleitoral como esse, que em
junho praticamente já acabou tudo, vai dar? Tomara que dê. Estou torcendo para
que dê”, afirmou Cavalcante.
Para o
líder do PL, o cumprimento do prazo desejado por Hugo Motta e pelo próprio
governo Lula está ligado à “disposição ao debate político” na comissão.
“Por
exemplo: se o governo ficar ‘segurando’ as nossas propostas, começar a gerar
barreiras e atrasos, nós não vamos abrir mão das nossas convicções. Se o
governo ficar fazendo ‘cabo de guerra’, daqui a pouco não terá tempo de votar.
É possível? Se houver disposição no debate político, no afinamento das
propostas, acho que pode ser possível”, finalizou.
Fonte:
Brasil 247/Agencia Pública

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