Edna
Aparecida da Silva: Terras Raras - o Brasil e a vocação colonial
A
recusa à proposta de criação de uma empresa estatal para terras raras, a
Terrabras, e a compra da Serra Verde, em Goiás, pela USA Rare Earth, com
financiamento do governo dos Estados Unidos, expõem uma contradição pouco
discutida no debate brasileiro sobre minerais críticos. Enquanto propostas de
coordenação pública sobre recursos estratégicos foram rapidamente descartadas
como anacrônicas ou incompatíveis com a lógica do setor, a entrada de capital
articulado a uma estratégia estatal estrangeira em um ativo estratégico
nacional foi tratada quase como operação ordinária de mercado. Essa dissociação
obscurece justamente o problema mais relevante: o que está em jogo não é apenas
um investimento em mineração, mas a forma como o Brasil está sendo inserido na
reorganização internacional das cadeias minerais em curso.
A
aquisição da Serra Verde não é apenas como transação empresarial. Ela se insere
em uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para reduzir dependências em
relação à China e reorganizar cadeias de suprimento de minerais críticos
consideradas essenciais para segurança nacional, defesa e transição energética.
O apoio do U.S. International Development Finance Corporation (DFC), a
articulação com plataformas como a TechMet, cujos portfólio de ativos é
descrito como “localizado em jurisdições alinhadas com os EUA e seus aliados”,
e corporações como a USA Rare Earth, indicam que não se trata de simples
expansão de investimentos privados, mas de um esforço de coordenação política e
econômica entre Estados aliados e corporações, voltado à constituição de cadeias
minerais sob controle dos Estados Unidos. E o objetivo é anunciado pelo DFC,
trata-se de criar uma cadeia de suprimento diversificada de minerais críticos
para “garantir o crescimento e a segurança dos Estados Unidos no futuro”.
Nesse
contexto, o Brasil ocupa lugar relevante, mas esse lugar vem sendo definido
muito mais pelas estratégias em disputa entre grandes potências do que por um
debate nacional sobre o uso soberano desses recursos. Esse é o ponto central
frequentemente ausente da discussão. O problema não é a presença de capital
estrangeiro em si, mas a ausência de reflexão sobre os termos em que o país é
incorporado a essa nova arquitetura mineral e sobre as consequências disso para
decisões ligadas ao desenvolvimento, à industrialização e à própria soberania
sobre recursos naturais.
A
controvérsia em torno da Terrabras torna esse contraste particularmente
evidente porque permite confrontar duas visões muito distintas sobre o papel do
Estado. No debate brasileiro, propostas de coordenação pública tendem a ser
frequentemente reduzidas à oposição entre estatização e mercado. Mas a
experiência recente das grandes potências mostra um quadro muito mais complexo.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Estado não atua apenas financiando projetos
ou criando incentivos ao setor privado. Atua também organizando mercados,
condicionando investimentos e, em alguns casos, participando diretamente das
estruturas de decisão sobre ativos considerados estratégicos pelas regulações
de segurança nacional.
Esse
aspecto é importante porque mostra que a centralidade do Estado em setores
estratégicos não se reduz à existência de uma empresa estatal, mas pode se
expressar por diferentes mecanismos de coordenação, controle e participação
pública. Longe de invalidar debates sobre instrumentos como a Terrabras, essa
experiência amplia seu horizonte, ao revelar que a direção estatal sobre
recursos críticos pode assumir formas variadas, do financiamento e da
participação acionária à influência sobre governança e regulação do
investimento. No caso da Serra Verde, o apoio do DFC não se limita ao crédito,
mas prevê possibilidade de participação acionária do governo norte-americano no
projeto. Esse tipo de instrumento não é marginal. Ele integra um repertório
mais amplo que inclui participações estratégicas, poderes especiais sobre
governança corporativa, mecanismos equivalentes a golden shares e instrumentos
regulatórios voltados a preservar capacidade de decisão sobre ativos sensíveis.
O caso
recente envolvendo a aquisição da United States Steel Corporation pela Nippon
Steel tornou esse ponto particularmente visível ao mostrar que, mesmo em
operações entre aliados, os Estados Unidos recorrem a mecanismos que preservam
influência pública sobre decisões estratégicas das empresas. Mais do que
episódio isolado, isso revela uma concepção em que soberania econômica não se
separa da organização dos mercados e em que o Estado atua por instrumentos
societários e regulatórios sofisticados, mesmo sem a propriedade direta.
Nesse
quadro, o Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS) ocupa
papel central, ao revisar aquisições, impor condicionantes ou mesmo exigir
desinvestimentos em nome da segurança nacional. Isso é relevante porque mostra
que a centralidade do Estado, no caso norte-americano, não reside apenas em
financiar cadeias produtivas, mas em moldar estruturas de propriedade e
orientar a organização do capital em setores sensíveis. Esse mecanismo tem sido
adotado pelos aliados, como condicionalidade exigida pelos EUA para
participação das corporações nesses setores.
Essa
dimensão praticamente não aparece no debate brasileiro, embora seja justamente
ela que torne a discussão sobre recursos estratégicos inseparável da discussão
sobre desenvolvimento. Porque o problema deixa de ser apenas quem explora
determinados recursos e passa a ser quem decide sobre seu uso e sobre sua
inserção em estratégias nacionais ou externas.
Esse
movimento tampouco se limita aos Estados Unidos. Japão, Coreia do Sul,
Austrália e Canadá vêm adotando instrumentos convergentes para proteger cadeias
críticas, coordenar investimentos e reduzir dependências em relação à China.
Mas essa articulação precisa ser lida à luz de uma condição específica:
trata-se, em grande medida, de países cuja estratégia mineral responde à
escassez relativa de reservas próprias ou à vulnerabilidade em relação ao
acesso e ao processamento desses recursos. A lógica dessa convergência é a de
Estados que, diante de dependências estratégicas, buscam organizar cadeias
seguras de abastecimento.
Essa
não é, contudo, a posição do Brasil. Diferentemente de economias cuja
preocupação central é assegurar acesso a recursos escassos, o desafio
brasileiro é outro: decidir se suas reservas estratégicas serão incorporadas a
estratégias formuladas por outros ou se poderão sustentar uma estratégia
própria de desenvolvimento. Porque um país que detém recursos não substituíveis
não deveria pensar seu lugar apenas como elo em cadeias desenhadas por quem
deles depende.
É
justamente nesse ponto que a aquisição da Serra Verde e a recusa da Terrabras
deixam de parecer episódios desconectados e passam a revelar um dilema mais
profundo. Enquanto outras potências tratam minerais críticos como questão de
soberania, poder econômico e política industrial, na agenda da segurança
nacional, o debate brasileiro frequentemente continua preso à visão de que
qualquer coordenação pública é, por definição, problema. O resultado é que o
país corre o risco de ingressar em uma nova disputa estratégica ocupando apenas
o papel de fornecedor de recursos, sem discutir como esses recursos podem
sustentar capacidades produtivas e tecnológicas próprias.
A
questão colocada por Serra Verde é, no fundo, essa. Em um contexto em que
minerais críticos se tornaram parte da disputa por poder na ordem
internacional, o Brasil pretende apenas oferecer recursos a cadeias organizadas
por outros ou discutir como exercer poder sobre esses próprios recursos? Essa é
uma discussão que o país tem adiado, mas que a geopolítica dos minerais
críticos torna cada vez mais incontornável.
Diante
da centralidade do Estado na política mineral dos Estados Unidos, talvez a
verdadeira “ideia fora do lugar” seja justamente aquela que insiste em negar
esse fato. Porque, quando não se vê o papel efetivo do Estado onde ele está
operando com maior intensidade, o problema deixa de ser ideias fora do lugar e
passa a ser um debate sem lugar no mundo real.
• Roberto Amaral: Terras raras não são
farelo de soja
A
ciência política, na sociedade globalizada pelo capitalismo monopolista, nos
fala de uma soberania nacional relativa, fragmentada.
O
conceito cobra a revisitação da ciência política, tal sua fragilidade e
imprecisão no quadro da ordem internacional em crise, quando as forças que
contam — e são as potências nucleares — ferem de morte o multilateralismo,
abandonam as mesas de negociações e adotam o baraço e cutelo — a guerra tour
court — como ponto de partida e ponto de chegada do diálogo de uma só voz. Como
o diálogo do cordeiro com o lobo, consagrado por Jean de La Fontaine.
A
realidade de hoje é a de um mundo em guerra, aflito; um mundo de interrogações
e receios, um presente de conflitos em série que nos faz temer o futuro.
Até
aqui, sugerindo-nos alívio, os senhores da guerra têm conseguido manter sob
algum controle suas operações, e vêm mantendo mais ou menos circunscrito o
teatro onde despejam bombas, matam civis, destroem cidades. Mas, ensina-nos a
história, o rastilho de pólvora quase sempre realiza seu destino.
A
guerra que os EUA, auxiliados pelas tropas do sionismo, promovem contra os
palestinos, os libaneses e o povo iraniano — uma civilização de mais de 4 mil
anos que Donald Trump, perigoso criminoso de guerra à solta, prometeu fazer
retornar à idade da pedra — integra uma estratégia maior, bem mais complexa,
porque cuida da disputa com a China em moldes que lembram a Guerra Fria dos
tempos do confronto URSS-EUA.
O
conflito de hoje, porém, já pervade o mundo, caminhando por outros meios,
atingindo a economia em escala planetária: inflação, queda do PIB, concentração
de renda, aumento da pobreza. Na outra ponta, o extraordinário crescimento dos
orçamentos bélicos, anunciando o breve futuro.
A
guerra de hoje compreende, além do cardápio clássico, os inumeráveis recursos
da “guerra híbrida” e o papel da “internacional neofascista” que, a partir da
Casa Branca, lança mão de todos os instrumentos, meios e recursos disponíveis,
quaisquer, legais ou não: embargos, boicote comercial, sequestro de bens e
recursos monetários, sabotagens, assassinatos etc., para alcançar seus
objetivos.
A
listagem não tem fim — e jamais nos esqueçamos dos préstimos da CIA e dos
Marines.
Em
nosso continente, que já conheceu tantos golpes e ditaduras militares, já há o
que registrar, e não é nada bom: a resistência ao imperialismo refluiu para os
governos de centro-esquerda, hoje restritos, além do Uruguai, ao Brasil e à
Colômbia, que enfrentarão eleições presidenciais desafiadoras no próximo
semestre. Delas participará ativamente a internacional neofascista, comandada
pela Casa Branca, instrumentalizando a guerra híbrida que desde sempre se abate
sobre nossos países.
O
conceito de “guerra híbrida” compreende os meios que visam a enfraquecer o
adversário, sem necessariamente recorrer aos recursos convencionais. Opera
influenciando decisões estratégicas, redefinindo alinhamentos geopolíticos, por
exemplo, as pressões visando a afastar o Brasil do bloco dos “não alinhados”,
lá atrás, e agora as restrições aos BRICS e o mau humor da Casa Branca olhando
de viés para a presença da economia chinesa na América do Sul e entre nós.
No
plano geral, conhecem-se as sanções econômicas, as políticas de desinformação e
manipulação da opinião pública utilizando os meios de comunicação locais.
Exemplos
fornecidos pela conjuntura são o tarifaço de Trump e, em associação, as
pressões pelo controle de nossas reservas de terras raras, como foram, em anos
passados, as maquinações contra a Petrobras e o monopólio estatal do petróleo,
a que devemos hoje nossa sobrevivência econômica.
Mais
recentemente, registre-se a sabotagem ao programa nuclear brasileiro. Há,
sempre, interação entre atores externos e internos, como o sistema financeiro e
as empresas de comunicação.
As
dificuldades brasileiras visando à conquista do monopólio estatal do petróleo
voltam à balha hoje, quando o país desperta para a necessidade estratégica de
controle de recursos minerais críticos, como as terras raras, alvo dos
interesses dos EUA e objeto do entreguismo larvar da direita brasileira.
As
discussões retomam o cantochão reacionário dos tempos da campanha em defesa da
Petrobras.
Naquele
então, a direita combatia a solução estatal, que nos salvou, é preciso repetir;
hoje, em nome de um neoliberalismo canhestro, rejeita a opção da estatal
brasileira para a exploração das terras raras e, ao mesmo tempo, defende o
caminho livre para empresas estrangeiras, sejam estatais, sejam simplesmente
apoiadas pelos governos de seus países.
A
história mais uma vez se repete: permanecemos como fornecedores dos produtos
primários de que as grandes potências carecem: seja o açúcar, seja o ouro e a
prata, seja o algodão, seja o café, seja o minério in natura.
Fornecedores
de matéria-prima, nos conformamos como importadores de manufaturados; assim
cresce o agronegócio exportador de alimentos não processados — frango, carne
bovina, soja, milho etc. — enquanto a indústria brasileira de transformação
vive anos de crise.
A
exploração das terras raras no Brasil expõe um paradoxo incômodo. O país detém
reservas abundantes e condições geológicas privilegiadas, mas segue ocupando
posição periférica na produção e, sobretudo, no processamento industrial —
muito atrás de potências como China, EUA e até economias emergentes que
avançaram com estratégia e decisão.
O
potencial brasileiro é conhecido. O território reúne alguns dos maiores
recursos de elementos terras raras (ETRs) do mundo, distribuídos em depósitos
primários e secundários.
Minas
Gerais (Araxá, Poços de Caldas), Goiás (Catalão) e Amazonas (Pitinga)
concentram ocorrências relevantes. Ali estão minerais que carregam o futuro
tecnológico: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — insumos críticos para
turbinas eólicas, veículos elétricos, eletrônicos avançados e sistemas de
defesa. Em qualquer leitura séria do cenário global, trata-se de ativos
estratégicos.
Ainda
assim, o Brasil permanece à margem da cadeia de valor. E não por falta de
capacidade, mas por ausência de decisão. Mais uma vez, o lobby de grandes
grupos — nacionais e estrangeiros, frequentemente indistintos em seus
interesses — pressiona para manter o país na condição subalterna de exportador
de matéria-prima.
Exportamos
o minério bruto; importamos, a preço elevado, os produtos de alto valor
agregado. Um padrão conhecido — e reiterado.
O
momento internacional, no entanto, joga a favor de uma inflexão. A concentração
da produção em poucos países e as tensões comerciais globais abriram espaço
para a diversificação das cadeias de suprimento. O Brasil poderia, se quisesse,
afirmar-se como ator soberano nesse mercado, escolhendo parceiros e definindo
sua inserção com base em interesse nacional — sem alinhamentos automáticos.
Mas, outra vez, hesita. Outra vez, corre o risco de perder o trem da história.
Não se
trata de um salto no escuro. O país já esteve nesse caminho. Ao longo do século
XX, o Brasil desenvolveu uma indústria estruturada em torno da monazita,
produzindo concentrados de terras raras e dominando etapas relevantes do
processamento. Houve capacidade instalada, pesquisa, inovação. Produziam-se
compostos industriais e avançava-se nas técnicas de separação e purificação —
num cenário em que poucos países detinham esse conhecimento.
Esse
sistema foi desmontado. Indústrias foram fechadas, equipes dispersas,
conhecimento acumulado dissipado. O que se perdeu não foi apenas produção, mas
memória tecnológica.
Hoje, a
fragilidade do setor não decorre de limitações técnicas, mas de descontinuidade
estratégica. O país sabe fazer — mas deixou de fazer. Retomar esse caminho
exige mais do que reconhecer o potencial: exige política de Estado, coordenação
entre mineração, indústria e meio ambiente, e visão de longo prazo.
A
experiência internacional é clara: liderança não nasce do acaso, resulta de
planejamento persistente. O Brasil, repito, já demonstrou que pode trilhar esse
percurso. O que está em jogo agora é saber se haverá vontade política para
reconstruí-lo — ou se, mais uma vez, o país abrirá mão de transformar sua
riqueza natural em soberania tecnológica e protagonismo próprio.
Hoje, o
país se imola, incapaz de dar um passo à frente, que é a tomada pelo Estado da
lavra, pesquisa, refinamento e aproveitamento de terras raras para seu próprio
consumo, segundo seus interesses estratégicos, e não simplesmente atendendo às
demandas de outros países carentes desse minério. Terras raras não podem ser
tratadas como mais uma commodity, como o ferro-gusa que exportamos para a
China, para dela depois importarmos lingotes e trilhos.
A
tendência presente, lamentavelmente, é a abertura de nossas reservas para a
exploração industrial e comercial internacional, muitas vezes predatória.
Omite-se
o Estado, avançam as multinacionais. É o caso da norte-americana USA Rare
Earth, instrumento de política de Estado daquele país, recentemente reforçada
com o acesso a USD 1,6 bilhão.
Tudo
tem sua causa e seu efeito: há poucos dias, a USA Rare Earth anunciou a compra
da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, pela bagatela de USD
2,8 bilhões, com contrato de 15 anos, seguindo instruções da Casa Branca,
preocupada em reduzir a dependência da China.
Como
informa o economista Diógenes Moura Breda (“Terrabras e as ideias
verdadeiramente fora de lugar”, Carta Capital, 21/04/2026), a empresa adquirida
“opera a mina Pela Ema, único depósito de argilas iônicas de terras raras fora
da Ásia capaz de produzir em escala os quatro elementos utilizados para a
fabricação de ímãs permanentes (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio),
aqueles utilizados em veículos elétricos, aerogeradores, equipamentos
eletrônicos e de defesa”.
As
riquezas do subsolo brasileiro — jazidas e recursos minerais — não constituem
mercadoria qualquer: são patrimônio inalienável da Nação, pertencente à União,
como consagra o artigo 176 da Constituição Federal.
Às
empresas mineradoras, inclusive às de capital estrangeiro, não se confere a
propriedade dessas riquezas, mas apenas o exercício precário e condicionado de
concessões de lavra.
Tais
concessões, nos termos do Código de Mineração, subordinam-se de forma estrita
ao interesse público e aos imperativos da soberania nacional, podendo — e
devendo — ser revogadas ou não renovadas sempre que contrariem os interesses
superiores do país.
No caso
das terras raras, em geral, e da mineradora Serra Verde em particular, está-se
diante de ativos de inequívoco caráter estratégico, cujo controle não pode ser
relegado às forças do mercado ou a decisões orientadas por interesses alheios
ao desenvolvimento nacional.
Trata-se
de recursos decisivos para a autonomia tecnológica, a segurança econômica e a
inserção soberana do Brasil no sistema internacional. Por isso, impõe-se sua
submissão rigorosa a instrumentos de controle público, até que se institua um
marco legal que as reconheça formalmente como minerais estratégicos e assegure,
de modo efetivo, sua gestão sob primazia do interesse nacional.
Entretanto,
o cenário que se delineia caminha em sentido inverso. Assiste-se, com crescente
apreensão, ao avanço de um processo de alienação de um patrimônio que deveria
ser resguardado como reserva constitucional da Nação — um patrimônio cujo
potencial para alavancar a superação do subdesenvolvimento brasileiro é não
apenas evidente, mas historicamente decisivo.
Não se
trata, como sublinha Breda, de atribuir às terras raras o papel de panaceia de
um projeto nacional — não o são. Mas tampouco se pode ignorar que sua entrega
ao capital estrangeiro, em regime de exploração desregulada, tende a reafirmar,
de forma quase inexorável, a posição do Brasil como economia
primário-exportadora, subordinada na divisão internacional do trabalho.
Fonte:
OutrasPalavras/Viomundo

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