terça-feira, 28 de abril de 2026

Mattia Ferraresi: Aquele ponto sensível "papista" - a aversão de Trump por Leão XIV

A dura disputa político-teológica desencadeada pelas falas de Donald Trump contra Leão XIV se origina de uma fonte muito profunda. A rixa não tem a ver apenas com o debate sobre a guerra no Irã, com o comportamento do eleitorado católico no futuro próximo ou com o destino de dois potenciais candidatos à presidência, mas com a concepção que os Estados Unidos têm de si mesmos, de sua missão moral e de seu papel no mundo. E com a Questão Romana em sua versão estadunidense, que evidentemente ainda permanece sem solução. O primeiro papa oriundo dos Estados Unidos conhece melhor do que qualquer outro pontífice antes dele aquele emaranhado de desconfiança, mal-entendidos e tentativas desajeitadas de integração que caracterizaram a presença dos católicos nos EUA, nascidos como um projeto ao mesmo tempo secularizado e protestante, gnóstico e bíblico, secular e messiânico. A experiência estadunidense começou com os puritanos, com a intenção de restabelecer no Novo Mundo a aliança rompida entre Deus e o povo de Israel, e a moderação laica de seu projeto de autogoverno era uma resposta às guerras europeias entre católicos e protestantes.

Os Pais Fundadores dos Estados Unidos colocaram a tolerância religiosa no centro da estrutura governamental, mas inevitavelmente tomaram esse conceito de John Locke, o mais influente dos filósofos que moldaram a construção estadunidense, que teve o cuidado de especificar que a tolerância religiosa se estendia a todos, exceto aos papistas. Os católicos, em sua visão, eram cidadãos traiçoeiros e desleais que não podiam ser acolhidos como os demais na nascente sociedade liberal.

Assim, a relação controversa com Roma pesou desde o início sobre o projeto de uma nação "sob Deus" que, desde suas origens, aspira cumprir alguma promessa evangélica na história, mas quer fazê-lo em competição, não em colaboração, com Roma. Robert Prevost, de Chicago, sabe disso perfeitamente, e quando proclama no conturbado noroeste de Camarões que "Bamenda, tu és a cidade sobre a colina", está dizendo algo enorme para um país, o seu, que fez da imagem evangélica da cidade na colina que resplendece, para que todas as nações a possam admirar, uma parte central de sua autoconsciência, a ponto que desde sempre os presidentes a citam sem reservas.

Ronald Reagan era particularmente apegado a essa expressão, que o papa estadunidense inverte, dirigindo-a a um lugar remoto e frágil, muitas vezes esquecido até mesmo na própria região. Trata-se de uma enormidade simbólica com a qual Leão XIV desafia a ideia civilizadora e evangelizadora que os Estados Unidos têm de si mesmos, e que na curva histórica do presente se manifesta também na enésima guerra no Oriente Médio, à qual se opõe com crescente veemência um papa que inicialmente parecia pacato, mas que, na verdade, não é.

No sábado, durante o voo de Camarões para Angola, Leão XIV fez questão de enfatizar que o discurso, que também continha uma referência aos "senhores da guerra" e a um mundo "devastado por um punhado de tiranos", havia sido escrito antes do ataque postado por Trump no Truth.

"Espalhou-se uma certa narrativa, não totalmente precisa, devido à situação política criada quando, no primeiro dia da viagem, o presidente dos Estados Unidos proferiu algumas declarações a meu respeito", disse o papa aos jornalistas.

"Boa parte do que foi escrito desde então não passa de um comentário sobre um comentário, na tentativa de interpretar o que foi dito", acrescentou, mas o discurso em Bamenda "foi preparado bem antes daquele presidente fazer comentários sobre mim e a mensagem de paz que estou promovendo. No entanto, foi interpretado como se eu estivesse tentando debater com o presidente novamente, o que não é de forma alguma de meu interesse".

<><> Das margens ao poder

Ao longo de 250 anos de história estadunidense, as relações evidentemente evoluíram, os preconceitos anticatólicos que se manifestaram em violência e exclusões sistemáticas de imigrantes irlandeses e italianos diminuíram com o tempo.

Os católicos foram sendo integrados cada vez mais na vida política. A disputa sobre as heresias "americanistas", condenadas por outro Papa, Leão XIII, se esvaziou. O Concílio Vaticano II redefiniu a relação entre a Igreja e a modernidade, figuras como o jesuíta John Courtney Murray buscaram reconciliar o catolicismo e o projeto liberal, dois católicos foram eleitos para a Casa Branca, a luta contra a União Soviética, travada conjuntamente por Reagan e João Paulo II, confortou gerações de católicos estadunidenses (especialmente à direita) sobre o fato de que os preconceitos de Locke haviam sido arquivados definitivamente e sempre se minimizou prudentemente quando os alertas do Papa entravam em forte conflito com aqueles da Casa Branca. Veja-se a guerra no Iraque.

O alvoroço dialético e psicológico gerado pela posição de Leão XIV demonstra que a ferida ainda está aberta. E, mais uma vez, o estopim é uma guerra, algo a que o Papa se opõe não apenas por práxis magisterial, mas também por realismo político, visto que os desastres causados pelas iniciativas militares estadunidenses neste século deveriam ser evidentes para todos.

A peculiaridade dessa disputa reside no fato de que os católicos, nesse ínterim, se tornaram a força cristã mais importante no cenário estadunidense, corroendo aquele poder wasp (brancos anglo-saxões protestantes) que, não muitas décadas atrás, trabalhava incansavelmente para marginalizar os papistas. Os católicos são numericamente a maior denominação cristã nos Estados Unidos e emergiram como uma força política e eleitoral formidável. O católico Joe Biden levou muitos dos seus para a Casa Branca, e Trump até o superou em seu segundo mandato. Mais de 30% dos membros do gabinete são católicos, e entre eles estão duas figuras-chave: o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado, com delegação para tudo, Marco Rubio. Na controversa reunião no Pentágono em janeiro passado, o cardeal Christophe Pierre, então núncio apostólico nos Estados Unidos, se viu diante do subsecretário Elbridge Colby, católico e sobrinho do diretor da inteligência estadunidense, que colaborou estreitamente com João Paulo II na luta contra a União Soviética.

Evidentemente, esse protagonismo católico na vida pública não agrada a todos no governo. Atualmente, a guerra no Irã é o tema mais candente das relações, mas um dos pontos de maior atrito entre o governo e a Igreja é a imigração, assunto em que se entrelaçam as razões do acolhimento, mas também as tendências demográficas. A imigração nos Estados Unidos é predominantemente de latinos, a grande maioria católicos, e as batidas do ICE e o fechamento da fronteira têm o efeito de retardar uma mudança demográfica e religiosa que parece inevitavelmente destinada a aumentar as fileiras dos católicos.

<><> Vance e Rubio

A decisão de Trump de exacerbar as tensões que vêm se acumulando há meses colocou os católicos estadunidenses na posição desconfortável de ter que escolher com maior clareza, sem poder contar com impossíveis conciliações ou terceiras vias, se ficar do lado do homem de branco ou do homem do boné vermelho.

Ao votar em Trump duas vezes, a maioria dos eleitores católicos demonstrou confiança na possibilidade de uma vida toda MAGA e Igreja, mas agora todas as certezas estão vacilando. E, acima de tudo, vacilam os católicos no poder. Trump, nascido presbiteriano e que ficou sem denominação, não por acaso enviou Vance — a quem vem atormentando há meses — para repreender o papa na televisão por suas ingerências em assuntos que não lhe dizem respeito, chegando até a declarar que ele deve ser muito cauteloso ao falar de teologia, sugerindo uma revisão da teoria da guerra justa. Rubio foi poupado, por ora, de um confronto direto com o chefe da Igreja, mas os dois são católicos culturalmente diferentes. Rubio é filho de cubanos, criado precisamente no tipo de fé conservadora que ensinava a conciliar as razões do trono e as do altar, optando pelo trono nos poucos casos em que a situação resvalava para o atrito. Veja-se, mais uma vez, a guerra no Iraque.

Vance é um convertido pós-liberal que cultiva (ou cultivava) a ideia de uma mudança paradigmática na relação entre fé e política, a favor de uma abertura a uma influência mais ampla dos juízos de fé sobre a lei e o poder. Em certo sentido, Vance havia prometido aos católicos conservadores uma profunda reforma das relações, não um pequeno reposicionamento.

Trump o está obrigando a engolir de volta todas as suas palavras.

¨      Leão XIV não queria, mas agora se tornou o anti-Trump do mundo. Por Marco Politi

Um súbito retrocesso à Idade Média. Uma época em que reis e imperadores podiam se insurgir contra o pontífice romano e, talvez excomungados, tentavam fomentar a ascensão de antipapas.

O ataque grosseiro de Trump a Leão XIV é tão surreal que levou as relações internacionais a um estado semelhante ao de Gotham City. Peter Thiel, o poderoso tecnocrata libertário embriagado pela pós-democracia, agora precisa decidir: ou o Papa é o Anticristo ou Trump é o Anticristo.

O conflito tornou-se tão acirrado que uma solução baseada em métodos diplomáticos tradicionais é inimaginável. Estamos retrocedendo a séculos passados. Trump vestindo o saco penitente, jejuando descalço por três dias em frente à Porta Pia, aguardando absolvição? Prevost, sequestrado durante a noite em uma "operação Maduro" e levado de F-15 para Washington para ser julgado no Escritório da Fé, criado na Casa Branca pelo Imperador Donald? Olhando além da flagrante irracionalidade da intervenção de Trump, três reflexões se fazem necessárias.

Mais uma vez, o Conclave — uma reunião de cardeais frequentemente considerados "velhos" fora de sintonia com os tempos — demonstrou uma impressionante clareza geopolítica. Ao longo do último quarto de século, deixando de lado a eleição de Ratzinger, claramente inadequado para o papel de governança internacional da Igreja, os cardeais eleitores escolheram três vezes (1978, 2013, 2025) uma personalidade capaz de fazer sentir a sua presença no cenário mundial. Karol Wojtyla, o primeiro papa do outro lado da Cortina de Ferro, precisamente no momento certo. Jorge Mario Bergoglio, o primeiro pontífice do Sul Global. Robert Francis Prévost, o primeiro papa dos Estados Unidos, nascido e criado na tipicamente americana Chicago, e ao mesmo tempo bispo e cidadão peruano com o cheiro do trabalho árduo, da exploração, da pobreza e da esperança do Terceiro Mundo. A escolha de Leão XIV foi imposta no Conclave por cardeais do Sul Global, convencidos da necessidade de continuar a internacionalização do pontificado, resistindo à tentação de retornar ao "porto seguro" de um papa europeu ou mesmo italiano. Um Sul Global de cardeais dispostos a ousar escolher um nome da própria superpotência americana. Quão apropriado neste clima geopolítico atual!

A segunda reflexão diz respeito ao presidente americano. Sua postagem sobre Leão, rotulada de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa", com uma série de insultos diversos, é — como diria Talleyrand — pior que um crime, "um erro". Porque o presidente dos Estados Unidos, já responsável por perder o apoio de uma parcela do episcopado e de conservadores americanos fiéis com sua política de perseguição a imigrantes latinos (mesmo aqueles que obedecem à lei e pagam impostos), não percebe que um ataque institucional tão frenético contra o chefe da Igreja Católica é insustentável, mesmo para aqueles no mundo católico que possam discordar politicamente de algumas das posições de Prevost.

Em última análise, o efeito político mais marcante do ataque de Trump é que ele transformou o Papa Leão XIV na voz global do anti-trumpismo. Prevost não queria ser assim, ele havia deixado isso claro para seus confidentes. E por essa razão, durante muito tempo, ele permitiu que os episcopados nacionais e — no caso da Santa Sé — a Secretaria de Estado se pronunciassem sobre questões políticas sensíveis. A agressão ilegal dos EUA e de Israel contra o Irã forçou o pontífice a se tornar cada vez mais direto em suas críticas. Por exemplo, no Domingo de Ramos, a citação do profeta Isaías, na qual Javé exclama: "Ainda que você ore muitas vezes, eu não o ouvirei, porque suas mãos estão cheias de sangue". Finalmente, há a declaração divulgada na última terça-feira em Castel Gandolfo, depois que Trump ameaçou fazer o Irã retornar à "Idade da Pedra", insinuando o uso de um ataque nuclear. Leão classificou a declaração de Trump como "inaceitável", acrescentando que instou a todos a mobilizarem seus parlamentares para rejeitarem uma "guerra que muitos consideram injusta, que continua a se intensificar e não resolve nada".

Até ontem, o Papa Leão XIV, fiel à tradição da Santa Sé, havia evitado mencionar Trump especificamente. Agora que o presidente americano o colocou, com as próprias mãos, no pódio da oposição à política de poder dos EUA, Prévost, no avião que o levava à Argélia, deu uma resposta que era meio americana, meio vaticana: "Não sou político, não tenho intenção de entrar em debate com ele (Trump) ... Não tenho medo do governo Trump." Em seguida, veio a declaração de princípio: "Antes, busquemos sempre a paz e paremos as guerras... Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão fazendo."

O desafio já começou, e nada pode mudar a oposição que se tornou palpável em nível popular. No entanto, há um elemento que transcende o acontecimento do dia. Nesta mudança de era — em que os padrões do passado foram rompidos, para usar um conceito do Papa Francisco — a Igreja Católica (com todos os seus erros e pecados históricos) reaparece sob a liderança de Prevost como uma voz de forte autoridade moral internacional, uma voz de humanidade, solidariedade e fraternidade entre as religiões, uma voz de diálogo e respeito pelas pessoas — especialmente as mais vulneráveis — e de cooperação multilateral entre as nações.

Um testemunho precioso em uma era de caos e brutalidade.

¨      "O conflito de Trump com a Igreja nasce da ignorância. O Vaticano responde com a influência moral", diz Javier Cercas

"O Papa Leão XIV tem uma visão em continuidade com a de Francisco, que por sua vez era muito mais semelhante a Bento XVI do que se imagina." O escritor Javier Cercas, 64, vencedor do Prêmio Internacional Costa Esmeralda, fala sobre os bastidores de seu livro, "O Louco de Deus no Fim do Mundo" (Record), com no qual viu as portas do Vaticano serem abertas para ele pelo antigo pontífice.

>>>> Eis a entrevista.

·        Como enquadra o conflito entre o atual Papa e Trump?

O presidente estadunidense desconta sua raiva em todos porque, na visão dele, são mais fracos do que ele. Ele não entende a força da Igreja porque ignora sua história, que abrange dois mil anos. Vance me parece mais prudente. Washington, além disso, ignora o fato de que o Vaticano não tem um exército e seu poder reside na influência moral. É um exagero considerá-lo um ator no jogo. O Papa pode intervir com palavras, e na minha opinião está certo, mas se ele disser 'chega de guerras', os conflitos não acabam.

·        Vê alguma diferença entre este Papa e o anterior em termos de atitude em relação aos EUA?

Substancialmente não. É claro que Francisco teria se manifestado contra Trump imediata e diretamente. Leão XIV mantém uma postura mais matizada. A diferença entre os dois papas reside apenas na forma. Talvez Leão XIV seja menos incisivo na comunicação, mas ambos desejam retornar ao cristianismo de Cristo. A essência do meu livro é que a Igreja quer voltar a ser mais cristã. A história do cristianismo, por outro lado, é uma história de perversão do cristianismo. Cristo era um revolucionário. Hoje, o catolicismo se aburguesou, então as pessoas buscam o budismo, até irem à Mongólia e perceberem que essa também é uma religião burguesa, muito prática e pouco espiritual.

·        Quando esse retorno às origens acontecerá?

Começou com Francisco, que queria uma ruptura, buscou-a e sacudiu a Igreja. Leão continua no mesmo caminho de missionário, mas buscando reunir as diversas almas. Não pode ser um projeto de um único papa, mas de uma série. Trata-se de uma mudança longa e decisiva, iniciada por Bento XVI com seu estilo. Cada país, além disso, tem sua própria igreja. A Espanha é muito reacionária. Os EUA também. A África, menos. No centro, o Vaticano é, acima de tudo, um símbolo.

·        Hoje vivemos num mundo sem Deus, como previu Nietzsche. A ciência e a tecnologia lhe tiraram o sentido. No Vaticano, encontrei grandes surpresas a esse respeito, por exemplo, muitas ideias anticlericais.” Você escreveria um romance sobre Trump?

Não sei. Literatura não é jornalismo, embora o romance possa usar todos os gêneros, como história e jornalismo. Mas eu não escrevo livros de história; sempre falo sobre o presente. O passado faz parte do presente e, sem ele, o presente fica mutilado.

Enquanto isso, o bilionário estadunidense Peter Thiel teoriza sobre o apocalipse. O que pensa disso?

Basicamente, ele diz que o Vaticano é o diabo. Todos em Roma riem dele. Li seu livro e é um delírio. Ele não é estúpido, apenas um lunático egolátrico. Nem é o primeiro, mas tem muito dinheiro e pode vir a Roma para falar.

·        Qual sua opinião sobre a postura do presidente Pedro Sánchez em relação aos EUA?

Serve para ele, mas também é correta. Gosto que os políticos façam o que é certo. Não se pode ser contra a guerra na Ucrânia e a favor da guerra no Irã. É verdade que existe um regime terrível no Irã, mas não é o caminho certo. Sánchez tem menos poder que Meloni, a Espanha é menos forte economicamente que a Itália, mas defende melhor o direito internacional.

·        Você é socialista?

Votei em Sánchez duas vezes, mas não me casei com ele. O principal motivo é que apoio a utopia razoável de uma Europa federal e sou contra aqueles que querem destruir esse sonho difícil, mas necessário. Hoje também fala a esse respeito Draghi, que é um sonhador muito pragmático. É claro que reconheço que a economia espanhola está indo bem nos grandes números, mas não nas pequenas coisas, e há, por exemplo, um grande problema habitacional. Um governo de esquerda deveria redistribuir melhor o bem-estar.

·        Como vê a situação em Gaza?

O ataque inicial do Hamas foi terrível, depois Israel teve um comportamento totalmente desproporcional e não o está mudando. Não sei se genocídio é o termo jurídico correto, mas sei que há grandes massacres, como no Sudão e no Haiti, sobre os quais se fala bem pouco. Não basta dizer não à guerra como Sánchez faz, porque também há guerras que precisam ser travadas, como foi a Guerra Civil Espanhola. Todos somos contra a guerra, mas, na prática, como impedi-las de existir? O regime de Franco, por exemplo, não foi de paz, mas de guerra por outros meios.

·        Qual o papel que você vê para os intelectuais hoje?

Uma catástrofe. Eles não têm coragem de se expor para não prejudicar suas carreiras e não criar inimigos. Se você diz a verdade, imediatamente se torna impopular, porque as pessoas não querem ouvi-la. Eu vivo numa torre de marfim quando escrevo, mas depois sou um cidadão e saio. Um escritor que diz 'sou um intelectual' é um idiota. Eu sou um cidadão e falo como tal: a política não deve ser feita apenas pelos políticos.

·        Então você não é apocalíptico?

Não, ainda existem pessoas que leem, que querem aprender, que não aceitam ser ignorantes. Meu filho de 31 anos é melhor do que eu em muitos aspectos, o mundo está mudando positivamente em muitos sentidos: basta pensar na consciência feminina ou na consciência ecológica, que não existiam antes. Obviamente, existem contrarrevoluções, mas sempre foi assim. O passado parece melhor porque éramos jovens e somos vaidosos, mas é falso. Reclamamos muito das redes sociais, mas o problema é que as deixamos nas mãos de bandidos que as transformaram no negócio do século. Todas as inovações têm um lado bom.

 

Fonte: Domani/Il Fatto Quotidiano/La Stampa – Tradução por Luiza Rabolini, em iHU

 

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