terça-feira, 28 de abril de 2026


 

Hiperglobalização está em crise, afirma economista Eduardo Giannetti

Em entrevista à TV Brasil, o escritor e economista Eduardo Giannetti avaliou que a hiperglobalização está em crise. A desestabilização de rotas comerciais, como o Estreito de Ormuz, e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos são sinais de que essa ordem econômica chega ao fim.

“As consultorias internacionais mostram que, para 180 produtos críticos das cadeias globais de produção, há dois ou três fornecedores no mundo. Se você olhar, Taiwan responde por 90% da produção dos chips mais avançados. Então, a partir dessa constatação, há uma busca por diversificação e segurança”, resumiu o economista.

“Não é mais a lógica fria de hiperglobalização, que era custo de produção mais baixo, escala, eficiência e concentração num único fornecedor. Mudou.”

Giannetti relacionou o fim da hiperglobalização a fatos históricos, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, destacando também a financeirização do período. “Quando nós entramos na hiperglobalização, havia mais ou menos 1 dólar de ativo financeiro para 1 dólar de PIB. Hoje nós estamos com 9 a 12 dólares de ativo financeiro para 1 dólar de PIB”, comparou.

O economista acrescentou que apenas a valorização das ações na bolsa americana, de 2022 a 2026, gira em torno de 2 trilhões de dólares, sendo que metade desse valor está concentrada em 10 empresas ligadas à tecnologia da informação e inteligência artificial.

Para Giannetti, um dos dados mais relevantes desse período é a entrada no mercado de trabalho e consumo de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos, antes excluídos da economia mundial. Com a hiperglobalização, populações rurais de países como China, Índia, Vietnã e Indonésia se urbanizaram e encontraram empregos em pouco tempo.

“Isso, para a classe trabalhadora ocidental, foi devastador, porque o poder de negociação, de afirmação de direitos e interesses, ficou seriamente tolhido pelo fato de que, se começou a dar problema em Detroit, fecha Detroit e abre Xangai.”

Com a China respondendo por um terço da produção industrial global, Giannetti também destacou a melhoria nas condições de vida de sua população. “São centenas de milhões de seres humanos que saíram da miséria e entraram no mundo moderno. Agora, isso gerou uma tremenda instabilidade social e política.”

A ascensão da extrema direita, segundo o economista, seria em grande parte resultado do ressentimento da classe trabalhadora e média ocidental diante da perda de segurança e poder de barganha. “Não é só isso, mas isso é um fator de primeira ordem. O que é muito curioso é que essa ascensão da direita raivosa, populista, nacionalista, não é um fenômeno isolado. É como nos anos 1930 do século 20. Ela acontece em muitos países ao mesmo tempo”, analisou.

Com o fim da hiperglobalização, Giannetti acredita que o Brasil tem uma oportunidade histórica de se reposicionar economicamente. “Agora, o mundo vai buscar segurança, diversificação, e nós temos uma dotação de recursos naturais, amenidades ambientais, energia, matérias-primas e minerais que o mundo vai precisar dramaticamente. A gente tem que saber usar esse ativo a nosso favor.”

O economista ressaltou a biodiversidade como um dos principais trunfos do país, que possui grande potencial para atender à demanda crescente por alimentos, minerais críticos e terras raras. “O que a gente tem que saber é aproveitar essas vantagens comparativas, industrializando-as para não virar exportador de bens primários in natura, que é um caminho muito limitado. O fato de haver potências disputando entre si o acesso ao que nós temos nos ajuda demais, porque podemos negociar termos melhores”, pontuou.

Além do fim da hiperglobalização, Giannetti destacou que a humanidade atravessa uma crise civilizatória, sendo as mudanças climáticas a maior ameaça à espécie humana no século 21, acompanhada de negacionismo. “É muito confortável fingir que o problema não existe. Só que os governos podem ignorar a questão climática o quanto quiserem, mas a questão climática não vai ignorá-los e não vai nos ignorar. A realidade da mudança climática hoje é incontornável pela frequência de eventos climáticos extremos.”

Para o economista, a questão climática deve ser resolvida de duas formas: pela via preventiva, minimizando custos que, de qualquer modo, serão altos, ou pela “via dolorosa, que é o agravamento da situação a tal ponto que se torne imperativo algum tipo de ação. E aí o custo será muito mais alto do que precisaria ter sido”.

        Descoberta de €64 bilhões em terras raras na Suécia muda disputa global por minerais estratégicos

Uma das maiores descobertas minerais recentes colocou a Europa no centro da corrida por recursos estratégicos. Um depósito de terras raras avaliado em cerca de €64 bilhões foi identificado no norte da Suécia.

A jazida fica na região de Kiruna, uma área tradicional de mineração.

O local, conhecido como depósito Per Geijer, reúne cerca de 585 milhões de toneladas de minério, com aproximadamente 1 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.

Isso o torna o maior depósito já identificado na Europa.

O valor não está apenas no volume.

As terras raras são consideradas “ouro moderno” por serem essenciais para tecnologias estratégicas.

Entre as aplicações estão:

        veículos elétricos

        turbinas eólicas

        eletrônicos avançados

        sistemas de defesa

O interesse global é direto.

Hoje, a China domina grande parte da produção e, principalmente, do refino desses minerais, o que gera dependência em outros países.

A descoberta na Suécia muda esse cenário.

Segundo autoridades europeias, o depósito pode ajudar a reduzir a dependência externa e fortalecer a autonomia industrial do continente.

Mas há um ponto importante.

A exploração não será imediata.

Estimativas indicam que a produção pode levar de 10 a 15 anos para começar, devido a exigências ambientais, licenciamento e desafios técnicos.

Ou seja, o impacto é mais estratégico do que imediato.

Mesmo assim, o efeito já é global.

A descoberta ocorre em um momento de alta demanda por minerais críticos, impulsionada pela transição energética e pela digitalização da economia.

Isso inclui:

        expansão dos carros elétricos

        crescimento da energia renovável

        avanço da indústria tecnológica

No plano geopolítico, o movimento é claro.

Terras raras deixaram de ser apenas mineração.

Viraram ativo estratégico.

E passaram a influenciar decisões de Estado.

O dado central não é só o valor de €64 bilhões.

É o reposicionamento.

A Europa começa a construir alternativas à dependência chinesa.

E entra com mais força em uma das disputas mais importantes da economia global no século XXI.

        Trump ameaça confiscar urânio iraniano se Teerã rejeitar acordo nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington poderá agir de maneira ‘menos amistosa’ caso o Irã se recuse a transferir seu urânio enriquecido para o território norte-americano. A afirmação foi feita no contexto das negociações em curso entre as duas potências sobre o programa nuclear iraniano, conforme reportou a RT.

Trump afirmou que pretende retirar o urânio iraniano após a eventual assinatura de um acordo, declarando que os Estados Unidos ‘o levarão para casa’. O presidente acrescentou que, se Teerã não aceitar a proposta, Washington obterá o material ‘de outra forma, de uma forma muito menos amistosa’.

Em entrevista à rede CBS, Trump afirmou que o Irã teria aceitado todas as condições apresentadas por Washington nas conversas de paz, incluindo a renúncia ao urânio enriquecido. Ele sugeriu que equipes dos dois países trabalhariam em conjunto para organizar a retirada do material, com destino final ao território norte-americano.

Em resposta direta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rejeitou categoricamente qualquer transferência do estoque nuclear iraniano. Baghaei afirmou que o urânio enriquecido é tão inegociável quanto o próprio solo iraniano e que sua entrega a outro país está completamente descartada.

O diplomata iraniano classificou as declarações de Trump como uma ‘estratégia midiática’ voltada a pressionar o processo de negociação. Baghaei reconheceu que existem diversas opções para resolver as questões do dossiê nuclear, mas reafirmou que nenhuma delas contempla a cessão do material aos Estados Unidos.

O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear possui fins exclusivamente pacíficos e opera sob monitoramento de organismos internacionais. A posição de Teerã é que qualquer solução negociada deve respeitar integralmente a soberania do país sobre seus recursos tecnológicos e energéticos.

As declarações de Trump surgem num momento em que as negociações entre Washington e Teerã avançam em terreno instável, com ambos os lados sinalizando abertura ao diálogo enquanto mantêm posições públicas intransigentes. A exigência norte-americana de controle físico sobre o urânio iraniano representa um ponto de ruptura potencial nas tratativas.

O impasse expõe a distância entre as pretensões de Washington — que busca garantias concretas de não proliferação — e a linha vermelha de Teerã, que recusa qualquer arranjo percebido como cessão de soberania. As próximas rodadas de negociação definirão se a retórica de Trump sobre ação ‘menos amistosa’ permanece como pressão calculada ou sinaliza uma escalada real.

        Físicos chineses simulam em laboratório um processo quântico capaz de aniquilar o Universo

O cosmos, aparentemente calmo e previsível, pode estar repousando sobre uma instabilidade invisível, uma serenidade enganosa que esconde um abismo energético prestes a se abrir. Físicos da Universidade Tsinghua, na China, conseguiram simular em laboratório o chamado decaimento do falso vácuo, um dos conceitos mais perturbadores da física moderna, capaz — em teoria — de reescrever as leis do Universo em um piscar de olhos.

Na linguagem da mecânica quântica, o vácuo não é um vazio absoluto, mas o estado de menor energia possível de um campo quântico. Contudo, há a possibilidade de que esse estado seja apenas localmente estável, um platô temporário em um relevo energético mais profundo, onde um vácuo verdadeiro aguarda silenciosamente para emergir.

Se uma pequena região do espaço realizasse essa transição para um estado de energia mais baixa, criaria uma bolha que se expandiria à velocidade da luz, devorando tudo o que encontra e alterando as constantes fundamentais da natureza. Esse fenômeno, conhecido como decaimento do falso vácuo, é o pesadelo teórico que une a física quântica e a relatividade geral em um mesmo palco de destruição e renascimento cósmico.

O experimento, publicado na revista Physical Review Letters e relatado pelo portal ScienceAlert, não envolveu o risco de destruir o cosmos real, mas criou uma analogia controlada. Em vez de manipular o próprio tecido do espaço-tempo, os cientistas utilizaram um conjunto de átomos de Rydberg — versões superexcitadas de átomos comuns que se tornam gigantes em escala atômica e extremamente sensíveis às interações entre si.

Esses átomos foram dispostos em um anel de número par, de forma que cada um tivesse um alinhamento de spin oposto ao de seus vizinhos, criando um padrão de simetria quase perfeita. Quando os pesquisadores introduziram lasers para quebrar essa simetria, o sistema passou a oscilar entre dois estados energéticos distintos, representando o falso vácuo e o verdadeiro vácuo de modo análogo ao comportamento previsto pela teoria quântica de campos.

Com o tempo, o anel começou a decair para seu estado mais estável, em um movimento que lembrava o colapso de um falso vácuo rumo ao verdadeiro. A taxa desse decaimento variava conforme a intensidade do laser, reproduzindo matematicamente o mesmo mecanismo teórico que, em escala cósmica, poderia transformar o Universo inteiro em uma nova configuração física.

Os físicos explicam que, embora o experimento não revele novos perigos, ele fornece uma janela inédita para entender como os domínios da relatividade e da mecânica quântica se entrelaçam. A teoria da relatividade de Albert Einstein descreve o comportamento do espaço e do tempo em grandes escalas, enquanto a mecânica quântica governa o infinitamente pequeno — e o decaimento do falso vácuo é justamente o ponto onde ambas colidem.

Em termos simples, o processo começa com o tunelamento quântico — uma partícula ou campo atravessando uma barreira de energia aparentemente intransponível. Uma vez iniciada, essa transição desencadeia uma reação em cadeia: a bolha do novo estado se expande, convertendo o espaço ao seu redor e alterando todas as leis físicas conhecidas, de forma irreversível e instantânea.

O uso de átomos de Rydberg para simular esse fenômeno é uma inovação notável, pois esses sistemas ampliados permitem observar interações quânticas com clareza e controle. Eles funcionam como maquetes microscópicas do cosmos, onde os pesquisadores podem testar hipóteses fundamentais sem depender das condições extremas de energia que o Universo real exigiria.

Para os cientistas chineses, o interesse não está em prever o fim dos tempos, mas em compreender os limites da física contemporânea. O estudo oferece um novo campo experimental para investigar a fronteira entre o quântico e o relativístico — uma busca que há décadas desafia a unificação das forças fundamentais e continua sendo o grande sonho da física teórica moderna.

Embora o experimento não aponte para uma ameaça imediata, ele reforça a ideia de que o Universo pode não ser tão estável quanto parece. Entre as dobras do espaço e do tempo, pode haver uma energia mais profunda, adormecida, esperando apenas o instante certo para se manifestar — e talvez, um dia, transformar tudo o que conhecemos em algo completamente novo.

Essa possibilidade, ainda que puramente teórica, lança uma sombra de fascínio sobre o destino cósmico e sobre a fragilidade do que chamamos realidade. A cada avanço experimental, a física moderna se aproxima um pouco mais de decifrar o que se esconde por trás do tecido do espaço-tempo, onde o nada é apenas outra forma de plenitude.

 

Fonte: Agencia Brasil/O Cafezinho


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