terça-feira, 28 de abril de 2026

Conheça a guabiroba, a potência nativa que é aliada da saúde metabólica

Da mesma família da goiaba, a guabiroba esbanja vitaminas, sais minerais e fitoquímicos. Esse mix tem potencial de blindar as artérias, com impactos positivos no equilíbrio glicêmico e na redução do risco de males cardiovasculares e diabetes. A espécie tem sido analisada por pesquisadores da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), que também estudam outros frutos nativos da Mata Atlântica, caso da jabuticaba, da pitanga e do araçá.

“Entre os destaques da guabiroba estão os fenólicos, sobretudo os flavonoides”, conta a engenheira de alimentos Aniela Kempka, professora da Udesc e líder do grupo por trás de um artigo publicado em 2025 no periódico Foods. Por meio de simulação do processo digestivo no laboratório, os cientistas avaliaram o comportamento dessas e demais substâncias vindas tanto do fruto quanto das folhas. “Vários desses compostos permaneceram acessíveis após a digestão simulada”, revela Kempka.

Significa que os efeitos benéficos se mantêm no organismo. Os ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além do kaempferol, da quercetina e da miricetina, são exemplos de fenólicos da guabiroba. Todos apresentam ação antioxidante e há evidências de atuação anti-inflamatória, o que resguarda as artérias.

Os pesquisadores também prepararam um tipo de biscoito com o extrato da espécie (folhas e frutos), que foi oferecido a cães e, entre os achados, observou-se que o alimento age no controle glicêmico, ajudando a modular as taxas de açúcar na circulação. “Ocorreu ainda a redução dos níveis de colesterol total”, comenta a pesquisadora.

Tais resultados confirmam indícios, encontrados na literatura científica, de que os flavonoides atuam em prol da saúde metabólica. Contudo, análises em humanos seriam necessárias para confirmar esses achados.

<>< Descobrindo o fruto nativo

“A guabiroba é uma espécie ainda pouco explorada, seja para a alimentação no dia a dia, seja para o desenvolvimento de alimentos funcionais”, afirma a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado (HMAP), gerido pelo Einstein Hospital Israelita. Investigar ingredientes nativos amplifica o repertório alimentar, fortalece cadeias produtivas locais e contribui para modelos de produção sustentáveis. “Trata-se de algo estratégico em differentes perspectivas: científica, nutricional, econômica ou ambiental”, analisa Freitas.

Dietas monótonas reduzem a exposição a diferentes micronutrientes e compostos bioativos. “Quando ampliamos a variedade de frutas, verduras, legumes, entre outros alimentos, há o aumento no consumo de fibras, antioxidantes e fitoquímicos, o que impacta positivamente a microbiota intestinal, o metabolismo e a saúde em longo prazo”, observa a nutricionista.

Além dessas substâncias, análises da Embrapa Florestas revelam que a guabiroba esbanja vitamina C, a aliada da imunidade; minerais como o potássio, que favorece a pressão arterial; e ainda carotenoides, grupo de pigmentos com potente ação antioxidante. Inclusive, são eles os responsáveis pela cor amarela do fruto.

<><> Não confunda

A Campomanesia xanthocarpa, nome científico da fruta estudada pelos cientistas da Udesc, é encontrada predominantemente nas regiões Sul e Sudeste. Cresce em árvores de grande porte, que ultrapassam 15 metros de altura. Já a gabiroba-do-campo, ou guavira (Campomanesia adamantium), é um arbusto com cerca de dois metros de altura, comum no bioma do Cerrado.

Ambas as espécies oferecem frutinhos amarelos, doces e supernutritivos, que fazem sucesso na versão in natura e incrementam preparações doces — como geleias, compotas, sorvetes e sucos — e salgadas em forma de molhos para carnes.

Mas existe ainda a guariroba ou gueroba, que apesar da nomenclatura parecida, é totalmente diferente. Trata-se da Syagrus oleracea, uma palmeira oriunda do Cerrado que aparece em parte do Sudeste e Nordeste. Oferece um palmito de textura firme e gosto puxado para o amargo, utilizado em saladas e no famoso empadão goiano. Dessa palmeira também é extraída uma amêndoa usada em sobremesas. Por toda a riqueza nutricional e pelo sabor, vale a pena conhecer todas elas.

•        Abacate pode ajudar no equilíbrio do colesterol, aponta estudo

A polpa cremosa do fruto do abacateiro concentra substâncias benéficas ao organismo, inclusive o coração. Um estudo recém-publicado na revista científica Clinical Nutrition ESPEN reforça o papel desse alimento como aliado da saúde cardiovascular.

Os resultados apontam para uma relação entre o consumo do abacate e a diminuição dos níveis de LDL, o chamado “colesterol ruim”, sobretudo em indivíduos com risco cardiovascular elevado. Há evidências, vindas de outras pesquisas, de que manter o equilíbrio das taxas dessa molécula gordurosa ajuda a resguardar as artérias, diminuindo o risco de males como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

“Nosso estudo utilizou um método conhecido como ‘umbrella review’, que traz uma análise de diversas revisões sistemáticas”, comenta um dos autores do trabalho, Vitor Engrácia Valenti, pesquisador do Centro de Revisões Sistemáticas para Saúde Cardiovascular e Metabólica, na (Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Marília.

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Segundo Valenti, os estudos avaliados também mostram que, em populações com sobrepeso e diabetes tipo 2, o abacate foi associado à redução da insulina em jejum. “O que sugere benefícios metabólicos adicionais”, observa. Embora a revisão indique esse potencial do fruto, o artigo menciona limitações, a exemplo da heterogeneidade dos desfechos e das diferentes metodologias aplicadas nos trabalhos.

<><> Mix cardioprotetor

Mas existem muitos indícios de que os compostos encontrados no fruto apresentam efeitos cardioprotetores. Para começar, ele oferece sais minerais como o potássio e o magnésio, dupla com impacto positivo na regulação da pressão arterial. Também apresenta alto teor de ácidos graxos monoinsaturados, ou seja, de gorduras benéficas, especialmente o ácido oleico, o mesmo tipo que faz a fama do azeite de oliva.

“Vale menção aos polifenóis que têm ação antioxidante e anti-inflamatória”, destaca a nutricionista Évelin de Carvalho dos Santos, do Einstein Hospital Israelita. Essa junção de componentes melhora a função endotelial, favorecendo a vasodilatação, num mecanismo que blinda as artérias.

Outro grupo é o dos fitosteróis, substâncias com estrutura semelhante ao do colesterol, que acabam disputando para entrar nas células intestinais. Esse processo interfere com a absorção da molécula gordurosa, diminuindo os níveis do LDL.

A polpa contém ainda as fibras solúveis que se ligam aos ácidos biliares — compostos envolvidos na digestão das gorduras —, arrastando-os pelas fezes. Com essa eliminação, há uma necessidade do organismo de repor os tais ácidos, resultando também na redução das taxas de colesterol da circulação.

<><> Do campo ao prato

Nativo da área que engloba o México e uma parte da América Central, o abacateiro tem nome científico Persea americana. Conta-se que era árvore sagrada e entrava em antigos rituais indígenas.

A espécie pertence à família Lauraceae — a mesma do louro usado para temperar o feijão — e suas folhas também exalam um perfume característico. Existem diferentes variedades, desde os grandes, como o Quintal, que é pescoçudo e pode pesar quase um quilo, até os pequeninos, caso do Hass, conhecido como avocado, que tem casca rugosa e escura, passando pelos médios como o Breda, o Margarida e o Ouro Verde.

Ainda que apresentem diferentes consistências, tamanhos e cores, todos são calóricos, por isso, é importante ir devagar com as porções. Não dá para recomendar uma quantidade, tudo vai depender do perfil, do cotidiano e das atividades de cada pessoa.

“Para incluir no dia a dia, a sugestão é manter o equilíbrio, respeitando as preferências”, ensina a nutricionista do Einstein. “Uma opção interessante é amassar o abacate até formar uma pastinha e temperar com sal, pimenta e limão.” A preparação fica ótima para incrementar torradas, numa versão conhecida como avocado toast, que faz sucesso mundo afora.

Tem também o guacamole, receita clássica mexicana que leva cebola, tomate, limão, coentro e pimenta. Além de servir como petisco nas tortilhas, pode compor saladas ou acompanhar carnes e pescados.

O fruto aparece ainda em sobremesas, em forma de cremes, sorvetes e até coberturas de tortas. Cabe mencionar a tradicional “vitamina”, que é a receita do abacate batido no liquidificador com leite e açúcar, muito apreciada no Brasil. Versátil, o fruto pode marcar presença desde cedo, no café da manhã, até o jantar, fica ao gosto do consumidor.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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