quinta-feira, 30 de abril de 2026

Como viver a menopausa?

Os termos menopausa (do grego mēn, mês ou Lua, indicando o ciclo menstrual, e pausis, parada ou cessar) e climatério (do grego klimacter) foram cunhados no início do século XIX, pelo médico francês Charles Pierre de Gardanne. Em De la Ménopause, ou de l’âge critique des femmes, publicada em 1816, Charles Gardanne considerou a menopausa uma síndrome e utilizou o termo climatério para nomear o período que antecede o fim da vida reprodutiva das mulheres, em que ficariam mais vulneráveis a doenças e alterações físicas.

Apesar de criar um imaginário patológico e pejorativo, já indicado pelo próprio título, em torno de um fenômeno natural na vida das mulheres, a obra é um marco importante na história da medicina e orientou os estudos sobre a menopausa durante todo o século XIX.

Contudo, estudar a menopausa não atraiu o meio médico, uma vez que, até o início do século XX, a expectativa de vida das mulheres era inferior a 40 anos (no Brasil, a média era de 33 anos), ou seja, a grande maioria não vivenciava a menopausa. Apenas nos anos 1940, a ciência e a medicina começaram a investigar a menopausa, suas causas e sintomas, de forma mais intensa.

A obra do médico Robert Wilson, publicada no Brasil em 1966, é um marco da época. Em Eternamente feminina, Robert Wilson considerou a menopausa uma doença e sua prevenção, tratamento e cura estariam associados à terapia de reposição hormonal, que manteria a mulher eternamente em sua condição feminina, sugerindo que as mulheres deveriam ser eternamente férteis e procriadoras.

Há uma certa linha de continuidade entre as reflexões de Charles Gardanne e Robert Wilson, mesmo que escritas numa distância temporal significativa. Ambos valorizaram a mulher jovem, bonita, fértil e bem-disposta e difundiram uma imagem da mulher na menopausa como descontrolada e beligerante, cheia de calores e chorosas, temida pelos filhos e fonte de problemas para seus companheiros.

De forma geral, ao longo do século XX, a menopausa foi ignorada, menosprezada ou temida e seus sintomas foram considerados patologias que deveriam ser curados. O ambiente médico, marcado pela presença maciça de homens, e as pesquisas clínicas sendo realizadas mais com homens do que com mulheres dificultaram e até impediram a compreensão dos corpos das mulheres. Nesse cenário, lentes patriarcais explicaram a menopausa de forma equivocada, como sendo um período em que a mulher, ao deixar de ser fértil, perderia a juventude, a beleza e seu valor social, deixando de ser útil para a comunidade.

O assunto era tabu, inclusive entre as mulheres. Cercada de silêncio e sigilo, a menopausa era vivida com medo, insegurança e vergonha. Desinformadas e desemparadas, sem compreender o que se passava com os próprios corpos, ao longo de décadas as mulheres viram (e muitas ainda vêm) a menopausa com pessimismo e desesperança, como um símbolo do fim da vida.

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs uma padronização da terminologia, caracterizando as fases reprodutivas da mulher. O termo climatério, por ser pejorativo e pouco explicativo, foi substituído por perimenopausa, período em que a menstruação fica irregular, devido à queda de produção hormonal (o estrogênio) e alguns sintomas podem aparecer, como ondas de calor, irritabilidade, insônia, ressecamento vaginal e redução da libido.

A perimenopausa é seguida da menopausa, a última menstruação natural. Depois de passado um ano inteiro da última menstruação, as mulheres entram na fase da pós-menopausa. Contudo, esse ano é um processo dinâmico, variável de mulher para mulher e pode demorar mais de um ano. Tal busca por termos mais adequados que caracterizem cada fase da vida reprodutiva da mulher, também revela uma preocupação da OMS em entender melhor cada fase. Esse foi o primeiro passo para melhor acolher as mulheres em suas dúvidas e sintomas.

Mas, foi somente em 2002 que se realizou um dos maiores estudos, o Women’s Health Iniciative (WHI), financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, sobre a saúde das mulheres na perimenopausa, menopausa e pós-menopausa, identificando uma série de sintomas (físicos, emocionais, psíquicos e cognitivos) e como enfrentá-los, incluindo informações esclarecedoras sobre a terapia de reposição hormonal e o momento certo de fazê-la.

Em 2024, com a publicação de O cérebro e a menopausa, da neurocientista Lisa Mosconi, novas luzes foram lançadas sobre o fim do período fértil da mulher. A partir de pesquisas clínicas com milhares de mulheres, Lisa Mosconi descobriu que a menopausa é uma experiência que ocorre no corpo todo da mulher, inclusive em seu cérebro, afetando pensamentos, sentimentos, a autoimagem e o comportamento. Ondas de calor, insônia, sentimentos de ansiedade e angústia, mente turva e lapsos de memória são sintomas neurológicos decorrentes de como o cérebro é alterado pela menopausa, pois, graças ao sistema neuroendócrino, ele está intimamente ligado aos ovários.

Todo o estrogênio, sobretudo o estradiol, produzido pelos ovários durante a pré-menopausa (fase reprodutiva da mulher em que os ciclos menstruais são regulares) alimenta e regula o cérebro. Na menopausa, o estradiol deixa de ser produzido e o cérebro precisa se organizar de outra forma para funcionar a partir do estrona, outro hormônio estrogênico. Por isso, durante a menopausa o cérebro perde 30% de sua energia, mas recupera seu funcionamento na pós-menopausa, atingindo os mesmos níveis de quando o ciclo menstrual era regular.

As pesquisas de Lisa Mosconi (2024) também constataram que os cérebros de mulheres e homens são hormonal, energética e quimicamente diferentes. Essa diferença não está associada à capacidade cognitiva ou intelectual e não pode ser utilizada para reforçar estereótipos de gênero, mas é um fator importante para pensar na saúde das mulheres, sobretudo na menopausa.

Um ponto importante de virada nessas pesquisas realizadas a partir do início do século XXI, foi a participação maciça de mulheres, como médicas e pesquisadoras, e o fato de serem pesquisas clínicas, analisando o comportamento, não apenas hormonal, de inúmeras mulheres durante a perimenopausa, a menopausa e a pós-menopausa. Tais estudos favoreceram muitas mulheres que passaram a ter mais acesso a informações confiáveis e orientaram ginecologistas a aplicar com mais eficácia as terapias de reposição hormonal.

Apesar de tais avanços científicos provarem que a menopausa e a pós-menopausa são períodos naturais da vivência das mulheres, muitas culturas, sobretudo as urbanas e tecnoindustriais, continuam valorizando a mulher que consegue se manter jovem, ativa e bonita.

Basta um passeio por redes sociais virtuais de mulheres famosas (sobretudo atrizes e influencers), para percebermos o quanto a busca pelo corpo perfeito (magro e musculoso), o rosto sem rugas (graças às harmonizações faciais e ao uso indiscriminado de toxina botulínica, o famoso Botox, que se popularizaram entre as mulheres da classe média) e os cabelos sem fios grisalhos ainda estão em pauta.

Esse projeto de uniformização, universalização e dominação dos corpos é orquestrado pela acumulação de capital. Nas redes sociais, como bem afirma Vassort (2012), existe uma massificação disseminada que captura a vida e a torna superfluida, pois no capitalismo mundializado, a generalização da superfluidade, como valor subjetivo e objetivo, tornou-se central.

Tais mulheres famosas assumem estar na menopausa, mas o envelhecimento natural do corpo é contornado e raramente admitido, pois estaria associado ao fim de sua sexualidade e feminilidade. São muitas que postam fotos e vídeos cômicos sobre alguns sintomas da menopausa, sobretudo os fogachos, a insônia e a irritabilidade, e como elas e seus parceiros enfrentam tais oscilações.

Esse destaque excessivo dos sintomas, faz com que eles deixem de ser o que de fato são, sinais de um processo em curso, para serem considerados o próprio processo. Ou seja, a discussão não gira mais em torno do que é a menopausa e sim, apenas, dos seus sintomas, o que mascara o processo natural, alienando as mulheres de seus corpos.

Outras redes sociais oferecem às “mulheres 50+” programas de alimentação e atividade física eficientes para “manter a forma”. Na verdade, se trata de imagens que valorizam “uma determinada forma”, a que expresse juventude, beleza e alta libido, como se o corpo fosse capaz de responder sempre aos estímulos, independente da idade biológica. O fato de preferirem a expressão 50+, não utilizando os termos menopausa e pós-menopausa, já é um indício de negação desse período na vida da mulher.

Nas redes sociais também é divulgada uma série de produtos, cujos fabricantes prometem eliminar rapidamente todos os sintomas da menopausa. Uma grande gama de suplementos alimentares, rastreadores de sintomas, roupas terapêuticas, além de coachs especializados, todos garantem restituir a juventude. Nesse sentido, é preciso destacar que, no Ocidente, segundo relatório da WHAM (2026), a menopausa é um grande negócio para o capital, tendo movimentado em torno de US$17 bilhões em 2024 e projeta-se US$24 bilhões para 2030.

Essas imagens invadem o cotidiano e a subjetividade, capturando, do outro lado das telas, as mulheres reais, sobretudo das classes média e baixa. Para essas mulheres, cada vez mais solitárias, isoladas, frágeis e massacradas pelas inúmeras atividades cotidianas que precisam cumprir, essas imagens assumem um lugar pseudossagrado, num sistema de produção de sentido e de verdade.

Quanto mais contemplam, quanto mais aceitam reconhecer-se nessas imagens, menos as mulheres vivem, menos compreendem sua própria existência e seu próprio desejo e se tornam cada vez mais alienadas dos processos naturais de seus próprios corpos. Ou seja, essas imagens produzem consequências socialmente hierarquizadas, pois o abismo entre a realidade que vivem e aquela que queriam desfrutar torna-se uma enorme fonte de frustração e sofrimento adicional.

As imagens espetacularizadas oferecidas ao espectador, como bem disse Guy Debord (1967), produzidas em profusão pelos meios de comunicação de massa e diretamente ligadas ao modo de produção capitalista neoliberal, substituem as relações sociais reais, transformando tudo o que antes era vivido diretamente em apenas uma representação, que torna as pessoas submissas à lógica destrutiva do “parecer ser”.

Criando necessidades artificiais, tais imagens afastam as mulheres da concretude de seus problemas reais e da possibilidade de compreenderem suas próprias existências e de realizar seus desejos autênticos. As representações edulcoradas, mercantilizadas e massificadas da menopausa e pós-menopausa, as impede de adquirir as “armas” subjetivas para formação de uma consciência social real, o que possibilitaria o enfrentamento com menos sofrimento e maior eficiência de um período que é, ao mesmo tempo, biológico, psicológico e social.

As imagens espetacularizadas impedem a formação dessa consciência real e, por conseguinte, dificultam o ingresso na pós-menopausa, momento em que, na medida das possibilidades e dos limites impostos socialmente, seriam realizados os desejos legítimos e autênticos da mulher.

Nas redes sociais, ao serem tratadas apenas como uma grande massa de clientes, seguidoras e espectadoras, as mulheres não são consideradas em sua individualidade, nem são respeitadas em seus medos e em suas angústias.

As imagens da supermulher glamourosa, que passa imune à força do tempo, levam as mulheres a acreditarem que a juventude pode ser eterna e facilmente restituída, tornando-as incapazes de perceber que a verdade dessa possibilidade é muito relativa. Afinal, a indústria do rejuvenescimento traz, a cada momento, uma novidade que nega ou subestima o processo natural de envelhecimento, que se impõe, mais cedo ou mais tarde, a todo mortal.

Evidentemente, envelhecer, hoje, é muito diferente do que era envelhecer há vinte ou trinta anos. Avós e mães de mulheres que hoje vivem a menopausa aparentavam ser muito mais velhas do que suas netas/filhas com a mesma idade. É verdade que estamos envelhecendo cada vez mais lentamente e, de certa forma, com mais qualidade de vida, muito embora tal aquisição se distribua desigualmente no tecido social.

As conquistas nessa área são fruto de uma série de opções mais saudáveis (que incluem exercícios físicos e alimentação), além dos avanços médicos e tecnológicos, que proporcionam diagnósticos mais rápidos e tratamentos personalizados. Segundo dados do IBGE, formulados a partir do Censo de 2022, enquanto a expectativa de vida das mulheres era de 78 anos em 2010, a previsão é de 82 anos para 2040.

Ou seja, cada vez mais, o número de anos que as mulheres vivem na pós-menopausa é muito próximo de quando seus ciclos menstruais eram regulares, uma média de 30 anos em cada período. A naturalização, o respeito e a compreensão desse processo podem ajudar as mulheres a viverem mais e melhor, assimilando e aceitando seu processo natural de envelhecimento.

Sem dúvida, essa mudança exigirá uma luta, ao nível das consciências, contra o fetiche da beleza eterna e padronizada instituído pela indústria cultural capitalista, culminando na construção de novos valores estéticos. Isso implicará, possivelmente, a adoção de uma ética semelhante àquelas das culturas dos povos indígenas, onde o respeito aos mais velhos também é, para os jovens, a aquisição do respeito ao envelhecimento de seus próprios corpos.

Se nas sociedades urbanas e industriais, as mulheres vivem imersas em imagens espetaculares que procuram vender a juventude eterna e raramente a menopausa é associada à ideia da inevitabilidade do envelhecimento e seus desdobramentos biopsicossociais, ficando mais restrita aos sintomas e às terapias naturais e de reposição hormonal, em outras sociedades o fim da vida fértil da mulher é visto com mais naturalidade, clareza, dignidade e otimismo.

Segundo dados da OMS (1996), os sintomas associados à menopausa estão diretamente ligados a como as diferentes sociedades encaram o processo de envelhecimento. Quanto mais as mulheres mais velhas são valorizadas, menos sintomas elas apresentam ou os superam de forma mais rápida e saudável.

As Guarani, por exemplo, não possuem uma palavra em sua língua para designar menopausa, como também não associam o evento do fim da menstruação com qualquer sintoma. De forma geral, entre os povos indígenas, a menopausa é vista como uma fase natural da vivência feminina, ligada ao sagrado e à espiritualidade. Por estarem mais velhas e já terem passado por muitos problemas e desafios, elas são reconhecidas como detentoras de sabedoria, não raro assumindo a liderança nas comunidades. Elas também mantêm seu papel ativo, tanto na rotina de trabalho, como nas decisões políticas.

Algo similar ocorre com as mulheres anciãs dos Hadza, grupo étnico de coletores-caçadores que vive no norte da Tanzânia. Nessa sociedade, as avós são responsáveis pela coleta de frutos e raízes, alimentos fundamentais para a existência do grupo. Também são elas que cuidam das crianças, liberando as mulheres mais jovens para a procriação e para a continuidade da etnia.

Para a medicina tradicional chinesa, que orienta muitas pessoas no mundo inteiro, a menopausa é considerada a segunda primavera, sendo equiparada à mudança hormonal que ocorre na adolescência, e a pós-menopausa é reconhecida como o período da mulher sábia. Na menopausa ocorre uma transformação natural de energia, em que a mulher para de perder sangue e passa a conservar sua essência.

Durante a vida fértil, o sangue flui para baixo pelos vasos Chong Mai (mar de sangue) e Ren Mai (vaso concepção) para sustentar a reprodução. Na menopausa, esse canal se fecha, e todo o sangue e energia que eram direcionados para a concepção e nutrição de um novo ser, passam a ser direcionados para o coração, há uma inversão do fluxo e uma nova economia energética: o que antes estava direcionado para gerar outra vida, agora alimenta e expande a própria existência.

O corpo entende que precisa guardar sua essência para nutrir órgãos vitais e garantir sua longevidade. A energia ancestral (Jing), guardada nos rins, deixa de ser gasta com a fertilidade e é refinada em energia espiritual (Shen), ou seja, o que antes estava destinado para a matéria é transformado em sabedoria e consciência, ocorrendo uma transmutação alquímica. A menopausa é um convite para deixar de ser a nutridora dos outros, para se transformar na detentora da própria sabedoria.

Estudos, como os de Mosconi (2024), têm descoberto que passados os anos de adaptação da menopausa, ou seja, quando as mulheres chegam na pós-menopausa, elas se tornam muito mais felizes. Muitas relatam que passam por uma nova onda de energia e uma mudança de interesses, que as incentiva a mudar de carreira, construir novos relacionamentos, conhecer lugares ou até mudar de lugar para viver e experimentar novas formas de cuidar da saúde.

Muitas mulheres também relatam uma maior capacidade de impor limites às necessidades dos outros, estando mais concentradas em sua liberdade e em suas próprias necessidades. Tendo passado por diversos desafios, perdas e desilusões, as mulheres mais velhas desenvolveram muitas habilidades e sentem-se mais fortes, seguras e confiantes para enfrentar novos problemas e desafios. Também foram relatados um aumento dos sentimentos de resiliência, compaixão e empatia.

Já a terapeuta Miranda Gray (2024) aposta numa visão mais holística e espiritual da menopausa, promovendo a conexão natural com o sagrado feminino. Para Gray, o término dos ciclos menstruais representa um caminho transformacional energético (o Labirinto), que leva as mulheres ao encontro com a anciã sábia interior (a Crone), detentora das profundas energias espirituais e poderosas da feminilidade.

Trata-se de uma jornada desafiadora em que as mulheres experimentam novos limites e descobrem um novo papel na vida. Contudo, essa jornada não é totalmente desconhecida. Em cada ciclo, todos os meses, as mulheres percorrem o labirinto e ao menstruarem encontram a Crone: “cada ciclo menstrual é um ciclo de renovação, um caminho labiríntico de retrair e emergir – porém, com frequência, não nos lembramos dessa sabedoria. E, então, quando os ciclos menstruais por fim cessam, ainda temos um Labirinto a percorrer, mas agora descemos os degraus da menopausa do Labirinto da Vida” (GRAY, 2024, p. 23).

A Crone simboliza um período de quietude, potência e renovação e está presente nos ciclos da natureza: no inverno da Terra, na escuridão da Lua Nova e no vazio da maré baixa.

Tal jornada pode causar medo e angústia, porque as mulheres não sabem em quem se tornarão, desconhecem os desafios da velhice e podem resistir em percorrer o Labirinto. A resistência é ainda maior em sociedades que valorizam em demasia a juventude, que associam as mulheres anciãs à incapacidade, à perda de autonomia e à decrepitude. Porém, como trata-se de um caminho percorrido em cada ciclo menstrual, é possível despertar o saber do corpo, que Gray (2024) denomina de “sabedoria do útero”, que conduzirá com segurança e otimismo mais uma jornada da vida.

Em seus estudos sobre o cérebro das mulheres, Mosconi (2024) chegou a conclusões análogas as de Gray (2024). Ela identificou, em centenas de mulheres, uma similaridade entre os sintomas das tensões pré-menstruais (TPM), que acompanham o ciclo reprodutivo, e os sintomas da menopausa. Descobriu, também, que os sintomas da TPM e menopausa possuem uma carga genética, sendo muito semelhantes entre as mulheres da mesma família, sobretudo mães e filhas e irmãs. Ou seja, o corpo possui uma memória de enfrentamento bem-sucedido aos sintomas, que pode ser acionado durante a menopausa.

Apesar dos desafios, apesar da desinformação, apesar das imagens que insistem em depreciar o envelhecimento, sobretudo das mulheres, a menopausa é um momento de aprendizado e de conquista de um novo lugar no mundo. Cada mulher pode (re)aprender com a Mãe Terra o eterno ciclo da natureza de vida-morte-vida, que vivenciou em seu corpo em cada ciclo menstrual, vivendo esses anos de transformação com sabedoria e harmonia.

Trata-se de criar uma nova tradição, resgatando o saber ancestral das mulheres que viveram, e em algumas sociedades ainda vivem, vidas cíclicas, abraçando o mistério de fazer parte de algo muito maior que o corpo físico e o eu individual. Trata-se de abrir-se aos ciclos que residem dentro de cada mulher e estão presentes em toda a natureza, rumo à consciência expandida de sermos o que somos e sermos suficientes para nós mesmas, fazendo emergir um sentimento de realização e de autoaceitação.

Conhecer nossos corpos, respeitar e viver com dignidade nossos ciclos é conhecer nossa história e nossa ancestralidade. É, também, uma forma de honrar todas as mulheres que vieram antes de nós, que enfrentaram preconceitos e não puderam viver seus ciclos com confiança. Conhecer nossos corpos é uma forma de resistir e de enfrentar os tabus e apagamentos.

 

Fonte: Por Soleni Biscouto Fressato, em A Terra é Redonda

 

 

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