Dando
cobertura? PF investiga malas em voo com Motta e Ciro Nogueira em avião de
empresário de bets
A
Polícia Federal investiga a entrada no Brasil de cinco malas levadas em um voo
em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o
senador Ciro Nogueira (PP-PI) em abril de 2024. As bagagens não passaram pelo
raio-X ao chegar a São Paulo, quando um auditor fiscal autorizou que fossem
liberadas sem inspeção. O caso está no STF (Supremo Tribunal Federal).
O
episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em
um avião particular que pertence ao empresário piauiense Fernando Oliveira
Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que
disponibilizam jogos como o Fortune Tiger — popularmente conhecido como “jogo
do tigrinho”.
Além de
Motta e Ciro, estavam na aeronave os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo
Bulhões (MDB-AL), ambos líderes de seus partidos na Câmara.
O caso
foi enviado pela Justiça Federal de São Paulo ao Supremo, onde está sob sigilo.
A petição ao tribunal foi protocolada em 13 de abril. O ministro Alexandre de
Moraes foi sorteado relator. Em despacho de sexta-feira (24), o magistrado
determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o
processo em até cinco dias.
Procurado
pela Folha, Motta confirmou que esteve no voo, mas disse que, ao desembarcar no
aeroporto, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na
legislação aduaneira”.
A
assessoria de imprensa também afirmou que o deputado aguardará a manifestação
da Procuradoria.
A
reportagem também entrou em contato com as assessorias de Ciro Nogueira, de Dr.
Luizinho e Isnaldo Bulhões, com Fernandin OIG, no início da noite de segunda
(27), para obter o posicionamento deles sobre o episódio.
O
pedido foi reforçado nesta terça (28) às 9h para Ciro, às 9h45 para Dr.
Luizinho e às 9h30 e 9h50 para Isnaldo. Não houve resposta até a publicação
desta reportagem.
Questionada
sobre a existência de um processo interno para apurar a conduta do auditor
investigado pela PF, a Receita Federal afirmou que as investigações da
corregedoria transcorrem em sigilo e que não poderia confirmar se há
procedimentos abertos no caso específico.
“Quando
notificada sobre possíveis desvios funcionais, a Receita Federal instaura,
através de sua corregedoria, procedimentos administrativos disciplinares para a
apuração dos fatos. Para garantir os direitos constitucionais de ampla defesa e
contraditório aos envolvidos, as investigações transcorrem em sigilo até sua
conclusão”, disse.
A Folha
também procurou o piloto Jorge Oliveira por mensagem via Instagram e WhatsApp
nos últimos dois dias, além de ligação às 10h10 desta terça. Não houve
resposta.
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PF apura facilitação de contrabando
O
inquérito instaurado pela Polícia Federal apura os possíveis crimes de
facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação.
As
informações apontam que o auditor fiscal Marco Antônio Canella permitiu que o
piloto José Jorge de Oliveira Júnior “passasse com cinco volumes por fora do
equipamento de raio-X” no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São
Roque (SP), na região metropolitana de Sorocaba, por volta das 21h de 20 de
abril de 2024.
Durante
a investigação, a PF obteve a lista de passageiros do voo, na qual constam os
nomes de Motta, Ciro, Isnaldo e Dr. Luizinho. Por envolver autoridades com foro
privilegiado, o caso foi enviado ao MPF (Ministério Público Federal) — que
pediu que o processo tramitasse no STF.
“Diante
do que a autoridade policial, considerando a possibilidade de a continuidade
das investigações revelar o envolvimento dos passageiros que possuem foro
privilegiado no delito sob apuração ou em outras práticas delitivas, remeteu os
autos ao Parquet Federal [o MPF] para que verifique se é caso de declínio de
atribuição”, diz trecho da manifestação do órgão.
Os
políticos retornavam de São Martinho, ilha no Caribe considerada paraíso fiscal
pela Receita Federal, em lista divulgada em 2017. O local também é conhecido
como a Las Vegas do Caribe devido a atrações noturnas, como cassinos.
Antes
de chegar ao Supremo, o processo estava na 1ª Vara Federal de Sorocaba. A
primeira movimentação no sistema naquela instância indica que ele foi
distribuído em outubro de 2025. Em 18 de março, a juíza Carolina Castro Costa
determinou o envio ao STF.
“Destarte,
diante da natureza dos fatos apurados e da eventual existência de prerrogativa
de foro, a deliberação acerca da competência para o processamento e julgamento
incumbe ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou a magistrada em sua decisão.
Como
mostrou a Folha, Ciro Nogueira já viajou em outra ocasião em um jatinho
particular de Fernandin OIG. Em maio de 2025, o presidente do PP foi até a
Europa em um dos aviões, enquanto o empresário era alvo da CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) das Bets.
O
colegiado foi instalado no Senado no fim de 2024 para apurar irregularidades em
casas de apostas e possíveis esquemas de manipulação de resultados em eventos
esportivos.
• PF diz que Motta e Ciro Nogueira voaram
em avião de suspeito de contrabando
A
Polícia Federal (PF) remeteu um inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF)
para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo particular que
transportava um empresário investigado na CPI das Bets. A investigação foi
transferida ao STF após a constatação de que quatro parlamentares estavam a
bordo: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro
Nogueira (PP-PI), e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões
(MDB-AL).
A
informação, inicialmente divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada
por relatório da PF acessado pelo Estadão, indica que os congressistas ainda
não se manifestaram sobre o ocorrido. O espaço permanece aberto para seus
posicionamentos.
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O que aconteceu
• A Polícia Federal apura suspeitas de
descaminho e contrabando em um voo de empresário.
• Quatro parlamentares, incluindo Hugo
Motta e Ciro Nogueira, estavam no voo particular.
• O inquérito foi remetido ao STF devido
ao envolvimento de congressistas no caso.
A
aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de uma empresa de
apostas online e figura central na CPI das Bets do Senado. Ele estava presente
no voo com os parlamentares, que ocorreu em abril do ano passado, período em
que a CPI estava ativa no Senado, com a participação de Ciro Nogueira. A
reportagem procurou Lima, mas ele não se manifestou até o momento.
O voo
partiu da ilha de Saint Martin, reconhecido paraíso fiscal no Caribe, e
aterrissou na noite de 20 de abril do ano passado no aeroporto de Catarina, em
São Roque (SP), utilizado para aviação executiva. As suspeitas da Polícia
Federal emergiram de uma investigação anterior sobre corrupção envolvendo o
auditor fiscal Marco Canella, indiciado em outro inquérito por facilitação de
contrabando ou descaminho. Canella, também procurado, não se posicionou.
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Quais foram as irregularidades no voo?
No
episódio do voo com os parlamentares, o auditor Marco Canella autorizou que um
funcionário do empresário Fernando Oliveira Lima desembarcasse e transportasse
sete volumes de bagagem sem passá-los pelo raio-X. Este procedimento irregular
foi registrado pelas câmeras de segurança do aeroporto.
Até o
momento, a identidade dos proprietários das bagagens que evadiram o
procedimento de raio-X permanece desconhecida. Devido à origem do voo (um
paraíso fiscal) e ao histórico do auditor Canella (indiciado por crimes de
facilitação ao contrabando e descaminho), a PF levantou a suspeita de que o
conteúdo dessas bagagens poderia ser ilícito.
No
decorrer da apuração, foi confirmado que os parlamentares também estavam a
bordo. Suas malas passaram pelo procedimento normal de raio-X, e não há
indícios até o momento de que os itens transportados de forma irregular
pertencessem a eles. Contudo, a PF, em relatório parcial, apontou que a
continuidade das investigações poderia indicar o envolvimento de algum
congressista nos crimes apurados, justificando a remessa do caso ao Supremo.
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Por que o caso foi parar no Supremo?
O
despacho da PF detalha a necessidade de enviar o inquérito ao STF:
“Considerando que, caso as investigações tenham continuidade e indiquem que,
além da conduta do Auditor Fiscal MARCO ANTÔNIO CANELLA, haja outras condutas
ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas no “item 9″ supra tenham
envolvimento, os autos devem tramitar pela CINQ/CGRC/DICOR/PF, e o Processo
junto ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual, salvo melhor juízo,
entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal
situação pelo Poder Judiciário”.
Em suas
redes sociais, o empresário Fernando Oliveira Lima publicou fotos da viagem,
embora os parlamentares não apareçam nas imagens. As fotografias exibem o
interior da aeronave com refeições, um mapa de bordo indicando o destino Saint
Martin, a aeronave chegando a uma praia de mar azul claro e diversos momentos
descontraídos na praia.
O
inquérito chegou ao STF nesta semana e foi distribuído ao ministro Alexandre de
Moraes, relator da Lava Jato. Moraes, por sua vez, enviou o caso para análise
da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá emitir um parecer sobre a
existência de indícios criminais que justifiquem a continuidade da investigação
perante a mais alta corte do país.
• Integrante do PCC usou Palácio dos
Bandeirantes para pousar helicóptero, diz jornal
Um
helicóptero com um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) pousou no
heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em 10 de março de 2022, para se deslocar
para o estádio do Morumbi para acompanhar uma partida de futebol entre São
Paulo e Palmeiras pelo Campeonato Paulista.
Segundo
informações reveladas pelos jornalistas Marcelo Godoy e Fausto Macedo, do
jornal “Estadão”, o integrante do PCC usou seus “contatos políticos” para obter
da Casa Militar do Governo de São Paulo, em apenas seis horas, autorização para
o pouso. Na época, o governador de São Paulo era João Doria.
O caso
está descrito nos documentos da Operação Contaminatio, da Polícia Civil de São
Paulo, que mira a infiltração de faccionados do PCC em administrações públicas
municipais no interior do Estado. Também é investigado suposto financiamento de
candidatos nas eleições de 2024. A ação foi deflagrada neste segunda-feira
(27).
Segundo
a Polícia, o pouso do helicóptero, descrito como “surpreendente”, “demonstra o
alcance da infiltração do crime organizado no poder público e o risco que isso
pode gerar nas instituições estatais”.
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Integrante do PCC
O
ocupante do helicóptero era o empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, que foi
preso em 2 de março de 2026, no interior do Tocantins, suspeito de envolvimento
com um carregamento de 500 quilos de cocaína apreendidos em um avião que trouxe
a droga da Bolívia. A investigação verificou que ele entrou em contato com o
ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, então no PSD.
Segundo
mensagens apreendidas pela polícia, Rocha disse a João Gabriel que conseguira
um contato na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional. A suspeita da
polícia é que um assessor do então secretário Marco Vinholi teria feito a
liberação do heliponto.
Thiago
alegou que a aeronave estaria com uma delegação de representantes do Japão.
João Gabriel Yamawaki estava foragido desde março de 2025, depois de ser alvo
da Operação Decurio — Rocha também foi investigado na mesma operação.
Em
nota, a assessoria do empresário Marco Vinholia, afirma que “a pasta comandada
por Marco Vinholi à época no Governo do Estado de São Paulo não tinha nenhum
tipo de gerência quanto ao heliponto do Palácio dos Bandeirantes, uma
prerrogativa da Casa Militar”.
A
Contaminatio é um desdobramento da Operação Decurio, contra a infiltração do
crime organizado na política. Os policiais haviam detectado em 2024 que o PCC
estava financiando candidatos a vereador em Mogi das Cruzes e em Santo André.
Parte do dinheiro era movimentado por uma fintech, o 4TBank. Ao todo, os
acusados tiveram R$ 8,1 bilhões bloqueados pela Justiça. Os acusados alegam
inocência.
Na
segunda fase, a polícia detectou ao menos seis “pessoas politicamente
expostas”. “Algumas delas exercem cargos de primeiro escalão na administração
de alguns municípios na região da Baixada Santista, ABC paulista, Campinas,
Ribeirão Preto e outros”, diz o relatório.
Segundo
as investigações, ficou clara a “intenção de inserir nessas localidades, uma
fintech criada por integrantes do Primeiro Comando da Capital com a finalidade
de branquear valores oriundos dos crimes perpetrados pela Orcrim (organização
criminosa), para recebimento de receitas municipais, tais como taxas e
impostos, administrando a emissão de boletos das prefeituras e o relacionamento
bancário com os munícipes, e desta forma ‘limpando’ o dinheiro proveniente de
crimes”.
“Aparentemente
o Primeiro Comando da Capital apoiaria e, em alguns casos, financiaria
campanhas de candidatos, que poderiam interceder junto a administração pública,
em favor dos interesses da organização criminosa, chamando a atenção o fato de
surgirem pessoas que atuariam em âmbito político municipal bem como estadual”,
diz o relatório.
As
buscas foram realizadas nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Santo André,
Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto, Santos, e ainda em Goiânia e Aparecida de
Goiânia, em Goiás, Brasília, e em Londrina (PR).
O
empresário Adair Antônio de Freitas Meira, um dos alvos da Operação, estava com
viagem marcada de Barcelona para o Brasil no dia 26. Ele chegaria no Aeroporto
Internacional de Guarulhos, às 19h30. Mas os policiais descobriram que ele
pegou um outro voo, de Lisboa para Brasília. Adair foi detido em Goiás. Além
dele e de João Gabriel, Thiago Rocha de Paula e outros quatro investigados
tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada e foram presas na manhã desta
segunda, 27.
Foi
decretado pela Justiça, ainda, o bloqueio de ativos e bens no valor de R$
513,69 milhões. Os policiais cumpriram 21 mandados de busca e apreensão
expedidos pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem
de Bens e Valores da Capital.
O
ex-governador João Dório disse ao jornal “Estadão”que não faz o menor sentido
fazer qualquer tipo de manifestação sobre o caso. “Eu não controlo o heliponto.
Nem precisa de autorização do governador para fazer uso do heliponto no Palácio
dos Bandeirantes. Quem tem que se manifestar, quem tem que responder sobre essa
circunstância é a Casa Militar do Governo de São Paulo, não é o governador, nem
Tarcísio, nem João Doria, nem Rodrigo, nem Alckmin. Imagina. Nós não
controlamos quem pousa e quem decola do heliponto do Palácio.”
Fonte:
ICL Notícias/IstoÉ

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