Eduardo
Guimarães: O Brasil precisa conter o massacre social das direitas
O
Estadão exige um candidato que faça "um duro ajuste fiscal" e faz
alusões ao "populismo" de Lula. Vejo essa cantilena desse e de outros
jornalões engordados pela ditabranda de 1964-1985 desde os anos 1970
Na
verdade, o Estadão quer um Javier Milei, que promoveu uma desgraça social na
Argentina e depois maquiou os números para esconder que a pobreza se mantém no
país em níveis catastróficos.
Um
reajuste duro como o argentino no Brasil detonaria uma guerra civil. Esses
fascistóides da mídia golpista saíram da toca depois que sua última
"proeza", Jair Bolsonaro, foi debelada pelo STF a duras penas.
A
enorme queda na pobreza e na desigualdade dos últimos anos transformar-se-ia em
um mergulho em um processo de miserabilização do país sem precedentes.
Esses
lunáticos neoliberais não estão de brincadeira. Não aceitarão nada menos do que
um genocídio pela fome, pela miséria e pela desigualdade mais crueis que o
mundo já viu. O Brasil terá que pegar em armas para desfazer essa loucura que
estão pedindo.
Quem
não entender isso agora, entenderá quando o Brasil estiver se afogando em um
mar de sangue, suor e lágrimas.
• Candidatos, não basta esfolar. Tem que
matar de fome. Por Denise Assis
Houve
um tempo em que as pessoas coravam ao serem pegas se confessando “de direita”,
ou professando medidas que prejudicassem os mais desfavorecidos. Não era
“cristão” tirar de quem não tem. Não era confessável, tomar tais atitudes. E,
principalmente, era ideologicamente censurável, que num país ferido por regimes
repressivos e violentos, alguém viesse a público dizer que se colocava do lado
de quem matou e perseguiu.
Com o
advento do governo de Jair Bolsonaro, porém, abriu-se o armário, de onde saíram
os que bateram a roupa cara, mas amarfanhada pelos anos de hipocrisia, e entrou
em cena a elite pastoril empoderada – desculpem a redundância. Cheia de si e
sem a menor cerimônia, eles partiram para a divisão do botim.
Foi
como se tirassem nacos do país, antes organizado, já livre de “bocas” como a
Codevasf (onde pipocaram denúncias), e outros tantos “points” sabidamente
desejados pela direita engordurada, rançosa, como alguns recantos das “agências
reguladoras” e mais outros nichos onde bastava maquiar com polpudas emendas e
tudo “passava de liso”, sem chamar muita a atenção.
Isso,
do ponto de vista da máquina administrativa, porque no que diz respeito ao
andar de cima, que o ex-ministro Fernando Haddad costumava chamar de “a
cobertura”, essa sempre esteve a salvo, como se fosse um condomínio de luxo, e
que o governo, enfim, identificado com a sua coloração ideológica, fosse apenas
o síndico do condomínio.
Segunda
(27/04/2026), para espanto de ninguém, eis que o jornalzinho, que um dia foi
“ão”, veio a público cobrar que Paulo Guedes não fez todas as maldades que
prometeu, por pura incompetência, e que, por isso, não merece voltar para
ancorar o programa econômico do “Bolsonarinho”. Não passou no teste do “malvado
favorito”.
E,
ainda, – corram, busquem a caixa de lenços de papel -, os demais candidatos que
estão na fila esperando o “Bolsonarinho” se desgastar, tampouco oferecem algo
apetitoso, para a gana de suas garras.
“O
ex-governador de Goiás investe em temas com suposto apelo eleitoral entre
eleitores conservadores, como a aversão ao PT, a promessa de anistia aos
condenados pelo 8 de Janeiro, a segurança pública e a crise de credibilidade do
Supremo Tribunal Federal, mas parece ainda incapaz de oferecer uma agenda de
transformação do Brasil”, choramingaram.
Promete
muito, mas não na área que interessa: a econômica, a “fiscal”. E dentro do
conceito de “fiscal” cabe um mundo de ambição. Cabem os sonhos de um dia virem
os aposentados na sarjeta, lambendo sabão, com os salários desgastados pela
desindexação do salário-mínimo. Querem, que além de mínimo, ele seja
maximamente emagrecido. Quem sabe assim os idosos parem com essa mania de
longevidade e desocupem o beco mais cedo, para o bem da Previdência, que terá
menos bocas envelhecidas para sustentar.
Revoltados
e sem inibição, sapateiam: “A direita chega à eleição com nomes competitivos e
base eleitoral relevante, mas ainda sem responder à questão essencial: como
libertar o Brasil do populismo perdulário e do arcaísmo estatal. Ser anti-Lula
não constitui, por si só, uma proposta de país”.
E olha
que já é bastante. Ser anti-Lula é meio caminho andado para deixar essa mania
de ficar falando para pobre, em redução da desigualdade e em programas sociais.
“Esse histórico impõe uma exigência adicional às candidaturas atuais. Não basta
prometer responsabilidade fiscal. É preciso demonstrar disposição real de
implementá-la – e isso começa pela clareza e pela coragem de encampar essa
agenda vital para o Brasil”, conclamou o jornal, hoje sem o sufixo “ão”.
Adiante,
terceira via! Mãos à obra. Voltem a distribuir cloroquina, quem sabe assim a
eliminação de desvalidos ande mais rápido e sobre só a elite a desfrutar,
enfim, de suas benesses? Reduzam essa corja de miseráveis, esse peso nas
contas, que impede o reajuste fiscal.
O
recado está dado: “Outros nomes da direita ensaiam movimentos e ocupam espaço
no debate, mas ainda operam sob a mesma limitação. O resultado é um campo que
se organiza em torno da rejeição a um governo, mas não em torno de um projeto”.
E, para
desespero deles, o programa econômico ideal, que caía como uma luva no gosto
dessa gente, vazou para o público cedo demais e precisou ser desmentido às
pressas. Fake News, gritou o “Bolsonarinho”, à espera de que as pessoas
esqueçam do que viram, pelo menos até o jogo começar. “Brincadeirinha”, faltou
dizer.
• Estadão cobra duro ajuste neoliberal dos
candidatos que fazem o papel de "anti-Lula"
Editorial do jornal Estado de S. Paulo afirma
que as candidaturas de oposição ao presidente Lula ainda não apresentaram uma
agenda econômica clara e estruturada, limitando-se, em grande medida, ao
discurso de rejeição ao petismo. O texto, intitulado “Ser anti-Lula não basta”,
foi publicado pelo próprio jornal e analisa o cenário eleitoral sob a ótica das
demandas do mercado.
Segundo
o jornal Estado de S. Paulo, a entrevista do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD)
evidencia uma fragilidade recorrente entre nomes da direita: a incapacidade de
formular um projeto nacional consistente — ou, nos termos do próprio editorial,
de indicar “o que fazer” diante dos problemas históricos da economia
brasileira. O jornal destaca que Caiado investe em pautas com apelo
conservador, como críticas ao PT, defesa de anistia aos condenados pelos atos
de 8 de Janeiro, segurança pública e questionamentos ao Supremo Tribunal
Federal, mas não apresenta uma agenda econômica detalhada.
O
diagnóstico apresentado pelo editorial aponta que o Brasil convive há décadas
com baixo crescimento, perda de renda relativa e um modelo de gasto público que
limita investimentos. No entanto, o ponto central do texto é a cobrança por um
programa de ajuste fiscal — defendido como eixo de qualquer estratégia
econômica —, o que revela a expectativa de setores ligados ao capital
financeiro por medidas de contenção de gastos e reformas estruturais.
Nesse
contexto, o jornal afirma que “ser anti-Lula não constitui, por si só, uma
proposta de país”, criticando o que considera uma estratégia superficial de
oposição. O editorial também menciona o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado
como principal nome desse campo político, e observa que ele evita assumir
compromissos concretos com medidas de ajuste. Segundo o texto, o próprio
candidato teria classificado como “fake news” informações sobre um possível
programa econômico mais rigoroso.
Para o
Estado de S. Paulo, essa recusa em assumir publicamente uma agenda de ajuste
compromete a credibilidade das candidaturas. O editorial sustenta que o ajuste
fiscal não é um detalhe técnico, mas o núcleo de uma política econômica voltada
à retomada do crescimento — argumento frequentemente associado à visão de
agentes do mercado financeiro.
O texto
também revisita o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrando que,
apesar das promessas iniciais de reformas liberais, como redução do tamanho do
Estado, privatizações e reorganização fiscal, “pouco disso se materializou”. Ao
contrário, segundo o editorial, houve expansão de gastos e flexibilização de
regras fiscais, especialmente em períodos eleitorais.
Um
exemplo citado é o Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, cujo valor foi
ampliado além do desenho original. O jornal reconhece a necessidade da medida
no contexto da pandemia, mas afirma que sua condução evidenciou contradições
entre o discurso de disciplina fiscal e a prática política.
O
editorial também menciona declarações do então ministro da Economia, Paulo
Guedes, que teria reconhecido a dificuldade de avançar com reformas diante da
falta de apoio político, inclusive por parte do próprio Bolsonaro. Para o
jornal, esse histórico reforça a necessidade de maior clareza e compromisso por
parte das candidaturas atuais.
Por
fim, o Estado de S. Paulo sustenta que a direita brasileira ainda não conseguiu
se organizar em torno de um projeto econômico definido, permanecendo centrada
na rejeição ao governo atual. O texto conclui que vencer eleições apenas com
base na oposição a Lula é insuficiente e que o país precisaria de um novo rumo
— formulação que, no contexto do editorial, está associada à adoção de
políticas de ajuste e reformas estruturais alinhadas às expectativas do
mercado.
• Para Zema, Deus morreu e no Estado de
Natureza (digital) vale tudo. Por Lenio Luiz Streck
Há uma
fúria niilista no ar. Há um manuseio de fantoches. Vídeos fantoches. Vivemos no
cenário de A Praça é Nossa! Vamos, então, falar de fantoches. Poderia falar de
Nietzsche. Mas prefiro Dostoiévski. O personagem Ivan Karamazov cunhou a
célebre frase: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. No dialeto do “estado de
natureza ofensivo” que tomou conta de parte da política brasileira, a frase foi
redefinida para: “Se a liturgia institucional está morta, então o governador
pode fazer teatrinho infantil para ofender a Suprema Corte“.
Eis o
busílis. Vamos colocar os adultos na discussão. O ex-governador de Minas Gerais
Romeu Zema decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes usando exatamente fantoches.
Veja-se: não estamos falando de uma tese jurídica, de um embate de jurisdição
ou de um conflito federativo. Estamos falando do rebaixamento da política ao
nível da barbárie. É a vitória do Senso Comum Teórico dos Marqueteiros sobre o
Estado democrático de Direito. Tudo em nome da lacração.
Pergunto:
mergulhamos em um Estado de Natureza ofensivo? Thomas Hobbes nos alertou sobre
a guerra de todos contra todos. Mas o Leviatã brasileiro parece ter sido
substituído por um ventríloquo de internet com voz feita por IA. Hackearam o
contrato social. A estupidez veste a fantasia da “liberdade de expressão”, um
enunciado em que cabe tudo, até o cometimento de crimes.
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Fofocas e futricas
Há um
projeto em marcha, como uma continuidade da tentativa de golpe de 8 de Janeiro.
Trata-se do projeto “erosão de limites”. Se a Suprema Corte é o limite da
Constituição (metaforicamente, o “Deus” secular e normativo), declarar a sua
irrelevância por meio da ridicularização (e acusações, veladas ou não, a
ministros!) é o atestado de que “agora pode tudo”.
Deus
está morto, ironizou também Nietzsche, em um diagnóstico de que a sociedade
moderna já não vive, naquele momento (1882), sob a autoridade de valores
divinamente garantidos. Logo, tudo é permitido. Como ironizava o antigo Pasquim
(noutro contexto), liberdade é passar a mão no traseiro do guarda!
O
ministro Gilmar reagiu e tinha o dever de reagir. O Direito não se defende
sozinho. As instituições não têm músculos; elas têm garantias e compostura. Se
a Suprema Corte ignora a exposição ao ridículo feita por um ex-governador, o
Direito será engolido/fagocitado pela política de lacração. O stand-up vencerá.
Sem reação, poderemos ficar reféns do fator avestruz: enfiar a cabeça na areia
enquanto os bárbaros passam com seus bonequinhos feitos por IA.
Gilmar
sabe que o ataque não é à sua pessoa (ou não apenas), mas à cadeira que ocupa.
Sabe também que o STF, hoje, paga o pedágio pela atuação na tentativa de golpe.
Como retaliação, Zema lança o STF e Gilmar ao tribunal em que não existe devido
processo legal: o das redes sociais.
<><>
Ao tribunal dos lacradores
Deus (o
limite, a lei, o pacto) não morreu. E, portanto, não é verdade que tudo é
permitido. O Estado de Natureza ofensivo de Zema esbarra, ou deveria esbarrar,
no muro da jurisdição. Fantoches não têm foro privilegiado. Mas revelam,
trágica e bufonicamente, quem manipula as cordas: uma política de zombaria que
está longe de ser “humor recreativo”.
A
reação de Gilmar Mendes pode ser vista — tirante a frase infeliz e equivocada
sobre homossexuais, sobre a qual ele pediu necessárias desculpas imediatas —
como um lembrete salutar: a democracia brasileira pode até ter paciência, mas
ela não é um palco para stand-up de péssimo gosto.
A
Constituição não acha graça de piadas ruins. A razão não assiste a quem grita
mais alto. Um palhaço com microfone na mão não deixa de ser palhaço só porque é
ouvido por muitas pessoas.
<><>
Hipnose coletiva
O
ministro Gilmar lançou mão da estrutura jurídica ainda em vigor, sobre a qual
podemos ter divergência, mas ainda é valida juridicamente: trata-se do famoso
Inquérito das Fake News, aberto em 2019. O STF deve encerrar o Inquérito? Sim.
Todavia, enquanto o Supremo não o encerrar, está valendo. Isso parece óbvio. O
sistema jurídico funciona assim. Regras possuem vigência, validade e eficácia.
Interessante é que o Inquérito foi aberto em 2019 justamente em face de
ataques, de triste memória, sofridos pelos ministros e pela Suprema Corte como
um todo. Os ataques voltam. E com os mesmos objetivos. Coincidência?
Que a
liberdade de expressão é inegociável, sabemos. É até uma platitude dizer isso.
Entretanto, não é sinônimo de liberdade para ofender sem limites. O próprio
Zema deveria saber disso, uma vez que fez considerações (no mínimo)
preconceituosas contra nordestinos em agosto de 2023 e agosto de 2025.
Numa
palavra, no embate entre Zema e Gilmar,
que, se frise, não foi iniciado por Gilmar, o que se impõe, em vez de um
jogo tragicômico de intimidações e contra intimidações, é a retomada de um
debate fundado em argumentos, de modo que a democracia não se confunda com um
campo de batalha retórico em que a máxima é “Deus morreu e agora pode tudo”.
Fonte:
Brasil 247

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