terça-feira, 28 de abril de 2026

Quatro em cada dez pessoas estão a um passo do diabetes, e nem desconfiam

O dia 14 de novembro é reconhecido mundialmente como o Dia Mundial do Diabetes, data criada para conscientizar a população sobre as complicações que a doença pode causar e sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

O diabetes pode comprometer diversos órgãos vitais, como coração, rins, cérebro e olhos, levando à perda progressiva de função desses sistemas. Em casos mais graves, pode causar amputações de membros inferiores por problemas de circulação. Esta data busca alertar para esses riscos e incentivar o controle e a prevenção das complicações.

<><> Quantas pessoas estão afetadas

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), cerca de 40 milhões de americanos - aproximadamente 10% da população - vivem com diabetes. No Brasil, o cenário é semelhante: dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 16 milhões de brasileiros têm a doença, número que cresce de forma preocupante, impulsionado pelo sedentarismo, má alimentação e obesidade.

<><> Quem está a um passo do diabetes

As sociedades de endocrinologia em todo o mundo têm enfatizado a prioridade no cuidado de pessoas com pré-diabetes, ou seja, aquelas com glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL e hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%. Esse grupo é numeroso - estima-se que cerca de 40% da população dos EUA apresente algum grau de pré-diabetes - e representa a principal oportunidade de intervenção precoce.

A prevenção e o controle do diabetes envolvem um conjunto de hábitos saudáveis:

•        Alimentação equilibrada: dieta rica em alimentos naturais, com baixo teor de gorduras saturadas e carboidratos simples, evitando ultraprocessados e açúcares refinados.

•        Atividade física regular: exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular ajudam a reduzir a resistência à insulina e a preservar a massa magra, frequentemente reduzida em pessoas com diabetes.

•        Sono de qualidade: noites mal dormidas elevam a glicose no sangue por aumentar o cortisol, hormônio do estresse. É importante investigar possíveis distúrbios, como apneia do sono.

Nos últimos anos, avanços no tratamento revolucionaram o manejo do diabetes tipo 2. Medicamentos injetáveis como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) têm mostrado grande eficácia no controle da glicose e na redução de peso, simplificando o tratamento e diminuindo o risco de complicações no coração e nos rins.

Hoje, o diabetes é reconhecido como uma das doenças crônicas mais graves e desafiadoras. Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz devem ser prioridades permanentes - tanto para profissionais de saúde quanto para toda a sociedade.

•        Glicose alta e olhos: o que acontece na retina de quem tem diabetes e como cuidar?

O diabetes pode provocar alterações nos vasos de sangue da retina, uma estrutura do olho que permite a formação das imagens. Em muitos casos, essas mudanças aparecem antes de sintomas percebidos pelo paciente. Por isso, o exame de fundo de olho entra na rotina de acompanhamento de quem vive com diabetes.

A oftalmologista Letícia Rubman explica que a retina está entre as estruturas mais vulneráveis ao diabetes. Segundo ela, as alterações relacionadas à doença são microvasculares. Isso significa que envolvem vasos pequenos, como os que existem nos olhos.

<><> O que a glicose alta pode causar na retina

A retinopatia diabética ocorre quando o diabetes compromete os vasos de sangue da retina. A pessoa pode não sentir dor, não perceber perda de visão e ainda assim apresentar alterações no exame.

No relato apresentado pela apresentadora advogada e apresentadora Eloisa Malieri do DiabetesCast, ela contou que acordou com uma manchinha no olho. Ela descreveu a sensação como uma “mosquinha” que não voava, mas acompanhava o campo de visão. Após avaliação médica, recebeu o diagnóstico de retinopatia diabética.

Esse tipo de sintoma pode chamar atenção, mas Letícia Rubman reforça que o problema também pode aparecer sem sinais. A alteração pode estar presente mesmo quando a pessoa enxerga bem.

<>< Por que o fundo de olho é importante no diabetes

O exame de fundo de olho permite avaliar a retina e observar vasos de sangue. Segundo Letícia Rubman, trata-se de um exame pouco invasivo e com acesso mais simples ao paciente.

A avaliação ajuda o oftalmologista a identificar sinais de comprometimento microvascular. Esses achados também podem indicar a necessidade de investigar outros órgãos que sofrem impacto do diabetes.

A especialista explica que, ao encontrar alguma alteração, conversa com o endocrinologista do paciente ou orienta a própria pessoa a buscar avaliação. O objetivo é iniciar um rastreio de outros possíveis comprometimentos, principalmente nos rins.

<><> Retinopatia diabética pode aparecer sem aviso

A retinopatia diabética pode ser assintomática. Isso cria um desafio para quem convive com diabetes, porque a ausência de incômodo não significa ausência de alteração.

No episódio, a paciente relatou que não se lembrava de sinais anteriores ao diagnóstico. Após o tratamento com laser, ela ficou bem. Mesmo assim, contou que não recebeu orientação para rastrear outros comprometimentos microvasculares depois do achado nos olhos.

Com o tempo, ela descobriu também alterações relacionadas ao pé diabético, com perda de sensibilidade em área periférica. O relato mostra como diferentes partes do corpo podem sofrer efeitos do diabetes.

<><> Fundo de olho serve só para quem tem diabetes?

Letícia Rubman afirma que o exame de fundo de olho faz parte da rotina oftalmológica, mesmo em pessoas sem diabetes. Segundo ela, para dizer que está tudo bem, o médico precisa examinar o paciente.

O mapeamento de retina pode identificar alterações em pessoas sem diagnóstico anterior. A oftalmologista relata casos de pacientes que procuraram consulta para grau de óculos, enxergavam bem e não usavam medicação. Durante o exame, apareceram alterações microvasculares.

Nessas situações, o achado pode levar o médico a orientar uma avaliação clínica. O caminho pode ser inverso: a pessoa procura o oftalmologista e, a partir do fundo de olho, recebe indicação para investigar diabetes, hipertensão ou outras condições.

<><> Diabetes tipo 2 pode já ter sinal nos olhos no diagnóstico

Letícia Rubman cita que, em 38% das vezes, quando o diabetes tipo 2 é diagnosticado, o paciente já apresenta retinopatia. Esse dado ajuda a explicar por que a avaliação oftalmológica deve fazer parte do cuidado desde o início.

O diabetes tipo 2 pode evoluir por anos sem diagnóstico. Durante esse período, a glicose alta pode afetar vasos pequenos. A retina pode registrar esses sinais antes de a pessoa notar mudança na visão.

<><> O que o exame pode mostrar sobre o corpo

A avaliação da retina não mostra apenas a saúde dos olhos. Segundo Letícia Rubman, o fundo de olho ajuda a entender como o organismo se comporta diante das alterações microvasculares.

Quando há comprometimento na retina, o profissional pode levantar a necessidade de investigar rins e circulação periférica. Essa conduta depende da avaliação médica e do histórico de cada paciente.

Para quem vive com diabetes, o exame não substitui o acompanhamento com endocrinologista. Ele complementa o cuidado e pode ajudar na identificação de sinais que não aparecem no dia a dia.

 

Fonte: CNN Brasil/Um Diabético

 

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