terça-feira, 28 de abril de 2026


 

Gilberto Menezes Côrtes: Urnas de 2026 decidirão sobre Estado Democrático de Direito

A campanha eleitoral só começa oficialmente em 16 de agosto, mas ela tende a crescer nas redes sociais depois da convenção do PT neste fim de semana, em Brasília. Na segunda reeleição de Lula para o que seria seu quarto mandato, o PT vem menor do que em todas as eleições que disputa desde 1989. Por uma razão: Lula, verdadeiramente um mito nacional, por sua trajetória, para os nordestinos e pobres de todo o país, é, e sempre foi, maior do que o PT.

Entretanto, como Lula e as circunstâncias não deram espaço para o surgimento de outras lideranças nacionais, Lula continua gigante, embora enfrente uma conjuntura eleitoral difícil, e o PT encolheu. Nas eleições de 2022, o partido elegeu quatro governadores (Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí). Um a menos que os recordes de cinco, em 2006, 2010 e 2014. Agora, em nome do pragmatismo, para atrair votos do centro democrático, o PT abre mão da cabeça de chapa em vários estados, fazendo alianças com o PDT e o PSB, o MDB e até o PSD e, quem sabe, PP e União.

A extrema direita insiste em dizer que está enfrentando o PT. A realidade é que não está em jogo só o quarto mandato de Lula. O que estará nas urnas é a tentativa de revanche do clã Bolsonaro à derrota de 2022, apesar das manobras pré-eleitorais, que seguiram o enredo das eleições no RJ e desaguaram no não reconhecimento da derrota e na tentativa de golpe, crime pelo qual o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão.

Como o filho se compromete (bem como candidatos da direita, como o ex-governador Ronaldo Caiado, PSD-GO) a indultar o pai e demais golpistas, a eleição de 2026, além da defesa da soberania do Brasil às ameaças do governo Trump, devem ser, portanto, aquela em que as figuras de Lula e de seus aliados se sobrepõem às posições por vezes extremadas do PT. O que está em jogo é a sobrevivência, mais uma vez, do Estado Democrático de Direito.

<><> Como ter neutralidade nos pleitos

A vontade popular, com o cidadão-eleitor-contribuinte exprimindo nas urnas a escolha de quem vai gerir sua cidade, seu estado ou seu país, bem como os representantes legislativos que vão aprovar leis e fiscalizar o cumprimento dos orçamentos, é a maior expressão do exercício da democracia no Estado Democrático de Direito.

Para manter o pleito, sem favorecimento do poder econômico ou político, há identificação dos doadores de campanha. Com a possibilidade de reeleição do incumbente da instância administrativa submetida a voto, a Justiça Eleitoral determina o afastamento dos futuros candidatos à escolha do eleitor de cargos executivos a seis meses do prazo. Outra providência importante é a proibição de nomeações em massa no período que antecede as eleições.

Por isso, durante as eleições, os tribunais regionais eleitorais fiscalizam os pleitos locais, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é formado, em sistema de rodízio, por membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de membros do Ministério Público Eleitoral, atua como uma espécie de VAR dos TREs. Ou seja, dá a palavra final sobre as reclamações dos candidatos sobre eventuais abusos dos adversários.

        O bafo quente das eleições de 2026. Por Ana Dubeux

Já dá para sentir o sopro no cangote, como se diz no meu Nordeste. O ano voa e as eleições estão logo ali. Se as últimas duas campanhas eleitorais nos mostraram o poder das redes, das mídias sociais, do WhatsApp, além do fenômeno das fake news, nesta teremos a avassaladora presença da inteligência artificial generativa, uma ferramenta incrível, mas também usada para propagar desinformação em alta escala. Estamos correndo riscos.

Somada à polarização política exacerbada e à exposição ao excesso de informação e a todos os ruídos que isso provoca, a campanha promete ser uma prova de resistência longa, estressante, barulhenta e perigosa. O cenário mundial não é dos melhores e essa energia reverbera, provocando medo e angústia. Aqui, parece que não conseguimos superar a última eleição e já chega a próxima, animada por escândalos político-econômicos e crise institucionais entre Poderes.

O escândalo entre Banco Master e BRB desponta como um dos temas mais sensíveis das eleições de 2026. A suspeita de fraude bilionária — cerca de R$ 12,2 bilhões — envolve compra de ativos deteriorados, indícios de corrupção e gestão temerária. A Polícia Federal investiga repasses irregulares, e o STF manteve as prisões, incluindo a do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O caso eleva a tensão política e projeta desgaste direto sobre o grupo do ex-governador Ibaneis Rocha.

Cada um de nós terá que fazer um esforço tremendo para não cair em armadilhas. Debates infrutíferos, brigas familiares, afastamento de amigos, estresse no trabalho e muita desinformação podem levar a um quadro de ansiedade e adoecimento generalizado. Aliás, já está acontecendo. Ou você não está clamando por um minuto de paz, de silêncio, de sossego, sem cobranças e aflições, sem a sensação de que está sempre perdendo algo e ao mesmo tempo sem achar o que procura?

Não precisa ir muito longe para encontrar alguém tão exausto e perdido quanto você. O risco maior de tudo isso, já que estamos com a atenção tão comprometida, é ceder à desinformação. É entregar ao algoritmo todo o poder de te informar. Embarcar em mentiras nunca foi tão fácil. Buscar a verdade nunca foi tão desafiador. O certo e o errado nunca foram tão relativos. Os conceitos de moral e virtudes estão desenraizados dos valores humanos reais e apoiados em movimentos, religiões, influenciadores radicais.

O fato é que está tudo estranho demais, e esses tempos exigem compromissos éticos muito firmes que cada um deve assumir. Para mim, a busca pela verdade é o maior deles. Sem informação de qualidade e sem imprensa livre, não há democracia. E isso é algo que não podemos perder de forma alguma. O Correio promoverá um debate sobre o combate à desinformação em maio. Proteger a verdade, lutar contra a desinformação e abraçar valores humanos são missões coletivas na campanha eleitoral. Pense nisso.

        PT prepara alianças para reeleição de Lula em congresso nacional

O PT iniciou, neste sábado (25), o 8º Congresso Nacional, encontro que vai definir as diretrizes de atuação da sigla com foco nas eleições presidenciais de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da abertura, já que foi submetido a procedimentos médicos ontem, mas mandou uma mensagem em vídeo.

O evento reúne dirigentes, governadores, prefeitos, parlamentares e até ministros. Entre os temas em debate estão as possíveis alianças com partidos de centro-direita para enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem avançando nas pesquisas.

O programa de governo do partido destaca que as eleições serão novamente um embate da democracia contra a ditadura. "Não se trata apenas de impedir a volta dos golpistas nem de dar continuidade às políticas retomadas a partir de janeiro de 2023. O que está em jogo é mais profundo, traduzido em contradições existenciais: democracia contra ditadura, soberania contra entreguismo, bem-estar contra sofrimento, desenvolvimento contra retrocesso, esperança contra medo, vida contra morte", diz o texto.

Ainda segundo o documento, a estratégia é combater a desinformação. "Nossa tática eleitoral para o próximo ciclo deve ser de ofensiva programática e unidade popular. Não podemos permitir que as forças da reação utilizem novamente a máquina da desinformação para sequestrar o debate público. A reeleição de Lula é o eixo em torno do qual devemos organizar a resistência contra a hegemonia financeira e a extrema-direita", destaca.

O fim da escala 6x1 também aparece como uma das bandeiras. A medida é apresentada como uma forma de enfrentar a "exploração do tempo de vida da classe trabalhadora". Sobre segurança pública, o partido propõe uma mudança estrutural na forma como o país lida com o crime e a violência. O plano defende a "criação de um Ministério da Segurança Pública e de um Sistema Único que integre as ações federais, estaduais e municipais".

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) participou do evento e disse que, mesmo não sendo filiado ao PT, sempre foi recebido “com enorme afeto e consideração”. Ele discursou na abertura do congresso. “O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se perdendo as eleições tentaram dar um golpe, imagine se tivessem ganhado”, disse, em crítica ao bolsonarismo. Edinho Silva, presidente do PT, discursou defendendo a manutenção do legado de Lula.

<><> Soberania

Personalidades tradicionais do PT discursaram ontem, como José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. Eles fizeram críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao destacar a ideia de soberania do Brasil — lema do Planalto. Também cobraram do governo norte-americano a liberdade de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, sequestrado pelos EUA, no início do ano.

No evento, ministros palacianos saudaram a decisão do governo de restringir bets de "predição" — apostas que oferecem cota fixa para prever eventos como condições climáticas ou até a morte de uma pessoa — e o bloqueio de sites irregulares. Essa movimentação foi avaliada como estratégia do governo para atrair parlamentares e eleitores evangélicos.

Enquanto o próprio presidente diz publicamente que "jogatinas" devem ser proibidas, a base aliada do governo na Câmara vê no tema convergências para uma junção entre o PT e parlamentares evangélicos.

A fiscalização de casas de apostas, inclusive, será uma das bandeiras levantadas pelo congresso do PT. Para o partido, casas consideradas "predatórias" devem ser proibidas. Como exemplo é citado o "Jogo do Tigrinho".

Já casas de aposta não consideradas predatórias, ainda segundo o documento do partido, deve-se aplicar imposto seletivo superior às taxas que incidem sobre o tabaco.

Assim como preveem as discussões no Congresso do PT, a proposta de banir as "bets" consta em um projeto de lei de autoria do líder do governo na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (PT-SC).

 

Fonte: JB/Correio Braziliense

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