Paulo
Kliass: Lula tem toda a razão!
Lula
participou, em 18 de abril de 2026, de um importante evento em Barcelona,
capital da Catalunha, na Espanha. O Presidente brasileiro falou durante a 1ª
Reunião da Mobilização Progressista Global, iniciativa que esteve a cargo de
lideranças socialistas europeias, tais como Pedro Sanchez (Presidente do
governo da Espanha) e Stefan Lövfen (Presidente do Partido Socialista Europeu).
A
Mobilização Progressista Global tem por lema a bandeira: “Unindo as forças
progressistas do mundo por um futuro mais justo, igualitário e sustentável”.
A
intervenção de Lula chamou a atenção das forças políticas presentes no evento
por suas críticas contundentes ao modelo econômico e social imposto pelo
neoliberalismo aos povos e países do mundo.
Tendo
em vista a amplitude da divulgação do conclave, por todo o planeta as palavras
do líder foram registradas com atenção e entusiasmo.
Em
aparente oposição às políticas públicas levados a cabo pelas próprias forças
progressistas quando chegavam ao poder, ele deixou aberta uma leitura de que se
tratava também de uma autocrítica por tudo aquilo que vem sendo realizado em
seu terceiro mandato à frente da república brasileira.
As
colocações de Lula foram muito bem recebidas e festejadas por todos aqueles que
tinham maiores expectativas quanto à linha a ser implementada por seu governo a
partir de janeiro de 2023.
Afinal,
a grande maioria das promessas feitas por ele durante a campanha eleitoral
ainda não foram colocadas em prática. Por outro lado, o discurso causou um
pouco de estranheza e cautela naqueles representantes dos interesses do
financismo e das classes dominantes brasileira de forma geral.
Como
estamos às vésperas de um novo processo eleitoral, permanece o receio de que
Lula resolva trazer para seu quarto mandato tudo aquilo que estava contido em
sua fala no evento.
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Que volte o Lula do Velho Testamento
Trata-se
da conhecida repetição da postura de Lula em campanhas eleitorais. Ele costuma
forçar um pouco a barra pela esquerda, com a intenção de empolgar sua torcida e
envolvê-la com mais dedicação no embate eleitoral.
Alguns
analistas apelam também para a figura do “Lula do Velho Testamento” no intuito
de promover a analogia com as posições de Lula antes de se tornar Presidente
pela primeira vez em 2003.
A sua
manifestação no encontro remontava às raízes do movimento conservador, em
termos de política econômica, que tomou conta do globo a partir da década de
1980. Parecia que outra persona estava com o microfone à mão, denunciando as
mazelas do modelo perverso e toda a sorte de equívocos que foram sendo
cometidos desde então. Senão, vejamos:
(…) “A
esquerda progressista foi vítima do discurso do Consenso de Washington. Muita
gente nova aqui não se lembra, mas quem tem 80 anos, como eu, se lembra, porque
já tinha bons anos nos anos 80. E eu agora fico analisando o que é que está
acontecendo no mundo.” (…) [GN]
E segue
na crítica:
(…) “O
projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e
insegurança.” (…) [GN]
E na
sequência, como se fosse um profundo mea culpa do desempenho do Partido dos
Trabalhadores no Brasil e outras forças de esquerda em experiência pelo mundo
afora, Lula não poupa palavras para descrever o processo que tenta analisar:
(…)
“Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a
austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós
nos tornamos o sistema.” (…) [GN]
Na
verdade, é como se Lula assumisse para si a crítica que sempre lhe foi
endereçada por setores mais autênticos do campo progressista, que usam a
metáfora do governo violino: “segura com a esquerda e toca com a direita”. E
ele segue:
(…) “O
primeiro mandamento para os progressistas tem que ser a coerência. Não podemos
nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança
do povo.” (…) [GN]
A
seguir Lula reconhece as frustrações que foram sendo causadas na população
pelos diferentes governos de esquerda que não conseguiram – ou não ousaram –
implementar os programas para os quais haviam sido eleitos.
(…)
“Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante.”
(…) [GN]
(…)
“Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia” (….) [GN]
(…)
“Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. ” (…) [GN]
Ao não
rever os fundamentos da política econômica neoliberal, os diferentes governos
progressistas tornaram-se sócios de tal modelo e terminaram por implementar
políticas públicas à frente de seus governos com as consequências perversas
derivadas das diretrizes do Consenso de Washington.
As
decorrências de tal postura se apresentam nas opções políticas que a população
passa a adotar a partir da falência do modelo que começa a se exaurir.
(…) “E
a gente vai ficando com medo e a gente vai tentando agradar o mercado, a gente
vai tentando agradar o empresário, e o que acontece é que nós vamos ficando
desmoralizados.” (…)
Com
isso, vem a reviravolta na direção política dos países e um certo encantamento
da população com as promessas da extrema direita, a partir de suas críticas
cínicas e mentirosas ao sistema e ao establishment. E Lula avança em seu
correto diagnóstico
(…) “A
extrema direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do
neoliberalismo. ” (…)
(…)
“Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam
a falácia da meritocracia.” (…)
a
população quer “(…) Um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada. Um
salário que permita uma vida confortável.” (…)
Ora,
para ser coerente com seu discurso e seu diagnóstico, é razoável supor que Lula
deveria propor mudanças para seu quarto mandato. Afinal, ele tem toda a razão
em sua análise retrospectiva das causas dos fracassos das políticas neoliberais
colocadas em prática por governos progressistas, inclusive os que foram
presididos por ele.
O
momento atual é de extrema delicadeza política e eleitoral. Lula deveria
aproveitar as dicas deixadas por ele mesmo no encontro em Barcelona e abandonar
alguns dos dogmas da austeridade fiscal.
Essa é
a condição necessária para colocar imediatamente em marcha um programa
emergencial de ajuda às famílias endividadas e de apoio às políticas públicas
voltadas à população mais carente.
Mas
para isso ele precisa flexibilizar as amarras do Arcabouço Fiscal proposto a
ele por Fernando Haddad ainda em 2023. O primeiro passo é vencer as eleições e
impedir o retorno da extrema direita, na figura do filho de Bolsonaro.
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A missão de Lula para 2027/30
No
entanto, Lula precisaria ir além. Aproveitando o diagnóstico que ele mesmo
apresentou no fórum progressista, Lula deveria iniciar um amplo debate a esse
respeito.
Seria
essencial que ele convocasse economistas e especialistas do campo progressista
para elaborar um programa de governo para seu próximo mandato. Um conjunto de
medidas que signifiquem a ruptura com aquilo mesmo que ele criticou perante as
forças de esquerda e centro esquerda de todo o globo.
Uma
alternativa para entrar para a História com uma plataforma que seja apresentada
como um “contra programa” ao Consenso de Washington. Uma tentativa de mostrar
aos povos de todos os continentes que, sim, um outro mundo é possível. Um
movimento forte para provar que esta consigna do Fórum Social Mundial ainda
permanece viva e necessária.
Lula
tem toda a razão!
Governos
de esquerda não podem praticar políticas de direita.
Governos
de esquerda não podem sucumbir à ortodoxia econômica e devem propor uma
alternativa ao neoliberalismo.
Governos
de esquerda não podem limitar suas ações a apenas agradar o mercado e se
esquecer de suas missões de transformação da sociedade para atender às
necessidades da grande maioria da população.
Governos
de esquerda devem dar um passo à frente e não se contentarem em apenas serem
meros gestores das mazelas do modelo neoliberal concentrador de
renda/patrimônio e espoliador dos mais pobres.
Lula
tem diante de si a oportunidade histórica de encerrar sua biografia à frente do
Palácio do Planalto deixando para o povo brasileiro e de todo o mundo um legado
à altura de seu discurso em Barcelona.
Em 2022
ele havia prometido fazer neste terceiro mandato mais e melhor do que havia
realizado nos dois primeiros. Infelizmente, não conseguiu.
Que
agora ele desperte para a imensa responsabilidade da nova missão que o aguarda
– o quadriênio 2027/30.
• Alta de querosene e bandeira amarela na
energia elétrica devem manter inflação pressionada. Por Paulo Gala
A
semana que se inicia será marcada por uma agenda intensa de divulgação de
indicadores econômicos relevantes, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No cenário internacional, os destaques ficam por conta da divulgação do índice
de preços de consumo pessoal (PCE), principal medida de inflação acompanhada
pelo Federal Reserve, além dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro
trimestre. Esses indicadores serão fundamentais para avaliar o ritmo da
atividade econômica e a persistência das pressões inflacionárias na economia
americana.
No
Brasil, o calendário também é robusto. Entre os principais dados, destaca-se o
IPCA-15, prévia da inflação oficial que cobre o período de meados de março a
meados de abril. Além disso, serão divulgados índices gerais de preços (IGP),
dados do mercado de trabalho — incluindo informações do CAGED e da PNAD
Contínua — e números de arrecadação federal. Em conjunto, esses indicadores
oferecem um panorama abrangente sobre a evolução dos preços, da atividade
econômica e das condições do mercado de trabalho no país.
O mais
recente Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, reforça a deterioração
das expectativas inflacionárias. A projeção para o IPCA de 2026 subiu para
4,86%, enquanto a estimativa para 2027 já se aproxima de 4%, ambos acima da
meta oficial de 3%. No campo monetário, a expectativa para a taxa Selic ao
final deste ano gira em torno de 13%, embora haja dúvidas quanto à viabilidade
desse patamar diante do atual cenário inflacionário.
Um dos
principais fatores de pressão inflacionária segue sendo o preço do petróleo,
que permanece acima de US$ 100 por barril, em um contexto de incertezas
geopolíticas, especialmente nas relações entre Estados Unidos e Irã. Esse
ambiente tem contribuído para a elevação de custos em diversos setores,
incluindo o de combustíveis. No Brasil, por exemplo, o preço do querosene de
aviação acumula alta próxima de 100%, ampliando as pressões sobre a inflação. A
energia elétrica também deverá subir com a definição da bandeira amarela para o
próximo mês.
No
campo da política monetária, a chamada “Super Quarta” reunirá decisões
simultâneas do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil. Nos Estados
Unidos, a expectativa predominante é de manutenção da taxa de juros, atualmente
na faixa de 3,75%, possivelmente marcando uma das últimas reuniões sob a atual
liderança. O posicionamento deverá refletir cautela diante de sinais recentes
de inflação mais persistente.
No
Brasil, por sua vez, o Banco Central enfrenta um dilema mais complexo. Embora
haja espaço técnico para redução da taxa Selic, o avanço das expectativas de
inflação limita o ritmo de flexibilização monetária. A expectativa do mercado
aponta para um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para
aproximadamente 14,50%. Ainda assim, o ciclo de cortes deve seguir de forma
gradual e cautelosa, podendo, inclusive, ser interrompido caso o cenário
inflacionário continue se deteriorando.
Em
síntese, a semana será decisiva para a formação de expectativas econômicas nos
próximos meses, com dados relevantes e decisões de política monetária que devem
influenciar os rumos da inflação, dos juros e da atividade econômica, tanto no
Brasil quanto no cenário internacional.
Fonte:
Viomundo/Brasil 247

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