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direitos que toda pessoa com diabetes tem e o que fazer quando não são
cumpridos
Pessoas
com diabetes têm direito ao tratamento, mas o acesso a medicamentos, insumos e
tecnologias nem sempre acontece de forma simples no Brasil. Em entrevista ao
DiabetesCast, Maria Eloisa Malieri, advogada especializada em direito à saúde e
também pessoa com diabetes tipo 1, explicou que conhecer os direitos é só uma
parte do caminho. Segundo ela, a pessoa também precisa saber documentar a
negativa, procurar os canais corretos e entender quando a Justiça deve ser
acionada.
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1. Direito ao tratamento para diabetes
Maria
Eloisa lembra que existe uma lei de 2006 que funciona como um “guarda-chuva”
para garantir tratamento às pessoas com diabetes. O ponto de atenção, segundo
ela, está na forma como esse direito aparece escrito.
A
advogada afirma que a palavra “tratamento” pode ser genérica. Isso cria
dificuldade porque o cuidado com diabetes muda de pessoa para pessoa. Uma
pessoa pode precisar de insulina basal, insulina rápida e sensor de glicose.
Outra pode precisar de medicamentos para prevenção cardiovascular, tratamento
de neuropatia, tiras de glicemia e acompanhamento contínuo.
Para
ela, a falta de definição abre espaço para conflitos entre o que o paciente
precisa e o que o sistema oferece.
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2. Direito de pedir registro quando o insumo não é fornecido
A
advogada orienta que a primeira atitude diante de uma negativa seja pedir
comprovação por escrito.
Segundo
Maria Eloisa, se a pessoa chega ao posto de saúde com prescrição médica e
recebe a resposta de que não há insulina, tira de glicemia ou outro insumo,
deve solicitar um registro com data, assinatura e carimbo.
Esse
documento pode mostrar que a pessoa buscou o serviço e não recebeu o que foi
prescrito. A orientação vale para quem usa insulina, medicamentos, tiras de
glicemia ou outros recursos necessários ao controle do diabetes.
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3. Direito de acionar ouvidoria e Secretaria de Saúde
Antes
de pensar em processo judicial, Maria Eloisa orienta que a pessoa procure os
canais administrativos. Isso inclui ouvidoria, Secretaria Municipal de Saúde ou
outros órgãos da cidade.
Ela
explica que o sistema pode falhar em um bairro e funcionar em outro dentro da
mesma cidade. Por isso, registrar a falha ajuda a mostrar onde está o problema.
A
advogada cita o exemplo de pessoas com diabetes tipo 2 que não conseguem tiras
de glicemia porque recebem a resposta de que o insumo seria apenas para
diabetes tipo 1. Para ela, o controle da glicose pode ser necessário nos dois
casos, conforme a prescrição e o tratamento.
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4. Direito de buscar a Justiça quando os caminhos administrativos falham
Maria
Eloisa afirma que a judicialização pode ser necessária, mas deve ser vista como
último recurso.
Segundo
ela, a pessoa deve tentar resolver antes por vias administrativas. Caso não
consiga, pode procurar a Justiça com documentos, laudo médico e prescrição.
Em
situações de urgência, o advogado pode pedir uma liminar. A liminar é uma
decisão dada no início do processo, quando o juiz entende que a pessoa não pode
esperar. Isso pode ocorrer em casos de falta de insulina ou de outro tratamento
essencial.
A
advogada alerta que liminar não é sentença. O Estado ou o plano de saúde ainda
podem apresentar defesa. Em alguns casos, a decisão pode mudar durante o
processo.
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5. Direito de não ser enganado por promessas de resultado judicial
Durante
a entrevista, Maria Eloisa fez um alerta sobre escritórios que prometem
garantir tratamentos pela Justiça.
Segundo
ela, advogado não pode garantir qual será a decisão do juiz. O papel do
profissional é usar o conhecimento jurídico na defesa do paciente, mas a
decisão cabe ao Judiciário.
A
advogada classifica como enganosa a promessa de resultado certo em ação
judicial. Ela também lembra que o cenário jurídico pode mudar, e cada caso
depende dos documentos, da prescrição, das alternativas disponíveis e da
análise do juiz.
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6. Direito de cobrar políticas públicas e participar de associações
Maria
Eloisa também destaca o papel da sociedade na cobrança por acesso. Segundo ela,
reclamar nas redes sociais pode dar visibilidade, mas nem sempre leva a
reclamação ao lugar correto.
A
orientação é entender qual órgão responde pelo fornecimento do item. Em alguns
casos, a responsabilidade pode ser municipal. Em outros, estadual ou federal.
A
advogada também aponta a importância das associações. Para ela, uma associação
pode representar grupos de pacientes, pedir reuniões, cobrar respostas e
acompanhar leis que foram aprovadas, mas ainda não saíram do papel.
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O direito vem acompanhado de documentação e uso correto
Maria
Eloisa defende que direito e dever caminham juntos. Ela cita o exemplo das
tecnologias para diabetes, como sensores de glicose e bombas de insulina. Para
ela, o acesso precisa vir acompanhado de educação em saúde.
Isso
significa saber usar o recurso, acompanhar os dados e buscar o melhor controle
possível. Segundo a advogada, o uso incorreto pode ser usado como argumento
contra a manutenção de políticas públicas.
No caso
do SUS, ela lembra que o orçamento da saúde atende várias condições, não apenas
diabetes. Por isso, projetos de lei precisam considerar impacto orçamentário,
dados da população atendida e forma de execução.
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O que fazer diante da falta de insulina, tira ou sensor
A
orientação da advogada é começar pela documentação. A pessoa deve guardar a
prescrição médica, pedir a negativa por escrito e registrar a reclamação nos
canais do município ou do estado.
Caso a
situação não seja resolvida, o próximo passo pode ser buscar orientação
jurídica. Em situações de urgência, a documentação pode ajudar no pedido de
liminar.
Maria
Eloisa reforça que não existe fórmula única. Cada cidade tem uma realidade,
cada tratamento tem uma necessidade e cada caso depende de documentos.
Fonte:
Um Diabético

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