Atentado
contra Trump: discurso, evento e produção de sentido na política contemporânea
Como
interpretar, de forma minimamente rigorosa, o impacto político de uma tentativa
de magnicídio contra Donald Trump? Isso altera sua
posição simbólica no campo político, ou somente se trata de mais um episódio
rapidamente incorporado a uma narrativa já existente de adversidade e
centralidade? A resposta não é imediata (e justamente por isso exige cautela
analítica). Em termos estritamente empíricos, eventos dessa natureza podem
produzir efeitos distintos, dependendo do contexto político, da cobertura
midiática e da recepção pública. Não há, portanto, garantia de que uma
tentativa de assassinato produza, automaticamente, fortalecimento simbólico. Para
tentarmos responder, levantarei uma de tantas hipóteses possíveis, qual seja, a
de que certos enquadramentos discursivos tendem a reorganizar esse tipo de
evento em chave de excepcionalidade. Nesse caso, a violência não aparece
somente como ameaça, mas, sobretudo, como evidência de relevância política. Me
explico. O líder (Trump) seria alvo justamente porque ocupa uma posição central
no imaginário conflitivo.
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Reforço a apelos já existentes
O ponto
decisivo aqui é que a condição de “ser alvo” pode ser reconfigurada
simbolicamente como prova de que o agente político ocupa uma posição de
destaque no interior de um campo altamente tensionado. Assim, a tentativa de
magnicídio contra Donald Trump não seria unicamente um ato de violência
política, mas também um elemento passível de ser reinterpretado como
confirmação de sua visibilidade e importância dentro do imaginário coletivo.
Nesse enquadramento, o raciocínio tende a se estruturar de forma quase
circular, ou seja, de que ele é alvo porque é relevante, e que sua relevância é
reforçada justamente pelo fato de ser alvo.
A
violência, em certos enquadramentos, não é interpretada como ruptura do sentido
político, mas como elemento que contribui para produzi-lo. Em vez de
desorganizar a leitura dos acontecimentos, ela é incorporada como confirmação
de categorias já estabelecidas, como “ameaça”, “perseguição” ou “confronto”.
Essa hipótese é, a meu ver, analiticamente relevante porque evidencia um
mecanismo recorrente em contextos políticos — a transformação de acontecimentos
críticos em elementos de confirmação discursiva. Assim, a violência deixa de
ser apenas um problema institucional e passa a integrar um repertório simbólico
no qual a figura de Donald Trump é continuamente reconstruída como central (e
politicamente) significativa.
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Me
explico melhor. A violência deixa de ser compreendida exclusivamente como um
problema de segurança pública ou de estabilidade institucional. O
acontecimento, portanto, não esgota seu sentido no fato bruto, mas se prolonga
na sua circulação discursiva. Nesse processo, a violência passa a funcionar
como um elemento maleável, suscetível a diferentes interpretações — pode ser
lida como falha institucional, como sintoma de polarização ou, em certos
contextos, como evidência de centralidade política do alvo. O ponto decisivo
não está, apenas, no que aconteceu, mas no modo como o acontecimento é
transformado em discurso e, posteriormente, estabilizado em interpretações mais
ou menos consolidadas.
Ao ser
reiteradamente mencionado, reinterpretado e associado a elementos já conhecidos
(como no caso do atentado que Donald Trump sofreu durante a campanha
eleitoral), o evento vai perdendo sua condição de ruptura isolada e passa a
funcionar como parte de uma sequência inteligível. A violência, nesse sentido,
não interrompe, necessariamente, a ordem simbólica. Em vez de desorganizar o
sentido, ela acaba ajudando a reorganizá-lo, porque passa a reforçar apelos já
existentes, tais como “ameaça”, “conflito” ou “perseguição”.
A
partir de tal lógica, é possível hipotetizar que esse processo pode produzir
efeitos políticos relevantes para o próprio governante envolvido. Ao ser
incorporado a uma narrativa de adversidade contínua, Trump deixa de ser
percebido como um ator político normal, e passa a ocupar uma posição simbólica
de centralidade no interior do conflito. Isso não significa, necessariamente,
um aumento automático de apoio, mas sim uma reorganização do modo como sua
figura é interpretada publicamente.
O fato
de Trump ser alvo tende a ser lido como indicador de importância, e não de
vulnerabilidade. Desse modo, a narrativa pode produzir um efeito paradoxal —
aquilo que (em tese) deveria enfraquecer sua imagem de líder, pode ser
reinterpretado como prova de sua centralidade no cenário político. Esse
deslocamento interpretativo ocorre porque a exposição ao risco é frequentemente
convertida em sinal de relevância política, sobretudo em contextos de alta
polarização. Assim, a vulnerabilidade imediata do mandatário é reinterpretada
como evidência de sua posição central nas disputas simbólicas em curso. No
limite, o evento deixa de ser exclusivamente uma ameaça pessoal e passa a
funcionar como confirmação de sua visibilidade e impacto no cenário político.
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Dimensões simbólicas ligadas à sobrevivência
Esse
tipo de circulação discursiva tende a deslocar o foco do debate público. Em vez
de avaliações centradas exclusivamente em desempenho governamental, em
políticas públicas ou em resultados institucionais, a atenção pode ser
reorientada para temas como segurança, enfrentamento e resistência. Em termos
hipotéticos, esse deslocamento pode ser politicamente vantajoso, especialmente
em contextos de baixa popularidade. Quando índices de aprovação são reduzidos
(como é o caso), a ênfase em performance administrativa tende a ser um ponto de
vulnerabilidade. De acordo com
levantamento do jornal The New York Times, 58% dos
estadunidenses reprovam o desempenho de Donald Trump, o maior percentual de
reprovação desde o fim do primeiro mandato.
Por
isso, a reconfiguração do debate em torno de questões de ameaça e de
sobrevivência política pode reduzir o peso relativo dessas avaliações
negativas. Assim, ao invés de o debate público permanecer concentrado em
críticas à gestão, a agenda pode ser reorganizada em torno de uma lógica de
crise e de confronto. Isso permite que atributos como força, resiliência e
capacidade de enfrentamento ganhem maior destaque na avaliação do presidente.
Em outras palavras, o eixo de julgamento se desloca de “eficácia governamental”
para “capacidade de lidar com ameaças”.
Esse
tipo de deslocamento — do julgamento baseado em desempenho governamental para
um julgamento baseado em “capacidade de enfrentar ameaças” — já foi observado
em diferentes contextos históricos, e costuma ser descrito na literatura de
Ciência Política como “efeito de coesão em torno da bandeira”. Em termos
gerais, esse efeito ocorre quando crises de segurança (guerras ou atentados)
produzem uma tendência temporária de aumento de apoio ao governo,
independentemente de avaliações anteriores sobre sua gestão. O mecanismo
central não é uma mudança estrutural de opinião, mas uma reorganização, ainda
que momentânea, das prioridades do debate público.
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Exemplo
frequentemente citado é o período imediatamente posterior aos atentados de 11
de setembro de 2001, quando o então presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush
(Bush filho), experimentou um aumento significativo de aprovação. Naquele
contexto, a agenda pública foi fortemente deslocada para temas de segurança
nacional, e resposta ao terrorismo. Isso ampliou o espaço político para ações
militares subsequentes, incluindo a invasão do Afeganistão e, mais tarde, a
guerra no Iraque. Em ambos os casos, a linguagem de “ameaça” desempenhou papel
central na reorganização do debate.
Um
exemplo especialmente emblemático é o do general francês Charles de Gaulle.
Durante a Segunda Guerra Mundial, após a derrota militar da França em 1940 e a
instauração do regime de Vichy (governo colaboracionista que administrou a
França sob ocupação nazista), o general De Gaulle não ocupava uma posição
formal de poder dentro do Estado francês. Sua legitimidade se dá a partir de um
ato político excepcional, em junho de 1940, mais precisamente no dia 8 —
transmitido de Londres —, conclamando a continuidade da resistência francesa
contra a ocupação nazista. Aquele foi o gesto que marca uma ruptura. De Gaulle
passa a representar, antes de tudo, a ideia de uma “França que não se rende”,
mesmo quando o Estado oficial francês havia capitulado. Sua autoridade política
nasceu ali, de uma construção simbólica.
Após a
libertação da França, essa dimensão simbólica tem efeitos diretos sobre sua
reintegração política. De Gaulle retorna ao centro do processo político francês
como figura que já havia sido previamente investida de legitimidade pela
experiência da guerra. Sua liderança no pós-guerra — especialmente na
reorganização do Estado francês e, posteriormente, na fundação da Quinta
República — é fortemente influenciada por essa autoridade simbólica acumulada
durante o conflito.
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Disputa interpretativa
Como
vemos, os exemplos citados ilustram como, em contextos de crise existencial, a
avaliação de líderes pode ser profundamente reorganizada. A legitimidade poderá
deixar de depender, exclusivamente, de critérios administrativos ou
procedimentais, e passar a incorporar dimensões simbólicas ligadas à
sobrevivência coletiva, à resistência e à capacidade de representar a
continuidade da comunidade política em momentos de ruptura histórica.
A
partir daqui, a pergunta que não quer calar é: seria possível observar dinâmica
semelhante no caso de Donald Trump? (Ele já foi exposto a um atentado na
campanha eleitoral e outro em pleno exercício da Presidência).
A
resposta, em termos analíticos rigorosos, não é simples — e justamente por isso
a comparação exige cautela. Diferentemente dos casos clássicos de guerra total
ou de ocupação territorial, o cenário político contemporâneo estadunidense não
se estrutura em torno de uma ameaça externa unificada e, consensualmente,
reconhecida como existencial. Isso já altera (profundamente) o tipo de
“reorganização de legitimidade” que poderia ocorrer. Ademais, mesmo eventos de
alta carga simbólica não produzem efeitos automáticos, ou mesmo homogêneos.
Eles são disputados, simultaneamente, em múltiplos circuitos de interpretação
(mídia institucional, partidos, redes sociais e instituições). Por isso, o
mesmo acontecimento pode ser enquadrado como prova de perseguição política,
como falha de segurança estatal ou como sintoma de radicalização interna —
dependendo do público e do ator discursivo envolvido.
Outro
elemento importante é que, no caso de democracias burguesas altamente
polarizadas (como é o caso dos Estados Unidos na atualidade), a lógica de
“reorganização simbólica em torno do líder” não funciona de forma unificada. Em
vez disso, ela tende a se fragmentar. Parte do eleitorado pode interpretar
episódios de violência como reforço da centralidade do líder, enquanto outra
parte pode vê-los como sinal de instabilidade ou risco institucional. Ou seja,
não há convergência interpretativa, o que limita efeitos semelhantes aos
observados em contextos de guerra total.
Há,
ainda, um fator estrutural relevante. A avaliação de líderes como Trump
permanece fortemente ancorada em critérios domésticos contínuos — economia,
imigração, decisões judiciais, desempenho administrativo e disputas
institucionais. Isso reduz o espaço para que eventos episódicos sejam
convertidos em reconfigurações duradouras de legitimidade, como ocorre em
contextos de exceção prolongada. Logo, embora seja possível levantar a hipótese
de que episódios de violência política possam deslocar temporariamente o foco
do debate público — ativando, em certos segmentos, narrativas de enfrentamento
e centralidade —, é metodologicamente mais difícil sustentar que isso produza
uma reordenação ampla e estável da legitimidade política nos moldes históricos
clássicos.
Por
isso, a pergunta se “será assim com Trump” não admite resposta única. O que
podemos observar é uma arena de disputa interpretativa em que eventos críticos
podem ser incorporados a narrativas concorrentes, sem que nenhuma delas se
imponha, de forma totalizante. Isso torna o efeito final necessariamente
instável, condicionado ao contexto e à disputa discursiva em curso.
¨
Atentado contra Trump é mais um episódio do
aprofundamento da crise política nos EUA. Por Jean Barroso
No
evento dos Correspondentes da Casa Branca, um jantar que é tradicionalmente
oferecido pelos presidentes norte americanos junto à imprensa, um atentado a
tiros e com barulhos de explosão paralisou todo o evento, com a evacuação de
Trump e outros membros do alto escalão da presidência dos Estados Unidos.
Até
então, o registro público que foi divulgado é dos sons de tiros e explosões, e
da evacuação, sem revelar exatamente detalhes do quão próximo o suspeito de ser
o atirador de fato teria chegado da execução de seu plano. Cole Tomas Allen,
professor particular e desenvolvedor de jogos, foi preso no local, e a versão
oficial da segurança presidencial é de que ele agiu como um "lobo
solitário".
Circula
nas redes sociais e em alguns canais de opinião, a ideia de que o atentado
poderia ter sido forjado, opinião que se baseia em indícios de falha da
segurança do presidente norte americano, e em segundo lugar, na ideia de que,
em uma situação de aguda crise política e descontentamento interno, com
passeatas de milhões de pessoas em diversos estados dos EUA, um atentado
forjado colocaria Trump em posição de vítima, procurando reverter a
desaprovação em meio ao conflito militar deflagrado contra o Irã e uma quasi guerra-civil
interna deflagrada contra a população de origem imigrante.
Se as
falhas de segurança foram ou não propositais, se o há uma conspiração para
gerar comoção em torno de Trump forjando um falso atentado, tudo isso faz parte
da especulação, e, até o momento, não existem provas materiais que corroborem a
teoria. O Washington Hilton, onde ocorreu o atentado ocorreu, é o mesmo no
qual, em 1981, Ronald Reagan foi alvejado na saída de um almoço com
representantes das centrais sindicais norte americanas, sendo vítima de
motivações totalmente extrínsecas à política: o atirador possuía uma obsessão
doentia pela atriz Jodie Foster e buscava ser conhecido nacionalmente através
do atentado. As falhas de segurança, portanto, são já parte do histórico do
lugar, assim como os atentados contra os presidentes fazem parte da história norte
americana.
Pelo
contrário, por enquanto tudo aponta inconsistências com a teoria de que teria
sido uma encenação de atentado, especialmente pela imagem arranhada com que sai
a presidência norte americana, que demonstrou fraqueza e desorganização em suas
fileiras internas.
Por
exemplo, ao invés de uma frente da imprensa impulsionando um sentimento de
comoção nacional, o que houve logo em seguida ao atentado foram cenas
desconcertantes na entrevista concedida por Trump à gigante CBS, no programa 60
Minutes. Em meio a entrevista, a repórter Norah O’Donnell simplesmente leu uma parte do que
seria o manifesto enviado por Collen Thomas Allen à sua família momentos antes
do atentado:
N.O’Donnell:
(...)E ele também escreveu isto: "Eu não mais permitirei que um pedófilo,
estuprador e um traidor suje as minhas mãos com seus crimes". Qual é a sua
reação à isso?
Trump
responde acusando a imprensa e se defendendo dizendo não ser estuprador ou
pedófilo, ao que a repórter parece fingir de desentendida: "Oh you
think— do you think he was referring to you? [Oh, você acha que ele se referia
à você?]
Para
além de produzir uma cena impagável, a entrevista reflete o aprofundamento da
divisão política norte americana. Enquanto Noah O’Donnell tenta trazer implicar
o atentado ocorrido ao descontentamento político e social no país, citando
partes do manifesto em referência às manifestações de milhões do "No
Kings", ao mesmo tempo ela reduz a importância do atentado político, ao
trazer para a discussão as supostas motivações do suspeito atirador solitário.
Trump,
por seu lado, demonstra publicamente ter dificuldades relativas de se colocar
como vítima, ou ao menos de atrair pena para si, em uma situação em que de fato
ele é, no caso, vítima de um atentado político. Em si, a situação paradoxal só
demonstra o aprofundamento de uma forte crise política, crise que os Estados
Unidos passam internamente como um episódio dentro de um processo de
reestruturação da relação de forças internacionalmente, de crise da hegemonia
norte americana, hegemonia exercida unilateralmente pelos EUA por décadas até
então. São sinais de um caminho sem volta para a burguesia norte americana.
É
retrato da crise de seu sistema político norte americano o fato de o atual
presidente republicano, que foi posto lá pela burguesia, ter que simplesmente
comparecer à uma das maiores redes de televisão para se defender das acusações
de pedofilia e estupro lançadas por alguém o pretendia assassinar. Essas
acusações são as contidas nos Epstein Files, liberados recentemente
apenas devido à pressão popular, e ainda assim parcialmente, com partes
censuradas, etc.
O
bipartidarismo simplesmente não deu conta, nos últimos anos, de responder essa
crise à altura necessária: na penúltima eleição, ofereceu Joe Biden, que só
preparou o terreno (ou melhor, erodiu politicamente o terreno) para o mandato
de Trump. Kamala Harris, por sua vez, veio como proposta de uma reedição da bem
conhecida política democrata, de intervenções militares no mundo, ou seja, dos
EUA como polícia do mundo, só que com um rosto mais "plural", o
legado de Obama, dos Clinton, etc... Legado este que inclui a sustentação do
Estado de Israel com o financiamento total de seu exército, seus sistemas de
defesa, seu projeto colonial e tudo o mais.
Cabe à
esquerda norte americana estar à altura das tarefas que irão se impor. A
direita já ventila aos 4 ventos o seu plano B, e coloca em prática partes desse
quando pratica deportações em massa e promove uma situação de perseguição às
populações imigrantes. A endurecimento de uma alternativa imperialista com
traços de "cristo-fascista", hoje não se trata apenas de imaginação,
é um programa prático, uma resposta a crise, por enquanto defendida por alguns
setores ainda minoritários, mas organizados na extrema-direita.
A
esquerda, por sua vez, precisa libertar a si de alternativas por dentro do
bipartidarismo norte americano e construir seu próprio partido, em defesa dos
trabalhadores, imigrantes, mulheres e lgbtqiapn+, contra as guerras
imperialistas, começando pela defesa da derrota de seu imperialismo norte
americano ao lado da derrota israelense no conflito contra Irã e Líbano no
oriente médio.
Com
esse espírito que intervimos desde o Left Voice nos EUA, intervindo no processo
de reorganização da esquerda em meio aos movimentos democráticos de oposição, o
No Kings, o movimento em solidariedade à Palestina, contr a extrema direita
sionista e trumpista.
Fonte:
Por Verbena Córdula, em Diálogos do Sul Global/Esquerda Diário

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