quinta-feira, 30 de abril de 2026

Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos representa um grande revés para a OPEP?

A saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo enfraquece a capacidade da organização de influenciar o mercado global de petróleo, em meio à crise energética desencadeada pelo conflito no Oriente Médio.

Segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal, a saída do terceiro maior produtor do grupo enfraquece significativamente a coesão interna da organização.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que produz aproximadamente 40% do petróleo mundial, enfrenta agora uma perda crucial de capacidade produtiva e influência no controle da oferta global.

conflito com o Irã intensificou as tensões dentro do bloco, além de afetar rotas estratégicas como o estreito de Ormuz, por onde transita grande parte do petróleo bruto exportado.

Nesse cenário, os Emirados Árabes Unidos optaram por priorizar sua independência energética, alavancando sua capacidade de redirecionar exportações e reduzir sua dependência de rotas vulneráveis.

De acordo com reportagens citadas pelo The Wall Street Journal, o país busca aumentar sua produção sem as restrições impostas pelas cotas do cartel.

"A sua saída elimina um dos pilares fundamentais que sustentam a capacidade da OPEP de gerir o mercado", afirmou Jorge León, especialista em geopolítica energética.

Agência Internacional de Energia (AIE) estima que esta ação represente uma redução de aproximadamente 13% na capacidade de produção do grupo.

Os Emirados Árabes Unidos, juntamente com a Arábia Saudita, eram um dos poucos membros com capacidade excedente suficiente para responder à crise de abastecimento.

O enfraquecimento do grupo ocorre num momento em que a influência da OPEP já estava a ser corroída pela ascensão do petróleo de xisto nos Estados Unidos.

Além disso, o conflito com o Irã afetou diretamente os Emirados Árabes Unidos, que têm sido alvo de ataques, acelerando o seu distanciamento do bloco.

"Perder um membro com uma capacidade de produção significativa significa privar o grupo de uma ferramenta crucial", sublinhou León. Os analistas apontam que a decisão reflete também tensões geopolíticas com a Arábia Saudita e uma reconfiguração das alianças na região.

Ao deixar o grupo, os Emirados Árabes Unidos ganham maior flexibilidade para aumentar sua produção, que poderia ultrapassar 4,8 milhões de barris por dia.

Especialistas alertam que essa medida levanta questões sobre o futuro da OPEP e sua capacidade de manter a relevância em um mercado de energia cada vez mais fragmentado.

¨      Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é importante

A saída abrupta dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da Opep, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, é um movimento relevante. O país aderiu à Opep em 1967, antes mesmo de se tornar um Estado-nação, em 1971.

A Opep reúne principalmente exportadores de petróleo do Golfo e, por décadas, influenciou o preço do barril ao ajustar a produção e estabelecer cotas entre seus membros.

Teve papel central nas crises do petróleo dos anos 1970, que transformaram a política energética global. A Opep foi formada em 1960 como um cartel, com o objetivo de controlar a oferta mundial de petróleo e seu preço.

Hoje, as nações da Opep produzem cerca de 30% do petróleo bruto do mundo. Em 2016, quando os preços do petróleo estavam particularmente baixos, a Opep se uniu a 10 outros produtores de petróleo para criar a Opep+, com 23 membros que somam cerca de 40% da produção global. O Brasil participa de discussões da Opep+, mas não aderiu aos compromissos do grupo.

Embora a produção da Opep seja liderada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos detêm a segunda maior capacidade ociosa de produção. Em outras palavras, são o segundo principal "produtor de ajuste", com capacidade de elevar a produção para ajudar a conter eventuais aumentos dos preços, por exemplo.

Foi justamente esse papel que levou a reavaliar sua posição no longo prazo. Em termos simples, os Emirados Árabes Unidos querem usar a capacidade em que investiram.

As cotas da Opep limitavam a produção dos Emirados Árabes Unidos a algo entre 3 milhões e 3,5 milhões de barris por dia. Na prática, o país vinha se sacrificando, com perda de receita, por causa de exigências do acordo com a Opep.

O momento da decisão indica impactos da guerra com o Irã. A tensão crescente no Golfo afetou a relação dos Emirados Árabes Unidos com o Irã e pode agravar o desgaste com a Arábia Saudita.

Para a Opep, este é um golpe relevante, num momento em que já se questiona a coesão do grupo no longo prazo.

Não é só uma questão de os Emirados Árabes Unidos buscarem níveis próximos de 5 milhões de barris por dia, caso consigam escoar plenamente sua produção por mar ou oleodutos. Há também o risco de reação da Arábia Saudita, possivelmente com uma guerra de preços, algo que a economia mais diversificada dos Emirados Árabes Unidos poderia suportar, mas que outros membros mais pobres não conseguiriam.

Muito dependerá da resposta da Arábia Saudita.

Autoridades dos Emirados Árabes Unidos discutem a construção de novos oleodutos a partir dos campos de Abu Dhabi, contornando o estreito de Ormuz e direcionando a produção ao porto de Fujairah, hoje subutilizado.

Já existe um oleoduto em operação, mas será preciso ampliar a capacidade para dar conta do aumento da produção e de mudanças duradouras na circulação e no custo do transporte de petróleo no Golfo.

No momento, com o tráfego marítimo no estreito de Ormuz afetado por um bloqueio duplo, esse não é o principal fator a influenciar os mercados, que impactam os preços de petróleo, gás, combustíveis, plásticos e alimentos.

Embora o foco esteja no barril a US$ 110 (cerca de R$ 550), não se pode descartar a possibilidade de queda para perto de US$ 50 (aproximadamente R$ 250) no próximo ano, por exemplo, se a situação no estreito for resolvida a tempo das eleições legislativas nos EUA ainda este ano.

A Opep hoje tem menos peso no mercado global do que nos anos 1970. Sua participação no comércio internacional de petróleo caiu cerca de 85% para cerca de 50%. O petróleo também é menos central para a economia mundial. A organização ainda exerce influência, mas não tem mais o poder de impor suas condições ao restante do mundo.

Lembro-me de ouvir do líder da Opep, o ex-ministro do petróleo da Arábia Saudita, Sheikh Yamani: "A Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras. A era do petróleo não vai terminar porque o mundo ficará sem petróleo". A frase antecipa um cenário em que os hidrocarbonetos são substituídos por outras fontes de energia.

Uma forma de entender a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é como um sinal da redução da dependência global em relação ao petróleo. Há outros sinais à vista: os investimentos da China em eletrificação ajudaram a aliviar no país o impacto do aumento dos preços do petróleo e do gás durante a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Segundo algumas estimativas do mercado, o processo de eletrificação na China de carros, caminhões e trens reduziu a demanda por petróleo em 1 milhão de barris por dia. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA. Como essa tendência de eletrificação tem acelerado em outros países, a demanda global por petróleo pode atingir seu ápice em breve.

Sob esse ponto de vista, faz sentido extrair o máximo valor possível (e o mais rápido possível) das reservas de petróleo antes que a demanda despenque. Os Emirados Árabes Unidos têm poder de fogo financeiro e uma economia parcialmente diversificada por meio de serviços financeiros e do turismo.

Muito vai depender do que será o "novo normal" se e quando cessar o conflito na região.

A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode desencadear um efeito dominó em outros países do grupo, elevando a pressão sobre a Arábia Saudita.

Quando os cargueiros voltarem a transitar pelo estreito de Ormuz novamente, ou se os Emirados Árabes Unidos redobrarem suas tentativas de construir novos oleodutos, o petróleo vai fluir dos Emirados Árabes Unidos como nunca, sem qualquer restrição ligada a compromissos com a Opep.

A medida terá poucos efeitos nos bloqueios atuais. Mas pode mudar tudo depois.

A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode redefinir o mercado global de petróleo. Os efeitos podem, a médio prazo, derrubar o preço do barril.

Como disse, no curto prazo, os preços continuarão atrelados à crise no Golfo, especialmente no estreito de Ormuz. O bloqueio marítimo é hoje o principal fator de pressão sobre o mercado.

Mas o cenário pode mudar rapidamente. Caso a situação se normalize, há espaço para uma queda relevante nos preços.

Por isso, não se descarta a possibilidade de que ele possa estar mais próximo de US$ 50 (cerca de R$ 250) em algum momento no próximo ano — se a situação no estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições de meio de mandato nos EUA ainda este ano, quando o controle do Congresso americano pode passar das mãos do Partido Republicano (ao qual o presidente Donald Trump pertence) para o Partido Democrata (de oposição ao governo Trump). O preço dos combustíveis e a inflação serão centrais nessa disputa eleitoral.

Existe, portanto, a possibilidade de o barril recuar significativamente em relação aos níveis atuais.

¨      Como ficam os preços do petróleo após saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram sua saída dos grupos Opep e Opep+, que reúnem as principais nações produtoras de petróleo, após quase 60 anos.

Os EAU afirmaram que a decisão reflete sua "visão estratégica e econômica de longo prazo e seu perfil energético em evolução".

A decisão é vista como um golpe para o grupo. Um analista descreveu a saída de um dos seus membros mais importantes como "o começo do fim da Opep".

O ministro da Energia do país do Golfo afirmou que, por não ter mais obrigações com os grupos, o país terá mais flexibilidade.

Os Emirados Árabes Unidos aderiram à Opep em 1967 e sua saída deixará o grupo dos produtores de petróleo com 11 membros.

Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Financial, disse que este é "o começo do fim da Opep".

"Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, a Opep perde cerca de 15% de sua capacidade e um de seus membros mais obedientes."

De acordo com os dados mais recentes da Opep, os Emirados Árabes Unidos produzem 2,9 milhões de barris de petróleo por ano. A Arábia Saudita, líder de fato da Opep, produz 9 milhões de barris de petróleo.

"A Arábia Saudita terá dificuldades para manter o restante da Opep unida e, efetivamente, terá que assumir a maior parte do trabalho pesado em relação à conformidade interna e à gestão do mercado sozinha", disse Kavonic, acrescentando que outros membros da Opep podem seguir o mesmo caminho.

"Isso representa uma reconfiguração geopolítica fundamental do Oriente Médio e dos mercados de petróleo", acrescentou.

A Opep foi formada em 1960 por cinco países: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Seu objetivo tem sido coordenar a produção para fornecer receita estável para seus membros.

O número de países no grupo tem flutuado ao longo dos anos, mas, além dos cinco membros fundadores, hoje também fazem parte Argélia, Guiné Equatorial, Gabão, Líbia, Nigéria e República do Congo.

<><> O que pode acontecer com os preços do petróleo?

Para o editor de economia da BBC, Faisal Islam, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode redefinir o mercado global de petróleo. Os efeitos podem, a médio prazo, derrubar o preço do barril.

"É um acontecimento muito importante que os Emirados Árabes Unidos tenham anunciado sua saída abrupta", escreve.

No curto prazo, os preços ainda vão estar atrelados à crise no Golfo, especialmente no Estreito de Ormuz. Islam ressalta que o bloqueio marítimo é hoje o principal fator de pressão sobre o mercado.

Mas ele aponta que o cenário pode mudar rapidamente. Caso a situação se normalize, há espaço para uma queda relevante nos preços.

"Isso é uma razão para não descartar a possibilidade de que ele possa estar mais próximo de US$ 50 em algum momento no próximo ano — se a situação no Estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições de meio de mandato nos EUA ainda este ano", afirma, mencionando a possibilidade de o barril recuar significativamente em relação aos níveis atuais, próximos de US$ 110.

Fora das cotas da Opep, que limitavam sua produção a 3–3,5 milhões de barris por dia, o país pode expandir sua oferta. "Os Emirados queriam usar a considerável capacidade na qual investiram", afirma.

"Não é apenas o fato de que os EAU, quando puderem colocar totalmente seu petróleo de volta no mercado por mar ou por oleodutos, provavelmente mirarão uma produção de 5 milhões de barris por dia."

A medida também pode provocar reações dentro da organização. "A Arábia Saudita pode responder com uma guerra de preços do petróleo que a economia mais diversificada dos EAU poderia suportar, mas outros membros mais pobres da Opep talvez não."

Islam argumenta que a decisão dos Emirados também reflete uma mudança mais profunda no sistema energético. A Opep perdeu parte de sua influência. Hoje, a organização responde por cerca de metade do petróleo comercializado globalmente, quando já foi responsável por 85%.

"Uma forma de interpretar a ação dos EAU é como um sinal desse mundo de menor dependência do petróleo, e houve alguns outros indícios na atual turbulência: os investimentos da China em eletrificação ajudaram a amortecer o impacto econômico do aumento dos preços do petróleo e do gás."

A eletrificação de carros, caminhões e trens na China já reduziu a demanda por petróleo na segunda maior economia do mundo. E a demanda global pode se estabilizar à medida que essa tendência se acelera.

"Nessa visão, faz sentido arrecadar o máximo possível com as reservas de petróleo o mais rápido possível antes que a demanda despenque."

¨      Insumo transversal: como alta do petróleo impacta dinâmica inflacionária e eleição no Brasil

Economistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam como alta no preço do barril de petróleo tem impacto não só na política monetária, mas na consciência do consumidor durante ano eleitoral brasileiro.

A guerra no Oriente Médio e o bloqueio no estreito de Ormuz, deflagrado em consequência, estão causando um grande impacto no mercado global de petróleo. Países já declararam estado de emergência pela falta do insumo energético e os piores impactos, preveem analistas, ainda deverão ser sentidos.

Atualmente, o preço do barril de petróleo Brent opera em algo em torno de US$ 110 (cerca de R$ 550), um aumento de mais de 50% quando comparado à faixa de US$ 70 em que o barril se encontrava antes dos ataques norte-americanos e israelenses ao Irã.

Nesse ambiente de inflação global, bancos centrais se deparam com um cenário desafiador e, justo hoje, dois grandes reguladores monetários farão uma reunião a respeito da definição da taxa de juros: o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) e o Banco Central brasileiro.

Nos Estados Unidos, o Fed deve manter sua taxa de juros na banda de 3,5% a 3,75%, em que está desde dezembro. Porém, há a possibilidade de aumentar a taxa caso a inflação acelere. Já no Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a tendência de baixa de 0,25 pontos percentuais, de 14,75% para 14,5%. Isso significa que o BC mantém sua postura cautelosa de afrouxamento monetário.

A situação, para além de afetar o cenário macroeconômico, também tem impacto político, uma vez que estamos em ano eleitoral no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de amortecer os efeitos do conflito no Irã na alta de combustíveis, estuda usar a alta nas receitas das exportações petrolíferas para desonerar a carga tributária sobre gasolina e etanol.

Para viabilizar a medida, o governo pretende encaminhar ao Congresso um projeto que flexibiliza o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ação controversa especialmente em ano eleitoral.

Ainda não há definição sobre o tamanho da redução dos tributos, nem é de conhecimento se haverá prorrogação das desonerações já aplicadas ao diesel e ao biodiesel. De acordo com estimativas, cada redução de R$ 0,10 nos impostos da gasolina representa um custo de aproximadamente R$ 404 milhões por mês. No caso do etanol, o impacto é menor, mas ainda significativo, em torno de R$ 165 milhões mensais para cada R$ 0,10 de corte.

Consultado pela Sputnik Brasil, Mauro Rochlin, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que o tema se tornou protagonista em todos os níveis decisórios, pois o peso do petróleo vai muito além do setor energético, já que se trata de um insumo transversal na economia.

"Como o petróleo é um insumo importante em várias cadeias produtivas […], o impacto da variação de preço tem rebatimento em vários serviços e produtos."

Já Maria Beatriz de Albuquerque David, economista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pontua que, embora o país importe pouco petróleo, ainda há dependência externa na cadeia de refino, o que impede a autossuficiência completa.

"Nós não somos tão dependentes assim, porque importamos pouco e temos uma produção grande, mas não temos o tipo de refino para atender toda a demanda brasileira."

Ela ressalta ainda que um aumento nos combustíveis sempre impactará a economia brasileira por esta ser "muito dependente" do transporte terrestre.

Sobretudo, a economista vê maior impacto nos fertilizantes, um insumo essencial para o agronegócio brasileiro e diretamente sensível às oscilações do petróleo e do cenário internacional. Embora o Brasil busque alternativas, como o fornecimento pelo mercado russo e a retomada da produção doméstica, os custos logísticos tendem a subir com a alta do petróleo, o que limita o alívio.

Ela também chama atenção para o efeito sobre o comércio exterior brasileiro. Países árabes, envolvidos ou afetados pela crise, são importantes compradores de produtos agrícolas do Brasil, o que pode levar à redução nas exportações, especialmente de proteínas como o frango. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), exportações para países árabes atingiram US$ 1,75 bilhão (cerca de R$ 8,73 bilhões) no primeiro semestre de 2025.

<><> Impacto na inflação do Brasil

inflação brasileira acelerou em abril, impulsionada principalmente pelos alimentos, em razão de fatores sazonais e dos efeitos da guerra no Oriente Médio, como o aumento dos combustíveis. O IPCA-15 subiu 0,89% no mês, elevando a taxa acumulada em 12 meses para 4,37%, próxima do teto da meta.

Maria Beatriz avalia que o cenário externo tende a influenciar a atuação do Banco Central. Para ela, a tendência é de uma condução mais conservadora dos juros: "A queda pode parar ou ser mais lenta do que o esperado sem esse conflito". Para ela, o impacto dos combustíveis é disseminado e sensível politicamente.

"Impacta todos os eleitores. Então, nenhum governador vai querer se posicionar contra medidas de alívio, porque isso também repercute diretamente na população."

Rochlin, por sua vez, classificou que o comportamento do Brent se torna uma variável-chave na definição da política monetária. "O Copom, nas suas reuniões, se utiliza de várias ferramentas para definir o seu posicionamento […] ele olha não só o IPCA, mas também o núcleo da inflação e a chamada inflação de serviços", explica.

"Difícil dizer se a inflação vai ser, de fato, controlada. Isso depende muito de como o preço do petróleo se comportar."

Segundo ele, caso o cenário externo permaneça volátil, a tendência é de uma política monetária mais cautelosa, com risco de desaceleração mais intensa da economia brasileira.

Rochlin também chama atenção para o papel do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos no comportamento do câmbio e da inflação, algo que será definido hoje a partir das reuniões do Fed e do BC.

"Quando a diferença entre as taxas de juros se acentua […], isso certamente atrai capital para o Brasil, o que faz com que o real se valorize", explica. Esse movimento ajuda a conter os preços, ao reduzir o custo de importados, e dar mais estabilidade às commodities.

 

Fonte: Sputnik Brasil/BBC News Mundo

 

Nenhum comentário: