‘Portugal
é o porta-aviões do Brasil na Europa’, afirma major-general português
A crise
de coesão da União Europeia e a dependência de uma narrativa militarista seriam
os principais fatores que têm dificultado a definição de uma estratégia comum
para o bloco nos últimos tempos. Esta é uma das reflexões trazidas pelo
major-general Agostinho Costa, alto oficial do Exército português e mestre em
Relações Internacionais, em entrevista exclusiva a Opera Mundi. Agostinho
também abordou temas como as tensões e conflitos globais, os riscos do
revisionismo histórico, a relação entre Brasil e Portugal, e também a guerra na
Ucrânia. Segundo ele, é necessário fortalecer os laços bilaterais, pois
Portugal é uma ponte fundamental para o Brasil na Europa, atuando como um
“porta-aviões” na relação com o continente europeu. “Se analisarmos com alguma
frieza, o grande impulso tecnológico que Portugal teve na última década foi com
o Brasil, através da ligação à Embraer. Portugal funciona para o Brasil como o
Reino Unido funciona para os Estados Unidos”, disse. A respeito da crítica do
presidente Lula, que classificou a atual corrida armamentista da Europa como
“loucura”, Agostinho concorda ao enfatizar que a postura do Ocidente, liderado
pelos dos europeus, é de uma “guerra perdida”, cujo objetivo não é vencer
militarmente, mas enfraquecer a Rússia economicamente através de sanções que,
na sua visão, são inúteis e até contraproducentes. “A partir do momento que a
indústria militar e de defesa europeia são geridas pela lógica neoliberal, do
lucro, do ‘just in time’, da distribuição global das cadeias de produção, elas
tornam-se completamente ineficientes. Diferente dos russos, que mantiveram a
indústria do tempo soviético e a transformaram rapidamente numa economia de
guerra. A Europa nunca conseguirá fazer isso”, reitera.
Confira
os principais trechos da entrevista::
·
A presença de Lula e de outros líderes do chamado ‘Sul
Global’ no Dia da Vitória foi importante na luta contra o revisionismo
histórico?
Major-general
Agostinho Costa: Sim,
foi muito importante para reforçar a memória histórica. Durante a Segunda
Guerra Mundial, a União Soviética perdeu 27 milhões de civis e militares, e a
China cerca de 20 milhões, números obscenos que não podem ser esquecidos. O
revisionismo da história é, no mínimo, um insulto à consciência dos povos. Os
países do Sul Global têm uma visão diferente, baseada em suas realidades. Não é
a conjuntura atual que deve sobrepor-se ao respeito e à homenagem a esses
homens e mulheres, militares e civis. Lula também representou o esforço de
brasileiros que lutaram contra um regime que cercou cidades e construiu campos
de concentração onde morreram não só judeus, mas ciganos, homossexuais, eslavos
e todos aqueles que eram proscritos pela ideologia nazi, absolutamente
execrável, e que, de uma vez por todas, deve ser recordada para nunca mais vir
à superfície. Portanto, a ida de Lula fez justiça à história.
·
Qual é a real influência do presidente brasileiro em um
possível cessar-fogo ou, até mesmo, num acordo de paz definitivo entre Rússia e
Ucrânia?
A
postura do presidente Lula e outros líderes como Modi, Ramaphosa e Xi Jinping é
parar uma guerra considerada absurda. Lula faz parte dos estadistas que querem
encerrar o conflito, pois reconhecem o alto custo de vidas ucranianas e russas
e a falta de solução militar. A guerra poderia ter sido resolvida em março de
2022, também em Istambul. Lembremos que quando Olaf Scholz foi ao Brasil (em
janeiro de 2023) pedir munições, Lula negou, reafirmando que o Brasil busca a
paz. Sua postura é de genuíno compromisso com a resolução pacífica do conflito,
se colocando, mais uma vez, ao lado certo da história. Já a liderança política
da Ucrânia, incluindo Zelensky, não está no lado certo, pois poderia aceitar
uma solução menos má para evitar a capitulação, como também sugeriu o
ex-conselheiro do governo ucraniano Oleksiy Arestovych.
·
Se acabar com a guerra não é o objetivo, o que Zelensky e
os líderes europeus procuram com essas negociações em Istambul?
Buscam
transformar em uma armadilha para Putin, pressionando os norte-americanos a
lançarem sanções severas, como as “Crash Bone”, para trazer os Estados Unidos
de volta ao conflito e manter a guerra, enviando mais material e dinheiro para
a Ucrânia. No terreno, os ucranianos enfrentam dificuldades, enquanto a União
Europeia prioriza seus interesses estratégicos, mantendo sua coesão interna
para impulsionar a economia e também reverter o Brexit, com Keir Starmer em um
papel favorável. Essa estratégia visa manter o status quo político. Mas há aqui
um pormenor, um fator disruptivo, que é o fato de os russos estarem
interessados numa relação de aproximação com os norte-americanos, já que Trump
não está muito disposto a implementar o conjunto de sanções imposto no Senado e
no Congresso, que são os tais 500% para quem comprar petróleo e gás na Rússia,
quando o principal cliente é a China. Ou seja, a divergência entre europeus,
Zelensky, norte-americanos e russos mostra complexidade. A cúpula em Istambul
pode ser só um evento midiático, sem resultados concretos, enquanto a guerra
persiste e o povo ucraniano sofre com os avanços russos.
·
Ainda em Moscou, Lula disse que a corrida armamentista na
Europa é “uma loucura”. Concorda com essa afirmação?
Em
absoluto. Ainda há bastante relevância na questão do armamento porque a Europa
não tem recursos, mas esse discurso é para espantar os mais incautos. Veja, a
Alemanha tem uma população de 80 milhões. O exército alemão é composto por 73
mil homens e mulheres. Como será o mais forte da Europa? A Polônia também diz o
mesmo. Esta gente odeia uns aos outros. Os polacos odeiam os russos, não sei se
odeiam mais, ou menos, ou na mesma medida os alemães. Até porque eles já os
dividiram três vezes. E as divisões a partir da Polônia têm sido entre a
Alemanha e a Rússia. A França não se esquece de ver os nazis a desfilarem nos
Campos Elíseos. Os britânicos olham para a Europa sempre com desconfiança na
política da apelação do poder. Com os espanhóis, é uma coisa um bocado
estranha, mas já não conta muito. Os italianos nem querem nada com a Europa
agora. Giorgia Meloni está a olhar para o lado de lá do Atlântico. Aqui na
Europa, ninguém se entende.
·
Então, qual é o problema da Europa neste momento?
É a
coesão europeia. O projeto europeu de paz e desenvolvimento que emergiu na
sequência da barbaridade da Segunda Guerra, parece não existir. Hoje, a União
Europeia só fala numa coisa: na guerra da Ucrânia. E quanto mais fala, mais os
cidadãos vão se separar e considerar a União Europeia inútil, principalmente
quando vêm desbaratar bilhões de euros em um país que é considerado pelo
próprio Marco Rubio como um dos mais corruptos do mundo. As declarações de Merz
sobre a Alemanha ter o maior exército da Europa valem pouco, ou quase nada. Até
porque para os cidadãos falta uma ideologia mobilizadora, e dizer que os russos
vêm por aí, não é uma ideologia como o nazismo, que mesmo sendo extrema-direita
pura e dura, é capaz de mobilizar as massas.
·
E neste momento, qual ideologia é que têm para usar?
A
neoliberal. Falta um plano social, econômico e biológico, pois a Europa é um
deserto de ideias. Só dizer que os russos são uma ameaça não é suficiente para
mobilizar uma população para a guerra, como se tem visto. E depois, com o
agravante, criaram as sementes da sua própria insolvência. A partir do momento
que a indústria militar e de defesa é gerida pela lógica neoliberal, que é a
lógica do lucro, do just in time, da distribuição global das cadeias de
produção, ela torna-se completamente ineficiente. Diferente dos russos, que
mantiveram a indústria do tempo soviético, transformando-a rapidamente numa
economia de guerra. A Europa nunca conseguirá fazer isso. A Porsche disse que
vai fazer carros de combate. Isso é tudo retórica, não passa declarações no vazio.
Por isso que se vê, insistentemente, discursos sobre o retorno ao serviço
militar obrigatório. Porque não há voluntários para as Forças Armadas, é um
deserto. E não é só aqui, nos Estados Unidos também.
·
A declaração de Macron sobre não poder mais fornecer
apoio militar à Ucrânia é uma forma de admitir a vitória de Putin?
Faz 11
meses que tivemos a chamada ‘Cúpula da Paz’, uma reunião da Ucrânia com seus
patronos ocidentais no sentido de impor uma capitulação à Rússia. A verdade é
que não querem paz nenhuma. O que eles querem são 30 dias para colocar uma
presença militar na Ucrânia por diversos países, incluindo França, Inglaterra,
Alemanha e aliados, com o objetivo de ocupar e estabelecer influência, similar
às ações na Coreia e na Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra Mundial, numa
espécie de nova ‘Cortina de Ferro’. Outra coisa importante que o Macron disse
foi o fato de não haver um exército dimensionado para guerras de alta
intensidade na Europa. Por isso que os holandeses venderam os carros de
combate. Os Estados Unidos, que andaram 20 anos como polícia do mundo, com o
discurso fantasioso de guerra contra o terrorismo, também sabe disso. O
terrorismo é uma realidade, um fato, uma preocupação, mas sabemos quem é que o
fomenta, não é? Estamos vendo na Síria alguém que, há poucos dias atrás tinha a
cabeça a prêmio por 10 milhões de dólares, e se tornou um presidente não
eleito. Os mesmos que derrubaram abaixo as Torres Gêmeas. As mais de 3 mil
pessoas que morreram no 11 de Setembro devem estar aos saltos, às voltas do
túmulo, pois foi esta gente quem os destruiu. É nisso que dá fazer pactos com o
diabo.
·
Você vislumbra, num futuro próximo, o envio de tropas
portuguesas para a Ucrânia?
Isso é
demagogia. Não creio que haja esse tipo de intervenção da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em breve, pois os Estados Unidos evitam
enviar forças na Ucrânia por causa do artigo quinto do Tratado de Washington,
que é uma linha vermelha para a Rússia. Continuar a falar em força de
interposição é uma fantasia. Se olharmos bem, os contributos de Portugal são
proporcionais à dimensão das suas forças armadas. Uma coisa é a percepção das
elites, outra coisa é a percepção dos cidadãos. E cada vez estamos mais
convencidos que as elites europeias não gostam dos europeus, e que as elites
portuguesas não gostam dos portugueses. A capacidade de projeção de forças
portuguesas é irrelevante. Um exemplo é a presença do país em missões como a
enviada à República Centro-Africana. Originalmente, a intervenção portuguesa na
África Central foi motivada por interesses de agradar aliados franceses e
garantir apoios políticos, como a eleição de António Guterres à liderança das
Nações Unidas. Naquela época, Portugal enviou forças para apoiar a Operação
Barkhane, uma iniciativa francesa no Sahel, visando combater o terrorismo na
região. Hoje, o cenário mudou drasticamente: a França foi praticamente expulsa
de países como Níger, Burkina Faso e Mali, enquanto a República Centro-Africana
permanece um foco de atuação portuguesa. Por isso, Portugal deve reconsiderar
sua relação com o BRICS e sua estratégia geopolítica.
·
Caso não saia um acordo efetivo em Istambul, a próxima
Cúpula do BRICS ganha uma importância maior no cenário geopolítico e na busca
pela paz?
O BRICS
é, neste momento, o grupo mais importante no plano global, é a esperança de um
mundo melhor, é algo inovador. No BRICS, não há uma locomotiva, isto é, não há
um comandante. É uma associação de países que se respeitam nas suas diferenças,
nas suas identidades, e não há um diretório, não há um país que manda e os
outros obedecem. Fundamentalmente, são países onde está a centralidade
estratégica e econômica. O Brasil é a cultura do século XXI, pois mostra que
ideologias execráveis como a do conflito das civilizações, proposto por Samuel
Huntington, são mentirosas. Só há uma civilização, que é a humana. E sim, é
possível ter uma sociedade onde as pessoas tenham esperança, e isso é uma das
grandes contribuições do Brasil que, em termos de recursos naturais, potencial
econômico, científico, cultural e tecnológico, tem tudo para crescer. É uma das
grandes economias do mundo. Em 2024, os indicadores do Fundo Monetário
Internacional (FMI) mostraram que, entre os países do G7, os Estados Unidos são
os únicos com crescimento acima de 1,5%, enquanto a Alemanha enfrenta recessão
com menos de 0,2% de crescimento. Como é que este país quer ter o maior
exército da Europa? Não tem. E toda essa ação de tarifas é uma mostra de que os
Estados Unidos estão tentando salvar uma economia que tem 36 trilhões de
dólares em dívidas.
·
Estamos realmente à beira de uma guerra nuclear?
Estivemos
perto, quando Starmer foi a Washington pedir autorização para lançar Storm
Shadows sobre o interior da Rússia. Biden ainda tinha medo de uma guerra
nuclear e disse que não. Mas depois que Biden e os Democratas perderam as
eleições, tendo em conta o estado de distúrbio cognitivo em que o ex-presidente
estava, não sabíamos ao certo quem é que controlava o botão nuclear nos Estados
Unidos. Era Sullivan? Biden? Blinken? Lembremos ainda de quando os americanos,
ingleses e franceses começaram a lançar Storm Shadow, Scalps e ATACMS dentro do
território russo, e quando a Ucrânia atacou um dos radares da defesa nuclear
russa com empenhamento do Ocidente. A guerra nuclear só não se concretizou
porque Putin é alguém com algum sangue frio, e percebeu que o relógio não pára
e o melhor era esperar. Além do mais, a Rússia tem abatido mísseis com
dispositivos eletrônicos e o sistema S-400. Neste momento, a probabilidade de
uma guerra nuclear é muito menor. O risco maior estaria no Oriente Médio, caso
Benjamin Netanyahu continue à solta. Mas já vimos que nos últimos dias, com as
ações de Trump, ele deve estar com as orelhas muito quentes, porque a coisa não
está a correr nada bem. Aliás, a última medida de levantar as sanções contra a
Síria foi feita sem a aprovação do primeiro-ministro israelense. A negociação
direta com o Hamas para a libertação de um refém estadunidense também foi
realizada à revelia de Israel.
·
O que muda a postura em relação ao governo Biden.
Mudou
completamente! É um giro de 180 graus, uma inversão total. Quando Biden saiu,
nós viemos a saber que, cada vez que o falcão Anthony Blinken ia ao Oriente
Médio, era para piorar a situação, para colocar água na fervura, como se diz
aqui em Portugal. Netanyahu teve carta branca durante o governo Biden. Trump
não é tão pouco dotado de inteligência quanto dizem, é naturalmente uma figura
quixotesca, mas, qual é o presidente que não é quixotesco? Basta olhar para
Bush e Reagan, por exemplo. Tradicionalmente os presidentes são performers.
Como sabemos, muitos deles vêm do teatro ou da comédia, porque é o deep state
norte-americano que define. O problema neste momento nos Estados Unidos é que
há uma divisão profunda entre aqueles que julgo estarem em 1992, na América do
Fukuyama, no ‘fim da História’, e outros que já perceberam que isso não existe.
·
Quando os temas são os conflitos, António Guterres tem
sido mais combativo do que António Costa. Como avalia a presidência do Conselho
Europeu até o momento?
António
Costa não teve e nem terá tempo para margem de manobra, sendo ofuscado por
Ursula von der Leyen, que mesmo enfrentando problemas com a justiça por causa
dos SMS trocados com a Pfizer, é quem continua a mandar. Embora seja um bom
negociador, Costa é fraco em estratégia, como demonstrado em seu último
governo, que foi diferente do anterior, conhecido como ‘Geringonça’, que tinha
personalidades mais relevantes. Na União Europeia, não há uma visão clara para
o futuro, especialmente em relação à China e ao endurecimento do discurso
europeu. A União Europeia ainda se recupera do trauma da derrota de Kamala
Harris, mantendo uma postura de vassalagem aos Estados Unidos. Portugal, embora
historicamente europeísta, esperava uma Europa de fronteiras abertas e
identidades regionais, com ideais iluministas que, infelizmente, parecem estar
desaparecendo. O último estadista europeu com esses princípios morreu há alguns
dias: o Papa Francisco.
·
E como resolver o problema em Portugal?
Ter uma
política externa e estratégia de segurança nacional definidas. Como já dizia o
professor Adriano Moreira, Portugal desperdiça aquilo que é o seu principal
capital: a ligação com Brasília e Luanda. No contexto da União Europeia, é um
país vassalo, secundário, menor e sem interesse. No contexto da relação com os
Estados Unidos, tem que ser boa, porque temos uma fronteira marítima com eles.
Não queremos que passem a tratar os Açores como tratam a Groenlândia, não é?
Para Portugal ter relevância no contexto internacional e ser um país exógeno,
mas não exíguo, é preciso ter uma ligação direta ao Brasil, ao Palácio do
Planalto. Qualquer que seja o governo em Brasília, Portugal tem que estar ao
lado do Brasil.
·
Os dois partidos que lideram a corrida eleitoral em
Portugal exaltam a União Europeia e apoiam a Ucrânia. Acredita ser possível uma
aproximação com Brasil e Angola depois de 18 de maio?
Sinceramente,
não há diferença entre a Aliança Democrática (AD) e o Partido Socialista (PS).
O que falta em Portugal não são políticos, são think-tanks, pensamentos
estratégicos, estruturados. É a interação entre a sociedade civil brasileira e
portuguesa, portuguesa e angolana, porque é ela quem domina o processo. Se
analisarmos com alguma frieza, o grande impulso tecnológico que Portugal teve
na última década foi com o Brasil através da ligação à Embraer. E essa relação
é importante para Brasília porque assegura na Europa um ponto de apoio.
Portugal funciona para o Brasil como o Reino Unido funciona para os Estados
Unidos. É o seu porta-aviões na Europa. E esse é um dos mercados mais
importantes no mundo. Nós somos uma porta para o Brasil, que tem a dimensão
demográfica que nos falta. Portugal, segundo as estatísticas divulgadas neste
mês pelas Nações Unidas, vai perder, no mínimo, dois milhões de habitantes, ou
mais, até o final do século. Basta 1% da população brasileira deslocar-se para
que a nossa população triplique. A ligação à língua e à cultura brasileira são
fortes, e o brasileiro é muito mais alegre que o português, que é um simbólico,
um triste. O Brasil teve a vantagem de não ter uma inquisição.
·
Mas nós fomos vítimas dela.
Sim, os
portugueses mandavam lá os inspectores, mas nunca houve uma inquisição sediada
na Bahia ou no Rio, e isso foi o equilíbrio. O brasileiro é muito mais livre,
tem uma relação com o corpo, a natureza e a vida muito mais desprendida do que
os portugueses, que são recalcados e que tiveram 300 anos de inquisição. Por
isso os cristãos novos foram para o Brasil, porque lá estavam à vontade. Outra
vantagem foi ter uma relação com Angola. A alegria, a criatividade, o calor e a
heterologia dos africanos faz um povo diferente. Angola e Brasil controlam o
Atlântico Sul, que é lusófono. E este vértice Angola, Brasil e Portugal, pode
fazer a diferença. No fim desta guerra na Ucrânia, o mundo vai mudar. A OTAN,
provavelmente, será uma organização irrelevante. Pelo menos a prazo, porque é a
grande derrotada. E, sem dúvidas, o Ocidente também sairá derrotado. Quem ganha
são os países do BRICS e a Rússia, que teve um salto tecnológico graças ao
apoio fundamental que recebe da China.
Fonte:
Opera Mundi

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