quinta-feira, 29 de maio de 2025

Moisés Mendes: Depois de Janja, a vez de Marina enfrentar o cerco dos fascistas

Marina Silva foi cercada pela alcateia bolsonarista no Senado por ter entrado na fila de espancamento da extrema direita. Foi desrespeitada e teve de se levantar e ir embora porque toda situação com tensão política, envolvendo mulheres e fascistas, terá desfechos semelhantes.

Se as comadres da GloboNews se sentiram à vontade para depreciar as falas de Janja e pautar os colegas machos, e até mesmo parte das esquerdas, a extrema direita está mais do que autorizada a cercar Marina. Como fez na sessão desta terça-feira na Comissão de Infraestrutura do Senado.

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São previsíveis os ataques, a valentia de Marina e a covardia do entorno hétero. Como aconteceu mais de uma vez nos duelos da deputada Maria do Rosário com o então deputado Bolsonaro no plenário e no salão verde da Câmara.

Machos olham de longe, no ambiente que é deles, no espaço corporativo de homens que fazem concessões às mulheres, mas não se metem nas falas machistas dos colegas de Congresso. Marina ouviu algumas manifestações de espanto, na base do que é isso, peraí, epa, por favor, e não ouviria mais nada.

Mulheres são alvo preferencial do fascismo, ao lado de negros, indígenas, gays e todos os diferentes. Em ambientes públicos, como aconteceu no Senado, com a imposição de quem fala grosso e mais alto, o ataque é orientado pela busca do corte, do trecho no vídeo que irá bombar depois.

Não importa o contexto, o conjunto de uma sessão pretende ser esclarecedora sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Importam os 20 segundos que irão sintetizar um ataque.

E foi o que aconteceu quando Marcos Rogério (PL-RO) ergueu sua voz de homem com imunidades e ordenou: "Me respeite, ministra, se ponha no seu lugar". E quando Plínio Valério (PSDB-AM) esclareceu, dirigindo-se a Marina: “A mulher merece respeito, a ministra, não".

No mundo das normalidades, que talvez tenha existido, com suas imperfeições, até pouco mais de uma década atrás, Rogério e Valério seriam desqualificados como políticos e até como dupla sertaneja.

Hoje, não. Hoje o machismo é cantado, e as falas dos senadores devem estar sendo compartilhadas e exaltadas nas suas bases virtuais como a afirmação do macho diante de uma ministra que tem a petulância de dizer que não é mulher submissa. Disse, duelou mais um pouco e foi embora.

O que teremos depois da cena no Senado? Teremos as comadres da GloboNews, com seu feminismo de jardinagem, escandalizadas com o que aconteceu. Notas de entidades diversas e de políticos e políticas. Editorial no Estadão e homenagens à bravura de Marina.

Mas ali, na hora, naquele momento, não aconteceu, como nunca ocorre, o que deveria acontecer. Ali, quando Marina era cercada pelas hienas da extrema direita, alguém tinha de tentar imitar o que Alexandre de Moraes vem fazendo nas sessões do STF que ouve advogados e testemunhas do golpismo: parou. Era o momento de dar um tranco.

Dirão que não há no Congresso, em situações como a dessa terça-feira, alguém com posição hierárquica acima dos demais colegas, que carregue a prerrogativa da intervenção sumária e contenha os ataques.

Claro que há. O senador Marcos Rogério, que presidia a comissão, é quem tinha esse poder, mas é exatamente ele quem, ao invés de exercer a moderação, inicia os ataques a Marina.

Dirão também que Marina tem histórico de luta e sabe se defender sozinha. Sempre usam essa desculpa quando da agressão a mulheres por gente com foro privilegiado. E dirão que assim é o Congresso.

Mas nunca vão dizer, nem nas internas, que falta quase sempre a reação forte de um macho no momento em que muitos deles testemunham agressões de extremistas misóginos.

•        Dedo apontado, gritos, interrupções e ameaças: Marina Silva é alvo de misoginia no Senado

“Ponha-se no seu lugar”, disse o senador Marcos Rogério (PL) à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que compareceu, como convidada, à Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, nesta terça-feira (27). O motivo do convite foi a prestação de informações sobre estudos para criar a maior unidade de conservação marinha do país, na Margem Equatorial, no litoral Norte do Amapá. Essa também é a região onde a Petrobras pretende realizar estudos para a produção de petróleo.

Mas a discussão começou sobre outro tema polêmico: a construção da BR-319 que corta a Amazônia, ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e é defendida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A obra passa por 13 municípios, 28 unidades de conservação e 69 comunidades indígenas, sendo uma delas uma comunidade isolada, e depende de licenciamento ambiental.

Visivelmente exaltado, o senador Omar Aziz (PSD-AM) esbravejou, batendo no peito e apontando o dedo para a ministra. “A gente quer, sim, a BR-319 ministra para passear, como a senhora disse. Queremos sim. Nós temos o direito de passear na 319. E não é a senhora que não vai permitir que a gente passe na 319. Nós, amazonenses, queremos ter o direito de passear na 319. A senhora passeia na avenida Paulista, hoje nós queremos passear na 319”, disse o senador, que interrompeu a ministra diversas vezes durante sua tentativa de resposta.

“Eu peço para poder falar somente um minuto. Eu estou aqui como convidada”, disse a ministra, que chegou a ter o áudio do microfone cortado pelo presidente da sessão, senador Marcos Rogério (PL-GO). “A senhora está atrapalhando o desenvolvimento do nosso país, eu lhe digo com a maior naturalidade do mundo. Tem mais de 5 mil obras paradas por causa dessa conversinha de governança, nhen, nhen, nhen, bla, bla, bla.”

Nesse momento, o presidente da sessão decidiu seguir com o debate, sem permitir que a ministra respondesse, no tempo regimental, às afirmações de Aziz. “Os questionamentos são respondidos, os comentários, não”, disse Rogério.

Então, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) chegou a pedir ao presidente da sessão que assegurasse a fala da ministra, sendo repreendida por Rogério. “A senhora está atrapalhando”, disse o senador do PL, provocando um bate-boca com a parlamentar maranhense.  “O respeito precede dar a ela o direito de fala”, respondeu Gama. “Isso aqui não é ditadura (…) É inadmissível a forma como a senadora está sendo tratada”.

“Essa é uma discussão técnica, causada pela ética, a ética do cuidado com as pessoas, com o meio ambiente, com o futuro do Brasil”, disse a ministra Marina Silva. Logo, voltou a ser interrompida pelo senador Omar Aziz.

“Meia dúzia de ambientalistas pra falar besteira sem conhecer a nossa região. Nego pago para falar”, disse o senador.

“A história vai julgar”, respondeu Marina.

“A história vai lhe julgar, já está julgando”, disse o Aziz, sugerindo que a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2.159, conhecido pelos ambientalistas como PL da Devastação, que flexibiliza e afrouxa as regras para o licenciamento ambiental no Brasil.

“Cada um que votou aqui assuma sua responsabilidade”, retrucou Marina, que foi interrompida pelo presidente da sessão.

Sexismo

“Essa é a educação da ministra Marina Silva”, disse Rogério. 

“Eu tenho educação. Mas o que o senhor gostaria é que eu fosse uma mulher submissa e eu não sou”, disse Marina

“Agora eu sou sexista, ministra?”, questionou o senador Marcos Rogério. E seguiu: “Me respeite, ministra, se ponha no seu lugar”, gerando reação dos presentes.

“Que absurdo. Ponha-se o senhor no seu lugar”, disse a senadora Eliziane Gama.

Quando pôde retomar sua fala, a ministra defendeu o trabalho do Ministério do Meio Ambiente. “Ao defender o meio ambiente eu estou defendendo os interesses estratégicos do Brasil”, declarou.

A discussão seguiu com a ameaça do senador Marcos Rogério de aprovar, desta vez, uma convocação para um comparecimento da ministra à comissão.

Por fim, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que em março disse que gostaria de enforcar Marina, afirmou que a ministra não merecia respeito. “Olhando para a senhora, estou falando com a ministra, e não com uma mulher”, afirmou. “Eu sou as duas coisas”, retrucou Marina. “A mulher merece respeito, a ministra, não”, concluiu ele.

Marina, então, afirmou que o senador deveria pedir desculpa ou ela se retiraria da sessão. Como Plínio Valério sinalizou que continuaria a discussão, Marina Silva se retirou e, em seguida, a sessão foi encerrada.

Reações das mulheres do governo

Em nota, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, qualificou de “completo absurdo” o ocorrido na Comissão de Infraestrutura do Senado. “Ela [Marina Silva] foi desrespeitada e agredida como mulher e como ministra por diversos parlamentares – em março, um deles já havia inclusive incitado a violência contra ela”.

“É um episódio muito grave e lamentável, além de misógino. Toda a minha solidariedade e apoio à Marina Silva, liderança política respeitada e uma referência em todo o mundo na pauta do meio ambiente. É preciso que haja retratação do que foi dito naquele espaço e que haja responsabilização para que isso não se repita”, finaliza o comunicado.

A primeira-dama Rosângela Silva usou sua conta da rede social Instagram para manifestar solidariedade e apoio à ministra. “Impossível não ficar indignada com os desrespeitos sofridos pela ministra Marina Silva durante sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado”, escreveu Janja.

“Sua bravura nos inspira e sua trajetória nos orgulha imensamente. Uma mulher reconhecida mundialmente por sua atuação com relação à preservação ambiental jamais se curvará a um bando de misóginos que não têm a decência de encarar uma ministra da sua grandeza”, afirmou a primeira-dama.

Na mesma rede, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, publicou um vídeo repudiando a postura dos senadores e declarando apoio à ministra do Meio Ambiente. “Como mulher negra, como ministra, como companheira de Esplanada, sinto profundamente cada gesto de desrespeito como se fosse comigo. Porque é com todas nós. A violência política de gênero e raça tenta nos calar todos os dias, mas seguimos em pé, de mãos dadas, reafirmando que não seremos interrompidas”, escreveu na publicação.

Na rede social X, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Macaé Evaristo, afirmou que “Marina, simplesmente uma das mais importantes defensoras do meio ambiente, é reconhecida mundialmente”.  

<><> Marina abandona comissão

A ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, onde compareceu como convidada, após um novo ataque misógino do líder do PSDB, Plínio Valério (PSDB-AM).

A nova agressão, nesta terça-feira (27), aconteceu pouco mais de dois meses após Valério dizer que queria "enforcá-la" durante cerimônia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), em 14 de março.

"Imagine o que é tolerar Marina 6 horas e dez minutos sem enforcá-la", disse o senador tucano, sobre a participação de Marina na CPI das ONGs, no Senado.

Nesta terça, Valério voltou à tona e desferiu novo ataque misógino na comissão, comandada pelo bolsonarista Marcos Rogério (PL-RO). Em sua intervenção, em meio a ataques de bolsonaristas, o tucano disse que queria separar "a ministra da mulher", porque  "mulher merece respeito, a ministra não".

Antes do ataque do tucano, Marina teve o microfone cortado diversas vezes por Rogério, que reclamou dizendo que gostaria que ela "fosse uma mulher submissa". "E eu não sou", rebateu a ministra.

"Me respeite, ministra, se ponha no teu lugar”, gritou Rogério, impedindo a ministra de falar e alegando que pediu que ela se colocasse em seu "lugar de ministra de Estado".

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) acusando Marcos Rogério de machismo e de ter faltado com o respeito a Marina Silva. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), também saiu em defesa da ministra e defendeu que ela abandonasse o colegiado em meio às confusões.

Ao final, Marina afirmou que só ficaria na comissão se o senador tucano lhe pedisse desculpas. "Sou uma mulher de luta e de paz. Mas nunca vou abrir mão da luta. Não é pelo fato de eu ser mulher que vou deixar as pessoas atribuírem a mim coisas que não disse", disse Marina.

Sem as desculpas, Marina levantou-se e foi embora, mesmo com ameaças de Valério, que dizia que iria convocá-la para novo depoimento.

<><> "Me senti agredida", diz Marina

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, interrompeu sua participação em uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (27), após se sentir desrespeitada por integrantes do colegiado, destaca o Infomoney.

Durante o debate, que teve como pauta a criação de unidades de conservação no estado do Amapá, Marina protagonizou duros embates com senadores, a ponto de ser impedida de falar e alvo de comentários considerados ofensivos. “Eu me senti agredida fazendo o meu trabalho. Fui chamada para mostrar tecnicamente que as unidades de conservação, que estão sendo propostas para o Amapá, não afetam os empreendimentos”, declarou à imprensa, após deixar o local.

A ministra foi convidada a prestar esclarecimentos sobre os impactos das novas áreas protegidas, mas foi repreendida pelo presidente da comissão, o senador Marcos Rogério (PL-RO), que afirmou que ela deveria “se pôr no seu lugar”. A audiência, que se estendeu por cerca de quatro horas, tornou-se ainda mais tensa quando o senador Plínio Valério (PSDB-AM) reagiu às declarações de Marina sobre a importância do respeito às mulheres. Ele afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Marina então lembrou um episódio anterior envolvendo o mesmo senador, que, após uma sessão no Senado, afirmou que tinha vontade de "enforcá-la".

Em resposta, Marina exigiu um pedido de desculpas. Ao microfone, avisou: “Se o senhor não se desculpar, eu vou me retirar da audiência”. Como o parlamentar não recuou, ela abandonou a sessão. “Eu, graças a Deus, respeito todas as pessoas. Sempre procuro fazer o diálogo. Agora, o que nunca vão ter de mim é submissão”, afirmou. A ministra também comunicou que acionou sua equipe jurídica para avaliar medidas legais cabíveis contra os senadores envolvidos nas agressões.

•        Lula liga para Marina para prestar solidariedade após embate no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, depois de discussões com senadores na Comissão de Infraestrutura do Senado, na manhã desta terça-feira (27/5). O petista teria prestado solidariedade à ministra.

Marina Silva deixou o colegiado, após de se sentir ofendida por declarações do senador Omar Aziz (PSD-AM) e questionou a condução da comissão por Marcos Rogério (PL-RO), presidente do colegiado.

<><> Entenda o que aconteceu

•        Marina Silva participou de uma audiência na Comissão de Infraestrutura no Senado Federal para debater a criação de unidades de conservação na região Norte. Durante a sessão, a ministra teve episódios seguidos de desentendimentos com senadores.

•        Omar Aziz questionou o trabalho realizado por Marina em relação a obra de pavimentação da BR-319, acusou a ministra de “atrapalhar” o desenvolvimento do país e questionou os dados ambientais apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente.

•        Já Marcos Rogério (PL-RO), presidente do colegiado, cortou o microfone da ministra em diversos momentos. Ao ser confrontado por Marina, o senador disse: “Me respeite, ministra, se ponha no teu lugar”.

•        Senador Plínio Valério (PSDB-AM) disse que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Marina então exigiu um pedido de desculpas, que não foi atendido, e a ministra decidiu por se retirar do local.

<><> Reações no governo

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se solidarizou com a ministra e chamou o caso de “vergonhoso”.

“Inadmissível o comportamento do presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, Marcos Rogério, e do senador Plínio Valério, na audiência de hoje com a ministra Marina Silva. Totalmente ofensivos e desrespeitosos com a ministra, a mulher e a cidadã. Manifestamos repúdio aos agressores e total solidariedade do governo do presidente Lula à ministra Marina Silva”, escreveu Gleisi na rede social X.

Também por meio das redes sociais, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, manifestou solidariedade a Marina.

“Marina Silva é minha amiga, minha referência. Hoje, ela foi desrespeitada, interrompida, silenciada, atacada no Senado, enquanto exercia sua função como Ministra do Meio Ambiente”, disse a titular da Igualdade Racial.

•        Gleisi manifesta repúdio a ataques contra Marina Silva em sessão do Senado

A sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado, realizada nesta terça-feira (27), foi palco de tensões, com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixando a audiência após ser alvo de ataques machistas vindos de senadores da oposição.

O comportamento dos parlamentares gerou reação do governo. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou as redes sociais para criticar os ataques e, principalmente, o comportamento do presidente da Comissão, o bolsonarista Marcos Rogério (PL-RO), e do senador Plínio Valério (PSDB-AM), durante a sessão.

“Totalmente ofensivos e desrespeitosos com a ministra, a mulher e a cidadã. Manifestamos repúdio aos agressores e total solidariedade do governo do presidente Lula à ministra Marina Silva”, escreveu no X.

Durante a sessão, Marina Silva enfrentou constantes interrupções por parte do presidente do colegiado. Em determinado momento, teve até o microfone cortado e reagiu: “O senhor gostaria que eu fosse uma mulher submissa. E eu não sou.” A fala provocou uma resposta dura de Marcos Rogério, que retrucou: “Me respeite, ministra, se ponha no teu lugar.” Após a repercussão negativa da frase, ele tentou suavizar a declaração, dizendo que se referia ao “lugar de ministra de Estado”.

A tensão na audiência também cresceu após um comentário do senador amazonense, que tentou separar a pessoa da ministra: “Quero separar a mulher da ministra, porque a primeira merece respeito, a segunda, não.”

Marina reagiu, exigindo um pedido de desculpas. Diante da recusa do senador, ela optou por se retirar do plenário.

 

Fonte: Brasil 247/Brasil de Fato

 

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