Oferta
e dízimo: como a Teologia da Prosperidade transforma fé em dinheiro para
pastores ficarem milionários
A fé
deveria ser um lugar de conforto e reflexão, mas para alguns líderes
religiosos, virou um grande negócio. Muitas igrejas exploram a insegurança dos
fiéis para arrecadar dinheiro, usando a Teologia da Prosperidade como
justificativa.
O
discurso convence as pessoas de que precisam dar dinheiro em troca de bênçãos.
Na prática, pastores acumulam milhões enquanto os seguidores seguem endividados
e frustrados.
No
Brasil, essa lógica se espalhou e criou um mercado lucrativo, onde a fé virou
mercadoria e a espiritualidade, um pretexto para a arrecadação. Quem questiona,
ouve que está “roubando de Deus”. Quem doa e não vê resultado, se sente culpado
por “não ter fé suficiente”.
Redes
de templos, programas de TV, canais no YouTube e até partidos políticos
sustentam esse ciclo, onde a arrecadação nunca para. Mas o que há por trás
disso? Como essa doutrina convence milhões de brasileiros a doar dinheiro,
mesmo quando falta para o essencial?
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O que é a Teologia da Prosperidade?
A
Teologia da Prosperidade é um modelo de crença que relaciona riqueza à fé. A
ideia principal é que, se você dá dinheiro para a igreja, Deus te retribui com
bênçãos financeiras, cura e sucesso.
Se você
está desempregado ou passando dificuldades, o problema não é a falta de
políticas públicas ou o impacto da economia. O problema, segundo essa doutrina,
é você mesmo. Ou você tem fé e contribui com oferta e dízimo ou está condenado
a continuar sofrendo.
Esse
discurso se baseia em três pilares:
1. A culpa é sempre do fiel: se a vida não
melhora, é porque você não contribuiu o bastante.
2. O pastor é um intermediário direto de
Deus: ele tem “autoridade espiritual” para determinar bênçãos e maldições.
3. Dinheiro é sinal de santidade: se o
pastor é rico, é porque Deus está abençoando sua igreja.
Então,
se o fiel é pobre, ele ainda não é digno de bênçãos.
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Como essa doutrina chegou ao Brasil?
A
Teologia da Prosperidade nasceu nos Estados Unidos, no início do século XX. Seu
maior divulgador foi o pastor Kenneth Hagin, que afirmava que a fé tinha o
poder de transformar a realidade material. Essa ideia se espalhou pelo mundo
com o crescimento do neopentecostalismo.
No
Brasil, igrejas como a Assembleia de Deus Vitória em Cristo e a Igreja
Universal do Reino de Deus adotaram essa doutrina como base. Silas Malafaia,
Edir Macedo e outros líderes neopentecostais transformaram o dízimo em um
sistema de arrecadação altamente lucrativo, onde a fé se torna um produto
vendido a cada culto.
Os
fiéis doam acreditando que vão receber algo em troca. Enquanto isso, os
pastores acumulam patrimônio e investem no próprio poder. Não há transparência
sobre o destino dessas doações. As igrejas crescem, abrem novas sedes e
investem cada vez mais em campanhas políticas, garantindo influência e poder.
Mas, se
esse modelo é tão explorador, por que tantas pessoas continuam presas a ele?
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O dízimo virou obrigação, não um ato de fé
A
arrecadação não acontece só pelo convencimento. Há um jogo psicológico muito
bem estruturado. As igrejas criam um ambiente onde os fiéis se sentem
constantemente pressionados a doar. Isso acontece por meio de estratégias como:
• Constrangimento público: o fiel recebe
um envelope e precisa devolvê-lo com dinheiro. Quem não contribui, se sente
exposto.
• Testemunhos ensaiados: pessoas são
chamadas ao palco para contar como melhoraram de vida depois de doar.
• Pressão e culpa: pastores dizem que quem
não contribui está “roubando de Deus” e pode sofrer consequências.
• Promessa de retorno financeiro: a doação
é vendida como um “investimento”, onde quanto mais você dá, maior será a
retribuição.
Se essa
lógica fosse real, os mais pobres já teriam saído da miséria há muito tempo.
Mas, na prática, o dinheiro arrecadado não volta para a comunidade. Ele
financia grandes estruturas, influencia eleições e mantém o conforto de quem
está no topo da hierarquia religiosa.
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Quem está ficando rico com o dinheiro dos fiéis?
A
arrecadação de ofertas e dízimos movimenta bilhões no Brasil, sem
transparência. Enquanto os fiéis fazem sacrifícios para manter as igrejas
funcionando, pastores acumulam patrimônio e influência política.
O
pastor Silas Malafaia, por exemplo, já foi flagrado ensinando estratégias para
arrecadar dinheiro de fiéis. Em um vídeo, ele afirma que “ou dá a oferta porque
ama ou dá a oferta porque é constrangido. Azar o dele”. A justificativa é
irrelevante, desde que o dinheiro entre.
Esse
dinheiro não fica apenas dentro das igrejas. Ele também financia políticos
alinhados a interesses religiosos. Um exemplo é a decisão do governador
Tarcísio de Freitas, que isenta igrejas do pagamento de ICMS. Isso significa
que os pastores podem importar bens, incluindo carros de luxo, sem pagar
impostos, desde que aleguem “uso religioso”.
Além
disso, algumas igrejas aparecem em investigações criminais. A Polícia Federal
já encontrou ligações entre igrejas e milícias, revelando que parte do dinheiro
doado pode estar financiando crimes.
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Pastores pedem sacrifício, mas vivem no luxo
Muitos
pastores pedem doações e falam sobre sacrifício financeiro, mas vivem de forma
bem diferente dos fiéis que sustentam suas igrejas. Casas amplas, carros de
luxo e viagens internacionais fazem parte da rotina de líderes que
transformaram a fé em um negócio altamente lucrativo.
O
discurso sobre oferta e dízimo mantém esse sistema funcionando. A promessa de
que “quem doa, recebe em dobro” incentiva fiéis a contribuírem, mesmo quando
enfrentam dificuldades. Mas, no topo da hierarquia religiosa, a prosperidade
parece estar garantida apenas para os próprios pastores.
Silas
Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é um dos exemplos mais
conhecidos. Ele construiu um império pregando sobre prosperidade e arrecada
milhões por ano com sua igreja. Mas não é o único.
• Virgínio de Carvalho (Assembleia de Deus
em Sergipe) aumentou seu patrimônio em 5.800% em 10 anos, comprando imóveis e
carros de alto valor.
• O pastor Geraldo dos Santos Filho, da
Assembleia de Deus Para as Nações, foi preso por usar igrejas para lavar
dinheiro do PCC.
• Líderes da Bola de Neve foram acusados
de manipular documentos para assumir o controle da igreja e faturar R$500 mil
com dízimo.
Esses
casos mostram como o modelo de arrecadação sem transparência favorece o
enriquecimento de poucos. As igrejas não são obrigadas a prestar contas, e
muitos pastores usam sua influência política para manter essa estrutura
protegida.
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Como o dinheiro da igreja influencia a política?
Além de
sustentar o estilo de vida de alguns pastores, o dinheiro arrecadado com oferta
e dízimo também financia campanhas políticas e fortalece grupos conservadores.
Igrejas evangélicas se tornaram ferramentas para mobilizar eleitores,
influenciar decisões e proteger interesses religiosos no Congresso.
Durante
as eleições, cultos viram espaço para discursos políticos, e fiéis são
incentivados a votar em determinados candidatos. O medo e a promessa de um
“governo cristão” são usados como estratégia para garantir apoio nas urnas.
Silas
Malafaia, por exemplo, foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro. Durante
o governo, líderes religiosos receberam benefícios fiscais e cargos públicos
como reconhecimento pelo apoio. Igrejas passaram a atuar ativamente na
política, impulsionando candidatos e defendendo leis que mantêm suas vantagens.
A
bancada evangélica no Congresso trabalha para impedir investigações sobre o
dinheiro das igrejas. Sempre que há alguma proposta para fiscalizar essas
instituições, deputados e senadores ligados a esses grupos reagem contra.
Isso
significa que parte do dinheiro doado pelos fiéis pode estar sendo usada para
bancar campanhas eleitorais e garantir privilégios para as próprias lideranças
religiosas. Enquanto fiéis acreditam estar contribuindo para a obra de Deus,
esse dinheiro pode estar circulando nos bastidores da política.
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A falta de fiscalização sobre oferta e dízimo
Igrejas
têm isenção de impostos, o que significa que bilhões de reais circulam por
essas instituições sem fiscalização rigorosa. Diferente de empresas e outras
organizações, elas não precisam prestar contas sobre suas arrecadações.
Esse
modelo abre espaço para práticas que podem incluir:
• Lavagem de dinheiro: recursos sem origem
clara que passam por templos antes de serem usados em outras transações.
• Enriquecimento ilícito: pastores que
acumulam bens de alto valor sem transparência sobre a origem do dinheiro.
• Evasão fiscal: uso da isenção tributária
para evitar o pagamento de impostos sobre grandes quantias.
• Uso político: financiamento indireto de
campanhas eleitorais e troca de favores com políticos.
O
problema não está na fé, mas no uso dela para justificar a arrecadação sem
controle. Com pouca fiscalização, igrejas funcionam como empresas que
movimentam grandes quantias sem precisar explicar como o dinheiro é gasto.
Enquanto isso, fiéis continuam sendo incentivados a doar, sem saber exatamente
para onde vai esse dinheiro.
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Como identificar e evitar a exploração financeira nas igrejas?
Ter fé
não significa sustentar o luxo de pastores milionários. Muitas igrejas
constroem uma relação de confiança com seus fiéis, mas usam essa proximidade
para arrecadar dinheiro sem transparência.
Se você
contribui financeiramente, vale a pena refletir sobre algumas questões:
• A igreja informa como o dinheiro é
gasto? Se não há transparência, há motivo para desconfiança.
• O pastor tem uma vida simples ou acumula
bens de alto valor? Se há ostentação, o discurso sobre sacrifício pode ser
apenas para os fiéis.
• Há pressão para doar sob a promessa de
bênçãos? Se a contribuição se torna uma obrigação para que você seja abençoado,
pode haver manipulação.
• A igreja defende isenções fiscais para
líderes religiosos? Se há esforço para evitar fiscalização, pode haver
interesses que vão além da fé.
Se
algumas dessas respostas forem “sim”, talvez seja o momento de questionar para
onde está indo sua contribuição. Religiões devem servir à comunidade, e não a
interesses privados.
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A fé não pode ser usada como instrumento de exploração
A ideia
de oferta e dízimo foi transformada em um sistema de arrecadação que favorece
poucos. Muitos pastores acumularam patrimônio ao longo dos anos, enquanto os
fiéis continuam sendo incentivados a doar sem saber exatamente como o dinheiro
é usado.
O que
deveria ser um ato voluntário virou um compromisso quase obrigatório dentro de
algumas igrejas. A fé passou a ser associada a contribuições financeiras, como
se fosse preciso pagar para receber bênçãos ou proteção.
Se a
religião faz parte da sua vida, ela deve ser um espaço de acolhimento e
aprendizado, não um sistema que exige dinheiro em troca de promessas.
Questionar essa estrutura não significa perder a fé, mas entender que ninguém
deveria enriquecer às custas da crença dos outros.
• As igrejas viraram um grande negócio
para ganhar dinheiro?
A
maioria das igrejas neopentecostais (e algumas pentecostais), senão todas,
pregam a teologia da prosperidade, que nada mais é do que "vestir Deus
como um mascate, que empresta dinheiro a juros de 100%.
Ignorando
a todo custo que Jesus Cristo, o filho de Deus, não possuía nenhum bem material
além das roupas que usava (Mateus 8:20: "Mas Jesus lhe disse: “As raposas
têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde deitar
a cabeça.”, com relato paralelo em Lucas 9:58) e incentivava todos os que podia
a se dedicarem para a obra do Reino de seu Pai, não para empenhos materiais
(Marcos 10:21,22: "Jesus olhou para ele e, sentindo amor por ele, disse:
“Falta uma coisa a seu respeito: vá, venda o que você tem e dê o dinheiro aos
pobres, e você terá um tesouro no céu; e venha ser meu seguidor.” Mas ele ficou
triste com a resposta e foi embora abatido, porque tinha muitas posses."),
orientando os que iriam pregar (inicialmente os 12 apóstolos em Mateus 10 e
depois outros 70 discípulos em Lucas 10, então cai por terra a falácia de que
somente os líderes da igreja devem pregar e ensinar) a sequer levar uma bolsa,
para que não recebessem dinheiro, em absoluto contraste os clérigos, pastores e
religiosos em nosso tempo que ensinam que o que o fiel der a Deus ele devolverá
em dobro, via de regra vivem uma vida de luxo em mansões, com carros caríssimos
e jatinhos.
Se
alguém tem dúvida de que esta é uma realidade de muitas igrejas como a igreja
universal do reino de Deus, igreja mundial do poder de Deus, igreja
internacional da graça de Deus, igreja renascer em Cristo, somente para citar
alguns exemplos, serem gigantescos caça níqueis deve urgentemente procurar um
profissional da saúde mental...
Contudo,
algo parecido também acontece em denominações como a igreja católica, basta ver
os inúmeros casos de abusos e desvios do dinheiro doado pelos fiéis.
• Documentário retrata a multiplicação de
igrejas e crentes no país
O
Brasil está se tornando um país evangélico. E uma tendência ganha força: as
igrejas que mais crescem são as de bairro, nas periferias nas grandes cidades e
também no interior – são redes locais de solidariedade e fé.
Os
cristãos evangélicos são o segmento religioso que mais cresceu no Brasil nos
últimos 30 anos. A maioria das congregações são pequenas igrejas de bairro,
como a que a família de Alice frequenta, que não chega a ter 100 pessoas.
Alice é
muito sensível a barulhos e usa fones de ouvido. "Ninguém aqui nunca se
importou. Tem mais de um autista aqui além dela, tem outras crianças. E a gente
deixa à vontade", explica a mãe de Alice.
As
igrejas evangélicas brasileiras crescem junto com as grandes cidades. Nelas,
trabalhadores em busca de melhores oportunidades formam laços espirituais e
comunitários.
Em
Natal, o grupo de mulheres da professora Kelly Lima pacificou um lugar muito
violento. A igreja chegou à comunidade Novo Horizonte, antiga favela do Japão,
em 1996. Os moradores contam que a região era muito violenta até então.
"Quatro mulheres foram contratadas para visitar as famílias da
comunidade", recorda Kelly. "Isso começou a mudar a realidade da
violência", afirma.
O
Pastor Bruno trabalha com recuperandos de dependência química. A missionária
Cleide Soares cuida de mulheres no presídio feminino. E a própria Kelly lidera
um projeto que oferece aulas de taekwondo para mais de 90 jovens.
O
Pastor José Marcos, de Recife, destaca a importância de evitar a intolerância
religiosa: "Não pode ter intolerância religiosa. Eu vou dizer uma coisa.
Se a gente não botar freio nisso, a gente vira um talibã gospel."
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Raio-X das igrejas evangélicas
Uma
pesquisa publicada em 2019 registrou quase 110 mil igrejas evangélicas em todos
os estados e no Distrito Federal - o levantamento não inclui igrejas sem CNPJ.
"A
gente pode ver essa diversidade em dois grupos principais: dos evangélicos
históricos, que são predominantemente evangélicos de classe média, e o
pentecostalismo. A partir desses grupos, tem centenas ou milhares de
subdivisões", resume o antropólogo Juliano Spyer, que já escreveu dois
livros sobre os evangélicos brasileiros.
Ele
também explica por que os evangélicos se chamam de crentes: "Crente tá na
Bíblia. Nós cremos num Evangelho que transformar, num evangelho que é uma boa
notícia que chega pra trazer paz, alegrias, justiça. O amor, ele é exercitado,
ele é aprendido no atrito, na diferença. Ser evangélico é ser amante do
amor."
"Os
membros são majoritariamente pretos ou pardos, pobres, periféricos, jovens, e a
maior parte são mulheres", resume Spyer sobre o perfil dos crentes.
No
bairro do Grajaú, periferia no extremo sul de São Paulo, Juliano mostra como a
pesquisa dele é feita em campo: percorrendo o território de moto, ele foi
marcando igreja por igreja no mapa.
"Em
100 metros, você tem Assembleias de Deus de ministérios diferentes, que é a
característica da Assembleia de Deus, né? O ministério significa que aquilo
dali é uma igreja por ela mesma. As referências passam também nas lojas, então
antes você tinha Mercadinho São Paulo, São Bento, e agora você vê ali uma
referência 'Bar da Rose - Deus é Fiel'", revela Juliano.
• Abrir igrejas é um ótimo negócio no
Brasil
Segundo
dados da Receita Federal, o número de igrejas no Brasil subiu de 10 mil em 2006
para 25 mil em 2018. Significa que 1.250 são abertas por ano no País, o que dá
uma média de 3,4 igrejas por dia.
Enquanto
você lê esta nota, provavelmente alguém fundou um novo templo na rua da sua
casa. E nessa conta, estão apenas igrejas com CNPJ, não entram seitas e nem
cultos sem registro formal.
Por
conta disso, a renda das igrejas subiu de R$ 13,3 bilhões em 2006 para R$ 24, 4
bilhões em 2013, último ano cujos dados estão disponíveis.
O
dinheiro de doações e dízimos chegam, segundo cálculos da Folha, a R$ 88
milhões por dia. Vamos repetir: R$ 88 milhões! Por dia! Esses valores são
imunes à tributação, ao contrário do seu salário que já sai com os devidos
descontos.
Fonte: ICL
Notíciaa/Quora/ig/IstoÉ

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