quarta-feira, 30 de abril de 2025

Leonardo Attuch: O fiasco dos 100 dias de Trump é uma excelente notícia para o mundo

A queda abrupta e consistente da popularidade do presidente estadunidense Donald Trump nos primeiros 100 dias de seu segundo mandato é uma excelente notícia para o mundo. O fiasco trumpista comprova que a fórmula da extrema-direita global, baseada em ódio, xenofobia e ataques às instituições democráticas, está se esgotando. Segundo pesquisa divulgada neste domingo, apenas 39% aprovam a gestão Trump, enquanto 55% desaprovam e 5% não responderam. Trata-se da pior aprovação para um presidente norte-americano em início de mandato desde 1953.

O desgaste, desta vez, é ainda mais acelerado do que no primeiro mandato. A maioria dos norte-americanos (73%) afirma que a economia dos EUA está em má situação, 53% dizem que ela piorou desde a posse de Trump para o segundo mandato, e 41% relatam deterioração em suas finanças pessoais. A guerra comercial contra a China, principal aposta de Trump na política externa, já mostrou ser um tiro pela culatra: 71% dos entrevistados apontam que as tarifas de importação impostas recentemente agravaram a inflação. Lançada por Trump de forma infantil e ao mesmo tempo prepotente, essa estratégia gerou apenas prejuízo, volatilidade nos mercados financeiros e, no fim, recuos humilhantes por parte do presidente, além de incerteza para os agentes econômicos.

O colapso de Trump certamente irá repercutir para além das fronteiras dos Estados Unidos. Como o grande fiador da extrema-direita internacional, Trump emulou uma geração de políticos que agora também começa a afundar junto com ele. Na América Latina, o reflexo será inevitável. Experimentos grotescos como o de Javier Milei na Argentina, tendem a perder sustentação e ele dificilmente resistirá sem o "apadrinhamento" ideológico trumpista.

No Brasil, os impactos também virão – e serão positivos. Jair Bolsonaro, que pretendia ser salvo da cadeia por Donald Trump, ficará sem padrinho. E Tarcísio de Freitas, o governador paulista que, numa demonstração de subserviência caricata, vestiu o boné do "Make America Great Again" no dia de sua posse, mais cedo ou mais tarde terá que se explicar.

A boa notícia para o mundo é que o fracasso de Trump e de seus imitadores abre espaço para uma nova etapa histórica: o fortalecimento de um mundo multipolar, menos submisso a impulsos autoritários e mais comprometido com o diálogo, a cooperação e o respeito à soberania dos povos. A era do bullying, das bravatas estéreis e do nacionalismo raivoso perde força, abrindo caminho para uma reconstrução democrática baseada na inclusão, na diversidade e na paz.

O fiasco de Trump, portanto, deve ser comemorado, pois abre uma janela de esperança para que o mundo possa, enfim, virar a página da extrema-direita grotesca que tanto atrasou o progresso da humanidade nos últimos anos.

¨      Trump surta contra pesquisas, enquanto comércio China-EUA entra em parafuso. Por Luiz Carlos Azenha

O transporte de mercadorias entre a China e os Estados Unidos está desabando, de acordo com dados do porto de Los Angeles e da Vizion, empresa que monitora o tráfego de contêineres.

De acordo com o Financial Times, a empresa Hapag-Lloyd registrou o cancelamento de 30% das reservas feitas por empresas chinesas que abastecem o mercado estadunidense.

O porto de Los Angeles, principal entrada para os contêineres que chegam da China, espera uma queda de um terço nos desembarques a partir de 4 de maio em relação ao ano anterior.

De acordo com a Vizion, as reservas para o contêiner padrão na China haviam caído 45% na metade de abril, também em relação aos doze meses anteriores.

Desde que Donald Trump declarou tarifaço unilateral, os EUA passaram a cobrar tarifas acumuladas de 145% sobre produtos chineses. 

A China segue dizendo que não está negociando oficialmente -- depois de impor suas próprias tarifas de 125% sobre importados dos EUA.

<><> Pequenos empresários em risco

Os pequenos empresários dos EUA que dependem de importações chinesas serão os primeiros afetados.

A CNN usou como exemplo o casal Christina e Ian Lacey, de Denver, no Colorado, que se sustenta produzindo bijuteria especializada para venda em festivais de música. Os dois tentaram conseguir fornecedores domésticos para o material importado da China, mas não conseguiram.

O primeiro impulso da dupla foi aumentar os preços, para tentar preservar o negócio que rende o equivalente a R$ 2 milhões anuais.

Como os dois, milhares de outros pequenos empresários estadunidenses dependem de matéria prima chinesa.

O risco de aumento da inflação por causa do tarifaço fez a popularidade de Trump despencar.

Para a rede CNN, a mais baixa de um presidente ao completar 100 dias de mandato nos últimos 70 anos.

Pela pesquisa, só 39% aprovam como o ocupante da Casa Branca está lidando com a economia.

<><> Dupla taxação

Um segundo risco ronda interesses econômicos importantes dos Estados Unidos: empresas que produzem na China podem ser obrigadas a lidar com dupla taxação ao calcular seus preços.

A Apple e a Tesla, por exemplo, dependem de fornecedores chineses que terão de pagar 125% para trazer componentes dos Estados Unidos para a China.

Já os produtos prontos terão de pagar os 145% impostos por Trump para abastecer o mercado estadunidense.

Por causa da pressão doméstica de gente endinheirada, Trump já deu vários passos atrás no tarifaço, enquanto a Casa Branca corre para tentar fechar acordos comerciais.

Quanto à China, o próprio secretário do Tesouro Scott Bessent disse que as tarifas são insustentáveis:

Acredito que cabe à China reduzir a tensão, porque eles vendem-nos cinco vezes mais do que nós lhes vendemos, e por isso estas tarifas de 120%, 145% são insustentáveis.

Já a agência chinesa Xinhua deu o tom da cobertura da crise na China, destacando que consumidores e empresas dos EUA estão se preparando para enfrentar "dor econômica".

Citou relatório de um analista da Apollo Global Management, divulgado no domingo, 27, que cita executivos da Pepsi, Chipotle e da empresa aérea Southwest:

Executivos de transportes, serviços de alimentação e bens de consumo estão relatando condições recessivas e maior cautela do consumidor.

A culpa "é dos pesquisadores"

Donald Trump, por sua vez, atacou as empresas de pesquisa, citando especificamente os dados de sua popularidade em queda recém-divulgados pelo New York Times e Washington Post.

"Pesquisas falsas de organizações de notícias falsas", escreveu em sua rede Truth Social. Segundo Trump, são fruto de adversários "doentios".

Postagens feitas de madrugada, com várias frases em maiúsculo, são em geral um termômetro do mau humor presidencial.

Sobrou até para a Fox News, apoiadora de Trump, cuja pesquisa mostrou que 58% desaprovam as tarifas impostas pela Casa Branca. 54% acreditam que o republicano está causando danos à economia dos EUA.

Em uma pesquisa paralela, a Fox informou que hoje os democratas são favoritos (49% a 42%) para vencer as eleições de meio de mandato em 2026.

¨      Aprovação de Milei despenca na Argentina após tarifaço de Trump

A aprovação do presidente argentino Javier Milei caiu em 4,7 pontos percentuais (p.p), de acordo com a pesquisa Latam Pulse divulgada nesta segunda-feira (28) pela AtlasIntel e Bloomberg. Sua rejeição, contudo, se mantém estável desde março.

As preocupações dos argentinos com o custo de vida e a corrupção também aumentaram, chegando a 53% e 51,8% dos entrevistados respectivamente. Além disso, 47% dos argentinos ainda acreditam que a situação do país deve piorar nos próximos seis meses, e 46,6% creem que uma recessão no próximo ano é “muito provável”.

O levantamento revela que 58,6% dos argentinos se preocupam com o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump – e, destes, 48% afirmam que isso impactará negativamente o crescimento econômico da Argentina, com 48,5% duvidando da capacidade do governo de Milei de negociar uma redução com os EUA.

<><> Estrago feito pelo tarifaço

Até mesmo a imagem de Trump e dos EUA foi afetada pelo tarifaço que atingiu os argentinos: 55,9% veem negativamente os EUA e 59,7% veem Trump igualmente de forma negativa.

Se, por um lado, a aprovação de Milei caiu, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil subiu: houve uma reversão na tendência de queda de popularidade que o acompanhava desde abril de 2024. Sua avaliação positiva oscilou positivamente 1,2 ponto percentual em abril, enquanto sua rejeição caiu 3,5 pontos.

¨      Países estão se afastando dos EUA em meio às políticas de Trump

A ideologia “América em Primeiro Lugar” do presidente dos EUA, Donald Trump, que, de modo geral, prioriza o nacional em detrimento do internacional, baseia-se na suposição de que o mundo precisa mais da América do que do mundo. Isso pode ser verdade para o status quo. Os EUA são o maior importador do mundo e estão entre os maiores exportadores, de acordo com a World Integrated Trade Solution , um banco de dados fornecido pela Organização Mundial do Comércio. E suas políticas já estão sendo sentidas: fábricas na China estão com dificuldades para atender suas carteiras de pedidos devido ao aumento dos custos de exportação para os EUA.

Mas mudanças estão em andamento. Os países estão encontrando maneiras de responder aos gestos nacionalistas de Trump.

As nações do Sudeste Asiático, que sofreram o impacto das tarifas de Trump, estão se unindo para aumentar o comércio intra-regional e diversificar seus destinos de exportação. A China, após avaliar a gravidade das ameaças de Trump, parece estar pronta para fortalecer seu estímulo fiscal e também está expandindo para outros mercados no exterior.

Não é como se os EUA tivessem o monopólio de todos os aspectos dos assuntos internacionais. A China controla grande parte da cadeia de suprimentos de elementos de terras raras, bem como minerais críticos como níquel e cobre. O sinal verde de Trump para a mineração em águas profundas desses elementos é um sinal de que os EUA estão tentando alcançar a China.

Uma política de “América Primeiro” pode surtir o efeito contrário, pois leva outros países a tomar medidas que podem deixar os EUA para trás.

  • Os mercados asiáticos sobem

Os principais índices dos EUA subiram na sexta-feira, concluindo a semana no positivo. O S&P 500 subiu 0,74% na sexta-feira, marcando sua primeira sequência de quatro dias de ganhos desde janeiro. O Nasdaq Composite avançou 1,26% e o Dow Jones Industrial Average subiu 0,05%. No entanto, os futuros de ações recuaram ligeiramente no domingo à noite, horário local.

Os mercados da Ásia-Pacífico subiram na segunda-feira. O Nikkei 225 do Japão adicionou cerca de 0,4%. As ações da Toyota Motor listadas em Tóquio subiram aproximadamente 3,7% com base em relatórios de que a empresa está explorando um acordo potencial de 6 trilhões de ienes (US$ 42 bilhões) para adquirir a Toyota Industries.

  • China pede mais apoio econômico

A China planeja ajudar empresas em dificuldades com “múltiplas medidas” e pediu por “reduções oportunas” nas taxas de juros diante de “choques externos crescentes”, de acordo com uma leitura de uma reunião do Politburo presidida na sexta-feira pelo presidente Xi Jinping, traduzida pela CNBC.

A reunião do Politburo, o segundo órgão político mais poderoso da China, ocorre enquanto a guerra comercial entre os EUA e a China esquenta.

  • Fábricas na China interrompendo o trabalho

Fabricantes chineses estão pausando a produção e enviando trabalhadores para casa à medida que o impacto das tarifas dos EUA se instala, de acordo com empresas e analistas.

Esse fenômeno está ocorrendo principalmente nos polos de exportação de Yiwu e Dongguan por enquanto, disse Cameron Johnson, sócio sênior da consultoria Tidalwave Solutions, com sede em Xangai.

Mas as empresas chinesas já estão voltando-se para clientes na Europa e na América Latina para compensar a desaceleração das exportações para os Estados Unidos.

  • Trump assina ordem para impulsionar a mineração em águas profundas

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quinta-feira uma ampla ordem executiva para acelerar a prática controversa de mineração em águas profundas, que utiliza máquinas pesadas para remover minerais e metais do fundo do mar.

A medida tenta garantir o acesso da América a minerais estratégicos como níquel, cobre e elementos de terras raras, compensando a posição dominante da China nas cadeias de suprimentos de minerais críticos.

  • Países do Sudeste Asiático se voltam uns para os outros

Países asiáticos orientados para exportação foram duramente atingidos pelas tarifas “recíprocas” de Trump e pela subsequente guerra comercial entre EUA e China. A China é uma das maiores parceiras comerciais desses países, enquanto os EUA servem como parceiro estratégico em áreas como defesa e desenvolvimento.

No entanto, em vez de escolher um lado, as nações da região estão desenvolvendo suas próprias economias e fortalecendo os laços comerciais entre si.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum/CNBC

 

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