sábado, 26 de abril de 2025

Guerra Ucrânia-Rússia: Moscou avalia o uso de armas nucleares “em caso de ataque ocidental”

O massacre enquanto se falava em trégua. Enquanto o presidente americano Donald Trump diz estar convencido de que chegou a um acordo com Moscou sobre o cessar-fogo (disse ele: "Tenho certeza de que temos um acordo com a Rússia, mas pensei que seria mais fácil lidar com Zelensky"), um bombardeio pesado chega a Kiev com mísseis e drones. Houve 9 mortos e mais de 60 feridos na capital. Enquanto escavavam e procuravam pessoas sob os escombros, os socorristas temem que o número de mortos se torne ainda mais dramático. Para aqueles que conseguiram escapar, a noite foi passada em estações de metrô e garagens.

<><> Shoigu: “Em caso de agressão ocidental, reservamo-nos o direito de usar armas nucleares”

A Rússia reserva-se o direito de usar armas nucleares em caso de agressão por países ocidentais. Isto foi afirmado pelo secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa e ex-ministro da Defesa Sergei Shoigu em entrevista à Tass. "Em novembro de 2024, foram feitas alterações aos Fundamentos da Política de Estado da Federação Russa no campo da dissuasão nuclear, segundo as quais a Rússia se reserva o direito de usar armas nucleares em caso de agressão", lembrou. A Rússia, de acordo com Shoigu, "está monitorando de perto os preparativos militares dos países europeus".

"De acordo com a Estratégia de Segurança Nacional da Federação Russa, no caso de estados estrangeiros cometerem ações hostis que representem uma ameaça à soberania e à integridade territorial da Federação Russa, nosso país considera legítimo tomar as medidas simétricas e assimétricas necessárias para suprimir tais ações e impedir sua repetição", acrescentou Shoigu.

A dissuasão nuclear, como observou o secretário do Conselho de Segurança, "é implementada contra Estados e coalizões militares que consideram a Rússia um inimigo em potencial e possuem armas de destruição em massa ou potencial de combate significativo de forças polivalentes".

o        Negociações de paz entre Rússia e Ucrânia estão cada vez mais distantes

O violento ataque no centro Sumy matou 32 adultos e duas crianças, deixou 117 feridos, entre eles 15 crianças, e deixou poucas dúvidas, segundo analistas europeus, sobre a intenção de Putin punir os ucranianos desta cidade, que serve de base para o vaivém de soldados ucranianos que invadiram a região russa de Koursk, do outro lado da fronteira. Atualmente, as tropas ucranianas ainda ocupam uma pequena área de Koursk, e os moradores de Sumy viviam com a apreensão de um bombardeio de retaliação. Depois do ataque em Sumy, o presidente Donald Trump evitou incriminar Moscou. O republicano disse ter sido informado pelos russos que houve "um erro terrível". Já o emissário especial da Casa Branca para a Ucrânia, Keith Kellog, denunciou um bombardeio "inaceitável", que ultrapassou "os limites da decência".

O ataque em Sumy aconteceu dois dias depois da visita do enviado de Washington, Steve Witkoff, encontrar-se com Putin em São Petersburgo, e um dia depois de outra delegação, chefiada pelo mesmo Witkoff, manter conversas indiretas com autoridades do regime iraniano em Omã. Oficialmente, o tema da agenda com os iranianos é o futuro do programa nuclear de Teerã, que está perto de conseguir a fabricação de uma bomba atômica.

<><> Futuro chanceler alemão avalia entrega de mísseis a Kiev

O futuro chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que Putin cometeu um "grave crime de guerra" ao bombardear civis ucranianos em Sumy. Segundo o jornal Le Figaro, Merz estaria disposto a fornecer mísseis de longo alcance para a Ucrânia, do modelo Taurus, capazes de atingir o território russo a longa distância do front de guerra. Para Merz, essa entrega depende apenas de uma coordenação entre Berlim e os demais europeus aliados de Kiev.

Ao Le Monde, o deputado ucraniano Oleksandr Merezhko, do partido do presidente Volodymyr Zelensky, recorda que "a ideia de Trump era ter um cessar-fogo antes da Páscoa". Com o ataque a Sumy, diz o deputado, Putin envia a seguinte mensagem para Trump: "Ou você aceita minhas condições nas negociações, ou nunca conseguirá um cessar-fogo até a Páscoa e parecerá fraco", afirma o deputado, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento ucraniano.

<><> Conexão russo-iraniana

Em entrevista à emissora BFMTV, o professor de política internacional Gilles Kepel, da Universidade Paris Ciências e Letras, especialista no mundo árabe contemporâneo, afirmou que a solução do conflito ucraniano está cada vez mais opaca. Enquanto as negociações com Moscou não avançam, Trump voltou sua atenção para o Irã.

Kepel recorda que o regime dos aiatolás iranianos foi profundamente enfraquecido desde que Israel retaliou o Hamas pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 e também desmantelou o Hezbollah libanês, que eram os braços armados que o Irã usava para impedir que Israel se consolidasse, na região, na posição de potência regional. O Irã não tem mais condições de atacar Israel, constata o especialista.

De forma esquemática, este cientista político explica que uma das hipóteses que pode estar sendo negociada pela equipe de Trump, nessa reaproximação com Moscou, é que a Rússia abra mão de seu apoio ao Irã no Oriente Médio, para deixar a região sob o controle de Israel, aliado de Washington. Se Putin aceitasse essa proposta americana, em troca, os Estados Unidos poderiam deixar para os europeus resolverem o enfrentamento direto desse conflito na Europa.

Kepel adverte que essa reconfiguração geopolítica está longe de concluída. O que os estudiosos da região fazem, enquanto as conversas diplomáticas acontecem sob sigilo, é antecipar os elementos que podem estar em discussão e os diferentes cenários possíveis. O professor lembrou que informações desse tipo jamais chegarão ao conhecimento dos jornais.

Para alguns analistas, Trump já demonstrou que não conseguiu convencer Putin de uma trégua na Ucrânia e pode ter avançado seus peões para um acerto geopolítico maior, envolvendo os interesses americanos e israelenses no Oriente Médio.

De acordo com uma declaração do Kremlin nesta segunda-feira, as conversas Putin e o americano Steve Witkoff, que ocorreram na sexta-feira em São Petersburgo, foram "extremamente úteis e eficazes".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, elogiou um canal de comunicação que permite que as autoridades da Rússia e dos Estados Unidos conversem diretamente sobre "diversos elementos de suas posições sobre todo tipo de questões". O encontro entre Putin e Witkoff, o terceiro desde fevereiro, abordou os "aspectos da resolução ucraniana", segundo a presidência russa.

¨      Kremlin faz alerta contra negociações precipitadas sobre guerra na Ucrânia

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, enfatizou nesta  terça-feira que, apesar de Moscou e Washington estarem mantendo diálogos a respeito do conflito na Ucrânia, não se pode esperar que a guerra seja solucionada prontamente, por se tratar de uma questão “complexa”.

“Continuamos nossos contatos com os americanos por meio de vários canais. A questão do acordo [ucraniano] é extremamente complexa, é claro, então dificilmente é possível estabelecer alguns prazos rígidos e tentar apressar a resolução do conflito em um prazo mais curto. Isso seria um exercício de futilidade”, disse Peskov à imprensa. “Mas o trabalho [de resolver a crise ucraniana] está realmente em andamento”.

Na segunda-feira, em pronunciamento à TV estatal russa, o presidente Vladimir Putin indicou estar aberto à perspectiva de negociações diretas com a Ucrânia. O mandatário afirmou que tinha uma “atitude positiva em relação a qualquer iniciativa de paz” e que esperava que Kiev “se sentisse da mesma maneira”. O chefe de Estado russo também falou em interromper os ataques a instalações de infraestrutura civil.

“Este é um assunto que requer uma consideração cuidadosa, talvez até em um formato bilateral”, disse.

Peskov observou que a recente trégua de Páscoa de 30 horas, instaurada no sábado (19/04), deve ser analisada como uma experiência para assim concluir a possibilidade de interromper os ataques a instalações civis. O porta-voz do Kremlin ainda esclareceu que o anúncio da cessação de ataques durante a Páscoa reforçava a posição de Putin de estar aberto a negociações. “Quando o presidente disse que era possível discutir a questão de não atacar alvos civis, inclusive bilateralmente, o presidente tinha em mente negociações e discussões com o lado ucraniano”, disse o porta-voz, citado pela agência de notícias russa Interfax.

A possibilidade de negociações diretas ocorre depois que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou se afastar dos esforços para mediar um acordo que solucione a guerra, a menos que haja progresso.

¨      Negociações em Londres sobre guerra na Ucrânia são adiadas após desistência de Rubio

As discussões de paz para a guerra na Ucrânia que ocorreriam em Londres na quarta-feira (23/04), com a participação dos principais diplomatas dos Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Ucrânia foram adiadas abruptamente. O cancelamento foi informado pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, sem dar mais detalhes sobre o motivo. Os diplomatas dariam continuidade às discussões da proposta de cessar-fogo, liderada por Washington, que foram iniciadas na semana passada, durante o encontro de Paris.

“A reunião sobre as negociações de paz na Ucrânia com os ministros das Relações Exteriores foi adiada”, informou o governo britânico em um comunicado oficial, referindo-se à convocação do encontro. “As discussões entre assessores continuam, mas estão fechadas à imprensa”, acrescenta o texto.

Segundo The Guardian, o secretário de Relações Exteriores britânico David Lammy ficou constrangido com a decisão repentina de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, manifestada ontem à noite, de não comparecer na reunião desta quarta-feira.

Rubio conversou nesta noite com Lammy, e disse que esperava remarcar sua viagem nos próximos meses após as “reuniões técnicas” desta quarta-feira.

Segundo a Casa Branca, Steve Witkoff, que atua como enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, planeja uma viagem a Moscou ainda nesta semana.  A informação foi confirmada pela Casa Branca e noticiada pelo Financial Times, sem especificar a data.

Apesar do cancelamento da reunião, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, juntamente com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Rustem Umerov, e o chefe de gabinete presidencial ucraniano, Andriy Yermak, encontraram-se com o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, e o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey.

“Apesar de tudo, trabalharemos pela paz”, afirmou o chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Andriy Yermak, nas redes sociais.

¨      Trump ameaça Zelensky: “Tenho acordo com a Rússia. Paz agora ou você perderá o país”

Kiev está encurralada. Na esquina. Donald Trump dá um ultimato a Volodymyr Zelensky: "Tenho um acordo com a Rússia", acrescentando: mas é difícil lidar com o presidente ucraniano. Segundo Trump, as "atitudes incendiárias" do líder ucraniano estão levando seu país ao desastre. Zelensky não tem mais cartas na manga: ou faz a paz ou luta por mais três anos antes de perder toda a Ucrânia. Assim, isso só prolongará o extermínio.

Trump explode porque Zelensky acaba de declarar que a transferência da Crimeia para a Rússia é "inegociável". “Inaceitável”, troveja a Casa Branca. A (pouca) paciência do “Donald” acabou: o acordo com Putin deve ser fechado, o mais rápido possível. O vice-presidente JD Vance confirmou: "Apresentamos uma proposta justa e um pedido muito explícito tanto aos russos quanto aos ucranianos. Agora é a vez deles dizerem sim. Ou os Estados Unidos abandonarão as negociações."

<><> A cúpula de Londres

Enquanto isso, os aliados europeus tentam desesperadamente salvar o barco que está afundando. Os britânicos, franceses e alemães (com a ausência dos italianos) estão fechando fileiras com Kiev, depois que Rubio e o negociador de Trump, Witkoff, desertaram da cúpula de Londres ontem, deixando o enviado americano para a Ucrânia, General Kellogg, sozinho. Nenhum acordo com Putin, enfatizaram os europeus ontem na cúpula, sem um cessar-fogo preventivo e sem garantias de segurança dos Estados Unidos — dissuasão militar e nuclear — para que Putin nunca mais ataque a Ucrânia. O mesmo alerta veio do conselheiro de Zelensky, Andriy Yermak, também em Londres: "Para nós, um cessar-fogo total é o primeiro passo indispensável para as negociações com a Rússia".

Mas europeus e ucranianos parecem desamparados. Trump não forneceu nenhuma garantia de segurança, conforme exigido há meses pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo presidente francês Emmanuel Macron, ambos líderes da “Coalizão dos Dispostos” e prontos para enviar tropas para a Ucrânia após o cessar-fogo. O porta-voz de Starmer repete: "Cabe aos ucranianos decidir." Mas o plano de sete pontos apresentado pela Kellogg em Londres ontem é uma pílula difícil de engolir. Para todos.

<><> Os sete pontos do plano

De acordo com os rascunhos que circularam ontem, o roteiro de sete pontos de Trump é “significativamente favorável à Rússia”, como o New York Times mancheteou naquela noite. Algo inaceitável e escandaloso para muitos em Kiev, e não só. Entre os apoiadores de Zelensky, há aqueles que estão pressionando para não ceder ao que poderia ser uma rendição sensacional da Ucrânia.

Para os americanos, no entanto, não devemos perder o “impulso”. Nas últimas horas, Putin fez duas aparentes propostas: a disposição de sentar-se à mesa com Zelensky (sem a remoção prévia deste) e a possibilidade de congelar as atuais zonas de ocupação, sem reivindicar a totalidade das quatro províncias disputadas (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia). Mas os sete pontos da proposta de paz americana continuam muito importantes, como escreveu o Telegraph.

Primeiro: reconhecimento oficial da Crimeia como russa, uma afronta sensacionalista ao direito internacional. Segundo: o reconhecimento de fato americano de outros territórios ucranianos ocupados por Moscou. Terceiro: não à OTAN para Kiev (mas sim à adesão à UE). Quarto: a usina nuclear de Zaporizhzhia sob controle dos Estados Unidos. Quinto: acordo sobre a exploração americana de minerais e terras raras na Ucrânia. Sexto: redução drástica das sanções dos Estados Unidos à Rússia (mas aqui a UE pode aplicar pressão graças às centenas de bilhões em ativos russos congelados) e até mesmo cooperação energética entre Washington e Moscou.

Putin, que receberá novamente o enviado americano, Witkoff, amanhã, será simplesmente solicitado a retirar a Rússia de algumas áreas ocupadas, como aquelas ao redor de Kherson, restaurando assim o acesso ucraniano ao Rio Dnipro. Muito pouco, nesta nova hora mais sombria da Europa. Espero que não seja outra Paz de Munique.

<><> Trump volta a criticar Zelensky ao defender que Crimeia é território russo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou seu homólogo ucraniano Volodymyr Zelensky, nesta quarta-feira (23/04), acusando-o de fazer declarações “muito prejudiciais” às negociações de paz ao se negar a reconhecer o território da Crimeia como russo.

Durante o encontro dos representantes europeus e norte-americanos em Londres para discutir um acordo de cessar-fogo entre Kiev e Moscou, o chefe de Estado da Ucrânia se recusou a aceitar a tomada do território da Crimeia pelo líder do país vizinho, Vladimir Putin, em 2014. Segundo o jornal norte-americano The Hill, o reconhecimento ucraniano fazia parte de um dos tópicos necessários para o avanço de um plano de paz. 

“São declarações inflamatórias como as de Zelensky que tornam tão difícil resolver esta guerra. Ele não tem nada do que se gabar! A situação para a Ucrânia é terrível. Ele pode ter paz ou pode lutar por mais três anos antes de perder o país inteiro”, escreveu Trump no Truth Social, por onde voltou a chamar o presidente ucraniano de “um homem sem cartas na mangas”.

Em seu comunicado, o mandatário norte-americano questionou o motivo pelo qual Kiev não lutou pela área há 11 anos atrás “quando foi entregue à Rússia sem que um tiro fosse disparado”.

“Não tenho nada a ver com a Rússia, mas tenho muito a ver com o desejo de salvar, em média, cinco mil soldados russos e ucranianos por semana, que estão morrendo sem motivo algum. A declaração feita por Zelensky hoje não fará nada além de prolongar o ‘campo da morte’, e ninguém quer isso!”, criticou Trump.

Mais cedo, o vice-presidente dos EUA voltou a afirmar que Washington pode abandonar as negociações de paz caso Kiev e Moscou se mostrem dispostos para um acordo de cessar-fogo. Em fala com jornalistas, J.D. Vance defendeu que ambos os países congelem as fronteiras territoriais “a um nível próximo do que existe hoje”.

De acordo com ele, os EUA já emitiram uma “proposta muito explícita” à Rússia e à Ucrânia sobre um caminho a seguir para um acordo de paz, acrescentando que “é tempo de dizerem sim ou de os Estados Unidos abandonarem este processo”

 

Fonte: La Repubblica/Opera Mundi/Ansa

 

Nenhum comentário: