segunda-feira, 1 de maio de 2023

Fogo no Cerrado atinge vegetação nativa 88% das vezes

De 1985 a 2022, 88% dos 729 mil km² que queimaram ao menos uma vez no bioma tinham cobertura natural. É o que mostra a série de dados da Coleção 2 do MapBiomas Fogo que mapeia as cicatrizes do fogo no Brasil, lançada na quarta-feira (26). O mapeamento é realizado pela rede MapBiomas em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que também é responsável pelo mapeamento da Amazônia e do Cerrado.

A área de Cerrado que pegou fogo ao menos uma vez nos últimos 38 anos corresponde a 40% do bioma, ou a mais de três vezes o estado de São Paulo. O fogo foi mais frequente na maior parte das regiões: cerca de 64% da área afetada foi queimada mais de uma vez no período. Desde 1985, em média 79 mil km² são atingidos pelo fogo anualmente no Cerrado ‒ uma área maior que a da Irlanda.

Vegetações savânicas, com gramíneas, árvores e arbustos, foram as mais afetadas pelo fogo no período. O segundo tipo mais atingido foram as vegetações campestres, que podem ter arbustos, plantas herbáceas e gramíneas, além de rochas. Os outros 12% do fogo ocorreram em áreas antrópicas, de uso humano, como pastagens.

“A predominância do fogo em formações campestres e savânicas se deve à vegetação herbácea, composta por gramíneas, que principalmente na época da seca se torna um excelente combustível. Além disso, o fogo é mais restrito na formação florestal com árvores e arbustos de grande porte devido à elevada quantidade de água na biomassa viva, e as consequências para o ecossistema são muito mais devastadoras”, explica Vera Arruda, pesquisadora no IPAM e no MapBiomas Fogo.

Em 38 anos, o Cerrado concentrou 42,7% de tudo o que foi queimado no país. Praticamente a mesma proporção vale para a Amazônia, que abrigou 43% de toda a área queimada em território nacional. Os dois maiores biomas da América do Sul foram afetados por 85,7% do fogo que se alastrou pelo Brasil desde 1985.

·         Temporada de fogo

O mapeamento da área queimada também mostra a época do ano em que há maior incidência de fogo. No Cerrado, a “temporada de fogo” coincide com os meses de seca: 89,5% da área atingida foi queimada entre julho e outubro. Com 37% das ocorrências, o mês de setembro é o que registra mais fogo no bioma.

Depois de meses com nenhuma ou pouca chuva, é em setembro que a vegetação do Cerrado se encontra mais propícia para o alastramento das chamas. Por ser um bioma que “evoluiu com o fogo” ao longo de milhares de anos, o senso comum pode tender a relevar a gravidade da ocorrência de fogo no Cerrado. Na verdade, o fogo natural no bioma é causado por raios, na transição entre as estações chuvosa e seca. Quando ocorre estritamente durante a seca, a ignição é humana.

“O fogo só é ruim quando é utilizado de forma inadequada e em biomas que não dependem do fogo para se manter, como a Amazônia. Em biomas como o Cerrado, o fogo tem um papel ecológico e ele deve ser manejado de forma correta para não virar um agente de destruição. Para isso, as práticas relacionadas ao Manejo Integrado do Fogo (MIF) são importantes pois elas podem, através das queimas prescritas e controladas, reduzir a quantidade de material combustível e evitar grandes incêndios”, acrescenta Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo.

·         Estados e municípios

Mato Grosso e Tocantins são os estados que mais acumularam área queimada no Cerrado no período, com 183 mil km² e 160,6 mil km² atingidos pelo fogo. Na sequência estão: Maranhão (114 mil km²); Goiás (96,8 mil km²); Bahia (73,9 mil km²); Piauí (69,8 mil km²); Minas Gerais (57,6 mil km²); Mato Grosso do Sul (22,4 mil km²); Pará (5,9 mil km²); São Paulo (4 mil km²); Distrito Federal (2,4 mil km²); Paraná (639 km²) e Rondônia (517 km²).

Os dois municípios que mais tiveram áreas afetadas pelo fogo de 1985 e 2022 foram Formosa do Rio Preto e São Desidério, localizados no oeste da Bahia. Acumularam 13.392 km² e 11.701 km², respectivamente. Na sequência, ficaram os municípios mato-grossenses Cocalinho, com 11.404 km², e Paranatinga com 11.123 km² queimados.

Municípios na região do rio Araguaia, bem como na fronteira agrícola do Matopiba – que compreende os estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – tiveram mais de 80% de suas áreas com presença de fogo no período.

 

Ø  A guerra mundial contra a Mãe Natureza: crônica de uma derrota anunciada. Por Róger Rumrrill

 

“A guerra mundial contra a Mãe Natureza não tem acordos de paz possíveis e parece que será uma guerra definitiva e total. Tínhamos a ilusão de que a pandemia de coronavírus, que fez balançar o castelo de areia da civilização ocidental e produziu mudanças em tudo, também mudaria a consciência da espécie humana. Contudo, não foi assim”, escreve Róger Rumrrill, ensaísta, escritor, poeta e jornalista especializado na questão indígena da Amazônia peruana, em artigo publicado por Otra Mirada, 24-04-2023. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

No sábado, 22 de abril, celebrou-se o Dia Internacional da Mãe Terra. Mais do que uma celebração, deveria ser um dia de conscientização, de luto e mais do que isso, um dia em que todas as pessoas que amam a vida devem levantar a voz e organizar a resistência contra a guerra mundial que a própria espécie humana desencadeou contra a Mãe Natureza, Gaia, a Terra.

Esta guerra global contra a Terra ameaça a sobrevivência da espécie humana.

É verdade que as guerras fratricidas provocaram milhões de mortes. Só as guerras mundiais do século XX, a Primeira e a Segunda, custaram a vida de 100 milhões de pessoas e a guerra Rússia-Ucrânia-Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o Cavalo de Troia dos Estados Unidos, já soma um quarto de milhão de mortos, segundo estatísticas divulgadas por Washington.

Contudo, a guerra mundial contra a Mãe Natureza não tem acordos de paz possíveis e parece que será uma guerra definitiva e total. Tínhamos a ilusão de que a pandemia de coronavírus, que fez balançar o castelo de areia da civilização ocidental e produziu mudanças em tudo, também mudaria a consciência da espécie humana. Contudo, não foi assim. Pelo contrário, a morte se tornou um negócio tanático das multinacionais farmacêuticas e laboratórios que produzem as vacinas.

Neste momento, a guerra na Ucrânia é uma oferta orgiástica e desvairada de compras e vendas. A Lockheed Martin, uma das maiores fabricantes de armas dos Estados Unidos, acaba de assinar um suculento contrato com o Pentágono no valor de 950 milhões de dólares para a fabricação de mísseis para a Ucrânia. A mesma coisa fez outra produtora de armas de guerra, a Raytheon Technologies, que produzirá armas para a Ucrânia por 2 bilhões de dólares.

Diariamente, são investidos 4 bilhões de dólares em armas. Na realidade, como diz o analista Diego Herranz, todo o orçamento militar global disparou estratosfericamente, sobretudo nos Estados Unidos e seus aliados da Ásia e da União Europeia. O Japão colocou para si o epitáfio de país pacifista: seu orçamento militar crescerá 60%. A Alemanha aumentou seus fundos em armas em 100 bilhões. A ganância e a idolatria pelo dinheiro não têm limites. E tudo à custa da vida humana.

·         A orgia da destruição da Terra

A guerra mundial contra a Mãe Natureza está provocando “uma orgia de destruição” no planeta Terra, afirmou, sem rodeios, o próprio secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres.

Os sinais, provas, testemunhos e resultados desta “orgia de destruição” são visíveis para todos e milhões de seres humanos que sofrem e padecem suas consequências e efeitos: ondas de calor infernais, chuvas e inundações diluviais, tempestades, ciclones, aquecimento e poluição das águas oceânicas e outros impactos na vida de todos os seres vivos que povoam a Terra.

Os números deste apocalipse são intermináveis, mas citemos apenas alguns que são os registros do Antropoceno ou, melhor, do Capitaloceno: as geleiras que alimentam o lençol freático, rios e lagos e que fornecem água doce para o consumo humano, a agricultura e a indústria já descongelaram em até 50% e, atualmente, 40% da população mundial sofre com a escassez de água. Em nível global, estima-se que 69% das populações silvestres já foram perdidas, entre os anos 1970-2018. Na América Latina, onde o extrativismo decretou uma sexta extinção em massa, nesse mesmo período, 94% dessas populações silvestres foram perdidas.

De acordo com a organização World Wildlife Fund (WWF), só entre 2004 e 2017, 43 milhões de hectares de florestas foram derrubadas no mundo, a maior na América Latina, África Subsaariana, sudeste da Ásia e Oceania. Florestas cujos serviços ambientais são vitais para todas as espécies vivas: o ser humano, insetos, aves e animais silvestres. Só em agosto de 2019, foram causados 72.000 incêndios, destruindo 600.000 hectares de florestas. No ano de 2022, ocorreram 983 incêndios que transformaram em cinzas 1 milhão de hectares de florestas na Amazônia: 72% no Brasil e 12% no Peru.

As florestas são o pulmão do mundo, uma das maiores fábricas de água doce e o território ancestral dos povos indígenas que, apesar desta onda de destruição, continuam sendo os jardineiros da natureza e seus saberes, práticas, cosmologias e cosmovisões são uma das tábuas de salvação da Mãe Natureza, incluindo a espécie humana.

Só nos primeiros 100 dias de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre janeiro e março de 2023, apesar de todas as suas medidas para controlar o desmatamento, os agronegócios, os garimpeiros e outras atividades ilegais desmataram 860 km de floresta amazônica.

Nos incêndios que assolaram a Amazônia brasileira, em 2019, durante o governo do ultradireitista e negacionista da mudança climática, Jair Bolsonaro, os cientistas estimam que 500 milhões de abelhas morreram devido ao fogo e ao uso de agrotóxicos nos megalatifúndios de soja e outras monoculturas. Em nível global, 75% dos produtos alimentícios dependem da polinização das abelhas e outros polinizadores.

Um quinto dos ecossistemas da Terra está prestes a entrar em colapso. Um desses ecossistemas, vital para a saúde humana, a produção de alimentos e outros serviços, são as áreas úmidas. Elas cobrem 6% da superfície terrestre e esses ecossistemas são o habitat de 40% das plantas e animais. Mas as drenagens, os aterros para a agricultura, a construção urbana, a poluição, a superexploração de sua riqueza e a mudança climática já destruíram 35% das áreas úmidas do planeta.

·         Nada detém a guerra contra a Mãe Natureza

É possível que com a nova configuração geopolítica que está sendo tecida no mundo, com um novo epicentro de poder na Eurásia e onde os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão um peso geoeconômico decisivo, a hegemonia dos Estados Unidos fique ainda mais fragilizada e haja a possibilidade de um acordo de paz na Ucrânia. Para os Estados Unidos, a guerra com a Ucrânia tem um objetivo geoeconômico e a paz não é o seu objetivo estratégico.

Contudo, no caso da guerra mundial contra a Terra, não há indício de paz, mas, sim, de uma derrota anunciada contra a Mãe Natureza e a própria sobrevivência humana. Os últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas e outros organismos independentes estão revelando e demonstrando que não há fundos para salvar a natureza da destruição, mas, sim, para a guerra. Os acordos das 27 COPs estão só estão no papel e, pior que isso, as ditaduras do petróleo, carvão e gás e as multinacionais extrativistas estão modificando e se esquivando dos acordos das COPs.

Sem meias palavras, os cientistas e especialistas qualificam as chamadas “soluções baseadas na natureza” como falácias e como “armadilhas letais” o “conceito de emissões zero”. A chamada “economia verde é um oxímoro usado para legitimar os interesses dos grupos de poder”, escreve o especialista equatoriano Alberto Acosta. Além disso, quase unanimemente, os especialistas qualificaram os acordos da COP 26 de Glasgow como “fraudes”.

Um exemplo, o carro-chefe da descarbonização da economia: o sistema de comércio de emissões (SCE). Contudo, o SCE se tornou um instrumento para distribuir lucros entre as multinacionais. Como demonstração, na Austrália, as centrais térmicas estão recebendo 1,2 bilhão de dólares. Ou seja, o princípio de “quem polui paga” se transformou em “quem polui recebe”.

“Sob o guarda-chuva da ação climática, esconde-se um paraíso empresarial que só leva ao aumento da injustiça social. As grandes multinacionais e as entidades conservacionistas que se dedicam a plantar árvores serão as grandes beneficiadas”, escreve o especialista Víctor Resco de Dios, em uma reportagem publicada por The Conversation e compartilhada por Servindi, no dia 12 deste mês.

A Mãe Natureza agoniza por causa do extrativismo, da obscena mercantilização dos bens da natureza (a água agora é negociada na bolsa de valores de Wall Street) e o Acordo de Paris para deter o aquecimento climático em 1,5 grau, até 2030, já é inalcançável. A visão e concepção eurocêntrica da natureza faz dela apenas uma matéria, um bem comercializável.

Enquanto toda esta catástrofe bate à nossa porta, ninguém se atreve a tocar sequer com uma pétala de rosa no modelo econômico e de consumo, uma espécie de pedra filosofal econômica e política, um sistema que é uma fábrica de pobres e uma máquina trituradora da natureza (Thomas Piketty, dixit).

Muito pelo contrário, como é o caso da ultradireita global: cerram fileiras e defendem com unhas e dentes e com todas as armas ao seu alcance o capitalismo fóssil e canibal que está levando a espécie humana à beira do cataclismo.

 

Fonte: IPAM-AM/eCycle/Otra Mirada - tradução  do Cepat, para IHU

 

Secas prolongadas provavelmente transformaram a civilização do Indo

Uma nova pesquisa de pesquisadores internacionais encontrou evidências – presas em uma antiga estalagmite de uma caverna no Himalaia – de uma série de secas severas e longas que podem ter causado uma reviravolta na civilização do Indo da Idade do Bronze.

O início desse período árido – começando há cerca de 4.200 anos e durando mais de dois séculos – coincide com a reorganização da civilização do Indo, que se estendeu pelo atual Paquistão e Índia.

A pesquisa identificou três secas prolongadas – cada uma com duração entre 25 e 90 anos – durante esse período árido. “Encontramos evidências claras de que esse intervalo não foi uma crise de curto prazo, mas uma transformação progressiva das condições ambientais em que o povo do Indo viveu”, disse o coautor do estudo prof. Cameron Petrie, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge (Reino Unido). O estudo foi publicado na revista Communications Earth & Environment.

·         Seca multigeracional

Os pesquisadores mapearam a precipitação histórica examinando as camadas de crescimento em uma estalagmite coletada de uma caverna perto de Pithoragarh (Índia). Ao medirem uma variedade de marcadores ambientais – incluindo isótopos de oxigênio, carbono e cálcio –, eles obtiveram uma reconstrução mostrando precipitação relativa em resolução sazonal. Eles também usaram datação de alta precisão da série de urânio para controlar a idade e a duração das secas.

“Várias linhas de evidência nos permitem reunir a natureza dessas secas de diferentes ângulos – e confirmar que elas estão de acordo”, afirmou a principal autora da pesquisa, Alena Giesche, que conduziu a pesquisa como parte de seu doutorado no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge.

Giesche e a equipe identificaram períodos distintos de chuvas abaixo da média nas estações de verão e inverno. “A evidência de que a seca afeta ambas as estações de cultivo é extremamente significativa para a compreensão do impacto desse período de mudança climática sobre as populações humanas”, disse Petrie. Ele acrescentou que as secas durante esse período aumentaram em duração, a ponto de a terceira ter sido multigeracional.

·         Diversas medidas

Os resultados apoiam as evidências existentes de que o declínio das megacidades do Indo estava ligado às mudanças climáticas. “Mas o que tem sido um mistério até agora são informações sobre a duração da seca e a estação em que aconteceram”, disse Giesche. “Esse detalhe extra é realmente importante quando consideramos a memória cultural e como as pessoas fazem adaptações quando confrontadas com a mudança ambiental.”

De acordo com Petrie, “as evidências arqueológicas indicam que, ao longo de um período de 200 anos, os antigos habitantes tomaram várias medidas para se adaptar e permanecer sustentáveis diante desse novo normal”. Durante essa transformação, locais urbanos maiores foram despovoados em favor de assentamentos rurais menores em direção à extensão leste da área ocupada pelas populações do Indo. Ao mesmo tempo, a agricultura mudou para a dependência de culturas de verão, especialmente painços (milhetes) tolerantes à seca, e a população fez a transição para um estilo de vida que parece ter sido mais autossuficiente.

As megassecas tornaram-se recentemente uma causa popular para explicar uma série de transformações culturais, incluindo o Vale do Indo, explicou o coautor do estudo David Hodell, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge. “Mas as ligações são geralmente difusas por causa das dificuldades envolvidas na comparação de registros climáticos e arqueológicos.” Isso agora está mudando porque “os registros paleoclimáticos estão se tornando progressivamente melhores no refinamento das mudanças nas chuvas em uma base sazonal e anual, o que afeta diretamente a tomada de decisões das pessoas”, disse Hodell.

·         Reconstrução ampliada

A equipe agora está procurando expandir suas reconstruções climáticas para partes ocidentais da região do rio Indo, onde o sistema de chuvas de inverno se torna mais dominante do que a monção de verão indiana. “O que realmente precisamos é de mais registros como esse, de um transecto orientado no sentido oeste-leste em toda a região onde as monções de verão e inverno interagem – e, crucialmente, capturando o início desse período árido”, disse Giesche.

“Atualmente, temos um enorme ponto cego em nossos mapas que se estende pelo Afeganistão e Paquistão, onde as monções de verão indianas e os ventos de oeste interagem”, disse o professor Sebastian Breitenbach, coautor e paleoclimatologista da Universidade de Nortúmbria (Reino Unido). “Infelizmente, é improvável que a situação política permita esse tipo de pesquisa no futuro próximo.”

“Há mais trabalho a ser feito por paleoclimatologistas e arqueólogos”, disse Hodell. “Temos a sorte em Cambridge de ter os dois departamentos um ao lado do outro.”

 

Fonte: Revista Planeta

 

Conheça os benefícios de dar um tempo na bebida ou largar o álcool de vez

De uma hora para outra, tão rápido quanto uma talagada de pinga no Bar de Seu Zé, a criatura que antes ansiava por um dia bom para tomar 48 cervejas, agora se contenta com uma latinha de refri ou, veja que heresia, um copo de suco de laranja. Desde a recente Semana Santa, a personagem hipotética resolveu mudar do vinho pra água, e não é que a abstinência, após ficar uma semana sem beber, já lhe rendeu uma boa melhora nas condições de saúde!

Dar uma pausa no álcool ajuda - há quem faça ‘jejuns’ anuais de 40 dias seguidos -, embora parar de vez seria o ideal para quem quer ter mais longevidade e vida saudável. Mas afinal, o que leva alguém a tomar essa decisão? E como ela se reflete no corpo, na mente e na rotina? Conversamos com especialistas de diversas áreas da saúde que nos contam, dose por dose, os benefícios de se tornar um ex-pinguço(a).

Luiza (nome fictício para preservar a identidade da personagem) é uma mulher de 48 anos que se autointitula como uma biriteira profissional, de carteirinha. Logo após o Carnaval deste ano, tomou a decisão de parar de beber temporariamente. Para ela, que costumava bater ponto na mesa de bar semanalmente e ignorava os bons costumes  de só beber aos fins de semana, a mudança não foi fácil.

"A parte mais difícil para mim foi tomar a decisão, porque sempre tem uma festinha, uma celebração, alguma coisa acontecendo. Aí, a gente acaba cedendo. Uma vez que a decisão está tomada mesmo, não tenho a menor dificuldade. Fico super bem, super de boa", revela.

Luiza já havia experimentado ficar sem beber em outras ocasiões. Em 2022, também motivada pelo fim da folia, ficou quase três meses sem ingerir álcool. "A questão é que sou muito biriteira, sempre tomo uma cerveja na semana, um vinho no fim do dia. Comecei a pensar na importância dos intervalos para quem tem uma rotina que sempre envolve álcool", afirma.

Ao parar de beber, Luiza percebeu uma série de benefícios em seu corpo e mente. Ela perdeu 6kg em menos de um mês, associando o recesso à uma dieta mais balanceada. "Meu maior benefício é disposição física e linearidade de humor, não ter aquela preguiça da ressaca, fico mais equilibrada", conta.

No entanto, Luiza também teve que enfrentar alguns desafios ao longo do processo, especialmente ao conviver com outras pessoas bebendo. "Fico ótima perto de pessoas bebendo mesmo sem beber, me sinto vitoriosa, sendo fiel aos meus desejos, conectada com as minhas escolhas. A parte chata é que, quando se está sóbrio, pessoas bêbadas começam a incomodar um pouco mais, a reação depois dos excessos é... complicada", brinca.

Para a personagem, parar de beber faz parte de uma reeducação de hábitos, não apenas em relação ao álcool, mas para buscar melhorias no dia a dia. "Tenho colocado o álcool no grupo de coisas que preciso saber administrar, para não parar totalmente. Não quero ter diabetes, me tornar alcoólatra, viver inchada. Tenho pensando em uma reeducação de hábitos. Quero me firmar um pouco mais na minha rotina, ter o hábito de praticar atividades físicas com frequência, melhorar a minha dieta. Enquanto isso não acontecer, não volto a beber", garante.

•        Nunca mais

Quem também deu adeus ao álcool foi Márcio das Virgens, 51, autônomo. Porém, de forma definitiva. Ao longo dos anos, Márcio começou a notar os malefícios da bebida em sua vida. Ele relata que, fisicamente, se sentia indisposto para trabalhar, estudar e praticar atividades físicas. Emocionalmente, a bebida afetava suas atitudes, relacionamentos, caráter e índole.

"Nos aspectos físico e emocional, o álcool trazia mais prejuízos do que benefícios. Reconhecer o vício foi o que motivou a decisão de parar de beber", relembra Márcio, que já está longe da bebida há seis anos.

Após abandonar o álcool, Márcio notou uma série de mudanças positivas. Passou a se dedicar mais ao trabalho, praticar atividades físicas, estudar música e se engajar no evangelho cristão. "Além de me sentir fisicamente bem, agora me sinto útil, e não apenas um número na multidão", relata.

Para ele, a escolha de parar de beber teve muitos benefícios, como a liberdade de não depender do álcool para ser feliz e a valorização da família. Contudo, reconhece que o processo não foi fácil. "Foi difícil aceitar que muitas pessoas que eu achava que eram meus amigos na verdade só estavam interessadas em beber", lamenta.

Apesar disso, Márcio se sente à vontade com amigos que bebem moderadamente, desde que respeitem sua decisão de não beber. Ele credita sua recuperação ao poder da fé e acredita que nenhum tipo de droga é válido. "O álcool é a pior droga, porque é a porta de entrada para todas as outras", acredita.

•        E a saúde?

De acordo com Lourianne Nascimento Cavalcante, hepatologista do Itaigara Memorial e presidente da Sociedade Gastroenterologia da Bahia, há uma série de benefícios em parar de beber, mesmo que por um período curto de tempo. Segundo a especialista, interromper o consumo de bebidas alcoólicas pode resultar em melhorias significativas na saúde, desde melhora na concentração e disposição até na percepção de melhora de sintomas e alterações laboratoriais que eventualmente já existam. Além disso, as lesões decorrentes do álcool podem ser revertidas se a interrupção do consumo ocorrer no início.

"Quanto maior o período de abstinência de álcool, maiores serão os benefícios observados. O consumo excessivo de álcool, inclusive predito geneticamente, está associado ao aumento do risco de doença hepática alcoólica, cirrose hepática, câncer de fígado, pancreatite crônica e gastropatias. Em pacientes com doenças inflamatórias intestinais, o álcool pode potencializar sintomas e exacerbação da atividade da doença. O consumo exagerado pode levar a insuficiência cardíaca por álcool e maior risco de arritmias atriais, mesmo em bebedores moderado", alerta a especialista.

O consumo moderado de álcool é definido como 14 g de álcool por dia para mulheres e 28 g de álcool por dia para homens. Por exemplo, 14g etanol equivale a 350ml chopp, que tem 5% de álcool. 150 ml de vinho tem 12%, e 45 ml de destilados 40%. "Sabemos que indivíduos com predisposição genética a doenças relacionadas ao álcool poderão adoecer consumindo doses menores, porém, estes testes não são disponíveis na prática clínica.  Algumas diretrizes americanas definem o consumo excessivo de álcool como ingestão de quatro ou mais drinks para mulheres e cinco ou mais drinks para homens, em cerca de duas horas. E o consumo pesado, oito ou mais drinques por semana para mulheres e 15 ou mais drinks por semana para homens. Esses números estão em estudo e sob questionamento, devido às muitas variáveis confundidoras dessa análise", destaca a hepatologista.

Segundo a endocrinologista Luciana Barros, o álcool é uma substância tóxica que é priorizada na metabolização hepática para ser eliminada do corpo. Isso significa que todo o processo metabólico do fígado é direcionado para lidar com o álcool, o que pode levar a danos à saúde. "O álcool, como substância tóxica, acaba sendo prioridade na metabolização hepática para poder ser eliminado. O corpo vai direcionar toda a via metabólica do fígado para dar conta dessa substância, que pode trazer danos. Isso compromete a saúde como um todo, porque a partir do momento que se desvia o metabolismo para o álcool, deixa-se de metabolizar outras coisas que são importantes", adverte.

Além disso, vale destacar que o álcool tem valor calórico semelhante ao da gordura. Conforme explica a médica, "na hora que o corpo prioriza metabolizar o álcool, ele deixa de metabolizar a gordura também. Isso acaba levando a um aumento do estoque de gordura no corpo, que tem uma tendência a se localizar na região abdominal. Por isso, pessoas que consomem muita bebida alcoólica têm essa obesidade central".

Em grandes quantidades, o álcool pode afetar o eixo reprodutivo, levando à impotência, disfunção erétil e diminuição da testosterona. "Se isso se mantém cronicamente, como ocorre no caso dos alcoólatras, pode chegar até na atrofia dos testículos e na redução significativa da libido", explica.

•        Efeito dominó do bem

Dar uma pausa no consumo de álcool pode trazer uma série de benefícios para a disposição e o preparo físico. Além de evitar os malefícios que a bebida pode trazer ao corpo, como a diminuição da absorção de testosterona no tecido muscular, comprometendo a força do músculo e a hipertrofia, também ajuda a reduzir o inchaço e diminuir a incidência de doenças crônicas.

"A redução do consumo de álcool pode ter um efeito dominó positivo no corpo. Com menos calorias vazias sendo consumidas, o corpo tem mais energia disponível para ser utilizada nos treinos, além de reduzir a sobrecarga do fígado. Com isso, é possível ter uma melhora significativa na rotina de treinos, o que pode levar a resultados mais efetivos a longo prazo", explica a preparadora física Débora Leite.

Além dos benefícios para o preparo físico e a disposição, a redução do consumo de álcool também pode trazer melhorias visíveis na pele, unhas e cabelos. Isso ocorre porque a bebida alcoólica pode prejudicar a hidratação do corpo, deixando a pele ressecada e sem brilho, além de enfraquecer as unhas e causar queda de cabelo. Ao dar uma pausa no álcool, é possível permitir que o corpo se hidrate adequadamente, o que pode resultar em uma aparência mais saudável.

"Em um mês, ocorre a melhora da hidratação do organismo como um todo, deixando a pele com melhor viço e reduzindo o seu ressecamento. Por reduzir a disbiose (desequilíbrio da flora intestinal) que o álcool acarreta, traz um maior equilíbrio intestino-pele, o que reflete num maior controle de dermatoses como a dermatite atópica, a rosácea, a psoríase, a dermatite seborreica. Também ocorre a melhora da inflamação, o que reduz o edema da pele. No caso da pausa se tornar mais longa, como um ano, por exemplo, todos esses benefícios se estabilizam de forma mais sólida", aponta a dermatologista Patrícia Gutierrez, da Clínica Sanjuan.

 O consumo frequente ou excessivo de álcool também pode levar ao desenvolvimento ou agravamento de algumas doenças dermatológicas, alerta a especialista. "A psoríase, dermatite seborreica, rosácea, eczema numular, pelagra e púrpura pigmentosa crônica são algumas das condições que podem ser desencadeadas ou pioradas pelo excesso de álcool. Além disso, a presença de sinais cutâneos como vermelhidão facial, dilatação de capilares da derme, vermelhidão palmar e pontos esbranquiçados nas unhas podem indicar o abuso de álcool", ressalta.  O consumo excessivo de álcool pode ainda diminuir a imunidade, o que aumenta a incidência de infecções fúngicas nas unhas e de pitiríase versicolor, conhecida popularmente como "pano branco".

•        Saúde mental melhora, mas sociabilização pode diminuir

De acordo com a psicanalista Paula Goulart, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode afetar as relações sociais, amorosas e familiares de uma pessoa. Por isso, ao decidir deixar de beber, é importante avaliar a conduta em todos esses aspectos.

"Ao abrir mão do uso do álcool será necessário rever não apenas o consumo da substância, mas também a conduta que se tem frente às relações sociais, amorosas e familiares", afirma. Para fazer essa transição de forma mais tranquila, ela recomenda o apoio psicológico para identificar quais são as opções frente aquilo que tornava a bebida uma resposta tão eficiente e passou a ocupar tanto espaço.

No entanto, a psicóloga alerta que a escolha de deixar de consumir bebida alcoólica pode trazer outras dificuldades e necessidades que, até então, o indivíduo não se dava conta.

"Isso pode trazer mudanças na forma de se relacionar com a família, amigos e colegas de trabalho. Então, apenas deixar de consumir álcool sem explorar outras formas de socialização, pode acabar trazendo dificuldades", explica Paula.

Ela ainda ressalta que é importante ter clareza do que motivou a decisão de parar de consumir álcool, para que seja possível lidar com a vontade de voltar a beber e também identificar qual o lugar do álcool na sua vida, nas relações sociais e o que desperta o desejo de beber. "Sem identificar melhor o que causa essa vontade é mais difícil lidar com essa escolha e suas consequências", destaca.

A especialista também destaca que a bebida alcoólica faz parte da vida cotidiana, como signo de divertimento, relaxamento e até como elemento facilitador de encontros românticos. Por isso, é importante refletir sobre as mudanças que serão necessárias para se adaptar a uma nova rotina sem álcool. "A escolha de deixar de consumir bebida alcoólica, apesar de beneficiar a saúde física diretamente, pode revelar outras dificuldades e necessidades".

A especialista também destaca que a bebida alcoólica faz parte da vida cotidiana, como signo de divertimento, relaxamento e até como elemento facilitador de encontros românticos. Por isso, é importante refletir sobre as mudanças que serão necessárias para se adaptar a uma nova rotina sem álcool. "A escolha de deixar de consumir bebida alcoólica, apesar de beneficiar a saúde física diretamente, pode revelar outras dificuldades e necessidades".

<<< 5 benefícios de diminuir o consumo de álcool, de acordo com especialistas

•        Melhora do sono: O álcool pode atrapalhar o sono REM, que é importante para o descanso e a recuperação do corpo. Diminuir o consumo pode levar a uma melhora na qualidade do sono.

•        Redução do risco de câncer: O álcool está relacionado a um maior risco de câncer de mama, fígado, cólon e outros tipos de câncer. Diminuir o consumo pode reduzir esse risco.

•        Saúde mental: Embora muitas pessoas usem o álcool para lidar com o estresse e a ansiedade, ele pode acabar piorando esses problemas a longo prazo. Diminuir o consumo pode levar a uma melhora da saúde mental e do bem-estar emocional.

•        Aumento da energia: O álcool é um depressor do sistema nervoso, o que pode deixar as pessoas cansadas e sem energia. Diminuir o consumo pode levar a um aumento na energia e disposição.

•        Melhora da função hepática: O fígado é responsável por metabolizar o álcool e pode sofrer danos se sobrecarregado com o consumo excessivo. Diminuir o consumo pode levar a uma melhora na função hepática e redução do risco de doenças hepáticas.

 

Fonte: Correio

 

Brasil não tem dados raciais de 90% dos servidores públicos desde 2006

Uma nova lei foi sancionada nessa semana para reverter um cenário de invisibilidade de dados de raça e cor, em especial na administração pública. A Lei 14.553/2023 altera o Estatuto da Igualdade Racial e determina procedimentos e critérios de coleta de informações relativas a cor e raça no mercado de trabalho, com o objetivo de subsidiar políticas públicas.

Apesar da norma valer para registros administrativos nos setores privados e públicos, o problema de invisibilidade de dados é mais grave na administração pública. A ausência de dados é detectada nos órgãos de nível municipal, estadual e federal.

Mais de 90% dos servidores públicos não têm sua cor identificada desde 2006, quando o quesito raça/cor foi inserido, de fato, na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Essa base de dados, organizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), é a principal fonte para pesquisas sobre a situação do mercado de trabalho formal no país. Os dados de raça/cor começaram a ser captados na RAIS 1999, mas o MTE só liberou o acesso da variável a partir da RAIS 2006, sob a justificativa de que, naquele momento, as informações atingiram um “grau de consistência suficiente”.

“Precisamos ter mecanismos para avaliar a evolução das políticas públicas. Se, por exemplo, não há uma pessoa negra em cargos de chefia hoje, precisamos saber como o cenário vai evoluir em 10, 15 anos. Se ainda continuar sem ninguém, tem alguma coisa errada”, afirmou o deputado federal Vicentinho (PT-SP), autor do projeto de lei.

A invisibilidade não é total porque, há pouco mais de dois anos, o IPEA analisou e publicou alguns dados do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE), responsável pela gestão de informações de pessoal no governo federal e que disponibiliza consultas públicas muito limitadas sobre dados de cor e raça. Essas análises, que vão apenas até 2020, estão restritas ao perfil racial do Executivo federal, que na RAIS 2021 representa 3,2% dos servidores da administração pública. Os gráficos e tabelas podem ser consultados na plataforma Atlas do Estado Brasileiro.

Por conta dessa invisibilidade, a lei, publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (24), também determina que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) faça um censo, a cada cinco anos, sobre a participação de cada grupo étnico-racial empregado no setor público.

As informações devem ser utilizadas na Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, instituída pelo Estatuto da Igualdade Racial, que visa reduzir as desigualdades raciais no Brasil.

•        O que muda com a lei

Empregadores do setor público e privado devem incluir nos registros administrativos um campo para que os empregados se autoclassifiquem segundo o segmento étnico e racial a que pertencem - ou seja, não deve ser um processo de heteroidentificação pelas equipes de recursos humanos.

•        O trabalhador deve indicar sua raça nos seguintes formulários:

admissão e demissão no emprego;

acidente de trabalho;

inscrição de segurados e dependentes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);

pesquisas do IBGE;

registro feito no Sistema Nacional de Emprego (Sine);

e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

•        Lei não prevê sanções a quem descumprir

A nova legislação não prevê nenhum tipo de sanção aos órgãos e empresas que a descumprirem. Para o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do projeto que antecedeu a lei, o Estatuto da Igualdade Racial precisa ser incorporado por nossa sociedade e instituições e “penalizar uma sociedade que deve ser educada para promoção da igualdade racial não é o caminho”.

“O Brasil possui instituições como o Ministério Público, que entre as suas funções tem o dever de fiscalizar as legislações, e a sociedade civil, que nos ajudam a fiscalizar as instituições que não implantarem a política. Acredito que este é o caminho”, disse o parlamentar.

Vicentinho também é contra o uso de sanções, inicialmente. “Lei boa é aquela que as pessoas têm consciência de que têm que cumprir”, afirma. Mas não descarta que haja, no futuro, alguma medida de obrigatoriedade. “Se percebermos que [a lei] não está sendo considerada em absolutamente nada, aí, sim, nós vamos entrar com uma emenda ou o governo terá que entrar com portarias para a exigência do cumprimento”, ponderou.

Procurado pela Alma Preta, o Ministério do Trabalho e Emprego disse em nota que pensa em desenvolver trabalhos de avaliação e conscientização com as empresas e não desconsidera multar por falta de preenchimento algumas companhias.

"Existe a possibilidade de multa por falta de preenchimento. No eSocial, já fizemos uma consulta jurídica sobre mudança na forma de coleta para reforçar para os empregadores que a informação é da responsabilidade deles e é relevante para as estatísticas públicas. No entanto, se não houver uma conscientização generalizada de que essa é uma informação crucial para diminuir desigualdades, continuaremos a ter informações insuficientes sobre o tema nos registros administrativos", afirmou a pasta.

•        Dados de raça e cor são subutilizados

Um dos desafios dos estudos raciais sobre mercado de trabalho são argumentos que descredibilizam os dados da RAIS, por exemplo. Entidades relevantes como o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirmam não utilizar esses dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sob a justificativa de que são as empresas que atribuem a cor ou raça das pessoas, ou seja, a declaração dependeria do olhar dos funcionários de recursos humanos.

Ana Georgina, economista e pesquisadora do DIEESE, afirma que a falta de dados raciais precisos do RAIS é uma barreira para a produção de pesquisas sobre o mercado de trabalho no Brasil. "Adoraríamos que os dados fossem mais confiáveis e que nós pudéssemos utilizar, porque é importante que existam recortes raciais quando a gente faz pesquisa, sobretudo, em relação ao mercado de trabalho".

A MTE orienta o trabalhador a fazer "a autodeclaração de sua raça/etnia e de que as empresas não façam a atribuição desse quesito por meio de fotos ou impressões dos funcionários dos departamentos de recursos humanos". No entanto, o manual de instrução para preenchimento do RAIS de 2017 e 2022 não sinalizam para a autodeclaração. Pelo contrário: no trecho destinado para instruir a resposta do questionário, há um pedido para o responsável escolher as opções a partir do "código compatível com a cor ou raça do trabalhador".

No artigo "Investigação sobre Qualidade da Variável Cor ou Raça na RAIS através de um Estudo Comparativo com a PNAD do IBGE", os autores apontam como um dos possíveis problemas da RAIS o "embranquecimento" dos funcionários por parte dos patrões, como uma tentativa de "elogiá-los" e o descreverem do ponto de vista racial de um modo a os clarear ou optar por uma não identificação.

Já o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) trabalha com esses dados de forma setorial no setor privado, justamente porque a não identificação no setor privado é muito menor.

“Eu realizo censos dentro das organizações e levantamentos setoriais desde 2000. A Febraban faz censo desde 2007 e atualiza essa informação de tempos em tempos. Em 2019, por exemplo, o censo deles contava com os 30 maiores bancos e, ao olhar para o setor bancário na RAIS, são dados que têm aderência entre si”, analisa Mário Rogério, diretor e pesquisador do CEERT.

Para Mário, no entanto, é preciso que hajam normas mais claras para a atualização de dados. “É preciso definir regras para que tanto público e privado atualizem a informação e que faça isso de forma recorrente”.

Outro ponto a ser avaliado é a qualidade dos dados, conforme sinaliza Wesley Matheus, doutor em ciência política pela UFMG e pesquisador do Afro Cebrap. "Não quer dizer que por ser muito preenchida, que as informações oriundas desse preenchimento são boas. A gente tem que tomar muito cuidado ao analisar diretamente essa ausência de dados e já querer tirar conclusões, porque um cenário de baixo ou intermediário preenchimento pode demonstrar boas informações".

O MTE recorda que sempre houve problemas no levantamento nos dados raciais de trabalhadores e coloca o racismo como um elemento para explicar esse cenário. "Da parte do trabalhador, ainda é forte a percepção que se declarar negro, pardo, indígena pode significar não conseguir o trabalho, pois ainda persiste a percepção de discriminação dessas pessoas por parte das áreas responsáveis por recrutamento e seleção para postos de trabalho".

Leonardo Silveira, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Afro Cebrap, acredita que o Brasil tem um enorme potencial para o processamento de dados e que é necessário que exista maior rigor para o levantamento de informações sobre raça e cor no país.

"O RAIS, o censo da educação básica, censo do ensino superior, CadÚnico, sistema de informações de mortalidade no DataSuS, todos eles, quando a gente chega na variável racial, cria-se algumas dúvidas em relação a isso. A sociedade civil, os movimentos sociais, a universidade podem pautar o governo no sentido de aprimorar essa forma de coleta de dados raciais", explica.

•        Metodologia de definição do setor público

Para chegar aos dados de emprego formal da administração pública, a Alma Preta utilizou os microdados da RAIS disponibilizados pelo site Base dos Dados. Foram considerados apenas os vínculos ativos em 31/12 de cada ano desde 1999, mas os dados de raça/cor só apareceram a partir de 2006.

>>> A reportagem utilizou dois filtros:

. Pelo campo de raça/cor. De 2006 a 2009, alguns campos estavam em branco e foram contabilizados como “Não identificados”.

. Pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0): para chegar às informações do setor “administração pública, defesa e seguridade social”, o filtro foi feito pelos seguintes códigos: 84.11-6, 84.12-4, 84.13-2, 84.21-3, 84.22-1, 84.23-0, 84.24-8, 84.25-6 e 84.30-2. Abaixo a descrição de cada um deles:

84.11-6 Administração pública em geral

84.12-4 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais

84.13-2 Regulação das atividades econômicas

84.21-3 Relações exteriores

84.22-1 Defesa

84.23-0 Justiça

84.24-8 Segurança e ordem pública

84.25-6 Defesa Civil

84.30-2 Seguridade social obrigatória

 

Fonte: Jornal do Brasil

 

Banqueiro mais rico da Ásia chama dólar de 'maior terrorista financeiro' e sugere moeda substituta

Uday Kotak, o banqueiro mais rico da Ásia e CEO de um dos maiores bancos da Índia, o Kotak Mahindra, um forte crítico do dólar americano, declarou que a rupia indiana é sua alternativa de moeda de reserva mundial.

"Acredito sinceramente que o maior terrorista financeiro do mundo é o dólar americano. Todo o nosso dinheiro está em contas americanas e alguém nos EUA pode dizer: 'Você não pode retirá-lo a partir de amanhã de manhã'. Então você acaba preso", disse o empresário na cerimônia do Economic Times Awards em Nova Deli.

O mundo inteiro, continuou o banqueiro, está agora "procurando desesperadamente por uma moeda de reserva alternativa" e considerou a rupia indiana a opção mais adequada. Na opinião de Kotak, outras regiões não são capazes de tal tarefa.

Segundo Kotak, a Europa não vai poder fazer da sua moeda uma moeda de reserva por ser um grupo de Estados europeus. Ele acredita que o Reino Unido ou o Japão "não terão coragem de assumir tais posições, apesar de tanto a libra esterlina como o iene serem moedas livres", enquanto a China "tem um sério problema de confiança com muitos países".

Por outro lado, a Índia, nas palavras do especialista, tem um longo caminho a percorrer e construir instituições fortes e uma estrutura que "não dependa do capricho de ninguém".

"Os mecanismos têm que ser confiáveis. Você tem que confiar na Índia. Em cada nota de dólar há uma linha que diz 'em Deus nós acreditamos'. Temos que ter uma linha que diz 'na Índia nós acreditamos' para que o resto do mundo invista seu dinheiro em uma moeda alternativa ao dólar americano", disse Kotak, afirmando que implementar tal alternativa à moeda dos EUA provavelmente levaria uma década.

No dia 30 de abril, o banqueiro comentou no Twitter que havia "inadvertidamente" usado a frase "terrorista financeiro", explicando que seu comentário significava que "uma moeda de reserva tem um poder desproporcional, seja por nossa conta, a alta taxas de 500 pontos base ou porque os países emergentes têm [dólares americanos] para obter liquidez".

No início de novembro de 2022, o governo indiano autorizou o uso da rupia em transações comerciais internacionais. O Ministério do Comércio do país explicou que isso deve simplificar e facilitar as transações comerciais internacionais, dado o crescente interesse na internacionalização da rupia.

 

       Guerra entre EUA e China será erro mortal para Washington, diz especialista

 

Uma guerra entre os EUA e a China seria um erro fatal para Washington, diz Joseph Nye, cientista político americano e professor da Universidade de Harvard.

Nye afirmou ao jornal Global Times que ambos os países são grandes demais para que um controle o outro.

"A única maneira de nos destruirmos, de nos tornarmos uma ameaça à existência um do outro, é se entrarmos em guerra", afirmou.

Além disso, o especialista comparou a situação com a de 1914, quando as potências europeias pensaram que seus militares estariam em casa até o Natal, contudo combateram em uma guerra de quatro anos, que resultou em mais de dez milhões de mortes e no colapso de quatro impérios.

"O perigo existente é que podemos cometer um erro como o de 1914", alertou o cientista político.

·         'Irã pronto para reforçar exercícios com a China para desafiar mundo unipolar dos EUA', diz ministro

Advertindo contra as políticas norte-americanas geradoras de crises na Europa Oriental e na Ásia Ocidental, o ministro da Defesa iraniano descreveu as políticas dos EUA como uma ameaça comum ao Irã e à China.

O Irã saúda a expansão de exercícios militares conjuntos com a China e acredita que tais exercícios ajudarão a neutralizar a ameaça representada a ambas as nações pelo unilateralismo liderado pelos Estados Unidos, disse o ministro da Defesa iraniano, Mohammad Reza Ashtiani.

A declaração do ministro aconteceu à margem da reunião dos ministros da Defesa da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), reunião realizada em Nova Deli ontem (28) e hoje (29) segundo a agência Mehr.

"A situação regional e internacional está mudando e, como resultado, a expansão das relações entre o Irã e a China se tornou mais importante do que no passado", disse Ashtiani, expressando a disposição iraniana de fortalecer sua defesa e cooperação militar com Pequim e outros membros da organização.

O chefe da Defesa iraniana também afirmou que os Estados Unidos estão atrás de criar crise e tensão na Europa Oriental e na região da Ásia Ocidental, acrescentando que as políticas norte-americanas são uma ameaça comum ao Irã e à China, dois países que são contra um mundo unipolar.

Afirmando que o Irã e a China têm uma compreensão correta das condições regionais e internacionais, ele disse que os dois países sempre tentaram impedir a concretização das abordagens unilateralistas do Ocidente em relação às nações independentes.

Do lado chinês, o ministro da Defesa, Li Shangfu, disse que a abordagem de Pequim nas relações com Teerã é profunda e de longo prazo.

"O Irã e a China têm confiança estratégica mútua e ambos querem independência e o fim da situação existente", disse ele.

Apreciando as posições de princípio de Teerã sobre as questões macro e internacionais da China, bem como os interesses dos dois países, Li disse que as duas nações "têm uma cooperação sincera e eficaz contra a dominação de alguns países".

 

Ø  Países do G7 defendem a criação de parâmetros para criação de governança global da IA

 

Os ministros de tecnologia e transição digital do G7 enfatizaram a importância do diálogo internacional sobre governança de IA e interoperabilidade entre estruturas de regulamentação da ferramenta de diferentes países em uma reunião de dois dias no Japão, de acordo com sua declaração conjunta.

"Enfatizamos a importância das discussões internacionais sobre governança de inteligência artificial [IA] e interoperabilidade entre estruturas de governança de IA, embora reconheçamos que abordagens semelhantes e instrumentos políticos para alcançar a visão comum e o objetivo de IA confiável podem variar entre os membros do G7", disse o comunicado, acrescentando que estruturas regulatórias e não regulatórias, padrões técnicos e técnicas de garantia podem "promover confiabilidade".

O documento também afirma que o grupo G7 (grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) apoia a adoção de padrões técnicos internacionais para uma IA confiável. Os ministros apontaram a necessidade de desenvolver políticas para mitigar o impacto negativo da IA na sociedade, inclusive nas esferas de proteção dos direitos de propriedade intelectual e combate à desinformação.

"Dado que as tecnologias generativas de IA são cada vez mais proeminentes em todos os países e setores, reconhecemos a necessidade de fazer um balanço no curto prazo das oportunidades e desafios dessas tecnologias e continuar promovendo segurança e confiança à medida que essas tecnologias se desenvolvem", diz o comunicado.

Eles também concordaram com cinco princípios que sustentam a governança da IA, ou seja, o Estado de Direito, o devido processo legal, a democracia e o respeito pelos direitos humanos enquanto nos aproveitamos das oportunidades de inovação.

O país anfitrião foi representado pelo ministro japonês de Assuntos Digitais, Taro Kono, ministro de Assuntos Internos e Comunicações, Takeaki Matsumoto, e ministro da Economia, Comércio e Indústria, Yasutoshi Nishimura. Além de seus homólogos do G7, autoridades indianas, indonésias e ucranianas participaram da reunião de ministros na cidade de Takasaki, na prefeitura de Gunma.

O Japão detém a presidência rotativa do G7 em 2023 e vai sediar a cúpula do grupo em Hiroshima, de 19 a 21 de maio.

·         Elites políticas dos EUA e da Europa usam TI para transmitir, diz MRE da Rússia

Maria Zakharova criticou o uso das tecnologias de informação por parte de países ocidentais como não tendo "nenhuma consideração pelas normas e tradições de diferentes países e sociedades".

As elites políticas dos EUA e da Europa estão usando tecnologias de informação e comunicação para agitação, provocação e propaganda, disse no sábado (29) Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"As elites políticas dos EUA e da Europa usam as tecnologias de informação e comunicação não com o nobre propósito de transmitir informações objetivas ao público em geral, mas para agitações, provocações, propaganda e, às vezes, doutrinação", disse Zakharova em uma mensagem de vídeo aos participantes e organizadores da Conferência Mundial On-line sobre Multipolaridade.

"Ainda por mais, [tal é feito] sem absolutamente nenhuma consideração pelas normas e tradições de diferentes países e sociedades", sublinhou.

A representante oficial da chancelaria acrescentou que era impossível ter um único centro de controle de informações, apesar dos esforços do Ocidente de o criar.

 

Ø  Em encontro com o presidente do Iraque, líder do Irã diz: 'Os EUA não são amigos do Iraque'

 

Os líderes do Irã e do Iraque se encontraram para reforçar as relações bilaterais, com o aiatolá Ali Khamenei criticando a presença dos EUA.

Os EUA não são, de modo algum amigos de Bagdá, disse no sábado (29) o líder do Irã em uma reunião com o presidente do Iraque, indica a agência iraniana Tasnim.

Durante a reunião com o mandatário iraquiano Abdul Rashid, o aiatolá Ali Khamenei sublinhou a vontade de expandir a cooperação bilateral, particularmente através dos acordos econômicos e de segurança firmados recentemente.

Durante a reunião, na qual também participou Ebrahim Raisi, presidente do Irã, Rashid expressou sua satisfação em se reunir com o líder da Revolução Islâmica e disse que o Iraque tem relações fortes e estáveis com Teerã em várias dimensões e campos.

Khamenei também falou sobre os EUA.

"Os EUA não são amigos do Iraque. Os EUA não são amigos de ninguém. Eles não são leais nem mesmo aos seus amigos europeus. A presença de até mesmo um único americano no Iraque é demais", comentou.

 

Ø  Presidente das Filipinas promete reforçar laços com EUA antes de encontro com Biden

 

Ferdinand Marcos Jr. prevê "um relacionamento ainda mais forte" com os EUA, destacando, além da cooperação militar, questões como a segurança alimentar e energética, e as mudanças climáticas.

Ferdinand Marcos Jr., presidente das Filipinas, disse estar "determinado a forjar um relacionamento ainda mais forte" com Washington antes de uma reunião com o presidente norte-americano Joe Biden em Washington, EUA, segundo noticiado pela agência norte-americana Bloomberg.

"Vamos reafirmar nosso compromisso de promover nossa aliança de longa data como um instrumento de paz e um catalisador de desenvolvimento na região da Ásia-Pacífico e no resto do mundo", disse Marcos em um discurso no domingo (30) antes de partir para sua visita aos EUA. Os dois líderes se reunirão na segunda-feira (1º) na Casa Branca.

A visita vem depois que, em fevereiro, as Filipinas concederam aos EUA acesso a mais quatro bases militares, abrindo caminho para uma maior presença americana na Ásia-Pacífico em meio às tensões crescentes com a China sobre Taiwan e às disputas no mar do Sul da China, apesar de Manila proibir o uso ofensivo das forças de Washington presentes no país. Na sexta-feira (28) os EUA e as Filipinas concluíram seus maiores exercícios militares, Balikatan, que começaram em 11 de abril.

Espera-se que Marcos discuta acordos de defesa com Biden, além de expressar a vontade de construir laços mais fortes "em uma ampla gama de áreas não apenas quanto às preocupações de nossos tempos", mas também em áreas críticas, incluindo a segurança alimentar e energética, e mudanças climáticas.

Durante sua primeira reunião bilateral, em setembro, Biden reafirmou o "compromisso inabalável dos EUA com a defesa das Filipinas".

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Refinaria em Ilhéus é intenção de cariocas

Uma empresa carioca, a Noxis Energy, é a mais nova forte candidata a implantar na Bahia uma refinaria de gás liquefeito de petróleo, gasolina, diesel e óleo combustível para navios.

O projeto de R$ 5,3 bilhões tem sua sede planejada para Ilhéus, considerando a estratégia de logística, além da escalada de investimentos rumo aos 500 anos do município, a serem comemorados em 2034.

Já há um protocolo de intenções firmado com o governo baiano, representado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, com previsão de início das obras dentro de dois anos.

A previsão inicial é a de geração de 3.500 empregos nas obras de construção da refinaria, mantendo-se estável o número de postos de trabalho em 600 quando as máquinas começarem a operar.

– É com muita satisfação que anunciamos que a Bahia vai ganhar mais uma refinaria. Atualmente contamos com duas em operação, a Acelen, empresa que administra a Refinaria Mataripe, e a Dax Oill Refino, localizada em Camaçari – afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida.

Segundo Angelo Almeida, a refinaria ilheense tem capacidade para uma maior variedade de derivados, contribuindo na movimentação da economia no país nos setores de processamento e refino, diminuindo a dependência de combustíveis.

São cinco milhões de toneladas anuais saindo de Ilhéus para os diversos pontos de distribuição, caso saia da intenção para a materialidade o pacto entre governo e iniciativa privada.

A Noxis Energy é uma empresa de capital privado que iniciou suas atividades no ano de 2018, e trabalha principalmente no refino de petróleo.

•        Guzerá brasileiro na África

O porte imponente, cabeça alta e o perfil rústico, combinando ao fácil manejo, compõem aspectos do gado zebu Guzerá, prestes a chegar ao Senegal, na África, em exportação de 300 exemplares para reprodução. A iniciativa de criadores paulistas pode despertar a atenção dos pecuaristas baianos, considerando o plano em curso de alcançar outros 14 países africanos, além do viés de maior proximidade étnica com o povo senegalês. O Núcleo Criadores de Guzerá da Bahia e Sergipe, criado em 1996, reúne investidores nesta peculiar espécie. Entre os municípios baianos onde há criação de Guzerá, estão Jeremoabo, Jaguaquara e Itagimirim.

 

       Cidades afetadas pela chuva no sul da Bahia vão receber R$ 3,9 milhões

 

Foi aprovado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional o repasse de R$ 3,9 milhões para os municípios de Santa Cruz Cabrália e Ilhéus, no sul e extremo sul da Bahia. A verba será utilizada para assistência humanitária, após as cidades terem sido atingidas por fortes chuvas e terem entrado em situação de emergência.

Diante do cenário, a Prefeitura de Ilhéus anunciou o cancelamento do festival de comemoração do aniversário da cidade. Os recursos que seriam destinados ao evento serão redirecionados para ajudar as famílias afetadas pela chuva.

Já a Prefeitura de Santa Cruz Cabrália anunciou que não haverá mais festa junina esse ano, e que todo o dinheiro que seria gasto nos festejos também serão usados para dar assistência à população atingida e na reconstrução das áreas afetadas.

 

Fonte: A Tarde/Correio