Tempos
diferentes, corações compartilhados: o que aproxima a China e os EUA
Enquanto
os líderes da China e dos Estados Unidos se preparam para se reunir em
Washington, na esperança de buscar pontos em comum e oportunidades de
cooperação, o foco inevitavelmente cai sobre o que acontece entre os dois
governos.
No
entanto, a relação entre os dois países também tem sido moldada por incontáveis
encontros entre pessoas comuns. Elas se encontraram em circunstâncias muito
diferentes — em comunidades, em tempos de dificuldades e em campos de jogo. Podem
vir de origens diferentes, mas o que une as pessoas é algo profundamente
humano: momentos de bondade, a disposição de ajudar quando mais importa ou até
mesmo uma paixão compartilhada.
<><>
Crescendo juntos:
Esse
laço pode ser traçado há mais de um século, até uma jovem de Iowa que esperava
dar às meninas e mulheres chinesas oportunidades que muitas nunca tinham tido
antes. O nome dela era Lydia Trimble.
Em
1889, após se formar na que é hoje a Universidade do Norte de Iowa, Lydia
chegou a Fuzhou, na província de Fujian, no sudeste da China, como missionária.
Ela logo viu que muitas meninas e mulheres tinham pouco acesso à educação,
ficando como flores de lótus sem raízes, à deriva para onde quer que a
correnteza as levasse.
Tendo
tido a oportunidade de receber uma educação, Lydia não podia ficar de braços
cruzados. Ela acreditava que meninas e mulheres mereciam a chance de adquirir
conhecimento, tornar-se independentes e ter uma voz mais forte em suas próprias
vidas.
O que
começou como uma missão tornou-se o compromisso de sua vida. Ela permaneceu na
China por cinco décadas, até sua morte em 1941. Ajudou a estabelecer escolas
para meninas e mulheres de diferentes idades e origens, abrindo portas para
oportunidades que lhes permitiram descobrir o que queriam na vida. Mas abrir
essas portas exigia determinação e perseverança. Quando uma das escolas
enfrentou dificuldades para conseguir financiamento, Lydia recorreu à sua
família a milhares de quilômetros de distância, em Iowa. Seu irmão mais velho,
James, chegou a hipotecar a própria fazenda para ajudar a transformar a visão
dela em realidade.
Afortunadamente,
os esforços de Lydia valeram a pena, e a educação mudou a vida de muitas
meninas e mulheres. Uma de suas alunas, He Zhenni, mais tarde viajou para Iowa
para estudar no Coe College. Ela acabou se tornando a primeira mulher chinesa a
servir como diretora de uma escola de ensino médio na província de Fujian.
O
sobrinho-neto de Lydia, Gordon Trimble, mais tarde descobriu mais sobre a vida
incrível dela por meio de seus diários e documentos de família. Entre as
histórias que encontrou, havia uma que permaneceu com ele: Lydia certa vez
interveio para proteger uma menina de 10 anos que corria o risco de ser soldada
em casamento a um homem mais velho. Para Gordon, a crença de sua tia-avó em
usar suas habilidades para ajudar os outros tornou-se parte da história de sua
família e, eventualmente, parte de sua própria vida.
Em
2005, mais de um século depois de Lydia ter cruzado o Pacífico pela primeira
vez, Gordon viajou para Fuzhou e lecionou na faculdade que sua tia-avó tinha
ajudado a estabelecer. Ele não estava mais simplesmente lendo sobre a vida de
Lydia em diários e documentos antigos. Estava caminhando pelo lugar onde o
trabalho dela tinha criado raízes. “Trata-se de: se você pode fazer algo
melhor, eu devo ajudá-lo. Porque, uma vez que você é capaz de fazer isso, a
comunidade se torna melhor”, disse Gordon.
<><>
Apoiando-se mutuamente:
Esse
mesmo espírito de ajudar os outros pode assumir muitas formas. Em tempos de
guerra, pode significar arriscar a própria vida para proteger a de outra
pessoa.
Em
1940, a China vinha lutando contra o Japão há quase uma década, e a guerra
tinha cobrado um preço alto de sua força aérea. Em setembro daquele ano, mais
de 20 pilotos chineses experientes foram mortos em combates sobre Wuhan,
deixando a China em uma necessidade ainda maior de pilotos e aeronaves para
defender seus céus. A ajuda veio do outro lado do Pacífico. Em 1941, os Estados
Unidos e a China chegaram a um acordo que abriu caminho para que veteranos
militares e voluntários americanos fossem para a China, ajudassem a defender o
país e mantivessem suprimentos vitais em movimento. Naquele ano, cerca de 100
veteranos americanos se juntaram ao Grupo de Voluntários Americanos, mais tarde
conhecido como Tigres Voadores. Harry Moyer foi um deles. Depois de aprender
sobre o sofrimento do povo chinês durante a guerra, ele fez sua escolha. “Escolhi
ir para a China porque queria lutar pela China”, lembrou Moyer mais tarde.
Um dos
capítulos mais desafiadores da guerra veio quando a China teve que encontrar
outra linha de vida depois que a Estrada Yunnan-Mianmar foi cortada, uma rota
crucial para suprimentos chegarem ao sudeste da China. Outro caminho precisava
ser encontrado. Foi quando a ponte aérea sobre a cordilheira de Hump se tornou
vital. Tripulações aéreas chinesas e americanas trabalharam lado a lado para
manter a nova rota vital aberta, voando entre a Índia e o sudeste da China
sobre os Himalaias. Carregavam combustível, munições, equipamentos e outros
suprimentos desesperadamente necessários. A jornada era perigosa. Os pilotos
enfrentavam clima imprevisível, montanhas imponentes e ataques japoneses. De
acordo com registros americanos, o custo humano foi doloroso: mais de 1.300
tripulantes chineses e americanos perderam a vida. Entre maio de 1942 e
setembro de 1945, cerca de 800.000 toneladas de suprimentos chegaram à China
por via aérea, de acordo com a Agência de Notícias Xinhua. Para aqueles que
assistiam aos aviões indo e vindo, cada voo carregava um pouco mais de
esperança e um pouco mais de medo.
Emma
Jane Foster, uma enfermeira americana que serviu com os Tigres Voadores,
lembrou como as pessoas no campo de aviação contavam os aviões quando eles
saíam para uma missão e novamente quando retornavam. Se um deles não voltasse,
o coração de todos afundava. Enquanto pilotos americanos arriscavam suas vidas
no céu, chineses comuns arriscavam as suas no chão para ajudá-los. Um laço
inquebrável ganhou forma por meio de incontáveis atos de coragem e bondade
genuína. Jeffrey Greene, presidente da Fundação do Patrimônio da Aviação
Sino-Americana, passou décadas coletando e preservando histórias dos Tigres
Voadores e do povo chinês que esteve ao lado deles. Entre as histórias que ele
ouviu estão as de aldeões chineses que compartilhavam o pouco de comida que
tinham com os aviadores americanos.
A
comida era preciosa durante a guerra. As famílias muitas vezes mal tinham o
suficiente para si mesmas. No entanto, algumas guardavam o que precisavam para
os filhos e davam o restante aos pilotos. Ovos, em particular, eram tesouros.
Alguns aviadores americanos ainda se lembravam vividamente da palavra chinesa
para “ovo” mesmo décadas depois, porque era algo que recebiam com muita
frequência.
O povo
chinês também ajudou a construir e reparar pistas de pouso. Eles não tinham
nada além de martelos, mas continuavam trabalhando dia após dia. Até mesmo mães
carregando bebês se juntavam ao esforço voluntariamente. Greene lembrou de ter
ouvido como milhões de chineses participaram desses esforços de guerra. “Dois
milhões de pessoas [chinesas] fizeram isso”, disse ele. “O Congresso americano
viu isso, e houve um respeito mútuo. Nunca conheci um homem da Força Aérea
americana que tenha dito algo ruim sobre o povo chinês. Nunca!” E talvez não
tenha havido maior expressão desse laço do que o que acontecia quando um piloto
americano caía atrás das linhas inimigas.
Quando
um piloto era abatido ou forçado a pousar longe de sua base, os aldeões
chineses arriscavam suas vidas para encontrá-lo, escondê-lo e ajudá-lo a chegar
em segurança. Eles sabiam dos riscos. Se fossem descobertos por soldados
japoneses, os aldeões chineses que abrigassem um piloto americano abatido
poderiam enfrentar severas punições, até mesmo a morte. Foi assim que um laço
se forjou, não por meio de um tratado ou de um acordo oficial, mas por meio da
compaixão, da gratidão e da firme certeza de que sempre teriam o apoio um do
outro.
<><>
Jogando juntos:
Décadas
mais tarde, outro tipo de conexão está unindo jovens da China e dos Estados
Unidos por meio de paixões compartilhadas.
Durante
um recente intercâmbio esportivo juvenil entre China e EUA, quatro equipes
americanas de beisebol de Iowa, Virgínia, Oklahoma e Michigan viajaram para
Fuzhou para jogar partidas de exibição contra quatro equipes chinesas. Para
muitos dos jogadores, foi a primeira vez na China e a primeira oportunidade de
conhecer seus colegas chineses. Mas, assim que pisaram no campo, o desconhecido
rapidamente deu lugar a algo que eles já têm em comum: o amor pelo esporte. Os
jogadores competiram com foco e determinação, comemorando rebatidas e corridas
enquanto aprendiam uns com os outros. Após os jogos, eles trocaram técnicas de
beisebol, presentes e histórias sobre suas vidas.
Para o
jogador de beisebol de Iowa Shawn Simmons, a experiência foi sobre muito mais
do que o placar final. “Eu realmente me diverti muito. Eu arremessei. Acabamos
vencendo, mas não era isso o que realmente importava”, disse ele. “Fizemos
amizades muito boas com algumas das pessoas da equipe.”
Julian
Skosey-LaLonde, técnico assistente da equipe de beisebol de Iowa, também ficou
impressionado com os diferentes estilos de jogo que viu entre os jogadores
chineses e americanos. “Nenhum movimento é mais correto do que o outro”, disse
ele. “É legal ver como as pessoas abordam as coisas de forma diferente. É um
ótimo exemplo de como duas pessoas podem estar competindo, mas criando uma
amizade.”
Robert
Dombrowski, técnico da equipe de beisebol de Iowa, disse esperar que seus
jogadores fossem inspirados pelo espírito de dedicação dos jogadores chineses.
“Eu na
verdade disse aos nossos jogadores: se eles conseguem dedicar oito horas por
dia à escola, vocês conseguem encontrar uma hora extra de treino e vão melhorar
muito”, disse Dombrowski. O jogo deu a eles uma linguagem comum. As amizades
deram a essa conexão uma dimensão além do campo.
Este é
apenas um exemplo de como os jovens na China e nos Estados Unidos estão
encontrando pontos em comum por meio das paixões que compartilham. E o beisebol
é apenas uma das muitas maneiras pelas quais eles se conectam por meio da
música, da cultura, da arte e da simples alegria de descobrir algo novo juntos.
Às vezes, basta uma paixão compartilhada para iniciar uma conversa. Uma música
familiar, uma história de uma viagem, um momento no campo de jogo, até mesmo
uma simples lembrança daqueles dias pode trazer de volta o calor de um primeiro
encontro, como se, por um momento, o tempo e a distância tivessem desaparecido.
Há
muitas outras histórias como essas, e você pode encontrar algumas delas no
podcast “Ni How Are You”. A série em vídeo olha além das manchetes e das
discussões geopolíticas para explorar as histórias pessoais, paixões
compartilhadas e conexões humanas que aproximam os jovens da China e dos
Estados Unidos.
¨
Xi Jinping nos EUA
O
presidente da China, Xi Jinping, iniciou nesta
quarta-feira (23/9) em Washington sua primeira visita oficial aos Estados Unidos depois de 11 anos. Mas
seu primeiro contato com o país ocorreu muito antes que ele se tornasse o líder
mais poderoso da China nas últimas
gerações.
Quatro
décadas atrás, Xi era funcionário municipal no norte da China. Na época, ele
visitou o meio-oeste americano, durante uma viagem de estudos. Xi passou vários
dias no Estado americano de Iowa, aprendendo sobre agricultura e visitando
fazendas, hospedado com uma família local. A imprensa estatal chinesa destacou
sua estadia naquele lar e sua amizade com o então governador de Iowa, Terry
Branstad. Ele se tornaria embaixador americano na China durante o governo Donald Trump, como forma de
destacar os vínculos pessoais de Xi com os Estados Unidos.
Atualmente,
as relações entre Washington e Pequim pouco têm a ver com as daquela época.
Elas são marcadas pela concorrência entre as duas nações pela influência
global, tarifas de importação recíprocas, controles tecnológicos e rivalidade
militar.
Além
disso, hoje com 73 anos, Xi está longe de ser aquele funcionário de baixo
escalão. Ele lidera o governo chinês há quase 14 anos, tendo transformado o
Partido Comunista e o papel do seu país no mundo.
<><>
O 'príncipe' que perdeu tudo
A vida
de Xi teve um princípio privilegiado. Ele nasceu em Pequim em 1953 e foi o
sexto filho do revolucionário comunista Xi Zhonngxun (1913-2002), que colaborou
para a fundação da República Popular da
China.
Seu pai chegou a ser alto dirigente do Partido Comunista e
vice-primeiro-ministro. Durante a infância, Xi Jinping frequentou escolas de
elite e desfrutou de muitos privilégios fora do alcance da maioria das famílias
chinesas. Mas a situação sofreu uma reviravolta quando a política se voltou
contra sua família. No início da década de 1960, seu pai foi acusado
de fazer parte de uma suposta "facção contra o partido". Ele acabou
sendo expulso do Partido Comunista e enviado para trabalhar em uma fábrica no
interior.
Como
filho de uma pessoa considerada "contrarrevolucionária", Xi foi
encaminhado à força para um programa de reeducação. Atendendo ao chamado do
então líder chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976) para que
os jovens fossem para o campo aprender com os camponeses, Xi, com 15 anos de
idade, foi transferido para uma zona rural, ao lado de milhões de estudantes
procedentes das cidades. Ao descrever a experiência em uma entrevista de 2004,
ele recordou: "Todos no trem choravam. Eu era o único que sorria. Se não
tivesse saído dali, teria chorado. Se tivesse ficado, nem mesmo sei se
continuaria vivo".
Xi
terminou na remota aldeia de Liangjiahe, na Província de Shaanxi, no oeste da
China. Lá, ele viveu por sete anos em um yaodong, uma moradia escavada
na ladeira de uma colina, onde realizou tarefas agrícolas, transportou esterco
e cavou valas.
"Vegetais
em conserva passaram a ser minha comida favorita", declarou ele, sobre
esta etapa da vida. "Até hoje me lembro deles com carinho." Xi contou
que, inicialmente, ficou "assombrado" com a dureza do trabalho,
enfrentou a fome e picadas de pulgas, mas encontrava algum alívio nas pausas
para fumar antes do almoço.
<><>
Ascensão ao poder
Aos 22
anos, Xi deixou o campo para estudar engenharia química na Universidade
Tsinghua, uma das instituições acadêmicas de maior prestígio da China. Depois
de se formar, ele trabalhou como funcionário local longe de Pequim, nas
províncias litorâneas de Fujian e Zhejiang. Elas se tornaram algumas das
regiões mais prósperas do país, após a abertura econômica da década de 1980. Após
a morte de Mao, a reabilitação política do seu pai ajudou Xi a ocupar cargos no
governo central e nas Forças Armadas. Ele começou, então, a formar relações
dentro do Partido Comunista.
Muitos
desses funcionários passariam, mais tarde, a integrar seu círculo de confiança
mais próximo.
Xi se
casou em 1979 com sua primeira esposa, Ke Lingling, filha de um ex-embaixador
chinês no Reino Unido. Mas o casamento terminou em divórcio três anos depois. Um
amigo comum o apresentou posteriormente à sua atual esposa, a cantora de música
folclórica do Exército Peng Liyuan. Ela já era muito conhecida na China, graças
às suas apresentações nos especiais de televisão do Ano Novo Lunar,
acompanhados todos os anos por milhões de espectadores. Para muitos chineses,
durante as décadas de 1980 e 1990, Peng era mais conhecida que o funcionário
provincial com quem se casou.
Peng
acompanha Xi frequentemente nas suas viagens para o exterior, rompendo com a
imagem discreta mantida tradicionalmente pelas primeiras-damas chinesas. Sua
única filha, Xi Mingze, nasceu em 1992. Sabe-se pouco sobre ela, exceto que
estudou na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Em 2007, após um breve
período como dirigente máximo de Xangai, Xi ingressou no Comitê Permanente do
Politburo, o principal órgão de tomada de decisões da China. E, cinco anos
depois, ele sucedeu Hu Jintao como líder do
Partido Comunista. Como dirigente máximo do país, Xi transformou o sistema
político e econômico da China, de forma que poucos teriam imaginado.
<><>
A China de Xi
Durante
quase 14 anos de Xi no poder, a China passou a se mostrar cada vez mais segura
de si. No plano internacional, Xi Jinping ampliou a presença global do país,
com projetos como a Nova Rota da Seda, quando apresentou
Pequim como defensor do chamado Sul Global. Paralelamente, as relações entre a
China e muitas democracias passaram a ser mais tensas, com o aumento das
disputas no Mar do Sul da China, maior pressão sobre Taiwan e a concorrência
cada vez mais intensa com os Estados Unidos. Mas o legado de Xi
também é marcado por maior controle político dentro da China.
Sob sua
liderança, Pequim depositou muito mais ênfase na segurança e na estabilidade
política, aplicando medidas repressivas em regiões como Xinjiang, Tibete e Hong
Kong. Segundo seus partidários, estas medidas restauraram a ordem no país. Mas,
para seus críticos, elas restringiram significativamente as liberdades civis. Xi
conseguiu impulsionar uma doutrina política que leva seu nome: o
"Pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas
para uma nova era".
Seus
dois predecessores — Hu Jintao e Jiang Zemin — não conseguiram incorporar suas
ideias à composição ideológica oficial do Partido Comunista Chinês, como fez o
atual presidente. Xi também eliminou da Constituição o limite de mandatos
presidenciais. Por isso, ele conseguiu permanecer no cargo por mais de dois períodos.
A
imprensa estatal chinesa costuma apresentar o presidente como uma figura séria,
mas Xi também demonstra ocasionalmente uma faceta mais relaxada. Ele já
comentou sua paixão pelo futebol, chegando a brincar com um primeiro-ministro
tailandês sobre os maus resultados da seleção masculina chinesa.
Xi
Jinping também já compartilhou uma cerveja com o ex-primeiro-ministro britânico
David Cameron e chegou a brincar com um presidente da Coreia do Sul sobre a
conveniência de verificar se os telefones Xiaomi fabricados na China teriam
algum "truque de espionagem", antes de aceitá-los de presente.
<><>
Amigos ou rivais?
As
relações de Xi com líderes estrangeiros atravessaram diferentes etapas,
refletindo as mudanças de prioridades da política externa chinesa. Nenhum líder
estrangeiro mantém relação mais estreita com ele que o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Desde
que Xi chegou ao poder, eles já se reuniram em mais de 40 ocasiões. O dirigente
chinês chegou até a descrever Putin como seu "confidente mais
próximo".
Já suas
relações com o presidente americano, Donald Trump, são mais complexas.
Trump
iniciou uma guerra comercial com a China durante seu primeiro mandato. Mas ele
falou frequentemente sobre Xi em termos elogiosos, chamando o líder chinês de
amigo e destacando sua força política em várias ocasiões.
Com o
primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Xi apostou
inicialmente em uma intensa diplomacia pessoal. Eles mantiveram encontros
informais, para ressaltar a cooperação entre as duas potências asiáticas. Mas
as disputas fronteiriças de 2020 levaram as relações
bilaterais ao seu ponto mais baixo em décadas.
Diferentemente
de outros líderes conhecidos pelo seu carisma pessoal ou sua capacidade de
improvisação, Xi raramente coloca as relações individuais acima dos interesses
do Estado. O certo é que, durante esta semana em Washington, Xi não será mais o
curioso funcionário local que percorreu as fazendas de Iowa quatro décadas
atrás, mas sim uma das figuras políticas mais influentes do século 21.
Fonte:
Por Chen Ziqi, na CGTN/BBC News Mundo

Nenhum comentário:
Postar um comentário