sábado, 26 de setembro de 2026

Por que polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) veio à público desmentir comentários que circulam nas redes sociais de que, se eleito, pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil por meio de um suposto projeto de lei.

"Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", afirmou Flávio em um vídeo publicado na noite de quinta-feira (24/9), acusando o PT de explorar eleitoralmente o caso.

A controvérsia se instalou após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, feito durante o programa Em Pauta, da GloboNews, e que viralizou nas redes sociais.

Ao analisar aspectos da disputa eleitoral, incluindo o voto feminino e o comportamento do eleitorado religioso, Fernandes afirmou haver "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria "mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira".

No comentário, a jornalista diz que essa reação poderia ter efeito entre eleitores católicos em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição e trava uma disputa apertada com Flávio, segundo as pesquisas.

Na fala exibida pela emissora, Fernandes não atribuiu o suposto projeto a Flávio Bolsonaro. Depois da transmissão, porém, o trecho passou a circular acompanhado da afirmação de que o candidato do PL pretendia retirar ou apoiava a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

Não há, porém, evidências de que o senador tenha apresentado ou apoiado uma proposta com esse objetivo.

Após a repercussão, a GloboNews fez uma retratação na madrugada desta sexta-feira (25/9) e se desculpou pelo erro.

A polêmica ocorre em um momento em que bispos e arcebispos da Igreja Católica defenderam publicamente a soberania nacional e o compromisso com a população mais pobre, posicionamentos próximos dos defendidos por Lula. Ao mesmo tempo, a Igreja Católica reafirmou que não indica candidatos ou partidos.

<><> Projeto de 2008 foi arquivado

Existe um projeto de lei sobre o assunto, mas ele não é atual e não tem relação com Flávio Bolsonaro.

O PL 2.623 foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época do PMDB de Mato Grosso.

A proposta pretendia alterar a Lei nº 6.802, de 1980, substituindo a referência a Nossa Senhora Aparecida como "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

O projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados em julho de 2008 e definitivamente arquivado em 22 de agosto daquele ano, depois que terminou o prazo para apresentação de recurso. Ou seja, não há atualmente tramitação daquela proposta no Congresso.

A própria Câmara já havia esclarecido, em 2018, quando alegação semelhante circulou nas redes, que o PL estava arquivado desde 2008.

Na madrugada desta sexta-feira (25/9), horas depois do comentário de Maria Cristina Fernandes, a GloboNews esclareceu que o projeto mencionado havia sido apresentado em 2007 e arquivado em 2008.

"Nós pedimos desculpas pelo erro", disse a apresentadora Marcelly Setúbal, ao ler o posicionamento da emissora na Edição da Meia-Noite.

Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro compartilhou o momento em que a emissora se retratou e acusou seus adversários de usarem esse episódio para atacá-lo.

"Respeito todas as religiões e também quem não tem religião!", disse o senador.

<><> 'O Brasil é do Senhor Jesus Cristo'

Após a fala da jornalista viralizar nas redes sociais, uma declaração de Flávio Bolsonaro feita ainda na pré-campanha voltou a circular.

Na ocasião, o senador disse que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo.

"Se eu for presidente do Brasil, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", disse na publicação feita no dia 24 de agosto.

Opositores do senador e alguns membros da Igreja Católica interpretaram a declaração como uma indireta ao fato de Nossa Senhora Aparecida ser a padroeira do Brasil.

O tema religioso tem ganhado espaço na reta final do debate eleitoral, com declarações de bispos e arcebispos da Igreja Católica defendendo a soberania nacional e o compromisso com a população mais pobre.

"Nós não temos partido. Mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia", disse o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em vídeo divulgado nesta semana.

Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages (SC), advertiu contra a manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus: "As igrejas não são currais eleitorais", afirmou, no que parece uma referência a relatos de lideranças evangélicas pedindo votos ao bolsonarismo.

O alto clero católico não declarou apoio a nenhum dos candidatos, mas temas como justiça social e, especialmente na campanha de 2026, defesa da soberania, são associados a Lula e ao PT.

Em junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirmou que não indica candidatos ou partidos, mas pediu respeito à Constituição, às instituições, ao resultado das urnas e à verdade no debate público.

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, também defendeu a formação da consciência dos eleitores.

<><> Católicos e evangélicos divididos pelo voto

A dez dias do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro, a disputa por votos entre Flávio Bolsonaro e Lula está acirrada.

O petista tem 40% de intenção de voto, enquanto o filho de Jair Bolsonaro aparece com 37% no primeiro turno, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil nesta sexta-feira (25/9).

O candidato Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro na disputa com uma intenção de voto de 5% nos cálculos do agregador. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), também com 3%.

O filho de Jair Bolsonaro tem conseguido aumentar seu desempenho nas pesquisas de primeiro turno: dez dias atrás, ele aparecia com 35% e Lula, com 39%.

Nas simulações de segundo turno, quando o cenário mais provável até aqui é de uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece à frente com 46%, enquanto o presidente tem 45%.

Quando o tema é religião, pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra que, entre os católicos, 45% pretendem votar em Lula no primeiro turno, contra 33% que dizem preferir Flávio.

No campo evangélico, o bolsonarista tem 47% das intenções de voto, contra 27% do petista.

<><> Por que Nossa Senhora Aparecida é padroeira do Brasil?

O reconhecimento formal de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país veio no século 20. Em 1930, o papa Pio 11 proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.

Documento do Vaticano publicado 75 anos depois, durante o pontificado de Bento 16, confirma que a proclamação ocorreu por meio de uma bula de Pio 11 e tinha, entre seus objetivos, ampliar a devoção à Imaculada Conceição no país.

A escolha de Aparecida consolidava uma devoção que havia se expandido pelo território brasileiro desde o encontro da imagem no rio Paraíba do Sul, em 1717.

A imagem é uma representação de Nossa Senhora da Conceição e ganhou o nome de "Aparecida" de maneira popular, em referência ao fato de ter sido encontrada nas águas.

A devoção mariana, por sua vez, já estava presente no Brasil desde a colonização portuguesa. A data atualmente associada à santa, porém, só foi definida posteriormente.

Embora a imagem tenha sido encontrada em outubro de 1717, o dia da Padroeira passou a ser celebrado em 12 de outubro a partir de 1953.0

Antes disso, a festa chegou a ocorrer em diferentes momentos do calendário, incluindo o primeiro domingo de maio, o quinto domingo da Páscoa, 7 de setembro e 8 de dezembro.

Segundo o historiador Leandro Karnal, ouvido pela BBC News Brasil, a escolha do dia 12 ajudou a criar uma conexão entre referências religiosas e cívicas da história brasileira.

Foi somente em 1980, no entanto, que 12 de outubro se tornou feriado nacional por lei. Sancionada pelo então presidente João Figueiredo em 30 de junho daquele ano, a Lei nº 6.802 declarou a data feriado nacional para "culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil". A legislação continua em vigor.

É justamente essa lei que estava no centro do projeto mencionado na polêmica recente. O PL 2.623/2007 não propunha abolir a referência a Nossa Senhora Aparecida, mas alterar a redação da Lei nº 6.802 para substituir a expressão "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

¨      Autor do projeto foi assessor de Bolsonaro

polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o título de Padroeira do Brasil trouxe novamente ao centro do debate eleitoral o ex-deputado federal Victório Galli Filho, autor do projeto de lei que propôs alterar a denominação oficial da santa católica e que, após se aproximar do bolsonarismo, foi nomeado assessor especial da Presidência da República por Jair Bolsonaro em 2019.

O tema voltou ao radar após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar nesta quinta-feira (14) a existência de uma reação de setores da Igreja Católica a uma suposta movimentação de grupos evangélicos para retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira nacional.

A discussão ganhou repercussão porque Galli, que hoje disputa novamente uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Progressistas (PP) em Mato Grosso e apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), é o autor da proposta que, em 2007, previa substituir o título de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A associação com Flávio também ocorre após uma declaração dada pelo senador durante a pré-campanha, quando afirmou que, caso fosse eleito presidente, decretaria que o Brasil “pertence a Jesus Cristo” — declaração que dialoga com os interesses do eleitorado evangélico.

Flávio nega que tenha qualquer intenção de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida. Após a circulação de conteúdos associando seu nome ao tema, o candidato foi às redes sociais e afirmou que a informação era falsa.

“Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, afirmou.

O episódio, porém, recolocou em debate a trajetória política de Victório Galli, sua ligação com o campo bolsonarista e a relação entre religião e política na disputa eleitoral de 2026.

<><> O projeto que propunha “rebaixar” Nossa Senhora Aparecida

O projeto de lei que está no centro da controvérsia foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli Filho (MT).

A proposta previa modificar a denominação oficial de Nossa Senhora Aparecida, retirando a expressão “Padroeira do Brasil” e substituindo-a por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Na justificativa do texto, Galli argumentava que a mudança evitaria que o Estado brasileiro conferisse privilégio institucional a uma determinada religião.

A proposta não avançou na Câmara dos Deputados e acabou arquivada em 2008.

Embora o projeto não tenha sido apresentado por Flávio Bolsonaro, ele voltou ao debate durante a atual disputa eleitoral em razão da proximidade política entre o ex-deputado e a família Bolsonaro, além das declarações do senador sobre sua relação com a fé cristã e o papel da religião na vida pública.

<><> De autor do projeto a aliado próximo do clã Bolsonaro

Pastor evangélico e integrante da bancada evangélica durante sua passagem pelo Congresso, Victório Galli construiu sua trajetória política associada a pautas conservadoras ligadas à religião. A aproximação com Jair Bolsonaro se consolidou ao longo dos anos. Em 2018, Galli disputou a reeleição para deputado federal pelo PSL, partido pelo qual Bolsonaro concorreu à presidência naquele ano. Durante a campanha, declarou apoio ao então candidato e passou a atuar próximo do grupo político que chegaria ao Palácio do Planalto.

Após a vitória de Bolsonaro, Galli foi nomeado, em fevereiro de 2019, assessor especial da Presidência da República, passando a integrar a estrutura do governo federal. A relação com a família Bolsonaro também aparece em registros públicos. Fotografias divulgadas em redes sociais mostram Galli ao lado de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro em diferentes momentos. Em uma das imagens, o ex-deputado aparece ao lado de Flávio Bolsonaro em uma agenda política.

Há também registros de encontros com Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, reforçando a proximidade entre Galli e o núcleo político da família.

A ligação com o bolsonarismo também ocorreu no campo religioso. Em 2022, Galli colocou Jair Bolsonaro em uma chamada de vídeo durante a 35ª Convenção da Igreja Assembleia de Deus (SETA), em Redenção (PA), em uma agenda voltada a lideranças religiosas. Na ocasião, Bolsonaro fez uma manifestação direcionada ao público evangélico, abordando temas políticos e eleitorais.

Atualmente, Galli tenta retornar à Câmara dos Deputados pelo PP em Mato Grosso e mantém apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro.

•        Aliado de Flávio Bolsonaro chamou arcebispo de Aparecida de “vagabundo”

rcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes virou alvo de apoiadores de Flávio Bolsonaro após pedir, em celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida no dia 7 de Setembro, que os católicos votem em quem defende a “nossa soberania”. A declaração foi, automaticamente, entendida pelos bolsonaristas como uma sinalização de voto em Lula, já que o senador defende a submissão aos interesses dos EUA e de Donald Trump.

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o arcebispo virou alvo de aliados do clã Bolsonaro. Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 14 de outubro, o então deputado estadual do PSL Frederico D’Ávila chamou Dom Orlando de “vagabundo, safado” e ” afirmou que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, é um “câncer” que “precisa ser extirpado do Brasil”.

D’Ávila, que atualmente é o primeiro suplente na candidatura do ex-ministro de Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) ao Senado, proferiu os ataques após Dom Orlando, em homilia no Dia Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, afirmar que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada”.

“Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, disse o arcebispo.

“Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora”, emendou o religioso, diante das mais de 600 mil mortes registradas pela pandemia da Covid-19 à época.

A homilia aconteceu após Jair Bolsonaro (PL) ser vaiado e chamado de “genocida” ao chegar para participar da cerimônia. Na ocasião, o ex-presidente apareceu de máscara de proteção facial, comungou e tirou foto com Dom Orlando antes de ir embora.

Dois dias depois, na Tribuna da Alesp, o deputado bolsonarista atacou o arcebispo de Aparecida ferozmente e defendeu o fim da CNBB, elogiando movimentos ultraconservadores católicos, como a Opus Dei.

“Quero complementar aqui, falar pro arcebispo Dom Orlando Brandes, seu vagabundo, safado, safado da CNBB, dando recadinho pro presidente pra população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria armada é a pátria que não se submete a essa gentália, seu safado. E a sua CNBB, propaladora da teologia da libertação, você se esconde atrás da sua batina pra fazer proselitismo político, pra converter as pessoas de bem a na sua ideologia”, disparou D’Ávila.

Em seguida, o deputado bolsonarista mirou a congregação dos bispos, que voltou a defender recentemente que os católicos votem pela democracia, soberania e em defesa dos mais pobres.

“Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer, um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, afirmou.

“E quero abraçar aqui a Opus Dei, a Arautos do Evangelho, que esses sim cuidam das pessoas e são perseguidos por gente nojenta como você, Dom Orlando Brandes e sua CNBB imunda. Canalhas, canalhas”, emendou.

A Fórum consultou os arquivos da Alesp nesta sexta-feira (25) e constatou que o vídeo com o discurso foi censurado. As notas taquigráficas também aparecem com sinais de censura aos ataques do deputado bolsonarista a dom Orlando Brandes.

<><> “Lamentável espetáculo”

Após a repercussão dos ataques, a CNBB classificou as falas como “lamentável espetáculo”.

“Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar”, disse a congregação em carta.

“Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz”, emendou.

Após a Alesp repudiar as falas, o deputado bolsonarista emitiu carta aberta se desculpando e dizendo que “meu pronunciamento, que admito ter sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento, se deu em resposta a alguns líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político”.

 

Fonte: BBC News Brasil/Fórum

 

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