Setembro
Amarelo: busca online sobre saúde mental sobe 31.037%
Durante
a campanha Setembro Amarelo, um novo levantamento mostrou um aumento expressivo
na procura por canais de ajuda, profissionais de saúde mental e redes de
suporte. As buscas online pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) se
destacaram, registrando um aumento de 31.037% nos últimos 45 dias, somando mais
de 203 mil visualizaçoes na página.
Os
dados, levantados pela plataforma Taboola na Open Web, apontam que o interesse
no termo "psicoterapia" teve uma alta de 1.600%, enquanto "apoio
psicológico" cresceu 198%.
O termo
"saúde mental" também registrou crescente de 113%, alcançando 439 mil
visualizações de páginas e associado a debates sobre ansiedade, estresse,
carreira e impacto das redes sociais.
O
próprio nome da campanha, "setembro amarelo", registrou um salto de
100% em interesse (8,3 mil pageviews), enquanto o termo geral
"psicologia" teve o maior volume absoluto de leitura, com 24 milhões
de visualizações e avanço de 53%.
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Eficácia do Setembro Amarelo
O
aumento do interesse pelos termos pode ser associado ao debate da prevenção de
suicídio no Brasil, ampliado pela campanha Setembro Amarelo.
No
entanto, não há evidências de que tenha contribuído para reduzir as taxas de
mortalidade desde sua criação. É a partir desse alerta que o Instituto Vita
Alere lançou a cartilha “Para Além do Setembro Amarelo”, voltada a psicólogos e
outros profissionais que atuam na prevenção do suicídio e na promoção da saúde
mental.
Segundo
dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 16.747 suicídios em 2024. A
taxa nacional cresceu 50,6% entre 2010 e 2024, com o aumento mais expressivo
entre jovens de 20 a 29 anos.
Para
Scavacini, psicóloga, doutora pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, a
criação da cartilha parte de uma constatação que preocupa quem trabalha com
prevenção do suicídio durante todo o ano.
"Esta
não é uma cartilha celebratória do Setembro Amarelo. As evidências científicas
disponíveis não encontraram redução nas taxas de suicídio associada à campanha
desde sua criação, em 2015. Campanhas ampliam o conhecimento sobre o tema e
facilitam a busca por ajuda, mas isso não é o mesmo que reduzir mortalidade, e
a visibilidade, isoladamente, pode até mobilizar sofrimento em pessoas mais
vulneráveis, como quem já tentou suicídio ou perdeu alguém dessa forma",
diz.
A
cartilha chama atenção para o chamado “paradoxo da visibilidade”: quanto mais
um tema ganha espaço no debate público, maior pode ser a demanda por
atendimento que ele revela. Se o sistema de saúde não tem estrutura para
responder a essa procura, a exposição pode acabar gerando frustração.
Nesse
contexto, parte do material orienta psicólogos a avaliar se as ações do
Setembro Amarelo estão acompanhadas de medidas concretas de cuidado ou se
permanecem apenas no discurso.
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Como procurar e oferecer ajuda
Identificar
os sinais de alerta de transtornos psiquiátricos é o primeiro passo para buscar
ajuda, seja para um parente ou amigo que esteja passando pela situação, ou para
si próprio.
Para
quem deseja oferecer apoio, o importante é demonstrar empatia e ter escuta
ativa às angústias da pessoa, sem julgamentos. Também é fundamental buscar o
atendimento psiquiátrica e psicológico –– mesmo quando há recusa em buscar
ajuda por parte da pessoa depressiva.
No caso
de pessoas que possuem ideação suicida, é possível buscar centros de referência
que possam oferecer acolhimento e apoio emocional à pessoa.
O
Centro de Valorização da Vida (CVV), por exemplo, oferece, gratuitamente, apoio
emocional e serviço de prevenção do suicídio para pessoas que querem e precisam
conversar, sob sigilo e anonimato.
O
atendimento pode ser feito através do telefone 188, disponível 24 horas e sem
custo de ligação, pelo chat, e-mail ou pessoalmente, direto nos postos do CVV
(consulte o site para mais informações).
• Saúde mental hoje têm desafios muito
diferentes do que há 30 anos
Cada
vez mais se fala sobre saúde mental e, com isso, aumentou também o diagnóstico
desse tipo de distúrbio. Um dado do estudo Global Burden of Disease publicado
pela revista científica The Lancet, mostrou que um bilhão de pessoas no mundo
hoje sofrem com doenças mentais, o dobro do que na década de 1990.
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Jovens estão mais preocupados e meio ambiente é uma das questões
O mesmo
estudo da The Lancet mostra que, pela primeira vez, houve um deslocamento da
faixa etária mais afetada por ansiedade, depressão e outros problemas do tipo.
Agora, os mais jovens é que maioria. “O pico do sofrimento mental está entre
pessoas de 15 a 19 anos”, reforça a especialista, que aponta como essa faixa
etária é jovem para já começar a sentir-se desse modo.
Dentre
os temas que preocupam essa faixa etária, o clima se destaca. Há até um novo
fenômeno, apelidade de "ansiedade climática". Essa ansiedade atinge não só quem sofre
diretamente com essas situações, como as vítimas das enchetes no Rio Grande do
Sul, mas quem vive fatores sociais relacionados à situação atual, como pessoas
que perdem o emprego ou vivem as mudanças de temperatura, como ondas de calor
ou frio. “Os adolescentes estão discutindo bastante isso e são uma amostra que
mais sofre com a ansiedade desse tema”, finaliza Silveira.
Notícias
ruins também se destacam como causa de sofrimento emocional. “Nosso cérebro não
distingue o que é uma ameaça real ali, no ambiente onde eu estou, e uma ameaça
que não é real. Porque essas imagens e a notícia são muito importantes”,
explica. Quando essa ameaça parece constante, se torna um fator de risco para
ansiedade, principalmente.
Ele
ainda explica que algumas pessoas são mais propensas a serem afetadas por essa
repetição: pessoas mais negativas ou mais jovens e que conseguem entender menos
como as notícias são distantes ou isoladas, podem se sentir pior.
A
conversa também destaca os impactos dessas transformações sobre crianças e
adolescentes, abordando o excesso de estímulos, a influência das telas, o medo
do futuro e os principais sinais de sofrimento emocional que merecem atenção de
pais e educadores.
Fonte:
CNN Brasil

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