Café
pode afetar intestino, colesterol, ferro e até medicamentos; entenda 7 efeitos
O café
é mais conhecido — e talvez mais valorizado — por sua cafeína e por sua
capacidade de nos fazer sentir mais acordados e alertas.
Mas o
café é muito mais do que cafeína dissolvida em água quente.
O café
é um extrato vegetal quimicamente complexo que contém centenas de compostos
bioativos. Esses compostos podem ter todos os tipos de efeitos estranhos e
maravilhosos no seu corpo, mesmo quando você bebe descafeinado.
Aqui
estão sete dos mais estranhos.
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1. O café pode fazer você ir ao banheiro
Um
estudo mostra que cerca de três em cada dez pessoas dizem sentir vontade de ir
ao banheiro logo após tomar café.
Isso
acontece rapidamente, tanto com o café normal quanto com o descafeinado.
Portanto, não se trata apenas da cafeína. Mas não está claro exatamente quais
compostos do café causam isso.
Seu
cólon também pode ficar mais ativo pela manhã, e é nesse horário que a maioria
das pessoas toma seu primeiro café.
O que
você adiciona ao café também pode afetar o funcionamento do intestino. A
lactose presente no leite ou alguns adoçantes sem açúcar também podem estimular
o funcionamento do intestino, principalmente se você consumir em grande
quantidade.
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2. O café pode afetar seu refluxo, olhos e ouvidos
O café
pode agravar os sintomas de refluxo em algumas pessoas. O refluxo, quando o
ácido estomacal volta para o esôfago, nem sempre se manifesta apenas como azia.
Ele pode contribuir para tosse, chiado no peito e outros sintomas respiratórios
quando afeta a garganta e as vias aéreas.
A
cafeína pode aumentar temporariamente a pressão intraocular em algumas pessoas
com glaucoma ou hipertensão ocular, condições nas quais a pressão no olho já
pode estar elevada. Controlar essa pressão é uma parte importante da proteção
do nervo principal do olho contra danos. Por isso, algumas pessoas com essas
condições podem ser aconselhadas a limitar o consumo de café e cafeína.
Existe
também uma condição no ouvido em que a trompa de Eustáquio, que conecta o
ouvido médio à parte posterior do nariz, permanece anormalmente aberta, o que
pode fazer com que você ouça sua própria voz ou sua respiração de forma
excepcionalmente alta. Pessoas com essa condição, conhecida como disfunção da
trompa de Eustáquio patulosa, são às vezes aconselhadas a consumir menos
bebidas com cafeína e a se manter bem hidratadas, pois a desidratação pode
agravar os sintomas. No entanto, há poucas evidências diretas de que o café,
por si só, cause a condição.
A
relação da cafeína com a enxaqueca é complicada: a cafeína pode ajudar a
aliviar uma enxaqueca, mas o consumo excessivo — ou a redução repentina em
relação ao habitual — pode desencadear uma crise em algumas pessoas.
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3. O café pode interagir com seus medicamentos
O café
pode alterar a forma como alguns medicamentos agem no organismo. Por exemplo,
ele pode reduzir a absorção do medicamento para tireoide levotiroxina e do
medicamento para osteoporose alendronato.
A
cafeína pode retardar o metabolismo do antipsicótico clozapina, aumentando sua
concentração no sangue.
Às
vezes, os medicamentos alteram o modo como o café age no seu organismo. Por
exemplo, o antibiótico ciprofloxacina retarda a metabolização da cafeína.
Assim, o café que você toma habitualmente pode permanecer no seu organismo por
mais tempo.
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4. O café pode afetar o colesterol
O café
contém compostos chamados diterpenos. Dois deles, cafestol e kahweol, podem
aumentar o colesterol total e o LDL (“ruim”).
Mas, em
estudos de curto prazo, esses mesmos compostos reduzem a lipoproteína (a), o
que pode indicar um risco menor de ataque cardíaco ou derrame.
Outros
compostos do café, incluindo os ácidos clorogênicos, podem reduzir modestamente
a pressão arterial e melhorar a função dos vasos sanguíneos.
Portanto,
de modo geral, ainda não está claro qual é o impacto do café nos indicadores de
saúde cardíaca.
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5. O café pode alimentar suas bactérias intestinais
Você
não é o único a se beneficiar do café. Experimentos de laboratório sugerem que
as bactérias do seu intestino também se beneficiam.
Alguns
dos ácidos clorogênicos do café não são absorvidos no intestino delgado e
chegam ao cólon. Lá, as bactérias os decompõem em outros compostos.
O café
contém carboidratos complexos e produtos da torrefação chamados melanoidinas
que podem chegar ao cólon, onde as bactérias intestinais podem fermentá-los.
Pequenos
estudos em humanos sugerem que beber café também pode alterar a composição do
microbioma intestinal. Mas as evidências ainda estão em desenvolvimento,
portanto, é muito cedo para considerar o café um probiótico.
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6. O café pode influenciar seus níveis de ferro
O café
também pode limitar a quantidade de ferro que você obtém dos alimentos. Beber
café durante uma refeição pode reduzir substancialmente a absorção do ferro
não-heme – a forma encontrada principalmente em alimentos vegetais.
Isso
não se deve principalmente à cafeína. Os polifenóis presentes no café,
incluindo os ácidos clorogênicos, podem ligar-se ao ferro no trato digestivo,
dificultando sua absorção.
Isso é
mais relevante para pessoas que já apresentam baixos níveis de ferro ou que
dependem fortemente de fontes vegetais de ferro, e não deve ser motivo para que
todos deixem de tomar café no café da manhã.
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7. O café pode estimular o intestino
O café
pode estimular partes do seu sistema digestivo a entrar em ação, mesmo quando
não há alimentos para digerir. Ele pode estimular o pâncreas a liberar
tripsina, uma enzima envolvida na digestão de proteínas.
Isso
ocorre tanto com o café normal quanto com o descafeinado, sugerindo que outros
compostos presentes na xícara estão interagindo com o sistema digestivo.
Não
está claro se esse “alerta” digestivo altera a sensação de fome.
O café
também pode afetar os hormônios intestinais envolvidos no apetite e na sensação
de saciedade. Mas os estudos não demonstraram de forma consistente se isso se
traduz em comer mais ou menos.
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Então, o que tudo isso significa?
A
cafeína e a sensação de maior estado de alerta podem ser as características
mais conhecidas do café, mas isso está longe de ser toda a história. A cafeína
pode fazer muito mais do que isso.
Uma
xícara de café contém centenas de compostos que podem interagir com nosso
sistema digestivo, microbioma, medicamentos, nutrientes e muito mais — às vezes
de maneiras confusas e inesperadas.
Fonte:
Por Emma Beckett - professora Sênior de Nutrição e Ciência de Alimentos da
Australian Catholic University, em g1

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