sábado, 26 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro tentou contato por quatro dias antes da prisão de Vorcaro

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou falar com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nos quatro dias que antecederam a primeira prisão dele, em 17 de novembro de 2025. As informações foram reveladas pelo jornal Estado de São Paulo, que teve acesso a detalhes inéditos de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido na ocasião. Procurada pelo jornal, a assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu.

Segundo os registros, o senador enviou mensagens, fez chamadas não atendidas e pediu que o banqueiro lhe desse “uma luz” na véspera da prisão. As tentativas ocorreram entre 13 e 16 de novembro de 2025, período em que Vorcaro já era alvo de investigação da PF por suspeitas envolvendo a gestão do Banco Master.

No dia 13 de novembro, Flávio escreveu a Vorcaro às 9h13: “Fala mermao! Bom dia! Pode atender?”. O banqueiro respondeu que retornaria em meia hora, mas a conversa não registrou ligação posteriormente.

No dia seguinte, 14 de novembro, o senador fez uma chamada de voz que não foi atendida, às 12h36. Em 15 de novembro, Vorcaro justificou a ausência: “Fala irmão. Tava trânsito voo o tem (sic)”. Flávio voltou a perguntar: “Pode atender?”.

A última tentativa registrada antes da prisão ocorreu em 16 de novembro. Após nova chamada perdida, Vorcaro afirmou que não poderia atender porque estava na igreja e disse que ligaria depois. Às 15h46, Flávio respondeu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. S6 preciso que me dê uma luz! Abs”.

Vorcaro foi preso no fim da tarde do dia seguinte, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um voo para o exterior. O mandado de prisão havia sido expedido no início da tarde pela 10ª Vara Federal de Brasília e, inicialmente, seria cumprido apenas em 18 de novembro. A operação foi antecipada sob suspeita de tentativa de fuga.

A PF identificou que o contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro começou em dezembro de 2024, mas encontrou o histórico mais antigo de mensagens apagado. Por isso, os investigadores tiveram acesso apenas aos três últimos meses de conversas entre os dois.

Nesse intervalo, o senador cobrou o banqueiro pelo repasse de valores destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Parte dessas mensagens já havia sido divulgada em maio pelo site Intercept Brasil.

Em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro de 2025, às 22h11, Flávio demonstrou preocupação com os compromissos financeiros do projeto. “Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão”, disse.

Logo depois, o senador enviou uma mensagem de texto ao banqueiro: “Preferi te mandar um áudio pra vc ouvir com calma aí, mermão! abs!”. Vorcaro respondeu que tentaria viabilizar os pagamentos. “Te peço desculpas, semana passada foi muito dificil pra mim”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu vou resolver amanha”.

Após a troca de mensagens, Flávio e Vorcaro conversaram por uma chamada de WhatsApp de 2 minutos e 38 segundos. Segundo o relato, o conteúdo desse tipo de ligação não pôde ser recuperado pela Polícia Federal.

A semana anterior ao áudio havia sido marcada por uma decisão importante contra o Banco Master. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central reprovou a operação entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), depois de pouco mais de cinco meses de análise.

Nas semanas seguintes, Flávio e Vorcaro seguiram conversando sobre o filme e chegaram a marcar encontros presenciais. Já em novembro, quando o senador intensificou as tentativas de contato, a investigação da PF sobre suspeitas envolvendo a gestão do Banco Master era pública, assim como a pressão para que o Banco Central liquidasse a instituição controlada pelo banqueiro.

Anotações encontradas no celular de Vorcaro indicam, segundo a PF, que ele teve conhecimento antecipado de que poderia ser alvo de alguma medida policial e passou a discutir um plano para deixar o país.

Parte dessas mensagens, de acordo com a investigação, foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em busca de ajuda para tentar frear as apurações. Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro questionou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

•        Nas asas do Master: Flávio Bolsonaro voou em jatinho de Daniel Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou em janeiro de 2025, acompanhado da mulher e das duas filhas, em um jatinho que tinha entre seus proprietários uma empresa da qual Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, era sócio. A informação foi revelada pela revista piauí, que identificou a aeronave a partir do cruzamento de registros de tráfego aéreo e dados aeroportuários.

O avião era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo a reportagem, a Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio naquele momento, detinha um terço das cotas da aeronave, participação adquirida no fim de 2024. A companhia também operava o jato por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Vorcaro permaneceu como sócio da Prime You até setembro de 2025.

<><> Voo da Flórida para Brasília

A viagem ocorreu em 19 de janeiro de 2025. O avião decolou do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, na Flórida, e pousou em Brasília. Além de Flávio Bolsonaro, estavam a bordo sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador.

Tomaz confirmou à piauí que possuía, por meio de uma empresa, outra das três cotas do Legacy 650. De acordo com relatório da Polícia Federal citado pela revista, cada participação de 33,33% na aeronave estava avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.

A existência da viagem de Flávio e Tomaz entre Fort Lauderdale e Brasília havia sido revelada anteriormente por O Globo. A piauí avançou na apuração ao identificar que o avião utilizado era justamente o PP-NLR, cruzando registros históricos de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro.

<><> O mesmo jatinho usado por Alexandre de Moraes

O Legacy 650 ganhou projeção nacional porque foi a mesma aeronave utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025, sete meses depois da viagem de Flávio Bolsonaro.

A participação de Vorcaro na estrutura societária do avião acrescenta um novo elemento às relações que vêm sendo reveladas entre personagens da política, empresários e pessoas próximas ao ex-banqueiro.

A própria piauí já havia revelado que Flávio utilizou durante a campanha presidencial um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa de Willer Tomaz e anteriormente pertencente a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A revista também mostrou conexões envolvendo uma propriedade utilizada pela família Bolsonaro em Angra dos Reis e administrada pela Prime You.

<><> Willer Tomaz diz que ofereceu carona a Flávio

Em nota enviada à piauí, Willer Tomaz afirmou que detinha um terço das cotas da sociedade proprietária do avião e que sua participação era administrada pela Prime You. Segundo ele, os voos contratados eram privados e não remunerados e, quando havia lugares disponíveis, amigos com o mesmo destino eram convidados a viajar sem qualquer pagamento ou contrapartida.

Tomaz afirmou ainda que só tomou conhecimento em abril de 2026 de que Daniel Vorcaro também teria adquirido uma participação na aeronave. Segundo sua versão, após descobrir a participação do ex-banqueiro, denunciou o contrato e entrou em litígio com a Prime You. O advogado declarou não conhecer Vorcaro pessoalmente e negou ter realizado negócios com ele.

A revelação sobre o jatinho amplia o escrutínio sobre as relações de Flávio Bolsonaro com pessoas e estruturas empresariais que também tiveram vínculos com Vorcaro. As circunstâncias financeiras envolvendo o Banco Master e personagens próximos ao ex-banqueiro seguem sob investigação das autoridades.

•        PF acha nova reserva de Flávio Bolsonaro em jatinho ligado a Vorcaro

 Uma nova reserva de voo encontrada pela Polícia Federal registra o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sua mulher e suas filhas entre os passageiros previstos para viajar em um jatinho operado pela Prime You, empresa que teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como sócio. A programação, de janeiro de 2024, previa um deslocamento entre Brasília e São Paulo, mas a PF concluiu que a viagem não ocorreu nas condições indicadas inicialmente.

Segundo o jornal O Globo, a informação consta de documentos extraídos do celular do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na investigação sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O material revela uma nova reserva envolvendo Flávio Bolsonaro e o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, aeronave que o presidenciável utilizaria posteriormente, em janeiro de 2025, para retornar dos Estados Unidos a Brasília.

De acordo com reportagem, Willer recebeu, em 13 de janeiro de 2024, um e-mail enviado pela Prime You com informações sobre uma viagem marcada para o dia seguinte.

A mensagem tinha como assunto “Confirmação de voo”, acompanhada do número da reserva. Na lista de passageiros estavam Willer, familiares do advogado, Flávio Bolsonaro, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas do casal.

O voo estava programado para partir de Brasília em direção ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A aeronave indicada era justamente o Legacy 650 PP-NLR.

<><> PF conclui que voo reservado não ocorreu como previsto

A PF, contudo, concluiu que a viagem entre Brasília e São Paulo não ocorreu nas condições estabelecidas na programação encontrada pelos investigadores.

Registros migratórios mostram que Willer entrou no Brasil às 22h13 do próprio dia 14 de janeiro, procedente da Cidade do Panamá e a bordo de outra aeronave privada.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, entrou no país às 00h43 do dia seguinte, também procedente da capital panamenha, mas utilizando um voo comercial.

Dados de plataformas de monitoramento de tráfego aéreo também indicam que o Legacy 650 permaneceu em Brasília durante o dia 14 de janeiro de 2024. Dois dias depois, a aeronave viajou para Miami.

<><> Flávio diz que acreditava que avião era de Willer

O mesmo jatinho aparece em outro episódio envolvendo Flávio. Em 19 de janeiro de 2025, ele utilizou a aeronave para retornar de Fort Lauderdale, na Flórida, a Brasília. Willer e integrantes de sua família também estavam a bordo.

Em entrevista ao O Globo, Flávio afirmou que não sabia da relação da Prime You com a aeronave e que acreditava que o avião pertencia ao advogado.

“Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade”, declarou.

O candidato do PL à Presidência foi procurado pelo jornal para comentar especificamente a reserva de janeiro de 2024 entre Brasília e São Paulo, mas não se manifestou.

<><> Willer nega participação de Vorcaro

Após a revelação da viagem realizada em janeiro de 2025, Willer também negou qualquer participação de Vorcaro no episódio.

Em nota, o advogado afirmou que “não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza”.

“Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente. Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”, afirmou.

Willer sustenta que possuía cotas que lhe davam direito ao uso do avião. Procurado por O Globo para se manifestar especificamente sobre a nova reserva de janeiro de 2024, ele não comentou.

<><> Prime You operava o Legacy 650

O vínculo empresarial em torno da aeronave é um dos elementos analisados pela investigação. Vorcaro foi sócio da Prime You, empresa de táxi aéreo, até setembro de 2025.

Segundo a reportagem, a Prime You havia firmado, em dezembro de 2022, um contrato com duração de dez anos para operar e administrar o Legacy 650 PP-NLR. A proprietária formal da aeronave era a Fraction 024.

Documentos em poder da PF indicam que Vorcaro, por intermédio de uma de suas empresas, possuía 33% da Fraction 024, uma sociedade anônima.

O mesmo Legacy 650 também foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025, conforme havia revelado anteriormente o colunista Lauro Jardim, de O Globo.

<><> Jatinho aparece em documentos sobre escritório de Viviane Barci

A Fraction 024 também aparece em documentos encontrados pela Polícia Federal sobre a relação empresarial entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

Em maio de 2025, a Viking Participações, de Vorcaro, firmou com o escritório um contrato de prestação de serviços advocatícios que poderia alcançar R$ 50 milhões.

Uma semana depois, as partes assinaram um termo que previa a quitação de R$ 40 milhões por meio da transferência de participações em duas empresas relacionadas a aeronaves.

Uma dessas participações correspondia a 33,33% da Fraction 024, proprietária do Legacy 650 PP-NLR. A outra equivalia a 20% de uma empresa relacionada a um helicóptero.

Pelo acordo descrito nos documentos, os R$ 10 milhões restantes seriam pagos mediante reembolso de despesas relacionadas ao uso das aeronaves.

O escritório afirma que não adquiriu as cotas previstas no acordo.

•        “Nunca entrei no avião do Vorcaro”: declaração de Flávio Bolsonaro viraliza após revelação sobre voo em jato do dono do Master

A declaração antiga de Flávio Bolsonaro (PL) negando ter viajado em avião de Daniel Vorcaro voltou a circular nas redes sociais depois da revelação de que o candidato à Presidência usou uma aeronave ligada ao dono do Banco Master em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil.

Flávio, sua mulher, Fernanda, e as duas filhas do casal voaram da Flórida a Brasília, em janeiro de 2025, em um jato pertencente a Vorcaro. O caso ganhou nova repercussão após a viralização de um vídeo antigo em que o senador afirma exatamente o contrário.

No registro recuperado na internet, Flávio aparece ao lado de Fernanda e diz: “Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro”.

A viagem ocorreu em 19 de janeiro de 2025, no trecho entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. Documentos analisados pelo jornal indicam que Flávio e seus familiares embarcaram no Legacy 650 de prefixo PP-NLR.

A aeronave tinha entre seus donos cotistas a Prime You, empresa operadora do jato e da qual Daniel Vorcaro era um dos sócios. Também figurava entre os cotistas o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio Bolsonaro, que também estava no voo e aparece como investigado no escândalo do INSS.

Procurado pelo jornal, Flávio afirmou que a informação que tinha à época era de que o avião pertencia a Willer Tomaz. “Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade”, disse o candidato ao Globo.

A viagem ocorreu no fim de semana anterior à posse de Donald Trump para seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, realizada em 20 de janeiro de 2025. Durante a passagem pela Flórida, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz estiveram juntos no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami, conforme havia revelado à época o colunista Lauro Jardim, do Globo. O senador deixou os Estados Unidos na véspera da cerimônia.

A revista Piauí também informou nesta quarta-feira que o avião usado por Flávio no trajeto entre os Estados Unidos e Brasília era o mesmo que, meses depois, em agosto, foi cedido a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e à sua mulher, a advogada Viviane Barci. A informação foi confirmada pelo Globo.

O escritório de Viviane Barci mantinha contratos milionários com o Banco Master, segundo a reportagem. O episódio ampliou a atenção sobre o uso da aeronave e sobre as conexões de Vorcaro com autoridades e políticos.

Essa e ao menos outras quatro viagens de Flávio Bolsonaro ao lado de Willer Tomaz ocorreram no primeiro semestre de 2025. O novo vídeo viralizado reforçou a repercussão política do caso por mostrar o senador negando publicamente ter entrado em avião de Vorcaro antes da divulgação dos registros sobre o voo.

 

Fonte: Brasil 247

 

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