sábado, 26 de setembro de 2026

Caso Master: PF solicitou centenas de dados ligados a Daniel Vorcaro, mas Mendonça não despachou

A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para acessar informações sobre pessoas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas o pedido não teria sido despachado pelo ministro André Mendonça. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24) pela jornalista Daniela Lima, no programa Pulso Político, do Canal UOL.

Segundo a apuração da apresentadora, o pedido da PF está relacionado a alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações consideradas atípicas envolvendo Vorcaro. O material reuniria informações sobre centenas de pessoas físicas e empresas.

Parte dos dados, porém, não foi disponibilizada pelo Coaf porque envolveria pessoas protegidas por foro por prerrogativa de função. Diante disso, a PF teria encaminhado o caso a Mendonça para que o ministro autorizasse o acesso às informações.

“O Coaf se encontra impossibilitado de fornecer parte das informações relativas a algumas das pessoas mencionadas, por também constar nas comunicações sobre as pessoas às quais a decisão judicial proferida nos autos do Supremo restringe o acesso. A PF recebe isso e manda para o ministro André Mendonça pedindo: ministro, o senhor pode autorizar? Porque entendemos que já está no Supremo, quem pode autorizar tudo é o próprio Supremo Tribunal Federal. O que aconteceu? Não foi despachado”, afirmou Daniela Lima.

<><> Relatório reúne 823 pessoas e empresas

De acordo com a jornalista, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado o levantamento do sigilo de um caso específico. Mendonça posteriormente retirou o sigilo do material.

Quando o conteúdo ficou disponível, entretanto, o documento tinha 13 páginas. Segundo Daniela, o número chamou atenção diante da quantidade de pessoas e empresas mencionadas nos dados do Coaf.

O levantamento citado pela apresentadora reúne 303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas, totalizando 823 relacionados a Vorcaro.

“Quantidade de pessoas relacionadas no relatório: pessoas físicas, 303; pessoas jurídicas, 520. Total de relacionados, 823. Então você teria de ter relatório suficiente para cobrir 520 empresas e 303 pessoas que se relacionaram com o Vorcaro. Mas o Coaf avisou: não posso porque tem gente politicamente exposta, protegida por foro de prerrogativa de função”, disse Daniela.

A jornalista afirmou ainda que a PF solicitou a Mendonça que requisitasse os dados que não haviam sido disponibilizados pelo Coaf. Segundo ela, não houve uma nova comunicação ao órgão até 14 de setembro, quando o documento se tornou público.

<><> Igreja Batista da Lagoinha

Daniela Lima também citou o espaço ocupado no relatório pelas informações relacionadas à Igreja Batista da Lagoinha. Segundo ela, quatro das 13 páginas do documento tratavam dessas movimentações.

Na avaliação apresentada pela jornalista, a extensão do documento em relação ao número de pessoas e empresas mencionadas indicaria que os 823 relacionados não teriam sido analisados de forma abrangente.

“Só aqui, só na Lagoinha, a gente teve quatro das 13 páginas gastas. Então, o que nos deixa evidente é que não foram escrutinados os 800 alvos e que essa é uma das coisas que é utilizada para ampliar a pressão sobre o Mendonça”, afirmou Daniela Lima.

<><> Caso Master: CNJ faz operação contra desembargador citado na ‘Turma do KN’

 O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou nesta quinta-feira (24) uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), citado em mensagens que integrantes do círculo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro associaram à chamada “Turma do KN”. As iniciais fazem referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou a operação. A Polícia Federal encontrou as referências a Newton Ramos ao analisar mensagens extraídas do celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e preso atualmente por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.

O desembargador Newton Ramos integra o TRF-1 desde 2023. Antes de chegar ao cargo de desembargador, atuou como juiz auxiliar de Nunes Marques no período em que o atual ministro do STF ocupava a vice-presidência do tribunal. Ramos mantém relação de amizade com o ministro, vínculo que também alcança sua esposa, a advogada Camilla Ramos.

As mensagens reveladas no contexto das investigações sobre o Banco Master mostram Newton Ramos como interlocutor em pedidos encaminhados a pessoas ligadas a Vorcaro. Um dos diálogos trata de uma hospedagem para Nunes Marques no hotel Fasano.

Em uma conversa, uma assessora do banqueiro encaminha a Vorcaro uma mensagem atribuída ao desembargador: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”. Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta”.

Outras reportagens sobre as mensagens do celular de Vorcaro também registraram contatos relacionados a hospedagens e eventos. As conversas mostram pedidos encaminhados por Newton Ramos à equipe ligada ao então controlador do Banco Master.

O nome de Camilla Ramos também ganhou destaque nas apurações após a repercussão de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia do qual ela é sócia. O acordo previa honorários de êxito que poderiam alcançar R$ 427 milhões.

Pelos termos divulgados, o escritório receberia 5% líquidos sobre os valores que o Master obtivesse em 12 processos relacionados a precatórios. Os créditos envolvidos nas ações somavam cerca de R$ 8,5 bilhões. O valor de R$ 427 milhões dependia do resultado favorável dos processos e não representa, por si só, comprovação de pagamento ao escritório.

Após a divulgação das conversas, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou terceiros a falar em seu nome.

•        Lula cobra investigação de ministros do STF e punição para envolvidos no caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta quinta-feira (24) a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que possam estar envolvidos nas revelações relacionadas ao caso Master. Durante um ato de campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que eventuais irregularidades precisam ser esclarecidas e que os responsáveis devem ser punidos de acordo com os crimes que tenham cometido.

Sem mencionar nominalmente ministros do Supremo, Lula fez referência a episódios revelados no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e defendeu que as apurações alcancem todos os envolvidos.

<><> Lula cobra investigação ampla

“Quero saber quem participava das putarias deles. Era muita coisa errada, era muita festa, gente que vinha do estrangeiro. E cada vez aparece um nome de uma pessoa. Essa gente precisa ser investigada, porque a gente não pode permitir que a Suprema Corte brasileira fique sob suspeita. A verdade tem que vir a público. Vamos deixar todo mundo ser investigado para que a gente possa punir de acordo com o crime que cometeram”, disse Lula em referência às festas e vantagens promovidas por Vorcaro.

Em entrevista concedida em 15 de setembro, o presidente Lula já havia defendido que todos os ministros eventualmente envolvidos fossem investigados. “Não tem trégua. É preciso investigar todos”, afirmou na ocasião.

As declarações desta quinta-feira ocorrem em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e Vorcaro. Apurações da Polícia Federal identificaram contatos do ex-banqueiro com integrantes do Judiciário, levando o próprio Supremo a discutir os procedimentos necessários para investigar eventuais condutas de seus ministros.

Um dos casos mais recentes envolve o ministro Kassio Nunes Marques. Mensagens reveladas na semana anterior indicariam um suposto encontro do ministro com uma garota de programa que teria sido custeado pelo ex-banqueiro.

Ao abordar o assunto em São Gonçalo, Lula não mencionou Nunes Marques pelo nome nem atribuiu individualmente crimes aos ministros. Sua cobrança foi direcionada à investigação das pessoas que aparecem nas revelações relacionadas ao caso.

O presidente também já havia defendido que as relações de Vorcaro com integrantes do STF fossem examinadas de maneira conjunta, em vez de concentrar as apurações apenas em episódios isolados.

<><> Caso Master “está só começando”

Durante o discurso, Lula voltou a responsabilizar seus adversários da direita bolsonarista pela ascensão de Vorcaro no sistema financeiro. Segundo o presidente, esse grupo criou “um banqueiro que praticou a maior corrupção na história financeira desse País”.

Vorcaro está preso no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, enquanto a Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição.

Lula também afirmou que foi durante seu governo que o ex-banqueiro acabou preso e sinalizou que espera novos desdobramentos das investigações.

Ao tratar do estágio atual das apurações, o presidente resumiu sua avaliação afirmando que o processo do caso Master “está só começando”.

Em outra agenda realizada no Rio nesta quinta-feira, Lula também procurou se distanciar de Vorcaro. “Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro. Não é o dono do banco Master”, declarou.

A cobrança por investigações amplas ocorre em um momento de tensão dentro do próprio Supremo sobre o tratamento das informações encontradas no caso Master. O plenário da Corte passou a discutir os procedimentos para apurar possíveis relações entre ministros e Vorcaro, incluindo os limites das investigações quando magistrados do STF aparecem no material reunido pela Polícia Federal.

•        Delator do Master movimentou R$ 1 mi com empresa ligada ao caso Corinthians

O empresário Antônio Carlos Freixo Jr., que firmou acordo de delação em investigações sobre o Banco Master, aparece em registros de 570 prêmios de loterias e casas de apostas entre janeiro de 2020 e junho de 2025, com valores que somam R$ 176 milhões. De acordo com o blog do Fausto Macedo, o Ministério Público de São Paulo investiga se essas operações integraram uma estrutura de lavagem de dinheiro. A apuração também identificou uma transferência de R$ 940 mil de uma empresa ligada a Freixo para a Wave, companhia que aparece na investigação sobre supostos desvios envolvendo o contrato entre o Corinthians e a Vai de Bet.

Dono da Entre Investimentos e conhecido como “Mineiro”, Freixo integra o grupo de investigados na Operação Crédito Oculto. O Gaeco e a Receita Federal deflagraram a ação nesta quinta-feira (24) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligadas ao setor de combustíveis. A Receita afirma que a operação constitui um desdobramento da Carbono Oculto e busca esclarecer estruturas financeiras usadas para esconder beneficiários e a origem de recursos.

A representação que embasou as medidas judiciais registra R$ 176 milhões em premiações atribuídas a Freixo ao longo de cinco anos e meio. Outro levantamento, baseado em relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial, aponta R$ 176,4 milhões em 570 comunicações relacionadas a prêmios e apostas.

Para os investigadores, a frequência das premiações e o volume movimentado justificam a apuração sobre a origem e o destino dos recursos. O Ministério Público sustenta que empresas ligadas ao empresário prestavam serviços financeiros a diferentes clientes investigados.

“Descortinou-se para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas, aparentemente, com o intuito em lavar dinheiro dos seus clientes”, afirmam promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.

<><> Repasse de R$ 940 mil leva investigação ao caso Corinthians

A apuração também identificou um pagamento de R$ 940 mil feito por uma empresa de Freixo à Wave. O Ministério Público cita essa companhia em outra investigação, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro em desvios associados ao contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.

Segundo o MP, a Wave pertence formalmente a um motoboy e movimentou milhões de reais nos últimos anos. A empresa aparece na denúncia apresentada contra ex-dirigentes do Corinthians como uma das pessoas jurídicas que teriam recebido recursos dentro do fluxo financeiro investigado.

Os investigadores também encontraram movimentações da Wave com um empresário do futebol mencionado na colaboração de Antonio Vinicius Gritzbach. Gritzbach colaborou com autoridades em investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e morreu em novembro de 2024 em frente ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

O pagamento de R$ 940 mil não significa, por si só, participação de Freixo nas irregularidades investigadas no Corinthians. O Ministério Público incluiu a transação entre os elementos que usa para reconstruir a rede financeira relacionada ao empresário e verificar a origem, a finalidade e os beneficiários dos recursos.

<><> Freixo também aparece nas investigações do Banco Master

Freixo ganhou espaço nas apurações sobre o Banco Master depois de relatar sua atuação em operações financeiras ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem do Estadão, ele admitiu que auxiliava Vorcaro na obtenção de dinheiro em espécie para determinadas transações.

O Banco Central liquidou a Entre Investimentos em março, após a empresa entrar no alcance da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes relacionadas ao Banco Master.

Entre os assuntos abordados por Freixo em sua colaboração com a Procuradoria-Geral da República estão transferências que, segundo sua versão, ocorreram a pedido de Vorcaro para um fundo ligado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Operação Crédito Oculto também examina a relação de Freixo com negócios associados a Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, chamado de Primo. As investigações relacionam os dois a empresas do setor de combustíveis e apuram possíveis crimes tributários, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

<><> Operação mira estruturas financeiras no setor de combustíveis

A Receita Federal afirma que a Operação Crédito Oculto procura esclarecer mecanismos financeiros usados para ocultar o controle econômico de empresas e a identidade dos beneficiários de determinadas operações. A ação envolve Receita, Gaeco do Ministério Público de São Paulo, Secretaria da Fazenda paulista, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

Os órgãos cumpriram mandados em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. A investigação analisa a aquisição de uma distribuidora de combustíveis e rastreia estruturas formadas por instituições financeiras, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e outras pessoas jurídicas.

Segundo a Receita, uma das frentes identificou uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios de uma empresa do setor sucroalcooleiro. Os investigadores também apontaram a movimentação de cerca de R$ 11,6 bilhões, entre 2021 e 2025, por uma empresa financeira envolvida nas operações sob análise.

A investigação sustenta que diferentes estruturas financeiras criaram camadas para dificultar a identificação dos beneficiários e da origem dos recursos. Os órgãos responsáveis ainda analisam documentos, contratos, mensagens, áudios e dados financeiros reunidos nas fases anteriores da Operação Carbono Oculto.

O Gaeco pediu as buscas que alcançaram Freixo nesta quinta-feira, e o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, autorizou as medidas. A reportagem original informou que não localizou a defesa do empresário para comentar as suspeitas.

 

Fonte: Brasil 247

 

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