Caso
Master: PF solicitou centenas de dados ligados a Daniel Vorcaro, mas Mendonça
não despachou
A
Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para
acessar informações sobre pessoas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro,
dono do Banco Master, mas o pedido não teria sido despachado pelo ministro
André Mendonça. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24) pela
jornalista Daniela Lima, no programa Pulso Político, do Canal UOL.
Segundo
a apuração da apresentadora, o pedido da PF está relacionado a alertas do
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações
consideradas atípicas envolvendo Vorcaro. O material reuniria informações sobre
centenas de pessoas físicas e empresas.
Parte
dos dados, porém, não foi disponibilizada pelo Coaf porque envolveria pessoas
protegidas por foro por prerrogativa de função. Diante disso, a PF teria
encaminhado o caso a Mendonça para que o ministro autorizasse o acesso às
informações.
“O Coaf
se encontra impossibilitado de fornecer parte das informações relativas a
algumas das pessoas mencionadas, por também constar nas comunicações sobre as
pessoas às quais a decisão judicial proferida nos autos do Supremo restringe o
acesso. A PF recebe isso e manda para o ministro André Mendonça pedindo:
ministro, o senhor pode autorizar? Porque entendemos que já está no Supremo,
quem pode autorizar tudo é o próprio Supremo Tribunal Federal. O que aconteceu?
Não foi despachado”, afirmou Daniela Lima.
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Relatório reúne 823 pessoas e empresas
De
acordo com a jornalista, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado o
levantamento do sigilo de um caso específico. Mendonça posteriormente retirou o
sigilo do material.
Quando
o conteúdo ficou disponível, entretanto, o documento tinha 13 páginas. Segundo
Daniela, o número chamou atenção diante da quantidade de pessoas e empresas
mencionadas nos dados do Coaf.
O
levantamento citado pela apresentadora reúne 303 pessoas físicas e 520 pessoas
jurídicas, totalizando 823 relacionados a Vorcaro.
“Quantidade
de pessoas relacionadas no relatório: pessoas físicas, 303; pessoas jurídicas,
520. Total de relacionados, 823. Então você teria de ter relatório suficiente
para cobrir 520 empresas e 303 pessoas que se relacionaram com o Vorcaro. Mas o
Coaf avisou: não posso porque tem gente politicamente exposta, protegida por
foro de prerrogativa de função”, disse Daniela.
A
jornalista afirmou ainda que a PF solicitou a Mendonça que requisitasse os
dados que não haviam sido disponibilizados pelo Coaf. Segundo ela, não houve
uma nova comunicação ao órgão até 14 de setembro, quando o documento se tornou
público.
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Igreja Batista da Lagoinha
Daniela
Lima também citou o espaço ocupado no relatório pelas informações relacionadas
à Igreja Batista da Lagoinha. Segundo ela, quatro das 13 páginas do documento
tratavam dessas movimentações.
Na
avaliação apresentada pela jornalista, a extensão do documento em relação ao
número de pessoas e empresas mencionadas indicaria que os 823 relacionados não
teriam sido analisados de forma abrangente.
“Só
aqui, só na Lagoinha, a gente teve quatro das 13 páginas gastas. Então, o que
nos deixa evidente é que não foram escrutinados os 800 alvos e que essa é uma
das coisas que é utilizada para ampliar a pressão sobre o Mendonça”, afirmou
Daniela Lima.
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Caso Master: CNJ faz operação contra desembargador citado na ‘Turma do KN’
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
determinou nesta quinta-feira (24) uma operação contra o desembargador Newton
Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), citado em mensagens
que integrantes do círculo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro associaram à chamada
“Turma do KN”. As iniciais fazem referência ao ministro Kassio Nunes Marques,
do Supremo Tribunal Federal (STF).
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O
corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou a operação. A
Polícia Federal encontrou as referências a Newton Ramos ao analisar mensagens
extraídas do celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e preso
atualmente por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O
desembargador Newton Ramos integra o TRF-1 desde 2023. Antes de chegar ao cargo
de desembargador, atuou como juiz auxiliar de Nunes Marques no período em que o
atual ministro do STF ocupava a vice-presidência do tribunal. Ramos mantém
relação de amizade com o ministro, vínculo que também alcança sua esposa, a
advogada Camilla Ramos.
As
mensagens reveladas no contexto das investigações sobre o Banco Master mostram
Newton Ramos como interlocutor em pedidos encaminhados a pessoas ligadas a
Vorcaro. Um dos diálogos trata de uma hospedagem para Nunes Marques no hotel
Fasano.
Em uma
conversa, uma assessora do banqueiro encaminha a Vorcaro uma mensagem atribuída
ao desembargador: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para
ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo
sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”. Vorcaro responde: “Pode
botar na minha conta”.
Outras
reportagens sobre as mensagens do celular de Vorcaro também registraram
contatos relacionados a hospedagens e eventos. As conversas mostram pedidos
encaminhados por Newton Ramos à equipe ligada ao então controlador do Banco
Master.
O nome
de Camilla Ramos também ganhou destaque nas apurações após a repercussão de um
contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia do qual ela é sócia.
O acordo previa honorários de êxito que poderiam alcançar R$ 427 milhões.
Pelos
termos divulgados, o escritório receberia 5% líquidos sobre os valores que o
Master obtivesse em 12 processos relacionados a precatórios. Os créditos
envolvidos nas ações somavam cerca de R$ 8,5 bilhões. O valor de R$ 427 milhões
dependia do resultado favorável dos processos e não representa, por si só,
comprovação de pagamento ao escritório.
Após a
divulgação das conversas, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que nunca
trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou terceiros a falar em seu nome.
• Lula cobra investigação de ministros do
STF e punição para envolvidos no caso Master
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta quinta-feira (24) a
investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que possam estar
envolvidos nas revelações relacionadas ao caso Master. Durante um ato de
campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que eventuais
irregularidades precisam ser esclarecidas e que os responsáveis devem ser
punidos de acordo com os crimes que tenham cometido.
Sem
mencionar nominalmente ministros do Supremo, Lula fez referência a episódios
revelados no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do
banco Master, e defendeu que as apurações alcancem todos os envolvidos.
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Lula cobra investigação ampla
“Quero
saber quem participava das putarias deles. Era muita coisa errada, era muita
festa, gente que vinha do estrangeiro. E cada vez aparece um nome de uma
pessoa. Essa gente precisa ser investigada, porque a gente não pode permitir
que a Suprema Corte brasileira fique sob suspeita. A verdade tem que vir a
público. Vamos deixar todo mundo ser investigado para que a gente possa punir
de acordo com o crime que cometeram”, disse Lula em referência às festas e
vantagens promovidas por Vorcaro.
Em
entrevista concedida em 15 de setembro, o presidente Lula já havia defendido
que todos os ministros eventualmente envolvidos fossem investigados. “Não tem
trégua. É preciso investigar todos”, afirmou na ocasião.
As
declarações desta quinta-feira ocorrem em meio aos desdobramentos das
investigações envolvendo o Banco Master e Vorcaro. Apurações da Polícia Federal
identificaram contatos do ex-banqueiro com integrantes do Judiciário, levando o
próprio Supremo a discutir os procedimentos necessários para investigar
eventuais condutas de seus ministros.
Um dos
casos mais recentes envolve o ministro Kassio Nunes Marques. Mensagens
reveladas na semana anterior indicariam um suposto encontro do ministro com uma
garota de programa que teria sido custeado pelo ex-banqueiro.
Ao
abordar o assunto em São Gonçalo, Lula não mencionou Nunes Marques pelo nome
nem atribuiu individualmente crimes aos ministros. Sua cobrança foi direcionada
à investigação das pessoas que aparecem nas revelações relacionadas ao caso.
O
presidente também já havia defendido que as relações de Vorcaro com integrantes
do STF fossem examinadas de maneira conjunta, em vez de concentrar as apurações
apenas em episódios isolados.
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Caso Master “está só começando”
Durante
o discurso, Lula voltou a responsabilizar seus adversários da direita
bolsonarista pela ascensão de Vorcaro no sistema financeiro. Segundo o
presidente, esse grupo criou “um banqueiro que praticou a maior corrupção na
história financeira desse País”.
Vorcaro
está preso no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, enquanto a
Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a
instituição.
Lula
também afirmou que foi durante seu governo que o ex-banqueiro acabou preso e
sinalizou que espera novos desdobramentos das investigações.
Ao
tratar do estágio atual das apurações, o presidente resumiu sua avaliação
afirmando que o processo do caso Master “está só começando”.
Em
outra agenda realizada no Rio nesta quinta-feira, Lula também procurou se
distanciar de Vorcaro. “Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro.
Não é o dono do banco Master”, declarou.
A
cobrança por investigações amplas ocorre em um momento de tensão dentro do
próprio Supremo sobre o tratamento das informações encontradas no caso Master.
O plenário da Corte passou a discutir os procedimentos para apurar possíveis
relações entre ministros e Vorcaro, incluindo os limites das investigações
quando magistrados do STF aparecem no material reunido pela Polícia Federal.
• Delator do Master movimentou R$ 1 mi com
empresa ligada ao caso Corinthians
O
empresário Antônio Carlos Freixo Jr., que firmou acordo de delação em
investigações sobre o Banco Master, aparece em registros de 570 prêmios de
loterias e casas de apostas entre janeiro de 2020 e junho de 2025, com valores
que somam R$ 176 milhões. De acordo com o blog do Fausto Macedo, o Ministério
Público de São Paulo investiga se essas operações integraram uma estrutura de
lavagem de dinheiro. A apuração também identificou uma transferência de R$ 940
mil de uma empresa ligada a Freixo para a Wave, companhia que aparece na
investigação sobre supostos desvios envolvendo o contrato entre o Corinthians e
a Vai de Bet.
Dono da
Entre Investimentos e conhecido como “Mineiro”, Freixo integra o grupo de
investigados na Operação Crédito Oculto. O Gaeco e a Receita Federal
deflagraram a ação nesta quinta-feira (24) para apurar suspeitas de lavagem de
dinheiro e ocultação patrimonial ligadas ao setor de combustíveis. A Receita
afirma que a operação constitui um desdobramento da Carbono Oculto e busca
esclarecer estruturas financeiras usadas para esconder beneficiários e a origem
de recursos.
A
representação que embasou as medidas judiciais registra R$ 176 milhões em
premiações atribuídas a Freixo ao longo de cinco anos e meio. Outro
levantamento, baseado em relatórios de inteligência financeira citados na
decisão judicial, aponta R$ 176,4 milhões em 570 comunicações relacionadas a
prêmios e apostas.
Para os
investigadores, a frequência das premiações e o volume movimentado justificam a
apuração sobre a origem e o destino dos recursos. O Ministério Público sustenta
que empresas ligadas ao empresário prestavam serviços financeiros a diferentes
clientes investigados.
“Descortinou-se
para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de
estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas,
aparentemente, com o intuito em lavar dinheiro dos seus clientes”, afirmam
promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.
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Repasse de R$ 940 mil leva investigação ao caso Corinthians
A
apuração também identificou um pagamento de R$ 940 mil feito por uma empresa de
Freixo à Wave. O Ministério Público cita essa companhia em outra investigação,
relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro em desvios associados ao
contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de
Bet.
Segundo
o MP, a Wave pertence formalmente a um motoboy e movimentou milhões de reais
nos últimos anos. A empresa aparece na denúncia apresentada contra
ex-dirigentes do Corinthians como uma das pessoas jurídicas que teriam recebido
recursos dentro do fluxo financeiro investigado.
Os
investigadores também encontraram movimentações da Wave com um empresário do
futebol mencionado na colaboração de Antonio Vinicius Gritzbach. Gritzbach
colaborou com autoridades em investigações sobre o Primeiro Comando da Capital
(PCC) e morreu em novembro de 2024 em frente ao Aeroporto Internacional de
Guarulhos, em São Paulo.
O
pagamento de R$ 940 mil não significa, por si só, participação de Freixo nas
irregularidades investigadas no Corinthians. O Ministério Público incluiu a
transação entre os elementos que usa para reconstruir a rede financeira
relacionada ao empresário e verificar a origem, a finalidade e os beneficiários
dos recursos.
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Freixo também aparece nas investigações do Banco Master
Freixo
ganhou espaço nas apurações sobre o Banco Master depois de relatar sua atuação
em operações financeiras ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a
reportagem do Estadão, ele admitiu que auxiliava Vorcaro na obtenção de
dinheiro em espécie para determinadas transações.
O Banco
Central liquidou a Entre Investimentos em março, após a empresa entrar no
alcance da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes
relacionadas ao Banco Master.
Entre
os assuntos abordados por Freixo em sua colaboração com a Procuradoria-Geral da
República estão transferências que, segundo sua versão, ocorreram a pedido de
Vorcaro para um fundo ligado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A
Operação Crédito Oculto também examina a relação de Freixo com negócios
associados a Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad,
chamado de Primo. As investigações relacionam os dois a empresas do setor de
combustíveis e apuram possíveis crimes tributários, lavagem de dinheiro e
ocultação patrimonial.
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Operação mira estruturas financeiras no setor de combustíveis
A
Receita Federal afirma que a Operação Crédito Oculto procura esclarecer
mecanismos financeiros usados para ocultar o controle econômico de empresas e a
identidade dos beneficiários de determinadas operações. A ação envolve Receita,
Gaeco do Ministério Público de São Paulo, Secretaria da Fazenda paulista,
Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.
Os
órgãos cumpriram mandados em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19
pessoas jurídicas em sete estados. A investigação analisa a aquisição de uma
distribuidora de combustíveis e rastreia estruturas formadas por instituições
financeiras, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e outras
pessoas jurídicas.
Segundo
a Receita, uma das frentes identificou uma operação de aproximadamente R$ 370
milhões em direitos creditórios de uma empresa do setor sucroalcooleiro. Os
investigadores também apontaram a movimentação de cerca de R$ 11,6 bilhões,
entre 2021 e 2025, por uma empresa financeira envolvida nas operações sob
análise.
A
investigação sustenta que diferentes estruturas financeiras criaram camadas
para dificultar a identificação dos beneficiários e da origem dos recursos. Os
órgãos responsáveis ainda analisam documentos, contratos, mensagens, áudios e
dados financeiros reunidos nas fases anteriores da Operação Carbono Oculto.
O Gaeco
pediu as buscas que alcançaram Freixo nesta quinta-feira, e o juiz Sandro
Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, autorizou as
medidas. A reportagem original informou que não localizou a defesa do
empresário para comentar as suspeitas.
Fonte:
Brasil 247

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