sábado, 26 de setembro de 2026

A verdade bateu à porta de Flávio Bolsonaro

A mentira pode até ganhar uma eleição com narrativas falsas, mas dificilmente vence o tempo. A cada nova revelação, aquilo que se tentou esconder acaba aparecendo. É o que ocorre agora com o escândalo do Banco Master e as investigações que alcançaram o senador Flávio Bolsonaro.

Durante meses, Flávio Bolsonaro tentou esconder sua relação com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, e tratou o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, como assunto encerrado. A abertura dos autos do inquérito, porém, trouxe novas informações para o conhecimento público e colocou o senador no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A situação é politicamente devastadora. Não porque uma investigação equivalha a uma condenação, mas porque o investigado que pretende disputar a Presidência da República passou a ter de explicar, perante o país, fatos que estão sendo formalmente investigados pelas instituições da República.

Quanto mais transparência houver nas investigações sobre o Banco Master, melhor para o Brasil. A sociedade tem o direito de conhecer os fatos, saber a origem e o destino dos recursos, compreender as relações entre os envolvidos para que possa ir à urna consciente a fim de escolher seus candidatos.

A determinação do ministro Edson Fachin para que fossem retiradas restrições de sigilo impostas anteriormente pelo ministro André Mendonça ampliou o acesso às informações e reduziu a possibilidade de uma divulgação seletiva dos elementos da investigação. A publicidade dos autos, dentro dos limites legais, é um antídoto contra versões escolhidas a dedo.

A velha máxima continua válida: a mentira tem pernas curtas. Quando a documentação oficial começa a aparecer, versões políticas são confrontadas com fatos, registros e depoimentos. E, no caso de Flávio Bolsonaro, a distância entre o discurso público e aquilo que emerge das investigações tornou-se uma questão incontornável.

Há ainda outra revelação que merece esclarecimento. O ICL Notícias informou que uma empresa ligada à família Bolsonaro e uma empresa atribuída ao chamado “Careca do INSS”, apontado nas investigações como operador financeiro de um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas, estariam registradas no mesmo endereço em Brasília. A informação, por si só, não prova qualquer vínculo ilícito entre as empresas. Mas, diante da gravidade do caso, é legítimo perguntar: por que estão no mesmo local? Existe alguma relação empresarial? Quem são os responsáveis? Cabe às autoridades investigar e aos envolvidos explicar.

O Brasil não pode aceitar que investigações sobre corrupção e movimentações financeiras sejam transformadas em guerra de versões. Instituições de fiscalização e controle, autônomas, como a Polícia Federal e outras, devem investigar todos, sem exceção, e os investigados devem ter assegurados o devido processo legal..

É igualmente inaceitável que alguém sob investigação por suspeitas tão graves pretenda chegar à Presidência da República sem oferecer ao eleitorado explicações convincentes. A candidatura é legítima dentro das regras eleitorais; a cobrança por transparência também é.

O Brasil é uma das maiores economias do mundo e uma democracia institucionalmente sólida. Já atravessou crises muito mais profundas e saiu delas preservando a Constituição e o Estado Democrático de Direito. Também saberá sair desta.

Para isso, é preciso observar um princípio constitucional: ninguém está acima da lei; nenhuma investigação escondida por conveniência política e nenhuma narrativa capaz de substituir os fatos.

Quanto mais luz sobre o Banco Master, melhor. A verdade precisa da transparência, para garantir a democracia.

•        Descobri que tudo é pequeno, nas asas do avião do Vorcaro. Por Denise Assis

Um senador da República – Flávio Bolsonaro – embarca em Miami com a família, em uma aeronave cujo dono ele desconhece o nome. Pelo menos foi o que ele declarou para a mídia, depois de ser descoberto na doce viagem. (Atentado à segurança dele próprio e da sua família).

Não paga a passagem ou parte do custo de combustível usado na travessia. (Uso indevido do cargo para obter vantagens e mordomias).

Nega que soubesse de quem era a aeronave, e mesmo assim segue viagem – com duração de apenas oito horas – enviando mensagens, na chegada, para as suas redes, bendizendo a amizade com “Willer”. (Ou seja, ele não só sabia de quem era a aeronave, como, em 2025, tinha conhecimento de que Willer, em 2017, havia sido preso em uma operação da Polícia Federal).

Flávio viajou acompanhado da família e do amigo Willer Tomaz, dos Estados Unidos para o Brasil em uma aeronave administrada por empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, que está preso em Brasília. E de acordo com a PF, Willer é suspeito de de ter atuado na lavagem dos recursos em investigação que mira o senador Weveerton Rocha (PDT-MA) e seus familiares.

Willer Tomaz, segundo o deputado federal Lindbergh Farias, que já entrou no STF pedindo a quebra do sigilo bancário e fiscal do advogado, ele é suspeito de ser laranja do Flávio Bolsonaro em vários negócios. Juntos, diz o deputado e um dos líderes do PT na Câmara, em post no X, “estão envolvidos em grandes escândalos corrupção: Banco Master, Roubo do INSS e fraude na compra de vacinas durante a pandemia”. Na opinião de Lindbergh Farias, “Flávio quer ser eleito presidente pra se blindar e para evitar o mesmo destino do pai: a prisão!”.

A julgar pelo clima de passividade e normalização dos malfeitos reinante, isso nem arranha a imagem do senador que, acobertado pelo Ministro Mendonça, é investigado desde o dia 22 de julho e apenas na segunda semana de setembro a informação veio a público, pelo vazamento dos arquivos de Daniel Vorcaro.

Como cantou Milton Nascimento em sua música, “Conversando no Bar”, “descobri que as coisas mudam/ e que tudo é pequeno/Nas asas da Panair”. (Digo, nas asas da aeronave do Daniel Vorcaro). “Descobri que minha arma/ é o que a memória guarda/

Dos tempos da Panair”.

•        Mercadante alerta para risco de expansão da “cultura da milícia” com Flávio Bolsonaro

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência poderia ampliar para outras regiões do Brasil uma cultura política que, segundo ele, foi formada no Rio de Janeiro em meio à presença de milícias e outras organizações criminosas.

As declarações foram feitas nesta quarta-feira (23), durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, em São Paulo. O evento reuniu autoridades, empresários e representantes do mercado financeiro para discutir economia, política e investimentos.

Ao analisar a situação política fluminense, Mercadante disse enxergar uma forte infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado e relacionou esse cenário à disputa presidencial.

“Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime, que apoiou ali seis governadores que foram afastados. Vamos trazer essa cultura para os corações do Brasil?”, questionou.

O presidente do BNDES afirmou que o Rio de Janeiro reúne qualidades culturais e naturais reconhecidas, mas enfrenta, em sua avaliação, um problema estrutural provocado pela atuação de grupos criminosos.

“O Rio tem coisas encantadoras, aquelas montanhas, aquelas praias, aquela cultura, o jeito do carioca, a música, o talento, é uma coisa espetacular. Mas tem um problema político seríssimo, que é o crime organizado, é a milícia, é o tráfico, é o jogo do bicho, que é uma coisa que está infiltrada no Estado”, declarou.

<><> Mercadante fala em risco de “mexicanizar o Brasil”

Ao ampliar sua análise para o cenário nacional, Mercadante utilizou o México como referência para advertir sobre o risco de organizações criminosas conquistarem maior influência sobre instituições públicas.

“Eu vou mexicanizar? O risco de mexicanizar o Brasil?”, questionou.

A comparação foi apresentada por Mercadante como um alerta sobre a possibilidade de estruturas políticas associadas, segundo ele, ao crime organizado no Rio de Janeiro adquirirem alcance nacional.

O dirigente do BNDES voltou a relacionar sua preocupação ao histórico político recente do estado.

“Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime (…) vamos trazer essa cultura para os corações do Brasil”, afirmou.

A referência ocorre em meio à adoção, pela Justiça Eleitoral fluminense, de medidas contra candidaturas suspeitas de ligação com organizações criminosas.

Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) havia indeferido 15 registros de candidatura por entender que existiam indícios de vínculos com grupos criminosos. Entre os casos, 11 envolviam candidatos a deputado estadual, três a deputado federal e um a suplente de senador.

Parte das decisões foi fundamentada na chamada tese da “milícia de gravata”, empregada pela Justiça Eleitoral em casos envolvendo organizações voltadas a crimes contra a administração pública. Outros registros foram barrados por suspeitas de relação com milícias armadas. As decisões sobre registro eleitoral não equivalem, por si só, a condenações criminais e podem ser objeto de recurso.

Ao divulgar o balanço, o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que o tribunal havia atuado com rigor diante da tentativa de organizações criminosas de ocupar estruturas institucionais por meio das eleições.

Durante sua participação na conferência, Mercadante também fez outras críticas a Flávio Bolsonaro. O presidente do BNDES contestou, por exemplo, uma proposta atribuída ao candidato de permitir participação dos Estados Unidos em uma eventual transição de governo, afirmando que esse processo envolve informações estratégicas sobre defesa, minerais críticos, diplomacia, finanças, Banco Central e o sistema Pix.

Na avaliação de Mercadante, tanto a preservação da autonomia nacional quanto o enfrentamento ao avanço de organizações criminosas sobre o Estado devem ocupar posição central no debate político brasileiro.

•        ‘Flávio Bolsonaro quer ser presidente do Brasil para se blindar da Justiça’, denuncia Lindbergh

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta quinta-feira (24) que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende ser eleito com o objetivo de impedir o avanço de algumas investigações envolvendo o senador da extrema direita.

Em post na rede social X, o parlamentar fez a denúncia depois que a Polícia Federal encontrou um registro de voo em um jatinho operado pela Prime You. Um dos sócios da empresa foi o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ex-banqueiro está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.

De acordo com o petista, o senador “quer ser presidente para se blindar, acabar com investigações e ficar impune dos seus crimes!”. “Não vai conseguir. Será preso como Jair”, acrescentou.

A PF extraiu mensagens do celular que pertence ao advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na investigação sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Contrabomba sobre Flávio Bolsonaro”, continuou Lindbergh.” Eu só espero que a justiça federal acelere essas investigações”, cobrou o deputado.

<><> Fraudes no INSS e o caso Master

Em 2022, durante o governo Bolsonaro, o INSS modificou as regras do crédito consignado, abrindo caminho para a criação do Credcesta, modalidade de crédito que contribuiu para a expansão do Banco Master, de Vorcaro, preso sob suspeita de organização criminosa e gestão fraudulenta.

Uma das alterações ocorreu apenas 16 dias depois de o INSS receber um ofício do Master no qual o banco manifestava interesse em operar o cartão. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as mudanças nas normas tiveram papel decisivo na expansão da instituição financeira, investigada pela Polícia Federal desde novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero.

Com o Credcesta, o Master ampliou sua presença para 24 estados e 176 municípios. Os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, alcançando servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Documentos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o INSS e o Master indicaramm que as alterações realizadas em 2022, sem detalhamento sobre a operação, permitiram que o Credcesta começasse a funcionar quase imediatamente e avançasse de maneira irregular, conforme a gestão atual do INSS. O ACT permaneceu em vigor entre 2020 e 2025 e não foi renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do Master.

Em nota, a defesa de Vorcaro declarou que o Master sempre seguiu as normas e os procedimentos definidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

<><> Flávio Bolsonaro, Master e Dark Horse

Um dos principais escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro foi referente ao filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), preso atualmente após ser condenado por ministros do STF a 27 anos de cadeia.

O parlamentar havia afirmado que o dono do Master interrompeu, em maio de 2025, os pagamentos destinados a ajudar no financiamento do longa. Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um repasse de US$ 1.666.667 feito em 16 de setembro de 2025 pelo ex-banqueiro Havengate Development Fund (EUA). O fundo administrava recursos destinados à cinebiografia.

De acordo com reportagem da revista Piauí, o pagamento ocorreu meses depois de maio de 2025, período citado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, como a data em que Vorcaro teria suspendido os repasses ao projeto.

A operação também teria ocorrido oito dias depois de Flávio Bolsonaro enviar mensagem ao banqueiro cobrando parcelas em atraso. Com a transferência identificada pelo Coaf, o valor destinado por Vorcaro à produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, montante equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação daquele período. Investigadores apuram outra transferência que pode ter feito o valor chegar a R$ 72 milhões.

 

Fonte: Por José Guimarães, em Brasil 247

 

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