sábado, 26 de setembro de 2026

O imperialismo decadente de Trump é uma ameaça global

Para entender a política externa dos EUA sob Donald Trump, precisamos analisá-la em seu contexto histórico de longo prazo. A abordagem de Trump aos assuntos mundiais pode ser errática, mas isso não significa que seja completamente sem precedentes.

Os Estados Unidos são há muito tempo uma potência imperial. Embora não tenham estabelecido colônias formais, os EUA criaram um império informal no qual governos subservientes no Sul Global viabilizam a busca de interesses políticos e econômicos estadunidenses.

Ao longo de sua história, o imperialismo estadunidense se apresentou em três vertentes: militarismo rígido, mudança de regime secreta e coerção multilateral. O imperialismo de Trump segue esses caminhos, embora com algumas mudanças significativas, especialmente em sua desfaçatez.

A tradição militarista dos Estados Unidos

Arecente intervenção dos EUA no Irã faz parte de uma longa tradição estadunidense de imperialismo militar agressivo que remonta às Filipinas no início do século XX e inclui, notavelmente, o Vietnã e o Iraque no período pós-Segunda Guerra Mundial. Os objetivos estadunidenses nesses casos eram frequentemente grandiosos, mas vagos.

“A recente intervenção dos EUA no Irã faz parte de uma longa tradição estadunidense de imperialismo militar linha-dura.”

No caso das Filipinas, por exemplo, o objetivo declarado era estabelecer um entreposto comercial com a China que pudesse ser a versão estadunidense de Hong Kong. Salvar o Sudeste Asiático do comunismo foi, naturalmente, a justificativa para a invasão do Vietnã, enquanto a guerra no Iraque deveria ser o início de uma missão para levar a democracia ao Oriente Médio.

O militarismo exacerbado nessas intervenções imperialistas do passado raramente permitiu que os Estados Unidos alcançassem seus objetivos declarados: os EUA nunca tiveram acesso real ao enorme mercado chinês; o Vietnã tornou-se comunista, mas o restante do Sudeste Asiático nunca foi ameaçado e permanece amplamente capitalista; o Iraque é hoje um Estado caótico, e a guerra desestabilizou todo o Oriente Médio.

Entretanto, os países pobres do mundo pagaram um preço alto, não apenas em devastação econômica, mas principalmente em vidas perdidas. Por exemplo, quando se somam as mortes de soldados e de civis em decorrência da guerra, quase meio milhão de filipinos morreram durante a guerra entre os EUA e as Filipinas; cerca de três milhões de vietnamitas morreram na Guerra do Vietnã; e meio milhão de iraquianos podem ter perecido durante a guerra preventiva empreendida por George W. Bush.

O motivo pelo qual os Estados Unidos entraram em guerra com o Irã em 2026 permanece um mistério. O consenso dentro da comunidade de inteligência estadunidense era de que o Irã não representava nenhuma ameaça imediata aos EUA. Embora Israel tenha sido um parceiro fundamental na guerra, a sugestão de que os israelenses tenham pressionado os Estados Unidos a atacar o Irã também não é convincente; o rabo não abana o cachorro.

A intervenção dos EUA no Irã foi, mais uma vez, uma guerra imperial por escolha. Os objetivos vagos, porém grandiosos, incluíam a destruição das capacidades militares e nucleares do Irã (uma guerra preventiva), o acesso ao petróleo iraniano (uma guerra por ganância) e a libertação dos iranianos de uma ditadura teocrática (uma guerra quixotesca).

Embora a guerra ainda esteja em curso, os resultados provavelmente não serão muito diferentes dos do passado. O Irã e seu povo terão pago um preço alto em vidas e bem-estar, mas é improvável que os Estados Unidos alcancem seus objetivos grandiosos.

<>< Fracassos lucrativos

Dado esse histórico de fracassos recorrentes, a questão que permanece é por que os Estados Unidos trilham repetidamente o caminho do imperialismo militar. A resposta otimista de que tais guerras são erros recorrentes não basta; aceitar tal visão exigiria assumir que não há aprendizado por parte do poder estadunidense. A verdadeira resposta é mais complexa e possui componentes tanto políticos quanto econômicos.

“Diante desse histórico de fracassos recorrentes, a questão que permanece é por que os Estados Unidos trilham repetidamente o caminho do imperialismo militar.”

Os Estados Unidos possuem um enorme excedente de poder no mundo. A tentação de usar esse poder está sempre presente, especialmente se provocada por potências menores. Como Madeline Albright, secretária de Estado de Bill Clinton, disse certa vez a Colin Powell, chefe do Estado-Maior Conjunto: “Qual é a vantagem de termos esse magnífico exército do qual você sempre fala, se não podemos usá-lo?”. Trump, facilmente provocado, não faz perguntas tão incisivas; ele já usou a força militar contra sete países, e outros podem muito bem seguir seu exemplo.

As intervenções militares também trazem benefícios econômicos. Discussões sobre o fracasso em atingir os objetivos de guerra declarados frequentemente começam destacando o custo de guerras específicas. No caso da mais recente aventura de Trump, as estimativas variam de cerca de US$ 40 bilhões a mais de US$ 100 bilhões. Embora úteis, essas discussões muitas vezes ignoram uma dinâmica central das intervenções imperialistas. Os contribuintes e os soldados são os que arcam com os custos dessas guerras, enquanto os benefícios se acumulam para uma camada muito mais seleta.

No caso do Irã, as companhias petrolíferas lucraram consideravelmente: tanto a ExxonMobil quanto a Chevron Corporation registraram lucros recordes devido aos preços mais altos do petróleo resultantes da guerra. Além disso, o orçamento de defesa provavelmente aumentará significativamente por causa da guerra, beneficiando as indústrias militares.

Esse padrão de intervenções no exterior, que proporcionam uma oportunidade para emplacar orçamentos de defesa mais elevados, também tem uma longa história nos Estados Unidos; por exemplo, durante os primeiros anos da Guerra Fria, havia uma considerável relutância nos Estados Unidos em aumentar os gastos com defesa aos níveis pretendidos pelo governo Truman. A Guerra da Coreia pôs fim a essas hesitações, e o orçamento disparou. Como Dean Acheson, secretário de Estado de Truman, declarou na época: “A Coreia veio e nos salvou”.

<><> Mudança de regime

Acaptura ostensiva do presidente venezuelano Nicolás Maduro também faz parte de uma longa tradição de depor governantes no Sul Global considerados antitéticos aos interesses dos EUA e substituí-los por aliados pró-estadunidenses. Exemplos anteriores incluem Mohammad Mossadegh no Irã, Jacobo Árbenz na Guatemala, Patrice Lumumba no Congo e Salvador Allende no Chile.

Essas operações de mudança de regime frequentemente resultaram em ganhos econômicos significativos para corporações estadunidenses, mas também em governantes inescrupulosos e economias distorcidas em países pobres. Ungido pelos Estados Unidos, o Xá Mohammad Reza Pahlavi do Irã substituiu o democraticamente eleito Mossadegh, governando autocraticamente, vendendo petróleo para os EUA e estabelecendo uma relação amistosa com corporações estadunidenses baseada na troca de receitas petrolíferas por produtos estadunidenses, especialmente equipamentos militares.

Na Guatemala, a queda de Árbenz permitiu que a United Fruit Company recuperasse suas terras expropriadas e revertesse as reformas trabalhistas e agrárias, criando uma típica república das bananas. O assassinato de Lumumba levou a três décadas de governo ruinoso de Mobutu Sese Seko no Congo (que ele renomeou Zaire), ao mesmo tempo que proporcionou uma abertura econômica para empresas estadunidenses. O ditador chileno Augusto Pinochet reverteu a nacionalização de empresas estadunidenses, como Anaconda, Kennecott, ITT e Dow Chemicals, promovida por Allende.

“A deposição de Maduro foi claramente uma manobra militar eficaz, mas também um ato de extrema arrogância imperial.”

É muito provável que a Venezuela siga esse padrão. A deposição de Maduro foi claramente uma manobra militar eficaz, mas também um ato de extrema arrogância imperial. O fato de uma liderança alternativa ter sido encontrada tão rapidamente — e sem violência — parece ser um pequeno desvio de ações secretas semelhantes do passado. Mas assumir o controle direto das receitas petrolíferas da Venezuela vai além de intervenções anteriores na América Latina ou em outras regiões.

Essa atitude ousada remete a uma fase anterior na história dos impérios informais. A Grã-Bretanha controlava as finanças da China pós-Guerra do Ópio e, posteriormente, administrou as finanças do Egito no final do século XIX em parceria com a França. O reaparecimento dessa forma de controle financeiro no século XXI representa uma erosão ainda maior das normas anteriores de soberania e autodeterminação.

Com o relaxamento das sanções estadunidenses contra a Venezuela e o retorno dos investimentos dos EUA, a economia venezuelana certamente crescerá. Muito se falará, então, em círculos oficiais e na grande mídia, sobre o quanto os venezuelanos estão melhor agora sob a tutela estadunidense. O que será esquecido é o quanto as sanções estadunidenses prejudicaram a economia venezuelana em primeiro lugar. O padrão de recuperação da Venezuela também deverá envolver uma economia profundamente desigual, ainda dependente das exportações de petróleo para os Estados Unidos para sua errática sustentação.

Trump foi surpreendentemente descarado ao afirmar que o objetivo dessa intervenção era obter acesso ao petróleo da Venezuela para empresas estadunidenses. Sumiram todos os pretextos de salvar um país do comunismo ou promover a democracia. Como interpretar essa mudança? A resposta pode estar simplesmente na equipe de liderança envolvida: Trump e seus seguidores não são liberais; eles acreditam que “a força faz o direito” e não sentem necessidade de disfarçar suas ações gananciosas com uma roupagem ideológica.

Mas é mais plausível que estejamos testemunhando uma crescente percepção, nos mais altos escalões do Estado, de que os Estados Unidos são uma potência em decadência. Legitimidade e poder suave são recursos valorizados pelas potências hegemônicas globais. É bem possível que os Estados Unidos estejam abandonando tais ambições e que se tornem ainda mais perigosos no futuro, porque as potências em declínio acreditam em tomar o que puderem pela força, não importando as consequências.

<><> Arrombando portas

Essa ideia de que os Estados Unidos são um império em declínio é consistente com o fato de que sua terceira via imperial, a coerção multilateral, também pode estar em retrocesso. Historicamente, os Estados Unidos cooperaram com outras potências ocidentais para subjugar países na periferia global. Por exemplo, fizeram parte de um condomínio imperial que dividiu a China na primeira metade do século XX.

“Historicamente, os Estados Unidos cooperaram com outras potências ocidentais para subjugar países na periferia global.”

De fato, os Estados Unidos aproveitaram o declínio da China Qing para promulgar as Open Door Notes [Notas de Porta Aberta], um conjunto de proposições que se tornaram a estrutura para o caminho preferido dos Estados Unidos rumo ao imperialismo: o império informal. Isso significava que os países pobres poderiam desfrutar de soberania nominal se deixassem suas economias abertas para serem exploradas pelos países capitalistas avançados.

Seguindo esse roteiro, os Estados Unidos, no período pós-Segunda Guerra Mundial, cooperaram frequentemente com outras potências capitalistas menores, como a Grã-Bretanha e a França, para manter abertas as economias do mundo em desenvolvimento. Mais recentemente, os EUA utilizaram organizações multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional para impor o Consenso de Washington aos países do Sul Global, especialmente na América Latina; essas ações garantiram que os bancos estadunidenses endividados não sofressem perdas financeiras.

Essa terceira forma de imperialismo estadunidense pode muito bem estar em declínio. Os motivos não são difíceis de entender. A economia dos EUA não é mais competitiva no cenário global. O imperialismo do livre comércio não compensa mais; as tarifas de Trump e suas flagrantes intervenções imperialistas são indicativos dessa nova realidade global. Os Estados Unidos podem abrir à força os países da América Latina ao comércio e investimento internacionais, apenas para ver a China ocupar o espaço em vez das empresas estadunidenses.

Na arena política, também, uma potência hegemônica em decadência não está em posição de direcionar organizações multilaterais para atender aos seus interesses. Tampouco consegue persuadir facilmente potências menores a aderirem a empreendimentos imperialistas, especialmente quando os Estados Unidos tratam tais potências com desprezo. Observe como poucos aceitam o convite dos EUA a países europeus para se juntarem a eles na abertura do Estreito de Ormuz.

A maioria dos estadunidenses não considera os Estados Unidos um país imperialista. Com o imperialismo declarado de Trump, essa forma de hipocrisia torna-se difícil de sustentar. Os liberais estadunidenses bem-intencionados ainda podem se consolar com a crença de que, após Trump, os EUA bem-intencionados ressurgirão como uma potência hegemônica global benevolente. Infelizmente, isso nunca foi verdade no passado e provavelmente não será no futuro.

¨      Escudo das Américas: iniciativa de Trump e de 14 países inclui cartel que não existe. Por Natalia Viana

No primeiro dia da Assembleia Geral da ONU, o governo de Donald Trump publicou um comunicado conjunto com 14 países da América Latina – Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago – anunciando ações conjuntas para combater organizações que os EUA designaram como terroristas. Entre elas estão as brasileiras PCC e CV.

Pouco antes, no seu discurso na ONU, Trump afirmara que os cartéis de drogas “são o Estado Islâmico do hemisfério” e seus membros “devem ser executados, exilados ou detidos como inimigos combatentes”.

Um nome, entretanto, chama atenção: o Cartel de Los Soles está listado entre as 24 organizações “narcoterroristas” que devem ser combatidas.

Acontece que o Cartel de Los Soles não existe. O nome é uma gíria que os venezuelanos usam para se referir à corrupção por parte de militares – algo como “petralhas” ou “bolsominions”.

Como a Agência Pública revelou em uma reportagem no início do ano, a narrativa sobre a existência do Cartel de Los Soles foi criada pelo Departamento de Justiça no primeiro governo de Donald Trump, para embasar o indiciamento criminal de Nicolás Maduro e mais 14 membros do governo venezuelano. A acusação afirmava que Maduro “ajudou a gerir e, por fim, a liderar o Cartel de los Soles à medida que ganhava poder na Venezuela” e que “enquanto a maioria das organizações de tráfico de drogas na América do Sul e Central procurou recuar da importação de narcóticos para os Estados Unidos (…) o Cartel de los Soles, sob a liderança de Maduro Moros e outros, priorizou o uso da cocaína como uma arma contra os Estados Unidos, ao importar o máximo de cocaína possível”.

Depois, em novembro de 2025, a pretensa organização foi designada pelo Departamento de Estado como uma Organização Terrorista Estrangeira. Foi essa designação que deu uma capa de legalidade para a invasão militar da Venezuela.

Mas nem mesmo o Departamento de Justiça tem segurança sobre as acusações de que o Cartel existe. Enquanto no primeiro documento de indiciamento contra Maduro, de 2020, ele é acusado de “chefiar o cartel de Los Soles” e a suposta organização é mencionada 32 vezes, no indiciamento final, emitido depois da captura de Maduro, o Cartel é citado apenas duas vezes, e descrita como um “sistema de patronagem administrado por aqueles no topo” – e não mais como uma organização de tráfico de drogas.

POR QUE ISSO IMPORTA?

O sequestro do então presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi justificado pelos Estados Unidos em função de sua suposta atuação no tráfico de drogas.

A ação norte-americana se baseou em determinações de grupos criminosos venezuelanos como terroristas pelos próprios Estados Unidos. De forma semelhante com o que ocorreu com o PCC e o CV em junho deste ano.

Existem definições técnicas na Convenção contra o Crime Organizado Transnacional da ONU que determinam o que é uma organização criminosa internacional: um corpo organizado com uma estrutura e hierarquia, divisão de tarefas e continuidade temporal; autonomia em relação ao Estado; e comprovação da sua existência por investigações policiais. O Cartel de Los Soles não se enquadra em nenhum destes aspectos.

A adoção ampla de uma organização que não existe pelos 14 países que fazem parte do Escudo das Américas demonstra a supremacia do governo norte-americano nas ações do grupo.

Trump afirmou em discurso que os cartéis de drogas “são o Estado Islâmico do hemisfério” e seus membros “devem ser executados, exilados ou detidos como inimigos combatentes”

<><> O que promete a aliança do Escudo das Américas 

Os 14 países que fazem parte do Escudo das Américas, iniciativa lançada em março deste ano, são todos governados por aliados de Trump na direita continental. Ontem, em comunicado conjunto, eles prometeram impor, “congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações”.

México e Brasil, os dois maiores e mais ricos países do continente, não fazem parte do Escudo. Ambos sofrem pressões políticas dos EUA para enfraquecer seus governos, com orientação à esquerda.

O grupo também prometeu pedir à OEA (Organização dos Estados Americanos) uma resolução que “promova e facilite a ação coletiva contra organizações narcoterroristas no âmbito do Tratado do Rio”. Assinado em 1947, o Tratado do Rio estabelece que um ataque armado contra qualquer país americano é considerado um ataque contra todos. A ideia seria militarizar de vez o combate ao narcotráfico sob a liderança dos EUA, como uma “Otan” latinoamericana.  

Para Fulton Armstrong, ex-diretor para temas interamericanos do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, este tipo de iniciativa “não funciona” e pode aumentar tensões continentais.

“À medida que fica claro que designar criminosos como terroristas e atacá-los como alvos militares não funciona, é natural que os países procurem atores externos – incluindo seus vizinhos – para botar a culpa. O exemplo clássico foi a Colômbia, que produz e trafica quantidades recordes, mas transferiu a culpa para a Venezuela. Os Estados Unidos, que consomem as drogas que passam pela América Central e pelo México, culpam esses países pelo problema. A maior parte dos narcóticos que passam pelo Brasil tradicionalmente tem como destino a Europa, mas Washington se reservou o direito de acusar o Brasil de não ser bom parceiro e de resistir às políticas dos EUA. A designação de terrorista politiza a questão e aumenta as tensões entre os vizinhos”, diz.

Para Fulton, a militarização da Guerra às Drogas não funcionou bem no passado. “Gastamos 16 bilhões de dólares no Plano Colômbia, e a produção de cocaína continua batendo recordes. A estratégia, além disso, aumenta a violência que afeta toda a sociedade, como vimos no México e em toda a América Central. Chamar os criminosos de ‘terroristas’ é politicamente conveniente, mas operacionalmente desastroso”.

O governo brasileiro resiste à designação de organizações como CV e PCC como terroristas, pois considera que isso permite ações de interferência dos EUA contra o sistema financeiro brasileiro e também ações militares. Em alerta enviado na semana passada, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) avaliou que o risco de interferência norte-americana contra o Brasil atingiu nível “crítico” justamente pela designação do PCC e CV como terroristas.

Depois de sanções contra pessoas e empresas brasileiras em julho por vínculos ao PCC, a Abin disse que isso “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”. Segundo a Abin, a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo “gradual, combinado e adaptativo” que passa pelo enquadramento legal e pela construção de narrativa sobre atuação transnacional dos criminosos e sua vinculação com o sistema financeiro norte-americano.

Os EUA, com isso, “ampliam o potencial de efeitos extraterritoriais sobre bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras”, diz a Abin.

 

Fonte: Por Atul Kohli - Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil/Agencia Pública

 

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