Em
reunião com Trump, Xi Jinping estabelece termos para evitar conflito militar
entre EUA e China
Xi
Jinping pediu ampla cooperação com Washington para evitar a "armadilha de
Tucídides", que poderia colocar os EUA e a China em rota de colisão
militar em meio às crescentes tensões sobre inteligência artificial, comércio e
Taiwan.
No
início de sua reunião de cúpula com Donald Trump na Casa Branca, o presidente chinês
estabeleceu os termos para um entendimento mútuo que, segundo ele, poderia
afastar as duas superpotências rivais de futuros conflitos militares e
conduzi-las a um caminho de benefícios mútuos.
Em vez
de confronto, as condições para "alcançar o grande rejuvenescimento da
nação chinesa e tornar a América grande novamente caminharem juntas" devem
ser o objetivo, disse Xi, citando o slogan político de Trump.
“Devemos
fortalecer a comunicação. A China e os Estados Unidos têm contextos nacionais
diferentes, mas, por meio de um diálogo franco, profundo e contínuo, nossos
dois países podem se entender melhor, buscar pontos em comum, deixando de lado
as diferenças, e construir confiança mútua”, disse Xi, com Trump presente.
“Devemos
coexistir em paz”, disse ele. “A China e os Estados Unidos, como duas grandes
potências, têm a ganhar com a cooperação e perderão com o confronto. Nossos
dois exércitos devem manter um diálogo regular e aprimorar os mecanismos de
comunicação e prevenção de crises.”
Com
essas condições estabelecidas, disse Xi, “a armadilha de Tucídides pode ser
superada”, referindo-se ao fenômeno, definido pelo historiador grego, das
tensões que surgem quando uma potência emergente desafia o domínio de uma
potência estabelecida.
Xi
Jinping mencionou a expressão em seu encontro com Trump em Pequim, em maio,
perguntando ao presidente americano como ele planejava evitá-la.
Suas
propostas para diminuir as tensões – que também incluíam o convite a 100 mil
jovens americanos para visitar a China em intercâmbios estudantis – surgem em
meio a um período de intensa competição entre as duas potências em relação à
inteligência artificial e ao comércio, com cada lado impondo tarifas ao outro.
Anteriormente,
Trump havia recebido Xi e sua esposa, Peng Liyuan, na Casa Branca, observando
que ele era o primeiro líder chinês a fazer uma segunda visita de Estado aos
EUA. A visita anterior ocorreu em 2015, quando Barack Obama era presidente dos
EUA.
“O
presidente Xi e a senhora Peng chegam em um momento importante para os Estados
Unidos, o 250º aniversário de nossa fundação”, disse ele.
Trump
afirmou ter forjado “uma amizade verdadeiramente grandiosa” com Xi. “O
presidente Xi e eu fizemos progressos extraordinários nas questões que afetam
nossos dois países”, disse ele. “Nossas equipes têm trabalhado para incentivar
uma relação comercial mais equilibrada, incluindo o acesso a novos mercados
para agricultores e pecuaristas americanos.”
Ele
afirmou que a visita atual incluiria discussões sobre segurança, tecnologia e
IA – que ele chamou de “superinteligência”, um termo que introduziu em seu
discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira.
Xi
também elogiou sua relação pessoal com seu homólogo americano, dizendo: "O
presidente Trump e eu nos respeitamos mutuamente. Construímos uma relação
pessoal e mantemos contato."
Dirigindo-se
diretamente a Trump, ele disse: “Durante sua visita à China este ano,
concordamos em construir uma relação sino-americana construtiva e de
estabilidade estratégica. Estou pronto para trabalhar com você para conduzir o
gigantesco navio da relação sino-americana em um rumo firme rumo ao futuro.”
A
cerimônia de boas-vindas na Casa Branca ocorreu depois que Trump tomou a medida
incomum de ir à base aérea de Andrews, em Maryland, na noite anterior, para
cumprimentar o líder chinês e sua esposa na pista de pouso.
Grande
parte da pompa e circunstância se repetiu na cerimônia de quinta-feira, com a
execução dos hinos nacionais de ambos os países. Trump estava acompanhado de
sua esposa, Melania, enquanto membros de seu gabinete e assessores de alto
escalão – incluindo Natalie Harp, a dedicada assistente de Trump apelidada de
“impressora humana” por seus colegas – assistiam à cerimônia.
Trump e
Xi tinham agendadas conversas bilaterais após a cerimônia e os discursos de
boas-vindas.
Apesar
do tom harmonioso adotado por ambos os líderes, analistas expressaram ceticismo
quanto à possibilidade de se chegar a acordos estáveis e duradouros sobre
uma série de questões.
Na
corrida pela inteligência artificial, os EUA impuseram controles de exportação
rigorosos sobre microchips, semicondutores, software e equipamentos de
fabricação de chips, numa tentativa de desacelerar o desenvolvimento da China.
Uma
trégua acordada entre Trump e Xi na Coreia do Sul no ano passado, com o
objetivo de manter as tarifas mais baixas, deveria expirar em novembro, mas
agora foi prorrogada até fevereiro, disse o secretário do Tesouro dos EUA,
Scott Bessent.
Analistas
acreditam que a prorrogação sugere que Trump continua insatisfeito com as
concessões comerciais oferecidas por Xi e quer manter a pressão na esperança de
obter um acordo melhor caso os dois se encontrem novamente na cúpula do G20,
agendada para dezembro em Miami.
Apesar
da guerra comercial entre os dois países, as importações chinesas para os EUA
continuam a aumentar. A China caminha para registrar um déficit comercial de
US$ 1 trilhão pelo segundo ano consecutivo.
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Xi Jinping insta os EUA a se oporem à "independência de Taiwan",
segundo comunicado chinês sobre o encontro.
O tema
de Taiwan surgiu durante uma reunião bilateral na qual Xi Jinping instou os EUA a se oporem à “independência
de Taiwan”, segundo um comunicado da agência de notícias oficial chinesa
Xinhua.
A Casa
Branca não divulgou imediatamente sua própria versão dos fatos relativos à
discussão.
A
expectativa era de que Xi Jinping pressionasse Trump esta semana para suspender
a venda de armas a Taiwan , informou a
Associated Press. Após visitar a China em maio, o presidente americano afirmou
que estava suspendendo um pacote de armas para Taiwan no valor de cerca de US$
14 bilhões e o classificou como uma “ótima moeda de troca”.
A
medida deixou alguns aliados dos EUA na Ásia e até mesmo alguns republicanos
preocupados com a possibilidade de Trump ser tentado a suavizar o apoio de
Washington a Taipei em troca de ganhos econômicos com a China .
A China
reivindica há muito tempo a soberania sobre Taiwan, uma ilha governada
democraticamente que depende do poder dos EUA para conter as ameaças de Pequim.
Apesar de apoiar Taiwan, os EUA tradicionalmente evitam tomar uma posição
oficial sobre sua independência.
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A guerra de Trump e a pressão especulativa sobre o preço
do diesel. Por Bruno Rocha Lima
A
economia ocidental se vê diante de uma crise de um insumo fundamental, o
diesel, após a escalada especulativa fabricada pela guerra de agressão de EUA e
Israel contra o Irã. Segundo o Tehran Times, o confronto do
Império Decadente contra a República Islâmica criou a tempestade perfeita no
setor energético, que agora prejudica os consumidores em todo o mundo.
Com a
incapacidade da Casa Branca de prever a interrupção do Estreito de Ormuz, e com
os preços
do diesel batendo recordes em três continentes,
desencadeou-se uma catástrofe na cadeia de suprimentos que ameaça
levar a economia global à recessão. Seria essa a meta
de Trump? Será que a crise gerada atinge a China, a Organização
de Cooperação de Xangai? Tudo nos leva a crer que a
primeira pergunta tem como resposta “sim”,
e a segunda “não”.
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A crise do diesel gerada por Trump
Segundo a CNBC, os preços do diesel
nos EUA atingiram um recorde histórico de US$ 6,31 por galão esta semana,
enquanto a Reuters informa que a média subiu para US$ 6,29 – um aumento
impressionante de 68% em relação ao ano passado. Na Europa, dados da Comissão
Europeia mostram que o diesel chegou a € 2,159 por litro, o maior valor desde o
início dos registros em 2005. Esses não são números abstratos; representam um
ataque direto às famílias trabalhadoras.
A nova
frente da guerra regional anti-imperialista implica em ataques a oleodutos
sauditas e a contínua interrupção no Estreito de Ormuz, criando o que o
estrategista de cadeia de suprimentos Steve Blough chama de “uma tempestade
perfeita”. O Financial Times relata que
as exportações de diesel das refinarias da Ásia Ocidental despencaram para cerca
de um quarto dos níveis pré-guerra, enquanto os ataques à infraestrutura de
refino russa retiraram milhões de barris por dia dos mercados globais.
As
consequências vão muito além dos postos de gasolina. Os custos do óleo para
aquecimento residencial podem subir 31% neste inverno europeu, forçando o que o
diretor de assistência energética, Mark Wolfe, alerta que exigirá “sacrifícios
significativos” de famílias de baixa e média renda. Empresas de transporte
rodoviário enfrentam prejuízos de US$ 10 milhões. Agricultores, construtoras e
sistemas de transporte público também sofrerão com aumentos de custos
exorbitantes.
Analistas
do JPMorgan admitiram na quinta-feira (17/09): “Pela primeira vez desde o
início do conflito com o Irã, não temos uma perspectiva de referência. A
suposição de que a interrupção é temporária está se tornando cada vez mais
difícil de sustentar.”
Talvez
o mais condenatório: o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reconheceu a
crise ao mencionar o spread de refino – a margem entre o preço do
petróleo bruto e o do diesel – como um fator-chave da inflação. O “fracasso” da
administração Trump em garantir as cadeias globais de abastecimento de energia
entregou aos consumidores americanos uma guerra econômica que eles nunca
pediram e da qual não podem escapar facilmente.
Fica a
pergunta: foi “fracasso” ou é uma crise programada para gerar recessão na
economia mundial, de modo a tentar impedir o avanço da integração eurasiática?
A tese que levantamos é essa, a do choque econômico como doutrina de
implantação de uma tentativa de cerco ampliado da Ásia pelos EUA e aliados
subalternos.
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O preço do diesel no Brasil é fruto direto do PPI e do entreguismo pós-golpe
Segundo
o portal Terra, o preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta
semana ante a anterior, para R$7,13 por litro, maior patamar desde o final de maio,
apontou pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP), na sexta-feira (18/09).
O
avanço dos preços do combustível mais consumido do Brasil ocorre após uma
disparada das cotações do petróleo e seus derivados no mercado internacional ao
longo deste mês,
em momento em que o plantio de soja no país começa,
considerado um dos períodos de maior demanda por diesel.
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Tapando o sol com a peneira
De
acordo com a Agência Brasil, o Conselho de Administração da
Petrobras aprovou, na sexta-feira (18/09), a adesão à subvenção econômica aos produtores e
importadores de óleo diesel e suas correntes. A subvenção foi instituída pela
Medida Provisória 1.391, de 11 de setembro de 2026.
Com
isso, a empresa receberá uma subvenção no valor em R$ 1 por litro de óleo
diesel “A”, de uso rodoviário, pelo prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada
por igual período. O valor será transformado em desconto no valor do
combustível vendido às revendedoras.
Nesta
semana, a Petrobras informou que decidiu também aumentar em R$ 1 o preço do
litro do combustível vendido às revendedoras. Somando o desconto com o aumento,
o diesel terá seu preço mantido.
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Outras subvenções
A
Petrobras também informou, no sábado (19/09), que recebeu uma parcela de R$ 448
milhões referente ao Programa de Subvenção Econômica à comercialização de
gasolina, referente ao período de 16 a 31 de julho.
Com
esse pagamento, o valor acumulado recebido pela Petrobras dos programas de
subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9
bilhões.
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Apontando conclusões
Em
escala ocidental, a guerra de Trump e Netanyahu contra a República Islâmica do
Irã criou as condições perfeitas para o controle de águas binacionais (Irã e
Omã) no Estreito de Ormuz e a diminuição da exportação de diesel através desse
canal marítimo. Meses depois, a estupidez continua, quando a Arábia Saudita
toma a iniciativa de romper a trégua tácita contra o Iêmen e arrisca uma guerra
direta. A resposta iemenita é atingir tanto as instalações das refinarias da
Saudi Aramco como o oleoduto sob controle de Riad. O resultado é o subproduto
da derrota imperialista: a inflação gerada pela alta do custo do diesel,
pressionado pela corrida especulativa nos contratos futuros.
No caso
do Brasil, estamos vivendo a herança maldita do golpe de 2016 e a covardia
política após a derrota da tentativa de golpe bolsonarista. A Petrobras se
caracterizava por uma empresa de ciclo completo de energia, do poço ao posto, e
com capacidade de reconversão energética e industrial. Após a gestão de Pedro
Parente na Petróleo Brasileiro S.A. (31/05/16 a 01/06/18), o Brasil ficou
amputado de sua capacidade de precificação nacional. Depois, no desgoverno
Paulo Guedes, o país vende refinarias estratégicas e auxilia a formação de
preço supostamente importado, imposto pelo Fundo Mubadala (Emirados) na compra
a preço de banana podre da refinaria Refinaria Landulpho Alves (RLAM) depois
chamada de Mataripe.
A
formação do preço do diesel na 8ª economia do mundo é atingida pela refinaria
privatizada, as distribuidoras privatizadas e o preço especulativo forçado com
a guerra de Trump e Netanyahu e sua posterior derrota. Insisto com a tese: o
membro da gangue de Epstein à frente da Casa Branca tinha (tem) como plano B –
ou objetivo secundário – gerar uma inflação na Ásia, mesmo que o efeito
indireto seja a pressão inflacionária no ocidente, incluindo os próprios
Estados Unidos.
Fonte:
The Guardian/Opera Mundi

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