sábado, 26 de setembro de 2026

Em reunião com Trump, Xi Jinping estabelece termos para evitar conflito militar entre EUA e China

Xi Jinping pediu ampla cooperação com Washington para evitar a "armadilha de Tucídides", que poderia colocar os EUA e a China em rota de colisão militar em meio às crescentes tensões sobre inteligência artificial, comércio e Taiwan.

No início de sua reunião de cúpula com Donald Trump na Casa Branca, o presidente chinês estabeleceu os termos para um entendimento mútuo que, segundo ele, poderia afastar as duas superpotências rivais de futuros conflitos militares e conduzi-las a um caminho de benefícios mútuos.

Em vez de confronto, as condições para "alcançar o grande rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente caminharem juntas" devem ser o objetivo, disse Xi, citando o slogan político de Trump.

“Devemos fortalecer a comunicação. A China e os Estados Unidos têm contextos nacionais diferentes, mas, por meio de um diálogo franco, profundo e contínuo, nossos dois países podem se entender melhor, buscar pontos em comum, deixando de lado as diferenças, e construir confiança mútua”, disse Xi, com Trump presente.

“Devemos coexistir em paz”, disse ele. “A China e os Estados Unidos, como duas grandes potências, têm a ganhar com a cooperação e perderão com o confronto. Nossos dois exércitos devem manter um diálogo regular e aprimorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises.”

Com essas condições estabelecidas, disse Xi, “a armadilha de Tucídides pode ser superada”, referindo-se ao fenômeno, definido pelo historiador grego, das tensões que surgem quando uma potência emergente desafia o domínio de uma potência estabelecida.

Xi Jinping mencionou a expressão em seu encontro com Trump em Pequim, em maio, perguntando ao presidente americano como ele planejava evitá-la.

Suas propostas para diminuir as tensões – que também incluíam o convite a 100 mil jovens americanos para visitar a China em intercâmbios estudantis – surgem em meio a um período de intensa competição entre as duas potências em relação à inteligência artificial e ao comércio, com cada lado impondo tarifas ao outro.

Anteriormente, Trump havia recebido Xi e sua esposa, Peng Liyuan, na Casa Branca, observando que ele era o primeiro líder chinês a fazer uma segunda visita de Estado aos EUA. A visita anterior ocorreu em 2015, quando Barack Obama era presidente dos EUA.

“O presidente Xi e a senhora Peng chegam em um momento importante para os Estados Unidos, o 250º aniversário de nossa fundação”, disse ele.

Trump afirmou ter forjado “uma amizade verdadeiramente grandiosa” com Xi. “O presidente Xi e eu fizemos progressos extraordinários nas questões que afetam nossos dois países”, disse ele. “Nossas equipes têm trabalhado para incentivar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo o acesso a novos mercados para agricultores e pecuaristas americanos.”

Ele afirmou que a visita atual incluiria discussões sobre segurança, tecnologia e IA – que ele chamou de “superinteligência”, um termo que introduziu em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira.

Xi também elogiou sua relação pessoal com seu homólogo americano, dizendo: "O presidente Trump e eu nos respeitamos mutuamente. Construímos uma relação pessoal e mantemos contato."

Dirigindo-se diretamente a Trump, ele disse: “Durante sua visita à China este ano, concordamos em construir uma relação sino-americana construtiva e de estabilidade estratégica. Estou pronto para trabalhar com você para conduzir o gigantesco navio da relação sino-americana em um rumo firme rumo ao futuro.”

A cerimônia de boas-vindas na Casa Branca ocorreu depois que Trump tomou a medida incomum de ir à base aérea de Andrews, em Maryland, na noite anterior, para cumprimentar o líder chinês e sua esposa na pista de pouso.

Grande parte da pompa e circunstância se repetiu na cerimônia de quinta-feira, com a execução dos hinos nacionais de ambos os países. Trump estava acompanhado de sua esposa, Melania, enquanto membros de seu gabinete e assessores de alto escalão – incluindo Natalie Harp, a dedicada assistente de Trump apelidada de “impressora humana” por seus colegas – assistiam à cerimônia.

Trump e Xi tinham agendadas conversas bilaterais após a cerimônia e os discursos de boas-vindas.

Apesar do tom harmonioso adotado por ambos os líderes, analistas expressaram ceticismo quanto à possibilidade de se chegar a acordos estáveis ​​e duradouros sobre uma série de questões.

Na corrida pela inteligência artificial, os EUA impuseram controles de exportação rigorosos sobre microchips, semicondutores, software e equipamentos de fabricação de chips, numa tentativa de desacelerar o desenvolvimento da China.

Uma trégua acordada entre Trump e Xi na Coreia do Sul no ano passado, com o objetivo de manter as tarifas mais baixas, deveria expirar em novembro, mas agora foi prorrogada até fevereiro, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Analistas acreditam que a prorrogação sugere que Trump continua insatisfeito com as concessões comerciais oferecidas por Xi e quer manter a pressão na esperança de obter um acordo melhor caso os dois se encontrem novamente na cúpula do G20, agendada para dezembro em Miami.

Apesar da guerra comercial entre os dois países, as importações chinesas para os EUA continuam a aumentar. A China caminha para registrar um déficit comercial de US$ 1 trilhão pelo segundo ano consecutivo.

<><> Xi Jinping insta os EUA a se oporem à "independência de Taiwan", segundo comunicado chinês sobre o encontro.

O tema de Taiwan surgiu durante uma reunião bilateral na qual Xi Jinping instou os EUA a se oporem à “independência de Taiwan”, segundo um comunicado da agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

A Casa Branca não divulgou imediatamente sua própria versão dos fatos relativos à discussão.

A expectativa era de que Xi Jinping pressionasse Trump esta semana para suspender a venda de armas a Taiwan , informou a Associated Press. Após visitar a China em maio, o presidente americano afirmou que estava suspendendo um pacote de armas para Taiwan no valor de cerca de US$ 14 bilhões e o classificou como uma “ótima moeda de troca”.

A medida deixou alguns aliados dos EUA na Ásia e até mesmo alguns republicanos preocupados com a possibilidade de Trump ser tentado a suavizar o apoio de Washington a Taipei em troca de ganhos econômicos com a China .

A China reivindica há muito tempo a soberania sobre Taiwan, uma ilha governada democraticamente que depende do poder dos EUA para conter as ameaças de Pequim. Apesar de apoiar Taiwan, os EUA tradicionalmente evitam tomar uma posição oficial sobre sua independência.

¨      A guerra de Trump e a pressão especulativa sobre o preço do diesel. Por Bruno Rocha Lima

A economia ocidental se vê diante de uma crise de um insumo fundamental, o diesel, após a escalada especulativa fabricada pela guerra de agressão de EUA e Israel contra o Irã. Segundo o Tehran Times, o confronto do Império Decadente contra a República Islâmica criou a tempestade perfeita no setor energético, que agora prejudica os consumidores em todo o mundo.

Com a incapacidade da Casa Branca de prever a interrupção do Estreito de Ormuz, e com ​​os preços do diesel batendo recordes em três continentes, desencadeou-se uma catástrofe na cadeia de suprimentos que ameaça levar a economia global à recessão. Seria essa a meta de Trump? Será que a crise gerada atinge a China, a Organização de Cooperação de Xangai? Tudo nos leva a crer que a primeira pergunta tem como resposta “sim”, e a segunda “não”.

<><> A crise do diesel gerada por Trump

Segundo a CNBC, os preços do diesel nos EUA atingiram um recorde histórico de US$ 6,31 por galão esta semana, enquanto a Reuters informa que a média subiu para US$ 6,29 – um aumento impressionante de 68% em relação ao ano passado. Na Europa, dados da Comissão Europeia mostram que o diesel chegou a € 2,159 por litro, o maior valor desde o início dos registros em 2005. Esses não são números abstratos; representam um ataque direto às famílias trabalhadoras.

A nova frente da guerra regional anti-imperialista implica em ataques a oleodutos sauditas e a contínua interrupção no Estreito de Ormuz, criando o que o estrategista de cadeia de suprimentos Steve Blough chama de “uma tempestade perfeita”. O Financial Times relata que as exportações de diesel das refinarias da Ásia Ocidental despencaram para cerca de um quarto dos níveis pré-guerra, enquanto os ataques à infraestrutura de refino russa retiraram milhões de barris por dia dos mercados globais.

As consequências vão muito além dos postos de gasolina. Os custos do óleo para aquecimento residencial podem subir 31% neste inverno europeu, forçando o que o diretor de assistência energética, Mark Wolfe, alerta que exigirá “sacrifícios significativos” de famílias de baixa e média renda. Empresas de transporte rodoviário enfrentam prejuízos de US$ 10 milhões. Agricultores, construtoras e sistemas de transporte público também sofrerão com aumentos de custos exorbitantes.

Analistas do JPMorgan admitiram na quinta-feira (17/09): “Pela primeira vez desde o início do conflito com o Irã, não temos uma perspectiva de referência. A suposição de que a interrupção é temporária está se tornando cada vez mais difícil de sustentar.”

Talvez o mais condenatório: o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reconheceu a crise ao mencionar o spread de refino – a margem entre o preço do petróleo bruto e o do diesel – como um fator-chave da inflação. O “fracasso” da administração Trump em garantir as cadeias globais de abastecimento de energia entregou aos consumidores americanos uma guerra econômica que eles nunca pediram e da qual não podem escapar facilmente.

Fica a pergunta: foi “fracasso” ou é uma crise programada para gerar recessão na economia mundial, de modo a tentar impedir o avanço da integração eurasiática? A tese que levantamos é essa, a do choque econômico como doutrina de implantação de uma tentativa de cerco ampliado da Ásia pelos EUA e aliados subalternos. 

<><> O preço do diesel no Brasil é fruto direto do PPI e do entreguismo pós-golpe

Segundo o portal Terra, o preço médio ‌do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta semana ante a anterior, para R$7,13 por litro, maior patamar desde o final de maio, apontou pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na sexta-feira (18/09).

O avanço dos preços do combustível mais consumido do Brasil ocorre após uma disparada das cotações do petróleo e seus derivados no mercado internacional ao ‌longo deste mês, em momento em que o plantio de soja no país começa, considerado um dos períodos de maior demanda por diesel.

<><> Tapando o sol com a peneira

De acordo com a Agência Brasil, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou, na sexta-feira (18/09), a adesão à subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel e suas correntes. A subvenção foi instituída pela Medida Provisória 1.391, de 11 de setembro de 2026.

Com isso, a empresa receberá uma subvenção no valor em R$ 1 por litro de óleo diesel “A”, de uso rodoviário, pelo prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período. O valor será transformado em desconto no valor do combustível vendido às revendedoras.

Nesta semana, a Petrobras informou que decidiu também aumentar em R$ 1 o preço do litro do combustível vendido às revendedoras. Somando o desconto com o aumento, o diesel terá seu preço mantido.

<><> Outras subvenções

A Petrobras também informou, no sábado (19/09), que recebeu uma parcela de R$ 448 milhões referente ao Programa de Subvenção Econômica à comercialização de gasolina, referente ao período de 16 a 31 de julho.

Com esse pagamento, o valor acumulado recebido pela Petrobras dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões.

<><> Apontando conclusões

Em escala ocidental, a guerra de Trump e Netanyahu contra a República Islâmica do Irã criou as condições perfeitas para o controle de águas binacionais (Irã e Omã) no Estreito de Ormuz e a diminuição da exportação de diesel através desse canal marítimo. Meses depois, a estupidez continua, quando a Arábia Saudita toma a iniciativa de romper a trégua tácita contra o Iêmen e arrisca uma guerra direta. A resposta iemenita é atingir tanto as instalações das refinarias da Saudi Aramco como o oleoduto sob controle de Riad. O resultado é o subproduto da derrota imperialista: a inflação gerada pela alta do custo do diesel, pressionado pela corrida especulativa nos contratos futuros. 

No caso do Brasil, estamos vivendo a herança maldita do golpe de 2016 e a covardia política após a derrota da tentativa de golpe bolsonarista. A Petrobras se caracterizava por uma empresa de ciclo completo de energia, do poço ao posto, e com capacidade de reconversão energética e industrial. Após a gestão de Pedro Parente na Petróleo Brasileiro S.A. (31/05/16 a 01/06/18), o Brasil ficou amputado de sua capacidade de precificação nacional. Depois, no desgoverno Paulo Guedes, o país vende refinarias estratégicas e auxilia a formação de preço supostamente importado, imposto pelo Fundo Mubadala (Emirados) na compra a preço de banana podre da refinaria Refinaria Landulpho Alves (RLAM) depois chamada de Mataripe.

A formação do preço do diesel na 8ª economia do mundo é atingida pela refinaria privatizada, as distribuidoras privatizadas e o preço especulativo forçado com a guerra de Trump e Netanyahu e sua posterior derrota. Insisto com a tese: o membro da gangue de Epstein à frente da Casa Branca tinha (tem) como plano B – ou objetivo secundário – gerar uma inflação na Ásia, mesmo que o efeito indireto seja a pressão inflacionária no ocidente, incluindo os próprios Estados Unidos. 

 

Fonte: The Guardian/Opera Mundi

 

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