Moisés
Mendes: Só a vitória de Lula impede que a velha direita seja comida pelo
fascismo
Militantes
de primeira viagem de PSD, Novo, Missão e Avante sabem o que velhos dirigentes
dos partidos fingem não saber. Os candidatos de todos eles – Ronaldo Caiado,
Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury – somente irão sobreviver como
possíveis pretendentes ao Planalto, em outras eleições, se Flávio Bolsonaro for
derrotado este ano.
Os
quatro só têm chance de sobrevivência se Lula vencer. Se ocorrer o contrário,
todos eles, e principalmente os representantes da velha direita, serão comidos
pelo bolsonarismo e ruminados durante anos. A velha direita pode sumir do mapa
como pretendente a alguma coisa maior se Flávio vencer.
Considerando-se
um cenário que o fascismo enxerga como possível, a situação pode piorar se
parte do eleitorado de todos eles se bandear para Flávio no primeiro turno.
Porque esses nomes estarão não só inviabilizados como concorrentes, num futuro
próximo, como humilhados pelo bolsonarismo.
Todos
os citados e outros que não entraram na disputa este ano pela direita, como
Ratinho Júnior e Eduardo Leite, verão suas estruturas partidárias se
transformarem em ajudantes da extrema-direita se Flávio for o vitorioso. Os
estagiários dos partidos estão sabendo. Os líderes tentam negar que também
sabem. O eleitor dos quatro citados deveria saber.
Tarcísio
de Freitas e Michelle Bolsonaro sabem muito mais do que todos eles. Ambos
também serão coadjuvantes, sem chances de protagonismo no curto e médio prazo,
se Lula não vencer. Todos os que não são do bolsonarismo raiz e não fazem parte
da estrutura da família serão perdedores se Flávio vencer.
Não é
uma ameaça, é uma projeção de circunstâncias devastadoras para todos os que não
são, como nomes nacionais, do núcleo duro do bolsonarismo. Tarcísio e Michelle
não só não fazem parte desse núcleo como representam hoje uma ameaça à
preservação dessa estrutura, como dissidências internas.
A
direita não bolsonarista, mas engolida pelo bolsonarismo a partir de 2018,
viverá do vampirismo das emendas pelos mandatos de Senado e Câmara, se for
absorvida para sempre pela extrema-direita. Podem dizer que essa é a
característica do Centrão, pela capacidade de articulação e manobra no
Congresso, mas sempre de apêndice do poder.
Pode
ser para Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto, Antonio Rueda e Gilberto Kassab,
os donos de partidos que vivem dependurados em quem estiver no governo. Mas
Caiado, Zema, Cury e até Renan Santos têm ambições que os chefões e gestores de
interesses e prioridades do Centrão não têm.
Todos
os quatro, segundo as pesquisas, seriam competitivos como opções da direita em
cenários de segundo turno. Todos enfrentariam Lula em igualdade de condições, e
alguns, como Caiado e Cury, aparecem em algumas pesquisas em situação melhor do
que a do filho ungido.
Mas só
existem como figuras capazes de enfrentar Lula e o PT se Flávio estiver fora do
jogo. Por isso, a direita só sobrevive, como projeto de curto e médio prazos,
já pensando a partir de 2030, se o bolsonarismo como estrutura de família for
derrotado e se transformar em terra arrasada com a vitória de Lula.
A velha
direita depende de Lula tanto quanto as facções da extrema-direita que não
fazem parte dos quadros de mando e dos tentáculos do núcleo familiar do
bolsonarismo. O eleitor de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos que transferir
votos para Flávio já no primeiro turno estará antecipando a morte de todos os
que ainda aspiram um dia chegar ao Planalto.
Será
mais do que uma rendição precipitada, em nome de um voto aparentemente útil e
kamikaze. Será a humilhação de nomes alternativos para esse eleitor de direita
ainda com escrúpulos suficientes para evitar o voto no extremismo, no golpismo
e no negacionismo.
Votar
em Flávio para escapar de Lula é submeter também as estruturas de poder do
antigo conservadorismo, em Estados e municípios, ao controle absoluto do
bolsonarismo e decretar o fim da direita que teima em dizer que ainda vive. A
velha direita inteligente sabe que depende da vitória de Lula.
¨
Marco Damiani: Busca pelo voto da terceira via favorece
Lula contra extremismo de Bolsonaro
Um
velho e nem sempre simpático personagem eleitoral voltou com força e antes da
hora nesta eleição: o voto útil. E dessa vez não veio pelo lado da esquerda nem
na perspectiva do segundo turno, mas com efeito imediato em nome de resolver a
disputa. A 11 dias das urnas, quem já está pedindo o voto útil para si próprio,
no campo da centro-direita, é o candidato do PL. “Eu faço um apelo a você que
não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro
turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno”, aponta. A
contrapartida é o acirramento dos ataques contra ele pelos candidatos que têm
as suas bases atingidas, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu
Zema.
No
quadro em que todas as principais pesquisas apontam um sólido empate técnico em
primeiro e segundo turnos, a discussão precipitada do voto útil em abordagem
sobre a chamada terceira via é inevitável. Vai abrir o espaço necessário para a
vitória o candidato que mais colher resultados além de seus domínios
tradicionais. De modo inverso, com a extrema-direita procurando atrair um
público mais amplo, o debate do voto útil em nome da democracia e da soberania
do País precisa também ser antecipado.
As
garantias que a candidatura Lula proporciona à estabilidade institucional do
País são argumentos poderosos para o convencimento de eleitores que hoje não se
declaram pela reeleição. É um erro imaginar que os votos dos que buscam uma
terceira via entre o presidente e seu principal adversário são todos favas
contadas para a extrema-direita. Esses eleitores precisam ser impactados por
mensagens que mostrem a candidatura Lula como representante de todos os
brasileiros que não desejam colocar a democracia em risco nem aceitam abrir mão
da sua autodeterminação. Há muito mais pontos de intersecção entre o eleitorado
tradicional de Lula e o contingente que se divide no campo democrático e,
portanto, não bolsonarista.
A
pesquisa Quaest mais recente indica que 35% dos votos declarados para Caiado em
primeiro turno podem migrar para Lula no prolongamento da eleição. Lula foi um
ótimo presidente para o agronegócio, o que aumenta essa chance de migração. Há
espaço também para as bandeiras nacionalistas do presidente, em contraposição
ao entreguismo explícito de Bolsonaro aos Estados Unidos, sensibilizarem boa
parte do eleitorado dos outros nomes da centro-direita. Quem busca em Renan
Santos um voto de protesto não concorda, necessariamente, com a vassalagem de
Flávio a Donald Trump, como faz o filho de Jair Bolsonaro. O eleitorado
feminino de Augusto Cury é, sem dúvida, mais sensível aos programas de proteção
à mulher simbolizados em Lula do que ao machismo violento reunido em torno de
Flávio.
Essas e
outras diferenças gritantes na qualidade das duas candidaturas dão ao
presidente, bem mais do que ao outro, discursos capazes de furar bolhas de
rejeição. Eles precisam ser praticados, o que é bem mais do que apenas atacar
as iniquidades da candidatura bolsonarista. Os resultados da pesquisa
Atlas/Bloomberg divulgada hoje, com 45,8% para Lula e 43,4% de Flávio, em
primeiro turno, e dramáticos 47,7% x 47,4%, respectivamente, no segundo
escrutínio, mostram que buscar o voto útil, além das fronteiras da esquerda, é
imperioso para a vitória da democracia.
¨
Bepe Damasco: O passo a passo da adesão da Globo ao
candidato do fascismo
A
Globo nunca foi capaz de publicar ou levar ao ar uma miserável matéria
informando ao distinto público que o Master nasceu, cresceu e se consolidou no
governo Bolsonaro...
1-
Antes de mais nada, é preciso entender que as Organizações Globo são
porta-vozes do setor mais predatório do capitalismo, o financeiro. A defesa
obsessiva que faz de um ajuste fiscal baseado no corte dos gastos sociais e na
penalização dos mais pobres é a reverberação em estado bruto dos interesses da
Faria Lima.
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2-
Quando Flávio Bolsonaro foi flagrado em áudio pedindo dinheiro para o banqueiro
criminoso Daniel Vorcaro e Lula abriu vantagem nas pesquisas, projetando até
uma vitória em primeiro turno, a Globo e suas irmãs siamesas na mídia
corporativa levaram, na certa, uma reprimenda dos sanguessugas do mercado:
“Alto lá, tudo menos Lula. Para controlar outra vez o orçamento da República,
toleramos até mesmo um governo fascista, mas Lula não.”
3- Como
não tem vergonha na cara, mesmo depois das inúmeras agressões sofridas no
governo Bolsonaro, nem qualquer compromisso com o país, a Globo arregaçou as
mangas e foi à luta. Logo trouxe para o centro da disputa eleitoral Fábio
Luis da Silva, que nunca fora conhecido por Lulinha, mas passou a ser para
facilitar o vínculo com seu pai.
4)
Mesmo com o sigilo bancário de Fábio quebrado e sem nada concreto contra ele,
bombardearam a sociedade por pelo menos dois meses consecutivos com todo tipo
de ilação e suposição para incriminar o filho do presidente. A orquestração dos
veículos de comunicação foi tamanha que os jornalões passaram a estampar
manchetes rigorosamente idênticas sobre as investigações envolvendo Fábio.
5) Para
encorpar a onda, contaram com a ajuda amiga de institutos de pesquisas
eleitorais, que passaram a incluir nos seus questionários a seguinte pergunta
oportunista: “Você acha que as acusações contra o Lulinha prejudicam a
candidatura de Lula?” É óbvio que a grande maioria responderia que sim, Daí
para as chamadas da GloboNews foi um pulo: “70% dizem que caso Lulinha afeta
Lula..” Ah, não podemos esquecer a exploração rasteira do “caso Lulinha”
na sabatina do presidente Lula no Jornal Nacional.
6) Cabe
destacar o papel da pesquisa financiada pelo banco de investimento Genial,
integrante da Faria Lima, e feita pelo instituto de pesquisas Quaest, nessa
história. Suas pesquisas valem menos pelos resultados do que pelo roteiro
montado pela Globo. Assim que seus números são divulgados, Felipe Nunes, o dono
da Quest, acampa nos estúdios da Globo News para, durante toda a programação,
explorar junto com os âncoras e comentaristas da emissora todos os vieses
negativos para a candidatura de Lula. Pouco importa se dias depois o Datafolha
e o MDA mostrem resultados diferentes, mais positivos para Lula.
7) Como
o espancamento de Fábio Luis não deu certo, a Globo providenciou rapidamente
outro fantasma para tentar assombrar a candidatura de Lula. Repetem, então, sem
nenhuma base científica, o mantra segundo o qual todas as acusações contra o
ministro Alexandre de Moraes, do STF, atingiam diretamente a candidatura
de Lula.
8)
Repare que a Globo nunca foi capaz de publicar ou levar ao ar uma miserável
matéria informando ao distinto público que o Master nasceu, cresceu e se
consolidou no governo Bolsonaro, que ou fez vistas grossas para suas ações
delinquentes ou se locupletou delas. Também de forma proposital omite dois
fatos cruciais: o Master foi liquidado pelo Banco Central no governo Lula e a
prisão de Vorcaro é obra da Polícia Federal da gestão de Lula. E faz pior:
violando premissas jornalísticas básicas, exibe um PowerPoint fraudulento sobre
o escândalo Vorcaro/Master, colocando Lula no centro da trama. A forte reação
obrigou a apresentadora Andrea Sadi a um envergonhado e insuficiente pedido de
desculpas.
9) Para
a Globo, o único problema real do STF é o ministro Alexandre de Moares. Tudo
para atingir Lula. As notícias sobre a atuação parcial e as fortes
suspeitas de falcatruas dos ministros bolsonaristas nunca viram manchete.
10)
Recentemente a GloboNews, incomodada com a audiência da ótima jornalista
Daniela Lima, em seu programa “Pulso Político”, no canal UOL, estreou uma
atração semanal, estrelada pela âncora Andrea Sadi e por Felipe Nunes, da
Quest, com o nome de “Voto”. Em pauta, pontos pinçados das pesquisas que possam
desgastar Lula. Em uma eleição acirradíssima, que promete ser decidida voto a
voto, lançar um programa como esse é mais uma entre tantas evidências de que a
Globo escolheu Flávio Bolsonaro.
PS:
Ressalve-se que alguns profissionais da Globo não rezam nessa cartilha,
mantendo o senso crítico e um nível possível de independência jornalística que
não ameace seus empregos. O problema é que sua quantidade cabe nos dedos de uma
das mãos.
Fonte:
Brasil 247

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