sábado, 26 de setembro de 2026

Moisés Mendes: Só a vitória de Lula impede que a velha direita seja comida pelo fascismo

Militantes de primeira viagem de PSD, Novo, Missão e Avante sabem o que velhos dirigentes dos partidos fingem não saber. Os candidatos de todos eles – Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury – somente irão sobreviver como possíveis pretendentes ao Planalto, em outras eleições, se Flávio Bolsonaro for derrotado este ano.

Os quatro só têm chance de sobrevivência se Lula vencer. Se ocorrer o contrário, todos eles, e principalmente os representantes da velha direita, serão comidos pelo bolsonarismo e ruminados durante anos. A velha direita pode sumir do mapa como pretendente a alguma coisa maior se Flávio vencer.

Considerando-se um cenário que o fascismo enxerga como possível, a situação pode piorar se parte do eleitorado de todos eles se bandear para Flávio no primeiro turno. Porque esses nomes estarão não só inviabilizados como concorrentes, num futuro próximo, como humilhados pelo bolsonarismo.

Todos os citados e outros que não entraram na disputa este ano pela direita, como Ratinho Júnior e Eduardo Leite, verão suas estruturas partidárias se transformarem em ajudantes da extrema-direita se Flávio for o vitorioso. Os estagiários dos partidos estão sabendo. Os líderes tentam negar que também sabem. O eleitor dos quatro citados deveria saber.

Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro sabem muito mais do que todos eles. Ambos também serão coadjuvantes, sem chances de protagonismo no curto e médio prazo, se Lula não vencer. Todos os que não são do bolsonarismo raiz e não fazem parte da estrutura da família serão perdedores se Flávio vencer.

Não é uma ameaça, é uma projeção de circunstâncias devastadoras para todos os que não são, como nomes nacionais, do núcleo duro do bolsonarismo. Tarcísio e Michelle não só não fazem parte desse núcleo como representam hoje uma ameaça à preservação dessa estrutura, como dissidências internas.

A direita não bolsonarista, mas engolida pelo bolsonarismo a partir de 2018, viverá do vampirismo das emendas pelos mandatos de Senado e Câmara, se for absorvida para sempre pela extrema-direita. Podem dizer que essa é a característica do Centrão, pela capacidade de articulação e manobra no Congresso, mas sempre de apêndice do poder.

Pode ser para Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto, Antonio Rueda e Gilberto Kassab, os donos de partidos que vivem dependurados em quem estiver no governo. Mas Caiado, Zema, Cury e até Renan Santos têm ambições que os chefões e gestores de interesses e prioridades do Centrão não têm.

Todos os quatro, segundo as pesquisas, seriam competitivos como opções da direita em cenários de segundo turno. Todos enfrentariam Lula em igualdade de condições, e alguns, como Caiado e Cury, aparecem em algumas pesquisas em situação melhor do que a do filho ungido.

Mas só existem como figuras capazes de enfrentar Lula e o PT se Flávio estiver fora do jogo. Por isso, a direita só sobrevive, como projeto de curto e médio prazos, já pensando a partir de 2030, se o bolsonarismo como estrutura de família for derrotado e se transformar em terra arrasada com a vitória de Lula.

A velha direita depende de Lula tanto quanto as facções da extrema-direita que não fazem parte dos quadros de mando e dos tentáculos do núcleo familiar do bolsonarismo. O eleitor de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos que transferir votos para Flávio já no primeiro turno estará antecipando a morte de todos os que ainda aspiram um dia chegar ao Planalto.

Será mais do que uma rendição precipitada, em nome de um voto aparentemente útil e kamikaze. Será a humilhação de nomes alternativos para esse eleitor de direita ainda com escrúpulos suficientes para evitar o voto no extremismo, no golpismo e no negacionismo.

Votar em Flávio para escapar de Lula é submeter também as estruturas de poder do antigo conservadorismo, em Estados e municípios, ao controle absoluto do bolsonarismo e decretar o fim da direita que teima em dizer que ainda vive. A velha direita inteligente sabe que depende da vitória de Lula.

¨      Marco Damiani: Busca pelo voto da terceira via favorece Lula contra extremismo de Bolsonaro

Um velho e nem sempre simpático personagem eleitoral voltou com força e antes da hora nesta eleição: o voto útil. E dessa vez não veio pelo lado da esquerda nem na perspectiva do segundo turno, mas com efeito imediato em nome de resolver a disputa. A 11 dias das urnas, quem já está pedindo o voto útil para si próprio, no campo da centro-direita, é o candidato do PL. “Eu faço um apelo a você que não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno”, aponta. A contrapartida é o acirramento dos ataques contra ele pelos candidatos que têm as suas bases atingidas, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.

No quadro em que todas as principais pesquisas apontam um sólido empate técnico em primeiro e segundo turnos, a discussão precipitada do voto útil em abordagem sobre a chamada terceira via é inevitável. Vai abrir o espaço necessário para a vitória o candidato que mais colher resultados além de seus domínios tradicionais. De modo inverso, com a extrema-direita procurando atrair um público mais amplo, o debate do voto útil em nome da democracia e da soberania do País precisa também ser antecipado.

As garantias que a candidatura Lula proporciona à estabilidade institucional do País são argumentos poderosos para o convencimento de eleitores que hoje não se declaram pela reeleição. É um erro imaginar que os votos dos que buscam uma terceira via entre o presidente e seu principal adversário são todos favas contadas para a extrema-direita. Esses eleitores precisam ser impactados por mensagens que mostrem a candidatura Lula como representante de todos os brasileiros que não desejam colocar a democracia em risco nem aceitam abrir mão da sua autodeterminação. Há muito mais pontos de intersecção entre o eleitorado tradicional de Lula e o contingente que se divide no campo democrático e, portanto, não bolsonarista.

A pesquisa Quaest mais recente indica que 35% dos votos declarados para Caiado em primeiro turno podem migrar para Lula no prolongamento da eleição. Lula foi um ótimo presidente para o agronegócio, o que aumenta essa chance de migração. Há espaço também para as bandeiras nacionalistas do presidente, em contraposição ao entreguismo explícito de Bolsonaro aos Estados Unidos, sensibilizarem boa parte do eleitorado dos outros nomes da centro-direita. Quem busca em Renan Santos um voto de protesto não concorda, necessariamente, com a vassalagem de Flávio a Donald Trump, como faz o filho de Jair Bolsonaro. O eleitorado feminino de Augusto Cury é, sem dúvida, mais sensível aos programas de proteção à mulher simbolizados em Lula do que ao machismo violento reunido em torno de Flávio.

Essas e outras diferenças gritantes na qualidade das duas candidaturas dão ao presidente, bem mais do que ao outro, discursos capazes de furar bolhas de rejeição. Eles precisam ser praticados, o que é bem mais do que apenas atacar as iniquidades da candidatura bolsonarista. Os resultados da pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje, com 45,8% para Lula e 43,4% de Flávio, em primeiro turno, e dramáticos 47,7% x 47,4%, respectivamente, no segundo escrutínio, mostram que buscar o voto útil, além das fronteiras da esquerda, é imperioso para a vitória da democracia.

¨      Bepe Damasco: O passo a passo da adesão da Globo ao candidato do fascismo

A Globo nunca foi capaz de publicar ou levar ao ar uma miserável matéria informando ao distinto público que o Master nasceu, cresceu e se consolidou no governo Bolsonaro...

1- Antes de mais nada, é preciso entender que as Organizações Globo são porta-vozes do setor mais predatório do capitalismo, o financeiro. A defesa obsessiva que faz de um ajuste fiscal baseado no corte dos gastos sociais e na penalização dos mais pobres é a reverberação em estado bruto dos interesses da Faria Lima.

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2- Quando Flávio Bolsonaro foi flagrado em áudio pedindo dinheiro para o banqueiro criminoso Daniel Vorcaro e Lula abriu vantagem nas pesquisas, projetando até uma vitória em primeiro turno, a Globo e suas irmãs siamesas na mídia corporativa levaram, na certa, uma reprimenda dos sanguessugas do mercado: “Alto lá, tudo menos Lula. Para controlar outra vez o orçamento da República, toleramos até mesmo um governo fascista, mas Lula não.”

3- Como não tem vergonha na cara, mesmo depois das inúmeras agressões sofridas no governo Bolsonaro, nem qualquer compromisso com o país, a Globo arregaçou as mangas e foi à luta. Logo trouxe para o centro  da disputa eleitoral Fábio Luis da Silva, que nunca fora conhecido por Lulinha, mas passou a ser para facilitar o vínculo com seu pai.

4) Mesmo com o sigilo bancário de Fábio quebrado e sem nada concreto contra ele, bombardearam a sociedade por pelo menos dois meses consecutivos com todo tipo de ilação e suposição para incriminar o filho do presidente. A orquestração dos veículos de comunicação foi tamanha que os jornalões passaram a estampar manchetes rigorosamente idênticas sobre as investigações envolvendo Fábio.

5) Para encorpar a onda, contaram com a ajuda amiga de institutos de pesquisas eleitorais, que passaram a incluir nos seus questionários a seguinte pergunta oportunista: “Você acha que as acusações contra o Lulinha prejudicam a candidatura de Lula?” É óbvio que a grande maioria responderia que sim, Daí para as chamadas da GloboNews foi um pulo: “70% dizem que caso Lulinha afeta Lula..”  Ah, não podemos esquecer a exploração rasteira do “caso Lulinha” na sabatina do presidente Lula no Jornal Nacional.

6) Cabe destacar o papel da pesquisa financiada pelo banco de investimento Genial, integrante da Faria Lima, e feita pelo instituto de pesquisas Quaest, nessa história. Suas pesquisas valem menos pelos resultados do que pelo roteiro montado pela Globo. Assim que seus números são divulgados, Felipe Nunes, o dono da Quest, acampa nos estúdios da Globo News para, durante toda a programação, explorar junto com os âncoras e comentaristas da emissora todos os vieses negativos para a candidatura de Lula. Pouco importa se dias depois o Datafolha e o MDA mostrem resultados diferentes, mais positivos para Lula.

7) Como o espancamento de Fábio Luis não deu certo, a Globo providenciou rapidamente outro fantasma para tentar assombrar a candidatura de Lula. Repetem, então, sem nenhuma base científica, o mantra segundo o qual todas as acusações contra o ministro  Alexandre de Moraes, do STF, atingiam diretamente a candidatura de Lula.

8) Repare que a Globo nunca foi capaz de publicar ou levar ao ar uma miserável matéria informando ao distinto público que o Master nasceu, cresceu e se consolidou no governo Bolsonaro, que ou fez vistas grossas para suas ações delinquentes ou se locupletou delas. Também de forma proposital omite dois fatos cruciais: o Master foi liquidado pelo Banco Central no governo Lula e a prisão de Vorcaro é obra da Polícia Federal da gestão de Lula. E faz pior: violando premissas jornalísticas básicas, exibe um PowerPoint fraudulento sobre o escândalo Vorcaro/Master, colocando Lula no centro da trama. A forte reação obrigou a apresentadora Andrea Sadi a um envergonhado e insuficiente pedido de desculpas.

9) Para a Globo, o único problema real do STF é o ministro Alexandre de Moares. Tudo para atingir Lula. As notícias sobre a atuação parcial  e as fortes suspeitas de falcatruas dos ministros bolsonaristas nunca viram manchete.

10) Recentemente a GloboNews, incomodada com a audiência da ótima jornalista Daniela Lima, em seu programa “Pulso Político”, no canal UOL, estreou uma atração semanal, estrelada pela âncora Andrea Sadi e por Felipe Nunes, da Quest, com o nome de “Voto”. Em pauta, pontos pinçados das pesquisas que possam desgastar Lula. Em uma eleição acirradíssima, que promete ser decidida voto a voto, lançar um programa como esse é mais uma entre tantas evidências de que a Globo escolheu Flávio Bolsonaro.

PS: Ressalve-se que alguns profissionais da Globo não rezam nessa cartilha, mantendo o senso crítico e um nível possível de independência jornalística que não ameace seus empregos. O problema é que sua quantidade cabe nos dedos de uma das mãos.

 

Fonte: Brasil 247

 

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