Oposição protocola pedido de CPI na Câmara
para investigar fraudes no INSS
Deputados
de oposição na Câmara dos Deputados protocolaram,
nesta quarta-feira (30), um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de fraudes
no INSS.
Ao
todo, 185 parlamentares assinaram o requerimento. No entanto, para
que a CPI seja instalada, ainda é preciso ter o aval do presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Uma
investigação da Polícia Federal (PF) revelou um amplo esquema de
fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS).
A PF
afirma que associações que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas
sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos
benefícios pagos pelo INSS.
O
prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
“Nossa
solicitação é para Hugo Motta pautar o mais rápido possível a CPI do Roubo dos
Aposentados. Eu como autor, estamos com 184 assinaturas, e saindo daqui irei
protocolar o pedido de instalação da CPI na nossa secretaria junto com outros
parlamentares”, anunciou o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO).
🔎Para ser protocolado,
o pedido de criação da CPI precisaria de, no mínimo, 171 assinaturas. No
sistema da Câmara, consta que 185 parlamentares assinaram a solicitação.
O
requerimento ainda precisa do aval do presidente da Câmara. Segundo o regimento
interno, ele é o responsável por determinar a instalação da comissão para que
os trabalhos, de fato, comecem.
Sem a
autorização do presidente da Casa, a CPI não será instalada.
“A CPI
do INSS é extremamente necessária, uma das mais importantes da história do
Congresso, porque esse dinheiro foi roubado de aposentados. Eu equiparo a
importância da CPI da Petrobras, do BNDES. Nesse caso, os bilhões de reais
foram desviados de idosos, de aposentados, uma covardia sem tamanho”, afirmou o
vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ).
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Esquema no INSS
Na
última semana, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU)
fizeram uma operação que revelou um amplo esquema de fraudes e desvio de
dinheiro de aposentadorias e pensões do INSS.
A PF
afirma que associações que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas
sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos
benefícios pagos pelo INSS.
O
presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi demitido após uma operação
policial, que levou ao afastamento de servidores e à prisão de seis
suspeitos ligados às entidades investigadas.
➡️Associações cadastravam, sem autorização,
aposentados e pensionistas do INSS e passavam a descontar mensalidades
diretamente na folha de pagamento. Em muitos casos, os idosos nem sabiam que
estavam sendo "associados".
🚨 Antonio Carlos Camilo Antunes, o
"Careca do INSS", é apontado como o lobista que articulava
repasses e lavava dinheiro por meio de empresas.
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Governo prometeu devolver dinheiro a aposentados
O
ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (30) que o
governo vai devolver os recursos debitados indevidamente das contas
dos aposentados e pensionistas por conta do esquema de fraude no INSS desbaratado
pela Polícia Federal.
Ele não
entrou em detalhes, entretanto, como será feito o procedimento de devolução.
Afirmou que "a maneira de fazer ainda não está formatada".
"Nós
vamos encontrar o caminho para isso porque essas pessoas foram lesadas, nós
vamos encontrar o caminho de reparação", disse Haddad, a jornalistas.
Segundo
ele, a equipe econômica está aguardando a Controladoria-Geral da União (CGU) e
a Advocacia Geral da União (AGU) indicarem como serão os próximos passos do
processo de devolução dos valores.
"Essa
questão ainda está no âmbito da CGU (...) A orientação do governo é,
evidentemente, reparar o dano causado pelas pessoas que foram responsabilizadas
pelo que aconteceu", acrescentou.
O
ministro observou que, além das reclamações que já foram feitas sobre os
descontos indevidos, há ainda outros aposentados e pensionistas que não ainda
formalizaram queixa, mas que terão direito ao ressarcimento se demonstrarem que
os débitos são indevidos.
<><> Desvio de recursos
Na
última semana, uma operação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema de
desvio de recursos. Segundo as investigações, associações cadastravam pessoas
sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos
benefícios pago pelo INSS.
O
prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
O
presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido após uma operação
policial na semana passada, que levou ao afastamento de servidores e à prisão
de seis suspeitos ligados às entidades investigadas.
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Pente-fino para ressarcir aposentados
Nesta
terça-feira (29), o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que
o INSS está fazendo uma revisão nos
cadastros indevidos, entre outras medidas, para aliviar os gastos do órgão e,
segundo ele, isso pode ser intensificado para usar esses recursos como
ressarcimento dos aposentados vítimas de fraudes.
De
acordo com Ceron, a gestão dos recursos para garantir o pagamento dos
aposentados e pensionistas que tiveram valores descontados de forma irregular é
responsabilidade do próprio órgão, que já está tomando as providências no caso.
A
expectativa do Tesouro é que o próprio órgão possa gerir recursos e acomodar
essa demanda dentro do orçamento atual.
No
entanto, se isso não for possível, o governo vai debater como bancar os
pagamentos às vítimas.
"Se
isso não for suficiente, ele pode eventualmente ter alguma demanda de execução
orçamentária, que teria que passar pelo crivo da Junta Orçamentária. Mas não
vejo nada atípico, ou que não seja endereçável", disse Ceron, do Tesouro
Nacional.
<><> Gestão do próprio INSS
Nesta terça-feira (29), o secretário do
Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o INSS está fazendo uma revisão
nos cadastros indevidos, entre outras medidas, para aliviar os gastos do órgão
e, segundo ele, isso pode ser intensificado para usar esses recursos como
ressarcimento dos aposentados vítimas de fraudes.
De acordo com Ceron, a gestão dos recursos
para garantir o pagamento dos aposentados e pensionistas que tiveram valores
descontados de forma irregular é responsabilidade do próprio órgão, que já está
tomando as providências no caso.
A expectativa do Tesouro é que o próprio
órgão possa gerir recursos e acomodar essa demanda dentro do orçamento atual.
No entanto, se isso não for possível, o governo
vai debater como bancar os pagamentos às vítimas.
"Se isso não for suficiente, ele pode
eventualmente ter alguma demanda de execução orçamentária, que teria que passar
pelo crivo da Junta Orçamentária. Mas não vejo nada atípico, ou que não seja
endereçável", disse Ceron, do Tesouro Nacional.
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Motta cita fila e não se
compromete a instalar agora CPI do INSS
O
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), não se comprometeu a instalar, neste momento, a comissão parlamentar de inquérito
(CPI) sobre o escândalo das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS).
O caso foi revelado pelo Metrópoles e motivou investigação da Polícia
Federal (PF), que levaram ao afastamento e demissão do presidente do órgão,
Alessandro Stefanutto.
Durante
reunião de líderes nesta quinta (30/4), Motta afirmou que existem outras 12
CPIs aguardando instalação na Câmara, e que a sobre o INSS será analisada,
assim como as que foram protocoladas anteriormente. No momento, a indicação é
que a CPI do INSS não vai prosperar dentro da Câmara. Cabe ao presidente da
Câmara a decisão de abrir ou não uma CPI.
A
iniciativa partiu do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que afirmou
já ter alcançado as assinaturas necessárias para que o requerimento seja
protocolado.
A
oposição também colhe assinaturas para uma comissão parlamentar mista de
inquérito (CPMI) sobre o tema, que funcionaria com deputados e senadores.
<><> Entenda a operação
- Uma
investigação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes e
desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do INSS.
- De
acordo com PF, ao menos 11 associações que oferecem serviços a aposentados
cadastravam pessoas sem autorização, com assinaturas falsas, para
descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS.
- O
valor roubado de aposentados e pensionistas, entre 2019 e 2024, pode
chegar a R$ 6,3 bilhões.
- Alessandro
Stefanutto, então presidente do INSS, foi demitido na última semana depois
que uma operação policial resultou no afastamento de servidores e na
prisão de seis suspeitos ligados às entidades investigadas.
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Governo avalia que tom
duro de Lupi veio tarde e teme 'CPI do INSS'
A
equipe do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até
aprovou o tom da fala do ministro da Previdência
Social, Carlos Lupi, na
Comissão de Previdência da Câmara dos Deputados nesta
terça-feira (19), mas avalia que o tom duro contra as fraudes no Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) veio um pouco tarde.
Agora,
assessores presidenciais temem uma Comissão Parlamentar de Inquérito para
investigar o caso , isto é, a "CPI do INSS", que pode ser usada
pela oposição para desgastar ainda mais a
imagem do presidente Lula.
Nesta
quarta-feira, deputados oposicionistas
protocolaram o pedido de criação da CPI com 185 assinaturas. O requerimento,
agora, precisa de um aval do presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), para prosperar.
Segundo
assessores, o tom usado nesta terça pelo ministro da Previdência deveria ter
sido adotado na entrevista sobre a operação "Sem Desconto",
quando Carlos Lupi optou por sair
em defesa do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em vez de criticar
as fraudes.
Stefanutto
foi afastado e depois demitido da função após a Polícia
Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizarem uma operação
conjunta contra fraudes no INSS na semana
passada.
O
resultado foi um desgaste tanto na imagem de
Lupi como
também na do governo Lula.
Além
disso, a equipe de Lula reclama que agora o ministro está fazendo o diagnóstico
correto sobre os descontos irregulares, mas ele deveria ter agido lá atrás
quando tomou conhecimento das denúncias de fraudes nos descontos de aposentados
e pensionistas.
Ou
seja, para o governo, ele acordou tarde demais depois que sua permanência no
governo passou a ser criticada e assessores de Lula começaram a defender sua
demissão.
<><> Clima desfavorável
Líderes governistas alertam o governo que o
clima no Congresso não é favorável ao Palácio do Planalto, o que pode
contribuir para a criação da CPI do INSS.
A comissão depende de uma decisão do
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mas ele já tem se desgastado
com a oposição por ter decidido não pautar o projeto da anistia dos golpistas
de 8 de janeiro de 2023. No caso da CPI, talvez ele não possa seguir na linha
do enfrentamento com o PL.
O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) disse
nesta terça-feira (29) que já teria o número mínimo de 171 assinaturas para
protocolar o requerimento de criação da CPI das Fraudes do INSS, destinada a
apurar o esquema de corrupção montado em descontos de aposentados e
pensionistas.
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Lula vai nomear novo
presidente do INSS, não Lupi, diz Gleisi Hoffmann
A
ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, disse que o
presidente Lula (PT) vai nomear um novo presidente do INSS em vez de Carlos
Lupi, ministro da Previdência Social, após a fraude de descontos não
autorizados nas aposentadorias. Segundo ela, a nomeação acontecerá
"o mais rápido possível".
"O
presidente vai nomear um novo presidente do INSS, uma nova direção do INSS. E a
recomendação, com certeza, é isso, desses fatos serem resolvidos, ou seja,
todos esses gargalos, vasos serem fechados para não acontecer de novo, e ter
medidas no âmbito administrativo, tecnológico, para que o instituto melhore sua
administração".
A
nomeação do novo presidente do INSS por Lula, segundo a ministra, acontece
"porque o presidente resolveu fazer". Ela negou que a decisão de Lula
fazer a nomeação seja por falta de confiança em Lupi: "não é que perdeu a
confiança, o presidente acha que tem que fazer a nomeação do INSS e resolveu
trazer pra si".
Gleisi
também disse "não há nada" contra Lupi na investigação sobre a fraude
no INSS e que, caso no futuro algo o envolva, ele tem que ser afastado. Ela
indicou que ele deve permanecer no cargo de ministro da Previdência no momento.
"Se
não tem nada que o envolve, não tem motivo para ser afastado. Eu acho que ele
está fazendo as explicações, se defendendo. Obviamente, se tiver alguma coisa
que no futuro venha envolvê-lo, e não só ele, qualquer outro ministro, aí sim
tem que ser afastado e o presidente não vai deixar de fazer isso", disse
Gleisi.
Gleisi
disse que o presidente Lula não chegou a determinar que Lupi se manifestasse
sobre as fraudes no INSS, mas que "o governo espera que ele desse
explicações" e que o caso seja resolvido. "E agora que ele já
esclareceu, acho que tem que se concentrar para adotar todas as medidas e essa
é a orientação firme do presidente. Adotar todas as medidas para resolver essa
situação."
"O
que é preciso é que as coisas que Lula determinou sejam feitas, ou seja,
continue-se a investigação e se aprofunda a investigação, porque o que nós
estamos vendo agora é algo que não começou agora, é o que começou
anteriormente, ou seja, desde 2019 tem problemas de irregularidades, quem que
decidiu investigar foi o governo do presidente Lula, foi a Controladoria-Geral
da União que fez o relatório, pegou dados do TCU e acionou a Polícia
Federal."
<>< Ressarcimento aos afetados do
INSS
Os aposentados e pensionistas afetados pelos
descontos irregulares do INSS vão receber os valores descontados de abril agora
em maio, segundo Gleisi, mas que o governo estuda os meios legais para devolver
os valores de meses anteriores.
"O governo está empenhado em em fazer
todas as investigações, em apurar quem são os responsáveis, fazer a punição
correta e assegurar os direitos dos afetados. Os descontos de abril vão ser
ressarcidos, mas os demais, precisamos de instrumento legal para fazê-lo. Tanto
em cima das entidades que o governo vai cobrar quanto em relação até ao seu
orçamento próprio. O presidente já designou um grupo de trabalho através da AGU
para fazer esse levantamento."
<><> Governo quer votos da
coalizão União Progressita
A formalização da coalizão União
Progressista, pela fusão dos partidos União Brasil e Progressistas, que criou a maior
bancada na Câmara dos Deputados (com 109 deputados) e, no Senado, 14 senadores,
não preocupa, segundo Gleisi, e que o governo quer os votos
deles para aprovar pautas no Congresso Nacional. Os dois partidos têm
ministérios no governo Lula.
"Queremos
continuar contando com a base parlamentar deles no Congresso, que temos contado
até agora. Isso para nós é muito importante. Em relação às contradições, eles
quem têm que se explicar. Acho que tem muito mais problemas entre eles do que
deles conosco. Vamos esperar para ver o que acontece, para ver se eles vão se
comportar direitinho."
Fonte: g1/Metrópoles

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