O
que é a perimenopausa e como afeta as mulheres?
Menos
falada, a perimenopausa é a fase precedente da menopausa, que causa sintomas
físicos e emocionais desconfortáveis.
Fisiologicamente
falando, o corpo de uma mulher passa por muitas fases ao longo de sua
trajetória. Podemos ter como marco inicial a menarca, o primeiro ciclo
menstrual que inaugura a puberdade e a fase reprodutiva feminina. A
perimenopausa é a próxima fase.
A
partir daí, cuidados e desafios podem ser enfrentados como a Tensão
Pré-Menstrual (TPM), a experimentação de variados métodos contraceptivos e
exames de rotina. Mas será que para por aí? Ao que tudo indica, não. Discute-se
bastante sobre a menopausa, mas existe um período igualmente importante: a
perimenopausa.
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O que é a perimenopausa?
A
perimenopausa é a fase de transição da vida reprodutiva da mulher até a
menopausa, ou seja, é uma fase precedente. Ela acontece porque o processo de
declínio hormonal, embora previsto e natural, não se dá de uma hora para outra,
nem de maneira gradativa, mas sim por meio de oscilações que acontecem quando
os ovários começam a produzir menos estrogênio e progesterona.
Não há
consenso, a perimenopausa pode começar aos 40 anos, mas para algumas mulheres
pode se iniciar antes ou após essa idade. A duração também é variada, podendo
contabilizar meses, ou até mesmo uma década.
Segundo
o artigo “Perimenopausa: da pesquisa à prática“, publicado no site PubMed
Central, entre os sintomas estão os ciclos irregulares – uma mulher pode ficar
três ou quatro meses em restrição e depois voltar a menstruar – as queixas
vasomotoras, também conhecidas como os calores súbitos, insônia, suores
noturnos e ressecamento vaginal.
Além
dos sintomas físicos, há também os de ordem psíquica. A flutuação nos níveis
hormonais causa alterações na memória, atenção, velocidade de processamento,
aumento da ansiedade e humor deprimido.
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Perimenopausa e menopausa são doenças?
Em
outro artigo científico sobre o tema, escrito pelas profissionais de saúde
Sonia Maria Garcia Vigeta e Ana Cristina Passarela Brêtas, é apontado que a
partir de 1920 “o modelo biomédico passou a definir a menopausa como escassez
da produção de estrogênio, terminando por constituir-se numa doença de privação
hormonal reforçada pelas publicações especializadas ou leigas”.
No
entanto, esse conceito foi desmantelado ao longo tempo, uma vez que tanto a
perimenopausa, quanto a menopausa não são patologias, mas sim uma condição
biológica universal. Todo caso, uma parcela das mulheres pode enfrentar
sintomas desagradáveis e existem algumas opções de tratamento para amenizar
esses quadros.
A
Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma delas. Trata-se de uma composição de
hormônios sintéticos, que imitam o estrogênio e a progesterona, e pode ser
indicada por ginecologistas para pacientes que tenham sintomas acentuados. Pode
ser administrado via comprimidos, adesivos, injeções e géis de uso tópico.
É
preciso uma avaliação prévia da paciente, levando em conta doenças crônicas e
históricos familiares, uma vez que a TRH tem contraindicações. Ou seja, pode
ser uma boa opção, mas não é indicada para todo mundo.
Outra
alternativa são os fitoterápicos, medicamentos regulamentados que têm em sua
base plantas medicinais. Um deles é a isoflavona, composto natural da soja com
estrutura semelhante à do hormônio estrogênio. “A indicação das isoflavonas é
feita em decorrência da sua atividade estrogênica fraca, é muito menos potente
do que o estrogênio sintético”, afirma o estudo.
Embora
tenha menos contraindicações, também só deve ser utilizada após avaliação de um
profissional de saúde. Aliás, a depender dos sintomas da perimenopausa,
profissionais de nutrição, endocrinologia e psicologia também podem ser muito
úteis durante essa fase.
Outro
caminho defendido como tratamento para a perimenopausa é um estilo de vida mais
saudável. Isto inclui reduzir ou abolir o uso de bebidas alcoólicas e cigarro,
aderir à prática de atividade física, ter uma alimentação equilibrada e adotar
práticas de relaxamento como yoga e meditação, uma vez que ansiedade e
irritabilidade são queixas constantes nessa fase da vida feminina.
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Qual a diferença entre menopausa e pós-menopausa?
A
perimenopausa, como vimos, é um período de transição e oscilação hormonal. Já a
menopausa é a fase seguinte, quando a mulher deixa definitivamente de
menstruar, e isto ocorre após 12 meses sem a presença de nenhum sangramento.
A
partir daí, a mulher começa a viver a pós-menopausa, um período de regulação
hormonal em que o corpo geralmente já se adaptou à redução de produção de
estrogênio e progesterona.
Mesmo
que nos últimos anos tenha crescido o debate sobre o tema, essas fases cíclicas
femininas ainda são vistas como um tabu por se tratar de um tema íntimo e que
envolve a sexualidade.
No
entanto, também se trata de um tema universal. Quanto mais as mulheres se
informarem sobre essas fases do corpo feminino, mais ferramentas poderão ter
para passar por esses ciclos com mais suporte e tranquilidade.
• O que acontece no cérebro durante o
ciclo menstrual?
O ciclo
menstrual não afeta apenas o útero e os ovários; ele também provoca mudanças
significativas no cérebro.
Durante
esse processo natural, que ocorre mensalmente na maioria das mulheres em idade
fértil, o corpo passa por uma série de alterações hormonais que influenciam
diretamente o funcionamento cerebral.
Embora
muitas pessoas estejam familiarizadas com os sintomas físicos do ciclo
menstrual, como cólicas e alterações no fluxo sanguíneo, os efeitos no cérebro
costumam ser menos discutidos.
No
entanto, essas mudanças podem ser intensas, impactando humor, memória, tomada
de decisões e até mesmo a forma como o cérebro se estrutura ao longo do tempo.
Mas por que essas alterações ocorrem? Quais áreas do cérebro são mais afetadas?
E o que pode ser feito para minimizar eventuais desconfortos causados por essas
transformações?
Neste
artigo, vamos explorar o que acontece no cérebro durante o ciclo menstrual,
analisando os efeitos hormonais, as mudanças estruturais e comportamentais,
além de estratégias para lidar melhor com essas variações.
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Como o ciclo menstrual impacta o cérebro?
O ciclo
menstrual é dividido em fases distintas: fase folicular, ovulação e fase lútea.
Cada uma dessas etapas é marcada por flutuações nos níveis dos hormônios
estrogênio e progesterona, que desempenham papéis cruciais no funcionamento
cerebral.
Essas
alterações hormonais não são apenas passageiras; elas afetam diretamente
neurotransmissores como a serotonina, dopamina e GABA, responsáveis pelo humor,
prazer e controle emocional.
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Quais as fases do ciclo menstrual?
Entenda
em detalhes cada uma das fases do ciclo menstrual:
# Fase
folicular
Durante
a fase folicular, que começa no primeiro dia da menstruação e se estende até a
ovulação, os níveis de estrogênio começam a aumentar.
Esse
hormônio é conhecido por melhorar a comunicação entre os neurônios e estimular
a plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade do cérebro de formar e
reorganizar conexões. É por isso que muitas mulheres relatam sentir-se mais
alertas e produtivas durante essa fase.
#
Ovulação
Na
ovulação, os níveis de estrogênio atingem seu pico. Esse aumento está associado
a uma maior ativação do sistema de recompensa no cérebro, o que pode explicar
por que algumas mulheres se sentem mais confiantes e motivadas nesse período.
Estudos
mostram que áreas como o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de
decisões, também se tornam mais ativas.
# Fase
lútea
Após a
ovulação, a progesterona assume um papel mais dominante. Esse hormônio tem um
efeito calmante, mas também pode levar a uma maior sensibilidade emocional.
Em
algumas mulheres, a combinação de progesterona elevada e níveis flutuantes de
serotonina pode resultar em sintomas de irritabilidade, ansiedade ou tristeza,
conhecidos como Síndrome Pré-Menstrual (SPM).
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Alterações estruturais no cérebro durante o ciclo menstrual
Além
das mudanças funcionais, o cérebro também passa por alterações estruturais ao
longo do ciclo menstrual. Estudos com ressonância magnética revelam que regiões
como o hipocampo, uma área associada à memória e ao aprendizado, podem aumentar
ou diminuir de tamanho em resposta às flutuações hormonais.
O
estrogênio desempenha um papel fundamental nesse processo, melhorando a
comunicação entre os neurônios e promovendo o crescimento de novas sinapses.
Esse efeito é particularmente perceptível no hipocampo, onde o aumento do
estrogênio durante a fase folicular está relacionado a um melhor desempenho em
tarefas cognitivas.
Por
outro lado, a progesterona, que predomina na fase lútea, pode ter um efeito
oposto, reduzindo temporariamente a conectividade em algumas áreas do cérebro.
Essa alteração está associada aos lapsos de memória e à dificuldade de
concentração que algumas mulheres relatam antes da menstruação.
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Por que essas mudanças acontecem?
As
mudanças que ocorrem no cérebro durante o ciclo menstrual têm raízes evolutivas
e estão ligadas ao papel crucial que os hormônios sexuais, como estrogênio e
progesterona, desempenham tanto na reprodução quanto na sobrevivência e
interação social.
Durante
a ovulação, os picos de estrogênio promovem uma melhora na sociabilidade e no
humor, aumentando as chances de encontrar um parceiro em períodos de maior
fertilidade.
Já na
fase lútea, a predominância da progesterona tem um efeito calmante, que pode
ajudar a conservar energia caso uma gravidez ocorra. Além disso, esses
hormônios influenciam diretamente a liberação de neurotransmissores como
serotonina e dopamina.
Quando
os níveis dessas substâncias estão desequilibrados, surgem sintomas como
alterações de humor, insônia ou aumento do apetite, especialmente por alimentos
ricos em açúcar e gordura.
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Como minimizar os impactos no cérebro?
Embora
as mudanças hormonais do ciclo menstrual sejam naturais, algumas estratégias
podem ajudar a minimizar seus efeitos no cérebro e no bem-estar geral.
• Alimentação equilibrada: manter uma
dieta rica em nutrientes é essencial para o equilíbrio hormonal e a saúde
cerebral. Alimentos ricos em ômega-3, como peixes e nozes, ajudam a melhorar a
função cerebral, enquanto carboidratos complexos, como aveia e quinoa, podem
estabilizar os níveis de serotonina.
• Atividade física regular: exercícios
físicos são conhecidos por liberar endorfinas, que atuam como analgésicos
naturais e ajudam a reduzir os sintomas da SPM. Além disso, a prática regular
pode melhorar a circulação sanguínea no cérebro, promovendo maior clareza
mental.
• Controle do estresse: técnicas de
relaxamento, como meditação e yoga, são excelentes para regular os níveis de
cortisol, o hormônio do estresse, que pode exacerbar os sintomas do ciclo
menstrual.
• Sono de qualidade: dormir bem é
fundamental para o equilíbrio hormonal e a saúde do cérebro. Garantir de 7 a 8
horas de sono por noite pode ajudar a reduzir a irritabilidade e melhorar a
capacidade de concentração.
• Apoio médico: para mulheres que sofrem
com sintomas severos, como os da Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM),
procurar um médico é essencial. Em alguns casos, anticoncepcionais hormonais ou
suplementação podem ser indicados para estabilizar os níveis hormonais.
Fonte:
Olhar Digital

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