quinta-feira, 29 de maio de 2025

O que é a perimenopausa e como afeta as mulheres?

Menos falada, a perimenopausa é a fase precedente da menopausa, que causa sintomas físicos e emocionais desconfortáveis.

Fisiologicamente falando, o corpo de uma mulher passa por muitas fases ao longo de sua trajetória. Podemos ter como marco inicial a menarca, o primeiro ciclo menstrual que inaugura a puberdade e a fase reprodutiva feminina. A perimenopausa é a próxima fase.

A partir daí, cuidados e desafios podem ser enfrentados como a Tensão Pré-Menstrual (TPM), a experimentação de variados métodos contraceptivos e exames de rotina. Mas será que para por aí? Ao que tudo indica, não. Discute-se bastante sobre a menopausa, mas existe um período igualmente importante: a perimenopausa. 

<><> O que é a perimenopausa?

A perimenopausa é a fase de transição da vida reprodutiva da mulher até a menopausa, ou seja, é uma fase precedente. Ela acontece porque o processo de declínio hormonal, embora previsto e natural, não se dá de uma hora para outra, nem de maneira gradativa, mas sim por meio de oscilações que acontecem quando os ovários começam a produzir menos estrogênio e progesterona.

Não há consenso, a perimenopausa pode começar aos 40 anos, mas para algumas mulheres pode se iniciar antes ou após essa idade. A duração também é variada, podendo contabilizar meses, ou até mesmo uma década.

Segundo o artigo “Perimenopausa: da pesquisa à prática“, publicado no site PubMed Central, entre os sintomas estão os ciclos irregulares – uma mulher pode ficar três ou quatro meses em restrição e depois voltar a menstruar – as queixas vasomotoras, também conhecidas como os calores súbitos, insônia, suores noturnos e ressecamento vaginal.

Além dos sintomas físicos, há também os de ordem psíquica. A flutuação nos níveis hormonais causa alterações na memória, atenção, velocidade de processamento, aumento da ansiedade e humor deprimido.

<><> Perimenopausa e menopausa são doenças?

Em outro artigo científico sobre o tema, escrito pelas profissionais de saúde Sonia Maria Garcia Vigeta e Ana Cristina Passarela Brêtas, é apontado que a partir de 1920 “o modelo biomédico passou a definir a menopausa como escassez da produção de estrogênio, terminando por constituir-se numa doença de privação hormonal reforçada pelas publicações especializadas ou leigas”.

No entanto, esse conceito foi desmantelado ao longo tempo, uma vez que tanto a perimenopausa, quanto a menopausa não são patologias, mas sim uma condição biológica universal. Todo caso, uma parcela das mulheres pode enfrentar sintomas desagradáveis e existem algumas opções de tratamento para amenizar esses quadros.

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma delas. Trata-se de uma composição de hormônios sintéticos, que imitam o estrogênio e a progesterona, e pode ser indicada por ginecologistas para pacientes que tenham sintomas acentuados. Pode ser administrado via comprimidos, adesivos, injeções e géis de uso tópico.

É preciso uma avaliação prévia da paciente, levando em conta doenças crônicas e históricos familiares, uma vez que a TRH tem contraindicações. Ou seja, pode ser uma boa opção, mas não é indicada para todo mundo.

Outra alternativa são os fitoterápicos, medicamentos regulamentados que têm em sua base plantas medicinais. Um deles é a isoflavona, composto natural da soja com estrutura semelhante à do hormônio estrogênio. “A indicação das isoflavonas é feita em decorrência da sua atividade estrogênica fraca, é muito menos potente do que o estrogênio sintético”, afirma o estudo.

Embora tenha menos contraindicações, também só deve ser utilizada após avaliação de um profissional de saúde. Aliás, a depender dos sintomas da perimenopausa, profissionais de nutrição, endocrinologia e psicologia também podem ser muito úteis durante essa fase.

Outro caminho defendido como tratamento para a perimenopausa é um estilo de vida mais saudável. Isto inclui reduzir ou abolir o uso de bebidas alcoólicas e cigarro, aderir à prática de atividade física, ter uma alimentação equilibrada e adotar práticas de relaxamento como yoga e meditação, uma vez que ansiedade e irritabilidade são queixas constantes nessa fase da vida feminina.

<><> Qual a diferença entre menopausa e pós-menopausa?

A perimenopausa, como vimos, é um período de transição e oscilação hormonal. Já a menopausa é a fase seguinte, quando a mulher deixa definitivamente de menstruar, e isto ocorre após 12 meses sem a presença de nenhum sangramento.

A partir daí, a mulher começa a viver a pós-menopausa, um período de regulação hormonal em que o corpo geralmente já se adaptou à redução de produção de estrogênio e progesterona.

Mesmo que nos últimos anos tenha crescido o debate sobre o tema, essas fases cíclicas femininas ainda são vistas como um tabu por se tratar de um tema íntimo e que envolve a sexualidade.

No entanto, também se trata de um tema universal. Quanto mais as mulheres se informarem sobre essas fases do corpo feminino, mais ferramentas poderão ter para passar por esses ciclos com mais suporte e tranquilidade.

•        O que acontece no cérebro durante o ciclo menstrual?

O ciclo menstrual não afeta apenas o útero e os ovários; ele também provoca mudanças significativas no cérebro.

Durante esse processo natural, que ocorre mensalmente na maioria das mulheres em idade fértil, o corpo passa por uma série de alterações hormonais que influenciam diretamente o funcionamento cerebral.

Embora muitas pessoas estejam familiarizadas com os sintomas físicos do ciclo menstrual, como cólicas e alterações no fluxo sanguíneo, os efeitos no cérebro costumam ser menos discutidos.

No entanto, essas mudanças podem ser intensas, impactando humor, memória, tomada de decisões e até mesmo a forma como o cérebro se estrutura ao longo do tempo. Mas por que essas alterações ocorrem? Quais áreas do cérebro são mais afetadas? E o que pode ser feito para minimizar eventuais desconfortos causados por essas transformações?

Neste artigo, vamos explorar o que acontece no cérebro durante o ciclo menstrual, analisando os efeitos hormonais, as mudanças estruturais e comportamentais, além de estratégias para lidar melhor com essas variações.

<><> Como o ciclo menstrual impacta o cérebro?

O ciclo menstrual é dividido em fases distintas: fase folicular, ovulação e fase lútea. Cada uma dessas etapas é marcada por flutuações nos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona, que desempenham papéis cruciais no funcionamento cerebral.

Essas alterações hormonais não são apenas passageiras; elas afetam diretamente neurotransmissores como a serotonina, dopamina e GABA, responsáveis pelo humor, prazer e controle emocional.

>>>> Quais as fases do ciclo menstrual?

Entenda em detalhes cada uma das fases do ciclo menstrual:

# Fase folicular

Durante a fase folicular, que começa no primeiro dia da menstruação e se estende até a ovulação, os níveis de estrogênio começam a aumentar.

Esse hormônio é conhecido por melhorar a comunicação entre os neurônios e estimular a plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade do cérebro de formar e reorganizar conexões. É por isso que muitas mulheres relatam sentir-se mais alertas e produtivas durante essa fase.

# Ovulação

Na ovulação, os níveis de estrogênio atingem seu pico. Esse aumento está associado a uma maior ativação do sistema de recompensa no cérebro, o que pode explicar por que algumas mulheres se sentem mais confiantes e motivadas nesse período.

Estudos mostram que áreas como o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões, também se tornam mais ativas.

# Fase lútea

Após a ovulação, a progesterona assume um papel mais dominante. Esse hormônio tem um efeito calmante, mas também pode levar a uma maior sensibilidade emocional.

Em algumas mulheres, a combinação de progesterona elevada e níveis flutuantes de serotonina pode resultar em sintomas de irritabilidade, ansiedade ou tristeza, conhecidos como Síndrome Pré-Menstrual (SPM).

<><> Alterações estruturais no cérebro durante o ciclo menstrual

Além das mudanças funcionais, o cérebro também passa por alterações estruturais ao longo do ciclo menstrual. Estudos com ressonância magnética revelam que regiões como o hipocampo, uma área associada à memória e ao aprendizado, podem aumentar ou diminuir de tamanho em resposta às flutuações hormonais.

O estrogênio desempenha um papel fundamental nesse processo, melhorando a comunicação entre os neurônios e promovendo o crescimento de novas sinapses. Esse efeito é particularmente perceptível no hipocampo, onde o aumento do estrogênio durante a fase folicular está relacionado a um melhor desempenho em tarefas cognitivas.

Por outro lado, a progesterona, que predomina na fase lútea, pode ter um efeito oposto, reduzindo temporariamente a conectividade em algumas áreas do cérebro. Essa alteração está associada aos lapsos de memória e à dificuldade de concentração que algumas mulheres relatam antes da menstruação.

<><> Por que essas mudanças acontecem?

As mudanças que ocorrem no cérebro durante o ciclo menstrual têm raízes evolutivas e estão ligadas ao papel crucial que os hormônios sexuais, como estrogênio e progesterona, desempenham tanto na reprodução quanto na sobrevivência e interação social.

Durante a ovulação, os picos de estrogênio promovem uma melhora na sociabilidade e no humor, aumentando as chances de encontrar um parceiro em períodos de maior fertilidade.

Já na fase lútea, a predominância da progesterona tem um efeito calmante, que pode ajudar a conservar energia caso uma gravidez ocorra. Além disso, esses hormônios influenciam diretamente a liberação de neurotransmissores como serotonina e dopamina.

Quando os níveis dessas substâncias estão desequilibrados, surgem sintomas como alterações de humor, insônia ou aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura.

<><> Como minimizar os impactos no cérebro?

Embora as mudanças hormonais do ciclo menstrual sejam naturais, algumas estratégias podem ajudar a minimizar seus efeitos no cérebro e no bem-estar geral.

•        Alimentação equilibrada: manter uma dieta rica em nutrientes é essencial para o equilíbrio hormonal e a saúde cerebral. Alimentos ricos em ômega-3, como peixes e nozes, ajudam a melhorar a função cerebral, enquanto carboidratos complexos, como aveia e quinoa, podem estabilizar os níveis de serotonina.

•        Atividade física regular: exercícios físicos são conhecidos por liberar endorfinas, que atuam como analgésicos naturais e ajudam a reduzir os sintomas da SPM. Além disso, a prática regular pode melhorar a circulação sanguínea no cérebro, promovendo maior clareza mental.

•        Controle do estresse: técnicas de relaxamento, como meditação e yoga, são excelentes para regular os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, que pode exacerbar os sintomas do ciclo menstrual.

•        Sono de qualidade: dormir bem é fundamental para o equilíbrio hormonal e a saúde do cérebro. Garantir de 7 a 8 horas de sono por noite pode ajudar a reduzir a irritabilidade e melhorar a capacidade de concentração.

•        Apoio médico: para mulheres que sofrem com sintomas severos, como os da Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM), procurar um médico é essencial. Em alguns casos, anticoncepcionais hormonais ou suplementação podem ser indicados para estabilizar os níveis hormonais.

 

Fonte: Olhar Digital

 

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