Gabriel
Freitas: ‘A semiótica como força produtiva’
A
relevância do marxismo como ferramenta de análise e crítica social, bem como
instrumento para a ação e organização revolucionária, segue inegável no século
XXI. Suas categorias e filosofia subjacente continuam a oferecer compreensões
poderosas sobre as dinâmicas do capitalismo, as relações de poder e as lutas
por emancipação.
Contudo,
para que o marxismo mantenha sua vitalidade e capacidade de interpelação frente
aos complexos desafios da vida sócio-histórica, que está sempre em movimento, é
crucial um esforço contínuo de atualização e refinamento de seu arsenal teórico
e analítico. Nesse sentido, um fenômeno que demanda uma atenção renovada e
aprofundada é o papel da língua e da semiose na constituição da realidade
social, da ideologia e da própria subjetividade.
Neste
curto texto, me proponho a enfrentar essa questão, argumentando que a tradição
marxista, em suas vertentes mais clássicas e mesmo em algumas de suas
releituras posteriores, tende a uma negligência sistemática ou a um tratamento
superficial da língua. Frequentemente reduzida a um epifenômeno da base
material, a um mero instrumento de comunicação ou a um reflexo passivo das
relações de produção, a língua tem sua agência e sua materialidade própria
subestimadas.
Essa
lacuna, defendo, limita a capacidade do marxismo de compreender em toda a sua
profundidade os mecanismos de produção e reprodução da ideologia, a construção
da hegemonia e as sutilezas da constituição dos sujeitos sociais.
Como
alternativa e superação, apresento as bases de um realismo
materialista-semiótico. Esta abordagem, fundamentada em uma síntese
transdisciplinar que articula contribuições da linguística (especialmente a
Linguística Sistêmico-Funcional), da Teoria da Construção de Nicho Semiótico
(informada pelas contribuições de biólogos marxistas como Lewontin e Levins e
sua visão sobre a reestruturação causal na biologia evolutiva a partir da noção
de causação dialética) e de uma reinterpretação da própria tradição marxista,
busca entender a língua como uma força material ativa e constitutiva da
realidade social e das relações de poder que a atravessam.
A
semiose, nesta perspectiva, não é um domínio à parte da materialidade, mas uma
dimensão intrínseca a ela, um conjunto de práticas e tecnologias que moldam
ativamente o que podemos pensar, sentir, perceber e fazer.
·
A língua no marxismo
A
relação entre o marxismo e a teoria da língua é complexa e, em muitos aspectos,
paradoxal. Por um lado, a centralidade da ideologia, da consciência de classe e
da crítica à alienação no pensamento de Marx e Engels sugeriria uma atenção
especial aos mecanismos simbólico-linguísticos que medeiam as relações sociais
e a percepção da realidade. Por outro lado, uma análise detida de seus textos
revela uma ausência notável de uma teoria da língua sistemática e desenvolvida,
uma lacuna que, com raras e notáveis exceções, tendeu a se perpetuar em grande
parte da tradição marxista subsequente.
Marx e
Engels, em obras como A Ideologia Alemã, reconheceram a língua como
“a consciência prática, real, que existe para os outros homens e que, portanto,
existe também para mim mesmo”, e afirmaram que “a língua é tão antiga quanto a
consciência”. Essas formulações apontam para uma compreensão da língua como
intrinsecamente social e ligada à atividade humana.
No
entanto, essa intuição não se desdobrou em uma investigação aprofundada sobre a
estrutura interna da língua, seus mecanismos de produção de significado ou seu
papel ativo na configuração das próprias relações de produção e das formas de
consciência. Prevaleceu, muitas vezes, uma visão instrumental da língua, ou uma
tendência a considerá-la como parte da superestrutura, determinada em última
instância pela base econômico-material.
Essa
perspectiva, embora útil para destacar o condicionamento social da produção
simbólica, acabou por negligenciar a materialidade da própria língua e sua
capacidade de agência na transformação social.
Diante
desse cenário, a negligência em relação à especificidade da semiose como
fenômeno com suas próprias leis e dinâmicas teve consequências significativas.
Limitou, por exemplo, a análise marxista da cultura, da arte e dos fenômenos
cotidianos da comunicação, que por vezes foram tratados de forma reducionista.
A falta
de uma teoria da língua robusta dificultou a compreensão de como o poder se
inscreve nos próprios tecidos da língua, como as categorias linguísticas moldam
a percepção da exploração e da dominação, e como a luta de classes se manifesta
também como uma luta por significados, por narrativas, por hegemonia
discursiva.
É
verdade que algumas contribuições posteriores buscaram preencher essa lacuna.
Valentin Volóchinov, figura proeminente do Círculo de Bakhtin, em Marxismo
e filosofia da linguagem, ofereceu uma crítica contundente ao objetivismo
abstrato e ao subjetivismo idealista na linguística, propondo uma visão da
língua como um fenômeno social e ideológico por excelência, um campo onde os
signos se tornam arena da luta de classes. Para Valentin Volóchinov, o signo é
multiacentual, refletindo e refratando as contradições sociais.
Antonio
Gramsci, com seu conceito de hegemonia, também abriu caminhos importantes ao
destacar o papel da cultura, do senso comum e, implicitamente, da língua na
construção do consentimento e na manutenção do poder da classe dominante. Seus
escritos sobre os intelectuais, a organização da cultura e a necessidade de uma
reforma intelectual e moral apontam para a centralidade das disputas
simbólicas.
Louis
Althusser, por sua vez, com a teoria dos Aparelhos Ideológicos de
Estado, chamou a atenção para como instituições como a escola, a igreja e a
mídia funcionam para reproduzir a ideologia dominante, interpelando os
indivíduos como sujeitos. A língua é, evidentemente, o veículo privilegiado
dessa interpelação.
Contudo,
mesmo nessas contribuições valiosas, a análise muitas vezes permaneceu no nível
do “conteúdo” ideológico veiculado pela língua, ou no papel das instituições,
sem adentrar suficientemente na materialidade intrínseca da própria prática
semiótica como força produtiva e constitutiva.
A
semiose como um sistema material específico, com suas tecnologias, suas formas
de construção de nichos e seus efeitos ontológicos – termos esses que serão
desenvolvidos adiante –, ainda carece de uma exploração mais sistemática dentro
do quadro marxista. O desafio, portanto, não é apenas reconhecer que a
língua tem um papel na ideologia ou na hegemonia, mas
compreender como ela opera materialmente para produzir e
sustentar realidades sociais, e como essa operação está entrelaçada com as
relações de poder e produção.
·
Fundamentos de um realismo materialista-semiótico
Para
superar a lacuna histórica no tratamento da língua pela tradição marxista,
propomos um realismo materialista-semiótico. Esta abordagem não busca apenas
adicionar um “componente linguístico” ao marxismo, mas reconfigurar a própria
compreensão da materialidade e da agência social a partir da centralidade da
semiose. Trata-se de reconhecer que os signos não são meros reflexos ou
ferramentas neutras, mas práticas materiais que ativamente constituem os mundos
sociais, as subjetividades e as próprias condições de possibilidade da
experiência e da transformação.
A
defesa de um realismo material-semiótico encontra seu alicerce mais profundo na
própria trajetória evolutiva da língua humana e nas propriedades singulares que
emergiram desse processo. A transição de sistemas comunicativos mais simples,
ou protolínguas, para a língua como um sistema semiótico de quarta ordem
superior (ou seja, um sistema que herda características de sistemas físicos,
biológicos, sociais e semióticos primários), conforme teorizado por Michael
Halliday, não foi apenas um incremento quantitativo, mas uma transformação
qualitativa com implicações ontológicas.
Central
para essa transformação foi a emergência no sistema linguístico de um nível
lexicogramatical abstrato, interposto entre o nível do conteúdo (semântica) e
da expressão (fonologia/grafologia). Essa complexificação multinível, que
Annabelle Lukin descreve como um “big bang semiótico”, dotou a
língua de um poder de produção de significado sem precedentes.
A
relação entre lexicogramática e semântica, diferentemente da relação arbitrária
entre conteúdo e expressão, tornou-se “natural”, no sentido de que as escolhas
gramaticais sistematicamente constroem e refletem padrões da experiência
humana. A gramática, assim, não é um código neutro, mas, nas palavras de
Halliday, um “interpretador ideológico embutido na própria língua”, que
ativamente molda como a realidade é percebida e construída.
Ademais,
a organização metafuncional da língua – sua capacidade de simultaneamente
construir experiência (ideacional), negociar relações sociais (interpessoal) e
criar relevância contextual (textual) – significa que toda representação é,
intrinsecamente, uma ação e uma instanciação contextualizada de posicionamento
social. Não há como separar o “conteúdo” de sua “forma” ou de seu “uso”; eles
são coproduzidos.
É
precisamente nessa complexificação semiótica – a gramaticalização do
significado, a organização metafuncional e a capacidade de gerar o que Halliday
chamou de “universo paralelo feito de significados” – que a dicotomia clássica
entre materialismo e idealismo se dissolve. A língua, como prática social
corporificada e sistema material (sons, gestos, inscrições), não é um mero
reflexo de uma “base material” ou um veículo para “ideias” preexistentes.
Ela é a
própria arena onde o material e o semiótico se constituem mutuamente. A
“transdução do fenomenal de volta ao fenomenal”, como Halliday descreve a
operação do signo linguístico através das interfaces de conteúdo e expressão,
demonstra que a produção de significado é uma prática material que engendra o
semiótico, e o semiótico só ganha agência e se manifesta através de práticas
semiótico-materiais. A evolução da língua, portanto, não nos deu apenas uma
ferramenta para descrever o mundo, mas uma tecnologia para ativamente
construí-lo e habitá-lo de formas específicas, tornando a experiência humana
inseparavelmente sócio-histórica e semioticamente mediada.
Os
fundamentos desta perspectiva se assentam em alguns conceitos-chave,
desenvolvidos em diálogo crítico e transdisciplinar:
(i)
Linguística ontológica e relativismo semiótico controlado: Partimos da premissa
de que a língua não é um sistema de etiquetas para uma realidade preexistente e
independente. Ao contrário, as categorias e estruturas de uma língua (ou de um
sistema semiótico mais amplo) desempenham um papel fundamental na própria
constituição do que conta como “real” para uma determinada comunidade.
Diferentes
sistemas semióticos não apenas “descrevem” o mundo de maneiras diferentes; eles
ativamente constroem diferentes mundos de significado, diferentes ontologias.
Isso não implica um relativismo absoluto onde “tudo vale”, pois, como veremos,
a materialidade impõe constrangimentos. Trata-se, antes, de um relativismo
semiótico que reconhece que nossa apreensão da realidade é sempre mediada e
moldada pelas ferramentas semióticas de que dispomos. A língua, portanto, tem
um estatuto ontológico: ela é condição de possibilidade para a emergência de
certos tipos de seres, relações e fenômenos sociais.
(ii)
Construção de nicho semiótico: inspirado na teoria da construção de nicho da
biologia evolutiva, este conceito é transposto para o domínio da semiose
humana. Assim como os organismos modificam seus ambientes e, com isso, alteram
as pressões seletivas sobre si mesmos e outras espécies, os seres humanos,
através de suas práticas semióticas (principalmente a língua, mas também
rituais, artefatos, tecnologias), constroem ativamente seus nichos semióticos.
Estes
são os ambientes simbólico-materiais que habitamos, que estruturam nossa
percepção, cognição, afeto e ação. Um nicho semiótico não é apenas um “contexto
cultural”, mas um sistema dinâmico de significados e práticas materiais que são
coproduzidos e mantidos pelos seus habitantes. A língua é a principal
ferramenta e o principal produto dessa construção de nicho, definindo o que é
relevante, o que é possível, o que é valorizado dentro de um determinado
universo social. Esses nichos, uma vez estabelecidos, exercem uma poderosa
influência sobre as formas de vida que neles se desenvolvem, naturalizando
certas práticas e marginalizando outras.
Afirmo
que os seres humanos vivem imersos em “nichos semióticos” por considerar como
ponto relevante a coevolução entre a língua e o cérebro humano, um processo
brilhantemente explorado por Terrence Deacon.
Deacon
argumenta que a língua não surgiu como um produto tardio de um cérebro já
plenamente capacitado. Ao contrário, as primeiras capacidades simbólicas, mesmo
que rudimentares, exerceram uma pressão seletiva única sobre a evolução
cerebral. Cérebros mais aptos a adquirir, processar e transmitir sistemas
simbólicos complexos foram favorecidos, levando a um ciclo de retroalimentação
positiva em que a crescente complexidade linguística impulsionava a
reorganização neural, e vice-versa.
Esse
processo foi modulado por transformações mais amplas na evolução humana, como
dinâmicas de auto-domesticação, que podem ter refinado as predisposições
sociais para a cooperação e o aprendizado cultural intensivo, e o relaxamento
de certas pressões seletivas que permitiram maior plasticidade e um período de
desenvolvimento juvenil prolongado, crucial para a aquisição de sistemas
semióticos complexos.
O
resultado dessa trajetória coevolutiva não foi apenas um aumento no tamanho
cerebral, mas uma reconfiguração qualitativa que deu origem a uma cognição
fundamentalmente semiótica. Os seres humanos não são apenas usuários de
símbolos; somos criaturas cuja percepção, pensamento, emoção e ação são
mediados e constituídos por eles. Habitamos um mundo que é, em sua essência, um
artefato simbólico.
É aqui
que a analogia com os nichos ecológicos se torna poderosa: assim como os
castores, através de sua atividade, constroem represas que transformam seu
ambiente aquático, criando um nicho específico que molda sua existência e
evolução, os seres humanos, através da língua e de outras práticas semióticas
(rituais, artefatos, instituições), constroem ativamente seus nichos culturais
e simbólicos.
Esses
nichos semióticos – que englobam nossas tecnologias, narrativas, valores,
ideologias e as próprias estruturas sociais – não são superestruturas etéreas,
mas ambientes materiais e relacionais concretos. Eles definem o que é real,
possível e desejável, moldam nossa subjetividade e são transmitidos e
transformados através das gerações. Viver em um nicho semiótico significa que
nossa relação com o mundo é sempre mediada por essa camada de significados e
práticas materiais que nós mesmos coproduzimos, tornando a distinção entre um
“mundo externo” puramente material e um “mundo interno” puramente ideal
insustentável.
O
argumento central que emerge da articulação desses conceitos é que a semiose é
intrinsecamente material em seus processos, em suas práticas e em seus efeitos.
Não há uma “base material” de um lado e uma “superestrutura simbólica” de
outro. As práticas semióticas são práticas materiais que produzem efeitos
materiais – na organização do trabalho, na distribuição de recursos, na saúde
dos corpos, na estabilidade ou instabilidade dos ecossistemas.
Superar
o dualismo matéria/signo é, portanto, um passo fundamental para uma análise
marxista que possa dar conta da complexidade do mundo contemporâneo, onde a
produção de significados e a produção de mercadorias estão cada vez mais
imbricadas. Esta abordagem oferece uma saída para a subteorização da língua no
marxismo, não ao negar a importância dos condicionamentos econômico-materiais,
mas ao mostrar como estes são sempre mediados e coproduzidos por sistemas
semióticos específicos.
·
Implicações para uma teoria marxista da ideologia e da
hegemonia
A
reconceitualização da língua e da semiose como forças materiais ativas,
proposta pelo realismo materialista-semiótico, acarreta implicações profundas
para uma teoria marxista da ideologia e da hegemonia. Ela nos permite ir além
de certas formulações clássicas, oferecendo uma compreensão com mais nuances e
operacionalizável desses fenômenos cruciais para a análise do poder.
Ideologia
Revisitada Semioticamente: Tradicionalmente, no pensamento marxista, a
ideologia foi frequentemente associada à noção de “falsa consciência”, a um
conjunto de ideias que mascaram as contradições reais da sociedade de classes
ou que servem para legitimar a dominação. Embora essa dimensão da crítica
ideológica permaneça válida, uma perspectiva materialista-semiótica nos convida
a ampliar essa compreensão. A ideologia não é apenas um “conteúdo” mental ou um
“discurso” que reflete (ou distorce) uma base material.
Antes,
a ideologia se manifesta nos próprios sistemas semióticos materiais que
estruturam nossa percepção, cognição, afetividade e prática social. São as
categorias linguísticas que usamos, os rituais em que participamos, os
artefatos simbólicos que nos cercam que, em conjunto, tornam certas realidades
“pensáveis”, “sentíveis” e “fazíveis”, enquanto outras são sistematicamente
marginalizadas ou interditadas.
A
ideologia, nesse sentido, é performativa: ela faz o mundo
social ao mesmo tempo em que o interpreta. A luta ideológica, portanto, não é
apenas uma batalha de ideias, mas uma disputa sobre os próprios meios de
produção semiótica, sobre as tecnologias linguísticas e rituais que constituem
os nichos onde a vida social se desenrola.
Hegemonia
como Disputa de Nichos Semióticos Dominantes: O conceito gramsciano de
hegemonia – a capacidade de uma classe dominante de exercer liderança moral e
intelectual sobre as classes subalternas, obtendo seu consentimento ativo –
ganha nova profundidade quando articulado com a teoria da construção de nicho
semiótico.
A
hegemonia não se estabelece apenas pela força ou pela coerção, nem somente pela
difusão de ideias abstratas. Ela se constrói e se mantém através da criação e
sustentação de nichos semióticos dominantes. Estes são ambientes
simbólico-materiais onde as “verdades”, os valores e as práticas da classe
hegemônica são naturalizados, tornando-se o “senso comum”, o pano de fundo
inquestionado da vida social.
A
“força semiótica acumulada” – o prestígio, a legitimidade e a autoridade
associadas aos signos e rituais do nicho dominante – torna-se um componente
central e material do poder hegemônico. A disputa pela hegemonia é, então, uma
luta pela capacidade de definir e controlar os nichos semióticos mais
influentes, de impor suas gramáticas e seus rituais, e de marginalizar ou
cooptar os nichos alternativos ou contra-hegemônicos.
Busco,
assim, argumentar em favor de uma reconceitualização do papel da língua e da
semiose na tradição marxista, destacando a necessidade de superar uma
negligência histórica que limita, em certa medida, o seu poder analítico.
Proponho então o realismo materialista-semiótico como uma abordagem que entende
a língua não como um mero reflexo da realidade material, mas como uma força
material ativa, uma tecnologia social que constitui mundos, subjetividades e
relações de poder.
A
centralidade da linguística ontológica e da construção de nicho semiótico nos
permite ver a ideologia e a hegemonia não como fenômenos puramente
“superestruturais” ou “mentais”, mas como processos encarnados em práticas
semióticas concretas que moldam a experiência e a ação.
Um
marxismo enriquecido por uma teoria robusta da materialidade semiótica estará
mais bem equipado para desvendar formas de dominação e para inspirar práticas
de resistência e transformação sociossemiótica que sejam conscientes do poder
constitutivo da língua. Superar as limitações históricas no tratamento da
semiose não é um mero exercício acadêmico, mas uma tarefa urgente para
revigorar o pensamento crítico e a práxis emancipatória.
O
chamado à reflexão sobre o potencial de um realismo materialista-semiótico é,
em última instância, um convite a reafirmar a capacidade do marxismo de se
reinventar e de continuar sendo uma ferramenta indispensável para a compreensão
e a transformação do mundo.
Fonte:
A Terra é Redonda

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