A
produção de petróleo no Brasil
Onde
foi parar o “líder mundial do desenvolvimento sustentável”? O autor do discurso
aplaudido freneticamente pela plenária da COP 27, em Sharm el Sheik, em 2022?
Seus muitos admiradores, no Brasil e no mundo, entoaram o canto dos torcedores
em estádios de futebol: “o campeão voltou”, cheios de esperanças em uma muito
necessária liderança mundial disposta a enfrentar o negacionismo de uns e o
cinismo de outros dirigentes políticos do norte e do sul.
No seu
discurso, Lula prometeu zerar as emissões de carbono originadas no desmatamento
no Brasil, “em todos os biomas”, até a COP 30, este ano e aqui no Brasil. A
promessa alentadora era fora da realidade, mesmo se Lula quisesse realmente
atingir este objetivo. Já no governo ele enxugou discretamente o discurso,
baixando a bola (e seu status como líder ambientalista) para prometer o fim do
desmatamento ilegal na Amazônia. Muito bom, se comparado com o período de Jair
Bolsonaro, mas vamos e venhamos, qualquer coisa seria melhor do que o
energúmeno.
Muitos
comentaristas da COP 27 ficaram cismados pelo fato do futuro (naquela época)
presidente não ter tocado na questão vital das emissões de gases de efeito
estufa originados da queima de combustíveis fósseis, reconhecidamente o maior
fator de estímulo ao aumento das temperaturas médias mundiais.
A
desculpa é que, no Brasil, a emissão mais importante de GEE vem do desmatamento
e das queimadas e a parte dos combustíveis fósseis representa um terço da
primeira, embora crescente e significativa, sem falar nas emissões não
computadas oriundas das exportações de petróleo do país. Lula falou do fator
mais importante como contribuição do Brasil para o aquecimento global (e que
nos coloca em quinto lugar entre os maiores emissores de Gases de Efeito
Estufa). E ignorou a questão do petróleo.
Não vou
discutir neste artigo as insuficiências das políticas e ações aplicadas para
controlar as queimadas e desmatamentos, desde 2023; apenas registro que elas
foram ineficientes e contraditórias, ficando muito longe das promessas
faraônicas de Lula, no Egito.
O
resultado ambíguo deixa Lula mal na fita dos ambientalistas brasileiros e
internacionais. Mas, ainda que o presidente tivesse cumprido as promessas,
mesmo as menos ambiciosas, isto seria insuficiente para projetá-lo como
liderança ambiental internacional. O que divide o terreno entre os que
assumiram a responsabilidade de enfrentar a emergência climática e os que a
negam ou tergiversam a respeito é a questão dos combustíveis fósseis. O que
quero discutir é esta questão, analisando as políticas do governo e as
estratégias da Petrobras.
Desde
que molhou as mãos no petróleo extraído nos primeiros poços do pré-sal, em
2006, Lula, o PT, a Petrobras, os militares, o Congresso e quase todos os
brasileiros (de todo o espectro político) sonham com o Brasil, assumindo um
papel importante na produção mundial do “ouro negro”. Pode-se dizer que esta é
uma das poucas (quase) unanimidades nacionais em um país onde quase tudo divide
radicalmente opiniões.
Nem
ambientalistas respeitados, como a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente (e
da Emergência Climática) e ex-ministros como Carlos Minc e Isabela Teixeira
ousaram criticar as propostas do governo e da Petrobras, visando dobrar a
produção nacional de petróleo e gás até 2035, o que nos colocaria entre os
cinco maiores produtores mundiais (e nos levando para uma posição ainda mais
importante entre os maiores emissores de gases de efeito estufa).
Marina
Silva enfrentou o desafio de negar a licença ambiental para explorar uma
possível bacia de petróleo na chamada margem equatorial, escudando-se nos
pareceres técnicos impecáveis do IBAMA, específicos para aquele local,
localizado na costa do Amapá, área de influência da foz do Amazonas, mas não
disse uma palavra sobre esta estratégia de expansão geral da exploração de
petróleo/gás em outras quatorze bacias na mesma margem equatorial, entre o
Amapá e o Rio Grande do Norte, além de outras na costa brasileira do sudeste e
em terra firme.
Na
ausência de um plano de transição energética para o Brasil no horizonte de
2050, não temos ideia de quanto desta vai ser suprida por fontes renováveis,
pela Petrobras ou por quem quer que seja. Continuamos insistindo no tema da
nossa matriz mais sustentável (comparando com outros países), com alto uso de
energia hidráulica, mas os cálculos já estão mais do que viciados.
Não se
calculam as emissões de Gases de Efeito Estufa oriundas das nossas grandes
represas, nem o crescente papel das usinas termoelétricas (inclusive à carvão)
que também emitem Gases de Efeito Estufa a rodo. Pior ainda, calcula-se uma
absorção de CO2 pela floresta amazônica como se toda a área florestada ainda
fosse de mata primária, ignorando grandes espaços profundamente alterados pela
explotação ilegal de madeira.
De toda
forma, seja para o mercado interno ou seja para exportação, a produção de
petróleo e gás no Brasil já representa uma contribuição importante para o
aquecimento global. O governo Lula apresenta um objetivo de zerar as emissões
no nível de 2020 até o ano de 2050, reduzindo as emissões por desmatamento e
queimadas para compensar o aumento das emissões pelo uso de combustíveis
fósseis.
Sem um
plano preciso de quanto (e quando) vai ser evitado no quesito
desmatamento/queimadas e quanto vai ser aumentado no uso de combustíveis
fósseis, esta afirmação é apenas uma declaração de intenções, mesmo se a
primeira puder ser alcançada (e não há progressos visíveis e mensurados neste
caminho).
Para
quem bate na tecla da redução dos desmatamentos na Amazônia em 2023, respondo
que estes números ignoram o aumento do desmatamento em outros biomas e o
aumento das queimadas em todos os biomas, inclusive na Amazônia. Os números do
desmatamentopara o ano de 2024,recém divulgados, são mais promissores: queda no
conjunto dos biomas de 34% (contra apeans 11% em 2023).
No
entanto, vai ser preciso esperar a apresentação do tamanho da área queimada, já
que esta se ampliou muito no ano anterior, sobretudo na amazônia, apontando
para uma mudança no comportamento dos grileiros. Para evadir os controles do
INPE os desmatadores preferiram deixar de derrubar a mata para destruí-la pelo
fogo, aproveitando que o aquecimento global já está ressecando a floresta
tropical húmida.
Parte
importante da ofensiva política do governo e da Petrobras para justificar a
expansão da produção de petróleo é a necessidade de se aproveitar a vantagem
atual de termos em águas brasileiras, uma das últimas reservas conhecidas de
óleo “convencional” no mundo.
O
argumento pró aumento da exploração do petróleo no Brasil tem um componente
político importante: a destinação dos lucros excepcionais a serem obtidos.
Segundo o discurso oficial, os lucros do petróleo serão destinados, de forma
geral, para promover o desenvolvimento sustentável com justiça social e, com
ainda mais ênfase, em promover a descarbonização da nossa economia, com a
expansão da oferta de energia renovável.
Veremos
mais adiante que esta proposta é falaciosa e sem lastro em medidas
significativas atualmente na promoção da energia eólica ou solar. Por outro
lado, como a petrobras ná não é há muito tempo (desde o governo do general
Ernesto Geisel) uma empresa pública, boa parte dos seus lucros vai para seus
acionistas, dos quais o governo federal é um beneficiário importante.
O que
está faltando na posição do governo é entender o quadro catastrófico para o
qual caminha o planeta com a aceleração das emissões de Gases de Efeito Estufa
em quase todo o mundo, inclusive no Brasil.
Para
começar, é sempre bom lembrar que as emissões de Gases de Efeito Estufa que já
aconteceram provocarão, com toda a certeza, um aumento da temperatura média do
planeta da ordem 2º C. O acordo de Paris, em 2015, colocou uma meta de conter
este aumento em 1,5º C, mesmo com os cientistas apontando para a fatalidade do
aumento superior mencionado acima. Mesmo se as emissões fossem,
hipoteticamente, interrompidas hoje, diz o IPCC, os 2º C de aumento da
temperatura média do planeta já estariam garantidos.
Em um
dos cenários otimistas apresentados no debate em Paris, o aumento de 1,5º C
seria possível se todos os governos e empresas pertinentes em todo o mundo
adotassem metas radicais para trazer as emissões para o nível de 2020 até 2030,
seguidas por um movimento descendente para zerá-las até 2050. No entanto, mesmo
se os compromissos assumidos por parte dos governos (os EUA, entre outros, não
se comprometeram) fossem respeitados, este limite não seria alcançado. E a
triste verdade é que apenas alguns emissores (e nenhum dos maiores) tomou
medidas concretas para atingir as metas.
Com as
emissões se acelerando (exceção do período Covid-19, mas que foram retomadas
com rapidez) a temperatura média do planeta alcançou os 1,5º C em 2024 e segue
subindo em 2025, com três meses deste ano chegando até 1,7º C. Este aumento,
muito mais rápido do que previsto mesmo nos cenários mais pessimistas, é
superior ao aumento das emissões de origem antrópica direta, como o aumento no
uso de combustíveis fósseis.
Os
cientistas ainda estão estudando as razões desta aceleração e a hipótese mais
provável é que tenham entrado em ação os temidos mecanismos de retroalimentação
das emissões de Gases de Efeito Estufa, sobretudo devido ao degelo
aceleradíssimo na Groenlândia, na Antártica e no Ártico, (onde os aumentos da
temperatura média são muito superiores à média mundial) e ao desmatamento no
Brasil (sobretudo na Amazônia), no Congo e na Indonésia.
Os
cientistas brasileiros apontam para um fator (com impacto esperado para o final
desta década) importante: as perdas de área da floresta, bem como o raleamento
das áreas ainda florestadas, já estão fazendo com que os mecanismos de absorção
de CO2 estejam parcilamente neutralizados e resultando em emissões positivas
pela primeira vez em milênios em algumas áreas.
Constata-se
a substituição acelerada de áreas florestadas por pastagens e culturas e as
áreas abandonadas estão dando lugar a uma vegetação de savana que não absorve
CO2 no mesmo volume do que faz a floresta amazônica. Perto de 25% da área da
floresta amazônica desmatada já não é capaz de se recuperar e o resto caminha
na mesma direção.
O
alerta para a emergência climática tornou-se mais dramático e o próximo
relatório do IPCC (sempre mais conservador do que os fatos posteriores
demonstram) deverá indicar que agora já estamos fadados a alcançar o aumento de
2º C até 2030 e mesmo antes disso. E que a meta mais realista vai ser tentar
conter o aumento para menos de 3º C até 2040.
O
clamor do campo científico é por uma forte e rápida desaceleração do uso de
combustíveis fósseis nos próximos cinco anos, alcançando um pico de consumo em
2030, seguido por decréscimos também acelerados ao longo da década seguinte,
visando suspender o uso destes insumos até 2040. Estas metas implicam em uma
verdadeira revolução energética com trilhões de dólares investidos em energia
“verde”.
Como já
sabem, tanto cientistas como o mundo empresarial, o processo de conversão vai
usar intensamente os mesmos combustíveis fósseis para extrair e processar os
metais necessários para produzir moinhos de vento, células fotovoltaicas,
outros equipamentos e para transportá-los e instalá-los mundo afora. Ou seja, a
redução dos outros usos do petróleo terá que ser ainda mais brutal para
compensar este aumento de consumo específico. Seria um caso concreto do uso do
petróleo visando a sua substituição.
Repetindo
em outras palavras: não se pode pensar em longas transições energéticas e muito
menos em explorar as reservas existentes até o limite físico. Isto vai provocar
fortes reações do poderosíssimo cartel de empresas de petróleo e uma série de
outras que trabalham para elas.
Se a
hipótese do uso das reservas até o limite físico se concretizar, os cientistas
preveem que o aumento da temperatura média do planeta alcançará os 5 ou 6º C
até o final do século e podemos falar em uma transformação tão radical do clima
que não só a civilização tal como a conhecemos cessará de existir, como a
própria sobrevivência dos seres humanos estará fortemente ameaçada. Mais do que
nunca, estamos entrando em uma era de mudanças que vão tornar a vida (humana e
de muitos outros seres) na Terra insustentável em boa parte, senão em todo o
planeta.
Neste
cenário apocalítico, discutir a expansão da produção do petróleo, no Brasil ou
em qualquer lugar, é de uma irresponsabilidade inacreditável, muito mais grave
do que arriscar investimentos que podem virar um mico em 10 anos. E esperar que
os lucros eventuais nos próximos anos servirão para levar o povo brasileiro
para o nirvana (idealizado) dos países ricos em petróleo só é comparável com a
ideia de comprar uma passagem de primeira classe para viajar no Titanic e pedir
ao comandante que acelere o navio em direção ao iceberg que o afundará.
Vamos
ser claros: os meros 2º C a mais já terão um impacto calamitoso e disto já
temos uma pequena amostra com a temperatura superando os 1,5º C. Não é preciso
sequer se preocupar com os níveis mais altos de temperatura a que podemos
chegar até o fim do século, os impactos desastrosos que já estamos assistindo
vão se ampliar muito nos próximos 10 anos. Repito: não é daqui a 10 anos, mas
durante os próximos 10 anos, num crescendo ano a ano.
Dependendo
de onde moramos a forma de morrer poderá diferir: ondas de calor acima de 40º C
(50º C, em algumas latitudes) por meses a fio, chuvas torrenciais, secas
prolongadas e intensas, queimadas gigantescas, tornados mais fortes e
numerosos, aumento do nível do mar, interrupção ou arrefecimento da circulação
das correntes marinhas, erupção de pandemias que vão fazer a COVID (2019/2022)
e até a peste negra (1346/1349) empalidecerem. Isto sem falar na morte dos
oceanos por acidulação e aquecimento, a poluição por microplásticos e outros
terríveis impactos ambientais não diretamente ligados ao aquecimento.
Prestem
atenção nos fatos já ocorridos nos últimos 10 anos, quando o aumento da
temperatura média subiu de 1º C para 1,5º C. Todos estes impactos têm sido
registrados ano a ano em todo o mundo, sempre mais intensos e prolongados,
batendo recordes sucessivos. E entendam que estes impactos se ampliam em
progressão geométrica inclusive com saltos assustadores e ainda incompreendidos
pela ciência.
Lembremos
ainda que a civilização em que vivemos se construiu nos últimos 10 mil anos,
período em que as condições climáticas posteriores à última Era do Gelo
permaneceram estáveis (relativamente) e, em média, favoráveis. Agora estas
condições climáticas globais favoráveis entraram em colapso e o que estamos
vivendo é só um anúncio do que virá.
Tomando
alguns exemplos mais recentes deste colapso climático global, notamos que
fenômenos climáticos extraordinários se sucederam em todo o mundo com menos de
30 dias de diferença, e cada um deles representou um recorde histórico, sem
precedentes no tempo de existência da nossa civilização.
Nos
três primeiros meses deste ano, a imprensa registrou inundações catastróficas
na Austrália (uma área superior à da Alemanha e França somadas), Itália (chuvas
de um mês caindo por 24 horas, inundando a Toscana), Espanha (a mais mortífera
inundação na história da região de Valência).
Ondas
de calor nunca ocorridas se abateram sobre a Alemanha (o ressecamento dos solos
vai provocar grandes perdas para a agricultura), Índia (recordes em todo o
país), Argentina, Brasil e Uruguai sofreram com temperaturas acima de 40ºC por
várias semanas, Ásia Central registra temperaturas 10ºC acima de médias
anteriores (que já vinham em ascenso) em toda a região. Em março, o número de
tornados nos EUA dobrou em relação à média dos anos anteriores, com ventos mais
fortes e chuvas mais intensas. Incêndios florestais na Califórnia foram os mais
violentos registrados até hoje.
No
Brasil, precisamos lembrar das crescentes inundações dos últimos anos,
culminando com o desastre de Porto Alegre e boa parte do Rio Grande do Sul, em
2024. Isto se combinou com a maior e mais duradoura seca da região amazônica
que praticamente secou vários rios de grande caudal d’água. E os incêndios
(provocados por ação humana, mas facilitados pela secura extraordinária no
Cerrado, Amazônia, Caatinga e Pantanal) também fizeram manchetes em um país
onde este flagelo (seca e queimadas) já é corriqueiro.
Um dos
impactos mais graves do caos climático já se dá e vai ficar mais intenso na
agropecuária, com efeitos mundiais na produção de alimentos. A agricultura
brasileira é particularmente vulnerável a estas crescentes ondas de calor, às
secas e inundações. O desequilíbrio crescente do regime de chuvas, provocado
pelo desmatamento da Amazônia, já está gerando prejuízos no agro no
centro-oeste, sudeste e sul que vão se intensificar com o enfraquecimento dos
chamados “rios voadores”, as chuvas que se formam neste bioma e caem nas outras
regiões.
A crise
ambiental provocada pelo aquecimento global vai se refletir em crescentes
impactos nos locais mais vulneráveis, tornando a vida muito difícil ou
insustentável para os seres humanos. Os refugiados climáticos já se contam em
milhões em várias partes do mundo e este processo tende a se acelerar ano a
ano, com imediato impacto social e econômico. As previsões (que vão sendo
pioradas a cada avaliação) é de que bilhões de pessoas vão fugir das regiões
mais afetadas e buscar salvação onde puderem chegar.
Não só
serão milhões e milhões de mortos como o impacto nas sociedades afetadas vai
ser brutal. Estados menos capazes de reagir a este fluxo (seja por falta de
recursos ou por incapacidade de se organizar para a tragédia) serão os
primeiros a soçobrar e a se decompor enquanto sociedade organizada. Mesmo os
mais poderosos sofrerão com as reações dos desesperados, dentro e nas
fronteiras de cada país.
Para
terminar, frente às ameaças climáticas o que temos que fazer é traçar um plano
de substituição acelerada do uso dos combustíveis fósseis e zerar os
desmatamentos e queimadas. Por outro lado, isto vai exigir políticas de redução
do consumo de energia (para transportes e outros fins), já que não vai ser
possível manter o consumo energético atual com a substituição dos combustíveis
fósseis.
E nada
disso vai ser possível se continuarmos entregando o nosso futuro aos ditames do
mercado capitalista. É toda uma nova matriz de consumo energético e de produção
que vai ser necessário implantar, visando garantir bens essenciais para a
população e descolando da lógica da economia da busca irracional do lucro
privado máximo.
Se Lula
ainda quiser assumir o posto de líder do futuro da humanidade pós era do
petróleo, vai ter que fazer algumas opções radicais, começando por se retirar
do consórcio OPEP+, atualmente o centro de toda a atividade mundial de
manutenção do status quo energético. A Petrobras não está sob o controle do
Estado brasileiro, já que é uma empresa mista com ações na bolsa de valores,
mas o governo tem influência nas suas decisões e pode lutar por uma política de
“desmame” do petróleo, começando por suspender a busca por novo poços e
descontinuando paulatinamente a exploração dos que estão em operação.
Para
desmamarmos a nossa economia do petróleo não podemos seguir subsidiando o
consumo de combustíveis fósseis nem subvencionando a produção de
automóveis.Guardemos o nosso petróleo onde ele está, reservando-o para fins
mais nobres como a indústria. Finalmente, o governo terá que investir muito,
muito mais na geração de energia “verde”, inclusive com recursos da Petrobras.
Os mais de 77 bilhões de dólares previstos para serem gastos em exploração e
produção até 2029 teriam um uso estratégico no financiamento desta transição.
O tempo
joga contra os interesses de sobrevivência da humanidade e as últimas janelas
de oportunidade para se conter o aumento da temperatura média mundial em
limites trágicos, mas não ainda fatais, estão se fechando.
A isto
se chama “emergência climática”, expressão ainda desconhecida nos debates no
governo, na sociedade e na esquerda brasileira.
Acordem,
por favor! O pesadelo não está no sono e sim no mundo real.
Fonte:
Por Jean Marc von der Weid, em A Terra é Redonda

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