Chegou a hora do comércio de grãos sem dólar dentro do BRICS, diz
especialista
A expansão do BRICS, grupo que reúne as principais
economias em desenvolvimento, poderia se tornar uma plataforma para um mercado
de cereais autossuficiente e livre do dólar americano, dizem os economistas.
O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do
Sul) recentemente adicionou os importadores líquidos de grãos Egito, Etiópia,
Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) em 2024, quase igualando a
produção e o consumo de grãos essenciais dentro do grupo.
Nestas circunstâncias, a associação pode criar a
sua plataforma comercial própria e negociar seus cereais dentro do grupo sem
utilizar o dólar americano, é o que observa uma carta da União Russa de
Exportadores de Cereais ao Ministério da Agricultura da Rússia, divulgada pela
mídia russa.
De acordo com estimativas da União Russa de
Exportadores de Cereais, os cinco países do BRICS no final de 2023 produziram
um total de 1,17 bilhão de toneladas de cereais por ano (42% da produção
mundial) e consumiram 1,1 bilhão de toneladas (40% do consumo mundial). Após a
expansão, a produção de grãos do grupo atingirá 1,23 bilhão de toneladas por
ano (44% do mundo), e o consumo vai se aproximar da produção, ou seja, 1,22
bilhão de toneladas (também 44%).
"Estatisticamente, é verdade que 25% do
comércio de trigo é trigo russo", disse Vladimir Petrichenko, CEO da
empresa analítica ProZerno, à Sputnik. "Da mesma forma, mais de 25% do
comércio de milho é de milho brasileiro. Além disso, se falarmos de soja,
então, cerca de 58% do comércio mundial é de soja brasileira. Ao mesmo tempo, a
China é o maior comprador de milho e trigo, o Egito é o maior comprador de
trigo, embora em menor grau; mas compram trigo da mesma forma que a China, 12
milhões de toneladas por ano. Agora se soma a Arábia Saudita, principal
comprador de cevada. Mas ainda assim, os principais produtos são o trigo, o
milho e a soja. E para todos eles, principalmente considerando aqueles que
aderiram em janeiro, este é um mercado enorme."
Os países do BRICS representam uma grande parte e,
em alguns casos, mais de metade do mercado destes produtos agrícolas, destacou
o especialista. "Resumindo, esta fruta está madura para ser colhida",
sublinhou Petrichenko.
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Bolsa de grãos do BRICS
Na carta ao ministério, o presidente da União Russa
de Exportadores de Cereais, Eduard Zernin, argumentou que estes
desenvolvimentos criam as condições prévias para a formação de uma "bolsa
de cereais" do BRICS. Ele acredita que a Rússia poderia desempenhar
"o papel de fornecedor de último recurso", ao qual "outros
exportadores líquidos poderão aderir mais tarde".
"Temos pré-requisitos sérios para criar nossa
própria plataforma de negociação com liquidações em qualquer uma das moedas dos
países do BRICS e, no futuro, em uma moeda de compensação especial na Rússia ou
em um dos países com um sistema financeiro forte e uma moeda livremente
conversível além do dólar", argumentou Zernin.
A iniciativa governamental de criar uma bolsa
coletiva de grãos não seria suficiente, é necessária também a participação
comercial dos operadores dos mercados de grãos e oleaginosas, segundo
Petrichenko.
"A criação de uma bolsa não é, em muitos
aspectos, inteiramente uma questão governamental. Ou seja, é criada por
operadores comerciais. Portanto, deve haver um trabalho conjunto entre
operadores estatais e não estatais. Se olharmos para a bolsa chinesa de Dalian,
a sua influência na precificação nos mercados é insignificante, embora o
faturamento lá seja muito grande", explicou o especialista, expressando
otimismo com as perspectivas do empreendimento.
Tendo abandonado o dólar americano, o grupo
precisaria escolher uma moeda de compensação adequada, continuou o
especialista.
"Outro ponto-chave é a parte de compensação.
Ou seja, como será o centro de compensação, onde estará e, o mais importante,
em que moeda serão feitas as prestações de conta", disse Petrichenko.
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Ocidente jogará areia nas engrenagens do BRICS?
Segundo Petrichenko, haverá uma resistência muito
forte a este processo por parte dos países designados pela Rússia como
"hostis" na sequência da onda de sanções sobre a operação militar
especial de Moscou na Ucrânia. Os principais países ocidentais e os seus
satélites tentaram paralisar o comércio de energia e de cereais da Rússia, em
uma tentativa de fazer a economia do país explodir. No entanto, esse truque não
funcionou.
"[A Rússia] já deslocou consideravelmente os
EUA e a União Europeia [UE] no mercado do trigo", observou o especialista.
"O Brasil pressionou muito os EUA no mercado de milho. Pelo menos agora o
Brasil exporta mais milho que os Estados Unidos. E no mercado de soja, o Brasil
é o número um há muito tempo. Portanto, haverá resistência e sabotagem muito
fortes por parte dos exportadores vocalmente hostis."
Ele espera que o processo de "redistribuição
dos mercados" não seja fácil. Ainda assim, é provável que os EUA e a UE
vejam a sua cota global substancialmente diminuída no futuro, segundo
Petrichenko.
"Neste momento parece difícil imaginar, dado
que os principais operadores nestes mercados são empresas transnacionais com
sede nos EUA e na UE. Ou seja, apesar de tudo, existem intervenientes neste
mercado — empresas transnacionais. Elas representam um 'contingente hostil'
para o BRICS e especialmente para a Rússia", concluiu o especialista.
Ø Boicote só
para os outros: EUA retomaram a importação de petróleo russo após 17 meses,
apontam dados
Os EUA importam petróleo russo desde abril de 2022.
As importações totalizaram 36,8 mil barris em outubro e 9,9 mil em novembro em
transações avaliadas em US$ 2,7 milhões (cerca de R$ 13 milhões) e US$ 749,5
mil (cerca de R$ 3,5 milhões), respectivamente.
A proibição imposta pelos Estados Unidos contra a
importação de petróleo, gás e outros recursos energéticos da Rússia teve início
em março de 2022, como parte das sanções relacionadas à operação especial
militar russa.
No entanto, licenças emitidas pelo Escritório de
Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, sigla em inglês) do Departamento de
Tesouro dos EUA tornaram possíveis as importações.
De acordo com dados norte-americanos avaliados pela
Sputnik, os Estados Unidos compraram petróleo russo para consumo próprio em
outubro e novembro.
No período, o barril de petróleo sofreu variação
nos preços, ou seja, custou aos Estados Unidos US$ 74 (cerca de R$ 360) em
outubro e US$ 76 em novembro (cerca de R$ 370). Os valores pagos estavam
significativamente acima do "limite de preço" estabelecido pelos
norte-americanos, US$ 60 (cerca de R$ 292) por barril.
Representação de um campo de petróleo - Sputnik
Brasil, 1920, 25.12.2023
Em 2022, os EUA, juntamente com outros países do
G7, da União Europeia, Suíça e Austrália impuseram um "teto" no preço
do petróleo russo para reduzir os rendimentos de Moscou. Além disso, as
empresas desses países foram proibidas de fornecer serviços financeiros,
seguros e transporte para o petróleo russo vendido acima do teto estabelecido.
Os preços de produtos derivados do petróleo variam
por tipo. O diesel é limitado com preço de US$ 100 (cerca de R$ 487) por
barril. Já o óleo combustível, com desconto, chega a US$ 45 (cerca de R$ 219)
por barril.
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Políticas petrolíferas de Biden ameaçam criar nova crise energética nos
Estados Unidos, indica mídia
O Instituto de Petróleo Americano avisou que os
obstáculos criados pela administração Biden à produção do hidrocarboneto nos
EUA ameaçam a segurança energética do país.
As políticas da administração norte-americana de
Joe Biden ameaçam provocar uma nova crise energética, apesar do crescimento da
produção de petróleo e gás dos Estados Unidos, cita na quarta-feira (10) a
agência norte-americana Bloomberg.
Segundo o Instituto de Petróleo Americano (API, na
sigla em inglês), o principal grupo comercial do setor em Washington, a
produção de petróleo dos EUA atingiu um recorde em 2023 e está a caminho de
atingir novos máximos neste ano, com dividendos reais para os consumidores
americanos e para o setor, mas isso é uma consequência da atividade de
administrações anteriores que pode acabar, disse Mike Sommers, presidente da
entidade, em uma entrevista de terça-feira (9).
"Apesar do lado positivo do aumento da
produção, estamos muito preocupados com as nuvens que se formarão à frente se
não adotarmos as políticas certas agora", declarou Sommers.
"Os sinais contínuos desse governo e as
políticas que ele está adotando faz com que tenhamos preocupações reais de que
isso esteja semeando as sementes para a próxima crise energética",
advertiu ele.
O API está pressionando por uma autorização mais
rápida de projetos de energia, incluindo licenças para exportar amplamente gás
natural liquefeito (GNL) para todo o mundo, e mais oportunidades para buscar a
produção em terras federais. Isso inclui o golfo do México, no sul do país,
onde o Congresso forçou em 2023 o governo Biden a vender direitos de
perfuração. Esse deverá ser o último leilão desse tipo até pelo menos 2025,
quando poderá haver limites mais rígidos e menos território disponível para
tais projetos.
Ao mesmo tempo, Biden está sob crescente pressão
dos ativistas climáticos para bloquear projetos de petróleo e gás, considerados
nocivos para um mundo em aquecimento e com a necessidade urgente de reduzir
gradualmente o uso de combustíveis fósseis.
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Após suspeita de senadora, EUA dizem que envio de combustível às
Filipinas foi 'coordenado'
A Embaixada dos EUA em Manila disse que Washington
entregou combustível de uma de suas bases navais no Havaí a uma instalação
dentro de uma antiga base americana nas Filipinas "em coordenação com as
autoridades".
O porta-voz da embaixada, Kanishka Gangopadhyay,
disse que a entrega foi "uma das múltiplas remessas de combustível seguro
e limpo" de uma instalação em Pearl Harbor para locais no Pacífico.
"Todos os envios de combustível à baía de
Subic são conduzidos em total coordenação com as autoridades competentes do
governo filipino, bem como com os nossos parceiros comerciais", disse
Gangopadhyay, citado pela agência Reuters.
No entanto o porta-voz não deu detalhes sobre o
tamanho do carregamento para a baía, antiga base da Marinha dos EUA no norte
das Filipinas.
A senadora das Filipinas Imee Marcos — irmã do
presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr. — criticou o "silêncio
inexplicável" sobre o carregamento, que, segundo ela, levantou suspeitas
sobre o pré-posicionamento de suprimentos militares no país, em meio a
preocupações sobre um potencial conflito em Taiwan. A senadora disse que o
carregamento totalizou 39 milhões de galões de combustível.
"Subic não é um local do EDCA [sigla em inglês
para Acordo Reforçado de Cooperação em Defesa], então onde no território
filipino serão armazenados milhões de galões de petróleo?" indagou a
parlamentar.
O EDCA, firmado entre as Filipinas e os Estados
Unidos, dá acesso norte-americano a bases militares no país do Sudeste
Asiático.
O presidente Marcos concedeu a Washington, no ano
passado, acesso a quatro bases militares, fora os cinco locais existentes no
âmbito do EDCA de 2014, em um contexto de crescente assertividade da China no
mar do Sul da China e em Taiwan.
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Taiwan pode perder sua posição na economia mundial, dizem especialistas
Especialistas alertam que Taiwan, atualmente ponto
central na produção global de semicondutores, está em risco de perder sua
posição na economia mundial.
O relatório "Uma rachadura no escudo de
silício: o que aguarda a economia taiwanesa em 2024", revisado pela
Sputnik, destaca a crescente ameaça devido à transferência de produção
tecnológica e aos desafios econômicos acumulados.
A economia de Taiwan é fortemente dependente das
exportações de semicondutores, sendo o centro mundial de produção desses
componentes.
Em 2022, as exportações de circuitos integrados do
território alcançaram a marca impressionante de US$ 184 bilhões de dólares
(cerca de R$ 896 bilhões), representando quase um quarto do produto interno
bruto (PIB) da ilha. No entanto, os especialistas apontam para dois grandes
riscos que podem comprometer essa posição.
O relatório destaca que as complexas cadeias de
abastecimento globais, essenciais para a produção de chips, têm parte
significativa passando pela China.
A análise aponta dois eventos-chave que podem
moldar a relação econômica entre China continental e Taiwan: o lançamento do
Chip 4 — uma aliança liderada pelos EUA entre o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan
— e as eleições de janeiro de 2024 em Taiwan.
A participação ativa na aliança poderia acelerar o
desenvolvimento de chips pela China e aumentar a concorrência no mercado.
No entanto, as eleições presidenciais emergem como
fator crítico de incerteza. A vitória dos candidatos da oposição Kuomintang e
do Partido Nacional de Taiwan poderia resultar em um maior envolvimento com
Pequim, possivelmente desacelerando o progresso da aliança com os americanos.
Além disso, a economia de Taiwan enfrenta desafios
adicionais, incluindo a diminuição da demanda em razão do abrandamento da
economia global, da aceleração da inflação, do aumento das taxas de juros e de
preocupações relacionadas a mudanças climáticas e transição energética.
A demografia também surge como uma questão crítica,
com uma escassez crescente de especialistas qualificados e uma rápida redução
da população em idade ativa.
Ø Participação
do BRICS na economia global mais que dobrará em comparação com G7 até 2040, diz
mídia
De acordo com a mídia norte-americana, o grupo
BRICS — formado pelas grandes economias emergentes Brasil, Rússia, Índia, China
e África do Sul — deve superar o crescimento econômico do grupo das maiores
economias do mundo dentro de pelo menos 16 anos, a contar de sua próxima
expansão em 2024.
O BRICS pode levar a melhor sobre o G7 (grupo
composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino
Unido) até 2040 em termos de influência política e econômica, informou a
Bloomberg.
"As nossas previsões sugerem que uma força de
trabalho em expansão e um amplo espaço para a atualização tecnológica
aumentarão a participação do BRICS [na economia global] para 45% até 2040, mais
do dobro do peso do Grupo das Sete principais economias desenvolvidas",
disse o meio de comunicação.
O meio de comunicação sugeriu que, graças ao seu
crescimento sustentável, bem como à diversidade e às ambições, o BRICS pode
desafiar com sucesso o domínio global dos EUA e eliminar o dólar como principal
moeda do mundo.
A apuração destacou ainda que, se os esforços do
grupo para transferir algumas transações petrolíferas para outras moedas forem
bem-sucedidos, isso poderá ter "um efeito de arrastamento" na
participação do dólar no comércio internacional e nas reservas cambiais
globais.
Aliado ao quadro, na 15ª Cúpula do BRICS em
Joanesburgo, África do Sul, em agosto, o grupo estendeu convites à Argentina,
Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Arábia Saudita para
aderirem ao bloco, trazendo ainda mais relevância à sua participação global.
O grupo enfatizou que os novos seis membros foram
selecionados depois que os países do BRICS chegaram a um consenso "sobre
os princípios orientadores, padrões, critérios e procedimentos do processo de
expansão do BRICS". A adesão plena começará em 1º de janeiro de 2024.
O BRICS, que foi formado em 2009 e inicialmente
incluía Brasil, Rússia, Índia e China, expandindo-se pela primeira vez para
admitir a África do Sul em 2010. Antes do início da cúpula da África do Sul,
mais de 40 países manifestaram interesse em aderir ao BRICS, com 23 solicitando
formalmente a adesão.
Fonte: Sputnik Brasil

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