quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Demência: estudo mostra sinal que pode prever risco até dez anos antes

Um novo estudo descobriu um sinal que pode indicar risco de demência de cinco a dez anos antes do surgimento dos sintomas – que incluem perda de memória, problemas na fala e na escrita e dificuldade de compreender informações. Segundo os pesquisadores, o estreitamento de uma faixa de tecido cerebral chamada substância cinzenta cortical fica mais fina em pessoas que desenvolvem declínio cognitivo.

Os resultados foram publicados no Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association. No estudo, os pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, analisaram mais de mil participantes de um estudo chamado Framingham Heart Study e mais 500 voluntários da Califórnia. No total, os participantes tinham, em média, 70 e 74 anos. Todos foram submetidos a um exame de ressonância magnética no cérebro.

O estudo comparou pessoas com e sem demência no momento da ressonância magnética. Também foram analisados os exames feitos 10 anos antes para comparar os resultados.

“Voltamos e examinamos as ressonâncias magnéticas cerebrais feitas dez anos antes e depois as misturamos para ver se conseguíamos discernir um padrão que distinguisse de forma confiável aqueles que, mais tarde, desenvolveram demência daqueles que não desenvolveram”, disse a Sudha Seshadri, co-autora do estudo e investigadora sênior do Framingham Heart Study, em comunicado.

Os resultados mostraram que faixas mais finas da substância cinzenta cortical do cérebro estavam relacionadas ao declínio cognitivo e ao desenvolvimento de demência, enquanto faixas mais grossas da mesma região tiveram resultados melhores nos exames de ressonância magnética.

“Embora sejam necessários mais estudos para validar este biomarcador, começamos bem”, disse Claudia Satizabal, principal autora do estudo. “A relação entre desbaste e risco de demência comportou-se da mesma forma em diferentes raças e grupos étnicos”, completa.

·        Descoberta pode ajudar no diagnóstico precoce e em novos estudos

Na visão dos autores do estudo, as descobertas podem ajudar a identificar precocemente pessoas com alto risco de desenvolver demência.

“Ao detectar a doença precocemente, temos uma janela de tempo melhor para intervenções terapêuticas e modificações no estilo de vida, e para fazer um melhor acompanhamento da saúde do cérebro para diminuir a progressão dos indivíduos para a demência”, comenta Satizabal.

Além disso, os resultados podem ajudar a minimizar custos em ensaios clínicos futuros, já que pode ser possível selecionar participantes que ainda não desenvolveram demência – mas que apresentam o risco através do biomarcador de afinamento da substância cinzenta – para esses estudos. Por exemplo, eles podem participar de estudos para medicamentos experimentais da demência.

O próximo passo, segundo os autores do estudo, é identificar quais fatores de risco podem estar associados ao afinamento da substância cinzenta cortical. Para Satizabal, esses fatores podem incluir dieta, exposição a poluentes ambientais, risco cardiovascular e genética.

“Observamos o APOE4, que é o principal fator genético relacionado à demência, e não estava de forma alguma relacionado à espessura da massa cinzenta”, disse Satizabal. “Achamos que isso é bom, porque se a espessura não for determinada geneticamente, então existem fatores modificáveis, como dieta e exercícios, que podem influenciá-la”, finaliza.

 

Ø  Alzheimer: estudo mostra o que pode causar a morte de neurônios

 

O Mal de Alzheimer é uma das formas de demência mais comuns, mas, mesmo com grande ocorrência da doença, a ciência ainda não tem sua causa totalmente esclarecida. Um dos pontos conhecidos é que a perda de neurônios pode ser um dos fatores principais para o desenvolvimento da doença.

Em um estudo publicado na revista Nature Communications, pesquisadores da Northwestern University descobriram uma possível nova causa para a degeneração de neurônios na doença de Alzheimer. Segundo os autores, um mecanismo presente no RNA (ácido ribonucleico) pode estar envolvido na morte de diversas células, incluindo os neurônios.

Para chegar a essa hipótese, os pesquisadores analisaram cérebros de três diferentes fontes: modelos de camundongos com doença de Alzheimer, neurônios derivados de células-tronco de pessoas com e sem a doença e adultos com mais de 80 anos, mas com capacidade de memória equivalente a indivíduos entre 50 e 60 anos.

Segundo Marcus Peter, professor na Escola de Medicina Feinberg da Northwestern University e autor principal do estudo, cada pessoa tem diferentes classes de RNA em suas células: o RNA mensageiro (RNAm) longo, que codifica proteínas importantes para o funcionamento das células e que possui milhares de nucleotídeos, e o RNA curto, que possui entre 19 e 22 nucleotídeos. Essa segunda classe de RNA atua suprimindo a atividade do RNAm, o que resulta no bloqueio da síntese de proteínas.

Os pesquisadores descobriram que uma espécie de “código” embutido em RNA curto com apenas seis nucleotídeos poderiam matar células importantes.

“Chamamos a sequência curta de ‘código da morte’. As células morrem porque os RNAs que carregam o código suprimem seletivamente os RNAm que codificam proteínas que são críticas para a sobrevivência de todas as células”, explicou Marcus Peter ao Medical News Today.

·        Como a descoberta pode levar a uma possível causa de Alzheimer

Ainda de acordo com o autor do estudo, as células cerebrais são protegidas pelos RNA mensageiros, principalmente quando eles estão disponíveis em grande quantidade. No entanto, com o avanço da idade, a quantidade de RNA “protetores” diminui, enquanto a de RNA “tóxicos” aumenta.

Isso significa que, quanto maior a quantidade de RNA “tóxico” no cérebro, maior é o risco para mais mortes celulares e, consequentemente, maior a chance de desenvolvimento de Alzheimer.

Para os autores do estudo, essa descoberta é importante para abrir caminho para novas pesquisas em torno do desenvolvimento de medicamentos para tratar o Alzheimer e outras doenças degenerativas.

Para Marcus Peter, as próximas etapas da pesquisa incluem mais testes em animais e neurônios derivados de pacientes com a doença, além de testar medicamentos que possam aumentar o nível de RNA protetores ou reduzir a atividade dos RNA “tóxicos”.

 

Ø  Alzheimer: Quais as principais dúvidas dos brasileiros sobre a doença?

 

O Brasil é o quinto país no mundo que mais pesquisa sobre a doença de Alzheimer no Google, segundo dados levantados pela CNN através do Google Trends. Porto Rico, Espanha, Estados Unidos e Chile ficam à frente do país, nesta ordem.

De acordo com dados levantados na plataforma desde 2004, os anos de 2019 e 2022 compõem os de maior número de buscas no mundo sobre a doença. O valor de 100 presente no gráfico de pesquisa representa maior pico de popularidade de um termo. Um valor de 50 significa metade da popularidade e a pontuação pontuação de 0 significa que não havia dados suficientes sobre o termo.

Já no Brasil, os anos de pico das pesquisas sobre Alzheimer correspondem a 2004 e 2005, seguidos por 2022, que registrou pontuação de 89 em março.

·        O que os brasileiros mais buscam sobre Alzheimer no Google:

O Google Trends também elenca as principais dúvidas dos brasileiros sobre a doença de Alzheimer. São elas:

  • O que é o Alzheimer?
  • Quais os sinais de Alzheimer precoce?
  • Quais são as 7 fases do Alzheimer?
  • Quais são as formas de tratamento do Alzheimer?
  • Alzheimer é genético?
  • Qual a diferença de demência e Alzheimer
  • Existem jogos para idosos que podem ajudar com o Alzheimer?

A CNN ouviu especialistas para respondê-las.

·        O que é o Alzheimer?

De acordo com Fábio Porto, neurologista e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer, Regional São Paulo (ABRAz-SP), a doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa, que se caracteriza principalmente pela perda progressiva da memória recente.

“A pessoa afetada pode ter dificuldade em aprender novas informações, embora possa lembrar bem as informações do passado. Isso ocorre porque a doença afeta intensamente os hipocampos, a região do cérebro responsável pela memória recente”, explica ele.

·        Quais os sinais de Alzheimer precoce?

De acordo com Diogo Haddad, neurologista do Hospital Nove de Julho e pesquisador da Doença de Alzheimer, os sintomas iniciais e principais são sempre relacionados à perda de memória. Problemas com linguagem, atenção e execução das tarefas diárias são pontos de atenção, mas, de acordo com o profissional, todas elas devem estar ligadas à memória.

·        Quais são as formas de tratamento do Alzheimer?

Diogo Haddad destaca a importância de buscar ajuda médica ao menor sinal de comportamento que pode estar relacionado ao Alzheimer.

“Essa fase pré-clínica talvez seja a grande galinha dos ovos de ouro do Alzheimer. Hoje conhecemos essa entidade como comprometimento cognitivo leve (CCL), momento onde conseguimos encontrar um déficit cognitivo dentro de testes neuropsicológicos, porém, onde não existe qualquer perda da funcionalidade. Esse pode ser um grande momento para tratamento da doença”, enfatiza o neurologista.

Além do tratamento médico, o processo familiar e de apoio é muito essencial.

“Tento sempre colocar que a doença de Alzheimer deve vir em conjunto com um tratamento de todos que estão ao redor da doença. Ela carrega como fardo o acometimento das pessoas que estão ao redor da pessoa com a doença, que devem estar preparados para lidar com as alterações, não apenas de memória, mas também de comportamento e de execução de atividades corriqueiras”, afirma Diogo.

·        Quais são as 7 fases do Alzheimer?

Fábio Porto explica que a progressão da doença pode ser dividida em várias fases, que podem variar, mas basicamente seguem a progressão de fase normal, declínio cognitivo subjetivo, comprometimento cognitivo leve até demência.

  • Fase 1: A pessoa tem um marcador da doença no cérebro, mas a cognição está normal e não apresenta sintomas.
  • Fase 2: Ocorre um declínio cognitivo, mas muito leve, às vezes chamado de declínio cognitivo subjetivo. A pessoa percebe que não está igual, mas os testes de memória apresentam resultados normais.
  • Fase 3: Conhecida como comprometimento cognitivo leve, a pessoa tem um declínio cognitivo perceptível, mas não apresenta dificuldade funcional significativa. A pessoa tem um problema de memória, mas consegue viver bem, fazer as coisas cotidianas, mesmo que com pequenas dificuldades.
  • Fase 4: Início da demência leve, com perda funcional para atividades mais complexas, como trabalhar, lidar com finanças e planejar um jantar.
  • Fase 5: Demência moderada, onde a pessoa tem dificuldade para escolher a própria roupa.
  • Fase 6: Demência moderada grave, com dificuldades para se vestir, tomar banho e usar o banheiro. Pode ocorrer incontinência.
  • Fase 7: Fase grave da doença, onde a pessoa não consegue mais falar, andar ou deglutir.

>>>> Alzheimer é genético?

Segundo Fábio, existem sim genes de risco na doença de Alzheimer, mas estes não são garantia de que a doença será de fato desenvolvida.

O profissional explica que, embora a doença de Alzheimer seja genética, é uma genética de risco ou de chance aumentada, também conhecida como “genética não-Mendeliana”. “Isso significa que ter um gene de risco não garante que você desenvolverá a doença, mas aumenta a probabilidade”, explica ele.

·        Qual a diferença entre demência e Alzheimer?

Diogo explica que a Doença de Alzheimer não é diferente da demência, e sim um tipo desse grupo de sintomas. “A demência pode ser um denominador e sintoma para um monte de doenças, como o próprio Alzheimer, é importante não confundir”, diz ele.

Em resumo, enquanto a demência se refere aos sintomas, a doença de Alzheimer é uma das causas deles.

·        Existem jogos para idosos que podem ajudar com o Alzheimer?

Segundo Fábio, jogos podem ser ferramentas eficazes para aumentar o estímulo cognitivo. Podem ser responsáveis por retardar o progresso da doença em pessoas com demência e reduzir o risco em indivíduos saudáveis.

O profissional indica jogos como Caça-Palavras e Sudoku, que envolvem a memória.

“A recomendação é unir a estimulação cognitiva – treinamento de memória, atenção e linguagem – com atividades prazerosas e de lazer. Isso torna a atividade mais agradável, incentivando a pessoa a continuar praticando por mais tempo”, explica ele.

 

Fonte: CNN Brasil

 

'Clã Bolsonaro na mira da Justiça': jornais europeus repercutem investigação sobre 'Abin paralela'

"O clã Bolsonaro na mira da Justiça" é o título da reportagem publicada no site do jornal francês Le Monde, que destaca a suspeita de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria utilizado o software israelense First Mile para espionar centenas de políticos e personalidades públicas, a mando do ex-presidente de extrema-direita e de seus filhos. O veículo destaca que a residência e o escritório de Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro foram vasculhados na segunda-feira (29/01). 

O mandado de busca foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, que supostamente foi um dos alvos do esquema de espionagem ilegal da Abin. Um parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, considerou as buscas necessárias, depois de analisar mensagens de WhatsApp nas quais uma assessora de Carlos Bolsonaro pedia ao então diretor da agência, Alexandre Ramagem, "ajuda" nas investigações contra o ex-presidente e a família.

Carlos Bolsonaro é apontado nas investigações policiais como integrante do que é chamado de núcleo político do grupo, assimilado a uma organização criminosa atuante na Agência Brasileira de Inteligência, na época em que era dirigida pelo hoje deputado Alexandre Ramagem, de acordo com Gonet.

O site da emissora francesa France 24 destaca a entrevista concedida ontem pelo ex-presidente ao canal CNN Brasil. Bolsonaro negou o envolvimento dele e do filho no suposto esquema de espionagem. "Nunca busquei colher dados de quem quer que seja para me defender", disse. "Nunca recebi informação, localização geográfica de quem quer que seja. Nunca precisei, pedi ou tive qualquer relatório da Abin", afirmou.

"Abin paralela"

Segundo o site do jornal português Público, a PF quer esclarecer a atuação de uma suposta "Abin paralela", que agia sob as ordens do clã Bolsonaro. O programa israelense First Mile teria colhido informações "sem autorização judicial" sobre cerca de 30 mil pessoas, indica o site do jornal espanhol El País.

A publicação também destaca a operação de busca e apreensão na casa de Bolsonaro em Angra dos Reis, no litoral do Rio, onde o ex-presidente e os filhos estariam reunidos desde o fim de semana. No entanto, quando os agentes da Polícia Federal chegaram, pela manhã, nenhum deles estava no local. Após rumores de que teriam fugido, o advogado da família, Fabio Wajngarten, indicou que Bolsonaro e os filhos haviam saído para pescar.

O correspondente do jornal britânico The Guardian no Rio, Tom Philipps, assina uma matéria em que avalia que os incidentes da segunda-feira distanciam ainda mais Bolsonaro de um futuro político. "No ano passado, ele foi proibido de concorrer à eleições até 2030 por disseminar fake news sobre o sistema eleitoral brasileiro", diz o texto. 

The Guardian afirma que "o populista de 68 anos" também é alvo de uma série de investigações sobre sua política nos anos em que esteve no poder, entre 2019 e 2022. O jornal cita o gerenciamento da epidemia de Covid-19 no Brasil, "que matou mais de 700 mil brasileiros", além do papel de Bolsonaro no incitamento do motim de 8 de janeiro de 2023, quando admiradores do ex-presidente invadiram a sede do governo federal. 

 

Ø  PF teve de fazer tratativas com familiares para que Carlos Bolsonaro acompanhasse buscas

 

A Polícia Federal teve de fazer tratativas com a família de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para que o vereador acompanhasse as buscas da nova fase da operação que investiga o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e obter informações sobre investigações contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Carlos, os irmãos Flávio e Eduardo e o pai estavam em Angra dos Reis na segunda. Segundo os advogados da família, Bolsonaro, Flávio e Carlos saíram para pescar antes das 6h e, ao tomarem conhecimento das buscas na casa, "todos retornaram imediatamente para acompanhar e atender plenamente ao mandado judicial".

Segundo uma fonte da PF, testemunhas ouvidas pelos policiais na região apontam que o grupo saiu um pouco mais tarde, por volta das 6h40. Nesse momento, segundo a mesma fonte, a PF já estava na casa de Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro e na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

A PF iniciou as buscas na casa por volta das 8h40. Às 9h30, de acordo com a fonte, a PF começa a tratativas com familiares para que Carlos se apresente e acompanhe as buscas.

O vereador chegaria à casa 11h, acompanhado do pai.

O advogado Eduardo Kuntz diz que o grupo estava sem sinal e só ficou sabendo da busca às 10h, quando um segurança que havia voltado para buscar combustível viu mensagens sobre a busca que tinham sido enviadas a ele.

Segundo Kuntz, Tércio Arnaud, assessor da família Bolsonaro, teve bens apreendidos na busca.

Por isso ele estava no local acompanhando as buscas.

>>> Veja, abaixo, a cronologia:

🕔 5h

💬 Segundo o advogado de Bolsonaro Fabio Wajngarten, o ex-presidente e os filhos saem para pescar. Testemunhas ouvidas pela PF indicam que foi mais tarde, às 6h40 (leia mais abaixo).

🕕 6h10

🚨 Segundo fonte da Polícia Federal, neste horário os agentes da PF chegaram à Câmara dos Vereadores do Rio e ao condomínio Vivendas da Barra, também na capital, onde Carlos tem casa.

🕡 6h40

🚨 Polícia Federal entra na casa de Carlos no condomínio, segundo fonte da PF.

🕡 6h40

🚨 Esse é o horário em que, segundo vizinhos ouvidos pela PF, Carlos saiu da casa de Angra para pescar com o pai.

🕖 7 horas

💬 Neste momento, começam as diligências no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara dos Vereadores, segundo da Casa

“Agentes da Polícia Federal estiveram no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio na manhã desta segunda-feira (29), para cumprir mandado judicial de busca e apreensão. A diligência ocorreu das 7h às 9h, e foi acompanhada pela segurança da Casa e um assessor do parlamentar”, diz a nota da Câmara.

🕣 8h40

asa em Angra Casa em Angra dos Reis (RJ) onde Jair Bolsonaro realizou uma live nas redes sociais no domingo (28) — Foto: Isabelle Magalhães/TV Rio Sul

asa em Angra Casa em Angra dos Reis (RJ) onde Jair Bolsonaro realizou uma live nas redes sociais no domingo (28) — Foto: Isabelle Magalhães/TV Rio Sul

🚨 Neste horário, a PF começa a fazer buscas na casa de Angra.

🕤9h30

🚨 A PF começa a negociar com familiares para que Carlos se apresente.

🕚10h57

🚨 Quando o relógio marcava quase 11h, Carlos Bolsonaro e o pai, Jair, foram vistos chegando à casa de Angra.

 

Ø  Espionagem ilegal na Abin: PF intima general Heleno para depor

 

A Polícia Federal intimou nesta terça-feira (30) o general Augusto Heleno para depor no inquérito que apura ilegalidades e esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante a direção Alexandre Ramagem, entre 2019 e 2022.

O depoimento foi marcado para a próxima terça-feira (6), na sede da PF, em Brasília. Heleno foi ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a Abin era então subordinada à pasta que ele comandava.

Ontem (29), a Polícia Federal (PF) realizou mandados de busca e apreensão contra Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente. A operação é um desdobramento da ação realizada na quinta-feira (25), que teve como alvo o próprio Ramagem. A PF também cumpriu mandados no gabinete do parlamentar municipal na Câmara dos Vereadores, na capital fluminense.

As investigações revelaram, segundo fontes ligadas ao caso, que Carlos teria sido beneficiado pela chamada Abin paralela em pelo menos duas situações. A assessora teria solicitado informações sobre inquéritos sigilosos envolvendo membros do clã.

O ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a operação, afirmou que a existência de uma "organização criminosa infiltrada na Abin" foi significativamente comprovada pelas evidências coletadas até o momento.

De acordo com a decisão do ministro, a investigação aponta para a existência do "núcleo político" envolvido na espionagem, que teria monitorado indevidamente "inimigos políticos" e buscado informações sobre investigações relacionadas aos filhos de Jair Bolsonaro durante seu mandato presidencial.

Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a Polícia Federal (PF) estima que aproximadamente 30 mil cidadãos brasileiros foram alvo de monitoramento ilegal pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de acordo com Andrei Passos, diretor-geral da PF.

O ex-diretor-geral da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou, em entrevista à CNN, que as informações divulgadas pela imprensa brasileira foram distorcidas e que está havendo "uma perseguição contra a direita".

 

Ø  Lula demite diretor adjunto da Abin após PF afirmar que a agência prejudicou investigações

 

O governo Lula decidiu fazer mudanças na cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e demitiu o diretor adjunto da agência, Alessandro Moretti.

Ele será substituído por Marco Cepik, que vai deixar o comando da Escola de Inteligência da Abin

A troca acontece após mais uma fase da operação da Polícia Federal que investiga a suposta espionagem ilegal pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Depois da ação, o ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, levantou o sigilo da decisão que autorizou as ações e revelou as afirmações da PF sobre a atuação da cúpula da agência nomeada pelo presidente Lula.

·        Substituto

Cepik é cientista político e já foi diretor-executivo do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV) em Porto Alegre (RS). Os diretores de sete departamentos da agência também serão substituídos, o que mostra uma ampla reestruturação do órgão de inteligência.

A avaliação é de que apesar de não haver uma denúncia concreta contra Moretti, houve um processo de desgaste, principalmente com a desconfiança por parte do governo federal sobre a relação do agora ex-diretor com Anderson Torres (veja mais abaixo).

Com isso, a situação ficou insustentável e a mudança foi efetivada para pacificar inclusive a própria agência. Ao mesmo tempo, a mudança estrutural na Abin garante a permanência do atual diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Correia, que também estava sendo criticado, inclusive por integrantes da Polícia Federal, instituição à qual ele pertence e já comandou no segundo governo Lula.

·        'Possível conluio'

No inquérito, a PF afirmou que integrantes da atual cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) interferiram e até prejudicaram as investigações ao dificultar o acesso a dados.

"A preocupação de 'exposição de documentos' para segurança das operações de 'inteligência', em verdade, é o temor da progressão das investigações com a exposição das verdadeiras ações praticadas na estrutura paralela, anteriormente, existente na Abin", diz relatório da PF enviado ao STF.

Para a PF, há inclusive um possível "conluio" entre os investigados da gestão anterior da agência com os integrantes da atual gestão, "cujo resultado causou prejuízo para a presente investigação, para os investigados e para a própria instituição", completa o documento.

Em nota divulgada após as críticas do relatório da PF se tornarem públicas, a Abin afirmou que contribui com as investigações.

"Tem 10 meses que a atual gestão vem contribuindo com os inquéritos da PF e STF. A Abin é a maior interessada em esclarecer eventuais ilícitos e vai continuar colaborando com as investigações", afirmou a agência.

·        Perfil

Moretti estava no cargo desde março de 2023. Delegado da Polícia Federal, ele assumiu em março de 2022 a Inteligência do órgão, cargo que ocupou até o fim do governo Bolsonaro.

Antes disso, ele havia atuado como secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal entre 2019 e 2021, na gestão de Anderson Torres — ex-ministro de Bolsonaro.

No início dos anos 2000, o delegado integrou equipes e coordenou investigações contra contrabandistas em São Paulo e a máfia dos caça-níqueis no Rio de Janeiro. Também foi chefe de operações da PF em Minas Gerais e número 2 da Inteligência da PF em gestões petistas.

 

Fonte: rfi/Sputnik Brasil/g1

 

 

 

Como opera a UNRWA, que apoia palestinos e está sob críticas

Dez dos principais países financiadores da Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para Refugiados da Palestina (UNRWA) suspenderam temporariamente suas doações à entidade: Alemanha, EUA, Austrália, Japão, Itália, Holanda, Canadá, Finlândia, Suíça e Reino Unido.

O motivo são acusações de um suposto envolvimento de funcionários da UNRWA nos ataques terroristas do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que a agência já começou a investigar. O Hamas é classificado como uma organização terrorista por União Europeia (UE), Alemanha, Estados Unidos e outros países.

O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, fez um apelo aos doadores para que reconsiderem sua decisão. "A UNRWA é o ator mais importante para a ajuda humanitária em Gaza", disse o diplomata suíço-italiano em um comunicado. Mais de dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza não conseguiriam sobreviver sem essa ajuda. "Gerenciamos abrigos para mais de um milhão de pessoas e fornecemos à população alimentos e cuidados médicos essenciais", afirmou.

Entenda a história e as tarefas dessa agência internacional de ajuda:

·        Por que a UNRWA foi criada?

A agência foi fundada pela Assembleia Geral da ONU em 8 de dezembro de 1949 e entrou em atividade em 1º de maio de 1950. O objetivo era fornecer ajuda aos mais de 700 mil palestinos expulsos de suas casas em decorrência do conflito com Israel.

Israel proclamou o seu Estado em 14 de maio de 1948. No dia seguinte, unidades militares de uma aliança entre Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque invadiram a área do antigo Mandato Britânico da Palestina e declararam guerra a Israel, que a venceu no ano seguinte. Ao fim da guerra, Israel detinha cerca de 40% da área inicialmente destinada aos palestinos sob o plano de partilha da ONU de 1947.

A UNRWA tem como mandato fornecer assistência e proteção aos refugiados palestinos até que seja encontrada uma solução política duradoura para sua situação. A gama de atividades inclui educação, assistência médica, serviços sociais e de assistência, infraestrutura de campos de refugiados, microcrédito e ajuda emergencial para refugiados palestinos.

De acordo com a agência, metade de seu orçamento é investido em educação. Ela mantém mais de 700 escolas, o que faz dela a única organização da ONU a operar um sistema escolar completo, de acordo com um comunicado à imprensa de maio de 2023.

·        Como a UNRWA é financiada?

Quase todo o orçamento da agência vem de doações voluntárias dos países membros da ONU. Os EUA são os maiores doadores, seguidos por Alemanha, União Europeia e Suécia.

Em 2023, a agência tinha um orçamento estimado de 1,745 bilhão de dólares, mas apenas 44% dos fundos necessários foram doados. Em 2022, as doações totalizaram 1,17 bilhão de dólares, sendo que cerca de metade veio de países da UE.

A organização de assistência palestina sofre de subfinanciamento há uma década. No início de 2023, suas dívidas totalizavam cerca de 80 milhões de euros. Isso deve-se não apenas ao aumento das crises e conflitos na região, mas também ao crescente número de refugiados palestinos.

·        Quem é considerado um refugiado palestino?

De acordo com a definição da Assembleia Geral da ONU de 1952, os refugiados palestinos são "pessoas cujo local normal de residência no período de 1º de junho de 1946 a 15 de maio de 1948 era a Palestina e que perderam suas casas e seus meios de subsistência como resultado do conflito de 1948".

Segundo a lei internacional e o princípio da unidade familiar, não apenas os refugiados, mas também seus filhos e descendentes desfrutam do status de refugiado. Conforme estabelecido pelas Nações Unidas, esse é um princípio que se aplica a todos os refugiados, não apenas aos palestinos. E ele se aplica até que os motivos da fuga deixem de existir.

·        Qual é a diferença entre o ACNUR e a UNRWA?

Tanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) como a UNRWA foram fundados pela Assembleia Geral da ONU em 1949.

O ACNUR cuida de refugiados em todo o mundo e pode conceder a eles esse status de acordo com a Convenção de Genebra de 1951. Seu mandato também abrange o reassentamento de refugiados e a sua repatriação a seus países de origem.

A UNRWA, por outro lado, é uma organização humanitária que não concede o status de refugiado, mas fornece assistência às pessoas que têm direito a esse status. O mandato da UNRWA envolve o fornecimento de ajuda aos refugiados palestinos em suas cinco áreas de operação: Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental), Gaza, Síria, Líbano e Jordânia.

·        Quais são as críticas à UNRWA?

As críticas que políticos de Israel e de outros países têm feito à UNRWA estão relacionadas principalmente à definição de refugiados palestinos. Como os descendentes também são considerados refugiados, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu chamou a organização de ajuda de "agência de consolidação de refugiados" e a há muitos anos defende a sua dissolução.

Outra acusação comum é de que os livros didáticos da UNWRA disseminariam o ódio e a violência. Alemanha, Israel, EUA e outros países acusam a agência de ter professores que aplaudem o terror do Hamas e livros didáticos que pregam o ódio aos judeus. 

As acusações mais recentes feitas por Israel de que doze funcionários da agência teriam ajudado o Hamas no ataque a Israel em 07 de outubro ou o apoiado nos dias que se seguiram tiveram grande impacto, e motivaram a suspensão das doações.

De acordo com os números israelenses, cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel durante o ataque terrorista do Hamas, e cerca de 240 foram sequestradas e levadas para Gaza. Permanecem dentro da Faixa de Gaza 132 reféns, dos quais se estima que 25 possam estar mortos. No lado palestino, mais de 24 mil pessoas morreram desde então, sendo cerca de 70% mulheres e menores, segundo fontes ligadas ao Ministério da Saúde de Gaza.

 

Ø  Hamas diz que analisará proposta de cessar-fogo com Israel

 

O grupo islâmico palestino Hamas anunciou nesta terça-feira (30/01) que recebeu uma proposta de cessar-fogo apresentada após negociações em Paris e confirmou que a estudará.

Segundo o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, a decisão será tomada "com base no fato de a prioridade ser parar a agressão, o ataque brutal a Gaza e a retirada completa das forças de ocupação da Faixa".

No entanto, ele disse estar disponível para "discutir qualquer iniciativa ou ideia séria e prática, desde que conduza à cessação total da agressão".

"O movimento está aberto a discutir qualquer iniciativa ou ideia séria e prática, desde que conduza à cessação completa da agressão e garanta o processo de acolhimento para o nosso povo, para as pessoas que foram forçadas a ser deslocadas pelas medidas de ocupação, para aqueles cujas casas foram destruídas, bem como a sua reconstrução", explicou Haniyeh.

De acordo com chefe da organização, também é esperado "o levantamento do cerco e a implementação de um sério processo de troca de prisioneiros que garanta a liberdade dos nossos heroicos prisioneiros e ponha fim ao seu sofrimento".

Por fim, Haniyeh destacou que a "liderança do movimento recebeu um convite para ir ao Cairo, no Egito, para discutir o projeto de acordo que emergiu da reunião em Paris e os requisitos para a sua aplicação", com base em "uma visão que concretiza os interesses nacionais dos nossos povos num futuro próximo".

Enquanto isso, membros das forças israelenses mataram três pessoas no hospital de Avicena, em Jenin, no norte da Cisjordânia, informou o Ministério da Saúde palestino nesta manhã.

O Hamas reforçou que "as forças de resistência, que juraram lutar contra a ocupação até à sua expulsão, não se intimidam com as mortes ou crimes do inimigo".

"É um crime covarde que não ficará sem resposta", escreveu o Hamas no Telegram, ressaltando que está de "luto pelos mártires" mortos pelo Exército israelense.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ainda nesta terça-feira que Israel não retiraria forças armadas da Faixa de Gaza nem libertaria os prisioneiros palestinos, resistindo sobre algumas condições de um possível acordo de trégua com o Hamas.

Em declarações transmitidas pela televisão local israelense, Netanyahu acrescentou: “Não terminaremos esta guerra antes de alcançarmos todos os seus objetivos. Isso significa eliminar o Hamas, devolver todos os nossos reféns e garantir que Gaza não representará mais uma ameaça para Israel”.

·        O que sabemos sobre as negociações entre Israel e Hamas

Nesta segunda-feira (29/01), o primeiro-ministro do Catar anunciou que as reuniões do dia anterior tinham efetivamente resultado no estabelecimento de um plano para uma trégua gradual, que descreveu como "bom progresso", afirmando que transmitiria ao Hamas a proposta. 

·        O que Israel quer?

No dia 28 de dezembro passado, o Catar enviou o novo acordo a Israel e ao Hamas, pedindo a ambos os lados que indicassem as suas exigências. A resposta de Israel foi a libertação de todos os reféns no espaço de algumas semanas.

Em 23/01, o porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, disse numa conferência de imprensa que Israel não aceitaria um acordo de cessar-fogo que deixasse o Hamas no poder em Gaza.

No mesmo dia, foi divulgada uma gravação de áudio, conforme noticiado por vários meios de comunicação israelenses, na qual Netanyahu expressou sua desconfiança em relação ao Catar e até chamou os principais negociadores de “problemáticos”, acusando-os de financiar o Hamas.

Em 25 de janeiro, o jornal norte-americano Washington Post noticiou uma proposta israelense de trégua de 60 dias em troca da libertação gradual de mais de 100 reféns, começando por mulheres e crianças, depois homens, soldados e os corpos daqueles que morreram enquanto mantidos em cativeiro em Gaza.

·        O que o Hamas quer?

O Hamas exigiu a retirada completa das forças israelenses do enclave em troca da libertação dos reféns. Na segunda-feira (29/01), a agência de notícias AFP citou um alto oficial do Hamas, Taher al-Nounou, dizendo: “Estamos falando acima de tudo de um cessar-fogo completo e abrangente, e não de uma trégua temporária”. Na entrevista, ele disse que assim que a guerra acabar, “o resto dos detalhes poderá ser discutido”, incluindo a libertação dos reféns.

A primeira resposta do grupo à iniciativa de mediação do Catar, em dezembro, foi indicar que procurava uma trégua de vários meses. Após esta proposta inicial, fontes dizem que foram feitos progressos no sentido de conseguir que os dois lados concordassem com uma trégua de 30 dias.

De acordo com uma autoridade palestina, o Hamas deseja que os Estados Unidos, o Egito e o Catar garantam a implementação do cessar-fogo e teme que o governo de Netanyahu retome a guerra assim que o Hamas libertar os reféns.

Durante uma primeira reunião de negociações neste ano, o Hamas exigiu a libertação de todos os prisioneiros palestinos das prisões israelenses, incluindo aqueles que participaram nos ataques de 07 de outubro, mas desde então cedeu e voltou atrás com esta exigência.

 

Fonte: Deutsche Welle/Opera Mundi