Paulo
Henrique Arantes: Alcolumbre está carimbado como protetor de bandidos
As Mães
Dináhs do jornalismo brasileiro dizem que Lula poderá apoiar publicamente uma
CPI do Banco Master. Por questão de postura republicana, apoio declarado do
presidente a tal inquérito parlamentar não deve acontecer, mas o discurso de
que “tudo deve ser apurado” cai bem. Sabe-se que o inimigo mais ensaboado do
governo, no presente momento, é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que
terá grande prazer em manter requerimentos desse tipo engavetados. Lula
certamente não engoliu suas últimas traições, e vê-lo consagrado como protetor
de bandidos será um belo troco.
Uma CPI
séria afundaria a direita brasileira e, consequentemente, a candidatura de
Flávio Bolsonaro. A delação de Daniel Vorcaro vem aí. O fio que compõe um
volumoso novelo será puxado e, em sua extensão quilométrica, poderia municiar
um instigante inquérito parlamentar.
Eram
inúmeros os tentáculos de Vorcaro, tanto pessoa física quanto jurídica. Algumas
figuras públicas terão de dar boas explicações, mais cedo ou mais tarde.
Aguardam-se ansiosamente esclarecimentos de Roberto Campos Neto, Ciro Nogueira,
Antonio Rueda, Nikolas Ferreira, Ibaneis Rocha. Também devem explicações os
supremos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kássio Nunes Marques. E,
mais do que quaisquer outros, devem explicações os megarrecebedores de doações
eleitorais – pelas mãos da Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro – Jair Bolsonaro
e Tarcísio de Freitas.
A
campanha eleitoral de Jair levou R$ 3 milhões de Zettel; a de Tarcísio, R$ 2
milhões. O cunhado do banqueiro-gângster foi o maior doador, pessoa física, de
ambos. O capitão está preso, mas nada impede que seja arrolado para
esclarecimentos. O governador de São Paulo permanece atrás de inacreditável
blindagem da mídia, à qual não se deveria somar uma blindagem judicial.
E a
investigação das prefeituras?
De
outra parte, seguem praticamente sem evolução – ou sem notícia – os casos de
aplicações de fundo de previdência municipais nas arapucas financeiras do
Master. Como já escrevemos neste espaço, confiar o dinheiro de aposentadorias a
Daniel Vorcaro é hábito da direta, como se constatatou.
Em 25
de novembro de 2025, escrevemos neste espaço que, em 23 de outubro de 2025, o
prefeito de Santa Rita D’Oeste, Osmar Sampaio (PL), o Osmarzinho da Oficina,
recebeu o governador Tarcísio de Freitas em grande estilo para celebrar o
recebimento de R$ 2,5 milhões para investimento em obras no município de 2,7
mil habitantes, que fica a 645 quilômetros da capital. O Iprem (Instituto de
Previdência Municipal), que opera o Regime Próprio de Previdência dos
funcionários públicos municipais de Santa Rita D’Oeste, investiu R$ 2 milhões
em títulos do Banco Master.
O
prefeito de São Roque, Guto Issa (PSD), presidente do Cioeste (Consórcio da
Região Oeste Metropolitana de São Paulo), é notório aliado de Tarcísio de
Freitas, que prestigiou sua posse — a segunda, para a qual foi reeleito — no
consórcio, em janeiro de 2025. O São Roque Prev (Instituto de Previdência
Social dos Servidores Municipais de São Roque) aplicou R$ 93,2 milhões em
títulos do Master. São Roque é uma aprazível cidade de 79 mil habitantes,
distante cerca de 70 quilômetros da capital.
Interessante
notar que a quase totalidade das prefeituras cujos institutos de previdência
deram recursos aos cuidados de Daniel Vorcaro é administrada por partidos de
direita ou integrantes daquela gororoba política denominada Centrão, ainda que,
fisiologicamente, alguns componham a base do governo Lula. A exceção é só uma:
Congonhas (MG), cujo prefeito, Anderson Costa Cabido, é do PSB.
Vejamos.
Rubem Vieira, o Doutor Rubão, prefeito de Itaguaí (RJ), é do Podemos, e a
previdência dos servidores municipais aplicou R$ 59,6 milhões no Master. Já
Wagner Roberto Ponciano, o Wagner da Garagem, do PSDB, prefeito de Fátima do
Sul (MS), administra um município cujo instituto de previdência deu R$ 7
milhões aos cuidados de Daniel Vorcaro. Já em Cajamar (SP), cujo prefeito é
Kauãn Berto, do PSD, a previdência dos servidores investiu em títulos do banco
agora liquidado R$ 87 milhões.
Segue a
lista: Maceió (AL), prefeito João Henrique Holanda Caldas (PL) – R$ 97 milhões;
Jateí (MS), prefeita Cileide Cabral (PSDB) – R$ 2,5 milhões; Araras (SP),
prefeito Irineu Norival Marreto (PSD) – R$ 29 milhões; Santo Antônio de Posse
(SP), prefeito Ricardo Cortez (MDB) – R$ 7 milhões; Angélica (MS), prefeito
Edinho Cassuci (PSDB) – R$ 2 milhões; São Gabriel D’Oeste (MS), prefeito Leocir
Montagna (PSD) – R$ 3 milhões; Aparecida de Goiânia (GO), prefeito Leandro
Vilela (União Brasil) – R$ 40 milhões; Campo Grande (MS), prefeita Adriane
Barbosa Nogueira Lopes (PP) – R$ 1,2 milhão; Congonhas (MG), prefeito Anderson
Costa Cabido (PSB) – R$ 14 milhões; Paulista (PE), prefeito Severino Ramos
(PSDB) – R$ 3 milhões.
• Ciro Nogueira troca triplex comprado
após sociedade com Vorcaro por mansão nos Jardins
Investigado pela Polícia Federal por suspeita
de corrupção no escândalo do Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI)
poderá vir a ser dono de uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa,
um dos bairros mais luxuosos de São Paulo.
As
informações foram reveladas pelo Metrópoles, que informou que o imóvel, ainda
em construção, poderá valer cerca de R$ 30 milhões quando ficar pronto, segundo
estimativa do próprio parlamentar. A valorização estaria ligada ao projeto
assinado pelo arquiteto Arthur Casas Mattos, reconhecido internacionalmente por
obras no Brasil e no exterior.
A
futura aquisição do imóvel ocorre em meio ao avanço das investigações da
Polícia Federal sobre as ligações de Ciro Nogueira com o banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a PF, o senador teria atuado em favor da
instituição financeira em troca de vantagens econômicas indevidas.
De
acordo com a reportagem, a mansão deverá ser obtida por meio de uma permuta com
o empresário Antônio Rocha Neto, amigo de Ciro há mais de duas décadas. Em
troca, o senador entregaria uma cobertura triplex localizada na Rua Oscar
Freire, em São Paulo, comprada em julho de 2024 por R$ 22 milhões, poucos meses
após se tornar sócio de Vorcaro.
O
imóvel nos Jardins terá arquitetura modernista, com linhas retas e concreto
aparente, características do Studio Arthur Casas. O projeto prevê
estacionamento subterrâneo, quatro andares, academia, SPA, amplos salões e uma
suíte master com closet, jardim de inverno e vista para a piscina.
Segundo
o Metrópoles, Ciro Nogueira e sua companheira, Lorena Furtado, solicitaram
alterações no projeto original. Uma das mudanças foi a substituição de um home
theater por um espaço destinado a festas, com bar e mesa de DJ. A ideia seria
utilizar o imóvel também como uma “casa de negócios”.
O
empresário Antônio Rocha Neto afirmou que inicialmente pretendia morar na
propriedade, mas decidiu negociar o imóvel após sua família sofrer um assalto.
“Decidi fazer a permuta com Ciro por esse motivo. A casa era para eu morar com
a família. Mas depois desse assalto mudamos de ideia”, declarou.
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Triplex entrou na mira da investigação
O
triplex entregue por Ciro na negociação foi comprado em julho de 2024, apenas
26 dias antes da apresentação da chamada “emenda Master” no Senado. A proposta
previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor
de Crédito (FGC), medida que, segundo a PF, beneficiaria diretamente o Banco
Master.
As
investigações apontam que o texto da emenda teria sido elaborado pela própria
assessoria do banco. Em mensagem citada pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro
teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como mandei”.
Na
quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última semana, Ciro
Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão. A PF também aponta
suspeitas de pagamentos mensais ao senador.
Em
conversa obtida pelos investigadores, Felipe Vorcaro pergunta ao banqueiro:
“Oi, é para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mes?”. Daniel Vorcaro
responde: “Sim”. Segundo a PF, relatórios do Coaf confirmariam movimentações
financeiras relacionadas ao caso.
Ao
Metrópoles, Ciro afirmou que a compra do triplex ocorreu de forma regular e foi
realizada por meio de sua empresa, a CNLF Empreendimentos Imobiliários. “Todo o
imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”,
declarou.
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Senador fala em perseguição política
Após a
operação da Polícia Federal, Ciro Nogueira afirmou nas redes sociais que
estaria sendo vítima de “perseguição política”. “Todo ano político é a mesma
coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de
votos”, escreveu.
O
senador também relembrou as eleições de 2018. “O povo do Piauí sentiu a
perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.
• Ataque ao Banco Central contratado por
Vorcaro seguiu estratégia de agência e teve contratos milionários
Documentos
internos do chamado “Projeto DV” apontam que os ataques coordenados contra o
Banco Central e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de
Resolução da autarquia, Renato Gomes, foram organizados a partir de uma
estratégia estruturada de comunicação ligada ao empresário Daniel Vorcaro, do
Banco Master.
Os
materiais revelam uma espécie de manual de atuação com orientações detalhadas
para influenciadores digitais, páginas de notícias e perfis nas redes sociais.
Os contratos, firmados pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda,
chegaram a somar R$ 8 milhões. Parte dos acordos, no entanto, foi interrompida
após a Polícia Federal iniciar, em janeiro, uma investigação sobre os ataques
direcionados ao BC.
A
ofensiva teria ocorrido após o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master
pelo BRB (Banco de Brasília). Renato Gomes, cuja área técnica recomendou o veto
à operação, tornou-se o principal alvo das publicações patrocinadas.
A
investigação da PF identificou cerca de 40 perfis que teriam participado da
campanha. Os documentos do “Projeto DV” continham instruções específicas
adaptadas ao perfil de cada página, incluindo sugestões de títulos, roteiros
para vídeos curtos, imagens e linhas editoriais.
Thiago
Miranda foi procurado pela reportagem da Folha, mas não comentou o caso. Ele
deverá prestar depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira (12). Conforme os
documentos obtidos pelo jornal, Miranda recebeu R$ 3,5 milhões da empresa Super
Empreendimentos, ligada a Vorcaro, entre o fim de dezembro de 2025 e o início
de janeiro deste ano. O mesmo valor teria sido repassado a contratados do
projeto.
A
defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou.
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Direcionamento editorial e contratos com influenciadores
Entre
os veículos mencionados nos documentos está o portal GPS Brasília, que possui
site próprio e 182 mil seguidores no Instagram. O projeto determinava que o
portal deveria adotar um “tom liberal clássico, em defesa da livre iniciativa,
institucional”.
Os
materiais sugeriam títulos como “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para
o sistema financeiro”. Em 1º de janeiro, o portal publicou uma reportagem
intitulada “Saída de Renato Gomes do BC deixa indícios de um erro caro para o
sistema financeiro”. Dias antes, em 29 de dezembro, havia divulgado outro texto
crítico ao ex-diretor do BC.
Segundo
a reportagem, o GPS Brasília assinou, em 3 de janeiro, um contrato de R$ 100
mil mensais por um ano com a agência Mithi. O acordo previa seis conteúdos
mensais, divididos entre Instagram e portal de notícias, além de cláusula de
confidencialidade.
O
editor Jorge Eduardo afirmou que o veículo mantém contratos publicitários com
diversas agências e confirmou a existência de acordos anteriores com a Mithi.
Segundo ele, um dos contratos foi rescindido dez dias após a assinatura por
“incompatibilidades entre os conteúdos propostos e a linha editorial”.
Ele
declarou ainda: “Reafirmamos nosso compromisso de fidelidade com os melhores
princípios do jornalismo, pilar essencial de uma sociedade evoluída”.
Outro
nome citado nos documentos é o jornalista Luiz Bacci. A empresa BN Publicidade
e Marketing, ligada ao apresentador, firmou contrato de R$ 500 mil mensais
durante seis meses para a produção de 30 postagens por mês.
Bacci
confirmou a relação comercial com a agência, mas evitou comentar detalhes do
contrato.
“Em
conformidade com nossas diretrizes de compliance e sigilo, não divulgamos
informações sobre contratos firmados com nossos clientes”.
Segundo
o jornalista, a parceria comercial com a Mithi existe desde 2021.
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Perfis receberam orientações específicas
O
perfil Not Journal, com 289 mil seguidores, também integrou o projeto. O
contrato previa pagamento de R$ 30 mil mensais para 12 publicações por mês no
Instagram e no site.
Os
documentos orientavam que o perfil mantivesse um “tom acadêmico, sóbrio e
institucional, com foco na eficiência de mercado”. Em sintonia com o
direcionamento, foram publicados conteúdos críticos a Renato Gomes.
O
diretor do veículo, Bruno Richards, confirmou o contrato, mas afirmou que não
houve combinação prévia de conteúdo. “A gente sempre atuou com muita rigidez no
caso Master. Recebemos três notificações extrajudiciais direto do Banco
Master”.
Richards
disse ainda que os textos alinhados às orientações da agência teriam sido
produzidos por um ex-funcionário. “A única e principal regra é ser fato e não
publicarmos fake news”.
Segundo
ele, o projeto também incluiu uma proposta de compra de 50% do Not Journal por
R$ 5 milhões, oferta que teria sido recusada.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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