sexta-feira, 8 de maio de 2026

Os veículos elétricos poderiam ter anulado a crise do petróleo

Acredite: os veículos elétricos são mais antigos (1830) que os veículos à combustão! Eram veículos simples, econômicos, eficientes e silenciosos. Perderam a disputa industrial e comercial para os veículos à gasolina e diesel, que iniciaram com o alemão Karl Benz (1886), e tiveram um grande impulso quando o estadunidense Henry Ford implantou a linha de produção (1908), que fez o consumo de petróleo crescer intensamente até os dias atuais. O Petróleo passou a dominar o mundo e esteve presente em todas as guerras.

Estes veículos são muito ineficientes e a conta foi descarregada na natureza, que perdeu o equilíbrio e promove desastres climáticos. Assim, os carros elétricos foram chamados de volta, principal item da transição energética, que anda muito lentamente.

O grande chefe do neofascismo, o negacionista Trump, incentivador do petróleo e das guerras, resolveu enfrentar o antigo inimigo, o Irã, e impor os cidadãos do mundo e à natureza mais um grande retrocesso.

As descobertas do petróleo, tanto nos EUA como no Oriente Médio iniciaram em torno de 1850. O primeiro poço ocorreu em 1859 na Pensilvânia pelo Coronel Drake. Seu uso inicial foi na iluminação substituindo o óleo de baleia. Também iniciou a substituição da tração animal e a vapor, impulsionando a segunda revolução industrial.

Tanto nos EUA como no oriente médio, o consumo explodiu com os carros a combustão produzidos em linhas de produção; mais do que meio de transporte, representavam status e glamour.

Nos EUA surgiram grandes empresas de petróleo como a Standard Oil de Rockefeller. No Oriente Médio inicialmente as empresas inglesas foram dominantes.

Desde então o petróleo passou a integrar fortemente a história universal, influenciando diretamente a economia e a vida das pessoas. Esteve e está presente diretamente ou indiretamente em todas as guerras.

O petróleo passou a ser reconhecido e explorado desde 1850. Por hipótese, digamos que tenhamos reservas até 2150. Teremos então, em 300 anos ou menos, queimado recursos que a natureza levou mais de 120 milhões de anos para produzir. Não é razoável! O petróleo não tem culpa de ser tão mal usado em estruturas completamente ineficientes e poluidoras. Merece ter uma melhor e parcimoniosa destinação.

Embora a substituição dos combustíveis fósseis seja necessária à nossa própria sobrevivência, o mundo baseado no petróleo não se mudará facilmente.[A substituição dos combustíveis fósseis ocorrerá na medida que forem substituídos por alternativas renováveis. Hoje, se não existissem estes derivados de petróleo, o mundo simplesmente pararia.

Considerando o mundo como um todo, os derivados de petróleo são os maiores geradores de gases de efeito – GEEs -; no caso da geração de energia elétrica, o carvão mineral gera a maior parte de GEEs. No Brasil, os derivados de petróleo respondem por até dois terços dos GEEs nos municípios em que predominam as atividades urbanas.

Temos dois grandes problemas a enfrentar: a ultrapassada, ineficiente e poluidora tecnologia da combustão e os combustíveis fósseis.

Os motores a combustão requerem um grande número de engrenagens que produzem muito calor, cujo rendimento é de somente em torno de 35%. Daí, produzem grandes parcelas de CO² e uma parte de metano, entre os principais GEEs.

O uso de GNV (gás natural veicular) e biometano, além dos biocombustíveis, podem substituir gasolina e diesel, diminuindo muito a geração dos gases de efeito estufa (GEEs), porém continuamos com a baixa eficiência dos motores a combustão.

Os veículos elétricos são constituídos somente pela carroceria, motor elétrico, bateria elétrica e eletrônica embargada.

Tiveram dois impulsos importantes: 1) A COP 3, de Kyoto (Japão), em 1997, que decidiu pela redução da emissão de GEEs; 2) o forte desenvolvimento de baterias para grandes potências

A criação e o desenvolvimento do motor elétrico relacionam-se com o desenvolvimento da energia elétrica. Em 1820 foi obtida a conversão da energia elétrica em energia mecânica.

A nível industrial, registramos a criação de um gerador de energia elétrica em CC (corrente contínua) em 1860 por Werner Siemens. Já em 1889, Nicola Tesla apresentou o motor a CA (corrente alternada).

O armazenamento de energia elétrica inicia em 1800 com a pilha de Volt; em 1859, com a bateria de Chumbo-Ácido surgiu a primeira bateria recarregável; em 1970 surge a primeira bateria íon-lítio, que consegue reter alta densidade de energia, ou seja, armazenar altas potências.

A China possui o monopólio da produção de baterias, detém 70% das terras raras e beneficia 93% das mesmas, além de minerais estratégicos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras, além de minérios estratégicos, porém, faz pouca mineração e seu beneficiamento. Devemos, com parcerias, aumentar esta produção e beneficiamento e tentar o quanto antes realizar a produção de baterias para os veículos elétricos.

Estas baterias tiveram uma grande evolução. Os primeiros carros elétricos tinham baterias de 2.000kg, que permitiam aos veículos uma autonomia de 100km.

Atualmente, baterias de 500kg conseguem desenvolver uma autonomia de até 500 km e podem ser reusadas 4 vezes, após a sua vida útil. Seu ciclo de carga e recarga varia entre 1600 e 4000 vezes.

Seu preço, desde o início, já diminuiu 10 vezes. Podem ser substituídas por baterias de sódio, ainda menos caras. Como ainda poderão ser substituídas por células de hidrogênio, que transformam seu gás em eletricidade, alimentando os motores elétricos.

É hora dos veículos elétricos também baixarem de preço, justamente para alcançarem um maior volume de vendas. Está na hora das autoridades públicas e setores privados envolvidos providenciarem mais locais de recarga.

O primeiro veículo elétrico data de 1800; estes passaram a ser fabricados em volumes maiores a partir de 1828 e chegaram a representar 38% dos veículos nos EUA. A partir de 1900, caíram em decadência diante dos motores movidos a petróleo.

No Brasil e na América Latina, o primeiro carro elétrico foi produzido por João Gurgel, em 1974, em Porto Alegre. Chamava-se Gurgel Itaipu (E150) em homenagem a construção de Itaipu.

Os veículos elétricos são movidos a energia elétrica, a melhor de todas as energias, mas que depende de outras energias primárias. Os motores elétricos desenvolvem 95% de eficiência; os veículos elétricos sequer possuem cano de descarga, simplesmente porque não há emissão de gases.

A energia elétrica passou a ser gerada em grandes quantidades a partir da criação de corrente elétrica alternada por Nikola Tesla. No Brasil produzimos energia elétrica com 90% de recursos renováveis e temos condições de produzir muito mais.

Em 2025, a venda mundial de veículos exclusivamente elétricos e híbridos alcançou 25% do total: é bastante, mas precisa avançar bem mais para não dependermos mais do Estreito de Ormuz, onde passa 20% de todo petróleo produzido no mundo. Caso a frota mundial de veículos já tivesse alcançado 20% do total, a Guerra EUA/Israel x Irã não teria provocado uma crise mundial de preços com elevação dos preços em geral.

A culpa por esta crise é fundamentalmente de quem iniciou esta guerra, ou seja, de Trump, e não dos governos das outras nações atingidas, como é o caso do Brasil.

Os veículos elétricos são simples, eficientes, silenciosos e praticamente nada poluem. São o principal elemento da transição energética e de um outro mundo sem combustíveis fósseis. Serão uma das marcas fundamentais de nosso tempo.

É preciso acelerar o passo para a produção e uso destes veículos, seja para salvar o planeta, seja para não depender tanto do petróleo, ao qual cabe outros usos.

 

Fonte: Por Vicente Rauber, no Correio da Cidadania

 

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