Os
veículos elétricos poderiam ter anulado a crise do petróleo
Acredite:
os veículos elétricos são mais antigos (1830) que os veículos à combustão! Eram
veículos simples, econômicos, eficientes e silenciosos. Perderam a disputa
industrial e comercial para os veículos à gasolina e diesel, que iniciaram com
o alemão Karl Benz (1886), e tiveram um grande impulso quando o estadunidense
Henry Ford implantou a linha de produção (1908), que fez o consumo de petróleo
crescer intensamente até os dias atuais. O Petróleo passou a dominar o mundo e
esteve presente em todas as guerras.
Estes
veículos são muito ineficientes e a conta foi descarregada na natureza, que
perdeu o equilíbrio e promove desastres climáticos. Assim, os carros elétricos
foram chamados de volta, principal item da transição energética, que anda muito
lentamente.
O
grande chefe do neofascismo, o negacionista Trump, incentivador do petróleo e
das guerras, resolveu enfrentar o antigo inimigo, o Irã, e impor os cidadãos do
mundo e à natureza mais um grande retrocesso.
As
descobertas do petróleo, tanto nos EUA como no Oriente Médio iniciaram em torno
de 1850. O primeiro poço ocorreu em 1859 na Pensilvânia pelo Coronel Drake. Seu
uso inicial foi na iluminação substituindo o óleo de baleia. Também iniciou a
substituição da tração animal e a vapor, impulsionando a segunda revolução
industrial.
Tanto
nos EUA como no oriente médio, o consumo explodiu com os carros a combustão
produzidos em linhas de produção; mais do que meio de transporte, representavam
status e glamour.
Nos EUA
surgiram grandes empresas de petróleo como a Standard Oil de Rockefeller. No
Oriente Médio inicialmente as empresas inglesas foram dominantes.
Desde
então o petróleo passou a integrar fortemente a história universal,
influenciando diretamente a economia e a vida das pessoas. Esteve e está
presente diretamente ou indiretamente em todas as guerras.
O
petróleo passou a ser reconhecido e explorado desde 1850. Por hipótese, digamos
que tenhamos reservas até 2150. Teremos então, em 300 anos ou menos, queimado
recursos que a natureza levou mais de 120 milhões de anos para produzir. Não é
razoável! O petróleo não tem culpa de ser tão mal usado em estruturas
completamente ineficientes e poluidoras. Merece ter uma melhor e parcimoniosa
destinação.
Embora
a substituição dos combustíveis fósseis seja necessária à nossa própria
sobrevivência, o mundo baseado no petróleo não se mudará facilmente.[A
substituição dos combustíveis fósseis ocorrerá na medida que forem substituídos
por alternativas renováveis. Hoje, se não existissem estes derivados de
petróleo, o mundo simplesmente pararia.
Considerando
o mundo como um todo, os derivados de petróleo são os maiores geradores de
gases de efeito – GEEs -; no caso da geração de energia elétrica, o carvão
mineral gera a maior parte de GEEs. No Brasil, os derivados de petróleo
respondem por até dois terços dos GEEs nos municípios em que predominam as
atividades urbanas.
Temos
dois grandes problemas a enfrentar: a ultrapassada, ineficiente e poluidora
tecnologia da combustão e os combustíveis fósseis.
Os
motores a combustão requerem um grande número de engrenagens que produzem muito
calor, cujo rendimento é de somente em torno de 35%. Daí, produzem grandes
parcelas de CO² e uma parte de metano, entre os principais GEEs.
O uso
de GNV (gás natural veicular) e biometano, além dos biocombustíveis, podem
substituir gasolina e diesel, diminuindo muito a geração dos gases de efeito
estufa (GEEs), porém continuamos com a baixa eficiência dos motores a
combustão.
Os
veículos elétricos são constituídos somente pela carroceria, motor elétrico,
bateria elétrica e eletrônica embargada.
Tiveram
dois impulsos importantes: 1) A COP 3, de Kyoto (Japão), em 1997, que decidiu
pela redução da emissão de GEEs; 2) o forte desenvolvimento de baterias para
grandes potências
A
criação e o desenvolvimento do motor elétrico relacionam-se com o
desenvolvimento da energia elétrica. Em 1820 foi obtida a conversão da energia
elétrica em energia mecânica.
A nível
industrial, registramos a criação de um gerador de energia elétrica em CC
(corrente contínua) em 1860 por Werner Siemens. Já em 1889, Nicola Tesla
apresentou o motor a CA (corrente alternada).
O
armazenamento de energia elétrica inicia em 1800 com a pilha de Volt; em 1859,
com a bateria de Chumbo-Ácido surgiu a primeira bateria recarregável; em 1970
surge a primeira bateria íon-lítio, que consegue reter alta densidade de
energia, ou seja, armazenar altas potências.
A China
possui o monopólio da produção de baterias, detém 70% das terras raras e
beneficia 93% das mesmas, além de minerais estratégicos. O Brasil possui a
segunda maior reserva de terras raras, além de minérios estratégicos, porém,
faz pouca mineração e seu beneficiamento. Devemos, com parcerias, aumentar esta
produção e beneficiamento e tentar o quanto antes realizar a produção de
baterias para os veículos elétricos.
Estas
baterias tiveram uma grande evolução. Os primeiros carros elétricos tinham
baterias de 2.000kg, que permitiam aos veículos uma autonomia de 100km.
Atualmente,
baterias de 500kg conseguem desenvolver uma autonomia de até 500 km e podem ser
reusadas 4 vezes, após a sua vida útil. Seu ciclo de carga e recarga varia
entre 1600 e 4000 vezes.
Seu
preço, desde o início, já diminuiu 10 vezes. Podem ser substituídas por
baterias de sódio, ainda menos caras. Como ainda poderão ser substituídas por
células de hidrogênio, que transformam seu gás em eletricidade, alimentando os
motores elétricos.
É hora
dos veículos elétricos também baixarem de preço, justamente para alcançarem um
maior volume de vendas. Está na hora das autoridades públicas e setores
privados envolvidos providenciarem mais locais de recarga.
O
primeiro veículo elétrico data de 1800; estes passaram a ser fabricados em
volumes maiores a partir de 1828 e chegaram a representar 38% dos veículos nos
EUA. A partir de 1900, caíram em decadência diante dos motores movidos a
petróleo.
No
Brasil e na América Latina, o primeiro carro elétrico foi produzido por João
Gurgel, em 1974, em Porto Alegre. Chamava-se Gurgel Itaipu (E150) em homenagem
a construção de Itaipu.
Os
veículos elétricos são movidos a energia elétrica, a melhor de todas as
energias, mas que depende de outras energias primárias. Os motores elétricos
desenvolvem 95% de eficiência; os veículos elétricos sequer possuem cano de
descarga, simplesmente porque não há emissão de gases.
A
energia elétrica passou a ser gerada em grandes quantidades a partir da criação
de corrente elétrica alternada por Nikola Tesla. No Brasil produzimos energia
elétrica com 90% de recursos renováveis e temos condições de produzir muito
mais.
Em
2025, a venda mundial de veículos exclusivamente elétricos e híbridos alcançou
25% do total: é bastante, mas precisa avançar bem mais para não dependermos
mais do Estreito de Ormuz, onde passa 20% de todo petróleo produzido no mundo.
Caso a frota mundial de veículos já tivesse alcançado 20% do total, a Guerra
EUA/Israel x Irã não teria provocado uma crise mundial de preços com elevação
dos preços em geral.
A culpa
por esta crise é fundamentalmente de quem iniciou esta guerra, ou seja, de
Trump, e não dos governos das outras nações atingidas, como é o caso do Brasil.
Os
veículos elétricos são simples, eficientes, silenciosos e praticamente nada
poluem. São o principal elemento da transição energética e de um outro mundo
sem combustíveis fósseis. Serão uma das marcas fundamentais de nosso tempo.
É
preciso acelerar o passo para a produção e uso destes veículos, seja para
salvar o planeta, seja para não depender tanto do petróleo, ao qual cabe outros
usos.
Fonte:
Por Vicente Rauber, no Correio da Cidadania

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