Trump
diz que reunião foi produtiva e cita Lula como 'o dinâmico presidente
brasileiro'
Com
foco em temas como comércio, segurança pública e cooperação estratégica, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido pelo presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca nesta quinta-feira (7). A reunião
teve cerca de três horas de duração e incluiu um almoço.
Após o
encontro, o presidente norte-americano afirmou que a agenda foi "muito
produtiva" e que serão realizadas novas reuniões entre os países ao longo
dos próximos meses sobre pontos considerados estratégicos. Segundo Trump, o
encontro abordou diversos temas, com destaque para comércio bilateral e
tarifas.
"Acabei
de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico
presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e,
especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes devem
se reunir para discutir alguns elementos-chave. Reuniões adicionais serão
agendadas nos próximos meses, conforme necessário", declarou Trump nas redes
sociais.
Lula
foi recebido por Trump por volta das 11h21 e cumprimentado pelo
norte-americano assim que desceu do carro. A pedido do Brasil, a coletiva de
imprensa foi alterada para após o encontro entre os dirigentes, em uma mudança
de protocolo da Casa Branca, que costuma receber os repórteres antes das
agendas começarem. Porém, por conta de um compromisso do republicano, não houve
a tradicional conferência com os dois líderes.
Além de
Lula, integram comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores,
Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da
Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,
Márcio Elias Rosa; e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O
Planalto avalia que a reunião pode reduzir a influência de aliados do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca. Além disso, o encontro ocorre
em um momento em que Flávio cresce nas pesquisas e tenta
ampliar sua interlocução nos EUA por meio de seu irmão, o ex-deputado
federal Eduardo Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no
curso do processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado,
e Paulo Figueiredo.
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Tensões diplomáticas entre Brasil e EUA
Após se
reunir em duas ocasiões no ano passado e até apontar uma "química" —
ocasiões que culminaram na redução do tarifaço contra o Brasil e no fim de
sanções econômicas contra o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes —, Lula e Trump voltaram a
fazer das divergências a tônica das relações em 2026.
Neste
mês, Lula citou os embates do norte-americano com o papa Leão XIV,
contrário à guerra promovida por Washington contra o Irã. "O Trump não
precisava ficar ameaçando o mundo", afirmou à época.
Dias
depois, em meio à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a
mais de 16 anos de prisão no Brasil e considerado foragido, os Estados Unidos
determinaram a expulsão do delegado
brasileiro envolvido
na detenção, realizada pelas autoridades migratórias. O governo brasileiro
reagiu com a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração
norte-americano que atuava em Brasília.
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Trump diz que Lula é 'cara inteligente' após encontro
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Luiz Inácio Lula da
Silva é um "homem bom" e um "sujeito inteligente" depois
do encontro
entre os dois na Casa Branca na quinta-feira (7/5).
"Tivemos
uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Fazemos muito comércio e vamos
ampliar esse comércio. Falamos sobre tarifas. Falamos também que eles gostariam
de algum alívio nas tarifas. Mas foi uma reunião muito boa. Ele é um bom homem.
É um sujeito inteligente", disse Trump a repórteres em Washington.
Antes
desse comentário, Trump havia afirmado em uma publicação na rede Truth Social
que a reunião havia
sido "muito boa" e chamado Lula de
"dinâmico". O presidente brasileiro, por sua vez, disse ter saído
"muito satisfeito da reunião".
Lula
esteve reunido por cerca de três horas com Trump em sua primeira visita oficial
à Casa Branca durante a gestão trumpista. Os dois fariam uma declaração
conjunta à imprensa do Salão Oval após o encontro, mas a coletiva de imprensa
foi cancelada.
Ao
falar a jornalistas da embaixada do Brasil após o encontro, Lula disse ter
saído "muito satisfeito da reunião" e comentou
sobre as imagens do encontro, em que ele e o presidente americano
posam sorridentes.
"Eu
sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: 'Ria'. É
importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco", comentou
durante a coletiva de imprensa na embaixada.
Quando
perguntado se há risco de novas tarifas impostas pelos EUA, Lula respondeu:
"Olha para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista, ou
pessimista? Eu estou muito otimista", disse, mencionando a criação do
grupo de trabalho com prazo de 30 dias para uma solução para as tarifas que
restaram do tarifaço do ano passado.
Mas o
próprio presidente brasileiro reconheceu que os dois governos ainda divergem em
temas centrais, especialmente na área comercial.
"Ele
sempre acha que nós cobramos muito imposto", afirmou Lula ao comentar as
discussões sobre tarifas. "Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver
que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que
ceder."
Daniel
Bush, correspondente da BBC News em Washington, avalia que a decisão de
cancelar a aparição conjunta no Salão Oval foi significativa.
"Trump
costuma apreciar a oportunidade de se reunir com líderes estrangeiros na Casa
Branca e frequentemente transforma essas visitas em longas coletivas de
imprensa informais", diz o jornalista.
Neste
contexto, a decisão de evitar uma aparição conjunta com o presidente brasileiro
foi "reveladora", afirma.
Oliver
Stuenkel, professor associado de Relações Internacionais da Fundação Getulio
Vargas (FGV), em São Paulo, também avalia que a ausência de uma fala conjunta
após o encontro indica que "algumas divergências continuam sobre a
mesa".
Segundo
ele, caso houvesse acordo em temas centrais, os presidentes provavelmente
teriam feito uma declaração pública conjunta, ainda que isso não torne o saldo
da reunião negativo.
Em uma
publicação no X após a reunião com Trump, Lula afirmou que saiu da Casa Branca
com a ideia de que "demos um passo importante na consolidação da relação
democrática histórica que o Brasil tem com os EUA".
O
presidente brasileiro classificou o encontro como "muito importante"
e disse que não houve assunto proibido ou vetado.
"O
Brasil está preparado para discutir qualquer assunto com qualquer país do
mundo: tarifas, comércio exterior, minerais críticos, combate ao crime
organizado e ao tráfico de drogas e de armas", destacou, ponderando que a
única coisa que não abre mão é "da nossa democracia e da nossa
soberania".
Lula
finalizou a mensagem dizendo que os ministros continuarão as tratativas para
avançar nos temas abordados com os EUA durante o encontro.
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Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na
eleição, segundo analistas
Quando
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para
Donald Trump em
outubro do ano passado, o petista tentou quebrar o gelo fazendo uma brincadeira
com a idade deles.
Lula
estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará no próximo mês de
junho.
Na
época, o Brasil vivia sob as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre diversos
produtos brasileiros e aquela ligação era a primeira vez que eles conversavam
sobre o tema.
Segundo
uma fonte próxima ao governo afirmou à BBC News Brasil na época, Lula afirmou,
com um tom de "deixa disso", que eles não tinham "mais
idade" para provocações. E prometeu que visitaria Trump próximo ao 80º
aniversário do americano.
Faltando
um mês para Trump completar 80 anos, Lula estará na Casa Branca, para uma
reunião com o líder americano nesta quinta-feira (7/4).
O
encontro ocorre após o novo atrito entre os dois países causado pelo episódio
de prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.
A
situação levou o governo americano a expulsar um agente da Polícia Federal
brasileira que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos. Em resposta,
o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no
Brasil.
No pano de fundo estão também os ataques de Trump ao Pix, a possibilidade de
os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho
(CV) como organizações terroristas, os investimentos em minerais críticos e as tarifas
que ainda permaneceram do "tarifaço".
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Pano de fundo eleitoral
Para
Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), o encontro deve tangenciar a pauta das terras raras, o
acordo que o Brasil pode firmar com a China e o do Mercosul com a União
Europeia.
Já para
Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment e Harvard e professor da
Fundação Getúlio Vargas (FGV), a reunião dos chefes de Estado deve ser sem
tensionamentos e "com alguns avanços pontuais na redução de tarifas".
Mas
ambos concordam que a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano.
"A
direita tem um imaginário que vincula muito a política externa brasileira à
Venezuela, a governos progressistas, à esquerda. E essa estratégia de tentar se
desvincular disso é interessante, sobretudo se o encontro significar que existe
uma autonomia e soberania brasileira", afirma Bressan.
Em entrevista à repórter Mariana
Schreiber, da
BBC News Brasil em Brasília, na semana passada, o especialista em relações
internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International
University (EUA), afirmou algo na mesma linha.
"A
única forma pela qual Trump poderia reequilibrar esse lugar que os Estados
Unidos ocupam na conversa eleitoral é se ele tiver o encontro com o Lula e se
esse encontro for bom."
Segundo
Stuenkel, além da direita perder a narrativa de que seria mais alinhada a
Trump, Lula ainda teria a seu favor a cartada da diplomacia.
"Se
for uma reunião bem-sucedida, é claro que o Lula vai usar isso dizendo que
consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio [Bolsonaro] carece de uma
experiência diplomática."
Ainda
para ele, mesmo que a reunião seja ruim — o que ele não acredita que será —
isso não representará, necessariamente, uma má notícia para o petista.
"Se
for uma percepção que o Trump está querendo humilhar Lula, mas Lula demonstrar
uma postura firme, isso pode ser utilizado pela campanha do Lula também",
diz.
Já
Bressan pondera que "pensando em relação a essa estratégia de desvincular
a direita dos EUA, ela é interessante para mostrar o quanto o Brasil dialoga
com os EUA", diz. "Mas não salva nenhuma eleição".
Esta
será a segunda vez que o presidente brasileiro viaja aos Estados Unidos em seu
terceiro mandato, mas é a primeira vez que ele irá à Casa Branca. O primeiro
encontro entre Lula e Trump ocorreu brevemente durante a cúpula da ONU, em Nova
York, em setembro do ano passado.
"Tivemos uma química excelente", afirmou
Trump, na época, sobre o breve encontro, no auge das tarifas impostas pelos EUA
ao Brasil.
No fim
de outubro, eles se reuniram em Kuala Lumpur, na
Malásia.
O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª
Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A
suspensão das tarifas de Trump era o centro daquela primeira reunião. Mas os
dois presidentes trataram de outros temas também.
Segundo
o chanceler Mauro Vieira afirmou na época, Lula também se ofereceu para ser um
"interlocutor" entre EUA e Venezuela.
Naquele
momento, Trump pressionava o Caribe, atacando embarcações sob o pretexto
de que estavam carregadas com drogas, e ameaçava Nicolás Maduro.
"O
presidente Lula levantou o tema e disse que a América Latina e a América do
Sul, onde estamos, é uma região de paz. E ele se prontificou a ser um contato,
um interlocutor, como já foi no passado, com a Venezuela, para se buscar
soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países",
disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o encontro de
outubro.
Ainda
assim, a captura de Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia
Flores, na Venezuela, ocorreu cerca de dois meses depois, em 3 de janeiro. Eles
seguem nos EUA, onde enfrentam acusações de tráfico de drogas e outros crimes.
Lula e
Maduro estavam distanciados desde que o governo brasileiro não reconheceu
formalmente a mais recente reeleição do herdeiro de Hugo Chávez, vista por
atores da região e observadores como não legítima.
Assim
como a Venezuela, Cuba também está no alvo do presidente
americano, que vem pressionando o país por um acordo.
Após a
captura de Maduro, Trump interrompeu o fornecimento do
petróleo venezuelano
e ameaçou com novas tarifas países que oferecessem ajuda a Cuba.
Com
apagões sucessivos e escassez de alimentos e medicamentos, a ilha está à beira de um colapso.
Embora
o governo Trump não tenha declarado planos claros
para Cuba,
o presidente dos EUA já afirmou que uma intervenção militar era desnecessária
porque o país estava "prestes a cair".
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Diálogo ou 'armadilha'?
Embora
os dois encontros anteriores entre Lula e Trump tenham sido todos dentro dos
padrões usuais da diplomacia, o presidente americano ainda segue imprevisível —
duas reuniões de Trump com outros chefes de Estado no ano passado terminaram em
bate-boca.
Em
março, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi repreendido na frente na imprensa
mundial na
Casa Branca, depois que Trump e seu vice-presidente, JD Vance, exigiram que ele
mostrasse mais "gratidão" pelos anos de apoio dos EUA.
Zelensky
também foi acusado de estar "brincando com a Terceira Guerra Mundial"
ao não trabalhar mais por um cessar-fogo com a Rússia.
Ele
negou a afirmação e os americanos responderam que ele estava sendo
"desrespeitoso".
Dois
meses depois, Trump recebeu o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na Casa
Branca para uma agenda focada em comércio e cooperação tecnológica.
No
entanto, poucos minutos após o início da reunião, Trump fez acusações de que
estaria ocorrendo uma "limpeza étnica" contra brancos na África
do Sul.
O
presidente americano acusou o governo sul-africano de confiscar terras de
fazendeiros brancos, promulgar políticas discriminatórias contra brancos e
adotar uma política externa antiamericana.
Para
Oliver Stuenkel, embora os encontros com o presidente americano nunca sejam
"inteiramente previsíveis", o histórico de Lula e Trump é
"excelente".
"Nas
últimas vezes que se encontraram, eles tiveram reuniões muito produtivas e foi
possível conter os problemas e a crise na qual a relação bilateral se
encontrava na época", recorda.
"Acho
também que o fato de haver um tradutor simultâneo, essa tensão do debate
ríspido que vimos com Zelensky e o presidente da África do Sul fica um pouco
mais difícil de se repetir".
Em entrevista à BBC News Brasil na
semana passada,
Casarões lembrou desse episódio, quando começou a se cogitar uma visita de Lula
à Casa Branca, após o encontro na ONU, no ano passado.
"Muitos
especulavam que essa visita poderia ser uma pegadinha, uma armadilha para o
Lula, e que o Trump poderia dispensar ao presidente brasileiro o mesmo
tratamento que havia dispensado ao Zelensky, da Ucrânia, e ao Ramaphosa, da
África do Sul. Foram reuniões muito constrangedoras, uma humilhação pública
generalizada", afirmou ele.
Mas,
assim como Stuenkel, Casarões não acha que Lula será colocado na mesma
saia-justa, embora isso faça parte do cálculo.
"Da
parte do governo brasileiro, acho que isso também é parte do cálculo: 'a gente
quer uma foto com o Trump, essa foto seria valiosa, por exemplo, pra
neutralizar uma parte importante da narrativa da campanha do Flávio Bolsonaro,
segundo a qual, ele é o único político que tem uma boa relação com o presidente
americano'. Agora, tudo vai depender do clima que está rolando do lado de
lá."
Fonte: Sputnik
Brasil/BBC News Brasil

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