Pressão
sindical resulta em avanços no Planserv. Será?
Após
uma série de cobranças sindicais por melhorias no Planserv, articuladas pela
Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab) no âmbito do
movimento “O Planserv é Nosso”, o governo do estado anunciou, nesta terça-feira
(5), um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da assistência à saúde
dos servidores públicos. O anúncio foi feito durante reunião na Secretaria de
Relações Institucionais (Serin), pelo coordenador geral do Planserv, Luiz
Eduardo Perez.
Entre
as principais ações apresentadas estão a ampliação da rede credenciada, ajustes
operacionais no sistema de autorizações, revisão de fluxos para exames e
procedimentos e melhorias no atendimento aos beneficiários. As medidas buscam
reduzir filas, dar mais agilidade aos processos e ampliar o acesso aos serviços
de saúde.
Coordenador
geral da Fetrab, Reonei Menezes destacou que os avanços são resultado direto da
mobilização dos servidores. “Essas conquistas mostram que a organização
coletiva faz diferença. O movimento ‘O Planserv é Nosso’ tem pautado, com
responsabilidade, as principais demandas dos beneficiários”, afirmou.
Segundo
ele, a expectativa é de que as mudanças tragam impacto prático no dia a dia dos
usuários. “O que buscamos é um Planserv mais acessível, eficiente e digno para
quem depende dele. Esse anúncio representa um passo importante, mas seguimos
vigilantes para que as melhorias sejam efetivamente implementadas”, completou.
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Mobilização contínua
As
negociações ocorreram em meio a uma agenda de articulação institucional que
envolve entidades sindicais e representantes políticos. O movimento conta com o
apoio de lideranças como Claudemir Nonato Santana (Pig), da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB Bahia), da deputada estadual
Fabíola Mansur e do ex-deputado Bebeto Galvão, entre outras.
Para
Reonei Menezes, a participação desses atores fortalece o diálogo com o governo.
“Quando sindicatos, parlamentares e lideranças sociais se unem em torno de uma
pauta legítima, o resultado tende a aparecer. O Planserv é patrimônio dos
servidores e precisa ser tratado como prioridade”, disse.
A
reunião desta terça marca um novo momento nas discussões sobre o Planserv, que
assiste cerca de 500 mil beneficiários na Bahia. A expectativa agora é
acompanhar a execução das medidas anunciadas e garantir a continuidade do
processo de melhorias.
• Justiça considera reajuste ilegal e
manda suspender aumento de mensalidades do Planserv
A
Justiça da Bahia concedeu oito decisões liminares que determinam a suspensão do
aumento de mensalidades do Planserv, o plano de saúde dos servidores estaduais.
As determinações atendem aos pedidos de professores da Universidade Estadual de
Santa Cruz (Uesc), que tiveram reajuste de mais de 100%, em alguns casos.
O
CORREIO teve acesso às decisões proferidas pela 1º Vara de Fazenda Pública de
Ilhéus, na terça-feira (5). Em todos os casos, a Justiça aponta que há indícios
de ilegalidade no aumento, destacando a falta de transparência e o impacto
significativo no orçamento dos professores. Também determina aumento de até
6,06%.
Os
reajustes de mensalidades começaram a ser aplicados em janeiro deste ano e são
resultados da Lei Estadual nº 15.034, de 11 de dezembro de 2025, que alterou os
critérios de cálculo. Pela nova legislação, os servidores baianos devem pagar
para o Planserv o valor equivalente a 5,5% da remuneração bruta neste ano. Em
2027, haverá aumento para 6%.
A
cobrança antes da promulgação da lei era feita com base em faixas salariais e
existia um teto para a cobrança do plano, no valor de R$ 721. Sem o limite
máximo para os descontos, servidores enfrentam reajustes significativos. O
CORREIO publicou nos últimos meses que os aumentos de mensalidades superam 120%
para alguns beneficiários, o que tem provocado revolta, ações judiciais e
denúncias ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA).
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Disputa
Um dos
professores estaduais teve a mensalidade reajustada em aproximadamente 123%. O
valor saiu de R$ 1,352,89, em dezembro do ano passado, para R$ 3.021,62 neste
ano. A Justiça determinou que o Estado volte a cobrar com base nos valores
anteriores, aplicando apenas o reajuste de 6,06%. O percentual corresponde ao
aumento sugerido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para planos
de saúde no mesmo período.
A
Justiça ponderou que o funcionamento do Planserv é diferente dos planos de
saúde regulados pela ANS, mas manteve o percentual. "Embora os planos de
saúde na modalidade de autogestão, como o Planserv, não se submetam
estritamente aos tetos de reajuste fixados pela ANS para planos individuais,
isso não confere à administração pública um poder ilimitado para promover
aumentos", destacou o juiz Alex Venícius Campos Miranda.
"Um
aumento abrupto e excessivo na contribuição de um plano de saúde fornecido pelo
próprio Estado a seus servidores pode, na prática, dificultar ou até
inviabilizar o acesso a esse
direito
, o que
confere plausibilidade à tese de violação aos princípios constitucionais
invocados", acrescentou o juiz.
A
reportagem entrou em contato com o Planserv e a Procuradoria Geral do Estado
(PGE) e aguarda retorno sobre as decisões judiciais favoráveis aos servidores.
Em abril, o governo estadual oficializou a criação de uma nova unidade
administrativa para centralizar a representação judicial do Estado em matérias
relativas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Planserv.
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Movimento coletivo
As
ações na Justiça contra o reajuste que tiveram decisões favoráveis aos
professores foram movidas pela Associação de Docentes da Uesc (Adusc). Uma
outra decisão liminar, também movida pela entidade, suspendeu a cobrança da
parcela de risco aplicada a mais quatro docentes. A taxa extra é cobrada aos
servidores que aderem ao Planserv após cinco anos da entrada no serviço público
estadual e também vem sendo alvo de denúncias, como mostrou o CORREIO.
“Essas
vitórias demonstram que a luta coletiva e a atuação jurídica do sindicato têm
sido fundamentais para garantir os direitos da
categoria
.
Seguiremos acompanhando cada caso e oferecendo suporte aos professores e
professoras”, destacou o presidente da ADUSC, Marcelo Lins. A entidade ressalta
que permanece com chamado aberto para atender outros docentes interessados em
ingressar com ações judiciais.
Fonte:
Carla Santana – assessora de imprensa/Correio

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