sexta-feira, 8 de maio de 2026

Casos de doenças intestinais crônicas avançam e acendem alerta no Maio Roxo

Dor abdominal recorrente, diarreia persistente e perda de peso sem causa aparente podem indicar doenças inflamatórias intestinais, grupo de condições crônicas que têm avançado no Brasil e no mundo. No Maio Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre o tema, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações e garantir qualidade de vida.

As chamadas Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) incluem principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite ulcerativa, mas também englobam outras formas menos frequentes, como colite microscópica, colite isquêmica e colangite esclerosante associada. Apesar de não terem cura, essas doenças podem ser controladas com tratamento adequado.

No Brasil, as DIIs têm apresentado crescimento consistente nos últimos anos. Dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia indicam que a prevalência dessas doenças aumentou cerca de 15% ao ano na última década, alcançando aproximadamente 100 casos por 100 mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2024, o país registrou mais de 23 mil internações por inflamações intestinais, um crescimento de 61% em comparação com 2015.

<><> Crescimento silencioso

Segundo o coloproctologista do Hospital Mater Dei Salvador, Ramon Mendes, o aumento dos casos está ligado a mudanças no estilo de vida e à maior capacidade diagnóstica. “Estamos vendo um crescimento progressivo dessas doenças, especialmente em países em desenvolvimento. Alimentação industrializada, estresse e fatores ambientais parecem influenciar esse cenário”, explica.

O especialista alerta que o diagnóstico ainda costuma ser tardio. “Muitos pacientes passam anos tratando como se fosse apenas um problema intestinal comum. Quando chegam ao especialista, já apresentam inflamação avançada ou complicações”, afirma. “Esses pacientes muitas vezes precisam de acompanhamento multidisciplinar e acesso a exames de maior complexidade, disponíveis em centros estruturados como o Mater Dei”, acrescenta.

<><> Sintomas e impacto

As DIIs costumam se manifestar com sintomas que podem confundir o paciente, como dor abdominal, diarreia crônica, presença de sangue nas fezes, fadiga e perda de peso. Em muitos casos, também há manifestações fora do intestino, como dores articulares e alterações de pele.

Além do impacto físico, a doença pode afetar a rotina, o trabalho e a vida social. Isso porque as crises são imprevisíveis e exigem acompanhamento contínuo. “Não é apenas uma questão digestiva. É uma doença sistêmica, que pode comprometer vários aspectos da vida do paciente”, ressalta Ramon Mendes.

<><> Tratamento e controle

Embora não haja cura, o tratamento permite controle eficaz da doença. Medicamentos imunossupressores, terapias biológicas e, em alguns casos, cirurgia fazem parte das estratégias terapêuticas.

“O principal objetivo é controlar a inflamação, evitar crises e preservar a qualidade de vida. Quando diagnosticamos cedo, conseguimos resultados muito melhores”, destaca o especialista.

<><> Conscientização salva

A campanha Maio Roxo busca justamente ampliar o conhecimento sobre essas doenças e reduzir o tempo até o diagnóstico. Isso é fundamental porque muitos pacientes ainda convivem com sintomas por longos períodos sem procurar avaliação especializada.

“Quanto mais cedo identificamos a doença, menor o risco de complicações, internações e cirurgias. Informação é essencial nesse processo”, conclui Ramon Mendes.

Com o avanço dos casos e o impacto crescente na população jovem, especialmente entre 15 e 40 anos, especialistas reforçam que atenção aos sinais do corpo pode ser determinante para mudar o curso da doença e garantir uma vida ativa, mesmo diante de um diagnóstico crônico.

•        Técnica pioneira de destruição de tumores de pulmão por congelação está disponível na Bahia

Uma idosa de 81 anos, em tratamento de câncer primário de pulmão, foi submetida em Salvador a um procedimento inovador que destrói as células tumorais por meio da congelação. A intervenção, considerada pioneira na região, utilizou um dispositivo de crioablação com tecnologia à base de nitrogênio líquido, permitindo alta hospitalar em menos de 24 horas.

A paciente já havia passado por cirurgia e radioterapia, seguindo-se de duas biópsias para confirmar que o tumor havia voltado e apresentava necessidade de nova terapêutica. Diante do histórico clínico e das limitações das abordagens convencionais que já haviam sido realizadas, a equipe médica optou pela crioablação como alternativa menos invasiva e com potencial de melhor preservar os tecidos saudáveis.

O procedimento foi conduzido pelo médico radiologista intervencionista Maurício Ruettimann Liberato, coordenador do Centro de Intervenção Guiada por Imagem do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS). A tecnologia israelense, recentemente introduzida no Brasil, foi vista “in loco” pelo doutor Maurício em 2023.

<><> Tecnologia de precisão

A técnica utiliza temperaturas extremamente baixas para destruir o tumor de forma localizada, com auxílio de imagens em tempo real que orientam a aplicação de um probe (espécie de agulha) diretamente inserido no tumor a ser tratado, sem a necessidade de cortes ou cirurgias abertas.

Segundo o especialista do HMDS, a escolha do método considerou a condição clínica da paciente e o histórico de tratamentos prévios. “A crioablação permite tratar lesões com alta precisão, reduzindo danos aos tecidos ao redor e oferecendo uma recuperação mais rápida, especialmente em pacientes que já passaram por múltiplas terapias”, explica.

Indicada em inúmeros cenários oncológicos – como tumores primários ou metástases pulmonares, tumores renais, tumores de partes moles, dentre outras aplicações - a abordagem tem se consolidado como terapia primária, de resgate ou alternativa para casos complexos, sobretudo quando tratamentos convencionais apresentam limitações. “Em situações como essa, buscamos estratégias que aliem eficácia e segurança, ampliando as possibilidades dentro da Oncologia Intervencionista”, acrescenta Maurício Liberato.

<><> Recuperação rápida

Após o procedimento, a paciente foi encaminhada diretamente ao quarto, sem necessidade de terapia intensiva, e recebeu alta no dia seguinte, sem intercorrências ou dor. O desfecho reforça o potencial da técnica em reduzir o tempo de internação e favorecer a recuperação mais ágil.

A crioablação tem avançado no mundo, sendo adotada em centros especializados que tratam pacientes com câncer. No Brasil, a sua incorporação ainda é relativamente recente, especialmente fora dos grandes polos.

“A combinação de estrutura hospitalar adequada, equipe multidisciplinar e tecnologia de ponta é determinante para o sucesso de casos complexos”, conclui o especialista.

 

Fonte: Por Carla Santana – assessora de imprensa

 

Nenhum comentário: