terça-feira, 12 de maio de 2026

Adilson Roberto Gonçalves: Verdadeiros corruptos, pretensos líderes

Vejam só, quem diria: Ciro Nogueira alvo de operação da Polícia Federal, mais um político da direita envolvido no caso do Banco Master. Mas não é a esquerda a corrupta? O centrão está devidamente caracterizado, agora. Falta a delação de Daniel Vorcaro trazer algo de novo para que a parte podre da República seja definitivamente removida.

Mas a corrupção não se limita às evidências financeiras. Acabamos de ver a manobra para incluir Eduardo Bolsonaro na chapa ao Senado, que é apenas mais uma dentre tantas. A pergunta é: há alguma ação da familícia Bolsonaro, de seu partido PL e de seus asseclas que não sejam falcatruas? A posição explícita e manifesta desse grupo é para a defesa de interesses pessoais e submissão do país a interesses outros que não os nossos. E ainda há os que entendem ser opção válida para as eleições deste ano. O Estadão, por exemplo, que até denunciou o caso como “candidato laranja” em editorial recente, não aceita publicar o termo famílicia para designar o clã, mantendo o inocente – e incoerente – termo família. E abre todos os ataques contra a frente progressista, liderada por Lula, ainda sonhando em encontrar seu pretenso líder de direita.

Porém, essa política de extrema direita vai acumulando tropeços que parecem não atingir, ainda, as intenções de voto. E por ali vão passando balões de ensaio, alguns sérios pretendentes a cargos. Desta forma, no que pese a subversão da gramática no título (“Me engana que eu gosto”), Eliane Cantanhêde publicou artigo no mesmo Estadão para falar de vários pretensos líderes políticos que já sucumbiram, como Ibaneis Rocha, Wilson Witzel e Romeu Zema, tratando-os como outsiders, mas que, na verdade, são oportunistas da política, que não construíram suas carreiras em bases sociais ou representativas. Adicionaria a esses fracassados João Dória que, apesar da carreira meteórica, sucumbiu ao próprio ego, levando consigo o PSDB que tenta a ressurreição agora. Talvez aí os jornalões encontrem seu candidato dos sonhos, antes que a corrupção dele (quem quer que seja) se revele.

•        Mar de lama em torno de Ciro Nogueira preocupa aliados de Flávio Bolsonaro

A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) provocou forte desgaste político no entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliou as tensões na articulação da direita para as eleições presidenciais de 2026. As informações foram publicadas originalmente pelo jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna no portal Metrópoles.

O episódio ocorre poucos dias após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), movimento que havia sido comemorado por setores da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Noblat, o novo escândalo alterou rapidamente o ambiente político em Brasília e colocou o bolsonarismo na defensiva.

Enquanto isso, Lula esteve nos Estados Unidos para um encontro com o presidente Donald Trump, que, segundo relatos, teve duração muito maior do que o inicialmente previsto. O presidente brasileiro comentou o resultado da reunião em tom descontraído:“Olhem para minha cara. Pareço feliz ou não?”

A declaração foi dada após a reunião na Casa Branca, que durou quase três horas.

No mesmo período, a Polícia Federal avançou sobre suspeitas envolvendo Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e apontado como possível candidato a vice-presidente em uma eventual chapa liderada por Flávio Bolsonaro em 2026.

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo em 14 de junho do ano passado, Flávio havia elogiado publicamente o senador piauiense:

“Em relação à vice, quem eu acho que tem todas as credenciais para ser é o Ciro. Mas essa é uma decisão que se toma muito mais na frente. O perfil do Ciro é um bom perfil. É nordestino, é de um partido bem forte, tem ali a lealdade que ele sempre teve ao presidente Bolsonaro durante o ministério dele. Então, sem dúvida alguma, é o nome que está colocado.”

Após a divulgação das investigações, no entanto, o tom mudou. Em nota oficial divulgada nesta semana, Flávio Bolsonaro adotou postura cautelosa e evitou defender diretamente o aliado:

“O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. […] Esperamos por uma ampla apuração.”

A investigação da Polícia Federal apura supostas vantagens recebidas por Ciro Nogueira do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo os investigadores, os benefícios ultrapassariam uma relação de amizade pessoal.

Entre os itens citados pela PF estão pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, custeio de viagens em jatinhos particulares, hospedagens em hotéis de luxo, disponibilização de cartões de crédito para despesas pessoais e uso gratuito de imóvel de alto padrão pertencente ao empresário.

A investigação também aponta que Ciro Nogueira, familiares e sua ex-esposa teriam adquirido participação de 30% em uma empresa ligada a Vorcaro por valor muito inferior ao estimado de mercado.

Em contrapartida, a PF sustenta que o senador teria atuado politicamente em favor de interesses do Banco Master. O principal ponto citado é a apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por depositante.

De acordo com os investigadores, o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do banco e entregue diretamente na residência do senador.

O avanço das apurações já provoca efeitos políticos imediatos. Um ato previsto para a próxima segunda-feira (11), no qual o PP formalizaria apoio à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ser adiado.

Nos bastidores, aliados que antes exaltavam a influência política de Ciro Nogueira agora tentam se afastar do desgaste provocado pela investigação.

Durante agenda nos Estados Unidos, Lula comentou o caso de forma breve: “Espero que todos sejam inocentes.”

•        Globo cobra do Senado a cassação de Ciro Nogueira

O jornal O Globo publicou um duro editorial defendendo que o Senado Federal aja diante das provas reunidas pela Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. Segundo o texto, as evidências obtidas na investigação sobre a relação do parlamentar com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornam a cassação “o desfecho provável”.

No editorial, o jornal afirma que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado “não pode fechar os olhos às evidências” e sustenta que, embora Ciro tenha direito à ampla defesa, o Parlamento tem obrigação de preservar o decoro institucional. “Paralisia ou corporativismo podem ser fatais e comprometer todo o Parlamento com o escândalo”, afirma o texto.

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A publicação ressalta que Ciro Nogueira declarou não renunciar ao mandato e classificou a operação da PF como uma “tentativa de manchar sua honra”. Ainda assim, o editorial sustenta que a gravidade dos fatos já justificaria seu afastamento temporário do cargo enquanto se defende na Justiça e no Senado.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Ciro teria mantido uma relação próxima e financeiramente vantajosa com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição financeira que acabou liquidada pelo Banco Central após adotar estratégias consideradas de alto risco.

As apurações indicam que o senador teria recebido pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil, depois elevados para R$ 500 mil. A PF também aponta que o parlamentar usufruiu de viagens pagas, hospedagens em hotéis de luxo em Nova York, cartões de crédito, imóveis de alto padrão e operações financeiras sem lógica econômica aparente.

De acordo com o editorial, um dos elementos mais graves da investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024 à proposta de autonomia do Banco Central. O texto ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo utilizado como atrativo para os papéis vendidos pelo Banco Master.

As investigações revelaram que a proposta da emenda teria sido redigida pelo próprio banco. Em mensagens obtidas pela PF, Daniel Vorcaro afirmou: “Saiu exatamente como mandei”.

O editorial também menciona outro episódio envolvendo aliados do senador. Em setembro de 2025, deputados próximos a Ciro assinaram requerimento de urgência para um projeto que permitiria ao Congresso exonerar diretores do Banco Central. Naquele momento, o BC resistia a pressões para aprovar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação cercada de suspeitas.

A Polícia Federal identificou ainda mensagens trocadas entre Felipe Vorcaro, primo e operador do banqueiro, tratando da manutenção dos pagamentos mensais da chamada “parceria brgd-cnfl”. Segundo os investigadores, a empresa BRGD tem como diretor o pai de Felipe Vorcaro, enquanto a CNFL Empreendimentos Imobiliários possui como sócio Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira.

Para O Globo, os fatos apontam para uma possível “troca de dinheiro por atuação legislativa”, caracterizada no editorial como uma “modalidade clássica de corrupção”.

O jornal afirma que caberá à Polícia Federal decidir pelo eventual indiciamento de Ciro e à Procuradoria-Geral da República avaliar se apresentará denúncia formal contra o senador. No entanto, sustenta que as evidências já conhecidas são suficientemente graves para exigir reação imediata do Senado.

“É imperativo conceder a Ciro amplo direito à defesa — na Justiça e no Conselho”, afirma o editorial. “Mas o Parlamento tem o dever de agir em nome da preservação do decoro.”

•        ‘Ciro Nogueira não era só um braço do Master no Legislativo, ele tinha poder na gestão de Bolsonaro’, diz Roberto Tardelli

O jurista Roberto Tardelli demonstrou apoio nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, às investigações contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o escândalo do Banco Master. De acordo com o analista, o parlamentar era um “braço do Master não apenas no Legislativo”, mas tinha “todo o poder” quando era ministro do governo Jair Bolsonaro. Ciro foi responsável pelo Ministério da Casa Civil (agosto de 2021-dezembro de 2022).

“Uma promiscuidade”, continuou Tardelli sobre as relações entre o senador e a instituição bancária que tinha como presidente o empresário Daniel Vorcaro, detido e em negociação de delação premiada atualmente. “O Banco Master cresceu à sombra dessas figuras da República”, disse o jurista à TV 247.

Os investigadores ainda apuram se o parlamentar utilizou o mandato no Senado para atender interesses ligados ao Banco Master. Nesse contexto, a Polícia Federal analisa projetos e propostas legislativas apresentados por Ciro Nogueira que, conforme a investigação, poderiam favorecer diretamente a instituição financeira comandada por Vorcaro.

Entre os principais pontos examinados está a emenda nº 11, protocolada pelo senador em agosto de 2024 no âmbito da PEC nº 65/2023. A proposta previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), aumentando o limite de proteção de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Ainda na entrevista, Tardelli criticou o presidente do Senado Davi Alcolumbre, depois que senadores rejeitaram o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal.

Conforme o jurista, o chefe da AGU “foi rejeitado por mera arbitrariedade”. “Alcolumbre armou uma arapuca para o governo. Ele faltou com decoro. Alcolumbre descumpriu a Constituição Federal. Ele se mostra descomprometido com a ordem constitucional para atender a interesses próprios”.

<><> Investigações

Por meio da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As investigações também apontam possíveis vantagens adicionais, como viagens internacionais, hospedagens, uso de aeronaves particulares e acesso a imóveis de alto padrão. As suspeitas aparecem em representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator responsável por autorizar a quinta etapa da Operação Compliance Zero.

Em publicação nas redes sociais na última quinta-feira (8), o senador Ciro Nogueira comentou as investigações conduzidas pela Polícia Federal e afirmou que há uma tentativa de atingir sua reputação. “Quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse? Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim”, escreveu.

Na mesma mensagem, o parlamentar também declarou que seguirá atuando em defesa do Piauí e agradeceu o apoio recebido. “Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons. Obrigado pelas manifestações de apoio e carinho comigo e com a minha família. Que Deus continue abençoando o Piauí e o Brasil. Vamos com tudo!”.

 

Fonte: Brasil 247

 

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