Os
efeitos no corpo de passar muitas horas sentado e como combatê-los
Durante
décadas, uma das mensagens de saúde pública mais difundidas foi a de que fumar
mata. Mas outro hábito cotidiano, muito menos dramático e muito mais aceito
socialmente, também pode estar prejudicando nossa saúde: ficar sentado por
longos períodos.
Muitas
pessoas passam até dez horas por dia sentadas diante da mesa de trabalho, em
reuniões ou em frente a telas.
Pode
parecer inofensivo — e até inevitável —, mas há cada vez mais evidências
sugerindo que passar tempo demais sentado está associado a graves riscos à
saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e morte prematura.
Frequentemente,
recomenda-se que as pessoas protejam sua saúde praticando mais exercícios e
melhorando a alimentação. Esse conselho é importante, mas deixa de lado algo
fundamental.
Mesmo
quem cumpre as metas recomendadas de atividade física pode enfrentar riscos à
saúde se passar a maior parte do dia sentado.
Isso
acontece porque sedentarismo e inatividade física não são a mesma coisa.
A
inatividade física significa não praticar exercícios moderados ou intensos em
quantidade suficiente. As diretrizes de saúde pública recomendam pelo menos 150
minutos de atividade moderada por semana, como caminhada em ritmo acelerado ou
ciclismo, ou 75 minutos de atividade intensa, como corrida.
Já o
sedentarismo se refere a longos períodos sentado ou deitado, com gasto
energético muito baixo — seja diante de uma mesa de trabalho, da televisão ou
durante um longo trajeto até o trabalho.
Assim,
uma pessoa pode ser fisicamente ativa e, ainda assim, ter uma rotina muito
sedentária.
Alguém
pode sair para correr antes do trabalho e depois permanecer sentado durante a
maior parte das oito horas seguintes.
A
prática de exercícios ajuda, mas não elimina os efeitos de ficar sentado por
muito tempo no organismo.
Quando
o corpo permanece imóvel durante longos períodos, uma série de mudanças
acontece.
A
atividade dos músculos esqueléticos diminui, o que dificulta a absorção da
glicose presente no sangue. Com o tempo, isso contribui para a resistência à
insulina, um dos principais caminhos para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.
O
metabolismo das gorduras também fica mais lento.
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Problemas cardiometabólicos
O fluxo
sanguíneo se torna menos eficiente, reduzindo o fornecimento de oxigênio e
nutrientes aos tecidos. Isso pode afetar a função vascular e, com o tempo,
contribuir para o aumento da pressão arterial.
Em
conjunto, essas alterações metabólicas e circulatórias elevam o risco de
problemas cardiometabólicos, como níveis altos de açúcar no sangue, colesterol
em níveis pouco saudáveis e acúmulo de gordura abdominal.
Ficar
sentado por muito tempo também afeta o sistema musculoesquelético.
A má
postura e a falta de movimento sobrecarregam o pescoço, os ombros e a região
lombar, o que ajuda a explicar as dores e desconfortos tão comuns entre
trabalhadores de escritório.
Os
efeitos não são apenas físicos.
Longos
períodos de inatividade podem reduzir o estado de alerta, a concentração e os
níveis de energia.
Funcionários
que permanecem sentados por períodos prolongados frequentemente se sentem mais
lentos e menos produtivos.
Em
nível global, estima-se que a inatividade física contribua para entre quatro e
cinco milhões de mortes por ano. Grande parte da resposta da saúde pública tem
se concentrado em incentivar as pessoas a praticar mais exercícios, mas reduzir
o tempo em comportamento sedentário é cada vez mais reconhecido como um
objetivo importante por si só.
Como a
maioria dos adultos passa grande parte das horas em que está acordada no
trabalho, o ambiente profissional é um dos contextos mais importantes para
enfrentar esse problema. Escritórios, universidades e hospitais não são apenas
locais de produtividade — também são espaços onde hábitos cotidianos são
formados e reforçados.
Reduzir
o tempo que passamos sentados não exige ir à academia nem fazer uma grande
reforma no escritório. Pequenas interrupções regulares podem fazer uma grande
diferença.
Pesquisas
sugerem que levantar-se ou se movimentar por apenas dois a cinco minutos a cada
30 a 60 minutos pode melhorar o metabolismo da glicose e reduzir o risco
cardiometabólico.
Algumas
organizações já estão tentando incorporar isso à jornada de trabalho.
Reuniões
em movimento, lembretes para levantar ou se alongar e pequenas pausas entre
tarefas para se mexer podem ajudar as pessoas a passar menos tempo sentadas.
O
desenho do ambiente de trabalho também é importante. Mesas com altura regulável
permitem que os funcionários alternem entre ficar sentados e em pé, enquanto
escadas e trajetos acessíveis podem estimular mais atividade física ao longo do
dia.
Um
estudo realizado em escritórios do Reino Unido revelou que esse tipo de medida
pode reduzir o tempo diário passado sentado entre uma hora e uma hora e meia.
Os
funcionários também relataram melhora nos níveis de energia, na concentração e
no bem-estar musculoesquelético.
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Pequenas mudanças
A
mensagem é clara: praticar exercícios regularmente é essencial, mas isso não
compensa totalmente os riscos de permanecer sentado por tempo demais.
Se o
cigarro nos obrigou a repensar os ambientes em que trabalhamos e socializamos,
passar longos períodos sentados também deveria nos levar a repensar a estrutura
da jornada de trabalho.
Uma
breve caminhada na hora do almoço, ficar em pé durante uma ligação telefônica
ou simplesmente levantar-se entre reuniões podem parecer mudanças
insignificantes.
Mas não
são.
Para os
trabalhadores modernos, proteger a saúde não significa apenas se movimentar
mais antes ou depois do trabalho, mas também passar menos tempo sentado
enquanto trabalham.
Fonte:
Por Samina Akhtar, para The Conversation

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