Bandidos
de farda: General Léo Etchegoyen, pai de ex-ministro de Temer, vigiou
presidente Lula na ditadura
Desde
que embarcou em São Paulo, dia 14 de janeiro de 1981, para uma viagem de um mês
à Europa e aos Estados Unidos, o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva
teve os passos monitorados pelos órgãos de informações do Exército. Um
documento produzido pelo general de brigada, Leo Etchegoyen, da 2ª Seção
(Informações) do II Exército (São Paulo), chamado “Relatório Periódico de
Informações”, de número 09/80, incluí a jornada de Lula ao exterior nos eventos
promovidos pelos movimentos sindical e estudantil e pela Igreja, naquele ano,
destinados a fragilizar o regime. Para os militares, a escalada destas ações
mostrava que os inimigos do golpe de 64 eram tratados, no início dos anos 1980,
como heróis e que continuavam “a agir, com maior intensidade ainda, no sentido
de criar no Estado e no país um “clima revolucionário” que conduza a uma
revolução marxista”.
Em um
mês de viagens, Lula visitou 12 cidades de nove países, sendo recebido por
dirigentes sindicais e líderes de partidos políticos. O objetivo foi buscar a
solidariedade internacional à campanha contra a perseguição imposta pela
ditadura militar, que prendeu e enquadrou Lula e outros dez sindicalistas do
ABC paulista na Lei de Segurança Nacional (LSN). Acusados de liderar uma
paralisação de metalúrgicos paulistas, no ano anterior, por reajuste salarial e
estabilidade no emprego, os 11 réus acabaram condenados pela Justiça Militar,
em fevereiro de 1981, a uma pena de três anos e meio de prisão. Entre 1980 e
1981, Lula foi alvo de alguns relatórios produzidos pelo general Leo
Etchegoyen. O ICL Notícias mapeou ao menos 36 menções ao atual
presidente da República que evidenciam como ele era vigiado de perto durante
sua atuação no movimento sindical.
Esses
documentos integram o conjunto de documentos do coronel Cyro Etchegoyen que
estão sendo publicados desde o domingo 27 de abril no projeto “Bandidos de
farda”, do ICL Notícias, produzido nos últimos sete meses com uma
série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O
projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo
mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos
públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que
foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um
outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá
sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao
Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado por seu filho e ex-presidente da
Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da
Ação Popular (AP) e está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974. Uma
segunda parte foi entregue, pela mesma fonte, em fevereiro deste ano à
jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.
Nesses
relatórios, embora estejam registrados em detalhes palestras e uma viagem de
Lula, entre outras ações das forças democráticas, o que mais impressiona é o
tom de revolta por uma suposta virada do jogo político. Anos depois da derrota
das organizações da esquerda armada, com mais de 400 mortos e desaparecidos, o
documento lamenta que os adversários do golpe controlem parte da imprensa, dos
meios culturais e artísticos e das cátedras universitárias “com o propósito
definitivo de destruir a família, trazer o descrédito à verdadeira igreja,
desmoralizar e desestabilizar o governo”, favorecidos pela flexibilização da
censura, “o que permitiu à propaganda adversa atingir níveis somente
comparáveis aos idos de 62/63”.
O ponto
alto da peregrinação de Lula foi a visita ao papa João Paulo II, em Roma, fato
considerado incomum pelo cuidado do Vaticano em evitar conflitos com governos.
Mas o relatório registra ainda encontros com o então líder sindicalista polonês
Lech Walesa, com o escritor argentino Adolfo Pérez Esquivel, com o socialista
francês François Mitterrand, que seria eleito presidente da República ainda
naquele ano, pelo presidente do Partido Social Democrata alemão, Willy Brandt,
e pelo senador americano Edward Kennedy. De acordo com o relatório, em todos os
lugares por onde passou, Lula se apresentou à opinião pública internacional
como “vítima do arbítrio do governo brasileiro”.
Pelos
interlocutores de Lula e pelas promessas recebidas pelo sindicalista
brasileiro, o documento do Exército reconhece o prestígio exibido pelo
adversário que emergia do ABC paulista. Na passagem pela França, por exemplo,
Lula disputou as atenções com o próprio presidente brasileiro, João Figueiredo,
que se encontrava em visita oficial ao país na mesma data. “A imprensa destacou
que essa ‘coincidência’ serviu para neutralizar a repercussão da visita
presidencial”, atesta o relatório, claramente incomodado com o programa
paralelo de Lula junto aos franceses.
O
relatório, com um total de 67 páginas, é assinado pelo chefe do Estado-Maior do
II Exército, general Léo Etchegoyen, irmão do coronel Cyro. Ele deixa clara a
apreensão do meio militar pela repercussão da viagem: “Os líderes sindicais
norte-americanos prometeram total solidariedade, bem como enviar um observador
para o julgamento de Lula”, alerta. Em caso de condenação, prossegue
Etchegoyen, os dirigentes prometeram “desencadear uma ação retaliatória contra
as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que consideram nociva à
produção interna americana”.
O
relatório também cita outros adversários considerados importantes, como o
arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, o educador Paulo Freire, classificado de
subversivo, e o dirigente comunista Luís Carlos Prestes. Mas Lula é o centro
das preocupações. Desde o ano anterior, o sindicalista tirava o sono do então
comandante do II Exército, general Milton Tavares de Souza. Chamado na tropa de
Miltinho, o oficial foi um dos responsáveis pelas atrocidades praticadas nos
anos de chumbo do regime (1968-73), na condição de chefe do CIE (Centro de
Informações do Exército). Está na sua conta, por exemplo, a criação da Casa da
Morte de Petrópolis, aparelho clandestino de tortura, morte e desaparecimento
de presos políticos na região serrana fluminense. Ele era chefe do coronel Cyro
Etchegoyen, irmão do general Leo.
Foi de
Miltinho que partiu a ordem para a primeira prisão de Lula. Na manhã do dia 19
de abril de 1980, 19º dia de paralisação dos metalúrgicos do ABC, dois
camburões, com oito agentes armados, estacionaram em frente à casa de Lula. Ao
mesmo tempo, a PM tomou o estádio de Vila Euclides, palco de assembleias
históricas em São Bernardo, proibindo atos públicos no local. Foi proibido
também um show de Chico Buarque e outros artistas em apoio à greve, marcado
para o fim daquela semana. Lula e os demais presos ficaram incomunicáveis por
oito dias numa cela do Dops, em São Paulo.
Promovido
a general-de-exército em 1979, Miltinho assumiu em agosto o comando do II
Exército, sem esconder a insatisfação com a abertura e a Lei da Anistia,
decretada naquele mesmo mês. Tinha a preocupação de “impedir a ação do
movimento comunista internacional no Brasil”, como declarou em discurso
pronunciado no dia 2 de outubro de 1979 em Caçapava (SP). O general acusava
Lula de ser “assessorado por comunistas” e advertiu que “liberdade não é
licenciosidade e não será com luta de classes, reivindicação descabida e
individualismo que construiremos nosso País”.
Lula
amargou 41 dias de prisão até ser solto pela Justiça Militar no dia 20 de maio.
Nove dias antes, desgastados pela repressão e a intransigência dos patrões, os
metalúrgicos suspenderam a greve. Miltinho provavelmente comemorou mais uma
vitória contra o comunismo. Ou achava que tinha vencido. No dia 16 de abril de
1982, o Supremo Tribunal Militar (STM) anulou todo o processo contra Luiz
Inácio da Silva e outros dez dirigentes sindicais. Em 2002, Lula foi eleito
presidente do Brasil.
Em
2014, o coronel Cyro e o general Leo Etchegoyen foram incluídos na lista de 377
torturadores formulada para o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
Na ocasião, o general Sergio Etchegoyen, um dos filhos do general Leo, já
morto, repudiou publicamente a inclusão do nome do pai.
Em
resposta, a Comissão Nacional da Verdade, esclareceu os motivos pelos quais
incluiu o nome do general Leo na lista dos 377 militares responsáveis por
graves violações de direitos humanos. O primeiro dado apontado é o período em
que ele assumiu a chefia da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul, após
o golpe de 1964, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione, notório
especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos,
para ministrar curso à Guarda Civil do Estado, realizado no período de 19 a 26
de junho. ”Em novembro de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a Secretaria de
Segurança Pública do Rio Grande do Sul, permanecendo no cargo até fevereiro de
1965″, apontou a comissão.
Mesmo
sem ter acesso aos relatórios que estavam sob posse do coronel Cyro, a comissão
ainda apontou o trabalho dele nesse período, no início dos anos 1980, atuando
como chefe de um tenente-coronel que liderava as equipes de interrogatório.
“Leo Guedes Etchegoyen foi chefe do Estado-Maior do II Exército de agosto de
1979 a julho de 1981, período no qual serviu sob as ordens do general Milton
Tavares de Souza, comandante do II Exército que chefiou o Centro de Informações
do Exército no período Médici. Em 28 de dezembro de 1979, o general Leo
Etchegoyen, na qualidade de chefe do Estado Maior e supervisor das atividades
do DOI-CODI, fez calorosos elogios aos serviços prestados pelo Tenente-coronel
Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI-CODI/II Exército, quando ressaltou ”
(…) sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade,
capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.
Segundo
as investigações da CNV, Dalmo Muniz Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército
como chefe de equipes de interrogatório, tendo desempenhado a função de
subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos
Maciel. Em 1979, Dalmo Cyrillo assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo,
período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de
Souza. A CNV ressaltou que “em 19 de abril de 1980, quando Leo Etchegoyen era
chefe do Estado Maior do II Exército, seu comando esteve vinculado ao
planejamento da prisão coletiva de sindicalistas e lideranças dos metalúrgicos
da região metropolitana de São Paulo conhecida como ABCD, bem como do sequestro
de integrantes de organizações de direitos humanos que prestavam solidariedade
a esses trabalhadores, como os advogados José Carlos Dias – então presidente da
Comissão Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de São Paulo – e Dalmo Dallari –
ex-presidente da CJP –, prisões efetuadas com violência, sem mandado e sem a
devida comunicação às suas famílias. Este episódio está registrado no capítulo
oito do relatório da CNV, dedicado ao tema das prisões arbitrárias”.
A
operação contra líderes do movimento sindical do ABC e integrantes da Comissão
Justiça e Paz foi planejada pelo comando do II Exército e executada por agentes
do DOI-CODI, do DEOPS/SP, DPF/SP, ocasião em que Etchegoyen era o chefe do
Estado Maior do II Exército, principal instância de planejamento de ações
daquele comando, e portanto responsável pelas ações executadas por agentes do
DOI, do DPF e do DEOPS a ele subordinados por meio da estrutura do DOI-CODI do
II Exército. O ICL Notícias apurou que o coronel Cyro Etchegoyen também esteve
presente no episódio.
A
família Etchegoyen chegou a entrar com um processo por dano moral contra a
União para retirar o nome do general Leo da listagem, mas perdeu em duas
instâncias. Em 2020, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
(TRF4) decidiu, por quatro votos a um, negar o pedido da família Etchegoyen. O
general Sergio, em 2016, se tornaria ministro do Gabinete de Segurança
Institucional no governo de Michel Temer.
¨
Jornal inglês destaca ação de espiões britânicos na
ditadura brasileira, revelada pelo ICL
O
jornal britânico
Morning Star publicou
uma reportagem destacando a atuação de agentes de inteligência do Reino Unido
no treinamento de militares brasileiros durante a ditadura civil-militar
(1964-1985) e repercutindo revelações investigadas pelo ICL, que apontam que
oficiais britânicos teriam ensinado técnicas de interrogatório, vigilância e
repressão utilizadas posteriormente pelos órgãos de tortura do regime
brasileiro. Segundo documentos e depoimentos citados pela reportagem, militares
brasileiros receberam treinamento de agentes britânicos em métodos de “tortura
psicológica” e interrogatórios considerados mais “sofisticados”, conhecidos
entre oficiais da repressão como o “sistema inglês”.
O
coronel reformado Paulo Malhães, um dos agentes da repressão ouvidos pela
Comissão Nacional da Verdade, afirmou que a Inglaterra era vista como
referência em técnicas de obtenção de informações sem deixar marcas físicas
evidentes. A publicação britânica também lembra que integrantes das forças de
segurança brasileiras participaram de cursos sobre espionagem, escutas
telefônicas e interrogatórios ministrados por agentes estrangeiros no Rio de
Janeiro. As revelações reforçam o papel internacional de apoio às ditaduras
latino-americanas durante a Guerra Fria, especialmente sob o argumento do
combate ao comunismo. De acordo com o texto, a colaboração entre os governos do
Reino Unido e do Brasil se somava ao apoio já conhecido dos Estados Unidos às
forças repressivas latino-americanas.
A
Comissão Nacional da Verdade apontou que centenas de militares brasileiros
receberam treinamento estrangeiro em técnicas de contra-insurgência,
inteligência e interrogatório durante o período ditatorial. A reportagem do
Morning Star repercute a investigação do ICL como parte de uma revisão
histórica sobre o envolvimento de potências ocidentais em violações de direitos
humanos cometidas por regimes autoritários na América Latina.
¨
Denúncia do ICL expõe rede de vídeos falsos com IA e
mobilização da comunidade derruba perfis
Uma série de vídeos que
simulavam agressões entre pessoas identificadas como apoiadores de direita e de
esquerda circulou
com força nas redes sociais nos últimos dias. As imagens, que pareciam
registros reais, foram produzidas com inteligência artificial. A denúncia foi
feita por Leandro Demori, diretor de jornalismo do Instituto Conhecimento
Liberta (ICL), durante o ICL Notícias. Os conteúdos chegaram a atingir milhões
de visualizações antes de serem questionados. Após a exposição pública do caso,
uma mobilização da comunidade do ICL levou à derrubada de ao menos um dos
perfis responsáveis pela disseminação dos vídeos.
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Vídeos eram construídos como flagrante
Os
vídeos seguiam um padrão. Eram curtos, diretos e com narrativa clara. Mostravam
cenas de agressão envolvendo pessoas com símbolos políticos visíveis. A
linguagem visual simulava registros espontâneos, como se fossem captados por
celular, mas nada daquilo aconteceu. Os conteúdos foram gerados
artificialmente, com uso de ferramentas capazes de reproduzir rostos,
movimentos e ambientação com grau de realismo suficiente para passar
despercebido em uma primeira visualização. Após a primeira denúncia, o material
continuou chegando. Segundo Leandro Demori, novos vídeos com o mesmo padrão
passaram a ser enviados à redação e também à plataforma Denunciei, criada pelo ICL para receber relatos da
audiência. “A gente fez a denúncia na semana passada e logo recebemos mais
vídeos também pela nossa plataforma”, afirmou . Demori disse ainda que, a
partir daí, o caso ganhou escala. “Isso ganhou as redes sociais”,
resumiu. O impacto não está apenas na existência do material, mas na forma como
ele circula. Em plataformas orientadas por engajamento, conteúdos com alto
potencial de choque tendem a ganhar escala antes que qualquer verificação
ocorra. E, quando a checagem chega, o alcance já foi estabelecido.
<><>
Resposta partiu da audiência
A
remoção dos perfis não aconteceu por iniciativa das plataformas. Depois da
denúncia, a derrubada ocorreu a partir de denúncias em massa feitas por
usuários. O movimento foi impulsionado por quem acompanhou a cobertura do ICL e
passou a reportar os conteúdos diretamente nas plataformas. Segundo Demori, a
repercussão da denúncia levou a uma reação institucional e também à ampliação
do problema. “A partir desse momento, a própria coalizão do PT entrou
com uma representação contra o TikTok no TSE. O perfil que a gente denunciou
foi removido, mas já se identificou vários outros”, disse. Casos assim não
são incomuns, mas raramente ganham visibilidade. A queda de perfis com alto
volume de visualizações depende de pressão consistente, e nem sempre ocorre. Neste
caso, ocorreu e expôs um ponto central: a circulação de desinformação não é um
processo automático. Ela depende de redes que amplificam, e pode ser
interrompida por redes que contestam.
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A aparência de evidência mudou
O
episódio marca um deslocamento no tipo de conteúdo que passa a circular no
debate público. Vídeos sempre tiveram um estatuto de prova. A ideia de que “se
está gravado, aconteceu” ainda opera como referência para grande parte do
público. A inteligência artificial altera esse pressuposto. Hoje, é possível
produzir cenas com aparência de registro direto sem que haja qualquer
correspondência com a realidade. A sofisticação técnica não elimina falhas, mas
reduz o nível de suspeita inicial. Isso cria uma zona de ambiguidade. O
conteúdo não precisa ser perfeito. Precisa ser convincente o suficiente para
ser compartilhado.
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Ano eleitoral amplia o efeito
A
circulação desses vídeos ocorre em um momento sensível. Em contextos
eleitorais, conteúdos manipulados tendem a surgir em períodos estratégicos e
com objetivo claro: provocar reação imediata, gerar circulação e influenciar
percepção.
Conteúdos
manipulados tendem a surgir em momentos estratégicos:
- antes de
votações
- durante crises
- em períodos de
alta polarização
E a
lógica é mais simples do que se imagina. Primeiro, o material ativa emoções
como indignação, medo ou revolta. Em seguida, é compartilhado antes de qualquer
verificação. Depois, mesmo quando desmentido, permanece como referência para
parte do público. A diferença agora está na qualidade do material. A
inteligência artificial reduz o tempo entre a intenção de manipular e a
produção de um conteúdo com aparência de autenticidade. Isso encurta o ciclo da
desinformação e amplia seu alcance.
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O papel das plataformas segue em disputa
A
remoção dos perfis reacende um debate recorrente. As plataformas digitais operam com
sistemas que priorizam o engajamento. Conteúdos com alto impacto emocional
tendem a ser impulsionados automaticamente, independentemente de sua
veracidade. Ao mesmo tempo, a moderação é reativa. Depende de denúncia, volume
e tempo de análise. Nesse intervalo, o conteúdo já circulou. Esse modelo cria
um descompasso. A velocidade da desinformação é maior que a velocidade da
resposta.
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Entre o impulso e a verificação
O caso
também expõe um comportamento recorrente no ambiente digital. Conteúdos que
confirmam expectativas ou crenças tendem a ser compartilhados com menos
resistência. A verificação costuma vir depois, quando vem. A inteligência
artificial se insere nesse processo como acelerador. Ela não cria o impulso,
mas amplia sua capacidade de impacto. O resultado é um ambiente em que a reação
precede a análise.
Fonte:
ICL Notícias

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