segunda-feira, 11 de maio de 2026

Bandidos de farda: General Léo Etchegoyen, pai de ex-ministro de Temer, vigiou presidente Lula na ditadura

Desde que embarcou em São Paulo, dia 14 de janeiro de 1981, para uma viagem de um mês à Europa e aos Estados Unidos, o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva teve os passos monitorados pelos órgãos de informações do Exército. Um documento produzido pelo general de brigada, Leo Etchegoyen, da 2ª Seção (Informações) do II Exército (São Paulo), chamado “Relatório Periódico de Informações”, de número 09/80, incluí a jornada de Lula ao exterior nos eventos promovidos pelos movimentos sindical e estudantil e pela Igreja, naquele ano, destinados a fragilizar o regime. Para os militares, a escalada destas ações mostrava que os inimigos do golpe de 64 eram tratados, no início dos anos 1980, como heróis e que continuavam “a agir, com maior intensidade ainda, no sentido de criar no Estado e no país um “clima revolucionário” que conduza a uma revolução marxista”.

Em um mês de viagens, Lula visitou 12 cidades de nove países, sendo recebido por dirigentes sindicais e líderes de partidos políticos. O objetivo foi buscar a solidariedade internacional à campanha contra a perseguição imposta pela ditadura militar, que prendeu e enquadrou Lula e outros dez sindicalistas do ABC paulista na Lei de Segurança Nacional (LSN). Acusados de liderar uma paralisação de metalúrgicos paulistas, no ano anterior, por reajuste salarial e estabilidade no emprego, os 11 réus acabaram condenados pela Justiça Militar, em fevereiro de 1981, a uma pena de três anos e meio de prisão. Entre 1980 e 1981, Lula foi alvo de alguns relatórios produzidos pelo general Leo Etchegoyen. O ICL Notícias mapeou ao menos 36 menções ao atual presidente da República que evidenciam como ele era vigiado de perto durante sua atuação no movimento sindical.

Esses documentos integram o conjunto de documentos do coronel Cyro Etchegoyen que estão sendo publicados desde o domingo 27 de abril no projeto “Bandidos de farda”, do ICL Notícias, produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado por seu filho e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP) e está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974. Uma segunda parte foi entregue, pela mesma fonte, em fevereiro deste ano à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.  

Nesses relatórios, embora estejam registrados em detalhes palestras e uma viagem de Lula, entre outras ações das forças democráticas, o que mais impressiona é o tom de revolta por uma suposta virada do jogo político. Anos depois da derrota das organizações da esquerda armada, com mais de 400 mortos e desaparecidos, o documento lamenta que os adversários do golpe controlem parte da imprensa, dos meios culturais e artísticos e das cátedras universitárias “com o propósito definitivo de destruir a família, trazer o descrédito à verdadeira igreja, desmoralizar e desestabilizar o governo”, favorecidos pela flexibilização da censura, “o que permitiu à propaganda adversa atingir níveis somente comparáveis aos idos de 62/63”.

O ponto alto da peregrinação de Lula foi a visita ao papa João Paulo II, em Roma, fato considerado incomum pelo cuidado do Vaticano em evitar conflitos com governos. Mas o relatório registra ainda encontros com o então líder sindicalista polonês Lech Walesa, com o escritor argentino Adolfo Pérez Esquivel, com o socialista francês François Mitterrand, que seria eleito presidente da República ainda naquele ano, pelo presidente do Partido Social Democrata alemão, Willy Brandt, e pelo senador americano Edward Kennedy. De acordo com o relatório, em todos os lugares por onde passou, Lula se apresentou à opinião pública internacional como “vítima do arbítrio do governo brasileiro”.

Pelos interlocutores de Lula e pelas promessas recebidas pelo sindicalista brasileiro, o documento do Exército reconhece o prestígio exibido pelo adversário que emergia do ABC paulista. Na passagem pela França, por exemplo, Lula disputou as atenções com o próprio presidente brasileiro, João Figueiredo, que se encontrava em visita oficial ao país na mesma data. “A imprensa destacou que essa ‘coincidência’  serviu para neutralizar a repercussão da visita presidencial”, atesta o relatório, claramente incomodado com o programa paralelo de Lula junto aos franceses.

O relatório, com um total de 67 páginas, é assinado pelo chefe do Estado-Maior do II Exército, general Léo Etchegoyen, irmão do coronel Cyro. Ele deixa clara a apreensão do meio militar pela repercussão da viagem: “Os líderes sindicais norte-americanos prometeram total solidariedade, bem como enviar um observador para o julgamento de Lula”, alerta. Em caso de condenação, prossegue Etchegoyen, os dirigentes prometeram “desencadear uma ação retaliatória contra as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que consideram nociva à produção interna americana”.

O relatório também cita outros adversários considerados importantes, como o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, o educador Paulo Freire, classificado de subversivo, e o dirigente comunista Luís Carlos Prestes. Mas Lula é o centro das preocupações. Desde o ano anterior, o sindicalista tirava o sono do então comandante do II Exército, general Milton Tavares de Souza. Chamado na tropa de Miltinho, o oficial foi um dos responsáveis pelas atrocidades praticadas nos anos de chumbo do regime (1968-73), na condição de chefe do CIE (Centro de Informações do Exército). Está na sua conta, por exemplo, a criação da Casa da Morte de Petrópolis, aparelho clandestino de tortura, morte e desaparecimento de presos políticos na região serrana fluminense. Ele era chefe do coronel Cyro Etchegoyen, irmão do general Leo.

Foi de Miltinho que partiu a ordem para a primeira prisão de Lula. Na manhã do dia 19 de abril de 1980, 19º dia de paralisação dos metalúrgicos do ABC, dois camburões, com oito agentes armados, estacionaram em frente à casa de Lula. Ao mesmo tempo, a PM tomou o estádio de Vila Euclides, palco de assembleias históricas em São Bernardo, proibindo atos públicos no local. Foi proibido também um show de Chico Buarque e outros artistas em apoio à greve, marcado para o fim daquela semana. Lula e os demais presos ficaram incomunicáveis por oito dias numa cela do Dops, em São Paulo.

Promovido a general-de-exército em 1979, Miltinho assumiu em agosto o comando do II Exército, sem esconder a insatisfação com a abertura e a Lei da Anistia, decretada naquele mesmo mês. Tinha a preocupação de “impedir a ação do movimento comunista internacional no Brasil”, como declarou em discurso pronunciado no dia 2 de outubro de 1979 em Caçapava (SP). O general acusava Lula de ser “assessorado por comunistas” e advertiu que “liberdade não é licenciosidade e não será com luta de classes, reivindicação descabida e individualismo que construiremos nosso País”.

Lula amargou 41 dias de prisão até ser solto pela Justiça Militar no dia 20 de maio. Nove dias antes, desgastados pela repressão e a intransigência dos patrões, os metalúrgicos suspenderam a greve. Miltinho provavelmente comemorou mais uma vitória contra o comunismo. Ou achava que tinha vencido. No dia 16 de abril de 1982, o Supremo Tribunal Militar (STM) anulou todo o processo contra Luiz Inácio da Silva e outros dez dirigentes sindicais. Em 2002, Lula foi eleito presidente do Brasil.

Em 2014, o coronel Cyro e o general Leo Etchegoyen foram incluídos na lista de 377 torturadores formulada para o relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Na ocasião,  o general Sergio Etchegoyen, um dos filhos do general Leo, já morto, repudiou publicamente a inclusão do nome do pai.

Em resposta, a Comissão Nacional da Verdade, esclareceu os motivos pelos quais incluiu o nome do general Leo na lista dos 377 militares responsáveis por graves violações de direitos humanos. O primeiro dado apontado é o período em que ele assumiu a chefia da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul, após o golpe de 1964, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione, notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos, para ministrar curso à Guarda Civil do Estado, realizado no período de 19 a 26 de junho. ”Em novembro de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, permanecendo no cargo até fevereiro de 1965″, apontou a comissão.

Mesmo sem ter acesso aos relatórios que estavam sob posse do coronel Cyro, a comissão ainda apontou o trabalho dele nesse período, no início dos anos 1980, atuando como chefe de um tenente-coronel que liderava as equipes de interrogatório. “Leo Guedes Etchegoyen foi chefe do Estado-Maior do II Exército de agosto de 1979 a julho de 1981, período no qual serviu sob as ordens do general Milton Tavares de Souza, comandante do II Exército que chefiou o Centro de Informações do Exército no período Médici. Em 28 de dezembro de 1979, o general Leo Etchegoyen, na qualidade de chefe do Estado Maior e supervisor das atividades do DOI-CODI, fez calorosos elogios aos serviços prestados pelo Tenente-coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI-CODI/II Exército, quando ressaltou ” (…) sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade, capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.

Segundo as investigações da CNV, Dalmo Muniz Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército como chefe de equipes de interrogatório, tendo desempenhado a função de subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel. Em 1979, Dalmo Cyrillo assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo, período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de Souza. A CNV ressaltou que “em 19 de abril de 1980, quando Leo Etchegoyen era chefe do Estado Maior do II Exército, seu comando esteve vinculado ao planejamento da prisão coletiva de sindicalistas e lideranças dos metalúrgicos da região metropolitana de São Paulo conhecida como ABCD, bem como do sequestro de integrantes de organizações de direitos humanos que prestavam solidariedade a esses trabalhadores, como os advogados José Carlos Dias – então presidente da Comissão Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de São Paulo – e Dalmo Dallari – ex-presidente da CJP –, prisões efetuadas com violência, sem mandado e sem a devida comunicação às suas famílias. Este episódio está registrado no capítulo oito do relatório da CNV, dedicado ao tema das prisões arbitrárias”.

A operação contra líderes do movimento sindical do ABC e integrantes da Comissão Justiça e Paz foi planejada pelo comando do II Exército e executada por agentes do DOI-CODI, do DEOPS/SP, DPF/SP, ocasião em que Etchegoyen era o chefe do Estado Maior do II Exército, principal instância de planejamento de ações daquele comando, e portanto responsável pelas ações executadas por agentes do DOI, do DPF e do DEOPS a ele subordinados por meio da estrutura do DOI-CODI do II Exército. O ICL Notícias apurou que o coronel Cyro Etchegoyen também esteve presente no episódio.

A família Etchegoyen chegou a entrar com um processo por dano moral contra a União para retirar o nome do general Leo da listagem, mas perdeu em duas instâncias. Em 2020, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu, por quatro votos a um, negar o pedido da família Etchegoyen. O general Sergio, em 2016, se tornaria ministro do Gabinete de Segurança Institucional no governo de Michel Temer.

¨      Jornal inglês destaca ação de espiões britânicos na ditadura brasileira, revelada pelo ICL

O jornal britânico Morning Star publicou uma reportagem destacando a atuação de agentes de inteligência do Reino Unido no treinamento de militares brasileiros durante a ditadura civil-militar (1964-1985) e repercutindo revelações investigadas pelo ICL, que apontam que oficiais britânicos teriam ensinado técnicas de interrogatório, vigilância e repressão utilizadas posteriormente pelos órgãos de tortura do regime brasileiro. Segundo documentos e depoimentos citados pela reportagem, militares brasileiros receberam treinamento de agentes britânicos em métodos de “tortura psicológica” e interrogatórios considerados mais “sofisticados”, conhecidos entre oficiais da repressão como o “sistema inglês”.

O coronel reformado Paulo Malhães, um dos agentes da repressão ouvidos pela Comissão Nacional da Verdade, afirmou que a Inglaterra era vista como referência em técnicas de obtenção de informações sem deixar marcas físicas evidentes. A publicação britânica também lembra que integrantes das forças de segurança brasileiras participaram de cursos sobre espionagem, escutas telefônicas e interrogatórios ministrados por agentes estrangeiros no Rio de Janeiro. As revelações reforçam o papel internacional de apoio às ditaduras latino-americanas durante a Guerra Fria, especialmente sob o argumento do combate ao comunismo. De acordo com o texto, a colaboração entre os governos do Reino Unido e do Brasil se somava ao apoio já conhecido dos Estados Unidos às forças repressivas latino-americanas.

A Comissão Nacional da Verdade apontou que centenas de militares brasileiros receberam treinamento estrangeiro em técnicas de contra-insurgência, inteligência e interrogatório durante o período ditatorial. A reportagem do Morning Star repercute a investigação do ICL como parte de uma revisão histórica sobre o envolvimento de potências ocidentais em violações de direitos humanos cometidas por regimes autoritários na América Latina.

¨      Denúncia do ICL expõe rede de vídeos falsos com IA e mobilização da comunidade derruba perfis

Uma série de vídeos que simulavam agressões entre pessoas identificadas como apoiadores de direita e de esquerda circulou com força nas redes sociais nos últimos dias. As imagens, que pareciam registros reais, foram produzidas com inteligência artificial. A denúncia foi feita por Leandro Demori, diretor de jornalismo do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), durante o ICL Notícias. Os conteúdos chegaram a atingir milhões de visualizações antes de serem questionados. Após a exposição pública do caso, uma mobilização da comunidade do ICL levou à derrubada de ao menos um dos perfis responsáveis pela disseminação dos vídeos.

<><> Vídeos eram construídos como flagrante

Os vídeos seguiam um padrão. Eram curtos, diretos e com narrativa clara. Mostravam cenas de agressão envolvendo pessoas com símbolos políticos visíveis. A linguagem visual simulava registros espontâneos, como se fossem captados por celular, mas nada daquilo aconteceu. Os conteúdos foram gerados artificialmente, com uso de ferramentas capazes de reproduzir rostos, movimentos e ambientação com grau de realismo suficiente para passar despercebido em uma primeira visualização. Após a primeira denúncia, o material continuou chegando. Segundo Leandro Demori, novos vídeos com o mesmo padrão passaram a ser enviados à redação e também à plataforma Denunciei, criada pelo ICL para receber relatos da audiência. “A gente fez a denúncia na semana passada e logo recebemos mais vídeos também pela nossa plataforma”, afirmou . Demori disse ainda que, a partir daí, o caso ganhou escala. “Isso ganhou as redes sociais”, resumiu. O impacto não está apenas na existência do material, mas na forma como ele circula. Em plataformas orientadas por engajamento, conteúdos com alto potencial de choque tendem a ganhar escala antes que qualquer verificação ocorra. E, quando a checagem chega, o alcance já foi estabelecido.

<><> Resposta partiu da audiência

A remoção dos perfis não aconteceu por iniciativa das plataformas. Depois da denúncia, a derrubada ocorreu a partir de denúncias em massa feitas por usuários. O movimento foi impulsionado por quem acompanhou a cobertura do ICL e passou a reportar os conteúdos diretamente nas plataformas. Segundo Demori, a repercussão da denúncia levou a uma reação institucional e também à ampliação do problema. “A partir desse momento, a própria coalizão do PT entrou com uma representação contra o TikTok no TSE. O perfil que a gente denunciou foi removido, mas já se identificou vários outros”, disse. Casos assim não são incomuns, mas raramente ganham visibilidade. A queda de perfis com alto volume de visualizações depende de pressão consistente, e nem sempre ocorre. Neste caso, ocorreu e expôs um ponto central: a circulação de desinformação não é um processo automático. Ela depende de redes que amplificam, e pode ser interrompida por redes que contestam.

<><> A aparência de evidência mudou

O episódio marca um deslocamento no tipo de conteúdo que passa a circular no debate público. Vídeos sempre tiveram um estatuto de prova. A ideia de que “se está gravado, aconteceu” ainda opera como referência para grande parte do público. A inteligência artificial altera esse pressuposto. Hoje, é possível produzir cenas com aparência de registro direto sem que haja qualquer correspondência com a realidade. A sofisticação técnica não elimina falhas, mas reduz o nível de suspeita inicial. Isso cria uma zona de ambiguidade. O conteúdo não precisa ser perfeito. Precisa ser convincente o suficiente para ser compartilhado.

<><> Ano eleitoral amplia o efeito

A circulação desses vídeos ocorre em um momento sensível. Em contextos eleitorais, conteúdos manipulados tendem a surgir em períodos estratégicos e com objetivo claro: provocar reação imediata, gerar circulação e influenciar percepção.

Conteúdos manipulados tendem a surgir em momentos estratégicos:

  • antes de votações
  • durante crises
  • em períodos de alta polarização

E a lógica é mais simples do que se imagina. Primeiro, o material ativa emoções como indignação, medo ou revolta. Em seguida, é compartilhado antes de qualquer verificação. Depois, mesmo quando desmentido, permanece como referência para parte do público. A diferença agora está na qualidade do material. A inteligência artificial reduz o tempo entre a intenção de manipular e a produção de um conteúdo com aparência de autenticidade. Isso encurta o ciclo da desinformação e amplia seu alcance.

<><> O papel das plataformas segue em disputa

A remoção dos perfis reacende um debate recorrente. As plataformas digitais operam com sistemas que priorizam o engajamento. Conteúdos com alto impacto emocional tendem a ser impulsionados automaticamente, independentemente de sua veracidade. Ao mesmo tempo, a moderação é reativa. Depende de denúncia, volume e tempo de análise. Nesse intervalo, o conteúdo já circulou. Esse modelo cria um descompasso. A velocidade da desinformação é maior que a velocidade da resposta.

<><> Entre o impulso e a verificação

O caso também expõe um comportamento recorrente no ambiente digital. Conteúdos que confirmam expectativas ou crenças tendem a ser compartilhados com menos resistência. A verificação costuma vir depois, quando vem. A inteligência artificial se insere nesse processo como acelerador. Ela não cria o impulso, mas amplia sua capacidade de impacto. O resultado é um ambiente em que a reação precede a análise.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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