Fabio
de Sa e Silva: Alcolumbre vira o Eduardo Cunha da vez em um Congresso que
desgasta a democracia
No dia
29 de abril de 2026, o plenário do Senado Federal, sob o comando de Davi
Alcolumbre, realizou um feito verdadeiramente histórico: rejeitou um indicado
do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal, o STF, algo que só
havia ocorrido há 132 anos.
A
vítima imediata foi o advogado-geral da União, Jorge Messias. Mas, na verdade,
Messias é apenas o corpo deixado no asfalto. A vítima real é a já combalida
governabilidade democrática no Brasil, que há mais de uma década dá sinais de
esgotamento.
Messias
preenchia os requisitos constitucionais para a indicação. Tinha mais de 35
anos, reputação ilibada e notório saber jurídico. Sua trajetória inclui atuação
como subchefe de assuntos jurídicos durante o segundo mandato de Dilma
Rousseff, lidando com matérias complexas e sensíveis — de minutas de decretos a
vetos presidenciais —, além de, mais recentemente, assessorar diretamente o
presidente da República e chefiar a atuação da União em litígios perante os
tribunais.
Tinha,
ademais, um bom discurso — algo que ficou evidente em sua sabatina. Não se
apresentou como vanguardista em temas de direitos fundamentais, especialmente
os relacionados a minorias, mas tampouco endossou retrocessos.
Ao
tratar de questões sobre o aborto, justificou sua atuação na AGU como defesa da
ordem jurídica brasileira – que prevê exceções à punição em casos de risco de
vida, estupro ou anencefalia fetal – e como respeito à ‘humanidade [da] mulher, [da] adolescente,
[da] criança, [de] uma vida”.
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Diálogo com o Congresso
Também
destacou sua experiência no diálogo com o Congresso, afastando de si o espectro
do ativismo judicial. Prometeu conciliação, repudiou a corrupção no Judiciário
e afirmou que dele se poderia esperar uma conduta sóbria e discreta —
características que, em um momento de tensões entre os poderes e de crise de
confiança no STF, deveriam contar a seu favor.
À
esquerda, sua candidatura foi inicialmente recebida com ceticismo —
compreensível diante da preferência por um nome que simbolizasse maior
diversidade e inclusão, especialmente o de uma mulher negra. Mas o fator
decisivo foi a oposição que Messias enfrentou à direita.
Davi
Alcolumbre, presidente do Senado, queixou-se de não ter sido consultado sobre a
indicação e manifestou preferência por seu antecessor na Casa, o senador
Rodrigo Pacheco. A partir daí, passou a manobrar para adiar a sabatina e,
posteriormente, para inviabilizar a aprovação do nome no plenário.
Não
agiu sozinho. Reportagens publicadas após a votação apontam para uma ampla
coalizão, envolvendo bolsonaristas e até integrantes do próprio STF
interessados em enfraquecer o ministro André Mendonça, que emergiu como
padrinho inesperado da indicação.
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Naturalização das manobras
Esse
arranjo incluiria ainda a aprovação de projetos de interesse específico, como o
da dosimetria penal, e o sepultamento de iniciativas incômodas, como a Comissão
Parlamentar de Inquérito, a CPI, do escândalo do Banco Master. Tudo isso, como
bem observou a comentarista da GloboNews Flávia Oliveira, feito à luz do dia,
sem constrangimentos: com reivindicações públicas, celebração de bastidores e
naturalização das manobras.
No
plano político-eleitoral, há caminhos para o governo reagir. A rejeição de
Messias pode reposicionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um
candidato verdadeiramente antissistema. Também abre espaço para denunciar a
instrumentalização da religião por parte de sua oposição – afinal, tratava-se
de um evangélico com apoio relevante nesse segmento. Sua rejeição expõe o
quanto o discurso em defesa de valores cristãos pode funcionar como fachada
para práticas fisiológicas e interesses menos nobres.
Outra
possibilidade seria indicar um nome mais independente e diverso — como o de uma
mulher negra —, colocando o Senado sob pressão pública. Mas, nesse caso, o
governo deve estar preparado para novas rodadas de sabotagem.
A
rejeição de Messias não inaugura nada; antes, reabre um capítulo conhecido. O
de 2016, quando o Congresso transformou prerrogativas em moeda de troca e a
política em operação de sobrevivência. À frente, ontem, o então deputado
federal Eduardo Cunha. Hoje, o senador Davi Alcolumbre.
• Et tu, Alcolumbre? Por Rodolfo Fiorucci
“Et tu,
Brute?” (“Até tu, Brutus?”), disse Júlio César a Brutus, seu filho político,
quando este lhe deu a última facada, diante da traição do Senado que culminou
no assassinato da figura mais proeminente da história romana, dentro do Senado,
com 23 facadas. Após essa desestruturação política, a República Romana foi
destruída, iniciando a fase do poder autoritário dos imperadores – período que
levaria à queda do maior império que o Ocidente já presenciou.
A
política adora a traição, mas despreza os traidores. Em Roma, Marco Antônio,
discípulo de Júlio César, perseguiu e matou todos os responsáveis pela traição
– menos Brutus, que se suicidou ao ser cercado. No Brasil, 2070 anos depois da
traição a César, o Senado protagonizou um dos ataques mais brutais à
estabilidade institucional alicerçada pela Constituição de 1988, ao retirar do
presidente da República o direito de indicar um ministro do Supremo Tribunal
Federal. Pode parecer algo menor, mas foi a primeira vez, em 132 anos, que isso
ocorreu.
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Lula
não foi traído apenas por Alcolumbre, mas há indícios de traição até de aliados
próximos, como Jaques Wagner. Nos bastidores de Brasília, já se diz que Rodrigo
Pacheco, o apaniguado de Alcolumbre para o STF, também estaria em vias de trair
o presidente da República, desistindo de concorrer ao governo de Minas Gerais.
O Centrão, com figuras como Ciro Nogueira, Antonio Rueda e Alcolumbre, e a
extrema direita, com figuras como Sóstenes Cavalcante e tantos outros,
temerosos quanto ao avanço das investigações de corrupção, convergem suas peças
no tabuleiro para se unirem contra a reeleição de Lula. Quando peças com
indícios severos de corrupção se unem para atacar o outro lado, o que se pode
interpretar?
Estamos
diante da escalada de mais um degrau rumo à morte da democracia brasileira,
seguindo minuciosamente os passos indicados pelos professores de Harvard,
Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, em seu livro “Como as Democracias Morrem”. O
ataque às instituições democráticas brasileiras já perfaz quase duas décadas,
tendo intensificado suas ações desde a eleição do ex-presidente e agora
presidiário, Jair Bolsonaro. Este, nos primeiros meses de seu governo, já
indicava um plano de desestabilizar o STF para ter a maioria de ministros na
Corte Suprema e “governar para sempre”, segundo denúncia da senadora Soraya
Thronicke.
Não
cabe aqui enumerar todos os atos que culminaram na tentativa de golpe de
Estado, em 8 de janeiro de 2023, da qual participaram inúmeras figuras de
diferentes instituições brasileiras (desde militares, passando por
parlamentares, até policiais federais), mas indicar que, assim como em Roma, a
destruição do Estado de Direito é a forma que o parlamento encontrou para
atender a seus anseios e caprichos pessoais. Se, em Roma, os senadores traíram
César para garantir a manutenção e expansão de seus privilégios, no Brasil, o
parlamento traiu Lula com o mesmo objetivo, plano que veio se fortalecendo
desde a descoberta dos casos de corrupção no INSS e com o Banco Master, nos
quais muitos políticos do campo da centro-direita estão imersos até o pescoço,
como confirmou o presidente do PL (partido do pré-candidato Flávio Bolsonaro).
Embora
vivamos na era da pós-verdade, em que os fatos são irrelevantes e o que importa
é a narrativa que se quer acreditar, a população não pode negar que ambos os
casos – INSS e Master – foram descobertos, investigados e encerrados sob a
gestão do governo Lula (goste-se ou não dele). E, no Brasil, há um risco
efetivo de destruição das instituições quando existe a possibilidade de que
membros dessas instituições sejam responsabilizados por seus atos criminosos.
Nesse caso, para proteger seus interesses, essas pessoas optam por destruir o
país, desde que seus feudos não sejam alterados.
A
traição a Lula, no Senado, com pelo menos uma dezena de facadas (votos)
inesperadas – já que os votos bolsonaristas já eram negativos antes mesmo de
avaliar se Messias tinha capacidade técnica, algo que nem eles mesmos negaram
–, teve a coordenação de Davi Alcolumbre, que tem aliados seus no Amapá na mira
da Polícia Federal por conta do Caso Master. Para garantir a proteção de todos
os políticos envolvidos nesses atos de corrupção, parece certo que Alcolumbre
fechou acordo com Flávio Bolsonaro. Em troca dos votos para redução de pena do
pai (medida que vai beneficiar mais de 200 mil criminosos no país), Flávio se
uniu ao Centrão (direita fisiológica) para proteger todos os potenciais
investigados por corrupção, numa aliança que visa impedir a reeleição de Lula.
Se o
Senado romano sabia se unir para trair a República e o povo em benefício
próprio, no Brasil, mais de dois milênios depois, o parlamento brasileiro
mostra-se capaz de fazer o mesmo. O governo petista não interessa aos donos do
poder, pois tende a ser republicano e respeitar o funcionamento pleno das
instituições, o que ameaça o convescote de privilégios. A Advocacia-Geral da
União, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, a Controladoria-Geral
da União e a Auditoria Fiscal não podem funcionar livremente para que a
torneira da corrupção se amplie cada vez mais. Com a entrada das bets no
cenário e a resistência da direita em regular as fintechs – algo que ficou
claro quando o deputado Nikolas Ferreira criou a fake news sobre a taxação do
PIX, já que a medida de verificação de PIX impediria lavagem de dinheiro –, o
crime organizado encontrou cenário perfeito para elevar seu padrão e poder na
República, algo que o governo petista desestabilizou.
As
facadas de traição em Lula e na República, comandadas por Alcolumbre (tendo
Flávio Bolsonaro como aliado), sinalizam para a queda da República brasileira e
a construção de um poder autoritário. No entanto, o Brasil não é o maior
império do Ocidente (como era Roma), e esse caminho aponta para um futuro
preocupante: a derrocada da soberania nacional e a entrega das últimas riquezas
que restam ao povo brasileiro (parte da Petrobras e as terras raras) a
interesses internacionais. O povo finalmente começou a entender o que significa
privatizar bens nacionais, com os preços cada vez mais altos em energia, água,
pedágios etc., mas o poder de disseminação de mentiras nas redes sociais
obscurece a capacidade de leitura da realidade por grande parte da população.
A morte
da democracia brasileira está cada vez mais evidente, segundo os alertas de
Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Desde as emendas secretas (que retiraram do
Executivo o poder e o direito legal de executar o orçamento), passando por
problemas no Judiciário e pelo golpismo continuado dentro do parlamento (Câmara
e Senado), o Brasil, que tem o potencial de ser uma das grandes potências
mundiais, apequena-se e se entrega ao neocolonialismo. Na Roma Antiga, o
resultado foi a destruição daquele império (no qual, obviamente, os plebeus
foram os que mais sofreram); qual destino o Brasil terá, povo brasileiro?
• O “enterro” da CPI do Banco Master. Por
Jorge Luiz Souto Maior
Em
artigos publicados em 05 e 15 de março deste ano, advertia para o risco a que
estavam submetidos os direitos trabalhistas em meio ao turbilhão que envolviam
as primeiras notícias do escândalo do Banco Master e os ajustes que, na
sequência, foram se anunciando para usar a crise em proveito de interesses
determinados, deixando de lado as necessárias e devidas apurações, com a
consequente aplicação das repercussões jurídicas que fossem pertinentes.
O que
já era possível antever, tomando-se experiências passadas, é que o embate
político, travado no plano dos interesses pessoais, promiscuamente confundidos
com interesses institucionais, interagindo com as demandas do poder econômico e
a influência ideológica da grande mídia, conduziriam a uma grande conciliação
capaz de possibilitar a obstrução de quaisquer efeitos mais profundos,
reveladores e punitivos do caso Master e que o ponto de equilíbrio do ajuste
tenderia a ser a promoção de novos ataques aos direitos trabalhistas.
De lá
para cá, tudo se moveu veladamente neste sentido, até que, nos dias 29 e 30 de
abril, bem mais rápido do que se poderia imaginar, as explicitações do
“acordão” se fizeram presentes, resultando no “enterro” da CPI do Banco Master.
Para se
chegar a isso, um indicado por Lula para ocupar o cargo de ministro do STF foi
rejeitado pelo Senado, algo que não ocorria há 132 anos; e se promoveu, no
Congresso Nacional, de forma inédita, a derrubada parcial de um veto do
Presidente.
A
recusa do indicado por Lula no Senado foi comemorada pela oposição como uma
grande vitória ou, mais propriamente, como uma derrota política histórica de
Lula. Mas se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sabia, de antemão, o
resultado exato da votação, como supor que o governo, em 1º de abril, quando
efetivamente enviou a mensagem oficial da indicação, não sabia, ao menos, que a
aprovação corria grande risco de não se efetivar? Fato é que, não apenas como
erro de cálculo, o governo contribuiu para o resultado, assumindo-o como
possível.
A
derrota de Lula é concreta, mas também traz a possibilidade de alteração das
práticas e discursos do Presidente, que, assim, pode se apresentar como
“oposição” ao sistema (no que o Partido dos Trabalhadores é muito bom), mesmo
sendo posição. Abre, inclusive, o permissivo de uma nova indicação para o STF,
com a qual explicite ainda mais essa tensão e lhe confira, inclusive, a
oportunidade de, em correção de rota, efetuar a nomeação de uma jurista negra
para ocupar o cargo de ministra do Supremo Tribunal Federal.
Fato é
que, politicamente, a reprovação de Jorge Messias pode ter sido uma boa notícia
para o governo, tanto que no mesmo dia 30/04, a propósito do primeiro de maio,
em discurso para TV, o presidente Lula voltou a sua fala diretamente aos
trabalhadores e “radicalizou” na defesa da eliminação da escala 6×1: “Eu sei o
quanto o trabalhador brasileiro está cansado”. “Não faz sentido que, em pleno
século XXI, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e
brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um
dia”. “A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o
salário-mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima
disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca
quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte”.
Já para
alguns ministros do STF, o processo de vedação do nome do indicado também foi
interessante, na medida em que permitiu uma aproximação com o presidente do
Senado, além de, com o resultado, ter impedido o ingresso de alguém que poderia
reforçar a ala que pende ao aprofundamento das investigações relativas ao Banco
Master.
Para a
oposição, obviamente, a reprovação se mostrou positiva, de modo peculiar, pela
sensação de uma vitória política perante o presidente Lula e por lhe parecer
conferir a possibilidade de enviar um recado com potencial mais ameaçador aos
ministros do STF submetidos ao fantasma do “impeachment”.
Ocorre
que, conforme se anuncia, esses mesmos ministros contribuíram para a reprovação
do indicado por Lula, estreitando laços com o presidente do Senado, a quem
incumbe, institucionalmente, levar adiante, ou não, qualquer pedido de
impedimento de ministros do STF.
Neste
aspecto, portanto, a vitória da oposição seria mais aparente que real.
Vitória
mesmo a oposição teria tido na votação no Congresso, no dia seguinte, que
culminou com a derrubada do veto do presidente Lula aos dispositivos do PL da
Dosimetria (PL 2.162/23) que permitem a redução das penas dos condenados pelos
atos de 8 de janeiro de 2023.
No
entanto, a aplicação da lei, para o efeito concreto da redução das penas, em
execução penal, dependerá do acolhimento do STF quanto à constitucionalidade da
votação congressual, que, de forma inédita, promoveu uma derrubada apenas
parcial do veto do Presidente, o que, em tese, ao menos até hoje, não se
considerava possível.
Oposição
e STF, assim, se veem em uma situação que tende ao arrefecimento dos conflitos
políticos, possibilitando, desde já, destravar o seu inequívoco alinhamento
ideológico quando o tema é direitos trabalhistas.
Assim,
enquanto o partido do governo vê a possibilidade de buscar ganhos eleitorais
com os discursos da “radicalização” da defesa dos trabalhadores e das
trabalhadoras, notadamente, com relação à eliminação da escala 6×1, oposição e
STF, em resposta ao setor econômico, se vêem em processo de contenção de
conflitos, para, sob o silêncio geral – notadamente do poder midiático – levar
adiante dois julgamentos que tendem, de forma imediata, a aniquilar toda rede
de proteção trabalhista: o Tema 1291 – de repercussão geral –, que estabelecerá
a modalidade jurídica da relação e os direitos pertinentes ao trabalho prestado
a empresas de plataformas digitais; e o Tema 1389 – também de repercussão geral
–, que dirá se é válida a contratação de um(a) trabalhador(a) por meio de uma
pessoa jurídica, sem quaisquer direitos trabalhistas, por consequência; e se é
a Justiça do Trabalho ou a Justiça Comum a competente para julgar os conflitos
envolvendo a aplicação dessa “regra”.
Quando
se olha a realidade apenas por um lado e se ouvem os discursos inflados e
“radicalizados” do presidente Lula, indo em direção do acolhimento da demanda
dos(as) trabalhadores(as) pela redução da jornada de trabalho, tem-se a
tendência de considerar que, apesar do furacão, a questão trabalhista está ali,
no olho, inatingida, com possibilidade, inclusive, de dar um passo adiante, sem
muitos abalos.
A
mobilização social e política pela eliminação da escala 6×1 tende, mesmo sem
ser levada adiante no Congresso, a favorecer à reeleição de Lula, ficando a
aprovação para o momento pós-eleição.
Mas aí
a pergunta que se deve fazer é: se o Presidente, que se elegeu com o discurso
da efetivação da revogação da “reforma” trabalhista, ficou quatro anos no poder
e nada fez neste sentido, que garantia se teria, agora, de que, quando se
reeleger com o discurso da eliminação da escala 6×1, venha realmente a atuar
neste sentido?
Além
disso, não se pode perder de vista que a eliminação da escala 6×1, embora
bastante relevante, sobretudo, para o segmento mais explorado e discriminado da
classe trabalhadora, notadamente as pessoas negras, não é suficiente para
reparar a totalidade do histórico de derrotas da classe trabalhadora,
tomando-se como parâmetro as conquistas fixadas na Constituição Federal de
1988.
Um
histórico, pois, de desconstrução da Constituição e do império da precarização,
por meio, por exemplo, do impulso à “terceirização”, da lei de recuperação
judicial, da não punição da fraude da “pejotização”, dos reiterados ataques ao
direito de greve, até a se chegar à “reforma” trabalhista, cuja promessa de
revogação caiu no esquecimento.
Não
bastasse, nesse meio tempo – sem sequer uma reação de contrariedade expressa em
mobilização nas ruas – o que pode efetivamente ocorrer, é o STF, em
correspondência com os interesses da oposição e do poder econômico, nos
julgamentos dos Temas acima referidos, de forma quase silenciosa, portanto,
promover o aniquilamento de toda a rede de proteção trabalhista, fazendo,
inclusive, com que o discurso e as mobilizações em torno da eliminação da
escala 6×1 – tão repercutidos neste 1º. de maio – percam até o seu positivo
efeito eleitoral para o governo.
Todos
esses movimentos agora em curso, vale lembrar, estão assentados no interesse
comum do “enterro” da CPI do Banco Master, de modo que, “entre mortos e
feridos, salvam-se todos”, exceto a classe trabalhadora…
E nada
melhor que um 1º. de maio para refletir a respeito e se mobilizar por muito
mais!
Fonte:
The Intercept/Brasil 247/A Terra é Redonda

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