Rivalidade
sino-estadunidense é oportunidade única para o Brasil desde que faça o 'dever
de casa'
A China
acaba de tornar o Brasil seu destino nº 1 de investimentos globais,
ultrapassando os EUA, segundo o relatório anual do Conselho Empresarial
Brasil-China (CBBC).
Ao
todo, foram investidos US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões) no Brasil em 2025 — um
salto de 45% em relação a 2024 — distribuídos em um recorde de 52 projetos. O
Brasil agora absorve 10,9% de todo o capital chinês investido no exterior, já
os EUA, 6,8%.
As
principais áreas foram mineração, onde os investimentos mais que triplicaram,
veículos elétricos — a chinesa BYD respondeu por 72% das vendas de veículos
eletrificados no Brasil — e manufatura, que ultrapassou mineração quanto
petróleo.
O
conselho anunciou também que empresas chinesas investiram US$ 85,5 bilhões (R$
420 bilhões) no Brasil em 355 projetos desde 2007, em 20 dos 26 estados
brasileiros.
Além
disso, enquanto as importações e exportações para os EUA vêm caindo mensalmente
desde março, as vendas para a China cresceram 32,5% em abril, chegando a US$
11,61 bilhões (R$ 57,3 bilhões) . Os dados foram divulgados nesta quinta-feira
(7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O
incremento inédito e os valores que impressionam são consequência da disputa
crescente entre China e EUA na região latino-americana em torno de recursos
naturais e mercados, como apontaram especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil.
Para o
pesquisador Matheus Cecílio, doutor em Economia Política Internacional pela
Universidade Federal Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do LabChina, a
rivalidade sino-estadunidense no jogo geopolítico mundial é singularmente
promissora para o Brasil.
"Acho
que o Brasil nunca esteve em uma situação tão proveitosa. O Brasil,
historicamente, se beneficia de momentos de amplitude estratégica, em que ele
consegue jogar com vários lados ao mesmo tempo [...]. O fundamental para o
Brasil é saber fazer com o investimento direto externo, o que a China fez com o
investimento direto externo na sua época de desenvolvimento", defendeu
ele.
Logo, o
momento é de utilizar o investimento estrangeiro de uma maneira estratégica e
disciplinada, com políticas robustas de conteúdo local, transferência
tecnológica. "Para que isso não vire só mais uma etapa na longa cadeia do
Brasil de ser um receptor de produtos estrangeiros, investimentos estrangeiros,
tecnologias estrangeiras, mas que nem sempre se refletem na nossa construção
autônoma e nacional de uma capacidade produtiva e tecnológica própria".
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Inversão dos papéis
Cecílio
ressaltou o mundo assiste atualmente uma inversão da narrativa tradicional e
dos papéis que as duas potências desempenharam no passado.
Ele
explicou que se antes os Estados Unidos, na liderança do bloco ocidental, eram
os defensores tradicionais e históricos do livre comércio, sobretudo, após a
Segunda Guerra Mundial, essa narrativa agora está sendo adotada pela China.
"Agora o que a gente está vendo é o oposto."
Nesse
cenário, a América Latina ganhou valor ainda mais crucial para a economia
global hoje, pontuou o pesquisador.
"O
que a gente tem visto é mais a redivisão do mundo em blocos, e a América Latina
aparece como uma região em franca disputa nesse novo momento da economia
política global, que é um momento de redefinição de blocos, redefinição de
zonas de interesse, e, principalmente, de blocos comerciais".
Para
além da complementaridade produtiva entre China e América Latina, o atual
panorama geopolítico delicado torna a região extremamente relevante para o país
asiático, que vem enfrentando dificuldades no acesso a alguns mercados. "O
investimento chinês tem sofrido mais escrutínio na Europa, na América do Norte,
por exemplo."
"Já
a América Latina e a África e outras regiões da Ásia aparecem como áreas ainda
abertas ou áreas ainda bastante permeáveis ao capital chinês".
Bruno
Hendler, especialista em relações internacionais e docente da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), corroborou com a visão de Cecílio ao
citar grandes empreendimentos, como o porto de de Chancay, que está sendo
construído com financiamento chinês, no Peru, como exemplo dessa disputa na
região.
"A
América Latina, especificamente América do Sul, se tornam um palco de
influência estratégica de cooperação em setores mais técnicos, porque esses
investimentos decorrem não apenas de negociação de mercado, de oportunidade de
lucro das empresas, mas decorrem de um planejamento estatal chinês de se
projetar em setores estratégicos, de infraestrutura, de comunicação, de
energia", disse à reportagem.
Na
avaliação de Hendler, Brasil e a América Latina, de forma geral, acabam
impelidos a optar pelo modelo de sistemas chineses ou por sistemas ocidentais.
Entretanto, o Brasil tem uma margem de barganha em alguns setores para baratear
custos, absorver algum tipo de tecnologia, gerar empregos de alto valor.
"O
Brasil é metade do PIB da América do Sul. Por si só, esse aumento de
investimento, reflete a importância que o Brasil tem. Então, esses últimos anos
de estabilidade econômica e macroeconômica no Brasil fez com que o mercado
brasileiro se tornasse mais atraente ainda para investimento externo. Enquanto
os investimentos ocidentais vão perdendo fôlego, a China aparece como um grande
investidor. De forma geral, isso significa que a China representa uma
alternativa para essa projeção tradicional ocidental", concluiu.
• Brasil promulga lei para simplificação
do comércio no Mercosul
O
governo brasileiro promulgou nesta sexta-feira (08/05) medidas para agilizar e
simplificar negociações no âmbito do Mercosul.
O
decreto que prevê o Acordo sobre Facilitação do Comércio do Mercosul, firmado
em dezembro de 2019 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, está publicado
no Diário Oficial da União.
A
medida foi assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da
Presidência da República, e decorre da aprovação do texto pelo Congresso
Nacional em setembro de 2023.
O
acordo estabelece regras comuns para facilitar o comércio intrazona, alinhadas
às diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização Mundial
de Aduanas (OMA).
Os
principais pontos são:
• ampliar o uso de documentação
eletrônica;
• adotar procedimentos aduaneiros mais
rápidos e baseados em gestão de riscos;
• promover a transparência regulatória;
• estimular a cooperação entre autoridades
de fronteira dos países.
O texto
também prevê medidas específicas para o despacho mais célere de bens, inclusive
perecíveis, a implementação do Guichê Único de Comércio Exterior e a ampliação
do intercâmbio de documentos em formato digital, como certificados de origem e
sanitários.
Além
disso, o acordo busca reduzir custos e prazos, ampliar a previsibilidade das
regras e oferecer maior segurança jurídica aos operadores de comércio exterior,
com atenção especial às micro, pequenas e médias empresas.
Atos
que venham a revisar o acordo ou gerar novos compromissos financeiros ao país
continuarão sujeitos à aprovação do Congresso Nacional.
• China ocupa quase 50% do mercado
automotivo brasileiro com carros importados, diz mídia
Os
veículos produzidos na China já representam metade dos carros novos importados
vendidos no Brasil, escreve a revista Autoesporte.
A
revista salienta que, entre janeiro e abril de 2026, mais de 80 mil veículos
originários da China chegaram aos portos brasileiros, enquanto há um ano esse
número era inferior a 50 mil.
"Praticamente
metade dos veículos importados vendidos no Brasil vêm da China. Dos 168,1 mil
veículos importados entre janeiro e abril de 2026, 80,1 mil saíram da China, o
maior produtor do setor. Isso representa 47,7% das 168,1 mil unidades que o Brasil
importou no período", detalha a publicação.
Com
esse aumento, a China se tornou a principal fornecedora de carros importados
para o Brasil, superando a Argentina, sua parceira histórica, que agora ocupa o
segundo lugar. Do país vizinho, vieram apenas 54,9 mil veículos em 2026, o que
representa uma queda de 20,2% em relação aos 68,8 mil importados no primeiro
quadrimestre de 2025.
O forte
crescimento das importações chinesas é evidenciado pela variação percentual em
um ano: entre janeiro e abril de 2026, houve um aumento de 81,6% no volume de
veículos embarcados para o Brasil. No total, foram 80,1 mil veículos, incluindo
automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra 44,1 mil no mesmo
período de 2025.
No
entanto, o aumento do interesse dos brasileiros pelos carros chineses não
explica sozinho esse salto de mais de 80% em apenas um ano, já que, desde o
início de 2025, oito marcas chinesas iniciaram operações no Brasil com veículos
importados, observa a revista.
Anteriormente,
o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou
que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 11,3% em abril,
na comparação com o mesmo mês de 2025. Ao mesmo tempo, as vendas para a China
cresceram 32,5%, passando de US$ 8,763 bilhões (R$ 43 bilhões), em abril de
2025, para US$ 11,61 bilhões (R$ 57,3 bilhões).
• Exportações brasileiras para os EUA caem
11,3% e para a China crescem 32,5%
As
exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 11,3% em abril, na
comparação com o mesmo mês de 2025, de acordo com dados divulgados nesta
quinta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC).
As
vendas para os EUA caíram para US$ 3,121 bilhões (R$ 15,3 bilhões) em abril, na
comparação com US$ 3,517 bilhões (R$ 17,3 bilhões) de abril de 2025.
Já as
importações de produtos estadunidenses caíram 18,1%, passando de US$ 3,780
bilhões (R$ 18,3 bilhões) para US$ 3,097 bilhões (R$ 14,8 bilhões).
Com
isso, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos fechou abril com
superávit de US$ 20 milhões (R$ 98,9 milhões) para o Brasil.
A queda
nas exportações brasileiras para o mercado dos EUA é a nona consecutiva, desde
a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente dos EUA,
Donald Trump, em meados de 2025.
Mais
cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por Trump na Casa
Branca. A reunião teve cerca de três horas de duração e incluiu um almoço. A
prioridade do governo brasileiro na conversa foi o fim das tarifas.
Apesar
da retirada de parte dos produtos brasileiros da lista tarifária, no fim do ano
passado, o MDIC estima que 22% das exportações brasileiras continuem sujeitas
às taxas impostas em julho de 2025. O grupo inclui itens submetidos apenas à
tarifa adicional de 40% e também produtos que acumulam a alíquota extra com a
taxa-base de 10%.
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Exportações para a China aumentam
O
levantamento aponta ainda que, no mesmo período, as vendas para a China
cresceram 32,5%, passando de US$ 8,763 bilhões (R$ 43 bilhões), em abril de
2025, para US$ 11,61 bilhões (R$ 57,3 bilhões).
As
importações do país asiático também avançaram, com alta de 20,7%, passando de
US$ 5,018 bilhões (R$ 24,7 bilhões) para US$ 6,054 bilhões (R$ 29,6 bilhões). O
resultado garantiu ao Brasil um superávit comercial de US$ 5,56 bilhões (R$
27,5 bilhões) com a China no quarto mês do ano.
De
janeiro a abril, as exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram
25,4%, totalizando US$ 35,61 bilhões (R$ 176 bilhões). Já as importações
tiveram queda de 0,4%, somando US$ 23,96 bilhões (R$ 118 bilhões). O superávit
brasileiro com a China no período chegou a US$ 11,65 bilhões (R$ 57,3 bilhões).
Fonte:
Sputnik Brasil

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