Eduardo
Bolsonaro protagoniza briga com Ricardo Salles, que o acusa de receber R$ 60
milhões
Eduardo
Bolsonaro ((PL-SP) virou o centro de uma guerra pública na extrema direita
depois que Ricardo Salles (Novo) o acusou de ter recebido até R$ 60 milhões
para desistir da disputa ao Senado por São Paulo e apoiar André do Prado. A
briga explodiu entre sábado e domingo, nas redes sociais, em meio à disputa
pela chapa bolsonarista de 2026 no estado.
A
acusação foi feita por Salles em entrevista ao podcast IronTalks e repercutida
por aliados e adversários do bolsonarismo. O deputado federal do Novo afirmou
que parlamentares especulam movimentações entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões
na articulação que tirou Eduardo da cabeça de chapa e colocou o presidente da
Alesp, André do Prado, como nome do PL ao Senado. Até aqui, Salles não
apresentou documentos públicos que comprovem o suposto pagamento.
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Eduardo Bolsonaro promete resposta a Salles
Eduardo
Bolsonaro reagiu no X e marcou o ex-ministro. “Amanhã 12h, @rsallesmma.
Lamentável, mas necessário”, escreveu, ao anunciar que publicaria uma resposta
em vídeo no YouTube.
Em
seguida, Eduardo publicou uma segunda postagem em tom de deboche. “Será que
ainda tem pato que cai nessas?”, escreveu, ao compartilhar vídeo de Felipe
Carmona que questionava mudança de postura de Salles.
No
vídeo anunciado por Eduardo, o filho de Jair Bolsonaro acusou Salles de curtir
postagens de “gente do PT” contra ele, de escolher como suplente um indicado de
Capitão Augusto e de atacar o Centrão sem fazer o mesmo contra Geraldo Alckmin.
“Tem coisas que passam do limite”, afirmou Eduardo.
“Quem
não deve, né Salles, não teme. Não é o tipo de vídeo que eu gosto de fazer,
confesso, mas, como diria o professor Olavo, moderação na defesa da verdade é
serviço prestado à mentira”, disse Eduardo Bolsonaro.
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Ricardo Salles sobe o tom contra Eduardo Bolsonaro
Em
vídeos que circulam nas redes, Salles aparece alternando declarações antigas de
apoio à permanência de Eduardo nos Estados Unidos com ataques recentes ao filho
de Bolsonaro. Em um dos trechos, afirma que Eduardo “enfiou o rabinho entre as
pernas” e foi “cuidar dos seus negócios nos Estados Unidos”. Em outro, diz que
ele “falou um monte de merda” fora do Brasil e inviabilizou o próprio retorno.
No
vídeo atribuído a Salles, o ex-ministro também reivindica espaço na chapa
paulista e afirma que uma das vagas ao Senado seria dele e a outra de Tarcísio
de Freitas. “Senado de São Paulo, para não ter dúvida: uma vaga é minha, outra
vaga é do Tarcísio. E o resto vai se brigar”, disse.
Salles
ainda atacou quem, segundo ele, tenta decidir os rumos da direita paulista sem
ter votos ou trajetória eleitoral. “Você, seu idiota, que está falando que vai
unir a direita, o que você fez pela direita para estar cantando de galo aí?”,
afirmou.
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Postagem amplifica acusação dos R$ 60 milhões
A
acusação contra Eduardo Bolsonaro ganhou tração depois que Victor Garcia, o
Toninho do Call, publicou trecho da fala de Salles e destacou três pontos do
vídeo: a passagem de Tarcísio pelo DNIT no governo Dilma, a acusação de
corrupção contra o partido de Flávio Bolsonaro e a suspeita de que Eduardo
teria recebido R$ 60 milhões para desistir da candidatura.
No
texto, Victor Garcia escreveu que a melhor forma de desistir de uma candidatura
seria “ir para o exterior, barbarizar contra a Justiça Eleitoral, pagar de
perseguido e dizer que não dá mais para ser candidato”.
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Carlos Bolsonaro vê ataque ao nome Bolsonaro
Carlos
Bolsonaro saiu em defesa do irmão e afirmou que a crise não tem relação apenas
com apoio eleitoral a um nome ou outro. Segundo ele, há um “contínuo processo
de desgaste e tentativa de destruição do nome de Jair Bolsonaro e seus filhos”.
“Os
alvos mudam conforme o momento, a narrativa e a conveniência. Há método,
estratégia e interesse político por trás de cada movimento”, escreveu Carlos
Bolsonaro.
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Mário Frias defende Eduardo Bolsonaro e acusa Salles
Mário
Frias também entrou na briga em defesa de Eduardo. Em publicação com vídeo,
afirmou que acompanha um “festival de ofensas e difamações” de Salles contra
Eduardo, com repercussão de Rodrigo Constantino.
Frias
disse que Salles o procurou pessoalmente para tratar da disputa ao Senado.
Segundo ele, o ex-ministro teria dito que Frias não poderia sair candidato, que
não desistiria da vaga e que, no fim, ele, Guilherme Derrite e o próprio Salles
perderiam.
O
ex-secretário de Cultura afirmou que não tem “ambição pessoal por candidatura”
e que só disputará o Senado se sua liderança determinar. Também classificou as
acusações de Salles contra Eduardo como “abjetas”.
“As
acusações de Salles, de que Eduardo teria ‘se vendido’, simplesmente não fazem
sentido. Se o Eduardo quisesse se vender, teria se vendido ao próprio Salles”,
escreveu Mário Frias.
Na
mesma publicação, Frias afirmou que Eduardo busca garantir votos para Flávio
Bolsonaro, ampliar espaço para seu grupo político no partido e criar meios para
“lutar pela liberdade dos inocentes do 8 de janeiro”. Também acusou Salles de
ter se escondido quando passou a responder por acusações envolvendo venda
ilegal de madeira.
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Fórum mostrou bastidor da guerra entre Eduardo Bolsonaro e Salles
A
Revista Fórum vem mostrando a escalada da crise antes da acusação dos R$ 60
milhões. Em abril, mostrou que, após a “bênção” de Eduardo Bolsonaro, o PL
definiu André do Prado como candidato ao Senado.
A Fórum
também mostrou o plano de Eduardo Bolsonaro para o Senado sem precisar voltar
ao Brasil, com a possibilidade de ele ocupar a suplência de André do Prado na
chapa paulista.
Na
semana passada, a Revista Fórum noticiou que Ricardo Salles chamou o apoio de
Eduardo a André do Prado de “vergonhoso” e associou o presidente da Alesp a
Valdemar Costa Neto.
A crise
também passou por Jair Bolsonaro. A Fórum mostrou que Bolsonaro teve crise
nervosa com o plano de Eduardo para lançar André do Prado ao Senado, já que o
ex-presidente preferia o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo.
Outro
efeito da guerra foi a reação de Mello Araújo. A Fórum mostrou que o vice de
Ricardo Nunes atacou Tarcísio e o PL após ser rifado da disputa pelo Senado.
A
disputa também envolve Mário Frias. Em abril, a Fórum mostrou que Michelle
Bolsonaro vetou o nome de Mário Frias e ampliou a guerra do PL em São Paulo.
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Eduardo Bolsonaro não está em exercício na Câmara
O site
oficial da Câmara dos Deputados informa que Eduardo Bolsonaro, do PL de São
Paulo, não está em exercício em 2026. Em dezembro de 2025, a própria Câmara
registrou que a Mesa Diretora declarou a perda de mandato parlamentar de
Eduardo e de Alexandre Ramagem.
Ricardo
Salles, por sua vez, aparece no portal da Câmara dos Deputados como deputado
federal em exercício pelo Novo de São Paulo. Ele foi ministro do Meio Ambiente
no governo Jair Bolsonaro e tenta se viabilizar na disputa ao Senado.
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Acusação ainda não tem prova pública
A
acusação dos R$ 60 milhões é, até o momento, uma fala política de Ricardo
Salles em meio à disputa interna da direita paulista. Não há, nos materiais
divulgados até agora, documento público que comprove pagamento a Eduardo
Bolsonaro para desistir da candidatura ao Senado.
Também
não havia, até a publicação desta nota, manifestação oficial localizada do PL,
de Valdemar Costa Neto, de André do Prado, do DNIT ou do Ministério dos
Transportes sobre as acusações de Salles.
• Aliados de Michelle expõem irritação de
Bolsonaro
Não há
nada tão ruim que não possa piorar, especialmente quando o assunto é a
harmonia, ou a falta dela, no clã Bolsonaro. A última crise, que correu os
bastidores do Partido Liberal nesta semana, revela que a unidade familiar é
hoje uma peça de ficção mal escrita.
O
estopim da vez foi a movimentação de Eduardo Bolsonaro. O filho “03” decidiu,
por conta própria, lançar o deputado André do Prado, como candidato ao Senado.
Mais: Eduardo anunciou que será o suplente na chapa.
O
problema é que o capitão não foi consultado. Ou, se foi, não gostou do que
ouviu. Segundo a Veja, informações que circulam entre caciques do PL, e que
curiosamente partem de figuras muito próximas a Michelle Bolsonaro, dão conta
de que Jair Bolsonaro teve uma crise nervosa ao saber da operação.
Para o
patriarca, a aliança de Eduardo é uma forma de desmoralizar o nome da família
perante o eleitorado mais fiel, os bolsonaristas-raiz.
Enquanto
tentam manter as aparências de um grupo coeso, os vazamentos revelam o jogo de
espelhos. Michelle, cada vez mais influente no partido, parece não se importar
que o mal-estar entre pai e filho venha a público. No bastidor da
extrema-direita, o fogo amigo queima mais do que qualquer oposição.
O clã,
que sempre sobreviveu criando inimigos externos, agora se ocupa em enfrentar os
fantasmas que moram sob o mesmo teto.
• Candidatura Zema fracassa e não decola
nem entre os mineiros
A
pré-candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo) enfrenta um
cenário cada vez mais adverso em Minas Gerais, estado que administrou por sete
anos e que deveria funcionar como principal base eleitoral de seu projeto
nacional. Segundo reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, o
desempenho fraco nas pesquisas entre os próprios mineiros ampliou a pressão de
aliados da direita para que Zema abandone a corrida ao Palácio do Planalto.
Levantamento
Genial/Quaest citado pela reportagem mostra que Zema registra apenas 11% das
intenções de voto em Minas Gerais no primeiro turno presidencial. O índice o
deixa muito atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera com 32%,
e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 27%.
O
resultado expõe a dificuldade do ex-governador em transformar sua passagem pelo
governo estadual em apoio eleitoral consistente. Embora tenha encerrado sua
gestão com índices ainda relevantes de aprovação, o capital político não se
converteu automaticamente em votos para a disputa presidencial.
A
situação de Zema contrasta com a de Ronaldo Caiado (PSD), outro ex-governador
que deixou o cargo para disputar a Presidência. Em Goiás, Caiado aparece com
31% das intenções de voto, superando Lula, que tem 20%, e próximo de Flávio
Bolsonaro, com 25%.
A
direção do Novo em Minas tenta minimizar o problema. O presidente estadual do
partido, Christopher Laguna, atribuiu parte da resistência ao discurso adotado
por Zema contra o Supremo Tribunal Federal (STF). “O Caiado não tem falado do
STF. A gente está falando a verdade o tempo inteiro, isso incomoda, vai ter
gente que não quer que fale”, afirmou ao Estadão.
Laguna
também alegou que Minas Gerais possui características políticas e culturais
mais complexas do que Goiás. “O que vale para nós é a nível de Brasil. E Zema
está bem, numa crescente”, declarou.
Especialistas,
no entanto, avaliam que o desempenho do ex-governador em seu próprio estado se
tornou um dos principais obstáculos de sua campanha. O cientista político
Felipe Nunes, CEO da Quaest, afirmou que uma candidatura presidencial
alternativa tem enorme dificuldade de prosperar sem demonstrar força regional
expressiva.
“Para
uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa nacional, é muito
difícil não demonstrar força expressiva no próprio Estado”, disse Nunes.
Segundo
o cientista político, o problema de Zema envolve três fatores centrais:
desgaste de fim de ciclo após sete anos de governo, incapacidade de converter
aprovação administrativa em voto e a forte polarização nacional entre Lula e
Flávio Bolsonaro.
Em uma
simulação de segundo turno da Genial/Quaest, Zema aparece numericamente à
frente de Lula, com 38% contra 37%. Ainda assim, Felipe Nunes avalia que o
ex-governador sofre para encontrar espaço no primeiro turno. “Isso indica que o
problema dele não é apenas rejeição local. É também dificuldade de se
posicionar no primeiro turno, espremido pela polarização Lula versus Flávio”,
afirmou.
Outro
problema para o ex-governador é o baixo nível de conhecimento nacional. Mais de
70% dos eleitores na Bahia, Pernambuco e Ceará afirmam não conhecer Zema. O
índice de desconhecimento também supera 50% em estados estratégicos como São
Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Na
tentativa de ampliar sua visibilidade, Zema passou a intensificar viagens pelo
Sul e Sudeste e endureceu os ataques ao STF. Nas últimas semanas, buscou
protagonismo nas redes sociais com vídeos sobre os chamados “intocáveis” e com
embates públicos contra o ministro Gilmar Mendes.
Apesar
da maior exposição, os números nacionais continuam estagnados. Nas pesquisas
mais recentes, Zema aparece com cerca de 3% das intenções de voto para a
Presidência.
As
dificuldades também atingem o projeto de sucessão política em Minas Gerais. O
atual governador Mateus Simões (PSD), antigo vice de Zema e escolhido como
herdeiro político do grupo, segue sem conseguir decolar nas pesquisas
estaduais, oscilando entre 3% e 5%.
O
cenário aumentou a pressão do PL mineiro para que Zema desista da candidatura
presidencial e apoie Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em troca, o partido
apoiaria Mateus Simões na disputa pelo governo estadual.
O
presidente do PL em Minas, Domingos Sávio, foi direto ao defender a unificação
da direita. “Se o governador Zema entender que pode apoiar no primeiro turno o
Flávio Bolsonaro, a equação está resolvida”, afirmou à rádio BandNews.
Caso
Zema mantenha a candidatura, o PL considera apoiar o senador Cleitinho Azevedo
(Republicanos), que lidera as pesquisas em Minas, ou lançar candidatura própria
ao governo estadual.
Mateus
Simões, por sua vez, negou pressionar Zema a abandonar a disputa presidencial.
“Jamais pediria ao ex-governador Romeu Zema que faça isso. Se ele decidir pela
unificação das candidaturas, obviamente, será positivo para a solução em Minas,
mas o tema Brasil é maior do que isso”, declarou ao Estadão.
Mesmo
tentando demonstrar tranquilidade, o grupo político de Zema entra na reta
pré-eleitoral pressionado por pesquisas desfavoráveis, baixa capilaridade
nacional e dificuldades crescentes para manter unido o campo da direita em
Minas Gerais.
Fonte:
Fórum/Metrópoles/Brasil 247

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