terça-feira, 12 de maio de 2026

Eduardo Bolsonaro protagoniza briga com Ricardo Salles, que o acusa de receber R$ 60 milhões

Eduardo Bolsonaro ((PL-SP) virou o centro de uma guerra pública na extrema direita depois que Ricardo Salles (Novo) o acusou de ter recebido até R$ 60 milhões para desistir da disputa ao Senado por São Paulo e apoiar André do Prado. A briga explodiu entre sábado e domingo, nas redes sociais, em meio à disputa pela chapa bolsonarista de 2026 no estado.

A acusação foi feita por Salles em entrevista ao podcast IronTalks e repercutida por aliados e adversários do bolsonarismo. O deputado federal do Novo afirmou que parlamentares especulam movimentações entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões na articulação que tirou Eduardo da cabeça de chapa e colocou o presidente da Alesp, André do Prado, como nome do PL ao Senado. Até aqui, Salles não apresentou documentos públicos que comprovem o suposto pagamento.

<><> Eduardo Bolsonaro promete resposta a Salles

Eduardo Bolsonaro reagiu no X e marcou o ex-ministro. “Amanhã 12h, @rsallesmma. Lamentável, mas necessário”, escreveu, ao anunciar que publicaria uma resposta em vídeo no YouTube.

Em seguida, Eduardo publicou uma segunda postagem em tom de deboche. “Será que ainda tem pato que cai nessas?”, escreveu, ao compartilhar vídeo de Felipe Carmona que questionava mudança de postura de Salles.

No vídeo anunciado por Eduardo, o filho de Jair Bolsonaro acusou Salles de curtir postagens de “gente do PT” contra ele, de escolher como suplente um indicado de Capitão Augusto e de atacar o Centrão sem fazer o mesmo contra Geraldo Alckmin. “Tem coisas que passam do limite”, afirmou Eduardo.

“Quem não deve, né Salles, não teme. Não é o tipo de vídeo que eu gosto de fazer, confesso, mas, como diria o professor Olavo, moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira”, disse Eduardo Bolsonaro.

<><> Ricardo Salles sobe o tom contra Eduardo Bolsonaro

Em vídeos que circulam nas redes, Salles aparece alternando declarações antigas de apoio à permanência de Eduardo nos Estados Unidos com ataques recentes ao filho de Bolsonaro. Em um dos trechos, afirma que Eduardo “enfiou o rabinho entre as pernas” e foi “cuidar dos seus negócios nos Estados Unidos”. Em outro, diz que ele “falou um monte de merda” fora do Brasil e inviabilizou o próprio retorno.

No vídeo atribuído a Salles, o ex-ministro também reivindica espaço na chapa paulista e afirma que uma das vagas ao Senado seria dele e a outra de Tarcísio de Freitas. “Senado de São Paulo, para não ter dúvida: uma vaga é minha, outra vaga é do Tarcísio. E o resto vai se brigar”, disse.

Salles ainda atacou quem, segundo ele, tenta decidir os rumos da direita paulista sem ter votos ou trajetória eleitoral. “Você, seu idiota, que está falando que vai unir a direita, o que você fez pela direita para estar cantando de galo aí?”, afirmou.

<><> Postagem amplifica acusação dos R$ 60 milhões

A acusação contra Eduardo Bolsonaro ganhou tração depois que Victor Garcia, o Toninho do Call, publicou trecho da fala de Salles e destacou três pontos do vídeo: a passagem de Tarcísio pelo DNIT no governo Dilma, a acusação de corrupção contra o partido de Flávio Bolsonaro e a suspeita de que Eduardo teria recebido R$ 60 milhões para desistir da candidatura.

No texto, Victor Garcia escreveu que a melhor forma de desistir de uma candidatura seria “ir para o exterior, barbarizar contra a Justiça Eleitoral, pagar de perseguido e dizer que não dá mais para ser candidato”.

<><> Carlos Bolsonaro vê ataque ao nome Bolsonaro

Carlos Bolsonaro saiu em defesa do irmão e afirmou que a crise não tem relação apenas com apoio eleitoral a um nome ou outro. Segundo ele, há um “contínuo processo de desgaste e tentativa de destruição do nome de Jair Bolsonaro e seus filhos”.

“Os alvos mudam conforme o momento, a narrativa e a conveniência. Há método, estratégia e interesse político por trás de cada movimento”, escreveu Carlos Bolsonaro.

<><> Mário Frias defende Eduardo Bolsonaro e acusa Salles

Mário Frias também entrou na briga em defesa de Eduardo. Em publicação com vídeo, afirmou que acompanha um “festival de ofensas e difamações” de Salles contra Eduardo, com repercussão de Rodrigo Constantino.

Frias disse que Salles o procurou pessoalmente para tratar da disputa ao Senado. Segundo ele, o ex-ministro teria dito que Frias não poderia sair candidato, que não desistiria da vaga e que, no fim, ele, Guilherme Derrite e o próprio Salles perderiam.

O ex-secretário de Cultura afirmou que não tem “ambição pessoal por candidatura” e que só disputará o Senado se sua liderança determinar. Também classificou as acusações de Salles contra Eduardo como “abjetas”.

“As acusações de Salles, de que Eduardo teria ‘se vendido’, simplesmente não fazem sentido. Se o Eduardo quisesse se vender, teria se vendido ao próprio Salles”, escreveu Mário Frias.

Na mesma publicação, Frias afirmou que Eduardo busca garantir votos para Flávio Bolsonaro, ampliar espaço para seu grupo político no partido e criar meios para “lutar pela liberdade dos inocentes do 8 de janeiro”. Também acusou Salles de ter se escondido quando passou a responder por acusações envolvendo venda ilegal de madeira.

<><> Fórum mostrou bastidor da guerra entre Eduardo Bolsonaro e Salles

A Revista Fórum vem mostrando a escalada da crise antes da acusação dos R$ 60 milhões. Em abril, mostrou que, após a “bênção” de Eduardo Bolsonaro, o PL definiu André do Prado como candidato ao Senado.

A Fórum também mostrou o plano de Eduardo Bolsonaro para o Senado sem precisar voltar ao Brasil, com a possibilidade de ele ocupar a suplência de André do Prado na chapa paulista.

Na semana passada, a Revista Fórum noticiou que Ricardo Salles chamou o apoio de Eduardo a André do Prado de “vergonhoso” e associou o presidente da Alesp a Valdemar Costa Neto.

A crise também passou por Jair Bolsonaro. A Fórum mostrou que Bolsonaro teve crise nervosa com o plano de Eduardo para lançar André do Prado ao Senado, já que o ex-presidente preferia o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo.

Outro efeito da guerra foi a reação de Mello Araújo. A Fórum mostrou que o vice de Ricardo Nunes atacou Tarcísio e o PL após ser rifado da disputa pelo Senado.

A disputa também envolve Mário Frias. Em abril, a Fórum mostrou que Michelle Bolsonaro vetou o nome de Mário Frias e ampliou a guerra do PL em São Paulo.

<><> Eduardo Bolsonaro não está em exercício na Câmara

O site oficial da Câmara dos Deputados informa que Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, não está em exercício em 2026. Em dezembro de 2025, a própria Câmara registrou que a Mesa Diretora declarou a perda de mandato parlamentar de Eduardo e de Alexandre Ramagem.

Ricardo Salles, por sua vez, aparece no portal da Câmara dos Deputados como deputado federal em exercício pelo Novo de São Paulo. Ele foi ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro e tenta se viabilizar na disputa ao Senado.

<><> Acusação ainda não tem prova pública

A acusação dos R$ 60 milhões é, até o momento, uma fala política de Ricardo Salles em meio à disputa interna da direita paulista. Não há, nos materiais divulgados até agora, documento público que comprove pagamento a Eduardo Bolsonaro para desistir da candidatura ao Senado.

Também não havia, até a publicação desta nota, manifestação oficial localizada do PL, de Valdemar Costa Neto, de André do Prado, do DNIT ou do Ministério dos Transportes sobre as acusações de Salles.

•        Aliados de Michelle expõem irritação de Bolsonaro

Não há nada tão ruim que não possa piorar, especialmente quando o assunto é a harmonia, ou a falta dela, no clã Bolsonaro. A última crise, que correu os bastidores do Partido Liberal nesta semana, revela que a unidade familiar é hoje uma peça de ficção mal escrita.

O estopim da vez foi a movimentação de Eduardo Bolsonaro. O filho “03” decidiu, por conta própria, lançar o deputado André do Prado, como candidato ao Senado. Mais: Eduardo anunciou que será o suplente na chapa.

O problema é que o capitão não foi consultado. Ou, se foi, não gostou do que ouviu. Segundo a Veja, informações que circulam entre caciques do PL, e que curiosamente partem de figuras muito próximas a Michelle Bolsonaro, dão conta de que Jair Bolsonaro teve uma crise nervosa ao saber da operação.

Para o patriarca, a aliança de Eduardo é uma forma de desmoralizar o nome da família perante o eleitorado mais fiel, os bolsonaristas-raiz.

Enquanto tentam manter as aparências de um grupo coeso, os vazamentos revelam o jogo de espelhos. Michelle, cada vez mais influente no partido, parece não se importar que o mal-estar entre pai e filho venha a público. No bastidor da extrema-direita, o fogo amigo queima mais do que qualquer oposição.

O clã, que sempre sobreviveu criando inimigos externos, agora se ocupa em enfrentar os fantasmas que moram sob o mesmo teto.

•        Candidatura Zema fracassa e não decola nem entre os mineiros

A pré-candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo) enfrenta um cenário cada vez mais adverso em Minas Gerais, estado que administrou por sete anos e que deveria funcionar como principal base eleitoral de seu projeto nacional. Segundo reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, o desempenho fraco nas pesquisas entre os próprios mineiros ampliou a pressão de aliados da direita para que Zema abandone a corrida ao Palácio do Planalto.

Levantamento Genial/Quaest citado pela reportagem mostra que Zema registra apenas 11% das intenções de voto em Minas Gerais no primeiro turno presidencial. O índice o deixa muito atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera com 32%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 27%.

O resultado expõe a dificuldade do ex-governador em transformar sua passagem pelo governo estadual em apoio eleitoral consistente. Embora tenha encerrado sua gestão com índices ainda relevantes de aprovação, o capital político não se converteu automaticamente em votos para a disputa presidencial.

A situação de Zema contrasta com a de Ronaldo Caiado (PSD), outro ex-governador que deixou o cargo para disputar a Presidência. Em Goiás, Caiado aparece com 31% das intenções de voto, superando Lula, que tem 20%, e próximo de Flávio Bolsonaro, com 25%.

A direção do Novo em Minas tenta minimizar o problema. O presidente estadual do partido, Christopher Laguna, atribuiu parte da resistência ao discurso adotado por Zema contra o Supremo Tribunal Federal (STF). “O Caiado não tem falado do STF. A gente está falando a verdade o tempo inteiro, isso incomoda, vai ter gente que não quer que fale”, afirmou ao Estadão.

Laguna também alegou que Minas Gerais possui características políticas e culturais mais complexas do que Goiás. “O que vale para nós é a nível de Brasil. E Zema está bem, numa crescente”, declarou.

Especialistas, no entanto, avaliam que o desempenho do ex-governador em seu próprio estado se tornou um dos principais obstáculos de sua campanha. O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, afirmou que uma candidatura presidencial alternativa tem enorme dificuldade de prosperar sem demonstrar força regional expressiva.

“Para uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa nacional, é muito difícil não demonstrar força expressiva no próprio Estado”, disse Nunes.

Segundo o cientista político, o problema de Zema envolve três fatores centrais: desgaste de fim de ciclo após sete anos de governo, incapacidade de converter aprovação administrativa em voto e a forte polarização nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Em uma simulação de segundo turno da Genial/Quaest, Zema aparece numericamente à frente de Lula, com 38% contra 37%. Ainda assim, Felipe Nunes avalia que o ex-governador sofre para encontrar espaço no primeiro turno. “Isso indica que o problema dele não é apenas rejeição local. É também dificuldade de se posicionar no primeiro turno, espremido pela polarização Lula versus Flávio”, afirmou.

Outro problema para o ex-governador é o baixo nível de conhecimento nacional. Mais de 70% dos eleitores na Bahia, Pernambuco e Ceará afirmam não conhecer Zema. O índice de desconhecimento também supera 50% em estados estratégicos como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

Na tentativa de ampliar sua visibilidade, Zema passou a intensificar viagens pelo Sul e Sudeste e endureceu os ataques ao STF. Nas últimas semanas, buscou protagonismo nas redes sociais com vídeos sobre os chamados “intocáveis” e com embates públicos contra o ministro Gilmar Mendes.

Apesar da maior exposição, os números nacionais continuam estagnados. Nas pesquisas mais recentes, Zema aparece com cerca de 3% das intenções de voto para a Presidência.

As dificuldades também atingem o projeto de sucessão política em Minas Gerais. O atual governador Mateus Simões (PSD), antigo vice de Zema e escolhido como herdeiro político do grupo, segue sem conseguir decolar nas pesquisas estaduais, oscilando entre 3% e 5%.

O cenário aumentou a pressão do PL mineiro para que Zema desista da candidatura presidencial e apoie Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em troca, o partido apoiaria Mateus Simões na disputa pelo governo estadual.

O presidente do PL em Minas, Domingos Sávio, foi direto ao defender a unificação da direita. “Se o governador Zema entender que pode apoiar no primeiro turno o Flávio Bolsonaro, a equação está resolvida”, afirmou à rádio BandNews.

Caso Zema mantenha a candidatura, o PL considera apoiar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas em Minas, ou lançar candidatura própria ao governo estadual.

Mateus Simões, por sua vez, negou pressionar Zema a abandonar a disputa presidencial. “Jamais pediria ao ex-governador Romeu Zema que faça isso. Se ele decidir pela unificação das candidaturas, obviamente, será positivo para a solução em Minas, mas o tema Brasil é maior do que isso”, declarou ao Estadão.

Mesmo tentando demonstrar tranquilidade, o grupo político de Zema entra na reta pré-eleitoral pressionado por pesquisas desfavoráveis, baixa capilaridade nacional e dificuldades crescentes para manter unido o campo da direita em Minas Gerais.

 

Fonte: Fórum/Metrópoles/Brasil 247

 

 

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