Dermatite
atópica exige tratamento adequado para evitar evolução
Ainda
na infância, Sofia Prata, que atualmente tem 16 anos, sofria com uma coceira
insistente. Atrapalhando seu sono e trazendo dificuldades para seu dia a dia,
aquela sensação constante na pele era mais do que um simples incômodo: era o
primeiro sinal de uma batalha silenciosa contra a dermatite atópica, doença
inflamatória crônica. Sem conseguir chegar em um diagnóstico preciso, sua
rotina foi sendo modificada por uma condição que não se via ou sentia apenas na
pele, mas também deixava marcas emocionais profundas.
A sua
jornada começou quando Sofia tinha apenas 10 anos. Após a definição da doença,
Sofia conseguiu buscar tratamento. “Ao longo dos anos, eu usei cremes
específicos para hidratação e controle dos sintomas, muitos deles de alto
custo. Eu não gosto de passar, mas é importante sempre hidratar para melhorar a
sensação e aspecto da pele, pois ela fica bem áspera pela coceira que a
dermatite provoca”, conta.
Diante
do sofrimento de Sofia, a mãe Maria Cida Prata passou a reconhecer, cada vez
mais, a importância do diagnóstico precoce, escuta atenta aos cuidadores e
acesso facilitado aos tratamentos, incluindo não apenas medicamentos, mas
também cremes e produtos básicos, que são caros e essenciais para o controle da
doença.
"É
muito importante que o acesso ao
tratamento no sistema de saúde seja facilitado, porque o custo do cuidado é
alto e muitas famílias não conseguem arcar sozinhas. Qualquer avanço nesse
sentido representa alívio para quem vive essa realidade", defende.
Para
ela, é essencial um olhar mais atento para que casos, como o de sua filha, não
passem despercebidos. “Muitas crianças e adolescentes enfrentam bullying, e o
impacto emocional é grande, muitas vezes até causando o isolamento. É
fundamental que médicos e gestores de saúde entendam o quanto essa jornada é
pesada para os pacientes e suas famílias e o quanto decisões tardias podem
agravar ainda mais o sofrimento”, pontua.
Doença
inflamatória crônica, a dermatite atópica é caracterizada por lesões e coceira
intensa, que costuma apresentar períodos de crise e, nos casos mais graves,
persistir mesmo fora dessas fases. Wagner Galvão, médico dermatologista,
informa que trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo, já que
o objetivo do tratamento é reduzir as lesões, o prurido e a frequência das
crises.
"A
dermatite atópica é considerada uma doença sistêmica porque frequentemente está
associada a outras condições, como asma e rinite alérgica, o que demonstra que
o processo inflamatório não se limita apenas à pele", explica o
especialista. O dermatologista ressalta que, além das manifestações cutâneas, a
dermatite atópica tem um impacto significativo na qualidade de vida do
paciente.
Galvão
indica que há prejuízos importantes na qualidade de vida, comprometimento do
sono e repercussões emocionais, como aumento da ansiedade, depressão e
isolamento social. Em crianças e adolescentes, o impacto se estende também à
família. O profissional aponta ainda que pacientes com dermatite atópica grave
chegam a limitar suas escolhas profissionais para evitar exposição social, o
que tangibiliza o peso emocional e social da doença.
“A
dermatite atópica ainda é frequentemente tratada de forma insuficiente. Isso
gera frustração, favorece o abandono do tratamento e mantém o paciente em um
ciclo contínuo de inflamação e desconforto. Quando a doença não é controlada
adequadamente, o sofrimento persiste e a qualidade de vida fica seriamente
comprometida”, contextualiza.
No
âmbito de desenvolvimento emocional e social de um indivíduo, a ausência de
acompanhamento da enfermidade pode gerar um impacto muito significativo. Isso
porque, segundo o médico, a coceira intensa e persistente leva ao estigma
social e ao isolamento. “Estudos mostram que o desconforto causado pela coceira
crônica pode ser comparável ou até superior ao da dor crônica”, indica.
Nos
casos mais graves, as lesões podem se tornar extensas e atingir grandes áreas
do corpo, acompanhadas de prurido intenso. Por essa razão, Galvão reforça que o
tratamento adequado reduz o risco de desenvolvimento de outras condições
associadas à dermatite atópica. Na prática, quando o paciente está bem
controlado, há uma melhora expressiva da qualidade de vida e a retomada das
atividades diárias.
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Tratamentos e avanços recentes
Nos
últimos anos, o tratamento da dermatite atópica deixou de ser apenas um
controle paliativo dos sintomas para entrar em uma nova era de terapias
avançadas e protocolos personalizados. Avanços na compreensão dos mecanismos
imunológicos da doença abriram caminho para medicamentos inovadores, capazes de
agir em alvos específicos da inflamação, oferecendo mais eficácia, segurança e
qualidade de vida aos pacientes.
Recentemente,
o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da condição foi
atualizado, incluindo novas opções de terapias avançadas para crianças e
adolescentes. Ainda há, entretanto, etapas burocráticas para que ele seja
implementado efetivamente para que, de fato, os tratamentos cheguem até as mãos
de profissionais da saúde e pacientes.
O
dermatologista explica que, na prática, o protocolo estabelece critérios claros
para o acesso ao tratamento, definindo faixas etárias, gravidade da doença e
terapias prévias necessárias, além de disponibilizar novas opções terapêuticas.
Isso traz mais organização ao processo e segurança tanto para os profissionais
quanto para os pacientes. Galvão indica que essas novas terapias trazem maior
eficácia e melhor perfil de segurança, sendo opções que permitem um controle
mais consistente da doença.
“A
atualização do protocolo representa um avanço importante, pois amplia o acesso
ao tratamento para pacientes que dependem do SUS. Embora existam pontos a serem
aprimorados, há consenso entre as sociedades médicas de que se trata de um
passo relevante para a assistência desses pacientes e mudança no padrão de
cuidado da condição no Brasil”, complementa.
Fonte:
Correio Braziliense

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